A ILHA DE ROOKGAARD (Capítulo I - Pt. I)
Ikem ferut batash ul ranat Zathroth...
Ele me ampara, meu Senhor, meu Mestre.
A maldita ilha cai novamente em trevas, afinal desaparecem lá fora Fafnar e Suon no horizonte. Aqui encontro-me, no isolamento dessa caverna, aquecido pelas chamas que ecoam a escuridão que me abraça e me acalenta com o silêncio da noite, esvaindo-me da loucura que me causa vagar por moribundos sorridentes. Até quando esse inferno? Posso ouvi-Lo, senti-Lo e escrever, na língua das criaturas desse mundo, o que Ele me diz, o que Ele me ordena... e ainda é muito pouco.
Já faz algum tempo desde o último sacrifício humano. Este, qual corpo carboniza à distância perante meus olhos me esboça um sentimento sem sentimento e ouço Kurik gargalhar em torno de mim como se achasse graça da situação. Ou para me infernizar? Deixar-me louco?
Tolos e suas covardes ambições... Sofreu a traição da confiança em um vivo incerto e a punição de subestimar um certo morto descendente de Garsharak, cuja fúria em proteger seu tesouro despertou a frenesi das brasas que nunca apagam. Com estalos, as labaredas se levantavam de sua penúria ao passo que eu as alimentava com migalhas de palha do trigo que, ali próximo ceifei, enquanto o desafortunado ceifava sua vida a cada passo a frente que dava. Logo após, na volta, a sombra do infeliz apontava atrás das chamas. Apreciar seu pranto foi algo que — só percebo agora conforme escrevo — trouxe-me pequena satisfação. Suas primeiras lamúrias eram de descrença, entre tosses mais frequentes, negando seu destino. Quando me olhou atrás das chamas fitando-o imóvel, pude admirar o grande horror no branco de seus olhos arregalados e surpresos, o suor que lhe escorria ao rosto. Fraco, tentou em vão ter algum sentimento de raiva. Sufocado, seu último e desesperado ato foi de atravessar o fogo, debatendo-se e agonizando em gritos enquanto queimava.