Capítulo XXI - Desespero e Morte
Um vento gélido soprava pelas planícies. Karteler avançava cautelosamente, a cada passo uma densa névoa aumentava. Estava se aproximando da temida Praia da Morte.
Começou a sentir a areia. Será que havia chegado? Já não conseguia enxergar mais nada. Concentrou alguma energia em sua mão, e liberou um tipo de luz, que aos poucos dissipava aquela densa névoa.
Alguns minutos depois, já estava completamente limpo. Enxergava sem problema algum. Um tenebroso céu pairava sobre sua cabeça em contraste com os ossos na areia. Quanto mais avançava, mais parecia ouvir o grito desesperado dos mortos, que sofriam com a dor, com as chamas infernais.
Finalmente chegou a água. Era tão escura que poderia ser facilmente confundida com petróleo, ou algo parecido. Olhando bem, poderia jurar que conseguia ver almas desesperadas, clamando por liberdade.
O ar estava pesado. Respirava ofegante. Sentia-se como se carregasse um grande fardo em suas costas. Alguns ossos secos se partiam enquanto andava. No horizonte, avistava uma pequena ilha.
Não entendia o que Matthey quis que Karteler encontrasse naquele local. Estava voltando quando sentiu um grande tremor.
Um grito desesperado, um grande terremoto. Fogo começa a cair dos céus, enquanto enormes pedras isolam a praia. A água se agita, causando a aparição de vários redemoinhos, pelos quais almas surgiam incessantemente.
Karteler estava assustado, mas não podia se desesperar. Sentia que ao seu redor ficava cada vez mais frio. Sentia os espíritos o cercando.
***
Um úmido porão. No chão, desenhos de rituais variados. No centro, Artheron meditava, quando Flea entrou pela porta.
- Artheron. Já reunimos todos os irmãos, agora é a hora.
- Muito bem Flea. Agora poderemos começar o ritual. Preciso de um sacrifício. Já que você está aqui...
- Mas o quê?
Flea tentou fugir correndo, mas Artheron lançou uma pedra em sua direção, atingindo a cabeça. Ela caiu no chão, e ficou desacordada. Seu rosto e cabelo, que antes eram completamente brancos, agora estavam vermelhos. Vermelho, cor de sangue.
Ele a arrastou até o centro dos desenhos, e a colocou em cima de um altar. Cravou a adaga no peito dela. Um negro e intenso brilho iluminou toda a sala. Figuras mitológicas, de anjos, bestas e demônios apareceram por toda a parede. Inscrições em linguagens antigas, e palavras para rituais.
- "Per disciplinam meam, tenebris videbi." - Disse Artheron, lendo as incrições na parede.
***
As almas começaram a emitir som, era como se fosse uma melodia. O cântico dos mortos incomodava Karteler. O que eles queriam com ele?
Ao fim da melodia, todos seguiram em direção a pequena ilha. Ele continuou andando pelo litoral, caminhando pela faixa de areia. Cercado pelas grandes rochas, agora é que ele não iria sair. Ao fim da praia viu um pequeno barco amarrado.
Karteler subiu no barco e inspecionou. Estava em bom estado, mesmo sendo de madeira. Algumas inscrições cravadas, conseguiu ler uma delas:
- "In occidenta sita est in ora mundi."
Pareceu que já havia ouvido aquela frase em algum lugar. Desamarrou o barco e remou até a pequena ilha. Durante todo o caminho, continuava ouvindo o grito desesperado dos mortos.
As tenebrosas e turvas águas pareciam querer que ele desistisse. Ele pensava em Ann a todo momento. O céu parecia menos tenebroso naquela noite.
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Eu sei que este ficou curto, mas irei compensar depois.
||KaRtElEr||