De repente
Não era necessário uma luneta – muito menos um telescópio – para se enxergar a magnitude daquela estrela.
Radiante, viva, cheia de energia. Era simplesmente olhar e lá estava ela, brilhando, com um lugarzinho no céu especialmente reservado à sua infinita grandeza.
Não ardia como o sol e nem amedrontava como um planeta. Carregava consigo, entretanto, o mesmo ar misterioso e encantador de uma lua cheia, desfilando seu sorriso de Mona Lisa em um esnobe tapete vermelho. E todos viravam para olhar, curvando-se à sua estonteante beleza.
Mas, de repente, os holofotes mudaram o seu foco e apontaram para uma nova estrela, ainda mais singular e sublime que a outra, mas que por algum motivo esteve apagada durante todo esse tempo.
E novamente, não mais que de repente, essa nova estrela voltou a brilhar, fascinando todos os mortais que dedicam sua vida a contemplar estrelas, mesmo que para isso vivam sob o eterno manto da ilusão.
E, mesmo sem uma órbita linear, a estrela conseguiu com que diversos astros menores e maiores a rodeassem a protegessem, seguindo-a e iluminando sua trajetória.
Porque, certas vezes, a gente só descobre uma estrela quando está olhando outra.
Assim; de repente.