Bom, vou explicar o que eu acho:
Só um aparte antes: as pesquisas que o Lula tem melhor desempenho hoje foram as que MAIS erraram na última eleição. Datafolha e Quaest deram boca de urna
com até 9 p.p. de diferença para o resultado final no primeiro turno. E muita gente esqueceu isso. E ao esquecer disso, esqueceram o quanto a metodologia de questionários estruturados desses dois institutos falhou em capturar alguns tendências em relação ao posicionamento dos indecisos.
Em pesquisas de metodologias mais diretas, como a BTG/Nexus que saiu esses dias, você já tem uma aproximação maior entre Lula e Flávio. E isso acaba coincidindo com o óbvio: essa eleição não é sobre o Flávio ou os Bolsonaros, é sobre o Lula. Quanto maior a rejeição do Lula, mais fortalecidos vão estar os oponentes. E, mesmo a rejeição do Flávio sendo grande, os alinhamentos dentro do campo político anti-PT vão colocar todos no colo do bolsonarismo de novo, inclusive o centrão que está jogando na retranca.
Nisso, aí já acho que vai entrar a força externa para conduzir a narrativa. A diferença hoje é pequena, no mínimo tão pequena quanto em 2022 (basta comparar as pesquisas da mesma época). Mas agora existe um peso nessa balança preparado pra fazer diferença. Como eles vão fazer isso, ainda não sei. Mas eles sempre foram bem competentes em fazê-lo.
E tem mais uma coisa: a campanha ainda não começou. Temos um cenário apertado entre um candidato com a máquina pública nas mãos e outro que, até ontem, nem os aliados apoiavam. Quando o cenário se fechar e os apoios se consolidarem, essa diferença vai cair mais. E você vê isso no desempenho do bolsonarismo nas pesquisas estaduais. O povo quer votar nessa galera.