Capítulo 4 – Sem Saída
Não se enxergava nada ali, estava extremamente escuro. Um frio intenso se espalhava por toda a sala, deixando a situação mais desconfortável do que já era. Sem contar o odor horrível que exalava de algum lugar em particular, mas que não dava para saber de onde.
“Há quanto tempo estou aqui?” Pensamento incessante da qual ele não sabia, mas também não queria, a resposta.
Ainda estava com suas roupas, mas rasgadas e sujas, e a gravata que usava no começo do dia agora servia como uma mordaça, para tampar sua boca e deixa-lo calado, impedindo-o de gritar por socorro. Mãos amarradas por grossas cordas e postas atrás das costas, igual às pernas, que já sangravam por causa da constante fricção que era feita sobre a corda, na pequena esperança de conseguir se soltar, e assim tentar escapar.
Mas, do que adiantaria? Como não podia ver nada, não saberia para onde ir e o que fazer. Estava preso, isolado, solitário, sem idéia do que lhe iria acontecer daqui para frente...
De repente, dois homens entram, com bonés escondendo seus rostos, e vestindo roupas escuras. Acendem uma lâmpada acima do lugar onde o rapaz estava, pegam duas cadeiras e se sentam à frente dele, tirando a mordaça de sua boca, e ficam ali, o observando..
Um deles estava mascando algo, que cospe no chão para finalmente dizer ao pobre rapaz:
- Não adiantou nada o que você fez...
- O que foi que eu fiz?
E o sujeito se levanta da cadeira e dá um forte tapa em seu rosto, fazendo sua boca se encher de sangue.
- NÃO ME INTERROMPA!! VOCÊ SABE MUITO BEM O QUE FEZ! MAS SE ACHA QUE ISSO O AJUDARÁ EM ALGO, PODE ESQUECER!! VOCÊ SÓ AJUDOU A TER MAIS UMA VÍTIMA NO MEIO!!
Ao dizer isso, o agressor leva sua cadeira para mais perto do rapaz, fazendo sua face finalmente ser vista, por causa da iluminação da lâmpada: Seu nome era Marcos.Tirou o boné, era calvo, com um nariz de tamanho incomum, dentes perfeitos, porém amarelos, que podiam ser vistos devido ao sorriso que fazia, um sorriso de ganância...
- Mas você ainda pode evitar isso, aliás, pode evitar a perda de vidas que nem conhece... É só dizer o que queremos saber, e o soltaremos.
- Mas não posso, devem ter mudado tudo, tem que entender que...
E um som alto ecoa pela sala, causado por mais um tapa que é dado no rosto do pobre rapaz, fazendo mais sangue escorrer de sua boca, e que dessa vez vinha junto com uma pequena lasca de dente...
- Sendo assim, você não nos é mais necessário.
Ele se levanta novamente, agora em direção à saída. Deixa o rapaz sozinho com o outro homem, que nada tinha feito até agora.
Dois minutos depois, entram mais dois sujeitos, estes altos e musculosos. Gêmeos, seus nomes eram Rodrigo e Júlio. Desamarram o rapaz da cadeira e o tiram da sala, com o outro homem indo logo atrás. O sujeito que instantes atrás o havia agredido, tinha sumido.
O arrastam por um corredor longo e estreito, tão escuro quanto à sala que o tinha
“abrigado” por longas horas, já que estava de noite, e isso tudo havia começado nos primeiros instantes do dia...
O levam para os fundos do estabelecimento de onde estavam, parecia ser alguma fábrica abandonada, esquecida no tempo, como tantos outros lugares daquela fétida cidade chamada
São Paulo.
Jogam o pobre sujeito novamente no chão, e para cima dele vai o homem que desde o início acompanhava tudo; seu nome era Ícaro. Era franzino, estatura baixa, usava grossos óculos de grau e roupas casuais, uma pessoa nem um pouco interessante. Parecia ser inteligente, mas não forte, e isso é comprovado quando, ao tentar acertar a vítima com um cabo de madeira, o mesmo erra o alvo e é desarmado, e o rapaz acerta em cheio suas pernas, o fazendo cair de joelhos, e quando ia dar mais um golpe, desta vez no rosto, Rodrigo o interrompe e lhe dá um soco em sua barriga com um pedaço de ferro, fazendo o coitado cair no chão, se contorcendo de dor. E, sem parar, os dois gêmeos dão mais e mais golpes no pobre rapaz, que não tinha como se defender, a não ser se encolher num canto qualquer, como um cachorro que está para apanhar de seu dono.
- Parem, já está bom. Aqui é deserto, ninguém vai vê-lo ou ouvi-lo. Mas, por segurança, tapem a boca dele para deixá-lo calado.
Pegam um pedaço de pano, úmido e sujo, e enfiam em sua boca, o deixando no chão, imóvel, com ossos quebrados e ferimentos por todo o corpo. Os três vão embora, e minutos depois é ouvido o barulho do cantar de pneus de um carro, saindo do estabelecimento.
E permanece ali, aparentemente sem vida. Mas tinha que sair de lá, tinha que pedir ajuda. Com o pouco de força que lhe restara, consegue se arrastar pelo fundo da fábrica e acha um beco, que dava acesso para alguma rua movimentada. Dá o máximo de si, tenta gritar por socorro, mas em vão, estava com a boca tampada... Vai se rastejando, tentando chegar na rua, e pedir socorro, mas o excesso de esforço o faz desmaiar no meio do caminho. Parece que vai morrer ali, sem ter a chance de avisar sobre o que iria acontecer. Amanhece, e nada muda, ainda está no mesmo lugar de antes...
Seis da manhã. Hora em que um caminhão passa pela rua recolhendo o lixo. Hora em que um lixeiro, um simples lixeiro, entra no beco para fazer seu trabalho e encontra lá, no chão, o rapaz, ainda respirando, mesmo depois de muito tempo naquele estado deplorável... Hora em que um simples homem ajuda outro, levando-o para um hospital, e salva sua vida, ou apenas retarda sua morte...
Bem, pra quem não entendeu a vítima o tempo todo era Rafael, mas dá pra se ter um noção disso pra quem leu os outros caps. ^^.Agora, comentem o/, sobre a mudança de narração, sobre a história em si, qualquer coisa XD...
Dard*