Bom aí vai mais uma parte...
O Despertar da Primeira Horda
Enquanto os recrutas marchavam em direção aos campos de treinamento, um mensageiro apareceu cambaleando no portão norte da cidade.
Amparado pelos guardas, Topakos foi levado ao General, estava enfraquecido e envenenado, mas gritava com suas últimas forças que não fosse levado aos curandeiros, sua informação era mais importante que sua vida.
Ao chegar ao Quartel General foi acomodado em uma cadeira e começou a relatar a Harkath Bloodblade suas mensagens.
— Senhor, os mortos-vivos acordaram, dezenas de milhares deles, senhor — balbuciava o pobre mensageiro.
— Devagar homem, conte-me onde e quando — exigiu o General.
— Faz dois dias, eles começaram a sair das cavernas subterrâneas ao norte da montanha dos ciclopes, do outro lado do rio — e agonizando com o efeito do veneno continuou — tentamos contê-los, mas eram milhares, fomos cercados e o comandante me mandou relatar isso ao senhor.
— Eles estão vindo, senhor, mande o exército ataca-los, proteja essa cidade — continuou Topakos enquanto os guardas saíram para buscar os curandeiros — Não quero que eles cheguem até aqui. Minha família onde está, tenho que protege-la? — delirava o pobre homem.
— Estas criaturas estavam vindo nesta direção? — perguntou o General — Quanto tempo temos?
— Eles são lentos, mas marcham dia e noite, eles estão mortos senhor, não sentem cansaço — informou o mensageiro — Em sete dias estarão na passagem da montanha dos anões.
— Então chegariam aqui em menos de vinte dias — supôs Bloodblade assustado.
— Sim meu General.
— Obrigado Topakos, suas informações salvarão muitas vidas, inclusive as da sua família que está bem e verás em breve. Os curandeiros chegarão daqui alguns minutos e depois de curado será levado ao encontro de sua mulher. Ela deve estar com saudades. — Finalizou o General.
Com o coração confortado e sentimento de missão cumprida, a cabeça do homem arqueou e seus braços caíram dos encostos da cadeira. Não havia resistido aos ferimentos, ao cansaço de dias e noites correndo em direção a Thais e ao efeito do veneno. Havia falecido.
O General ordenou que tropas dos Cães de Guerra fossem enviadas imediatamente ao encontro do inimigo. Iria encurralá-los na passagem da Grande Velha. O caminho que cortava a montanha era estreita e os inimigos, mesmo estando em milhares, cairiam um a um.
Ordenou que homenagens fossem feitas no funeral do mensageiro e que sua família fosse amparada. Que o treinamento dos novos recrutas fosse apressado. A coroa poderia precisar de mais homens, visto que, só um dos três inimigos havia se levantado até agora.
- Mandem aqueles vermes de volta para as suas tumbas – bradou o Harkath Bloodblade aos capitães - A guerra nem chegará a estes muros.
A comitiva dos novatos continuou em marcha cruzando o túnel abaixo do mar em direção a Fíbula. Na manhã seguinte receberiam as primeiras instruções. Estavam todos ansiosos por isso.
Chegando ao acampamento, montaram as barracas, organizaram as caixas com equipamentos e suprimentos. Isso tomou todo o resto do dia. Quando a noite chegou, Tårik curou os arranhões causados na queda e descansou do lado de fora da barraca que teria que dividir com outros cinco. A beira de uma fogueira adormeceu ouvindo os uivos da matilha de lobos selvagens que vivia a leste dali. Seu coração pressentia que algo de errado estava acontecendo.