CAPÍTULO 1 – PARTE 2
O curativo que eu havia feito no meu corte saíra. Aquele calor incessante emanava cada vez junto de mim. Minha cabeça latejava e um zunido agudo penetrava em meus ouvidos como a flecha penetra a carne. Uma poça de sangue se formava ao meu lado, e a poça borbulhava ao calor.
Minha estava a vinte passos de mim e meus sentidos pareciam recobrar-se lentamente.
As vozes pareciam falar numa linguagem arcaica, esquecida há muito. Quando as vozes pararam senti um tremor. Paisagens, pessoas, armas rodavam em minha mente. Acordei deitado num chão de mármore negro, quente. A minha espada estava em mão. Não sei como ela havia parado comigo. A única coisa visível onde eu estava era o piso. Os arredores eram escuros e o ar parecia úmido. Levantai-me com dificuldade e percebi que meu ferimento já havia fechado e eu parecia novo. Continuei andando em direção ao nada e água estava entrando pela minha bota. Um grande rio se estendia a minha frente. A correnteza era forte e o vento criava ciclones ocasionalmente. O piso antes de mármore dera lugar a terra batida. Ao longe um barulo de remos circundava a escuridão remanescente. Pisquei os olhos algumas vezes para me acostumar a escuridão, mas nada. Aquilo não era normal! Teria algo a ver com o calor que senti antes? Ou seriam apenas alucinações causadas pela liberação de tanta energia. As ondas sonoras causadas pelas remadas ecoavam ajudavam-me a “enxergar” na escuridão. Minha audição era aguçada como a de um morcego e meus olhos como o de uma águia., mas nesta hora eles não em serviam.
Os minutos pareciam horas, naquela espera sem-fim. Depois de algum tempo, pude perceber um brilho vindo da escuridão. Parecia uma lanterna ou luminária.
Agora eu via com nitidez. Um homem carregando uma luminária de ferro enquanto remava melancolicamente. Usava trajes negros que cobriam toda a extensão de seu corpo, que era magramente esqueletical.
Ele entoava uma música falando sobre a morte:
Pelos campos elísios tu passarás,
Pela relva fresquina andarás,
Apenas se em vida fostes bom.
Esse não foi seu caso,
Matou, pilhou, saqueou.
E veja o fim que levou.
Pelas portas do Inferno, caminharás,
De cabeça abaixada olharás
Todo seu passado,
Enquanto pensa nas coisas que fez
Mas agora não adianta
Pois servirá ao nosso rei.
Quando a canção acabou, a baracaça já estava ancorada na borda do rio.
-Senhor, onde estou? Perguntei.
-Você? Você está no Inferno garoto! Onde as almas vagam e lamentam. Onde você sofrerá o terror, dos chicotes infernais.
-Quem é você?
-Eu sou Queronte. Barqueiro do rio Aqueronte e vigia do submundo.
-Quer dizer que eu estou no In... Inferno?
-Você ainda demoro pra descobrir garoto. Mas, não ficaremos aqui de papo, entre logo nessa barcaça. Falou ironicamente.
Ela era feita de ébano e tinha detalhes em vermelho. Andei até uma espécie de banco, onde os passageiros se sentavam e ele tornou a remar em direção contrária de onde estávamos.
-Agora, acho que já está bom.
Quando disse aquilo, jogou suas estes ao mar e mostrou sua verdadeira face.
Ele era um esqueleto-guardião do Inferno. Seus ossos eram brancos como marfim e eram lisos como porcelana.
-Ei garoto, porque quando você morreu não deixaram as moedas em seus olhos?
-Eu não morri, esqueleto infernal! Rosnei com agressividade.
-Ah, não? Então como veio parar aqui? Mágica?
-Isso é apenas uma ilusão de minha mente, logo acordarei.
-Isso eu posso lhe provar que não.
Retirou a pá do remo, e agora aquilo era uma lança. Ele estava se apoiando na borda da barca quando investiu contra mim. Fiquei parado, esperando o golpe, pois pra mim, aquilo não passava de um sonho.
Para minha surpresa ele não havia me perfurado. Apenas me empurrou para a água.
O peso de minha armadura me fez afundar como pedra. Me desfiz dela rapidamente, quando senti a presença de cadáveres ambulantes nadando em minha direção. Nadei para a superfície da água.
-Estúpido! Agora sentirá o meu poder! Gritou Queronte.
Do nada algo puxara meu pé. Eram as almas esquecidas do rio. A correnteza me arrastava na direção da barca que também parecia se distanciar de mim. Queronte continuara sua viagem.
Com minha espada cortei os braços das almas a cortes tão rápidos quanto a água pode deixar. Fiz esse procedimento mais de cinco vezes, mas a fúria daquelas almas pareciam nunca saciar. Elesqueriam que eu virasse um deles. Os esforços de Queronte de se separar de mim não deram certo. A correnteza me arrastav na mesma velocidade que ele navegava.
Quando a exaustão tomu meu corpo senti-me afundar no rio e escutar a gargalhada de Queronte que para meu espanto deu lugar a um grito...
-------------------------------------------------------------------------
Esse não saiu tão bom, porque estava sem criatividade, mas mesmo assim COMENTEM!