Capítulo I
Uma vez perguntaram ao meu pai até onde o homem caminharia, mas meu pai não respondeu, ele não sabia. Hoje, eu posso responder a vocês, homens: O Universo já tem dono e eu faço questão de povoá-lo com a mais soberana de todas as raças e a mais avançada tecnologia. E com esse objetivo, chegamos até aqui, até o projeto Omega.
Sendo uma estação espacial completamente desenvolvida, Omega I tem não apenas laboratórios extremamente desenvolvidos, como também conta com um poderoso suporte para operações militares de defesa, que poderá não só impedir ações terroristas em todo o sistema, como também barrará a passagem de asteróides fortes o bastante para destruir as colônias. Omega I contará com uma poderosa frota de soldados especialmente treinados para todo o tipo de ocasião e equipados com os mais poderosos armamentos da atualidade, que garantirão a segurança e o bem estar de todos os que vivem nas diversas colônias espalhadas pelo sistema.
Além disso, Omega I servirá de base de pesquisas para uma equipe de experientes cientistas, que terão acesso a todo o tipo de recursos de modo a fazer a ciência avançar em direção ao progresso de uma maneira nunca vista antes. Os laboratórios serão equipados com aceleradores de partículas, nanoreceptadores positrônicos, arcos de laser alveolares, entre diversos outros equipamentos da mais alta tecnologia!
E isso não é tudo, se preparem, pois Omega I dará sustento a futuras colônias em Plutão, e como já foi dito, a segurança e qualquer ameaça externa não serão problemas, porque nem Deus conseguirá derrubar essa estação! E futuramente ainda teremos...
Naquele momento, a transmissão da propaganda foi interrompida:
— Nem Deus? – disse o homem que assistia a propaganda – Troquem esse maldito chip!
A imagem exibiu o rosto redondo de um cientista de aparência jovial, aparentemente examinando a própria câmera que gravara o vídeo:
— Isso, acho que sintonizou - murmurou o homem, enquanto configurava um pequeno aparelho acoplado na testa do companheiro.
— Obrigado - disse o outro, examinando o local com o dedo - e o seu chip?
— Totalmente queimado, Dr. Trust.
O laboratório em si era um ícone da alta tecnologia: Possuía diversos equipamentos avançados que podiam fazer coisas inimagináveis, além de uma das paredes ser totalmente transparente e dar vista para plutão. Apesar de tudo era um laboratório pequeno, haviam maiores, mas isso não alterava aquela atmosfera que faz qualquer um que não tenha um ego enorme encolher.
— O que será que causou esse magnetismo? – perguntou o Dr. Trust, sem parecer nenhum pouco preocupado.
— Não tenho idéia. Deve ser um problema nos estabilizadores de rota orbital, ou qualquer coisa do gênero.
— Realmente, é uma possibilidade... – disse o outro, pensativo. O experiente cientista Oliver Trust sorriu e voltou para a parte restrita do laboratório.Recebera ordens para se manter ali toda a noite, mesmo que suas pálpebras pesassem.Já era tarde, e já era possível ouvir os passos dos soldados recém chegados indo para os alojamentos. Durante mais ou menos uma hora o cientista ficou trabalhando com uns papéis, até que um alarme subitamente disparou.
Pouco depois disso a imagem desapareceu totalmente.
— Maldição, avance o vídeo – falou aquele homem.
O vídeo começou a avançar... Durante um tempo a tela ficou preta, mas algumas vezes foi possível ouvir alguns sons e ver algumas imagens borradas, mas nada que realmente pudesse servir de pista.
— Droga – disse o mesmo homem – isso não ajuda quase em nada... Coloque aquele chip com a exibição mais longa, por favor, talvez revendo aquilo eu consiga alguma pista. – E, curto e simples, o novo vídeo começou quando os seguintes dizeres apareceram na tela:
Planeta Terra – Orla exterior da Via-láctea, hora incerta. Dia 22 do mês 1 do ano de 2011
Uma voz feminina começou a narrativa. Os dizeres iniciais foram mantidos durante um bom tempo na tela, até que começaram ser substituídos por imagens sucessivas, que eram acompanhados sempre acompanhados pela narração:
— Este vídeo é uma síntese da história do homem do século vinte e um até os dias atuais. Neles são mostrados os principais avanços dos seres humanos, assim como os principais acontecimentos que marcaram o terceiro milênio.
No início foram mostradas imagens de diversas cidades e monumentos do século vinte e um, Nova York, Londres, São Paulo, a estátua da liberdade, a grande muralha da china...
— Grandes cidades, com milhões de habitantes, existiam por toda a superfície da Terra. As chamadas “nações”, que eram basicamente zonas de influencia do planeta, controladas por pessoas que detinham todo o poder, tinham o controle sobre essas cidades, as chamadas “metrópoles”. Muitas vezes de maneira desproporcional, porém, esse controle era estabelecido através de chantagens e embargos econômicos que asseguravam que o poder sempre ficasse na mão dos mais ricos, e assim foi feito. Na época de que falamos o poder se manteu nas mãos de uma nação poderosa, ambiciosa e, acima de tudo, inconseqüente: Os Estados Unidos da América. As regras de todo o mundo eram ditadas pelos presidentes desta nação, que por meio do poder adquirido através das ações militares sobre os outros países, garantiam que todas as suas exigências fossem cumpridas. Porém, este detentor do poder era cego. Através da busca da maior riqueza da época, o petróleo, que era usado como combustível e como fonte de diversos outros produtos, ele acabou por destruir todos os recursos necessários para o equilíbrio do planeta. Enquanto a economia das nações lideradas pelos Estados Unidos da América, consideradas de primeiro mundo, cresciam, toda a parte natural do planeta entrava em colapso. E ignorando os problemas do planeta os EUA tomavam cada vez mais recursos, tomando cuidado para não ter seu cargo tomado por algum aliado que, consequentemente, tentava tomar seu lugar como maior potencia mundial. Países como a Alemanha, Itália, Rússia, dentre outros, organizavam ataques secretos contra os EUA, atribuindo toda a culpa a países do Oriente Médio e da Ásia Central.
Agora as imagens que se sucediam mostravam matas devastadas, prédios em chamas, em um clima de eterno conflito.
— A natureza enquanto isso, definhava. Ataques entre aliados, diferença social, discriminação e terror eram a cara do planeta até a primeira metade do século vinte e um, até que, em um período suspeito de paz, o líder da coréia do norte liderou alguns países menos influentes em um ataque surpresa, no dia da batalha conhecida atualmente com Dream Battle, a batalha dos sonhos, pois neste dia um parque de diversões muito famoso em todo o mundo, a Disneyland, foi completamente destruído por um bombardeio nuclear. Foi o início da terceira guerra mundial.
Neste momento o monitor exibiu imagens daquilo que fora um parque de diversões, estava tudo em ruínas com pouquíssima coisa ainda de pé.
— A guerra durou dois longos anos que foram marcados pela tensão, medo, e atrito constante entre os dois países, com ataques por terra, água e ar. No final, porém, os EUA e seus países aliados saíram vitoriosos com a destruição total da Coréia do Norte. Em compensação, cidades muito importantes e consideradas símbolo da influencia e poder dos EUA foram destruídas, como Nova York, Los Angeles e Washington. Ao final de tudo, porém, tudo o que sobrou foram imensas áreas contaminadas pela radiação proveniente das bombas nucleares usadas, e todas elas foram isoladas. Ninguém perdeu, naquela guerra, mais que o próprio planeta, que sofreu com a extinção de dezenas de espécies animais e centenas de espécies vegetais. Após toda essa devastação, uma onda de realidade se alastrou pelo mundo: O planeta corria grave perigo. A situação era muito grave, em pouco tempo a água potável dos rios acabaria e a natureza iria começar a entrar em colapso. Era preciso, principalmente, arrumar uma maneira alternativa de conseguir água, e urgentemente. Para isso, a ONU, Organização das Nações Unidas, criou o projeto Aqua, que no Latim quer dizer água. Foi criado um sistema de reflitração de água de torneiras e chuveiros, que limpava na hora todo o grosso da sujeira da água utilizada nesses aparelhos, de modo que esta pudesse ser reutilizada por um tempo muito maior. Além disso, foram criadas as plataformas de mineração aquática, imensas plataformas oceânicas, construídas em volta de icebergs e na costa da Antártida, que mineravam o gelo destes e os transformavam em água potável. Uma vez que a quantidade de água doce congelada nesses lugares era imensa, água não seria um problema enquanto houvesse gelo a ser minerado. É claro que vários ecossistemas dessas regiões sofreram perdas avassaladoras, mas foi um preço que infelizmente teve que ser pago para que a sobrevivência da humanidade fosse garantida.
Após imagens que mostravam as áreas devastadas e todo o projeto aqua em vigor, foram mostradas imagens de naves no espaço sideral, na órbita da terra.
— Com o desenvolvimento de motores movidos à hidrogênio e do projeto aqua as nações consideraram os problemas ecológicos como resolvidos, e em seguida olharam para um novo horizonte: o espaço. Com os EUA devastados e a Europa ajudando-o financeiramente, deteria o poder global aquele que fosse mais rápido e que explorasse as melhores áreas. O espaço era um local inexplorado e inabitado, ou pelo menos o sistema solar era, e também poderia ser uma fonte de avanços científicos enormes. Por isso, as nações se lançaram em uma nova corrida espacial, que teve como inicio oficial o pouso de uma nave japonesa em Marte. A corrida era basicamente divida em cinco competidores: A união de países sul-americanos, liderados pelo Brasil, a China, a Índia, o Japão e a Rússia. E, a partir daquele pouso, rumo à conquista da soberania sobre o planeta, começou a segunda corrida espacial. Com os movimentos rápidos e na esperança de se tornarem a nova potência mundial, os países liberaram verbas imensas, construindo bases de estudos na lua e levando pesquisadores formados em estudo exterior à Marte. As forças das nações então, agora sem a soberania dos EUA, deram ao espaço um coadjuvante importante: as multinacionais: o espaço começava a ser privatizado. Empresas começaram a criar anúncios, patrocinar viagens espaciais, construir estações espaciais hotéis e muitas outras atrações enquanto, por cima, os países corriam para conseguir os avanços mais importantes nas áreas científicas e tecnológicas. Os EUA e a Europa voltaram depois de algum tempo para a corrida espacial e começaram a ir contra a privatização do espaço porque alguns empreendimentos eram irresponsáveis e perigosos, como mineração de asteróides, mas os governos dos outros países coordenam bem a iniciativa privada e o desenvolvimento atingiu patamares inacreditáveis, quando a primeira parceria publico-privada espacial foi formada.
[... continua ...]___________________
~Heenett
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