Postado originalmente por
Bob Joe
Já que me incluíram na parada, vou dizer o que penso.
Para mim (e para certas correntes filosóficas) a fé é inata pelo simples fato de ser consequência da racionalidade. Ou seja, somos humanos, portanto racionais, então teremos a fé incutida de alguma forma em nossa consciência. Não é uma questão temporal, é uma questão existencial.
Só que de nada adianta racionalidade se não há um background de informação. E essa informação é assimilada por nós desde o momento em que aprendemos a observar o mundo a nossa volta. Alguns psicólogos dizem que isso acontece com poucos dias de nascimento, outros dizem que isso acontece assim que o sistema nervoso central se forma.
Pensem na figura da mãe para um bebê: uma figura de proteção, de segurança, que alimenta e cuida. É praticamente uma figura mítica de um deus. Não é atoa que deuses muitas vezes são tratados como mães e pais. O bebê não tem a menor idéia do conceito de mãe, de família e outras convenções sociais. Ele pode até sofrer a influência biológica gerada pela semelhança genética, mas de maneira inconsciente. O que a racionalidade faz é avaliar o que de fato ele sabe (que é quase nada) e sente, e completar com o que está faltando com o imaginativo.
Essa discussão de nascer ateu/nascer teísta é cansativa. Considero que seja apenas uma luta semântica. Por definição, ateu não crê em deus. Ele pode crer em outras coisas que não tem existência provada. Para uma não-crença específica dessas (levando em conta que existem "infinitas" coisas a serem negadas), acho difícil dizer que ela acontece sem informação e sem essa informação ser assimilada. Você pode dizer que é ateu, eu posso dizer que é "espkvislt". Isso não importa, são apenas palavras e não estados reais de consciência.
A gente tem que entender que Fé não é o extremo oposto do Ateísmo, por mais que suas implicações práticas o sejam. Eu não sou ateu porque sou um ser-humano sem fé, sou ateu porque não tenho a fé específica que muitos tem.
Espero que tenham entendido, essa é uma discussão mais densa e filosófica, foge um pouco da tradicional e cansativa batalha entre ciência e religião.