A Maldição de Ghostship
— Avante, marujos! — Gritava Jones, o Capitão do temido navio. — O vento está a nosso favor! Voltemos para a terra firme!
A tripulação estava de muito bom humor, saquearam mais um navio mercante vindo de Venore, cheio de ouro e comida. Os tripulantes nem se importavam com os berros de Jones, mas sim em cada um ter sua parte do tesouro. Horas depois, chegaram nas terras de Carlin, ao extremo noroeste da cidade, numa pequena praia. A âncora foi jogada na água, todos desceram e pararam numa clareira. Beberam e comeram, brindando por suas conquistas.
— Um brinde para o Capitão Jones, que nos guia para todos os tesouros de Tibia! — Propôs Lael, amigo e conselheiro de Jones, e o que se seguiu foi um alto e claro "Viva!". Depois de algumas horas conversando, dormiram tranquilamente, cada um sonhando em como gastar sua parte do saque.
Na manhã seguinte, o saque foi dividido entre todos, e Jones pegou uma quantia a mais, é claro. Uns foram depositar sua quantia do tesouro, outros foram para o bar da cidade, e alguns foram gastar pelas lojas da cidade.
Mais tarde, voltaram para o navio, ergueram a âncora e partiram.
Enquanto navegavam pelas águas tibianas, em algum ponto bem ao leste dos pântanos de Venore, o vento parou de soprar. As águas ficaram calmas de repente, e o navio ficou parado.
— O que se passa aqui, marujos? Por que o barco parou? — Berrou o Capitão Jones.
— Não sabemos, capitão! O mar ficou quieto e calmo, e não temos vento! — Respondeu Steven, um dos tripulantes, enquanto olhava ao redor do navio.
Então, o vento voltou a soprar, muito mais forte. O navio seguia para o extremo leste das terras tibianas, onde niguém jamais navegou. O barco estava descontrolado, indo rápido demais, até que novamente parou.
— Capitão! Terra firme a estibordo! — Gritou o vigia Brendan do posto de observação. Todos então olharam para a direita, vendo uma ilha no meio de uma névoa densa.
Jones então ordenou para seguirem na direção da ilha, e os tripulantes atenderam ao pedido relutantes. Atracaram na ilha, e a névoa se dissipou. O capitão ordenou para os marujos ficarem no navio, enquanto ele, Lael e mais três tripulantes exploravam o local.
A mata era fechada, de vez em quando encontravam uma clareira, com figuras estranhas desenhadas nas árvores. Estava muito quieto, não se ouvia nenhum animal. Avistaram então uma caverna, e passados alguns segundos, resolveram entrar. Lael rapidamente acendeu uma tocha, e seguiram caverna adentro.
Havia algumas inscrições e figuras nas paredes, desenhadas com sangue. Passados uns minutos, chegaram no final da caverna, onde havia um esqueleto encostado num canto. Aos seus pés, haviam bebidas, vestimentas e flores, deixadas como se fosse uma oferenda. Ao seu lado, havia um baú grande, fechado, mas não foi trancado. Jones então abriu o baú, e surpreendeu-se com a quantidade de ouro que havia dentro dele. Jóias, diamantes e colares, todos de alta qualidade e sem nenhum dano ou arranhão. Também havia algumas peças que eles nunca viram, provavelmente de alto valor.
No meio de todo esse ouro, havia um pergaminho. Jeyt, um dos piratas que Lael convocou para explorar a ilha, pegou o pergaminho e deu uma boa olhada nele.
— Está escrito em uma língua muito antiga, poucos conhecem ela. Lendas dizem que sacerdotes que traíram os reis do passado, buscando destruição e vingança, usavam essa língua para se comunicar com Zathroth. Infelizmente meu pai forçou-me a aprendê-la, para completar meu treinamento, mas como desisti de tudo isso e agora estou aqui, consigo traduzir pouca coisa. — Deu um suspiro e começou a ler. — "Aqui se vai Tzurah, o maior rei e guerreiro de nossas terras, repousando junto de todos seus tesouros e oferendas de seu amado povo. Eles não devem ser tocados ou pegos por ninguém senão o próprio Tzurah, e quem ousar roubá-los, sofrerá para sempre." — Terminou de ler, com uma expressão estranha no rosto. Quando disse a última palavra, um vento forte soprou dentro da caverna, vindo de uma abertura na parede. A tocha quase se apagou, e os outros dois piratas saíram correndo dali.
— Covardes, que fiquem presos na floresta. — Disse Jones, virando seu rosto para o tesouro. — Besteira, é tudo besteira. Vamos, Lael, me ajude com esse baú! — Então, o Capitão Jones e Lael levantaram e carregaram o baú para fora da caverna, onde soltaram o baú e deram um grito de espanto.
Na frente dos três, havia duas estátuas, que na verdade eram os dois piratas que tentaram fugir. Os dois estavam com uma expressão de medo no rosto, e um deles apontava para onde estava o navio.
— Talvez seja um aviso, capitão. Talvez devêssemos deixar o tesouro aqui! Disse Jeyt, dando um passo para trás.
— Não! Levaremos esse tesouro para nossas terras! Se não gostar disso, pode ficar aqui também. — Disse Jones, com um tom sério.
Os três então andaram mais rápido na direção da praia, e a floresta ficava cada vez mais fechada, como se ela quisesse impedir que retornassem para o navio. Jeyt então sacou seu facão e foi abrindo caminho, enquanto ouviam barulhos estranhos ao redor deles, e finalmente chegaram na praia.
Os tripulantes desceram do navio e correram na direção dos três, e Jones ordenou que levassem o baú para o navio. Alguns perguntaram sobre os outros dois, e Lael explicou o que aconteceu. Minutos depois, ergueram a âncora e partiram.
O mar estava bem agitado, os ventos estavam fortes, e nuvens negras ameaçavam os piratas e o navio. Com muito esforço, eles estavam conseguindo retornar para casa, mas tudo fica calmo denovo, e o navio para, em algum lugar no mar entre Cormaya e Darashia.
— Remem, homens! Remem! — Berrou Jones, mas não funcionava. Algo estava segurando o navio ali. Surgiu uma neblina, mais densa do que a última, impossibilitando a visão dos tripulantes. De repente, sentiram um forte baque no casco da embarcação, fazendo todos se desequilibrarem. Novamente sentiram o estrondo abaixo de seus pés, e o barco começou a afundar.
Os piratas ficaram desesperados, não sabiam o que fazer. Então, um terceiro baque fez alguns piratas caírem no mar, e o baú de Tzurah também. O mar ficou agitado denovo, e enormes ondas surgiam dele.
— Não! Não!! — Gritava Jones, e pulou no mar para recuperar o baú. O mesmo fizeram os outros homens, mas para fugir dali. Por fim, o mar acabou engolindo o navio e seus homens, e também o destemido Capitão Jones. Desde aquele dia, não tiveram paz nem quando mortos, condenados para sempre a vagar pelos mares como espíritos amaldiçoados.
Nunca mais ouviu-se falar seu nome, até que estranhas aparições começaram a ocorrer nas viagens de barco entre Venore e Darashia, onde pessoas afirmam ter visto um suposto "navio fantasma", e alguns dizem ter visto o Capitão Jones de perto. Poucos tibianos têm coragem de navegar nessas águas, que muitos acreditam serem assombradas.