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Tópico: O Sangue de Crunor

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  1. #1
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    Melhorou ! Semana melhorou, Palmeiras já ganhou ontem.
    Tomara que continue assim.
    De presente, capítulo novo e o fim da parte de Rookgaard.
    A história realmente começará a partir do capítulo 8.




    Capítulo 7 – O adeus e o novo início.





    A mão direita de Argos tateou suas costas em busca do cabo da tocha, presa por uma corda. O troll avançava contra o rapaz, a clava de madeira pronta para o golpe que desta vez seria mortal. Um calafrio percorria toda a coluna do jovem guerreiro, porém ele sentia que desta vez havia sido superior e havia controlado aquele ódio que lhe atingia toda vez que algo ruim acontecia. Argos então descobriu porque ainda não era digno de sair de Rookgaard, seu ódio o transformava de guerreiro em um bárbaro com sede de sangue.

    - Obrigado Oráculo. – sussurrou agradecido, o jovem agarrou o cabo da tocha e lançou contra o troll que corria contra ele, bufando.

    Com um movimento cego o troll tentou acertar a tocha com sua clava, mas sem sucesso sentiu as chamas percorrerem o seu corpo. Agonizando, a criatura deixou o escudo e se pos a correr novamente, sua clava queria sentir a carne daquele maldito moleque.

    __________


    O mercenário assistia a batalha enquanto seu arco apontava para Argos, estava esperando o final da batalha, talvez em um golpe de sorte o troll poupasse seu trabalho. Estava apreensivo. Viu as chamas percorrendo o corpo do troll enquanto o mesmo avançava. Viu um homem desacordado próximo ao jovem, sentado contra a parede. Viu Argos se inclinar enquanto novamente sua mão direita tateava as suas costas. Viu...

    __________


    Foi então, enquanto o troll corria ao seu encontro, que Argos pegou uma lança. Outras quatro estavam presas pela corda. Correndo insano contra o rapaz, o troll cambaleou e parou quando uma lança atravessou seu corpo. O peso da clava se tornou insuportável neste momento e o troll a soltou. Até seu próprio peso era insuportável e assim o troll caiu, ofegante. Com o corpo chamuscando e o sangue escorrendo pelo chão da caverna, aquela grande criatura se rendeu.

    Cansado, Argos sorriu. Havia agido como um guerreiro honrado e derrotado aquela criatura como um homem, sua mãe teria orgulho dele. Talvez não tanto, pois Argos já havia feito sua escolha. Quando a noite já caia Argos continuava a acertar uma arvore ao sul da cidade com suas lanças. Algumas lanças já haviam ficado velhas e se partido, mas o jovem tinha uma certa habilidade para confeccioná-las. Se tinha algo que o garoto tinha habilidade era com as lanças, seu treinamento fez seus braços acostumar com o peso delas e seus tiros se tornarem cada vez mais mortais.

    - Maldito! – exclamou Argos após ter dado um passo na direção do troll, para recuperar sua lança. Uma flecha havia acertado em sua cocha direita, a dor era tanta que os gritos do rapaz ecoavam por toda a caverna – Bastardo maldito! – gritava enquanto olhava em volta, com a mão direita sobre a perna.

    __________


    Não foi um bom tiro, não foi. O mercenário não havia feito jus ao seu título, tremia. O jovem caído a sua frente gemia de dor, era a sua segunda chance. Desta vez não iria errar. Pegou outra flecha no saco preso a sua cintura e prendeu junto ao fio do arco, seus dedos puxaram a flecha com força e então a soltou. A flecha cortava o ar enquanto buscava o corpo de Argos.

    __________


    O jovem procurava o responsável pelo ataque, alguém havia desrespeitado o tratado de paz de Rookgaard. Cipfried precisava saber disso, urgentemente. Quando tentou se levantar um grito de horror cortou o ar. O rapaz que havia sido atacado pelo troll e estava desacordado sentiu a ponta afiada de uma flecha rasgar sua cota de malha e atingir seu peito, o grito ecoou por toda a caverna.

    Argos olhou para o rapaz que agonizava, a dor era intensa e seu corpo começara a desistir de viver. Com as duas mãos tentava arrancar a flecha do peito, porém ao tocar na flecha a sensação do peito rasgando era indescritível. Respirava ofegante e chorava, suas lágrimas molhavam o chão da caverna. Argos novamente via um homem morrer e não sabia como ajudá-lo, sua mão tremia e ele não entendia como alguém poderia matar outra pessoa assim, com sangue frio. O sangue do rapaz escorria pelo seu peito e se unia as suas lágrimas, escorregando pela parede o jovem deitou no chão da caverna.

    Com a flecha cravada na perna, Argos se levantou. Sentiu uma fisgada mas nada iria impedir de achar aquele maldito assassino.

    - Bastardo maldito! Você não terá uma terceira chance! – gritava o rapaz nervoso, cada parte do seu corpo tremia sem parar. Em sua mão jazia uma nova lança e o garoto olhava do ponto de onde obviamente havia vindo à flecha. – Serei obrigado a enfrentá-lo, caso você não apareça! – o garoto se manteve em silêncio por alguns segundos, então um pequeno estralo o chamou a atenção. Com um movimento rápido a lança do jovem rasgou o ar e sumiu pela escuridão, acertando a parede logo após.

    Foi então que um ser de capuz saiu correndo das sombras que se escondia e desceu as escadas logo à frente. Argos gritou porém o homem de capuz não o olhou e então o jovem tentou segui-lo, mancando. Seguiu andando até encontrar uma mesa velha, pedaços de veado assado estavam sobre ela, encostado ao pé da mesa havia corpos de veados podres e uma quantidade imensa de ossos. O garoto segurava a lança enquanto se apoiava sobre a perna esquerda, a direita latejava.

    - Apareça! – gritou o rapaz – Apareça maldito! Não tem coragem de enfrentar um homem frente a frente? Mesmo eu estando ferido?

    O silêncio se manteve e Argos percebeu que não adiantava seguir. Sem nenhum tipo de defesa e com uma lança em punho o jovem se sentiu fraco. Eles ainda se encontrariam e desta vez aquele assassino não seria capaz de escapar.


    Dallheim fazia guarda na ponte norte de Rookgaard quando viu o jovem Argos Fall caminhando na direção da cidade, apoiado por dois rapazes em situações muito melhores do que ele. Argos estava sem qualquer equipamento, nem seu escudo de madeira. Três lanças estavam presas nas suas cotas, ao lado de seu saco, onde havia um pedaço de carne cru e alguns sacos com moedas de ouro. O cansaço era visível no rosto do rapaz, havia um corte no seu braço que já não sangrava mais e metade de uma flecha cravada na sua coxa direita.

    - Argos! Rapaz, o que houve? – disse Dallheim, se apoiando para ajudar o garoto – Lewoen, Gabriel... Obrigado pela ajuda. Irei levá-lo para o Cipfried.

    - Sim senhor.


    Suon acariciou o rosto de Argos pela manhã, seus raios iluminavam as ruas da cidade. A escada rangeu quando o garoto começou a descê-la, a perna ainda doía desde o dia que a flecha o acertara. Estava pronto para a resposta do Oráculo nesse dia, sendo positiva ou não. Acompanhado de Seymor e de seu primeiro amigo na ilha Rookgaard, Cipfried, Argos caminhou mancando até a estátua que o cumprimentou com os olhos vermelhos.

    - Bom dia jovem Argos. – a bela voz do Oráculo ecoou pela sala.

    - Estou pronto Oráculo. Espero que você ache o mesmo. – as franjas mal-cortadas foram afastadas do rosto com o braço direito enfaixado.

    - Está preparado para receber a resposta? – perguntou o Oráculo.

    O garoto confirmou com a cabeça enquanto a lembrança de Donovan vinha a sua cabeça.

    - Então meu jovem, qual a cidade que receberá o mais novo guerreiro do continente?

    Argos sorriu e olhou para Seymor e Cipfried que retribuíram o sorriso.

    - Quero voltar para minha vila, vou para Thais. – disse o jovem, confirmando com a cabeça.

    - E quer ser honrado com qual classe? – perguntou.

    - Um guerreiro! – respondeu Seymor por Argos, gritando da porta.

    - Não incomode o garoto Seymor. – ralhou Cipfried.

    - E então? – tornou a questionar o Oráculo.

    Lembrando de tudo que havia passado e de noites treinadas com ou sem seu mestre, Argos sorriu. Algo dentro do seu peito dizia que ele não queria ser como seu pai, ele queria ser tão bom quanto ele. E ele seria bom do seu próprio modo.

    - Um paladino. – disse o garoto e viu Seymor e Cipfried se entreolharem.

    - Então, está pronto para o início de sua nova vida?

    Lembrando de tudo que havia passado, de todos os perigos e situações o garoto olhou para o monge e o bibliotecário na porta.

    - Senhor Seymor, te devo todo meu conhecimento. Obrigado pela amizade.
    O homem de cabelos vermelhos sorriu, não era todos os novatos que conseguia conquistá-lo daquela maneira, principalmente sendo um jovem de quatorze anos.

    - Senhor Cipfried, descubra o responsável por isso como eu lhe informei. – disse o rapaz, mostrando a coxa enfaixada – Obrigado por todo o tipo de ajuda que me deu nesses anos que eu estive aqui, reze no túmulo do meu mestre, por favor.

    O monge confirmou com a cabeça e nada falou, uma mão apertava a outra.

    - Estou pronto, assim como nunca estive. – disse ao Oráculo.

    - Que assim seja.

    Os olhos do Oráculo brilharam enquanto um manto cor azul cercava o jovem.
    Foi então assim, do mesmo modo que chegou, que o corpo do garoto sumiu e seu título foi marcado: Argos Fall, o paladino.


    Sem mais;
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  2. #2
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    Mais um capítulo de qualidade ficou ótimo ^^

    OBS: Gostei do tributo
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    :wub: Eu AMO Panetone!!!:wub:
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    Eu cantarei,
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  3. #3
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    Muito bom cara, se superando cada vez mais...
    espero que continue com o bom trabalho
    flw \o_
    I don't need wings to fly, because your eyes are my sky
    (Real Name: ShadE!)

    Enquanto isso num chat de msn:
    \<-\†/->/·گħåÐέ·\<-\†/->/ - !<?“Foda-se! Estou de férias.”?> ! - diz:
    viado
    \<-\†/->/·گħåÐέ·\<-\†/->/ - !<?“Foda-se! Estou de férias.”?> ! - diz:
    viado
    Doug. diz:
    volta a ficar falando viado
    \<-\†/->/·گħåÐέ·\<-\†/->/ - !<?“Foda-se! Estou de férias.”?> ! - diz:
    não
    Doug. diz:
    ia aparecer um viado o_o
    \<-\†/->/·گħåÐέ·\<-\†/->/ - !<?“Foda-se! Estou de férias.”?> ! - diz:
    você já tá aqui

  4. #4
    Avatar de Rattlehead
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    muito bom! Envolvente pacas, como você consegue? xD
    mas só uma coisa...o corpo do jovem morto pelo mercenário ficou por lá mesmo?Argos largou ele lá?que desumano...
    (o assassino não consiguiria correr de Argos carregando um cadaver, eu acho)

  5. #5
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    Citação Postado originalmente por Rattlehead
    muito bom! Envolvente pacas, como você consegue? xD
    mas só uma coisa...o corpo do jovem morto pelo mercenário ficou por lá mesmo?Argos largou ele lá?que desumano...
    (o assassino não consiguiria correr de Argos carregando um cadaver, eu acho)
    Cego de ódio, de dor e fraco ele voltou rastejando. Não, não lembrou do cadáver. Lembrou na cidade, quando fora atendido por Cipfried. Mas resolveu não dizer para ninguém, era jovem e tinha medo de ser acusado.
    Fraco como estava e com uma perna gravemente ferida, sendo que voltar para a cidade daquele estado já exigiu uma força anormal dele, nem eu lembraria de um morto. Argos não é um herói, é um garoto que quer se tornar um guerreiro.
    Pensa como muitos de nós: melhor ele do que eu.

    Sem mais;
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  6. #6
    Avatar de Danielroxx
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    Vlew galo por mais este brilhante episódio da saga de Argos Fall!!!
    brilhante a descrição da conversa com o oráculo...
    Cap. 8 plx!!!

  7. #7
    Avatar de MJK
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    Muito bom mesmo.
    Li tudo hoje de tarde, to espeando cap. 8
    MJK - The weekend warrior

  8. #8
    Avatar de Kaoh
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    Bom, o negócio é o seguinte.
    Obrigado pelos comentários, estou fazendo o máximo pro RP só melhorar.
    Mas faço um pedido: indiquem este RP a amigos (daqui do TibiaBR ou de fora) que estejam dispostos a ler. Criticas são muito bem-vindas, e isso me anima a escrever.
    De bom humor vou postar o último capítulo assim, daqui em diante vou demorar mais a postar porque estou escrevendo.
    Isso só vai depender da minha preguiça e disponibilidade . (Semana de provas)
    A única coisa que pode me ajudar a escrever mais e mais são vocês. Então aí vai.

    Daqui em diante começa, realmente, a história.



    Capítulo 8 – O sangue de Crunor.





    A noite fria fazia com que George esfregasse as mãos contra o corpo. Estava relaxado, despreocupado. Afinal, o que deveria temer? A guerra era entre os grandes e a vila de Filars Porl não precisava se meter. Se não fosse o maldito clérigo Rod, que era chamado de padre, ele estaria em sua casa com sua mulher neste momento.

    Então William, um pescador, peidou.

    - Acho que esse vai manter os malditos orcs bem longe daqui. – comentou e os outros quatro soltaram uma gargalhada.

    Depois, todos deixaram os degraus da igreja do padre Rod e sentaram-se apoiados com as costas na parede. A mulher de William tinha preparado uma cesta de pão, queijo e peixe defumado, enquanto Edward, dono de uma loja de armamentos no centro da vila, levara cerveja.

    Normalmente em igrejas maiores como na cidade de Thais, eram cavaleiros que mantinham aquela vigília anual. Ficavam ajoelhados com armaduras reais, longas capas azuis bordados um grande dragão que lançava chamas para o alto dentro de um emblema. O emblema real de Thais. Porém não havia cavaleiros em Filars Porl e apenas o mais jovem dentre eles, que se chamava Argos e estava sentado ligeiramente afastado dos outros quatro, tinha uma arma. Era uma velha espada, de fio cego e um pouco enferrujada.

    - Você acha que essa espada velha vai espantar Zathroth, Argos? – perguntou-lhe George.

    - De qualquer modo. – disse Argos, encolhendo os ombros.

    - Talvez você possa nos proteger caso um exercito orc ataque nossa humilde vila. – caçoou William, enquanto virava uma caneca de cerveja. – Você é a nossa única salvação desde quando Gadembler foi embora.

    Os cinco se entreolharam e caíram na risada. Argos então encenou uma decapitação usando a velha arma. Era pesada, mas ele a ergueu com facilidade. Aos dezoito anos Argos era alto e imensamente forte. Era um rapaz querido pela vila, filho de Edgar Fall. Há quatro anos havia chegado de Rookgaard e desde então não havia tido problemas com criaturas. Ele era um bom rapaz, tinha um sonho quando foi para a ilha e voltou muito mais maduro. Havia voltado como um homem. Nos anos que se seguiram nada lhe dava mais prazer do que passar um dia no mar puxando redes. Sabia manejar um barco, tinha força pra remar, sabia preparar armadilhas, cavar um túmulo, lutar com espadas e, mesmo sem o conhecimento dos outros, sabia atirar com o arco. Como sabia, era o que fazia melhor. Era um rapaz de Filars Porl, grande, ossudo, de cabelos negros. Porém sua mãe queria que ele se tornasse um clérigo, mesmo sendo intitulado como paladino, motivo pelo qual Argos acabara de terminar o primeiro ano em Turcthan, uma escola clériga, em Thais.

    - O que é que você faz em Turcthan, Argos? – perguntou Edward.

    - Tudo o que não deveria fazer. – disse Argos. Ele afastou os cabelos pretos do rosto, ossudo como o do seu pai. Tinha olhos muito verdes e ligeiramente encovados, um queixo comprido e um sorriso fácil. As moças da vila o achavam bonito.

    - Em Turcthan tem garotas? – perguntou William com um ar zombador.

    - Mais do que o suficiente. – respondeu.

    - É melhor o padre Rod não ficar sabendo disso. – disse Edward – Ou ele irá puni-lo por não estar sendo fiel somente à Uman e Fardos.

    - O que seria uma pena. – comentou – Não quero ser um clérigo como o padre Rod. Mas como vou dizer isso para minha mãe? Desde que ela me disse que meu pai havia sido morto ela parece mais fraca, tenho medo de magoá-la ao dizer que meu caminho é batalhando em nome de Thais, como meu pai. E ainda pior, como um paladino.

    - Acho que você deveria ter contado isso à ela. – disse William, com os olhos levemente vermelhos.

    - Ainda não é a hora. Talvez eu nem precise realmente batalhar, não é?

    - Com essa guerra cada vez mais próxima, eu creio que precise. – comentou George, se servindo de mais cerveja.

    - Hic! – solução William e novamente todos gargalharam.

    Então a conversa seguiu enquanto era possível ver dragões mágicos sobrevoando Thais. Eles eram belos e iluminavam a noite fria, na véspera do Nacite. Era a véspera do dia em que Banor venceu o exercito negro, a tempos atrás. Argos admirara o espetáculo sorrindo, talvez essa não fosse a vida honrada de um guerreiro, mas ele era feliz assim. William e Edward conversavam sobre assuntos da vila, o roubo na loja de alimentos dias antes, o lobo que havia comido um bando de galinhas em uma só noite e o anjo que tinha sido visto sobre os telhados da taberna.

    - Eu acho que eles andam bebendo demais. – disse Edward.

    - Eu vejo anjos quando bebo. – disse William.

    - Deve ser a Anny. – disse Edward – Ela parece um anjo.

    - Ela não se porta como anjo. – respondeu William – A moça está grávida. – e os quatro se voltaram para Argos, que olhava, com ar de inocente, para um frasco de vidro sobre um pedestal de ouro dentro da igreja. Talvez fosse a única coisa realmente valiosa naquela igreja para se proteger. Na verdade, Argos tinha medo de que a criança fosse mesmo dele e estava aterrorizado com o que sua mãe e o Padre Rod iriam dizer quando descobrissem, mas naquela noite fingiu ignorar a gravidez de Anny. Limitou-se a olhar para o frasco sobre o pedestal enquanto os quatro homens mais velhos foram adormecendo aos poucos. Uma corrente de ar frio estremeceu as chamas das velas. Um cão uivou em algum ponto da aldeia, e Argos ouvia o bater incessante das ondas do bravo mar martelando o cascalho e depois recuavam, faziam uma pausa e batiam novamente. Ouvia os quatro homens roncando e rezou para que o padre Rod nunca descobrisse a respeito de Anny, embora não fosse provável que isso acontecesse, porque ela estava pressionando Argos para se casar com ela e ele não sabia o que fazer. Talvez, pensava, ele devesse simplesmente fugir, pegar Anny e o arco e correr, mas não tinha certeza e por isso se limitava a olhar o frasco sobre o pedestal e rezava para Crunor, pedindo ajuda. Ele era um guerreiro com título de paladino, e vivia como pescador na pequena vila de Filars Porl.

    O frasco continha um liquido vermelho e viscoso. Era um tanto chamativo e parecia ter um brilho único, anormal, mágico. Aquilo não era uma poção, era sangue. Era o sangue daquele que um dia liderou os homens em uma guerra sem fim, que empunhou sua espada contra todas as raças e criaturas habitantes deste planeta. Era sangue do senhor dos druidas, sangue de Crunor, e estava ali sobre o pedestal naquela pequena igreja, em Filars Porl. Muita gente dizia que não podia ser o sangue de Crunor, mas Argos acreditava nisso e gostava de imaginar o quão forte era o deus. Aquele deus que corria por entre os orcs cravando sua espada em cada um, entoando as mais poderosas e misteriosas magias, até para o mais forte druida que andava por aquelas terras nos dias atuais. Derrubando-os. E próximo da morte ele deixou seu sangue para os homens, para assim proteger o continente de Tibia e o frasco de algum modo acabara em poder do padre Rod. Mas como? O padre não dizia. Mas lá estava o frasco, sobre o pedestal, um viscoso líquido vermelho.

    Por isso, naquela noite Argos rezou para Crunor enquanto Anny, a beldade de cabelos negros cuja a barriga ia se arredondando com o filho por nascer, dormia na taverna e o padre Rod gritava em seu pesadelo com medo dos demônios que se acercavam no escuro e os lobos uivavam no alto do morro, enquanto as intermináveis ondas agarravam e chupavam o cascalho na vila. Era a noite véspera do Nacite.

    Argos acordou com o som dos frangos da vila e viu as dispendiosas velas tinham queimado até quase chegarem aos castiçais de bronze. Uma luz cinzenta enchia a janela acima do altar revestido de branco. Argos se levantou, precisando urinar, e os primeiros gritos horríveis vieram da aldeia.
    Porque o Nacite chegara, Banor vencera a batalha e os carlinianos tinham desembarcado na vila.


    Espero que gostem.
    O próximo capítulo vai demorar um pouco.
    Depende do tempo e de, é claro, comentários.
    Muito obrigado a todos, divirtam-se.

    Sem mais;
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    Última edição por Kaoh; 04-12-2006 às 13:56.
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  9. #9
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    Aeeeeeeeee mais um belo cap&#237;tulo

    Embora eu tenha tido um Deja vu ainda h&#225; pouco...
    Quer aprender a andar em Kazordoon?
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    :wub: Eu AMO Panetone!!!:wub:
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  10. #10
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    mto loko!
    embora eu j&#225; tinha visto isso antes... agora eu finalmente lembrei inteiramente do seu ultimo rp e sei onde parou...posso falar?
    zuera!
    proximo capitulo, kero ver os besteiros foldanos morrer


    previs&#227;o para o proximo capitulo?

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