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Tópico: Ambiente competitivo, Feminismo e Homicídios

  1. #1
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    Padrão Ambiente competitivo, Feminismo e Homicídios

    Galera, estou fazendo um trabalho de pesquisa e preciso definir (antes) algumas diretrizes. Para isto quero a opinião de vocês sobre as seguintes questões:

    Tese 1 - Na busca pela atenção do sexo oposto, o homem cria um cenário de altíssima competitividade. Uma destas causas é que o perfil mais buscado pelas mulheres é o perfil do homem bem sucedido, com dinheiro, com uma boa colocação na sociedade. No entanto, é evidente que não é possível que todos sejam bem sucedidos, afinal, se fosse, o conceito de "bem sucedido" não poderia existir.
    Isso resulta em violência, pois a última instância da busca pelo reconhecimento é a força (reconhecimento pode vir da posse de bens materiais, mas também da demonstração de coragem, periculosidade, astúcia etc). Evidência disto é que 92% das vítimas de homicídios são homens (e os algozes também são homens).

    Tese 2 (contrária à tese 1) - O feminismo é um movimento que busca a igualdade de direitos entre os gêneros. A tese 1 é um ultraje ao movimento feminista, uma vez que atribui ao comportamento das mulheres a razão da violência por parte dos homens. Este é justamente o argumento machista tão combatido pelo movimento feminista: culpar a vítima.

    Tese 3 (a síntese) - A tese 1 aponta uma causa e não um culpado. O comportamento das mulheres é a causa, isto não significa que a mulher seja culpada. A causa é o objeto de atenção das mulheres, a consequência primeira é a alta competitividade entre os homens e a consequência segunda é a violência derivada da competitividade.

    Espero ter sido claro. =D

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  2. #2
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    Acredito que são todas hipóteses, e não teses, uma vez que você apresentou apenas a conclusão e não apresentou qualquer fundamentação ou falseação. TOC de professor de Metodologia Científica.

    Acho que a primeira hipótese, derivada do pensamento freudiano, é falha por existirem outros motivadores (sejam sentimentos primitivos, sejam objetivos mais intricados) para a violência humana, além do ímpeto sexual. A violência do macho humano tem também origens fisiológicas e evolutivas (testosterona, estrutura muscular/óssea), dizer que é "causada" pela fêmea humana não tem muito sentido na cronologia da evolução. Seria semelhante a dizer que o fato de sentirmos vontade de comidas doces e gordurosas é culpa da vaca e da cana de açúcar serem tão saborosas. Mesmo que a disputa por acasalamento fosse a única coisa que movesse a espécia, a "culpa" da majoritária violenta reação do macho humano é da nossa própria fisiologia, ou seja, do próprio macho humano.

    Apesar de entender as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres, não sei se esse é um argumento de desvalorização do feminismo, pelo menos de correntes mais identitárias e menos ligadas à ideologias políticas. Afinal de contas, utilizar argumentos de apelo ao primitivismo para falar de feminismo só nos levaria a duas conclusões: ou mulheres não tem direito de reclamar "porque a natureza nos fez assim" (não dá pra dizer que algumas pessoas não pensam assim) ou os homens tem um "problema fisiológico inato de violência" e, para resolvê-lo, devemos pensar em castração, afinal, uma sociedade de mulheres e eunucos certamente seria menos violenta (não dá pra dizer que algumas mulheres não pensem nisso ).

    Enfim, existem diversos "defeitos" de natureza primitiva no ser humano que complicam a convivência em sociedade. Nós podemos trabalhar alguns deles no âmbito sócio-cultural, seja prevendo que eles acontecem e entendendo como acontecem, seja banindo da sociedade os indivíduos que os apresentam em alto grau. Mas nossa organização em sociedade exige mais que o argumento primal.

    P.S.: tem mais uma falha no argumento que é o fato dele ignorar a individualidade. Os fatores de escolha de parceiros nas sociedades humanas tornam a variação de critérios extremamente ampla. "Poder" e "sucesso" pode ter pequenas variações em qualquer uma das bilhões de micro-sociedades que os seres humanos constroem em torno de si.
    Última edição por Bob Joe; 05-02-2019 às 12:14.
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  3. #3
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    Citação Postado originalmente por Bob Joe Ver Post
    Acredito que são todas hipóteses, e não teses, uma vez que você apresentou apenas a conclusão e não apresentou qualquer fundamentação ou falseação. TOC de professor de Metodologia Científica.

    Acho que a primeira hipótese, derivada do pensamento freudiano, é falha por existirem outros motivadores (sejam sentimentos primitivos, sejam objetivos mais intricados) para a violência humana, além do ímpeto sexual. A violência do macho humano tem também origens fisiológicas e evolutivas (testosterona, estrutura muscular/óssea), dizer que é "causada" pela fêmea humana não tem muito sentido na cronologia da evolução. Seria semelhante a dizer que o fato de sentirmos vontade de comidas doces e gordurosas é culpa da vaca e da cana de açúcar serem tão saborosas. Mesmo que a disputa por acasalamento fosse a única coisa que movesse a espécia, a "culpa" da majoritária violenta reação do macho humano é da nossa própria fisiologia, ou seja, do próprio macho humano.

    Apesar de entender as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres, não sei se esse é um argumento de desvalorização do feminismo, pelo menos de correntes mais identitárias e menos ligadas à ideologias políticas. Afinal de contas, utilizar argumentos de apelo ao primitivismo para falar de feminismo só nos levaria a duas conclusões: ou mulheres não tem direito de reclamar "porque a natureza nos fez assim" (não dá pra dizer que algumas pessoas não pensam assim) ou os homens tem um "problema fisiológico inato de violência" e, para resolvê-lo, devemos pensar em castração, afinal, uma sociedade de mulheres e eunucos certamente seria menos violenta (não dá pra dizer que algumas mulheres não pensem nisso ).

    Enfim, existem diversos "defeitos" de natureza primitiva no ser humano que complicam a convivência em sociedade. Nós podemos trabalhar alguns deles no âmbito sócio-cultural, seja prevendo que eles acontecem e entendendo como acontecem, seja banindo da sociedade os indivíduos que os apresentam em alto grau. Mas nossa organização em sociedade exige mais que o argumento primal.

    P.S.: tem mais uma falha no argumento que é o fato dele ignorar a individualidade. Os fatores de escolha de parceiros nas sociedades humanas tornam a variação de critérios extremamente ampla. "Poder" e "sucesso" pode ter pequenas variações em qualquer uma das bilhões de micro-sociedades que os seres humanos constroem em torno de si.
    Se a solução desta charada sobre a violência remetesse à natureza evolutiva do ser humano, certamente os níveis de violência entre as classes sociais seria proporcional (ou pelo menos não tão desigual), afinal, pobres, classe média e ricos são da mesma espécie. No entanto não é esta a realidade. Os pobres são MUITO mais suscetíveis a cometerem crimes violentos. Mesmo que exista o fator evolutivo/biológico/fisiológico, existe alguma coisa no meio que está "ATIVANDO" o lado primitivo e selvagem.
    O fato do pobre ser muito mais vulnerável a ser violento me parece um INDÍCIO de que o fato de ele estar perdendo na corrida competitiva pela aprovação feminina leva-o a "burlar" as regras da corrida.

  4. #4
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    Sua hipótese será destruída quando você topar com uma gangue de travecões na rua.

  5. #5
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    Citação Postado originalmente por Lampeao Ver Post
    Se a solução desta charada sobre a violência remetesse à natureza evolutiva do ser humano, certamente os níveis de violência entre as classes sociais seria proporcional (ou pelo menos não tão desigual), afinal, pobres, classe média e ricos são da mesma espécie. No entanto não é esta a realidade. Os pobres são MUITO mais suscetíveis a cometerem crimes violentos. Mesmo que exista o fator evolutivo/biológico/fisiológico, existe alguma coisa no meio que está "ATIVANDO" o lado primitivo e selvagem.
    O fato do pobre ser muito mais vulnerável a ser violento me parece um INDÍCIO de que o fato de ele estar perdendo na corrida competitiva pela aprovação feminina leva-o a "burlar" as regras da corrida.
    Existem uma gama gigante de motivos que justificam a relação entre violência e pobreza. Primeiramente, é preciso lembrar que essa relação não tem uma associação tão certa de causa-efeito, muitos países pobres tem índices de violência relativamente baixos como, por exemplo, Mauritânia e Costa Rica.

    Aí dá para citar outros potencializadores de violência que não estão necessariamente ligados com a competitividade sexual: pouco acesso à cultura e pensamento crítico mais apurado (que muitas vezes é confundido com "Educação" mas nem sempre é a mesma coisa), a falta de um payoff entre volume de trabalho e remuneração (isso provoca o aumento de violência em sociedades com pobreza e muita desigualdade), a impunidade e/ou a falta de uma cultura que estabeleça valores morais sólidos, falta de estrutura familiar e outros fatores que a gente pode passar o dia enumerando.

    Acho que resumir isso à competitividade por sexo seria MUITO reducionista, pra mim, um pouco equivocada.

    P.S.: mesmo assim, se você pegar dados de violência de homens e mulheres em diferentes recortes sociais vai perceber que os homens continuam sendo mais violentos.





    Última edição por Bob Joe; 05-02-2019 às 13:52.
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  6. #6
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    Acho engraçado o cara estar fazendo um TCC sobre essa filosofia:


  7. #7
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    Citação Postado originalmente por Bob Joe Ver Post
    Existem uma gama gigante de motivos que justificam a relação entre violência e pobreza. Primeiramente, é preciso lembrar que essa relação não tem uma associação tão certa de causa-efeito, muitos países pobres tem índices de violência relativamente baixos como, por exemplo, Mauritânia e Costa Rica.

    Aí dá para citar outros potencializadores de violência que não estão necessariamente ligados com a competitividade sexual: pouco acesso à cultura e pensamento crítico mais apurado (que muitas vezes é confundido com "Educação" mas nem sempre é a mesma coisa), a falta de um payoff entre volume de trabalho e remuneração (isso provoca o aumento de violência em sociedades com pobreza e muita desigualdade), a impunidade e/ou a falta de uma cultura que estabeleça valores morais sólidos, falta de estrutura familiar e outros fatores que a gente pode passar o dia enumerando.

    Acho que resumir isso à competitividade por sexo seria MUITO reducionista, pra mim, um pouco equivocada.

    P.S.: mesmo assim, se você pegar dados de violência de homens e mulheres em diferentes recortes sociais vai perceber que os homens continuam sendo mais violentos.


    Sobre países pobres menos violentos, creio que não seja uma contradição à hipótese. A questão não é a quantidade bruta de riquezas dentro daquela sociedade, mas sim o número de homens dentro desta sociedade que têm acesso a esta riqueza (vencedores da competição e perdedores da competição) somados com a importância que a tal sociedade (especialmente as mulheres) dá ao sucesso. Se um país apresenta baixo nível de desenvolvimento econômico e igualmente a população daquele país não dá tanta importância para o sucesso financeiro individual, é normal que não haja violência por este motivo(de acordo com a hipótese 1).

    Voltando à questão feminista: você então considera que pode haver uma compatibilidade entre a hipótese 1 e o feminismo sem problema?

    Citação Postado originalmente por Sete Ver Post
    Acho engraçado o cara estar fazendo um TCC sobre essa filosofia:

    Nossa, é bem isso IRAIRAIRAIRAIRAIRAI.

  8. #8
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    Citação Postado originalmente por Lampeao Ver Post
    Sobre países pobres menos violentos, creio que não seja uma contradição à hipótese. A questão não é a quantidade bruta de riquezas dentro daquela sociedade, mas sim o número de homens dentro desta sociedade que têm acesso a esta riqueza (vencedores da competição e perdedores da competição) somados com a importância que a tal sociedade (especialmente as mulheres) dá ao sucesso. Se um país apresenta baixo nível de desenvolvimento econômico e igualmente a população daquele país não dá tanta importância para o sucesso financeiro individual, é normal que não haja violência por este motivo(de acordo com a hipótese 1).

    Voltando à questão feminista: você então considera que pode haver uma compatibilidade entre a hipótese 1 e o feminismo sem problema?
    Bom, você falou de pobreza, eu falei sobre pobreza. Desigualdade e pobreza são coisas diferentes, apesar de serem tratadas como a mesma coisa.

    Mesmo assim, acho que sua hipótese 1 não encontra validade no exemplo que você deu, visto que a violência causada pela miséria e/ou desegualdade é multifatorial. No máximo você esbarrou em um dos aspectos do payoff que existe em uma sociedade desigual entre trabalho, consumo e remuneração/ascensão social. Aquela história do pobre trabalhar muito, ganhar pouco, ter poucas perspectivas de ascensão social com o trabalho e, como consequência, ter a criminalidade como exemplo de sucesso. Nesse contexto, podemos imagina que, para um moleque de favela, um dos motivos dele querer ser traficante é poder se relacionar com as mulheres que os traficantes se relacionam. Mas isso é UM dos motivos, acredito que existem mais motivações para a competição humana masculina, sejam elas mais primitivas (fome, sede, território, respeito) ou mais intrincadas (ego, ambição, prazeres senão sexuais, busca de aceitação ou pertencimento, dentro outros).

    Não consigo inferir a hipótese 1 como correta, afinal, se a culpa de mais de 90% da violência da história da humanidade é da mulher (especificamente do comportamento sexual dela), dá pra justificar bastante atrocidade com isso. Aliás, acho que bastante atrocidade foi justificada com isso ou coisas parecidas. Afinal, foi a Eva que comeu a maçã...

    Enfim, até concordo que existe sim uma competitividade masculina inata e acho que uma boa parte dela é sim motivada pelo instinto sexual. Mas a violência advinda dessa disputa e o motivo central dessa disputa não é culpa da mulher, é culpa do próprio homem. Existe um imperativo fisiológico muito forte no homem, que é a testosterona, quase inexistente na maioria das mulheres. Existe também a cultura e estruturas sociais que cumprem o papel de potencializar essa violência do homem.

    Não sei se você tem amigos gays, mas recomendo conversar com gays homens e entender como entre eles também se bate e se mata por relacionamentos (e por outros motivos). E não tem mulher envolvida, veja só.



    P.S.: eu sou extremamente ligado em questões de violência contra mulher e violência passional, que tem números alarmantes no país. Além da preocupação humana, tenho mulher, irmã, mãe, tias e quero ter filhas, e não suportaria nenhuma delas sofrendo esse tipo de violência. Acho essa linha de pensamento que você trouxe para o debate, apesar de não me surpreender, um pouco parte da estrutura social e psicológica por trás desses índices alarmantes de violência contra mulheres. Quando a mulher é culturalmente vista apenas como um objeto a ser conquistado e motivo de disputa e, para ter esse objeto, tudo é válido, também é válido acreditar que uma vez não correspondido, o "objeto de posse" deve ser descartado para não ir para mais ninguém. Com os fatores fisiológicos e zero de inteligência emocional da maioria dos homens, esse "descarte" é feito através da violência.

    Acho que parte do combate a esse tipo de violência começa com o entendimento do homem (principalmente dos meninos) acerca da objetificação de mulheres. Outra parte está no campo estatal de combate à impunidade. Tem também questões psicológicas e culturais, como a valorização da vida (da própria e dos outros), a queda de tabus sobre a sexualidade feminina, a racionalização da violência e etc. Apesar de não ser "feministo", acredito que essas sejam pautas pelas quais qualquer feminista luta.
    Última edição por Bob Joe; 05-02-2019 às 18:28.
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  9. #9
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    Bom, você falou de pobreza, eu falei sobre pobreza. Desigualdade e pobreza são coisas diferentes, apesar de serem tratadas como a mesma coisa.

    Mesmo assim, acho que sua hipótese 1 não encontra validade no exemplo que você deu, visto que a violência causada pela miséria e/ou desegualdade é multifatorial. No máximo você esbarrou em um dos aspectos do payoff que existe em uma sociedade desigual entre trabalho, consumo e remuneração/ascensão social. Aquela história do pobre trabalhar muito, ganhar pouco, ter poucas perspectivas de ascensão social com o trabalho e, como consequência, ter a criminalidade como exemplo de sucesso. Nesse contexto, podemos imagina que, para um moleque de favela, um dos motivos dele querer ser traficante é poder se relacionar com as mulheres que os traficantes se relacionam. Mas isso é UM dos motivos, acredito que existem mais motivações para a competição humana masculina, sejam elas mais primitivas (fome, sede, território, respeito) ou mais intrincadas (ego, ambição, prazeres senão sexuais, busca de aceitação ou pertencimento, dentro outros).

    Não consigo inferir a hipótese 1 como correta, afinal, se a culpa de mais de 90% da violência da história da humanidade é da mulher (especificamente do comportamento sexual dela), dá pra justificar bastante atrocidade com isso. Aliás, acho que bastante atrocidade foi justificada com isso ou coisas parecidas. Afinal, foi a Eva que comeu a maçã...

    Enfim, até concordo que existe sim uma competitividade masculina inata e acho que uma boa parte dela é sim motivada pelo instinto sexual. Mas a violência advinda dessa disputa e o motivo central dessa disputa não é culpa da mulher, é culpa do próprio homem. Existe um imperativo fisiológico muito forte no homem, que é a testosterona, quase inexistente na maioria das mulheres. Existe também a cultura e estruturas sociais que cumprem o papel de potencializar essa violência do homem.

    Não sei se você tem amigos gays, mas recomendo conversar com gays homens e entender como entre eles também se bate e se mata por relacionamentos (e por outros motivos). E não tem mulher envolvida, veja só.



    P.S.: eu sou extremamente ligado em questões de violência contra mulher e violência passional, que tem números alarmantes no país. Além da preocupação humana, tenho mulher, irmã, mãe, tias e quero ter filhas, e não suportaria nenhuma delas sofrendo esse tipo de violência. Acho essa linha de pensamento que você trouxe para o debate, apesar de não me surpreender, um pouco parte da estrutura social e psicológica por trás desses índices alarmantes de violência contra mulheres. Quando a mulher é culturalmente vista apenas como um objeto a ser conquistado e motivo de disputa e, para ter esse objeto, tudo é válido, também é válido acreditar que uma vez não correspondido, o "objeto de posse" deve ser descartado para não ir para mais ninguém. Com os fatores fisiológicos e zero de inteligência emocional da maioria dos homens, esse "descarte" é feito através da violência.

    Acho que parte do combate a esse tipo de violência começa com o entendimento do homem (principalmente dos meninos) acerca da objetificação de mulheres. Outra parte está no campo estatal de combate à impunidade. Tem também questões psicológicas e culturais, como a valorização da vida (da própria e dos outros), a queda de tabus sobre a sexualidade feminina, a racionalização da violência e etc. Apesar de não ser "feministo", acredito que essas sejam pautas pelas quais qualquer feminista luta.
    Boa análise. cara.
    Obrigado.



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