Esse capítulo é curto,mas vai esclarecer bastante coisa.
Capítulo III
Banor deu o primeiro passo na Terra do Sol, mas já não conseguia ver. O sol o havia cegado, assim como todos os que pisavam naquela terra pela primeira vez.
- Acalme-se, Banor – disse Nix- isso é temporário. Logo, recuperará sua visão. Levem-no aos seres da floresta, onde será tratado.
E assim fez Jim, o ogro, que o levou floresta adentro. Nix agora estava somente com o último tripulante, o Vento.
- Vento, sabe como encontrar a terra que trará a luz de volta ao mundo debaixo?
Vento corria devagar pelo ar, sob sua forma elementar. Maravilhava-se com a Terra do Sol, enquanto conversava com a terra e o mar.
- É preciso cruzar o caminho da noite; ir para além da barreira da morte – disse ele, tão baixo que nem abalou o canto solitário das víboras.
- Não existe noite na Terra do Sol, onde a morte está presente.
- É possível... cruzar a barreira do ar, ir para o lugar onde se habitam os sonhos perdidos da terra...
- Leve-me.
Nix agora estava em um lugar escuro e vazio, mas não de vida. Escoavam das paredes sangue vivo da terra, sob as sementes da vida que andavam pelo chão.
- Estou diante da morte, aqui. A barreira está diante de meus olhos.
Voava sobre as sementes da vida uma borboleta, que alternava seu vôo de altitude lentamente no vão eterno que era aquele lugar.
- Qual seu nome, vivo?
- Mnemosine ... sou o começo e o fim, guardo as lembranças e dor da terra de cima.
- Estranho de um lugar de tanta vida... pode me conduzir á morte?
- Ela está aqui, a todo momento. Sou eu, a guardiã das sementes da vida.
- Onde habita a flor que liberta o mundo de baixo, senhora?
- O mundo não deve ser libertado... a solução está no sacrifício, Nøkken.
- Mnemosine é muito impetuosa... não existe modo de acabar com a noite?
- Sim, está no fim do brilho eterno de tua terra. O equilíbrio está prejudicado pela gula e fúria da Terra do Sol.
Após isso, Nix olhou a sua volta outra vez, e percebeu as lembranças e desejos de sua terra. O desejo escorria pelas paredes e devorava sua vida, e os espíritos se reviravam em forma de vermes no chão, procurando luz e comida. O mundo de sonhos não existia para o espírito egoísta daquele lugar.
[..]e percebeu lembranças e desejo de sua terra.
- Há muita dor aqui...muita dor há muito tempo...o tempo que penetra nas raízes e cobre a luz da terra debaixo.Leve-me para longe, maestra.
- Há muito não me chamam assim... espero-lhe, senhora da noite. Ficarei com a sua vida.
Nessas palavras, Nix já estava de volta á Terra do Sol, tão diferente, mas agora podia ver.