Nenhum comentário a mais? :triste: desanimei legal agora...
Novo capítulo, narrado pelo Drago...
Capítulo XIV
Doce Lar
Parte um
Onde voltamos a ver Drago e Sam, e eles recebem a visita de um estranho alguém em meio a mata
Sim... A Estranha chuva de ontem a noite havia se acalmado... O que era bem estranho, pois aquele temporal chegar do nada com aquela potência e desaparecer sem mais nem menos? Bem, não vou quebrar minha cabeça com isso, mas que foi estranho, ah, isso foi.
Mas, em todo caso, a vegetação já começava a se recuperar daquele vendaval. E Carlin agora já parecia uma cidade... Claro, o dia ainda estava nublado, mas não quieto. Porém, preservava sua melancolia. Algumas famílias haviam saído de suas casa para fazer o reconhecimento dos corpos no necrotério, outros ajudavam na reconstrução da cidade, e outros, como eu, seguiam sua rotina.
Eu havia me levantado consideravelmente cedo naquela ocasião, já tomei um café da manhã reforçado, e também já tomei um bom e relaxante banho. Estava me vestindo quando Samuca arrombou a porta simples que levava ao meu quarto.
- Santo Banor, esconde isso – Disse ele cobrindo os olhos com alguns papéis que carregava – Ninguém merece ter uma visão do inferno a essa altura da Manhã!
- Muito engraçado – Falei sarcasticamente enquanto colocava uma cueca que deixei sobre a cama – Você que entrou sem bater...
Estávamos em um apertado apartamento num condomínio ao lado do depósito. Estávamos no primeiro andar, no meu quarto. Era muito bagunçado, feito de pedra, com portas e janelas de madeira simples, como o chão. Ao lado da janela havia uma cama simples de madeira, com um travesseiro branco sobre um colchão dessa mesma cor. Uma coberta azul-safira estava esparramada sobre a cama junto com algumas roupas amarrotadas.
Ao lado da cama, havia um criado mudo de madeira, com duas gavetas e completamente empoeirado. Havia uma lâmpada à óleo sobre ele, que iluminava fracamente o quarto. Uma mesa circular com uma cadeira estofada verde estava em um canto escuro do quarto, com alguns papéis e mochilas de runas.
A porta do meu quarto dava em uma passarela quadrada, que ligava todos os quartos do primeiro andar. Havia duas escadas nesse andar, uma que levava ao segundo andar, um barzinho, e outra que descia ao térreo. Ambas eram de madeira polida.
- Que seja! Falha minha... Mas poderia pelo menos vestir calças? – Ironizou Samuca. Ele havia amadurecido muito naqueles últimos cinco anos. Aprendera a hora certa de fazer piadinhas infames, ficara mais esperto, e é claro, mais bonito.
Ele usava uma camisa azul escura com uma calça negra, como seus sapatos. Seus cabelos negros estavam muito mais rebeldes naquele dia, não que ele se importasse. Vesti uma calça azul-turquesa e uma camiseta branca de manga longa, pois fazia frio naquele dia. Coloquei um gorro preto na minha cabeça, para esconder meus cabelos castanhos, que realmente estavam horríveis hoje... Coloquei luvas de couro e me cri com um casaco de pele de urso marrom. Peguei uma mochila marrom socada em algum canto do quarto e me virei para Samuca.
- Que é isso na sua mão? – Falei apontando para os papéis.
- Cartas. Da Ders, por sinal. Nem li. Pegue, esta é sua – Disse ele me entregando uma das cartas – Ah, e precisa mesmo de tudo isso?
Olhei para minhas roupas e decidi por fim tirar o casaco de urso.
- Feliz agora? – Ironizei – Vamos ver o que temos aqui...
Caro Drago
Fico realmente feliz em anunciar que consegui fechar negócio com uma imobiliária. Enfim vou poder adquirir o primeiro salão de guilda da Cavaleiros Sombrios! Estou muito animada!
Caso esteja interessado em um quarto, pode vir para Thais conversar comigo no “Salão Sangrento”. O aluguel é de dois mil ouros mensais.
Assinado, Ders.
- Nossa, um salão de guilda... Parece interessante... – Falou Samuca amassado a carta – Você vai?
- É... Sabe que seria interessante... Estava querendo me mudar daqui mesmo. E creio que tenho dinheiro suficiente para pagar algum tempo de aluguel. E além do mais, seria legal voltar à Thais.
- Hum... Eu vou, eu acho. Assim que tiver um tempinho talvez.
- Eu vou já.
- Mas já? É uma longa viagem, é preciso que se planeje tudo!
- Ah não é não. – Ironizei – E caso queira ter a esperança de achar um quarto vago, você vem comigo agora.
***
Claro, seria muito mais prático viajar por barco, mas seria também muito caro. Era muito mais interessante ir por terra, o acesso não era difícil. O único problema seriam os desgraçados dos anões soldados da Ponte dos Anões. Mas nada que uma forcinha do destino e de uma cadeira quebrada na cara deles não resolvesse.
Eu e Samuca já andávamos a umas doze horas. Já haviam chegado no legendário “Único gigante antigo”, a montanha que abrigava a cidade de Kazordoon. Como estávamos muito cansados da viagem, e resolvemos armar um acampamento.
Havíamos acendido uma fogueira em um montinho de folhas secas improvisadas no meio de um matinho ao lado da Montanha. Mais adiante chegaríamos às minas dos anões, o que poderia ser perigoso.
Improvisamos camas com alguns trapos esfarrapados que encontramos por ali. Escondemos nossas mochilas e objetos de valor em uma árvore e estávamos quase caindo no sono quando ouvimos um ruído distante. Eram gravetos se quebrando, como se algo caminhasse em nossa direção.
Os sons ficaram mais altos a cada momento, o farfalhar das folhas das árvores era sinistro naquela ocasião, naquele escuro. Uma leve e gélida brisa passou por nossos corpos e apagou a fogueira. Agora só podíamos ver vultos. Algo roçou na minha perna.
Uma sombra, não muito nítida, pareceu se materializar ao meu lado, sinistramente. Colocou a mão em meu ombro e disso com uma voz fria:
- Olá de novo.
Fim da primeira parte