Sim sim...
Bem pessoal, o temido último capítulo está aqui. Depois de três meses sem postar, voltei com coisa boa. Pra quem é novo aqui favor ler os capítulos anteriores caso contrário não entenderá patavinas.
É claro que eu não vou mostrar neste capítulo. Tem a parte 2 ainda que chegará em breve... Dependendo dos seus comentários
Chega de enrolação! Vamos ao que interessa!
A Lei do Sigilo Cap 8 parte 1 – O Fim da Ganância
O sol voltou a mostrar seus raios fúlgidos na ilha. Jorge, exausto, não agüentou tantas emoções de uma vez e acabou dormindo no chão.
“Já faz tempo que estamos aqui. Quase um mês e continuamos a sofrer. Sinto saudades de minha esposa... Ah... Lara, como seria bom ver seu sorriso cálido novamente! Todo o carinho que você me oferecia eu recusava, dizendo estar com pressa!”
A cabeça de Hugo, toda ensangüentada, ainda doía. Sua visão estava embaçada, mas ele não desistia. Assim que passou a chuva ele tentou encontrar uma maneira de sair dali.
Ele andava, andava, e mais adentrava na floresta, que não era nada agradável. Plantas carnívoras de todos os tipos, cobras, insetos, parasitas sedentos por sangue esperavam uma vítima que não fosse apenas um animal qualquer, que tivesse carne doce.
Aquele lugar era muito misterioso. Parecia estar envolto de uma escuridão infinita que assolava e amaldiçoava aquela ilha. Todos que a habitavam tinham um olhar triste, cheio de sofrimento e dor. A grama parecia querer perfurar seus pés, as árvores pareciam querer agarrá-lo, a água parecia querer amaldiçoá-lo e... Seus amigos pareciam querer matá-lo.
_ Que lugar tenebroso! Não sei porque diabos estou aqui depois de tudo. Droga! Está muito escuro! _ Hugo estava perdido na imensidão da floresta negra.
Longe dali...
Jorge já se recuperara, mas estava encharcado e todo cheio de terra, além de estar nervoso e confuso. Levara consigo o pedaço da bóia que ele encontrou na terra. Suas roupas estavam rasgadas, seu cabelo cheio de folhas, seus pés sujos, mas sua força de vontade permanecia intacta.
_ Vou construir um barco inflável e dar o fora desta ilha miserável! Basta juntar um pouco de monóxido de borracha fina maleável que eu trouxe comigo e, juntando com este pedaço de plástico de meu antigo salva-vidas...
Era um projeto grande, com grandes probabilidades de não afundar.
Com seu potencial e uma bela criatividade, Jorge estava criando um barco o suficiente para uma pessoa só caber lá dentro.
“Preciso sair deste lugar amaldiçoado. Preciso levar o metal comigo! Preciso... Não, não posso fazer isso!”
Na floresta...
Hugo tentava escapar daquele lugar com todo seu esforço. Em meio a lágrimas e suor, ele usava suas últimas forças para abrir caminho.
_ Estou perdendo minhas forças... Droga... Tudo está ficando embaçado...
Hugo relutava contra o inevitável. Uma formiga querendo impedir uma avalanche.
Suas roupas estavam imundas, seu rosto já tinha criado uma barba bem grande.
Entretanto, o fluxo impiedoso da morte pode ser modificado por alguém que apenas tenha força de vontade?
Hugo estava na ponte entre a vida e a morte. O ferimento feito por Jorge fora mais profundo que Hugo imaginou. O corte tinha causado uma hemorragia interna, pouco provável de ser controlada.
Não deu. O forte homem caiu no chão, agora fraco e sem forças. Ele precisava de repouso.
O céu estava escurecendo e o véu azul escuro o cobriu totalmente, incrivelmente cheio de estrelas.
_ A-argh... Ch-chegou minha hora... Lara, minha querida... Es..trela Cadente... Jor...ge?!
_ Apesar de tudo não posso deixar você morrer aqui nesta ilha miserável! Você é meu amigo afinal de contas! Hugo me perdoe, por favor!
O lugar onde Hugo estava ficou mais claro. A floresta da escuridão tinha uma fresta onde a luz da lua banhou aquele lugar repleto de sombras.
Os olhos de Hugo ficaram cheios de água. Ele ficou muito feliz ao ver que no final seu amigo não o abandonou. Ele sentiu-se confortável, mas ao mesmo tempo triste. Com medo, mas ao mesmo tempo cheio de adrenalina. A chama de sua vida ainda não se extinguiu. Uma lágrima percorreu seu rosto sujo de terra, e caiu no chão agora iluminado.
_ Jor...ge... Fico feliz que você não tenha se esquecido de mim, meu amigo...
_ Hugo! Eu me deixei tomar pela ganância... Sinceramente perdoe-me! Eu não mereço viver!
_ O...que? Jorge, pare! NÃO!
Jorge fincou uma faca daquele metal especial em seu coração. Mesmo morrendo, ele ainda sorria. Sorria por estar em paz com Hugo. Sorria por estar em paz consigo mesmo.
_ Agora que me perdoou Hugo... Eu posso morrer em... Paz...
O sorriso no rosto de Hugo se desmanchou imediatamente. Uma gota do sangue de Jorge caiu bem na cicatriz na testa de Hugo.
_ Não..!
Jorge caiu com um baque surdo no chão, que afastou as folhas secas do local.
_ Meu amigo... Por que!? POR QUÊ!!!???
Imediatamente Hugo se lembrou dos momentos tristes que ele passara com Jorge. As desavenças na escola, os problemas amorosos, a dura que ele levava do chefe...
“Desde criança Jorge nunca foi muito social. Ficava quieto, triste, sem amigos. Até o dia em que eu resolvi apostar em uma amizade... Ele foi meu melhor amigo...”
Do lado do corpo de Jorge tinha uma anotação manchada de sangue, provavelmente para Hugo ler quando Jorge se matasse.
“Localize o Cruzeiro do Sul e siga-o até a praia. Eu fiz um barco, com lugar só para uma pessoa. Fuja antes do amanhecer, caso contrário a lula gigante virá.”
Hugo então decidiu continuar a vontade de seu amigo. Pegou a faca que Jorge usou para se matar e a usou para cortar caminho e sair da floresta. Seguiu o Cruzeiro do Sul como ele havia ordenado, até chegar à praia.
O barco estava lá. Seus sonhos de fama estavam lá, esperando ele entrar no barco com uma amostra do metal. A glória estava lá. Mas a que preço?
O preço de uma vida?
(continua)
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