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Tópico: A odisséia de Taura

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  1. #1
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    Capítulo 7

    A caminhada pela caverna continuou. Uma bifurcação no caminho surgiu. Lady Minus falou, enquanto acenava para o resto da família:
    -Venham, por aqui.
    Taura, que se detivera para observar uma teia de aranha gigantesca, não ouvira o chamado, e logo ficou perdida. Gritou, mas não houve resposta. Optou pelo caminho da direita. Mal sabia ela que os outros haviam tomado o da esquerda. Escutou uma movimentação à frente. Imaginou que fossem os pais e o irmão. Porém estava enganada.
    Aos poucos, reconheceu um troll. Não, eram dois. Ou talvez três? Com aflição, a jovem constatou que havia cinco daquelas criaturas, inclusive um deles chamuscado cheirando a fumaça. Agora, muito mais enfurecido com a garota.
    Esta golpeou precisamente o braço de um, fazendo-lhe um profundo arranhão e desvencilhou-se dos demais. Não conseguiu gritar, tal era seu nervosismo. A menina pôs-se a correr, seus pés mal tocando o chão. Onde estaria sua família? Saberiam da ausência da filha? Taura desconhecia a verdade. A caverna, que agora se assemelhara a um mar de trevas e manchas devido ao seu medo, foi passando por seus olhos em borrões até sua visão focalizar-se em mais um troll, este bem mais alto e imponente que os outros. Ombreiras douradas um pouco desbotadas e uma grande e pesada clava eram os únicos objetos que levava.
    Numa velocidade assustadora, ele golpeou a jovem no rosto com sua potente arma. Rapidamente, sangue começou a escorrer de sua têmpora. Mas ela não deu importância ao ferimento. Acertou o tórax de seu atacante, o deixando enraivecido.
    Fugiu para qualquer direção, contanto que fosse longe daqueles monstros. Agora, seu rosto já estava banhado do líquido vermelho vivo. Passou pela câmara com a fogueira acesa e, sem querer, caiu num buraco ali perto, camuflado pela escuridão.
    Sua vista escureceu por alguns segundos, não sabia se por conta da mudança de luminosidade ou pela dor em sua perna machucada pela queda. Taura tinha seus motivos para achar aquele andar mais perigoso que o anterior, mas sabia que se não fizesse barulho, estaria livre de seus perseguidores. Deu alguns passos em direção ao desconhecido. Andou um pouco, seu coração agora mais calmo. Rapidamente, ele se acelerou, quando ela avistou uma forma medonha, pele esverdeada, com feições robustas. Taura conhecia aquela criatura, talvez vista em seu livro. Sabia ela que se chamava orc, num relâmpago de memória. Essas criaturas viviam em cavernas, em comunidades com trolls. Bem violentos, faziam pilhagens de pertences de aventureiros desavisados. Talvez, se Taura não se apressasse, faria parte da recompensa daquelas bestas. Mas, antes de dar o primeiro passo para sair dali, o orc investiu sobre ela, dando-lhe um soco que a fez parar longe. Atordoada, Taura viu dois monstros verdes. No início imaginou que estivesse tendo alucinações, causadas pelo soco. Mas não, eram realmente dois daqueles brutamontes.
    A menina se levantou com dificuldade, e correu às cegas. Tropeçou. Sabia que não havia mais escapatória. Sentiu as grandes massas se aproximando. Ela fechou os olhos, o ar viciado entrando em suas narinas. Supôs que aquele seria o último ar por ela respirado. Os passos chegavam mais perto a cada instante.
    Sentiu que estava sendo arrastada, provavelmente sendo levada para a toca, onde muitos trolls e orcs esperavam pelo almoço. Mas, Taura parou e pensou: um bicho forte como aquele não poderia levantá-la e carregá-las nos braços?
    Então, lentamente, ela abriu os olhos, que ainda estavam firmemente fechados. Mas, não viu o que esperava ver. Iluminista lutava para tirá-la daquele lugar, enquanto os pais detinham os orcs.
    Explodindo de felicidade, levantou-se, abraçou o irmão. Estava salva. Não querendo matar os bichos, porém podendo fazê-lo, Lady Minus lançou-lhes um feixe de luz prateada, que fez com que os dois macacos verdes ficassem atordoados. Olhos semicerrados, a língua balançando fora da boca. Cambaleantes, os dois saíram dando cabeçadas um no outro, fugindo para o interior da caverna.
    O grupo subiu a precária escada, aparentando ter sido instalada há décadas. Logo alcançaram o gramado verde, onde o cheiro era imensamente melhor e os pássaros cantavam livres pelo ar. Seu pai, falou, gracejando:
    -Essa foi por pouco, hein? Da próxima vez tome mais cuidado.
    Taura, por sua vez, respirou fundo e caminhou calmamente, com os ombros estranhamente leves. Só aí percebeu que o resto da família carregava sacolas de algo que tilintava agradavelmente.

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    Última edição por Bela~; 18-01-2009 às 21:36.

  2. #2
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    Esse capítulo foi muito legal de se ler, eu adoro ação, e foi o que não faltou neste capítulo
    só continuo achando que os capítulos deviam ficar maiores, pra eu ler mais

    achei estranha essa passagem:
    Acertou o tórax de seu atacante, o deixando enraivecido.
    mais uma vez eu digo; não sou o mestre da gramática, mas também não costumo ouvir a palavra em negrito com tanta freqüência. Não podia ser enfurecido?

    continue, eu continuo lendo!
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  3. #3
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    Capítulo 8


    Com o leve calor do sol tocando sua face, Taura sentiu cutucões pelo seu corpo. A voz de seu irmão adentrou-lhe as orelhas, despertando-a:
    -Acorde, Taura. Papai tem algo para contar-nos!
    Nem bem abrira os olhos, já levara mais uma pancada do travesseiro em seu rosto. Exibindo uma careta para Iluminista, a menina seguiu-o escada abaixo, um pouco emburrada. Ao chegarem na cozinha, o pai esperava recostado a uma cadeira, examinando displicentemente a palma da mão.
    -Bom dia, filha. – ele enviou-lhe um sorriso, que a fez ficar envergonhada de seu próprio estado de ânimo e responder alegre.
    Tenho uma tarefa para vocês. Suponho que não seja das mais fáceis, porém acredito que se sairão bem. O que tem de fazer é o seguinte: vão até a montanha das vespas e tragam o maior número de favos de mel possível. Para cada favo 10 moedas de ouro. No final dividirão a quantia e farão o que bem entenderem com ela. - ao ver os olhares cintilantes de ambos, ele continuou – tinha certeza de que gostariam desse joguinho. Agora vão, pois já é tarde. – acrescentou ele, arremessando uma torrada para a filha e um velho mapa para Iluminista.
    Algum tempo depois, lá estavam os irmãos, encurvados sobre o mapa, consultando-o. Após constatarem que a montanha localizava-se ao oeste, caminharam rapidamente, quase correndo. O coração de Taura estava acelerado, mas esta não se importava. Que mal pequenas vespas poderiam fazer? Após passarem pela escada por cima do muro, atravessarem um riacho e andarem mais um pouco, os dois depararam-se com um imenso monte, cujo cume desaparecia no meio de uma névoa fria que pairava no alto. Um pouco balançada com a altura da montanha, Taura começou a subir, seguida por Iluminista. A caminhada não era tão difícil, visto que havia uma espécie de rampa pedregosa em volta de todo o relevo. Aos poucos o ar se tornava rarefeito, e não mais era possível ver a grama lá embaixo. Finalmente pisando no cume, uma forma perfeitamente plana, os dois caminharam lenta e silenciosamente. Onde estariam as vespas?
    De repente, um grito. Taura olhou rapidamente para o lugar onde estivera seu irmão: havia apenas um buraco, camuflado pelas rochas ao seu redor.
    -Taura, eu estou aqui. Venha, a queda não é muito grande.
    A menina guindou o corpo e encolheu as pernas, aterrissando suavemente no chão. O buraco, revelando-se ser uma cúpula, era bem mais amplo do que imaginava. A única fonte de luz lá embaixo vinha de um portal, de onde vinha uma grande claridade cor de ouro derretido. Havia somente esse caminha a seguir. Ao passarem pelo grande portal, um forte aroma de mel adentrou pelo corpo dos gêmeos, indicando estarem perto do destino. Agora já era possível ver: como um rio de lava incandescente, lá estava o mel genuíno, desprendendo um cheiro imensamente doce. A câmara era circular, deixando-os com a verdadeira impressão de estarem numa colméia gigante.
    E lá estavam os favos, revestindo as paredes de pedra, e deixando-as com uma magnífica cor de topázio. Os irmãos desceram as escadas, aproximando-se ainda mais do mar de mel. Iluminista falou, olhos fixos na companheira:
    -É melhor começarmos logo.
    Logo em seguida, a irmã esticou o braço para retirar o primeiro favo, brilhante como metal. A tarefa seguiu-se por mais alguns longos minutos, até que todas as sacolas foram cheias. Quando já se encaminhavam para a saída, Iluminista disse, o sorriso malicioso:
    -Esse mel parece estar delicioso....
    Enquanto o irmão se abaixava para sorver o grosso líquido, um projétil passou por suas costas, rápido como uma bala.
    Estupefata, Taura olhou para os lados. Não muito longe de onde estava, uma nuvem escura se aproximava, zumbindo ameaçadoramente. Pelo visto o irmão ainda não havia percebido o perigo, e teve de ser chacoalhado pela garota:
    -Anda logo! Você nos meteu em uma grande confusão!
    Atordoado pelo susto, ele levantou-se, e só aí se deu conta da situação. O enxame crescia mais e mais, cercando-os. Uma vespa passou rente ao rosto de Taura, fazendo-a perder o equilíbrio e cair na piscina de mel. Ela bateu os braços freneticamente, sem resultado. Era como estar em areia movediça; e a menina não conseguia emergir.
    Iluminista, vendo a irmã em apuros, estendeu-lhe o braço, nervosamente. Taura, com imenso esforço, retirou as mãos da piscina, e esticou-as o máximo que pôde. Aturdida, a menina começou a correr para a saída, seus pés gosmentos colando no chão.
    Ela sentiu algo lhe perfurar o braço. Uma dor lancinante percorreu-lhe o corpo, adormecendo-o. Caindo de joelhos, viu suas mão tremerem de forma descompassada. Iluminista correu ao seu lado, socorrendo-a. Taura disse, sua voz fraca o bastante para o irmão ter de se aproximar ainda mais:
    -As vespas... são... venenosas... Precisamos sair... daqui.
    Após proferir essas palavras, ela sentiu sua língua pesada, sinal de que deveriam se apressar.
    -Consegue caminhar?
    Frente à resposta negativa da irmã, levantou-a nos braços, enquanto golpeava várias vespas furiosas, sua respiração entrecortada. Lembrando-se de que Taura não teria forças o suficiente para subir pelo buraco no cume da montanha, Iluminista dirigiu-se para outra passagem, localizada no extremo oposto da câmara. Estava jogando os dados, pois não tinha certeza se tal caminho os levaria para a saída. Era evidente que o nervosismo aumentava à medida que o corpo da menina amolecia debilmente.
    A visão de Taura escurecia a cada minuto, e seu irmão deveria apressar-se. De repente, um escorregão inesperado. O chão estava coberto de uma camada espessa de musgo, fazendo com que os gêmeos descessem mais e mais, como que em um escorregador. Após voltas e mais voltas, ambos viram a luz, e o ar tornou-se imensamente puro. Tornando a carregá-la nos braços, Iluminista seguiu, os passos ainda mais firmes. Agora havia somente manchas, e Taura via breves relances. O riacho, a ponte... Relutante, ela fechou os olhos, enquanto respirava muito precariamente.

    *****
    Podia sentir a movimentação ao seu redor. Pés apressados iam e vinham. Todo o seu corpo doía, mas não se importou. Talvez poderia abrir os olhos, porém não o fez. De repente, algo tocou seu braço suavemente. Ela pôde ouvir com clareza as seguintes palavras:
    -Exana Pox
    Sentiu a substância eletrizante percorrer-lhe as veias, espalhando-se. Seu coração bateu mais forte, e soube que a cor voltava ao seu rosto, pois este esquentava. Abrindo lentamente os olhos, ela viu o rosto cintilante de sua mãe, fitando-a com ternura.
    Última edição por Bela~; 18-01-2009 às 21:58.

  4. #4
    Avatar de Claudio Di Martino
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    Ah... eu gostei demais deste capítulo. Você pelo visto aumentou ele, a qualidade não caiu.
    Adorei a profecia do necromante simplismente incrivel, se for como estou pensando...

    Um ponto ruim: lembra da ocasião onde taura descobriu seu irmão? pois é, volto neste ponto. Os aspectos emotivos são meio que batidos, a Taura descobre que vai ter que ir embora, chora e aceita mesmo assim, não é tão fácil como pareceu. Também acho que os conhecimentos dos pais sobre o continente principal deveria ser muito limitado, pois como você mesma disse, quem vai, não volta, logo se os pais dela estão lá quer dizer que não foram, logo não têm sentido saberem tanto assim. Não que eles saibam, até porque você não fez isso transparecer, mas fica a dica pra você não tropeçar mais tarde

    vou continuar acompanhando!

    [opinião pessoal empolgada]e eu acho que eles deveriam ter encontrado o lendário orc atirador na floresta e terem travado a batalha de suas vidas!
    hahaha[/opinião pessoal empolgada]

    momento propaganda: visite o meu tbm, comentar não custa nada!
    Última edição por Claudio Di Martino; 20-08-2008 às 08:15.
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  5. #5
    Avatar de zack746
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    Poxa... Eu li e gostei muito....

    Eu concordo com Claudio mais agora não dá mais pq vc devia mostar ela e ele treinando sem saberem que eram irmão e irem se conhecendo ateh ele contar a historia, ai ela ia duvidando e juntando os pontos ateh ter aquela certeza...

    Soh peço que vc edite pq o primeiro capitulo está depois do segundo capitulo...
    ficou muito feio eu ter que ler o segundo não entendo bulhufas do inicio e depois ver o erro. Eh uma coisa facil e simples.

    O texto tah bom e ah historia tah otima, mais tah faltando alguma coisa ainda...
    Continue melhorando sempre, Tchau!




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    Última edição por zack746; 20-08-2008 às 14:22.

  6. #6
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    Vlw pelos coments, estou escrevendo o capítulo 9 agora, e colocando mais elementos emocionais...

    @zack
    vlw ;D Mas n entendi essa parte:
    Soh peço que vc edite pq o primeiro capitulo está depois do segundo capitulo...
    ficou muito feio eu ter que ler o segundo não entendo bulhufas do inicio e depois ver o erro. Eh uma coisa facil e simples.
    Editar oq??

    EDITED: Ah tá, entendi. Vc não poderia simplesmente olhar pelo índice?? Bem mais fácil... ¬¬

    Flw
    Última edição por Bela~; 20-08-2008 às 15:34.

  7. #7
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    Poxa, era soh um comentário construtivo...

    Desculpa, eh que eu não costumo mesmo ver pelo indice, perdoes

  8. #8
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    Capítulo 9

    Após a experiência com as vespas, a vida dos gêmeos seguia bastante agitada, até mesmo para guerreiros. Um ano já havia se passado, exatamente. Eles exploraram toda a porção norte da ilha, desvendando segredos e enfrentando criaturas bizarras. Além das vespas, trolls e orcs, havia cobras, besouros e aranhas venenosas. Todos esses num tamanho não muito normal. Porém, o que causou mais interesse e temor nos dois fora o orc atirador – a população de rookgaard chamava-o assim por conta de suas aguçadas habilidades com tiro à distância – a criatura vivia na parte leste da ilha cujo território só é explorado pelos aventureiros mais destemidos. A maioria deles vestia uma camisa azul turquesa que, segundo As criaturas de Tibia e seus mistérios, era a cor imposta pelo rei de todos os orcs, Krackulus. Este nunca fora visto em parte alguma do continente, portanto, muitos afirmavam ser apenas uma lenda. Além dos acontecimentos que rodeavam os irmãos, seu décimo sexto aniversário se aproximava cada dia mais, juntamente com o mundo de descobertas que os esperava...

    ******

    -Atenção, atenção! Barco partindo para a Ilha do Destino amanhã, ás seis horas!! Bilhetes mais baratos, apenas amanhã!!
    O pregão do menino invadia todas as ruas e alamedas de Rookgaard. Era cedo da manhã e acordar àquela hora não fazia parte dos planos de Taura.
    Contrariada, a menina levantou-se da cama, a visão ainda turvada pelo sono. Finalmente dando atenção às palavras do pregão, ela se perguntou o que seria a Ilha do Destino. Anotou mentalmente a pergunta, que seria feita em breve para os pais.
    Iluminista continuava imerso num profundo sono. Sabendo que não conseguiria adormecer novamente, Taura desceu os degraus de madeira de sua casa para tomar café.
    Estes, já bem gastos pelo tempo, cederam sob o peso da jovem, fazendo-a cair escada abaixo. Fora uma queda considerável. Reclamando, a menina entrou na cozinha, onde estavam seus pais. Vendo-a mancar, Herman disse, bem-humorado:
    -Levou uma surra da escada?
    A garota, que não se encontrava no mesmo estado de ânimo que o pai, disse:
    -Pois é. A propósito, o que é a Ilha do Destino?
    Ao ouvir a pergunta da filha, a expressão dos pais mudou, deixando transparecer a seriedade do assunto.
    -Taura, todos os guerreiros um dia devem seguir sua própria vocação, como já deve saber. A Ilha do Destino é onde os aventureiros escolhem, como o próprio nome já diz, o futuro. Infelizmente, quem para lá viaja, não mais pode voltar a Rookgaard.
    Nesse momento Iluminista chegou, impressionado com o buraco na escada. O pai continuou a conversa:
    -Meus filhos, dois anos já se passaram desde que o treinamento de vocês teve início. Estamos muito felizes com o seu desenvolvimento. Como já devem saber, a aventura não se resume a esta ilha. Há muito mais a ver e aprender, no continente principal. O que acham? Estão preparados para iniciar uma nova fase na jornada?
    Os gêmeos, chorando, abraçaram fortemente os pais. Iluminista disse, a voz embargada:
    -Mesmo nos dando um aperto no coração, não podemos negar que estamos prontos.
    Nesse instante Herman lhes mostrou duas gordas sacolas. Elas tilintavam com o volume de ouro que havia ali. A mãe continuou:
    -Em cada bolsa há quinhentas moedas de ouro. A quantia irá ajudá-los, espero. Tomem esse é seu presente de aniversário.
    Após isso, todos comeram rapidamente, sem nada proferir. Aquele dia, sendo o aniversário dos gêmeos, seria apenas dedicado à diversão.
    Eles poderiam vagar pela cidade o dia todo, sem se importar com as regras rotineiras, como a de chegar sempre antes do almoço. Ambos optaram por ir à biblioteca e desfrutar dos muito tesouros que lá havia. Era um local grandioso, e abrigava obras interessantíssimas, como lendas,contos e relatórios.
    Passados alguns longos minutos sem nada envolvente encontrar, Taura finalmente pôs suas mão delicadas sobre um livreto antigo, capa escura e levemente desbotada. Aparentava ser uma das mais velhas aquisições da biblioteca. Intitulava-se Profecias antigas do universo tibiano. Lançando uma rápida olhada ao irmão, que parecia já estar preso à leitura de Paladinos, a linhagem guerreira; Taura pegou o simples livro e começou a folheá-lo. Alguns trechos estavam escritos em alguma língua ou dialeto pela menina desconhecido. Parando para ler o título de cada profecia, ela deteve-se finalmente numa: O surgimento do mal. Começou a ler.

    Desde o último alinhamento dos planetas tenho observado minuciosamente os astros. Com minha experiência necromante percebi que havia algo errado logo após de confeccionar alguns mapas astrais e conversar com espíritos antigos.
    A instabilidade no plano terrestre estava seriamente abalada. Atentando-me a esse detalhe, comecei a pesquisar. Relatórios, folhas avulsas e livros entulharam minha pequena cabana.
    Mas, finalmente consegui decifrar totalmente o que os astros queriam avisar. Por isso, escrevi a profecia a seguir, para perpetuar minhas palavras e alertar as gerações futuras do mal que as rodeia.


    Os astros afirmam
    e reafirmam
    Um grande mal
    do povo se aproxima
    Passados os oito séculos
    Correspondentes aos
    planetas que se alinharam
    um grande mal surgirá
    devastando o mundo
    e seus moradores
    No entanto
    as metades da flor do campo
    a muito separadas
    pelas obras do botânico
    poderão afugentar esse mal
    da face da terra
    Todos os outros que tentarem
    serão mal sucedidos
    E ressalto
    as metades da flor do campo
    podem vir de qualquer
    plantação

    Relato de Batilda Vonswolf– data indisponível


    Após ler e reler a profecia várias vezes até gravá-la, Taura fechou o pequeno livro, voltando novamente seu olhar para o irmão. Este, com os olhos distantes, também fechava o livro que lia, com um leve, quase imperceptível, sorriso no rosto.
    A essa altura a rua estava movimentada com o alvoroço de sempre: vendedores gritando, pessoas transitando incessantemente sobre o chão pavimentado. Em instantes lá estavam os gêmeos, dois pontinhos indistinguíveis em meio à multidão.
    Andando lentamente, com a cabeça baixa e o cenho franzido, Taura ia caminhando ao lado do irmão, dando atenção alguma ao povo à sua volta. Aquela profecia a havia perturbado...
    -Taura, que tal caçarmos nosso almoço na floresta?
    O chamado do irmão não fora suficiente para tirá-la de seu transe. Porém, após de um toque não muito leve, ela despertou de seu devaneio. Falou rapidamente, desconsertada:
    -Ah, sim, claro.
    Em poucos minutos lá estavam os dois, sozinhos, sem fazer ruído algum. Silêncio total, nem mesmo o farfalhar das árvores era ouvido. Repentinamente, uma flecha poderosa cortou o ar, e Iluminista foi recolher sua caça.
    Minutos depois, enquanto comia o saboroso coelho assado, a menina massageava o couro cabeludo displicentemente. Iluminista, percebendo a inquietude da irmã, perguntou-lhe:
    -O que houve? Algo errado?
    -É que... na biblioteca. Li uma profecia que falava sobre o mal, que surgirá em breve, suponho.
    Ao ouvir a resposta de Taura, o garoto falou, indiferente:
    -Baboseiras. Não dê atenção a essas coisas. Quando eu morava na rua havia uma cigana que vivia falando nisso.
    -Mas Iluminista, a profecia foi escrita por uma mulher da tribo dos necromantes, uma das mais respeitadas!
    Mesmo assim, ele não deu maior importância às palavras da irmã. Apenas fez menção de se levantar e ir embora. Ao chegar em casa, foram recebidos com alegria pelos pais. Fazia sol naquela belíssima tarde de final de verão. Aproveitando o momento, os jovens foram banhar-se nas águas claras do rio, onde ficaram até o anoitecer, como no dia em que se reencontraram.
    Apesar de reconhecer que teria de se despedir de seus pais na manhã seguinte, Taura – e seu irmão, talvez – sentiram-se felizes por poder descobrir novos mundos. A noite começava a cair, e, cansados, os dois foram deitar-se. Observando as estrelas, os gêmeos adormeceram, viajando para terras distantes e desconhecidas.
    Última edição por Bela~; 18-01-2009 às 21:59.



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