A eugenia, o racismo e a escravidão negra não foram apoiados apenas por uma interpretação pseudocientífica da Teoria da Evolução. Elas também foram sustentadas por argumentos teológicos. No Brasil, por exemplo, existiam (e ainda existem, preservados por alguns grupos pentecostais mais fundamentalistas) doutrinas cristãs que fundamentaram e justificaram a escravidão e o racismo contra o preto. Vou compilar algumas delas desse artigo aqui, escrito por um pesquisador grande amigo da minha família (que integrou por muitos anos a luta racial).
Uma delas é a "doutrina da guerra justa". Segundo essa ideia, os negros poderiam ser escravizados desde que submetidos mediante um combate, objetivando a promoção da verdadeira fé (leia-se: fé católica) no continente africano ou a defesa das bases coloniais lusitanas na África.
Outra, era a "doutrina da maldição divina", baseava-se na ideia de que a escravidão era fruto do pecado de Adão e Eva, primeiros pais dos homens segundo a teologia. Assim, transformava-se a escravidão em uma realidade característica à humanidade, evidenciando a presença da maldição divina carregada pelos homens desde o princípio (a partir do Pecado Original). Inclusive, a um tempo atrás, o tal do Marco Feliciano, líder neopentecostal, levantou essa ideia que paira sobre algumas correntes evangélicas, de que o negro era descendente de Caim e, portanto, amaldiçoado de forma inata. Na época em que essa doutrina foi utilizada para justificar a escravidão, ligou-se a negritude dos africanos à marca cutânea imposta por Deus a Caim, fundamentando a escravidão como sendo uma penitência a ser praticada por parte dos tidos descendentes do primeiro homicida, os negros africanos.
Nos EUA, outras interpretações de corrente evangélica também foram aceitas, tanto para a escravidão, quanto para posterior segregação dos negros na sociedade americana. Ao contrário de você, que atribuiu tudo ao trabalho de Darwin, não vou "culpar" apenas a religião. É injusto dizer que a escravidão, a segregação e o racismo tem apenas uma fonte. Para se ter noção, nos EUA, a Constituição americana foi interpretada de tal forma que negros e brancos, apesar de ser considerados iguais, seriam tratados de forma diferente. Ou seja, existiu também uma justificativa jurídica e constitucional. A eugenia de Hitler tinha até toques de esoterismo e misticismo espiritual, inclusive com crenças que remetiam à raça ariana a possibilidade de ter vindo do espaço.
Religião, ciência (pseudociência), justiça e política foram os aspectos que tornaram todo o processo válido e legitimado durante muitos séculos. Isso porque nenhum deles carregava dentro de si princípios de Direitos Humanos e liberdade individual. Combater o racismo é, acima de tudo, combater os bodes expiatórios criados para sustentá-lo.
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