Arieswar, a Lenda.
*Todos os personagens citados nessa história pertencem ao universo Tibiano, são NPCs ou foram Players famosos.
Era uma noite como todas as outras em Thais. A taverna do Frodo estava agitada, mas em uma pequena mesa, num canto, dois aventureiros conversavam tranquilamente.
- Acho que estou ficando velho, meu amigo - disse o cavaleiro que vestia uma armadura feita com escamas de Dragão.
- Você? E eu então? Sabe o que falam de mim? Dizem que eu sou um dos fundadores de Thais! – respondeu o paladino com uma armadura de prata e uma longa capa azul.
- Eu não duvidaria! – brincou o cavaleiro.
Eles tomaram mais uma caneca de cerveja e voltaram a conversar.
- Mas falando sério, Taghor, acho que em breve terei que me aposentar. – disse novamente o cavaleiro.
- Eu também tenho pensado nisso, Arieswar, acho que a partir de agora vou me dedicar apenas a ensinar os mais novos – respondeu Taghor.
Os dois pararam de beber e ficaram algum tempo se olhando, as barbas e cabelos brancos indicavam que ambos já haviam atingido uma idade avançada. Após certo tempo, um incômodo tomou conta de Arieswar.
- Precisamos fazer alguma coisa antes... – disse o cavaleiro – precisamos ser lembrados...
- Do que você está falando? – Taghor perguntou rindo – Você estava no grupo que derrotou Ferumbras!
- Eu era apenas mais um...
- Você era o Líder, Arieswar! – Taghor ficou um pouco incomodado – Quer mais do que isso?
- Nós precisamos ser os primeiros em alguma coisa! Apenas os primeiros são lembrados! – o cavaleiro foi se animando enquanto falava – Precisamos fazer algo que nunca foi feito antes!
- Você não me engana, Arieswar. Te conheço a muito tempo. – o paladino deixou escapar um sorriso – Conte-me logo. O que você tem em mente? Será a nossa última missão?
O cavaleiro não conseguiu conter o sorriso, se inclinou para mais perto de seu amigo e começou a falar.
- Então! Você já ouviu falar do Goshnar? – perguntou Arieswar.
- O famoso maligno Rei Necromante? – indagou Taghor.
- Ele mesmo! Você deve saber que considerando o seu poder de reviver os mortos, os Cavaleiros do Pesadelo, após o matarem, trancaram o seu caixão em uma sala selada, há alguns metros abaixo do solo, para o caso de um dia ele voltar.
- Sim. Eu conheço essa história, apesar de acreditar que tudo não passa de uma lenda boba.
- Muito bem. Eu acredito que ela seja verdadeira e acredito também na segunda parte dela – disse Arieswar deixando um mistério no ar.
- Segunda parte? Essa história tem uma segunda parte? – perguntou Taghor, desconfiado.
- Bem, dizem que Goshnar era um ser tão mau, que alguns anos após a sua morte, um caminho se abriu entre o seu túmulo e os poços do inferno.
Arieswar parou de falar, se encostou novamente na cadeira e ficou aguardando seu amigo falar alguma coisa.
- Não entendi! O que você quer fazer? – perguntou Taghor, confuso.
- Nós podemos ser os primeiros aventureiros vivos a entrarem nos poços do inferno – disse um radiante Arieswar.
- Isso não faz sentido! Você só pode estar brincando comigo! – disse Taghor, exaltado, tentando entender – Por que você não se mata agora mesmo e vai para o inferno? Nós vamos ser os primeiro seres vivos a entrarem nos poços do inferno, morreremos lá e ninguém saberá nem que estivemos lá!
- Eu já enfrentei muitos demônios poderosos! E com ajuda da sua Besta e das suas flechas, podemos derrotar muitos outros! E se dermos sorte, podemos encontrar uma poderosa espada, que dizem ser guardada nos poços do inferno, a chamam de “A Espada Vingadora”.
- Eu sabia – Taghor começou a rir – Uma espada! Tem sempre uma espada! Você não se contenta essa sua Espada Mágica normal? Não é? Desde que os deuses levaram a sua Longa Espada Mágica, você procura uma espada mais forte!
- Não é só uma espada! Pode haver muitas outras coisas! Eu ouvi dizer que eles também guardam a Balestra mais poderosa de todo Tibia! E como eu disse, nós podemos ser os descobridores da entrada para os poços do inferno! E seremos para sempre lembrados!
Ao ouvir falar da Balestra, Taghor se recostou na cadeira e ficou acariciando sua longa barba. Ele deu uma olhada na sua Besta, ela já estava velha e frágil, ele precisava de uma arma nova, mesmo que não pretendesse usá-la por muito tempo.
- E você já deve ter descoberto onde está o túmulo de Goshnar, ou estou enganado? – perguntou Taghor.
- Eu ainda não fui lá! Mais já pesquisei o suficiente e acredito que sei exatamente onde ele está! – respondeu Arieswar muito animado.
- Muito bem! Irei dormir agora e amanhã ainda vou precisar passar no Depósito antes de partir, então nos encontraremos no portão da cidade ao meio dia. Combinado? – perguntou Taghor, bem sério.
- Combinado! – respondeu Arieswar.
Os dois amigos se cumprimentaram, levantaram-se e seguiram cada um para sua casa.
Eles estavam prestes a começar uma aventura que os levaria a lugares em que nunca nenhum outro homem jamais foi, eles teriam que enfrentar criaturas desconhecidas, mas o espírito aventureiro dos dois e a possibilidade de uma recompensa inigualável, os fez decidir realizar aquela missão.
Assim, ao meio dia, no portão da cidade de Thais, os dois se encontraram novamente, tensos com a situação e com os perigos que iriam correr, eles se olharam friamente, e seguiram por algum tempo em silêncio, rumo à planície da destruição.
- E então? Onde está o túmulo de Goshnar? – disse Taghor quebrando o gelo.
- Bem, eu estive conversando com Muriel, o líder dos Feiticeiros, e parece que nós não somos os primeiros loucos a tentarem descobrir a entrada do inferno. – disse Arieswar com um ar enigmático.
- Quem mais tentou? – indagou Taghor.
- Arcian e Porgol – respondeu sem mais palavras Arieswar.
- Os construtores da Casa Necromante? – perguntou Taghor mais uma vez.
- Eles mesmos! E pelo que dizem, eles construíram aquela casa sobre o túmulo de Goshnar! – respondeu Arieswar sem esconder um sorriso.
- Vamos lá então! Para a Casa Necromante! – completou Taghor.
Os dois caminharam durante duas longas horas, pelo caminho que liga Thais a Venore, até alcançarem a entrada para a planície da destruição.
- Bons tempos... Aqueles em que caçávamos aqui por pura diversão... Na maioria das vezes, ganhávamos uma passagem de volta para o templo – disse Arieswar rindo alto.
- Minotauros! – disse Taghor enquanto preparava sua besta para atirar as primeiras flechas.
Um grupo de Minotauros de todos os tipos estava se aproximando, ao verem os dois aventureiros, as criaturas se prepararam para o ataque.
Sem hesitar, Arieswar sua sacou sua Espada Mágica e avançou contra os Minotauros com machados, enquanto Taghor começava a atirar flechas sobre os Minotauros arqueiros.
Taghor fez um grande estrago e começou a usar sua besta para derrotar os magos.
Arieswar esperou ficar cercado por um grande número de Minotauros e invocou uma magia.
- Exori Gran – bradou o cavaleiro.
Tomado por uma fúria, ele girou sua espada e com um único golpe derrotou todos os Minotauros que estavam o cercando.
Após o efeito da magia passar, Arieswar olhou ao redor e viu que haviam derrotado todos os Minotauros.
- Estamos velhos, mas ainda damos paro gasto – disse o cavaleiro rindo.
- Com certeza. – completou Taghor.
Eles seguiram por mais algumas horas rumo ao sul da planície da destruição, enfrentaram alguns lobos e aranhas, até que avistaram as criaturas mais temidas da região.
- Pelos velhos tempos! – bradou Arieswar antes de correr na direção das duas Aranhas Gigantes.
Taghor possuía uma excelente mira com sua Besta, e acertava as criaturas nos seus pontos fracos.
Arieswar era considerado o mais forte cavaleiro do Tibia, e a cada golpe fazia um profundo corte nas aranhas. Ele ainda possuía um escudo de escamas de Dragão, capaz de absorver grande parte dos ataques das criaturas.
As Aranhas Gigantes invocaram aranhas menores para atacar Arieswar, e ele invocou novamente a sua fúria Berserk e eliminou todas de uma vez.
Em poucos minutos, as duas Aranhas Gigantes estavam derrotadas. Os dois celebraram rapidamente a vitória e foram necessários poucos passos para que eles avistassem a Casa Necromante.
Ao chegarem no local, eles tomaram um grande susto.
- Tem um cemitério em frente a casa! Que loucura! – disse Taghor.
- Na verdade, foi Arcian que construiu a casa dentro do cemitério! – completou o cavaleiro.
Devagar eles foram atravessando o cemitério, na direção da entrada da casa, até que algo agarrou a perna de Arieswar. Era uma mão, saindo de baixo da terra.
Na mesma hora, o cavaleiro cravou sua espada na mão e se soltou, mas quando se deram conta, vários esqueletos e zumbis estavam surgindo, saindo de suas covas, em um número impressionante.
- Taghor, vamos logo para dentro da casa.
O cavaleiro foi na frente, golpeando cada criatura que entrava no caminho, e atrás, o paladino tentava acertar o maior número possível de monstros com suas flechas.
Eles conseguiram alcançar a porta e entraram na casa. Já do lado de dentro, Arieswar virou-se para o seu amigo e falou.
- Ufa. Eram muitos monstros, íamos ficar o dia inteiro matando esqueletos...
Rapidamente, Taghor pegou sua besta a abateu dois zumbis que estava dentro da casa, atrás de Arieswar.
- Ainda tem mais zumbis aqui dentro, fique atento! E o que vamos fazer agora? – perguntou o paladino.
- Vamos procurar o acesso ao porão da casa – respondeu Arieswar.
Eles entraram no salão principal e encontraram mais dois esqueletos, Taghor os eliminou facilmente com suas flechas.
Haviam quatro caixões naquela sala e um grande buraco no meio.
- Não foi difícil achar! Vamos descer! – disse Arieswar.
O buraco dava acesso a uma caverna escura e eles puderam ouvir o rastejar de alguns mortos vivos ao redor.
- Utevo Gran lux – gritou Taghor.
O local ficou completamente iluminado. E com sua espada, Arieswar eliminou todos os monstros que encontrou.
- Venha por aqui! – disse o cavaleiro.
Arieswar já havia decorado o mapa daquele local e sabia exatamente onde eles precisavam perfurar para acessar o túmulo de Goshnar.
É bem aqui. – disse Arieswar antes de entrar em um pequeno quarto.
Dois zumbis estavam protegendo o local, e a Espada Mágica do cavaleiro aniquilou-os rapidamente.
Arieswar pegou uma picareta em sua mochila e começou a golpear o chão. Taghor apenas assistiu, até que um buraco se abriu.
- Vamos! – disse Arieswar com um sorriso estampado no rosto.
Eles então descerem aquele buraco e encontraram o que poucos jamais haviam visto, o túmulo de Goshnar.
O local estava quente, as paredes estavam em ruínas, haviam algumas flores já mortas e caveiras estavam espalhadas pelo local. Sobre uma pedra, estava escrito, “Aqui jaz Goshnar, Rei dos Necromantes”.
- Encontramos! – disse Taghor, um pouco animado.
- Isso não é nada! Precisamos acessar a entrada para os poços do inferno! Pegue uma pá e me ajude!
Arieswar pegou novamente a picareta e começou a golpear o local em baixo da placa, enquanto Taghor tirava um pouco da terra com sua pá. Após algum tempo, um novo buraco se abriu.
- O que será que tem lá em baixo? – perguntou Taghor.
- Se eu estiver certo, será a entrada do inferno – respondeu o cavaleiro.
- Tem certeza que quer descer – perguntou o paladino.
- É claro que sim! – disse Arieswar antes de saltar para dentro do buraco.
Taghor o seguiu e eles foram para um novo local, muito mais quente do que o andar de cima.
- Estamos no inferno? – perguntou Taghor.
- Receio que ainda não chegamos, mas sem dúvidas estamos perto da entrada. – disse Arieswar seriamente.
Ao lado deles havia uma parede mágica, eles ficaram a olhando durante algum tempo.
- O que faremos agora? – perguntou o paladino.
- Eu já ouvi falar desse local... Taghor... acho que somos os primeiros seres humanos vivos a entrarem nesse local... antes de nós, apenas Goshnar... E ele era um morto-vivo...
O cavaleiro abriu a sua mochila e pegou um livro, ele foleou algumas páginas e começou a ler um trecho.
- Banor eu louvo o seu nome. Seja comigo na batalha. Seja o meu escudo, deixe-me ser sua espada. Eu honrarei a centelha divina em minha alma. Que ele possa prosperar e crescer – leu alto Arieswar.
Subitamente, a parede mágica sumiu e eles a atravessaram. Após andarem algum tempo, os aventureiros encontraram um novo buraco, com uma pequena plaquinha, onde estava escrito, “Para os Poços do Inferno”. Um forte calor saia daquele buraco, não deixando dúvidas sobre o que havia abaixo.
- Encontramos! Encontramos! – gritava Arieswar – Descobrimos a entrada do inferno!
Os dois riram durante algum tempo e se abraçaram. Ambos estavam muito felizes.
- E agora? O que faremos? – perguntou Taghor.
- Vamos lá! Entrar nos poços do inferno! Derrotar os demônios! E buscar nossas recompensas!
- Mas como vamos sair depois? – perguntou novamente.
- Não se preocupe! Os deuses vão dar um jeito de nos tirar de lá! – disse o sorridente Arieswar.
- Tem certeza? – indagou mais um vez.
- Tenho! Agora vamos! – disse Arieswar decidido.
E foi assim que eles entraram nos poços do inferno, pela primeira vez.
E se tornaram Lendas.