Parece que eu só posto de madrugada o.O
Sim... A pedidos, tô postando outro ato do Manual Prático da Delinquencia Juvenil. Dessa vez o ato 10.
Estou pegando os mais engraçados. Os outros valem a pena mas esses são demais!!!
ATO 10
O Dia em Que a Churrascaria Parou
Uma tendência que tem crescido pra caralho no "meio libertário" é o vegetarianismo radical. Os caras defendem os direitos dos animais até as últimas conseqüências. São completamente diferentes dos vegetarianos aos quais estamos acostumados, não usam nem sapato de couro. Nosso amigo Sergio Augusto, além de vender a alma como artista plástico anda pesquisando sobre o assunto e se misturando com essa gente.
- Tigrada! Hoje teremos uma janta Vegan!
- Blargh!! - Vini e Fabio são doidos por um churrasquinho.
Sergio anda fazendo essas comidas, mas ainda nao foi "convertido". Tá mesmo é praticando e experimentando pra ver se vale a pena. Estávamos todos na peça única que é a kit do Vini e do Jean conversando sobre os argumentos pró e contra o vegetarianismo radical. Eu e Jean éramos os Vegans, apesar de eu ser um onívoro convicto. Nisso nosso cozinheiro virou-se pra nós com um sorriso estampado no rosto.
- Tive uma inspiração pra uma ação!
- Lá vei ele.
- Ai, ai ...
- Do que se trata seu monstro?
- Atacaremos uma churrascaria.
- Atacar churrascaria? Você quer fazer o que? Explodir uma bomba?
- Não, uma coisa mais artística.
- Putz!
- Já sei! Você vai se vestir de alface e vai entrar apavorando.
- Não viajem, o plano é perfeito. a gente vai num matadouro...
- Matadouro?
- E grava numa fita os berros dos bois sendo mortos.
- E?
- E aí entramos numa churrascaria e demos um jeito de tocar a fita.
Sergio e seus fulminantes chutes a gol. A idéia me seduziu de imediato. Só de imaginar neguinho fincando garfo e faca numa suculenta picanha mal passada e ouvindo um berro de boi morrendo já era o suficiente pra mim me cagar de rir.
Difícil foi definir os aspectos práticos e técnicos da operação: como botar a fita pra tocar dentro da churrascaria num volume adequado? Cada um pensava numa coisa diferente. Jean, milagrosamente, estava sendo o mais prático.
- É fácil, a gente arranja alguém que tenha um carro com um som "foderoso", estaciona na frente e arregaça o volume.
- Não, tinha que ser dentro da churrascaria, falou Fabio. O som tem que ser interno pro povo ficar mais puto ainda.
- Mas como?
- Sei lá, tínhamos que dar um jeito de tocar no sistema de som ambiente.
Seria perfeito mas era difícil de executar. Estávamos nos debatendo em estratégias quando tocou a campainha, era Marília com seu primo técnico em eletrônica e a TV 14 polegadas que usamos em nossa última ação. Contamos nossos planos pra eles e riram adoidados da viagem. Marcelo era o nome do cara e motivado pela palhaçada de nossas atitudes deu uma sugestão pra resolver o problema.
- Vocês podem conseguir quatro tocafitinhas baratos do Paraguai e quatro auto falantes. Eu consigo umas plaquinhas amplificadoras à pilha, bem simples mesmo e vocês põe as paradinhas embaixo das mesas.
Ficamos em silêncio, pensando, pensando & pensando.
- E dá pra fazer isso?
- Tipo assim: é fácil?
- Claro! Se fizer as contas, mesmo que comprem todo o material novo vão gastar no máximo 50 Reais, se dividir vai dar uns 10 Reais pra cada um. Mas acho que dá pra conseguir muita coisa na sucata lá da oficina.
Topamos. Topamos e já conseguimos mexer nossas bundas gordas. Vini & Marília, nossos atores oficiais foram pro matadouro gravar os sons. Foram na casa do Tarsis, que tem scanner, e fizeram umas carteirinhas falsas de estudantes de veterinária. Bolaram uma viagem de que estavam trabalhando num projeto de otimização do abate.
- Otimizar é uma palavra que soa bem aos ouvidos dos homens de negócios.
Enquanto os dois picaram a mula pra fazer o teatrinho que tanto curtiam eu e o Fabio fomos ajudar o tal Marcelo a preparar os "aparelhinhos". Jean & Sergio ficaram preparando a TV e os bilhetinhos da ação anterior.
No fim acabamos não gastando quase nada. Marcelo aproveitou um monte de coisas de seu ferro velho particular e só precisamos investir em pilhas alcalinas tamanho grande. Trampamos pra caralho soldando componentes eletrônicos e encaixando pecinhas de mecanismos velhos de toca-fitas. Deu pra montar quatro "bombas sonoras" e, de quebra, pegar uma certa prática em soldagem. Não é difícil.
- Se vocês tocarem as quatro fitas ao mesmo tempo vai dar um efeito estéreo massa que vai confundir os ouvidos e eles vão demorar pra achar de onde está vindo.
Vinicius & Marília voltaram rindo das palhaçadas que fizeram no matadouro. Sergio ficou puto da cara.
- Porra cara! Mas vocês não se sensibilizaram com os bichos morrendo?
- Eu gosto de bife.
- Ah, vai te fuder, meu!!
Gravamos as quatro fitas e marcamos a ação pro sábado, logo depois do meio dia. chegamos numa hora que o negócio tava lotado. Tinha fila pra esperar liberar mesa. Nos dividimos em quatro, cada um com uma bomba e gradativamente entramos.
Foi planejada uma verdadeira orquestra de sinais pra executarmos a operação. Cada um colou com Silver Tape sua bombinha embaixo da mesa. As fitas eram de 90 minutos, o que significava 45 minutos de cada lado. Isso nos dava 40 minutos para desbaratinar e apreciar o resultado.
Inicialmente cada um deu o sinal de que a bomba já estava colada. Depois o segundo sinal, ambos discretíssimos, diga-se de passagem, pro início da contagem regressiva. Cinco, quatro, três, dois, um, play!
Pronto.
Saímos um por um, cada um inventando uma desculpa diferente pra um graçon diferente, tipo ter que ligar pra alguém ou a carteira esquecida em casa. Nos encontramos todos na rua, esperamos um tempinho e voltamos pra fila. Desta vez todos juntos e ansiosos, muito ansiosos.
- Cara! Não boto fé que nós estamos fazendo isso! - Jean não conseguia se segurar, ria de doer.
- Relaxa cara! Não dá bandeira, senão vão desconfiar!!
Estávamos conferindo o relógio toda a hora. A fila tinha aumentado e levamos exatos 33 minutos pra sentarmos em uma mesa. Mais do que o planejado, mas tudo bem, a operação ainda estava sob controle. De cara já pedimos três cervejas e Sergio, o Vegan da hora, um suco de manga, sem açúcar.
- Não vou usar açúcar pois provavelmente eles usam animais pra carregar cana no canaviais pra depois fazer o açúcar, melhor não arriscar. A manga já acho que não, as plantações de manga não são tão grandes quanto os canaviais.
- Ó a do cara, meu! Viajão! Não vou nem discutir a besteira que você tá falando.
Rimos todos. Estávamos alegres, ríamos por qualquer bobagem. Nem bem tínhamos começar a dar nossos primeiros goles em nossas beras e começa o Apocalipse Now da churrascaria.
Marcelo tinha falado com um amigo e tinha conseguido um carro com o tal som "foderoso". Foi a idéia do Jean sendo usada pra incrementar o ataque. De repente, um horripilante berro de boi sai de um carro estacionado na frente da churrascaria.
Foi um momento único. Todo aquele barulho de talheres batendo e esfregando pratos e e toda aquela conversa alta e ruídos de fundo diversos e tudo mais, tudo parou. Silenciou. O povo todo ficou meio que se olhando sem entender que diabos era aquilo. O berro durou uns dez segundos e então eles tiraram o time.
Quando o negócio parou e o carro saiu o silêncio era absoluto dentro da churrascaria. O silêncio durou eternos três décimos de segundo, interrompidos por uma criança que mal sabia falar perguntando:
- Pai! que foi isso?
Então quebrou o gelo e muitos riram nervosos com a pergunta do menino que ecoou por todo o ambiente e quase todo mundo ouviu. Foi então que começou a sair os mugidos e berros de nossos aparelhinhos. Primeiro baixinho, muito baixinho. Quando notamos que os sons começaram a sair já levantamos e pedimos a conta sem comer, apenas as bebidas. Era o nosso plano de fuga, sair assim que o troço fosse executado pra ninguém ligar os pontos e nos acusar.
Olhávamos pro povo almoçando e notávamos que muitos inclinavam a cabeça pro lado como que se tentando ouvir algo. Muito engraçado. começaram a fazer umas expressões intrigadas que iam ficando cada vez mais graves conforme o som ia aumentando.
Vinicius & Jean não conseguiam se segurar.
- Olha que massa, véio! Olha que massa!!! Olha a cara daquele bigodudo!
- Fica quieto seu paunocú!
Falei mas nem eu me continha. Era engraçado pra caralho! Os sons começaram a aumentar e as pessoas começaram a comentar umas com as outras e os garçons começaram a correr feito uns loucos. Foram espertos, já estavam quase encontrando os aparelhinhos, um deles chegou a achar um sob a mesa que estava limpando e inutilizá-lo pois a pilhas caíram no chão. Mas o som dos outro três saiu, no grand finale. Foi um berro de boi arrepiante de uns cinco segundos, que ficou mais macabro ainda devido a não termos sido tão perfeitamente sincronizados na hora do play. No fim uma voz grave, cheia de eco.
- Comer carne é crime! Comer carne é crime! Comer carne é crime! - três vezes mesmo.
Foi uma confusão dos diabos. Muita gente se levantou. Muita gente chamou o garçom. Muita gente chamou o gerente. Um pandemônio do cacete. No meio daquele barulho pudemos rir à vontade. Tinha um velho barrigudo que gritava histérico:
- Isso é uma absurdo, um absurdo!!!!
Abandonamos o local do crime em clima de carnaval. A três quadras de distância Marcelo nos esperava com seu amigo de carro. Entupimos o carro de gente e saímos com o som com o volume no último grau.
- Eu quero é ver o ôcooooo!!!!!!!!!!
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