Subsolo de Kazordoon.
- Eles já deviam ter voltado, pai! - resmungou Eldred.
- Eldred, cale a boca! Todos eles são experientes e a missão não é exatamente matar uma cobra! - resmungou Fengoth.
Alguns homens riram.
- Ora! Não brinque co....
BUM!
- ESTÃO VINDO! EM SUAS POSIÇÕES! - gritou Fengoth.
O que se seguiu foi um estardalhaço incrível. Homens tropeçavam em pedras invisíveis naquela escuridão. Logo todos os homens trajados em armaduras vermelhas, cerca de quarenta, estavam posicionados a uns trinta metros da boca do túnel, que devia medir de largura e altura algo como quarenta e trinta metros respectivamente, á exceção de dois vultos em um platô à esquerda da sua entrada.
Os minutos pareciam durar uma eternidade, até que passados dez deles, algo saiu correndo da boca do túnel.
- AGORA!!! - Fengoth gritou.
No platô onde estavam os dois vultos, uma luz ínfima foi notada pelos homens. Meio segundo depois ela se transformou em uma grande esfera de luz branca. Embora na esfera houvesse uma luz muito poderosa, Fengoth ficou contente ao ver que seus homens não tinham sido afetados pela claridade ofuscante. Seu filho Eldred, que estava ao seu lado, dirigiu um olhar abobado a esfera.
- A magia está fazendo efeito - sussorrou, e então se concentrou no túnel a sua frente.
Na boca do túnel, agora bem iluminado, havia um homem que Fengoth reconheceu fazer parte do grupo que havia mandado como isca. O líder notou que seu braço direito havia sido arrancado por uma presa gigantesca. O sangue jorrava profusamente. O homem corpulento jogou, com seu braço sadio, seu cabelo negro manchado de sangue para um lado e mostrou seus olhos aterrorizados. Então se dirigiu a Fengoth. Então falou, quase inaudivelmente:
- Comandante...história...errada...cobra...maior...m uito...maior...está...vindo - e o homem caiu morto no chão.
Fengoth estremeceu. O basilisco das histórias anãs media quinze metros de comprimento e tinha a altura de um porta de uma casa humana comum. Se o homem morto a sua frente estivesse certo?
Ele não queria pensar na resposta:
- 7ª Armada! Fiquem preparados! O que sair deste túnel não vai morrer tão fácil!
Duas luzes verdes apareceram na escuridão do túnel. Aumentavam numa velocidade assustadora. Quando estavam do tamanho de um elmo comum uma cabeça enorme saiu da escuridão e avançou sobre sobre os homens. Mas os olhos agora estavam amarelos por causa da esfera de luz. A criatura, cega, guinchou e se debateu pra fora do túnel.
A luz revelou uma criatura que era igual a uma serpente do deserto de Ankrahmun, só que centenas de vezes maior. Tinha a altura de um ciclope, cerca de três metros, e vinte e cinco metros de comprimento. Em sua cabeça haviam dois chifres pontiagudos:
- Devíamos ter imaginado que ela cresceria depois de cinquenta anos presa em uma caverna! – disse Eldred.
- Cerquem-na homens! Arqueiros, disparem! - gritou Fengoth. Dez vultos encaixaram flechas em seus arcos e dispararam, ferindo os flancos do basilisco. Nesse meio-tempo o restante dos homens havia feito um círculo em torno da cobra que havia parado de se debater e agora estava farejando o ar.
A cobra fez um movimento com a cabeça e abocanhou dois homens, fazendo-os em pedaços em um piscar de olhos. Os arqueiros fustigavam a cobra com suas flechas sem muito resultado. Fengoth precisava de uma saída rápido.
- Os olhos, pai! - gritou Eldred.
Pai e filho se juntaram e subiram pelo rabo da criatura, aparentemente sem serem notados por ela, que estava ocupada tentando estraçalhar mais homens. Quando chegaram a cabeça a cobra começou a se debater, fazendo alguns homens a sua volta serem jogados contra a parede a 10 metros de distância.
Mas o basilisco não foi rápido o suficiente, pois a dupla pressentiu o ataque e cada um se agarrou a um chifre antes da investida e agora estavam sacolejando como um homem montando um cavalo selvagem. Porém, antes que a cobra pudesse fazer alguma coisa, Eldred tirou sua espada, que
era dourada como os cabelos de todos da sua família, e a desceu sobre o olho da criatura.
O basilisco soltou um guincho agudo e se debateu uma última vez, fazendo com que os dois fossem jogados a vinte metros de distância e saíssem rolando por mais dez, até pararem numa parede com um barulho abafado.
O cobra estava imóvel, a espada ainda cravada no olho. O último dos basiliscos havia morrido.