Contos de Bar
- Pai, nós estamos chegando? – falou Peter ansioso.
- Sim filho, chegamos, veja a Taverna do Dankwart – disse Mark a seu filho.
Mark e seu filho Peter são moradores de Svargrond, uma das áreas mais geladas de todo o Tibia, por isso nada melhor do que tomar uma boa bebida para aquecer os ânimos. Logo que Dankwart, dono da hospedaria e da taverna de Svargrond, os viu foi logo enchendo duas canecas de Rum para recepcioná-los bem.
- Grande Mark! Como vai Helena? Vejo que trouxe seu filho. – disse Dankwart dando as boas vindas.
- Vai muito bem obrigado Dankwart. Esse aqui é meu filho Peter, resolvi trazer ele aqui hoje – disse Mark.
Helena era a esposa de Mark. Eles e seu filho único Peter, moravam numa humilde casa ao sul de Svargrond e viviam basicamente da pesca.
- Muito Bom! – disse Dankwart abrindo um largo sorriso – Você anda ouvindo os boatos Mark? Sobre Ferumbras? – disse quase num sussuro.
Mas antes que Mark pudesse responder Peter já tinha começado a perguntar.
- Pai, quem é Ferumbras? É algum cidadão de Svargrond? – disse Peter ansioso pela resposta do Pai.
- Não filho, quem me dera se ele fosse um mero morador de nossa bela cidade. Ferumbras é um poderoso mago que foi removido da sociedade e banido para sua fortaleza numa torre por magos da Academia de Magia Moderna Noodles de Edron. Ele se tornou um imenso arsenal de feitiços para torturar, curar e matar. E os boatos dizem que ele está voltando... – respondeu o pai amargamente.
- Como assim voltando? Ele já tentou algum ataque outra vez? – perguntou o filho.
- Sim, inúmeras vezes... Uma vez ele retornou e sua filha Fortinbrae havia sido assassinada e sua alma presa por bravos cavaleiros que a tinham massacrado nas planícies do templo de Plains of Havoc. Ferumbras viajou até la para recapturar a alma de sua filha, mas foi emboscado, derrotado e desapareceu novamente.
Pouco tempo antes de você nascer eu fazia parte da Cavalaria Real de Svargrond e nossa unidade foi chamada para combater Ferumbras em mais uma de suas aparições. Foi nessa batalha onde eu consegui esse ferimento. – disse o pai mostrando a grande cicatriz que levava na perna, resultado de uma poderosa magia lançada pelos servos de Ferumbras durante a batalha.
Peter não sabia desse passado misterioso do pai, ele sempre havia achado que o pai era um simples pescador e que nunca havia saído de Svargrond. Ver o seu pai como um dos bravos guerreiros que impediram a volta de Ferumbras o deixou muito orgulhoso.
- Uau! Eu não sabia desse seu passado de glórias Mark, me sinto honrado de ter alguém tão importante aqui em minha taverna. – disse Dankwart orgulhoso.
- Conte-nos mais pai! Como foi a batalha contra Ferumbras? – perguntou Peter ansioso.
- Bom, se eu for falar da batalha contra Ferumbras, antes tenho que contar também nossa preparação. Nossa unidade estava no meio de um dos nossos treinamentos diários em um dos campos congelados ao norte de Svargrond quando chegou um mensageiro de Thais dizendo que eles precisavam do máximo de tropas possíveis para combater o temível Ferumbras. Como nós éramos a única unidade que estava na cidade no momento, resolvemos ir e ajudar o povo Tibiano. Todas as outras tropas de Svargrond estavam em missões de exploração nos campos de bárbaros e das aranhas de cristal – disse Mark tentando lembrar ao máximo.
- E quantos homens sua tropa possuía Mark? – perguntou Dankwart que de tão concentrado que estava na conversa, estava até esquecendo que tinha deveres a fazer na taverna.
- Nós tínhamos 50 homens em nossa unidade, infelizmente todas as nossas tropas haviam acabado de sair em missões de exploração como eu disse, nossa tropa ficou com um pouco de receio em ir ajudar, pois nós estaríamos deixando a cidade sem defesas, portanto nós deixamos 20 homens cuidando da cidade e fomos à busca do Ferumbras – respondeu Mark.
- É, foi uma boa escolha, nunca sabemos quando os bárbaros tentarão nos atacar... – disse Peter refletindo.
Tropas de todas as cidades Tibianas foram mobilizadas na causa contra Ferumbras, no total para essa batalha havia cerca de 1200 cavaleiros, arqueiros e magos, só que a força de Ferumbras e seus servos equivaliam a isso.
- Então nós partimos para a Baía da Liberdade, e de lá nós iríamos em direção a Kharos, uma pequena ilha onde Ferumbras construiu uma torre como uma cidadela. Foram vários dias de viagem até Kharos, dentro dos navios nós vivíamos basicamente de frutas secas, pães mofados e água. Chegamos em Kharos cinco dias depois de sairmos de Svagrond. A torre do Ferumbras era selada com paredes de energia para que ficasse intransitável exceto pelos magos, quando todos nós haviamos chegado em Kharos eles retiraram os encantos e nós entramos na torre que estava infestada de dragões, behemoths, warlocks e demônios. Eles é claro foram facilmente derrotados pela grande horda de guerreiros que ali estavam presentes e os massacramos com os mais variados ataques – disse Mark quase sem fôlego.
- Uau! Que história Mark. Deixe só eu atender essas pessoas ali e eu já volto para que você termine de nos contar a história ok? – disse Dankwart pedindo para eles o esperarem.
- Ok Dank, vá fazer o seu trabalho, nós o esperamos – disse Mark tranqüilo.
Cerca de meia hora depois Dankwart voltou com bebidas para os três e assim Mark pôde continuar a contar sua história.
- Bom, onde nós estávamos mesmo? Ah sim, nós havíamos acabado de entrar na torre do Ferumbras. Todos nós sabíamos que onde o Ferumbras vivia mesmo era no último andar da torre, por isso fomos até lá. Os monstros no caminho não venderam barato nossa passagem e deixaram vários guerreiros mortos e feridos, certa hora eu achei que nós nem conseguiríamos chegar até o andar do Ferumbras devido ao grande número de Dragões e demônios no caminho. Os dragões com suas afiadas garras e com suas enormes e destrutivas bolas de fogo faziam uma destruição em massa, que só não era maior, pois os magos diminuíam a força das bolas lançando magias de gelo nelas. E os demônios quatro vezes maiores que os humanos faziam uma destruição ainda maior, usando basicamente os mesmos ataques dos dragões só que com força e proporções muito maiores. - disse Mark, ele esperou um pouco para recuperar o fôlego e voltou a falar – Então finalmente nós havíamos chegado ao portal que nos levaria ao último andar, onde Ferumbras nos esperava. A estratégia era simples, todos os guerreiros entravam no portal e se posicionavam em linha de defesa, agüentando ao máximo as magias lançadas por Ferumbras e seus servos, depois os magos e arqueiros entravam no portal e tentariam achar um local seguro para que pudessem disparar seus ataques com eficácia.
- E então o que aconteceu? – disse Peter desesperado pelo fim da história.
- Eu vou lhes dizer o que aconteceu, nós guerreiros, entramos no portal e conforme o combinado entramos em formação de defesa, só que essa tática não deu muito certo. Ferumbras tinha poderes inimagináveis e nem os melhores guerreiros de toda Tibia não eram páreo para ele e seus servos. Quando os magos e os arqueiros chegaram ao trono de Ferumbras a situação estava caótica, nós já havíamos perdido mais da metade de nossas forças e iríamos perder muito mais se continuasse daquele jeito. – Mark hesitou, mas continou a falar – Nós vimos que Ferumbras mal reagia aos maciços ataques que sofria e nossas tropas estavam muito reduzidas, portanto nós tivemos que partir para o plano B, que era bater em retirada se alguma coisa saísse do controle. Nós não conseguimos derrotar Ferumbras no final das contas e eu não me perdôo por isso até hoje. – disse Mark à beira das lágrimas.
Dankwart e Peter estavam perplexos diante do final da história um tanto inesperado que Mark lhes havia contado. Desde o ínicio eles haviam achado que os guerreiros Tibianos haviam triunfado sobre Ferumbras. Mas não, dessa vez Ferumbras estava mais forte do que nunca e eles simplesmente não agüentaram sua ira e não tinham mais nada a fazer se não fugir.
- É por isso que nunca falei a ninguém sobre meu passado, eu falhei com meus companheiros, eu falhei com Tibia - disse Mark inconsolável.