Bem, novo RP ... digam o que acham.
Capítulo I - Sem Luz
Chove muito lá fora, e eu posso ouvir o som do vento chacoalhando as folhas.A luz está apagada, e meu quarto é iluminado apenas pela luz da televisão e por clarões de raios que entram pela janela de tempos em tempos.A notícia que acabara de ver no jornal de minha cidade tirara-me um pouco do sono.Tentei recostar minha cabeça no travesseiro e relaxar um pouco, mas não consegui, não conseguia deixar de pensar no que acontecera.Nunca imaginamos que algo desse tipo possa ocorrer com alguém próximo da gente, até que ocorre.Peguei o jornal e comecei a analisá-lo mais uma vez. “Professor é Perseguido por Ceita Satânica e Comete Suicídio em Celestia”.Abaixo do grande título havia uma reportagem, falando sobre o ocorrido a Willian Traspet, meu professor, ou ex-professor, de história.Will estava sendo perseguido secretamente há algum tempo por uma ceita satânica, não se sabe ao certo por que, até que não agüentou mais fugir e se suicidou.Ele era uma das únicas pessoas de quem eu realmente gostava no colégio, e também umas das poucas que realmente pareciam se importar comigo.Além dele, o único que se importa comigo na escola é Dan, um garoto de minha sala, porém há algo de estranho na nossa amizade.Às vezes eu acho que ele sente um pouco de pena de mim.Na verdade, acho que muita gente sente pena de mim.Não sei explicar muito bem por que isso acontece.Eu sou quieta e quase não falo com ninguém, e as pessoas também não costumam se aproximar de mim.Acham-me meio estranha, triste, não sei.Talvez eu seja estranha mesmo.
De repente, meus pensamentos foram interrompidos.A luz da televisão havia se apagado.Levantei e notei que ela havia se desligado sozinha.Tentei ligá-la, mas não consegui.Apertei o interruptor e a luz do quarto não se acendeu: havíamos ficado sem energia.Guardei o jornal em uma gaveta de meu armário e deitei-me na cama novamente.Aos poucos os pensamentos sobre a morte de Will, sobre o colégio e sobre mim mesma cediam ao cansaço e minha mente começou a esvaziar-se.Fechei meus olhos e os mantive fechados por algum tempo, até que escutei um ruído estranho vindo do andar de baixo.
Levantei-me e saí do quarto.Pensei em chamar meu pai, no quarto ao lado, para verificar comigo o que poderia estar acontecendo, mas achei melhor não perturbá-lo.Meu pai havia chegado em casa tarde, e parecia extremamente cansado.Comecei a descer a grande escada de madeira, que liga o corredor onde ficam os quartos, no andar de cima, até a sala de estar, no andar de baixo.O escuro era total, sendo quebrado apenas por alguns clarões que às vezes entravam pelas janelas, iluminando a casa por um curto período de tempo.Em uma dessas vezes que a casa fora iluminada, eu tive a nítida impressão de ver um homem me observando da sala de estar.Fiquei assustada, eu havia visto o homem , não poderia ser imaginação.Ele era alto, vestia uma jaqueta de couro marrom e tinha uma barba rala.Isso fora tudo o que consegui ver durante o tempo em que a casa estivera iluminada.Parei e esperei até que outro clarão iluminasse a sala.O homem não estava mais lá.Voltei a descer, cautelosa.O rangido da madeira soava extremamente alto em meio ao silêncio.
Cheguei à sala de estar, e,repentinamente, a lareira se acendeu sozinha, iluminando o ambiente com suas chamas incandescentes.Olhei em volta e tive a impressão de ver o homem novamente,porém ele sumira em um piscar de olhos.Estaria eu tendo alucinações?Não, havia algo de errado acontecendo,lareiras não se acendem sozinhas.Reparei que havia algo no sofá.Aproximei-me, nervosa, e percebi que meu pai estava dormindo nele.Achei graça inicialmente, não sabia por que meu pai dormira no sofá ao invés de ir para seu quarto.Mas então me lembrei da lareira e do homem que havia visto.Comecei a caminhar em direção à sala de jantar, para ver se encontrava algo.
Tive a impressão de ver novamente aquele homem, mas, como nas outras vezes, ele sumira.Eu estava ficando realmente assustada, quando ouvi um barulho atrás de mim.Virei-me e vi uma pequena criatura vermelha, com pequenos chifres e cerca de quarenta centímetros passando suas garras perto do pescoço de meu pai.Entrei um desespero e corri em sua direção.A criatura saiu de perto do meu pai e pulou em cima de mim, derrubando-me com o impacto.Eu a joguei para longe e me levantei.Foi quando vi uma mulher, de longos cabelos negros, pele clara e olhos azuis, surgindo na minha frente.
-Quem, ou o que, é você? – perguntei assustada.
-Não me reconhece? – ela dava-me um sorriso, porém eu via a maldade em seus olhos. – Não reconhece sua própria mãe?
-Mãe? – o que ela disse me deixou confusa.Minha mãe havia morrido quando eu tinha dois anos, mas, apesar disso, aquela mulher era incrivelmente parecida comigo. – Você não é minha mãe, ela já morreu!
-Tem certeza minha querida? – ela parou de falar comigo e olhou para cima, em direção aos quartos.Olhei também e vi um vulto lá no alto, nos observando.Forcei um pouco a vista e reconheci, era o homem que eu havia visto pela casa, mas dessa vez ele não desapareceu. – Não vai tirá-la de mim! – gritou a mulher.
Ela fechou os olhos e colocou a mão na cabeça, parecendo se concentrar.O homem, lá em cima, fez o mesmo.Ambos permaneceram calados, tocando as próprias cabeças com a ponta dos dedos.
Fui pega de surpresa por mais um salto da criatura vermelha, e cai no chão.Aquilo tudo estava me assustando.Arremessei-a longe e levantei-me.Senti minha mão tremendo.Não entendi direito o porquê daquele tremor, não parecia ser um tremor de medo ou nervoso.Era um tremor diferente.Ergui a mão, e vi que uma pequena luz branca a circundava, como uma aura.
A criatura pulou mais uma vez em minha direção.Minha mão se levantou em direção a ela, como que sozinha, não fora um movimento voluntário.De repente, a criatura parou no ar.Era estranho, era como se eu a segurasse a distância.Percebi que podia movê-la para onde quisesse.Então,com um movimento brusco, eu a arremessei contra a parede.A criatura caiu no chão emitindo um grunhido agudo, e então se converteu em cinzas.Fiquei espantada.Como eu havia feito aquilo?O que havia acontecido com a minha mão?O que estava acontecendo comigo?
-Está saindo do meu controle! – disse o homem, lá de cima, interrompendo meus pensamentos e chamando minha atenção.Sua voz saía sofrida, como se estivesse fazendo um enorme esforço. – Preciso terminar com isso.
-O que foi, John? – perguntou a mulher, com desdém. – Eu sou boa demais para você?
-Eu ... – o homem parecia não conseguir falar. – Sam!
Eu imediatamente olhei na direção em que meu pai estava.Seu nome era Samuel, mas muitos o chamavam de Sam.Para minha surpresa, ele não estava mais no sofá.O que teria o acontecido?Teria aquela criatura voltado e levado meu pai?Não era possível, eu a vi virando pó.
-Pai! – gritei.Sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e o desespero se apoderando de mim. – Pai, onde está você!?Pai!
-Eve!Acorde minha filha! – abri os olhos e vi um rosto sobre o meu.Tinha cabelos curtos e um grande bigode, ambos loiros.Imediatamente reconheci meu pai.
-Pai?O que ... o que aconteceu? – olhei em volta e percebi que estava em meu quarto, deitada.
-Você teve um pesadelo, minha filha.Essa notícia da morte do seu professor de história mexeu muito com você.Durma tranqüila, e qualquer problema me chame. – ele me deu um beijo e saiu do quarto.
-Que sonho louco! - disse, ainda um pouco assustada.Fechei os olhos e adormeci profundamente.
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