Então, cá estou, com mais um comentário...
Bem, queria começar dizendo que essa primeira parte do segundo pergaminho foi mais prazerosa de ler, 1. porque sua narrativa melhorou sob todos os aspectos, e 2. porque em minha primeira leitura, há alguns anos, eu tinha parado de ler praticamente no fim do primeiro, e tenho boa memória, então enquanto lia a primeira parte, senti como se estivesse tendo um déjà vu particularmente grande. Pois bem, a partir desse segundo pergaminho, a história passa a ser inédita pra mim, e empreendi a leitura curioso a respeito do que a história tinha reservado para mim e, no geral, a leitura foi surpreendentemente boa e positiva.
Os personagens (sempre o ponto alto de sua história), são muuito melhor trabalhados nessa segunda parte; parecem mais humanos e seus conflitos são mais críveis, o que me aproximou muito mais deles. As personalidades são bem definidas, bem como as suas motivações, que nem sempre estão de acordo umas com as outras. A revolução vandurana (talvez a melhor coisa que você tenha escrito nessa história até agora) foi o ápice de tudo isso, com as batalhas entre os personagens, os flashbacks e as redenções evidenciando tudo isso que acabei de falar. Também gostei do fato de alguns personagens terem escolhido lados opostos da disputa, pois entendi seus motivos para tanto. Desde que vi Brand (um personagem de que gosto bastante) no lado thaiano eu imaginei que ele devesse ter bons motivos para tanto, haja vista que ele apenas buscava honrar o povo que, em sua visão, estava certo - embora aquela frase que ele tenha dito durante o combate ("Vamos mostrar a esses escravos que o lugar deles é na senzala! A Casa-Grande será nossa para sempre!") tenha sido estranhíssima e não combine de maneira alguma com a forma como eu o enxergo. Enfim, esse é o tipo de detalhe que eu não teria deixado passar em branco caso tivesse acompanhado a história à época, e com certeza teria enchido o seu saco a respeito, mas que agora não faz mais muito sentido.
Falando em lados opostos, lembro-me que, quando você fez a enquete sobre qual facção dos Djinns o Ireas deveria escolher, eu vi que os Marids estavam ganhando com uma boa margem, mas ainda assim votei nos Efreets. Não para ser do contra (talvez um pouco por isso :lol:), mas sim porque fiquei curioso sobre que malabarismos você iria inventar pra justificar a aliança do Ireas com o lado dos Efreets - um povo cujos valores são diametralmente opostos aos do Druida - se chegasse a isso. E vi que na história alguns dos personagens escolheram esse lado (Wind e Brand), então também tive a curiosidade de saber os seus motivos para tanto. Brand eu talvez entenda um pouco mais, e mais ao fim do pergaminho há um princípio de explicação sobre o porquê dele ter escolhido esse lado, mas confesso que não entendo o Wind tê-los escolhido.
O fato de Ireas e Capitão Jack Sparrow Spider serem as vozes do vento me surpreendeu, achei bem legal esse enredo que você criou, o fato deles serem almas muito antigas que decidiram encarnar em dois humanos, muito bom! E aquele diálogo entre eles e Nornur, onde o deus explica a eles o seu destino e a sua origem foi muito lindo S2. Se a revolução vandurana não foi a melhor parte desse pergaminho, então essa, sem dúvidas, foi. Gostei muito de ter lido isso.
Dito isso, eu tenho críticas a fazer, sempre com a ressalva de que eu sei que isso tudo foi escrito há tempos e não tem como você voltar atrás. Ainda assim, preciso comentar tudo o que achei sobre a história e, caso eu venha a dizer alguma coisa que outros já tenham dito, ou que você mesma já tenha realizado e saiba, simplesmente desconsidere.
No meu outro post, eu disse que tive a impressão de estar lendo duas histórias, e isso se intensificou nesse pergaminho. Acredito que seja porque, enquanto a parte boa de sua história tenha ficado ainda melhor e mais madura, você insistiu, inexplicavelmente (pra mim, pelo menos) em jogar elementos do jogo-tibia aqui e ali. Falo aqui, por exemplo, das descrições sobre os personagens matando bichos sem mais nem menos enquanto empreendiam suas viagens (tipo, quem, num cenário realista, sai por aí chacinando a fauna local sem mais nem menos?), o detalhe das blessings e do ornamented brooch, os personagens utilizando equipamentos estapafúrdios como arcos micológicos e flechas de cristal. Esse último foi particularmente irritante porque apareceu muito durante os combates da revolução vandurana e tirou um pouco da seriedade e maturidade da coisa toda, porque me fez pensar não em dois amigos tendo que lutar entre si, dilacerados entre a lealdade para com o lado que escolheram e a amizade, mas sim em dois bonequinhos tibianos soltando fumacinhas uns contra os outros.
Isso é o tipo de detalhe que não acrescenta nada à história, pelo contrário, retira, porque remete ao jogo e tira o foco da sua narrativa (esse sim o seu ponto forte), e não tenho muita certeza sobre o porquê de você ter feito isso. Sei que não foi, à época, falta de maturidade da sua parte, porque já a conhecia e já sabia que você era capaz de muito mais do que essas narrativas tibianas "pitorescas" (todo o resto da história, a parte boa, evidencia isso). Não sei se você fez isso para agradar os "jovens dinâmicos" que liam a história. Não sei se achou que, por estar fazendo um roleplay que narrava a trajetória de um personagem in-game você precisava se manter fiel aos elementos de gameplay por alguma razão. Mas asseguro que teria ficado muito melhor, muito mais elegante, sem todas essas coisas. E não teria tirado nem um pouco da dinâmica e da ação da história; talvez ao contrário, você teria tido tempo de criar cenas de combate mais elaboradas e realistas.
Eu adoro o jogo Tibia. Eu adoro histórias baseadas no mundo de Tibia. Eu só acho que elementos do gameplay do jogo precisam ficar num saquinho fechado de maneira hermética, bem longe das narrativas tibianas, relegados ao lugar aos quais pertencem - o jogo. É claro que você tem o direito de ter uma opinião diversa, e eu continuarei a ler a sua história de qualquer modo (porque é uma história excelente), bem como lerei qualquer outra coisa que você vier a escrever por aqui.
Só falo todas essas coisas na esperança de que, caso você venha nos presentear com mais alguma obra sua por aqui (e espero sinceramente que venha algum dia), você se lembre do que eu disse aqui. Enfim, acho que já me fiz suficientemente claro, então, daqui pra frente, não vou mais pegar no seu pé por causa dessas coisas. Se eu fizer críticas em meus outros comentários, estas serão a respeito do conteúdo da narrativa.
Apesar dos apesares, minha opinião é a de que a sua história é, provavelmente, a melhor narrativa tibiana que já vi, e nada do que eu disse retira todos os pontos positivos de sua história, bem como a admiração que tenho por você ao ter sido capaz de finalizar um projeto tão grandioso como esse. Quando eu crescer, quero ser que nem você. :lol:
Obrigado por estar me proporcionando uma excelente leitura, e até a próxima!