Capítulo 2 chegou. Leiam com cautela e me digam quaisquer errinhos, críticas são sempre bem-vindas.
Tempo – Ilusão que Algema – Capítulo 2 – A Rotina Quebrada
89 batidas por minuto. O trânsito já não era surpresa para Omar, que não escutava as buzinas e gritos dos outros motoristas, graças à música de Pink Floyd, ao fundo.
Ele era calmo, porém indiferente. Não se mobilizava tão facilmente, e essa frieza o ajudou na escala da fábrica. Sua pele branca combinava com o terno Armani. E seus óculos, sempre impecáveis, eram fundamentais na manutenção dos relógios e para ler. Sua visão fora muito prejudicada pelas madrugadas a fio que Omar se dispunha a concertar e fabricar novos relógios.
Seu olhar sem cor apenas refletia a vontade estática de permanecer em repouso. Quando Omar ouvia suas músicas eles chegavam a ganhar cor, e a ânsia de desfrutar o novo o invadia completamente... E durava até desligar o som.
Chegando ao prédio onde trabalhava, estacionou o carro e saiu calmamente. Olhares o seguiam até ele chegar na recepção, onde sem emoção cumprimentou a moça que todo dia, com um sorriso, lhe dava boas vindas.
À medida que o elevador subia, ele ajeitava a gravata e segurava firmemente sua maleta na mão esquerda.
Décimo oitavo andar. Destino: Diretoria.
- Senhor Omar, o fornecedor da Corin ligou. Ele gostaria de falar com o senhor à respeito do preço das Arruelas Lisas de Celcon, para as engrenagens dos relógios. Ele disse que ligaria novamente à tarde.
- Obrigado.
A secretária de Omar tinha um trabalho muito duro. Ela sempre procurava manter um agradável sorriso, pois a falta deste fora motivo de demissão das secretárias anteriores.
Ao passar por entre os corredores foi logo para sua sala de diretor da fábrica. Conquistara este cargo com muito esforço, se mostrando muito mais competente do que os outros aspirantes ao cargo.
Sua sala era muito bem adornada. Um ventilador de teto refrescava o local.
A mesa de Omar era bem organizada. Quatro gavetas, duas em cada lado, continham o básico que era preciso para o diretor da fábrica. Atrás da poltrona dele havia uma grande janela, que se estendia de parede a parede. Sobre a mesa, um laptop, algumas pastas com as principais filiais e distribuidoras de peças e os punhos abertos de Omar. O sol iluminava agradavelmente o local.
As gavetas da esquerda continham vários utensílios, além da papelada. Omar freqüentemente as verificava, o que não fazia com as gavetas da direita.
8:07 da manhã. O dia mal começara, porém ainda havia muito trabalho.
***
A lua provia a única iluminação vinda dos céus, além das estrelas que enfeitavam o panorama celeste.
21:18. Omar já guardara tudo e se preparava para sair da empresa. Despediu-se da secretária e já a autorizou a encerrar o expediente.
Pegou o elevador e enquanto ia descendo, Omar dava uma rápida olhada no relógio. A fábrica já estava quase fechando.
Novamente, um típico “Boa noite” ao segurança e passos acelerados em direção a seu carro. Desta vez, Led Zeppelin ao fundo.
Checou sua maleta, o porta-luvas, e já estava pronto para voltar. Franzia a testa, e seus cinqüenta e dois anos estampados no rosto demonstravam certa inquietude. Já não via mais cabelo quando olhava para o espelho, somente sua careca reluzente.
***
Enquanto isso, na casa de Omar, os relógios pulsavam em sincronismo.
O cuco do relógio saíra para cantar, porém eram 21:42.
***
Sua casa se aproximava. Omar desligou o som, abriu o portão, e entrando lentamente em casa, estacionou o carro.
104 batidas por minuto. Omar, em meio a passos largos saiu do carro e abriu a porta de casa. Uma pequena gota de suor escorria por seu rosto.
Ao acender a luz, os olhos de Omar tremeram. Largou sua maleta imediatamente pelo choque e observou com cautela: Os ponteiros dos relógios de sua casa se moviam no sentido anti-horário.
(continua)
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