Finalmente, aqui está um bom capitulo ^^ Quatro paginas de pura tensidão x.x
Espero que gostem xD
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Memórias de uma Knight
Capitulo VI – Monstros Cegos
Não tivemos dificuldades para chegar à caverna dos rootworms, que na verdade era um buraco no chão. Minha noção da língua daquele continente não era lá essas coisas, por isso que eu não conseguia imaginar o que significava “Root”. Para mim, parecia algo parecido com “giratório”, o que acabaria formando a palavra “Verme Giratório”.
Sentados na clareira, que não passava de um circulo pequeno e fechado, com os galhos das árvores mergulhando sobre nossas cabeças, tampando parte da visão do céu, acima de nossas cabeças encontrava-se um mar de estrelas, enquanto afinava meu violão, três carnes estavam sendo assadas ao calor do fogo. O cheiro da carne já havia empesteado o ar, sendo carregado pelo vento para longe, juntamente com aquela fumaça fraca que saia do fogo.
Sentada ao meu lado, encontrava-se Sarah, que cuidava para ver se nenhuma de suas lanças havia sofrido dano durante a viagem. Do outro lado da pequena clareira estava Leaf, que ressonava num profundo sono. Chris encontrava-se sentado e encostado numa das árvores, permanecendo com um olhar distante.
- Sarah, o que são os Rootworms? – Perguntei num tom meio inocente, Sarah me olhou meio surpresa.
- Ah, verdade, você não é desse continente... – Após limpar a garganta, Sarah deixou a lança deitada a sua frente. – Rootworms são vermes ancestrais da nossa terra. Eles estão espalhados por varias áreas do continente, não se sabe ao certo onde.
Levantei as sobrancelhas, aquilo não era uma informação exatamente útil sobre o que eu queria saber, mas dei de ombros e ignorei aquilo.
Finalmente com meu violão afinado, comecei a tocar uma ballad clássica.
- Deveria dormir um pouco, Maggy. – Parei de tocar quando Sarah disse aquilo, e sorri calmamente para ela.
- Estou sem sono.
Sarah suspirou e deu de ombros, guardou as lanças no lugar e se levantou para acordar Leaf.
Olhei para o céu, em seguida fechei os olhos e suspirei.
Como estaria Crucis?
-x-
Quando o dia amanheceu, Crucis não havia chegado ainda. Pensar novamente nele fez meu coração apertar tanto que doeu meu peito. Virei as costas para Sarah e Leaf, que estavam procurando o lugar dos Rootworms para abrir novamente o buraco para descer.
Fingi estar analisando a árvore e deixei duas lágrimas escorrerem pelo meu rosto enquanto tentava me recompor daquela dor.
Por que aquilo tinha que acontecer? Eu temia desde o dia que ele partiu que ele fosse encontrar alguma garota, que fosse se apaixonar... Mais duas lágrimas pingaram no chão enquanto eu levei a mão sobre meu peito e me curvei para frente.
Quem foi que fez aquela dor tão intensa? Será que seria uma punição para nunca mais ser tão ingênua e depositar sentimentos em outras pessoas?
Respirei fundo, tentando me recompor. Agora que havia notado que minha mão tremia e as lágrimas que caíram fartamente dos meus olhos. Limpei meu rosto e continuei assim mais um tempo até minha respiração voltar ao normal.
- Maggy! – Olhei por cima do ombro e vi Chris me chamar, forcei um sorriso e corri até eles.
- Tudo pronto?
- Sim! – Me responderam.
Antes que eles tivessem tempo de olhar meu rosto, pulei para dentro do buraco.
-x-
Lá embaixo era muito escuro, mas, assim que meus companheiros chegaram, usaram magias para iluminar o local. Era um lugar estranho e escuro, parecia que era o subterrâneo do pântano, havia apenas uma faixa de grama que se dividia por diversos caminhos.
- Como aqui é estranho... – Comentei, Chris me olhou sério e fez sinal de silêncio, se aproximou de mim e sussurrou.
- Fale baixo, os rootworms são cegos, mas eles podem chegar até nós pelas vibrações que fazemos, incluindo a de movimento e a sonora.
Arregalei os olhos e engoli seco, confirmando que havia entendido o recado.
Andamos todos perto um do outro, mais por medo do que poderia acontecer comigo e com o Leaf do que qualquer coisa.
Senti o chão sob meus pés estremecer de leve, parei e olhei pra baixo, estranhando aquilo. O restante notou aquilo e me olhou também, com uma expressão interrogativa. Eu olhei pra ele, e quando abri a boca para falar, o chão estremeceu fortemente, fazendo com que eu cambaleasse.
Um grito rompeu o silêncio e pasma me deparei com Leaf indo para o alto junto com um grande borrão.
Ao olhar para eles, senti algo molhado pingar no meu rosto, passei a mão e a luz já fraca que provinha de Chris iluminou minha visão.
- Sangue... – Ver o sangue de outra pessoa foi algo meio estranho, apesar de estar acostumada com aquela visão.
Tudo começou a correr como se estivesse em câmera lenta, à minha frente, vi Leaf se contorcendo de dor no chão, enquanto uma poça de sangue já surgia ao seu redor. Sarah se movimentou lentamente, jogando a lança em direção do Rootworm.
Então, escuridão.
Com o sumiço da luz, despertei do meu transe. A adrenalina já estava farta no meu sangue, mesmo eu não tendo movido um único músculo, o que fez com que naquela hora em me sentisse completamente perdida e desnorteada com os gritos de Leaf, os brados de Sarah e o respirar como um porco enquanto se banqueteava.
- Leaf!
- Aaaaaaaah! Tira ele daqui! Tira ele daqui!
- Maggy! – Senti uma mão pegar na minha, pensei em me virar, na mesma hora fui puxada para trás. – Vem comigo!
Identifiquei a voz de Chris, me perguntei o por que dele estar fazendo aquilo, mas, estava aterrorizada, queria sair dali, o cheiro de sangue já inundava minhas narinas, e provavelmente muitos outros Rootworms seriam atraídos pelos gritos dos meus companheiros.
Naquela hora que percebi que eles estavam condenados. Senti um impulso de parar e voltar para lutar pela vida daqueles que eu havia conhecido, e com um puxão Chris fez com que eu prosseguisse.
E então, notei um brilho fraco provindo da lâmina de Chris, arregalei os olhos com aquilo, e então pude ver onde ele estava me levando: para a saída.
Eu parei frente à corda e me virei para Chris, desnorteada.
- Vá! – Ele disse, já se virando para a batalha. – Se algo acontecer contigo, Crucis nunca se perdoara!
Estremeci ao pensar em meu amado sofrendo por minha causa. Fiquei meio confusa sobre ele ter dito aquilo, mas antes que eu pudesse perguntar, outro rootworm apareceu na nossa frente, o cheio de terra misturada com podridão ficou realmente forte naquela hora, e foi com a luz que provinha da espada de Chris que pude ver o rootworm pela primeira vez.
Deveria ter pelo menos três metros de extensão e setenta centímetros de largura. Possuía uma espécie de pele com alguns pelos e com terra grudada nele por via de um liquido viscoso que escorria dos poros. Ao redor do que parecia ser a boca, tinha pares do que pareciam ser garras, imaginei aquilo agarrando a presa e arrastando para dentro da boca, que tinha três carreiras de presas, uma atrás da outra, que se movia para triturar pele, carne, osso e armadura.
Fiquei paralisada diante daquela visão, já podendo ver meu corpo sendo dilacerado e devorado pela criatura.
- Anda logo!
Sem hesitar mais, pulei na corda e comecei a subir desesperadamente, sem nem me atrever a olhar pra baixo.
Lá em cima, senti o vento frio alisar meu rosto e o sol se encontrava no seu ponto máximo, o meio dia.
Ao sentir meus olhos doerem por causa daquilo, tive uma idéia. Ainda cambaleante, peguei uma das pás e comecei a cavar ao redor do buraco, aumentando sua área muito mais. Criando pontos isolados para enfraquecer a terra.
Ao terminar aquilo, pingava suor do meu rosto, nem sabia mais se daria tempo, mas, eu tinha que tentar aquilo, pelo bem dos meus companheiros... Corri para dentro do circulo, e ao fazer isso já pude sentir a terra começar a ceder sob meus pés. Ao chegar no ponto mais fraco, meu plano funcionou.
Como um efeito dominó, a terra ao redor do buraco cavado anteriormente começou a cair, e logo toda a terra dentro do circulo que fiz começou a cair. Ao me deparar com o perigo que me coloquei, comecei a tentar correr para fora do circulo suicida, mas a terra cedeu sob meus pés e cai.
A luz do sol chegou juntamente com a terra, os gritos dos Rootworms e meu corpo caindo. Novamente, pude ver as coisas como se estivessem em câmera lenta. Olhei para baixo, e vi os rootworms fugindo do sol. Como imaginei, de tanto tempo vivendo na escuridão, os rootworms se tornaram sensíveis a luz ultravioleta. Fiquei feliz por ter salvado meus companheiros.
Olhei para baixo de mim, um grande pedaço de terra caia no meio do pântano, criando um lugar “seguro” da água contaminada.
Ao cair, senti uma dor entorpecente dominar todo o meu corpo, a armadura nessa hora causou diversas contusões, alguns ossos se quebraram, pois naquele momento pude sentir e escutar meu osso se quebrando.
Tudo escureceu.