Sem prazo, com inspiração. Diga sim ao...
CAPÍTULO IV - A Caverna dos Espíritos
(...) Aquele escuro começava á ficar estranho. Algo misterioso estava para acontecer.
Deslizavam vagarosamente no ar, como se o mesmo fosse de seda. O escuro e as passagens estreitas não pareciam barreiras para eles.
... e eu me aproximava deles, um deitado no chão, ferido e aparentemente inconsciente. Havia duas linhas de lágrimas que marcavam seus olhos. Algo havia feito o pobre humano sofrer muito. O outro não estava ferido, e lançava um olhar triste e frio para ele.
Me aproximei, porém notei algo estranho. Ele nem sequer se deu conta da minha presença. Estaria traumatizado a ponto de não ver nem ouvir a mim?
- O quê pode ter acontecido com você? O choque não pode ter sido tão forte assim.
E olhou para o toco manchado de sangue na mão de Lucas.
- Isso não pode ser verdade. É melhor não acender as tochas... Isso... isso parece um pesadelo...
- Por que diabos estou falando comigo mesmo?
- Lucas, por favor acorde! - gritou ferozmente. O som ecoou por toda a caverna.
(Algum tempo depois...)
- Q-quem está aí? Aonde estou? - gaguejou, e imediatamente se deu conta de estar apoiado numa dura superfície. Algo em sua mão esquerda doía como nunca.
- Lucas!
- Steven...
- Me escute. Temos que arranjar um jeito de sair desse lugar. Você pode se levantar? Está doendo muito?
- Tento.
Após várias tentativas, e um tremendo esforço, Lucas se levantou, apesar de só conseguir ficar de pé numa postura totalmente envergada. Havia ficado inconsciente por mais de uma hora naquela superfície dura e cheia de pedras.
Steven acendeu uma de suas tochas e os dois começaram á andar, porém Lucas andava muito lentamente, o que obrigava Steven a ajudá-lo constantemente.
A passagem ficava cada vez mais estreita, á medida que as horas passavam; Não havia bifurcações, apenas um único caminho que dava curvas e mais curvas, impedindo a visão do que vinha á seguir. A chama da tocha dava um efeito bruxeleante á cena, e Lucas sentia medo, combinado com os espasmos de dor vindos do dedo partido. Não era uma situação agradável.
Após algum tempo, esse corredor começou a descer. E parecia que iam cada vez mais fundo. Ao fundo, escutam um estranho barulho.
Lucas logo identificou-o. Rochas de todos os tamanhos caíam a toda do topo da caverna. Os dois correram o máximo que puderam para evitá-las, porém agora não podiam voltar.
Encontraram uma bifurcação com três caminhos, e escolheram o da esquerda.
Após andarem mais um pouco, ali estava outra bifurcação, com outros três caminhos, e outra, e outra.
Tinham entrado pelos caminhos certos? Disso não tinham certeza. O calor ficava insuportável, e havia morcegos por toda parte fazendo "Flap-flap".
Estavam numa parte que havia lascas afiadíssimas de pedra. Lucas teve dificuldade em passá-las, o que demorou quase outra hora.
Por fim, chegaram numa parede sólida.
- É o fim da linha! Pegamos o caminho errado!
- Impossível! Levará horas para voltarmos...
- Espere, há um buraco aqui.
- Ei, leia isso aqui, parece uma inscrição antiga...
- Está em latim. Loui me ensinou latim quando eu era mais jovem.
Nesse momento, a segunda tocha de Steven tinha acabado. Pegou outra, e acendeu-a. Aproximou a tocha para poder ler:
- "Jaz ao lado a oferenda. Ao brilho da escuridão e ao sangue de quem tenta. A glória eterna não passa daqui. Só morte a quem prosseguir".
- Você acha que devemos passar?
- Sinceramente, eu não sei. Mas a resposta é obvia, devemos colocar essa pedra que peguei lá naquela montanha, lembra?
- Sim...
Steven colocou a pedra, e ouviu-se um "Creck!" em algum lugar.
- Alguma coisa foi ativada... mas essa parede não abriu...
- "Ao brilho da escuridão e ao sangue de quem tenta"... Não acha que...?
- Tem razão. Isso vai doer.
Steven pegou uma pedra afiada no chão e usou-a para fazer um corte em seu braço. Várias gotas de sangue jorraram sobre a cavidade onde fora encaixada a pedra. Após alguns segundos, ouviu-se vários barulhos estranhos que aparentavam mecanismos, e a parede cedeu.
- Isso é bem estranho... - disse Lucas. Havia uma nota evidente de medo em sua voz.
- Vamos. Não temos escolha...
Após caminhar mais algum tempo, a passagem estava tão estreita que começava a ferir os dois. Estavam todos ralados e feridos, com destaque Lucas, que mal podia se locomover.
Uma das pedras fez um corte profundo no braço de Steven, que ardeu tão intensamente quanto fogo.
- Maldiççççççãooo ! - enfureceu-se.
Steven começou a perder as esperanças. Estava com mais fome do que nunca, sem equipamentos, as tochas estavam no fim e estavam seriamente machucados. Mas, como uma luz no fim do túnel, a passagem estreita cedeu, e revelou uma cena impressionante.
Uma espécie de piscina enorme de lava ocupava toda a enorme extensão da passagem á seguir. O único meio por onde passar era a estreitíssima borda. A lava estava tão quente que borbulhava e soltava grossas camadas de fumaça levemente acinzentada.
- Acabou. Não tem como eu passar aí - disse Lucas.
- Mas... tem que ter um jeito! Por favor, vamos tentar.
Os dois, cuidadosamente, foram se rastejando pela borda, que parecia cada vez mais estreita e interminável.
- Socorro, me seguraaaaaa! - gritou Lucas
- Você não vai cair! Não olhe para a lava! Segure na minha mão! - bradou Steven.
- Sua mão está suada...
Lucas desequilibrou e ficou pendurado na mão de Steven. Enquanto o peso o repuxava para baixo, o suor fazia com que Lucas escorregasse...
Era tarde demais. Os dois cairam.
Mas aquilo era lava? Não estava parecendo. Estavam caindo em uma espécie de abismo... caíram por alguns segundos, depois bateram em alguma coisa mole que amorteceu o impacto.
- AREIA MOVEDIÇA!!!!!!!! CORRE!!!!!!! - gritou Steven.
Os dois correram para um canto, mas Lucas estava sendo puxado.
Steven deu um puxão com força e livrou-o da areia.
- Aquilo não era lava... era uma ilusão... aposto o que quiser que no fim daquele caminho não tinha saída. Foi bom termos caído.
- Até que você tem razão...
- Esta é a minha última tocha. Temos que achar uma saída logo ou ficaremos perdidos aqui... e vamos acabar morrendo.
E prosseguiram o caminho, se deparando com algo ainda mais impressionante do que tudo que já haviam presenciado...
CONTINUA...
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Comentários do Autor:
Resolvi deixar o capítulo simples, mas não esqueci os detalhes e o realismo.
Coloquei vários obstáculos no caminho e uma trama cada vez mais misteriosa.
O capítulo está praticamente na mesma metragem do anterior, não está muito longo. Serviu apenas de "aperitivo" para o quinto. Ficaria muito grande se eu escrevesse quarto e quinto em um capítulo só.
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