Um mês, mas ta aqui...
Bimestre final cheio de trabalhos pra não repetir de ano enche o saco ;p...
Capítulo 12 – Ser Humano, ser Repugnante...
- E então, Vanessa, concorda com o plano?
Fica me observando, me fitando, me analisando, esperando pela resposta, na qual ele já sabia qual era, mas mesmo assim se ufanava em fazer-la:
- Pergunta idiota, ridícula! Você sabe a resposta... Como não poderia concordar? Se eu recusasse, deixaria isso pra trás?
- Não – Replica secamente – Só que, se no final todos ganharão algo, então não é um plano todo ruim, não acha?
- Besteira. Porém, você deve saber que não sou a única a ter acesso ao cofre.
- Claro que sei, minha Vanessa. Não sou burro. Mas não pense nisso, desse problema eu já cuidei faz tempo...
- Como assim?
- Bem, aí já não é de sua conta...
****************
- Aqui está senhor, embrulhado como havia pedido. Com certeza, sua sobrinha irá adorar o presente!
- Sim, ela ama esses tipos de brinquedos. Bem, já vou indo, tenha uma boa noite!
- O senhor também!
Logo após me despedir da atraente vendedora, passo no caixa da loja e pago pelo que acabara de comprar. Quinhentos reais custara, mas não é nada se em troca eu receber um “obrigado” ou apenas ver um sorriso estampado na face de Stella, minha querida sobrinha. Fará aniversário amanhã, e este brinquedo, uma casa de bonecas, será o presente.
- Vamos Anderson.
Anderson, um de meus seguranças pessoais. Um rapaz negro de vinte e cinco anos, e que mede quase dois metros de altura! O mais antigo de todos, trabalhando comigo há cerca de oito anos. Podem achar segurança uma coisa fútil, de gente esnobe, mas, morando em São Paulo, e tendo o trabalho que tenho, é necessário, e vital...
- Anderson, você acha que ela gostará do presente? – Pergunto a ele, enquanto passamos por diversas lojas já fechadas e desativadas do lugar, com apenas algumas lanchonetes ainda em atividade. Não o olhava como um simples segurança, tal o tempo que trabalhava pra mim. Se tornara um amigo, e conversávamos sem formalidades...
- Sem dúvida que sim, Sr. Augustus. Que nem aquela Barbie que o senhor deu a ela no Natal.
- É, foi caro, mas dinheiro não é problema para fazer minha única sobrinha feliz...
Chegamos ao estacionamento, no subsolo do shopping, Anália Franco, onde meu carro, um Mercedes preto, se encontrava. Anderson o pega - além de meu segurança é motorista - e logo depois guarda o presente no porta-malas.
- Aonde o senhor quer ir agora?
- Casa. Chega por hoje. Vou ter que me levantar às seis da manhã.
- Sim senhor.
Saímos do estacionamento, relativamente cheio para o horário que era, e seguimos em direção à minha casa. Sentado no banco de trás do veículo, deslumbro a cidade através do vidro funê, blindado, logicamente. A noite deixa São Paulo mais atraente, esbelta, misteriosa, divertida. Mas também guarda os males que se escondem e se armam na escuridão, deixando-a mais violenta, perigosa... Sombria. Enquanto isso, os ponteiros de meu relógio de pulso marcavam onze horas da noite, tarde demais para uma pessoa como eu andar por aí. Porém, me sinto bem nesse carro, com esses vidros, onde através deles ninguém de fora vê minha face, não sabendo quem ou quantos estão dentro do automóvel. Estou seguro, protegido...
- Senhor, o celular.
- Como?
- O celular, do seu lado, está tocando.
- Ah ta – Nem reparo no som que fazia, um toque do hino do time que torço, São Paulo. Aperto um botão localizado na porta esquerda posterior do carro e um vidro aparece no meio do veículo, separando a parte traseira da frontal. Um vidro anti-som, para assim eu ter mais privacidade e logo em seguida atender a chamada:
- Alô?
- Sr. Augustus, o senhor preza pela sua vida? – Do outro lado ouço a voz de um homem, meio rouca, abafada. Não reconheço quem é...
- Quem ta falando?
- Preza pela sua vida a ponto de, para não correr risco algum, concordar em colaborar para um assalto ao seu próprio banco?
- Oras, vá pro inferno!
Interrompo a ligação, fechando o celular. Vadios, vem passar trote numa hora dessas! Cretinos...
Mas...
Passam-se alguns segundos e o celular toca, mais uma vez. Tento ignorar, mas não pára de fazer barulho... Impaciente, não vejo outra solução a não ser desligá-lo, não estou a fim de me aborrecer por tolices...
Paz novamente. Volto a olhar e apreciar a rua, tento cochilar um pouco, coisa que não faço há tempos. Só mais meia hora e estarei em casa... Fecho os olhos, mas logo depois sinto o carro parar, deve ser algum semáforo vermelho, nada de mais... Dormir só um...
- Sr. Augustus...
- Droga Anderson, o que foi agora? – Estava do lado de fora, na rua. Havia parado o carro no acostamento e aberto a porta traseira, segurando um aparelho em sua mão direita:
- Desculpe, é que alguém ligou no meu celular e insiste em falar com o senhor, argumentando que não consegue ser atendido no seu número.
- Ah, está bem. Volte a dirigir, depois devolvo pra você.
Ele obedece, liga o carro novamente e continuamos a trilhar as ruelas e passarelas da capital. Atendo a ligação, num simples celular pré-pago, já irritado com a situação atual:
- Quem é?
- Sr. Augustus, o senhor preza pela vida...
- Olha aqui seu vagabundo, quer parar com essa besteira...
-... Preza pela vida de sua sobrinha, Stella, que completará maravilhosos sete anos amanhã?
Não sei o que houve, mas de repente perco o controle, apertando o aparelho com força em minhas mãos trêmulas. Brincar comigo é uma coisa, mas por o nome de minha sobrinha no meio?!
- Ouça bem, se isso for uma brincadeira, já perdeu a graça. Quem é você?
- Quem sou eu? Hum, sou uma pessoa que conhece alguém que neste instante está apontando uma Robar Q... Bem, não importa eu dizer o nome, nem deve ter idéia do que trata. Só precisa saber que a mira de um rifle está direcionada exatamente para o banco do motorista, onde está seu segurança. Anderson o nome dele, não é?
Ele está blefando, é mentira, não tem sentido isso...
- Escuta, não é por que você sabe o nome deles que significa que acredito no que diz...
- Ahh, que chato. Nem mesmo se eu disser que seu carro nesse momento está parado numa rua chamada Antonio de Barros, e que posso mandar atirarem em Anderson do local onde estou?
Não, ele não vai...
- Imbecil, mesmo se fosse verdade, os vidros são blindados, não tem como...
- Mas, olhe só, a porta do lado dele não está com o vidro totalmente fechado, podendo vê-lo claramente daqui... Descuidado ele...
- Você não seria capaz de...
- É, já falaram isso pra mim, e o resultado não foi nada bom pra eles. Só que, rua deserta, semáforo vermelho, vidro funê do qual ninguém conseguirá ver algo, não vai ser difícil... Mas, se não acredita, deixa pra lá, só avise pro Anderson erguer o vidro, é mais... Seguro. Entretanto, tem cinco segundos...
- Quanta besteira...
- CINCO...
- Você não pode estar falando sério...
- QUATRO! Sr. Augustus, se acha que estou mesmo brincando, pode tentar dormir um pouco, teve um dia cansativo, enfadonho...
- Merda!
Solto o celular, o deixando cair no chão do carro. Aperto desesperadamente o botão para descer o vidro anti-som o mais rápido possível, enquanto que ao mesmo compasso ouço em auto tom “Três!” vindo do aparelho.
- Anderson, fecha o vidro!
Ele não percebe. O filho da mãe ouvia música no volume quase no máximo. Desligo o CD-Player bruscamente e consigo escutar aquele cretino gritar “Dois!” no celular.
- FECHA O VIDRO!!
- Um!
- Hã, quem ta gritando no celular? E por que o senhor quer que feche o vidro, está...
- Não importa, mas feche a porcaria do...
Não termino a frase. Não há mais necessidade, também nem tinha mais energias para tal. Aconteceu, de fato. Foi instantâneo. Uma bala vinda de fora passa perfeitamente pela fresta deixada no vidro entreaberto, atingindo intensamente o lado esquerdo da cabeça de Anderson. Com um baque ele cai, deitado, entre os dois bancos da frente, e do furo feito pelo projétil jorra-se sangue por todo o veículo: No painel, no volante, nos bancos de couro, em minha camisa, em meu rosto...
...
O imbecil foi eu.
Ainda em estado de choque, pego o celular antes esquecido no chão, mas, não sei o que dizer, não consigo, só o coloco no ouvido, nada mais...
- Hum, sinto que você está aí me escutando. É uma pena, um empregado que trabalhou fielmente durante oito anos ser morto por causa da teimosia de seu patrão. Triste... Vai me ouvir agora ou sua querida Stella será a próxima “prova” de que estou falando sério? Quanto ao corpo, não se preocupe, já tem pessoal indo “cuidar” disso...
Não, minha Stella, minha sobrinha, filha de minha irmã, não! Ela não pode... Não deve. Limpando o sangue que lentamente escorria por minha face e que se misturava com as lágrimas recém-derramadas, reúno o máximo de forças possível, e o respondo num tom fraco, melancólico:
- Pode falar, sou todo ouvidos...
Críticas, o que acharam, sugestões e blá blá blá, sempre bem vindos...
Dard*![]()







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