Fabrizzia Liberatto é uma garota que no presente dia tem 22 anos. Seus cabelos são longos, com um toque vermelho-escuro parecido com os antigos cipres Edronianos na época do outono. Seus olhos verde-claro são um destaque peculiar em seu sembrante sempre misterioso. Verdadeiras esmeraldas esculpidas na coloração das águas cristalinas de Liberty Bay. Sua estatura não condiz com sua presença de espírito, sendo ela um pouco baixa. Tendo por volta de cento e sessenta centímetros, Fabrizzia é um rosto notório entre os camponeses venorienses.
Seu nascimento foi um imprevisto previsto. Tão ambíguo quanto sua própria história.
Sua mãe, Patricia de La Pace, a 23 anos atrás estava vasculhando as costas ao norte de Venore. Um navio cargueiro havia colidido contra as pedras e agora encontrava-se destroçado. Era seu dever, como uma amazona, procurar por itens valiosos e talvez úteis para a sobrevivência do grupo.
De fato ela achou algo. Um homem. Guilherme Liberatto era seu nome. Conhecido por entre as amazonas, agora, como escravo.
Por mais estranho que pareça, Patricia se apaixonou perdidamente a primeira vista por Guilherme. Um acaso maior ainda foi o sentimento ter sido correspondido.
Guilherme não iria ser sacrificado a princípio. As amazonas precisavam de mais uma guerreira nos seus ranks, para isso Guilherme seria pai. Morreria após a concepção da criança, mas continuava vivo e saudável até o dia do ato.
A mais velha dentre as shamans amazonas escolheu Patricia como mãe da nova guerreira. Não seria uma gravidez normal, muito menos insegura. As shamans amazonicas fizeram um ritual a qual tornaria Patricia, com certeza, em uma mãe de uma mulher brava e com um espírito guerreiro. O mesmo Ritual realizado com todas as mãe do clãn das amazonas. As próximas duas semanas se passariam dedicados a realização desse ritual. Entre as sessões, Patricia visitava o futuro pai de sua filha. Eles estavam perdidamente apaixonados. E isso era mais certeiro até mesmo que o nascimento da nova amazona.
Patricia, para evitar que Guilherme fosse morto, fugiu na noite em que eles fizeram o ato. Levou consigo o amado e juntos foram para Venore.
Cidade a qual Guilherme tinha nascido. Lá ele tinha uma pequena loja e um barco, o qual usava para entregar mercadorias diversas em portos pelo mundo todo. Guilherme e Patricia viveram juntos na cidade, onde tiveram a filha, nove meses depois, a qual chamaram de Fabrizzia. Não tiveram problemas com as amazonas, provavelmente, ao ver delas, nunca iriam para a cidade e foram considerados como mortos por elas.
Durante os próximos anos, Patricia se dedicaria a colher ervas nos pântanos e fazer poções e especiarias. Guilherme as venderia por todo o mundo, na esperança de ficar rico.
Na verdade eles tinham uma vida simples, Fabrizzia cresceu nas ruas. Ouvia as histórias magníficas do pai sobre as cidades do mundo. Ela desenvolvia fortemente uma característica viajante e ávida por aventuras.
Quando Fabrizzia não estava ocupada ouvindo as histórias do pai, nem mesmo acompanhando a mãe, ela se ocupava em escalar os arcos e muros de pedra de Venore. As rachaduras e falhas nos blocos, faziam deles ótimas superfícies escaláveis, a qual a pequena Fabrizzia se divertia. Era, de fato, uma legítima amazona em versão miniatura.
Os anos se passaram e Fabrizzia atingiu os 17 anos. Seu pai lhe incentivava a arranjar um marido. Já sua mãe, o incentivava a aprender a se cuidar, depois arranjar um marido. Fabrizzia optou por aprender a lutar.
A garota tinha vigor, já era agil escalando paredes, pegaria fácil o jeito com espadas, lanças, facas, o que quer que fosse.
A pedido da mãe, Fabrizzia iria se dirigir à Carlin. Lá ela seria bem cuidada por ex-amazonas também. Isso confortaria a mãe.
Para deixar seu pai mais seguro, a viagem foi feita pelo próprio pai no controle do barco. Assim, começara a vida de Fabrizzia fora de casa.
Ela era uma jovem ambiciosa, tinha aprendido com o pai a dar valor ao dinheiro. Por mais probre que ela fosse, era um pouco megalomaníaca e atenciosa, achando sempre um jeito criativo e diferente de fazer as coisas, dentre essas, fazer dinheiro.
Se havia aprendido algo com a mãe, esse algo era usar do fato de ser uma mulher para se sair bem na sociedade.
Ter uma mãe amazona foi bem importânte, ainda mais somado ao fato de Fabrizzia ser uma garota nos padrões de beleza.
Como consequência disso, não foi incomum para Fabrizzia fazer algumas ações que seu pai considerou como "Coisas de amazonas". Tais ações iam de manipular garotos até mesmo se relacionar com garotas para chamar atenção.
Fabrizzia teve uma estadia curta em Carlin. Foi ao encontro das bonecrusher e treinou lá durante três anos. Nesse período ela aprendeu técnicas de combate originalmente amazonicas. Combate com facas, espadas curtas, machados, lanças pequenas, facas de arremesso e algumas magias menores, utura e exori ico.
Utura, era uma magia útil para as amazonas, já que mulheres não tinham a mesma força muscular que os homens, utura dava essa resistência a elas e uma força a mais para se equiparar e formar uma frente de ataque boa.
Exori Ico era a principal arma das valkyirias. Arremessando lanças e machados nos adversários, as valkyiras desenvolveram essa magia para que conseguissem chamar de volta seus projéteis para suas mãos e não mais ficarem desarmadas.
Embora tenha aprendido bastante em Carlin, Fabrizzia não fez conexões importantes nem durante os treinos nem durante as vigias da cidade. Foram três anos de duro treinamento apenas.
Cansada disso tudo, Fabrizzia foi para Thais. Motivada por uma carta enviada por Aruda e interceptada pelas Bonecrusher, Fabrizzia foi para a capital tibiana procurando uma vida mais agitada. Com mais pessoas, mais vida, talvez até algumas coisas ilícitas.
Fabrizzia entrou para a guilda dos bandidos de Thais. Iria ficar por pouco tempo lá também, mas foi neste local que ela aprendeu algumas de suas habilidades mais inusitadas.
A senhorita Liberatto agora sabia usar sua mão leve, sabia ser furtiva, escalava melhor ainda. E o mais importante. Agora ela tinha renovado sua vontade de conhecer o mundo.
Sabendo ser discreta, roubar e manipular, dinheiro nunca a faltaria. Sabia se cuidar, ensinada pelas melhores ex-amazonas que existem. Dona de uma personalidade forte e um rosto encantador Fabrizzia estava de volta a Carlin, desta vez para planejar suas novas aventuras.
Fabrizzia usava suas roupas favoritas. Um chapéu que lhe tampava parte do rosto, um vestido que a deixava ágil e uma cinta escondida por entre o mesmo.
Carregava uma bandoleira por dentro da roupa. Um pouco acima da cintura, nas costas ela alcançaria as facas de arremesso da bandoleira. Na cintura, duas espadas curtas, uma em cada perna.
"Que lindo dia para se deitar... Quem sabe em algum telhado."