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Tópico: A odisséia de Taura

Visão do Encadeamento

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  1. #13
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    Capítulo 3

    Ao som da cantoria de um galo, Taura Minus acordou, sabendo que dormira pouco. Iluminista já estava de pé, contemplando o nada. Observando sua expressão supunha-se que ele também passara a noite se remexendo por entre as cobertas. Nesse instante, o pai entrou, mostrando-se muito ansioso:
    -Filho, tenho uma coisa para mostrar-lhe. Venha comigo.
    Iluminista saiu lentamente do quarto. Após algum tempo, o rapaz voltou, rápida e inesperadamente. Estava sem ar, e aparentava ter corrido uma grande distância sem parar. Ofegante, disse:
    -Eu... juntarei-me a você... na jornada... papai comprou-me equipamentos. Precisamos tomar café para começar a treinar.
    Taura mal conseguia acreditar. Seu irmão a acompanharia para ajudar e ser ajudado. Seria realmente maravilhoso. Após engolir (literalmente) a comida, saíram aos trancos e barrancos pela rua com o pai. Chegaram a um campo gramado onde o cheiro de orvalho inebriava todos. Por conta de seu tamanho, seria um com lugar para praticarem todas as manhãs. Herman começou a falar:
    -Eu trouxe vocês aqui para trabalharem duro. Se quiserem ser aventureiros bem sucedidos, dediquem-se aos treinos. Mais cedo ou mais tarde vocês precisarão encontrar uma habilidade, a vocação. Se se sentirem indecisos, não se preocupem, terão tempo para escolher. Há quatro vocações: os guerreiros, os druidas, os feiticeiros e os paladinos. Os guerreiros dominam o uso de armas, os druidas e os feiticeiros são muito bons com magias, apesar de seus princípios serem totalmente diferentes. Finalmente, os paladinos são os melhores com arcos e flechas, e podem ser considerados os mestres na luta á distância. Agora, peguem essas espadas de madeira, pois não queremos que ninguém se machuque aqui, não é?
    Nem bem Taura pegara a espada, seu pai já gritara: “Lutem!”. Iluminista avançou ferozmente contra a menina, porém esta já estava preparada. Investiu contra o irmão espetacularmente e rendeu-o e jogando sua espada longe. Desvencilhando-se da ágil mas precária imobilização da irmã, o garoto correu, procurando uma saída. Inesperadamente, uma luz tão forte surgiu do meio de suas mãos que fez a visão de Taura ficar turva. Como um relâmpago, uma flecha flamejante como fogo cortou o ar, atingindo em cheio a perna da menina. Numa fração de segundo ela já se contorcia no chão uivando de dor. Iluminista correu até ela, desesperado:
    -Taura, me desculpe, eu não consegui controlar aquela luz! Oh, eu lamento muito, Taura!
    Sua pele estava estranhamente avermelhada, e começaram a surgir bolhas. Agonizando, ela arrastou-se lentamente até o córrego, próximo dali. O pai não parecia muito preocupado com a situação da filha, apenas lhe falou:
    -Não tenha medo, as bolhas desaparecerão logo. Aquilo que seu irmão lançou é apenas uma magia temporária, feita para retardar o adversário. Ainda assim me pergunto como ele foi capaz de conjurá-la.
    Enquanto Taura mergulhava suas pernas na água, suspirando longamente, Herman dirigiu-se ao filho:
    -Como você fez aquilo?
    Encolhendo-se, esperando uma bronca do pai, ele disse, quase enterrando o olhar no chão:
    -Bem... apenas mentalizei uma forma de me salvar do ataque. De repente aquela luz apareceu, e não pude pará-la. – deu uma pausa, apalpando os pulsos e depois a testa – estou cansado, um pouco tonto.
    O pai respondeu:
    -Foi a magia lançada. Você gastou muita energia para executá-la. Agora, vamos ver como está nossa Taura.
    E menina já não chorava. Apenas soltava um ou outro soluço. Herman falou, com ar doce:
    -Está se sentindo melhor? – continuou, ao ver o gesto positivo da garota - Acho que vocês já estão prontos para enfrentar o subsolo. Eu havia subestimado o potencial de luta de vocês. O que acham?
    Taura balançou mais uma vez a cabeça afirmativamente, porém tensa. Iluminista apenas engasgou um pouco, mas concordou. A hora do almoço se aproximava. O grupo voltou para casa, e saboreou o arroz com lentilhas e carne feito pela mãe. Herman descansou o garfo na mesa e falou:
    -Aos ratos! – Ao ver a expressão espantada e atônita dos filhos, ele nada disse, apenas prendeu uma gargalhada.
    Última edição por Bela~; 18-01-2009 às 21:33.



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