Sim sim...
Pessoal, fiquei sem net por uns tempos mas já voltou
Aqui está o último capítulo!
A Lei do Sigilo Cap 8 parte 2 – A Lei do Sigilo
O barco estava lá. Seus sonhos de fama estavam lá, esperando ele entrar no barco com uma amostra do metal. A glória estava lá. Mas a que preço?
As ondas estavam calmas, inundando a areia levemente, e voltando para seu lar, o imenso e traiçoeiro mar. A lua iluminava aquela ilha miserável, onde todos que a habitavam tinham um olhar sem fim, deprimente e com uma vida amarga, cheia de sofrimento.
O fim daquela aventura sem sentido estava lá. O barco flutuava na água calmamente, apenas esperando seu passageiro, para sair daquelas terras.
A areia da praia era branca, e a mais fina que alguém já viu. Atrás a floresta observava com inveja o sobrevivente sujo e maltratado.
Hugo chegou num tal ponto que seus cabelos chegavam aos ombros, seu bigode se perdia junto com a barba e descia até sua barriga, e ele já curvado pelo cansaço, pelo esforço, e pela perda de sangue, fragilizado, não sobreviveria a outro grande impacto.
Ele estava pálido, seus músculos – de que tanto se vangloriavam – estavam a ponto de atrofiar. Suas roupas, rasgadas. Suas pernas tremiam. Sua pele estava suja de terra. Seus olhos, sujos de lágrimas, entretanto ele não desistiu. As estrelas o guiavam. Era como se fosse uma disputa, pela vida de Hugo. A ilha, querendo matá-lo sem piedade, e as estrelas, querendo salvá-lo.
Elas pareciam ser guiadas por algo maior, alguma coisa mais forte. Algo que se destacava perante as demais, uma estrela “guardiã”, mais forte que as outras.
Hugo encontrou um pedaço de madeira enterrado na areia. Seus olhos, cheios de lágrimas, já imaginavam que Jorge tinha deixado aquela coisa para Hugo, quando este fosse embora.
“Talvez possa ser um tipo de remo! Jorge, sempre pensando em mim!”
O barco era feito de várias coisas, dentre elas, um pedaço de bóia branca, o colete salva-vidas dos dois, vários remendos e outras coisas que Hugo nunca reconheceria. Dentro do barco, outro bilhete com uma pedrinha em cima, para não voar. Por fora não dava pra ver todos esses remendos, pois uma substância rubra cobria o barco, parecendo ser algo novinho em folha.
O interior do barco era o mais curioso. Feito de um material muito resistente, não rasgaria tão fácil. Tinha a mesma cor do metal, que causara a morte do melhor amigo de Hugo.
As ondas recuaram por um tempo, como se esperando o exausto homem entrar no barco.
O forte homem se aproximou com cautela, com receio daquela coisa não ser muito resistente, mas acabou cedendo, e embarcou na engenhoca de Jorge.
No fim do horizonte, um panorama lindo de se ver. O mar se fundia com o céu, a lua e as estrelas, causando uma visão exclusiva daquela ilha. Infelizmente Hugo não dispunha de nenhuma máquina fotográfica na hora, senão ele não esperaria duas vezes.
Vento? Não. Apenas uma brisa reconfortante que massageava o corpo exausto do forte homem.
Hugo, quando foi sentar no barco sentiu a pedrinha e foi checar o que era. Junto dela ele viu o outro bilhete.
“De acordo com meus cálculos, você tem que seguir um pouco mais a direita da localização do Cruzeiro do Sul. Exatamente onde aquela estrela gigante habita. Siga naquela direção e não se preocupe, terra firme virá logo.”
Hugo terminou de ler a carta e a deixou no barco para futuras consultas. Ele pegou o pedaço de madeira e começou a remar, rumo ao seu país de origem.
Á medida que ele se distanciava da ilha, suas lembranças ficavam mais fortes. Seu coração estava a mil por hora. O mar parecia preparar uma armadilha para o fugitivo daquelas terras amaldiçoadas.
Ele remava e seguia a estrela “gigante”. Uma estrela de tamanho ligeiramente maior do que as outras. A estrela não era branca, nem azul. Era dotada de uma cor vermelha viva, e era improvável de ser um meteoro, pois não havia relatos de tal coisa vindo para cá. Afinal se fosse realmente um meteoro, Jorge, com seus estudos reconheceria.
Hugo foi remando, porém agora, longe da ilha, o mar não era tão amigável quanto o mar costeiro. Ele estava se movimentando, e isso não era nada bom.
O forte homem segurava-se no barco, apostando suas últimas esperanças nele.
No mar começavam a se formar pequenas ondas, e chocando-se com o barco, muita água espirrava em Hugo ou até mesmo naquela bóia ambulante.
Água demais entrava naquele barco, isso era péssimo. Algo tinha que ser feito.
A correnteza estava forte. A cor do mar, antes azul agora estava negra, querendo engolir a pequena embarcação.
_ N-não posso morrer aqui! P-preciso continuar o desejo de Jorge! Preciso voltar para meus amigos... Mas, que amigos...?_ disse Hugo ofegante e inconformado.
O barco não agüentaria muito mais. Hugo estava chorando e implorando para que o pior não acontecesse. Ele se segurava e ia de um lado para o outro com o barco. As ondas continham uma face assustadora. Era como se olhar para a própria morte. Dava para identificar rosto, olhos e boca na fúria dos mares.
Hugo não desistiu. Continuou a remar, mesmo que em vão. As ondas não cessaram.
Uma tempestade estava a caminho, já dava pra se ouvir os trovões. Mas nada, eu disse nada impediria Hugo de continuar remando, nem a própria morte.
_ Já disse que NÃO POSSO MORRER AQUI! AAaarghh!!! _ o forte homem realmente não desistiria. Sua barba estava encharcada, arrastando no chão da embarcação. Ele fechou seus olhos, e remou com toda sua força. Sua testa sangrava, e o outro braço que ele usou para segurar-se no barco, tremia. Apesar de toda aquela tempestade e da fúria do mar, ele avançava. Avançava rumo à terra firme, exausto.
Aquela estrela vermelha que Hugo seguia estava inquieta. Algo estava incomum ali. Aquela coisa definitivamente não era para estar nos céus.
_ Já não agüento mais... Lara, minha querida... Estrela Cadente... Espera aí! Estrela Cadente!
Ouviu-se um tremor, e o céu ficou inquieto. As estrelas comuns dançavam em volta da estrela vermelha. Anunciavam a chegada de algo não muito bom, e o fim de uma aventura.
A coisa vermelha no céu caiu. Mas não caiu em direção ao mar, caiu e se perdeu no horizonte. Se era um meteoro ou não, ninguém sabe. O que se sabe é que logo depois de Hugo dizer o nome de seu falecido cachorro, o bilhete que Jorge deixara voou do barco. Voou para o céu.
Depois de a estrela vermelha cair, o robusto homem calou-se. O céu foi se clareando, clareando, e uma intensa luz branca iluminou todo aquele lugar. Hugo lentamente fechou os olhos enquanto a luz iluminava o imenso mar.
Não havia mais dor, sofrimento ou angústia. A ilha se esquecera dos dois “intrusos”. As ondas começaram a diminuir de força, e a tempestade dissipou-se.
O mar voltou a sua cor original, sendo iluminado pela lua, agora imperceptível com toda aquela luz branca no local. Parece que a corrupção que assolava aquelas terras foi-se embora. A estrela vermelha era o último suspiro de dor da ilha, que se esvaiu numa intensa luz, que estranhamente era rejuvenescedora.
Hugo já perdera muito sangue. Estava pálido. Sua boca, ensangüentada, começou a se mexer, formando um sorriso. Um sorriso de alívio. Um alívio por ser liberto da dor, da angústia, do sofrimento. Ele não agüentou e caiu no barco.
Uma vida acaba de terminar. O fluxo da morte, impiedoso, não foi parado por Hugo. Ele bem que tentou lutar contra este fluxo, assim como Jorge, mas ele é imutável. Somos uma formiga tentando impedir uma avalanche. Porém tudo pode ser feito com força de vontade e garra.
Tudo.
Hugo partira triste por deixar sua esposa, chefe e amigos. Por não completar o desejo de seu
melhor amigo. Por não entregar o metal para seu chefe. Mas tudo isso não importava mais agora. Ele só queria descansar, em paz.
Quando o forte homem caiu no barco, uma lágrima saiu de seus olhos, agora fechados. Uma última lágrima, que continha todos os sentimentos daquele rapaz. Desejos, inacabados. Vontades, não-completas. Missão, cumprida.
Ele pôde não entregar o tão falado metal ao mundo. Mas a vontade do mar não era essa. O mar acabou guiando o barco, e ele se perdeu no horizonte.
Esta é a Lei do Sigilo. Aquilo que não deve ser descoberto, não será. Por mais que as pessoas vão em busca do segredo. A humanidade pecou em muitas coisas. Muitos segredos ficaram ocultos pela Lei do Sigilo. Muitas vontades, muitos desejos. Mas nenhuma missão. O segundo plano, lugar onde residem aqueles que terminaram suas respectivas “missões”, é algo curioso. Um lugar onde todos residem e descansam finalmente em paz.
Pode parecer cruel, vantajoso... É um peso que todos têm que carregar, mas só alguns conseguem livrar-se dele.
Quem sabe você não tenha algo a fazer aqui neste lugar? Quem sabe você não deva cumprir uma “tarefa” antes de morrer em paz? Isso só quem pode dizer é: A Lei do Sigilo.
[]'s