Postado originalmente por
Jose Cuervo
Apenas esclarecendo que não existe absolutamente nenhum problema em um representante do Ministério Público (procurador/promotor) trocar mensagem privada com juiz. Na área criminal, todos os pedidos de busca e apreensão, interceptação telefônica, prisão preventiva etc. dependem de parecer/requerimento do MP (escrita, no processo) e autorização/decretação (escrita, no processo) do juiz. Em quase todas essas situações, quando o caso é mais urgente, o MP entra em contato com o juiz ou assessoria e informa previamente a respeito da requisição. Isso não viola a identidade entre juiz e promotor. A sacanagem seria se houvesse prévio conluio já intencionado pra prejudicar alguém, que é o que a reportagem tenta fazer parecer que aconteceu na Lava Jato, e que claramente não aconteceu.
Sobre a decisão que o Moro "antecipou", pelo que eu entendi, porque a reportagem é bem obscura e não esclarece o contexto, foi só um indeferimento de oitiva de alguma testemunha. Se for isso mesmo, não tem absolutamente nenhum problema. Problema é antecipar resultado de sentença.
Em um contexto geral, pra mim ainda tá bastante claro que a reportagem foi bem sacana. Um ponto que pode preocupar, mas que também precisa ser esclarecido, é sobre a indicação de uma "testemunha" que lavrou escritura pública do filho do Lula. Foi indicada pelo Moro para ser usada de prova pelo MPF. Esse é um ponto complicado, mas não dá pra fazer um juízo de valor seguro com essa reportagem.
Obviamente que os advogados não iriam conversar com o Moro da mesma forma que o Dallagnol, até porque a estratégia da defesa era mais voltada a desmerecer o juiz do que enfrentar o mérito do processo e mostrar o porquê de os clientes serem inocentes. Em todo caso, nas instâncias superiores eles atuaram pessoalmente, e agora sim de forma promíscua, com alguns julgadores, basta lembrar daquele caso do desembargador plantonista do TRF/4 que mandou soltar o Lula em um habeas corpus.