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Tópico: Bloodoath

  1. #11
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Padrão Capitulo 3 - Akumonogatari II

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Caralho, que desgraça. Quando eu tinha começado a gostar do personagem, você o matou. Infeliz.

    Este é um capítulo bastante reflexivo, afinal. Redeater deambula por alguns aspectos interessantes da própria consciência e consegue extrair algumas boas informações de Lana, mas ela é muito vaga, mesmo assim. Fica um quê melancólico nesse final. No fim das contas, parece a estadia do detetive em St. Olias vai se estender por mais tempo do que ele gostaria, ainda mais agora que ele se afeiçoou com uma das pacientes e, repentinamente, ela apareceu morta.

    No mais, parece um capítulo que cumpre com as suas expectativas. Ainda introdutório, como os demais, mas parece já fornecer feições para a história.

    Em tempo: sua escrita com relação ao capítulo anterior evoluiu. Apenas alguns pequenos pontos com relação à norma culta, mas, afinal, é bom não engessar o texto. Fluido no que precisava ser e preciso no que dependia dele. Dou-lhe os parabéns pela evolução.

    Mais: existe uma certa qualidade nos seus textos que gostaria que os meus tivessem também. É que, sempre que formulo uma fala, sinto a necessidade de descrever a reação dos personagens em tempo real. Por exemplo:



    Entende o que quero dizer? Teria sido suficiente se fosse tão somente:



    O problema é que não consigo fazer isso. O fato de que você consegue me faz refletir sobre como, especificamente. Gostaria de ter essa habilidade.

    No mais, aguardo pelo próximo, irmão.

    Abraço!
    Cara, a respeito da habilidade, eu sempre foco em deixar o imaginativo do leitor trabalhar em certas cenas, os diálogos são onde isso está mais evidente. Embora eu goste de descrever tudo, as vezes é bom deixar o leitor imaginar, de forma que ele consiga imergir com mais facilidade na história.

    Redeater ficará algum tempo no manicômio, mas acredito que logo ele o deixará. E como eu disse, essa história terá um caráter mais investigativo, então não acho interessante esperar ação e sangue jorrando em breve como na história anterior. Só espero que isso não a comprometa.

    E eu ainda vou ver você reclamando de personagens morrendo assim muitas vezes


    Agradeço a presença irmão, tamo junto.












    Vamos seguindo com o mistério de St. Olias. Esse capítulo está um pouco mais curto que os demais, mas isso é apenas um teste. Quero que digam suas impressões sobre, se devo continuar dessa forma.


    Espero que gostem!



    No capítulo anterior:
    Redeater encontra a mulher peculiar de cabelos negros e conversa com ela. Ele tenta conseguir mais informações sobre ela com o gerente, apenas pra perceber que nem ele conhece muito a respeito dela. Quando ele decide ir atrás dela, acaba a encontrando num quarto sendo despedaçada por uma criatura estranha.





    Capítulo 3 – Akumonogatari
    Parte 2




    O detetive se vê em dúvida.

    Ele está agora no pátio do manicômio, no fundo deste, reunido com vários outros pacientes mais moderados. No dia anterior, ele entrou numa sala e viu o que parecia ser Lana sendo devorada por uma criatura enorme, mas ao invés de entrar lá, sua mente pareceu ter sido controlada, e ele foi dirigido até o seu quarto sem que ele percebesse. Quando recuperou o controle do seu corpo, ele foi até lá de novo, mas não encontrou a sala.

    Desde então, ele esteve pensando no que viu. Aquilo é certamente incomum pro que ele tem lidado nos últimos anos. Parece mais um caso de um manicômio cheio de anormalidades e bizarrices, com fantasmas e ilusões esquisitas por toda parte, e não um caso envolvendo o Credo de Sangue.

    Com tantas dúvidas, não resta opção senão ir ver Uldin novamente e perguntar sobre pacientes semelhantes à Lana. Ele não considera explicar o que aconteceu, entretanto.

    Ao chegar na sala, ele sente uma energia estranha devorar seu corpo por apenas um segundo. No seguinte, ele percebe algo diferente lá dentro.

    Uldin não está na sua cadeira atrás da escrivaninha. Ao invés disso, há um homem peculiar logo ao lado dela. Negro, de idade avançada, possui uma barba branca pra fazer, cabelo há muito vitimado pela calvície, mas mantendo-se de pé, e usa uma camisa do campo simples, junto de uma calça com suspensórios, ambos escurecidos pelo tempo. Parece um trabalhador comum do campo, mas não há motivo para alguém assim estar ali.

    O detetive mantém sua aparência de Joseph, e agradece a coisa misteriosa que o fez pensar que era melhor esperar chegar na sala antes de despir-se do seu disfarce.

    — Você não é o gerente Uldin. — Dispara sem rodeios Joseph, com um olhar inquisitivo.

    O velho vira a cabeça à sua direção com uma expressão desinteressada.

    — Talvez eu tenha me perdido um pouco.

    Joseph nota seus olhos. O homem é cego.

    — E você também não parece ser daqui.
    — Como eu disse, me perdi um pouco.
    — Um pouco? Tem certeza?
    — Sim. Assim como você.

    Joseph não entende direito o significado dessa resposta e decide ignorá-la.

    — Onde está Uldin?
    — Clark Uldin... Ele é meu amigo. Disse que ia visitá-lo hoje, mas ele saiu para a cidade. Não apareceu nenhum funcionário aqui desde então.
    — Você chegou aqui sem ninguém te acompanhando?
    — Conheço o caminho.

    O velho começa a parecer mais estranho ainda.

    — E você... É um paciente, certo? Sinto o cheiro de ervas medicinais em você. É normal aqui, já que há tantos druidas trabalhando nas redondezas.

    Joseph não responde. Pensa apenas em sair dali, mas há algo de errado com o velho.

    — Devo dizer que os pacientes daqui são curiosos... Eu já ouvi e senti tantas coisas estranhas vindo deles. Sussurros, lamentos, múrmuros. Pessoas sofrendo com suas próprias mentes, caçadas por fantasmas criados por suas imaginações, por devoradores de homens, e as vezes sendo pegos por esses...

    O final da frase chama a atenção do detetive.

    — Devoradores de homens...?
    — Oh. Falei um pouco demais. — Disse o idoso, começando a caminhar até a janela, com um riso fraco e triste. Redeater se aproxima mais dele em contrapartida.
    — Velho. O que quer dizer com isso?

    O homem põe o dedo indicador sobre a janela, olhando para baixo.

    — Devoradores... Não sei de onde me veio essa palavra. Mas sim, Joseph Kamina, há algo de podre em São Olias. O próprio Olias vomitaria ao saber o que é. Ele fundou esse lugar e morreu pouco depois, mas se tivesse sobrevivido, teria evitado as tragédias que vieram depois.
    — Mas que inferno. Fale de uma vez o que você sabe, agora!
    — Pra quê? Você é um detetive. É o seu dever descobrir por conta própria.

    O homem desliza o dedo pelo vidro, e conforme o faz, ele se desmancha em pó, como se voltasse a ser apenas areia. Quando toda a janela desaparece, o homem também some.

    Irritado, Redeater percebe que seu disfarce atingiu seu tempo limite e se desfez. Não sabe se aquele ser acabou vendo o que estava por trás do paciente conhecido por Joseph, mas o pior é ele saber que ele é um detetive.

    Curioso a respeito do que o velho esteve observando desde que parou na janela, ele anda até onde ele estava posicionado antes, e tenta ver alguma coisa. O que vê é um pouco decepcionante: Trata-se apenas do gerente voltando para o manicômio, passando pelo pátio de entrada. Decide esperá-lo por ali mesmo, mas repõe o disfarce, pra evitar problemas.

    No entanto, ele fica esperando por pouco mais de uma hora, chegando ao ponto de simplesmente cochilar na cadeira que pertence ao gerente.


    Ao abrir seus olhos novamente, ele se vê num sonho.

    Tudo que ele vê adiante é um campo vasto e verde, iluminado pela lua de uma noite intensa e sem estrelas. Há uma mulher um pouco ao topo de uma colina, próximo de onde ele está. Ela observa o horizonte melancolicamente, seus cabelos negros e longos balançando com o vento. Usa um vestido branco e fino e um chapéu de aba larga, simples, com uma rosa fixa nele. Ele não está sendo segurado por suas mãos, mas recusa-se a cair.

    A mulher vira-se para a direção do detetive. Seus olhos azuis, sua expressão um pouco vazia e melancólica e sua pele clara fazem seu coração acelerar. O detetive sabe quem ela é.

    Ela sorri por um momento para ele.

    — Você está perto. Continue.


    Redeater acorda num pulo. O por do sol dá um ar sombrio para a sala que não viu ninguém senão o rapaz nela desde o começo da tarde.

    Irritado e incomodado, ele levanta-se e sai da sala a passos largos. Direciona-se até o quarto andar mais uma vez, e toma o mesmo caminho que tomou antes para encontrar Lana. Mas ao chegar lá, ele não encontra ninguém no banco, tampouco nos dois caminhos da bifurcação.

    Ele tenta procurar a mesma porta de antes. Está determinado em encontrar Lana e fazer várias perguntas, e estava disposto a fazer isso hoje, se não tivesse cometido o erro de dormir em serviço. Sua raiva não o faz pensar direito sobre onde passou, então ele começa a passar pelos mesmos lugares mais de uma vez.

    Ele para por um instante e tenta se acalmar. As informações que tem são escassas, e ele ainda não está conseguindo entender o que está acontecendo no manicômio. Pelo que lembra, Stanni’al mencionou que provavelmente há membros do Credo ali, mas até agora ele não detectou um sinal sequer de que eles estão por perto. Dessa forma, ele decide pensar como escapou tantas vezes dos vermelhos.

    E, de repente, ele lembra-se do quinto andar.

    Andando rápido pelos corredores, ele vai direto para a escada branca que leva ao quinto andar. Não encontra nada de diferente. Os corredores são os mesmos. Mas o que o detetive consegue sentir de diferente é a atmosfera, que é estranhamente pesada.

    Caminhando adiante, ele toma um caminho aleatório, checando algumas portas. Encontrou alguns pacientes perturbados, que decidiu não incomodar. Havia muitos consultórios e depósitos. Achou também uma sala de reunião. Mas nada incomum.

    Exceto por uma porta dupla de correr de bambu.

    Vinte minutos perambulando pelo andar deram em algo. Ele encontrou o lugar próximo do extremo daquele andar, na direção norte. Não fica no final do corredor, mas é possível fitar o por do sol sombrio por trás da janela ao fundo, que ilumina vagamente o lugar. Com isso, ele se desfaz do seu disfarce outra vez e puxa a porta.

    Um. Dois. Quatro. Seis.

    Dezesseis. Dezenove. Vinte e três.

    Trinta e oito. Cinquenta e seis.


    Corpos.

    Redeater engole em seco e dá alguns passos pra trás. Nunca viu cena igual. O quarto está recheado de mortos pelo chão, com uma incontável quantidade de sangue ao redor. A pouca iluminação só torna a cena mais terrível de se ver.

    A vontade de botar o almoço sem gosto do manicômio pra fora surge, mas ele resiste. Ele começa a olhar para os lados, tomado por sentimentos caóticos, buscando apoio. Algo pra voltar a ser o que ele é. Um detetive frio e calculista, que não se importa com esse tipo de coisa e que pensará em como aquele quarto tem tanta gente morta e Uldin nem mesmo reparou em algo tão estranho.

    Ele olha pra sua direita mais uma vez. O que vê era esperado, no fundo.

    Lana, com as mãos juntas nas costas, fita-o com preocupação.

    — Moço... Você está no lugar certo? Tem roupas tão peculiares que parece um nobre um pouco excêntrico. — Disse Lana, gentil e serena, disfarçando um riso.

    Redeater olha pra direção do quarto e vê apenas uma porta de madeira marrom no lugar.

    Ele a abre, mas vê apenas um armário de limpeza.

    — Aí é o armário de limpeza... Os funcionários estão organizando algo hoje? Sua fantasia é muito legal!

    Mais uma vez, Redeater respira fundo.





    Próximo: Capítulo 3 – Akumonogatari III

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  2. #12
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    Cara, vou fazer um primeiro apontamento: este capítulo é curto e efetivo. Parabéns por isso. Muito mais eficaz para manter alguém concentrado nele.

    O final deixa uma dúvida: Redeater ainda está sonhando ou Lana não morreu? Agora, eu diria mais: Redeater é uma espécie de paranormal. Tem as habilidades para revisitar um determinado ponto da história de forma a reconstruir a cena dos crimes que investiga. Lana, obviamente, sempre esteve morta. Ele a viu assim, como viu os milhares de corpos quando subiu. E, agora, ela surge outra vez. Morta, provavelmente. Finalmente, o ar de melancolia de Lana parece justificado. Esse é um aspecto do caralho deste capítulo.

    É claro que posso estar enganado. Na verdade, Redeater pode estar louco, como aqueles que costumavam ocupar o manicômio que, de verdade, agora está vazio, sobrevivendo do eco dos espíritos que ali habitam, oriundos dos corpos daqueles que costumavam ali habitar.

    Gosto disso. Múltiplas interpretações para um mesmo episódio. Acertou de mão cheia.

    Aguardo pelo próximo, irmão! Fez um excelente trabalho neste capítulo e tem condições de mantê-lo por muito tempo.
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  3. #13
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    Padrão Capítulo 3 - Akumonogatari III

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Cara, vou fazer um primeiro apontamento: este capítulo é curto e efetivo. Parabéns por isso. Muito mais eficaz para manter alguém concentrado nele.

    O final deixa uma dúvida: Redeater ainda está sonhando ou Lana não morreu? Agora, eu diria mais: Redeater é uma espécie de paranormal. Tem as habilidades para revisitar um determinado ponto da história de forma a reconstruir a cena dos crimes que investiga. Lana, obviamente, sempre esteve morta. Ele a viu assim, como viu os milhares de corpos quando subiu. E, agora, ela surge outra vez. Morta, provavelmente. Finalmente, o ar de melancolia de Lana parece justificado. Esse é um aspecto do caralho deste capítulo.

    É claro que posso estar enganado. Na verdade, Redeater pode estar louco, como aqueles que costumavam ocupar o manicômio que, de verdade, agora está vazio, sobrevivendo do eco dos espíritos que ali habitam, oriundos dos corpos daqueles que costumavam ali habitar.

    Gosto disso. Múltiplas interpretações para um mesmo episódio. Acertou de mão cheia.

    Aguardo pelo próximo, irmão! Fez um excelente trabalho neste capítulo e tem condições de mantê-lo por muito tempo.
    Salve Neal. Gostei das teorias cara, aparentemente o arco chamou bastante a sua atenção. A intenção aqui é introduzir o leitor a uma dinâmica diferente da de Bloodtrip, então ao menos pra você isso está funcionando.

    Fazer um capítulo curto como esse foi meio estranho também, então esse de agora pode estar um pouco grande também; Mas fiz o possível para que ele fosse dinâmico e fluído, como em todos os outros.

    Não vou manter esse arco por muito tempo pois tenho muitos planos pra história, então não posso ficar muito tempo na mesma coisa. Mas fico feliz que esteja gostando. O arco estava me desagradando um pouco por algum motivo.


    Espero que goste desse capítulo!












    Vou jogar mais teorias no ar com esse capítulo, mas não se preocupem, logo serão sanadas.

    Eu acho que depois desse arco a história entrará num pequeno hiato por razões pessoais, mas não tenho certeza. Veremos.




    No capítulo anterior:
    Redeater tenta descobrir mais a respeito do que viu no quarto indo falar com o gerente, mas encontra um velho misterioso que não diz nada com nada. Depois, tenta procurar pelo quarto que encontrou antes, mas encontra outro diferente, este cheio de corpos. E encontra Lana logo depois.





    Capítulo 3 – Akumonogatari
    Parte 3





    De volta ao pátio, cheio de dúvidas.

    O detetive, no dia anterior, encontrou um quarto cheio de corpos que sumiu no momento seguinte, e Lana acabou aparecendo logo depois, mesmo após ele a ver sendo devorada por uma criatura enorme. Ele a nocauteou e a deixou no mesmo banco de antes, mas não voltou ao lugar de novo, por algum motivo.

    Por alguma razão, ele ao mesmo tempo sente que não deveria ter feito aquilo. Mas não houve noticias de alguém encontrando um corpo no meio de um corredor, despedaçado por um monstro, então tudo deve ter corrido nos conformes.

    Mas mesmo agora, ele não sabe se deve ir atrás da sala de novo, ou tentar a sorte e encontrar o mesmo lugar onde ele encontrou Lana morta. Deveria, ao menos, tentar encontrar uma caixa de música em algum lugar, pois seria a melhor pista para encontrar qualquer coisa a respeito daquela paciente.

    Redeater, ou Joseph, põe-se de pé novamente e vai em direção da sala do gerente. Não sabe se o mesmo está ali, mas ele é a sua melhor chance.

    Como esperado, ele não encontra ninguém na sala do gerente. A janela, no entanto, está inteira e entreaberta, sugerindo que alguém esteve ali antes. Sem alguém para impedi-lo de fazer seu trabalho, mesmo que este seja significantemente invasivo, ele começa a investigar as estantes, observando as muitas pastas de couro recheadas de papiros com arquivos e tentando encontrar as mais recentes para achar algo sobre Lana.

    Ele novamente passa horas dentro daquela sala, e por sorte ou destino, ninguém entrou ali durante todo esse tempo. Observando os registros meticulosamente, ele esforça-se para conseguir encontrar o que precisa, mas como esperado, a Lana que esperava encontrar ali simplesmente não existe. Não há descrições sobre a paciente que Redeater conversou naquele dia. Mas algo chama a atenção: Também há uma falta imensa de pacientes que aparecem em registros de pelo menos dois à seis meses atrás, que sumiram dos registros recentes. Ele reúne esses nomes em um único papiro e o guarda para uma analise mais aprofundada.

    No entanto, ele amaldiçoa o fato de Tibia não ter evoluído o suficiente para possuir algo que registrasse os rostos das pessoas em papiros de forma mais rápida do que um desenho ou uma pintura. Tornaria seu trabalho muito mais fácil.

    Ele guarda todas as pastas novamente, e é nesse momento em que ele repara que esteve sem seu disfarce por todo aquele tempo.

    Ou eu ando muito sortudo ou muito azarado. Pensa ele ao recapitular tudo que aconteceu desde que entrou em St. Olias.



    ~*~



    Nada sobre Lana e um súbito desaparecimento de pacientes.

    Uma sala cheia de corpos que aparece e some do nada. Uma criatura que lembra mais um cão dentro daquele edifício devorando pacientes.

    E, pra piorar, o gerente está ausente há mais de um dia.

    Redeater reflete sobre tudo isso enquanto se dirige ao banco do quarto andar. Não viu Lana na sala de antes, mas não pretende esperar para saber se a encontrará na sorte. Ele simplesmente espera que será possível encontrá-la, embora tenha visto ela morta dois dias atrás.

    E lá está ela. Sentada na cadeira, sozinha com seus pensamentos, tão distraída que nem percebe a aproximação de Redeater. Ou Joseph, já que ele está devidamente disfarçado.

    — Está sempre aqui, não é?

    Lana olha pra sua direção com alguma surpresa. Mas ela o esperava, de qualquer maneira.

    — Você parece ter ganhado o costume de vir aqui também.
    — Só apareci aqui naquele dia.
    — Mas pode acabar aparecendo nos próximos também. Não é?
    — Não diga coisas assim com tanta certeza.

    A mulher sorri. Joseph chega a evitar olhar para o seu rosto, mas decide sentar ao lado dela novamente. Embora seu método não seja arrancar respostas rapidamente de seus alvos, ele sabe que não pode perder tempo naquele manicômio. Há uma alta possibilidade de pessoas estarem morrendo e o culpado permanece oculto. Dessa forma, terá que ser mais direto com Lana.

    Mesmo que seu rosto belo dificulte um pouco as coisas.

    — Lana, há quanto tempo está nesse manicômio?
    — Ah... — Lana põe a mão no queixo, como se fizesse um esforço para lembrar — Acho que já tem três ou quatro anos. Talvez cinco. Mas tenho a sensação de que sempre estive aqui.
    — E como exatamente você veio parar aqui?
    — É... Uma boa pergunta. Eu paro pra pensar aqui todos os dias.

    Redeater já esperava por isso. Ele respira fundo e continua.

    — E o que você lembra da sua vida antes desse lugar?

    Lana demora a responder essa pergunta. Seu olhar é muito nebuloso, difícil de se ler.

    — Quase nada, Joseph... É muito ruim. Os tratamentos eram pesados no começo, e as pessoas que me colocaram aqui... Esqueceram da minha existência. É, acho que essa é a melhor possibilidade. Podem ter morrido, também. Me lembro de ter sido colocada aqui um pouco após a guerra, então... Acho que eles não devem ter falecido.
    — Mas você não se lembra de quem eles são?
    — Eu tento lembrar sempre, mas... Não passam de borrões. Nem mesmo sei se tive um pai ou uma mãe. Toda a minha vida se resume a esse manicômio.
    — E sendo assim, você nunca reparou nada de estranho aqui?

    Lana fita-o com curiosidade.

    — Você acha que há algo de estranho aqui?
    — Acho. Não, eu tenho certeza.
    — Então você está quase consciente o suficiente pra deixar esse lugar, Joseph.

    Aquilo deixa Joseph estranhamente tenso.

    — O que quer dizer?

    Lana levanta-se de forma incomum. Ela tenta suprimir um bocejo com a mão, e dirige-se para o corredor à direita.

    — Você vai entender em breve.
    — Onde pensa que vai? Ainda tenho perguntas.
    — Ver uma velha amiga. Hoje nossa conversa não irá durar muito.

    Joseph se levanta rapidamente.

    — Deixe-me ir contigo.
    — Mas...
    — Sem objeções. Eu devo acompanhá-la. Eu não sinto que você está segura.
    — E o que poderia me ameaçar aqui dentro, Joseph? — Disse ela, sorrindo e torcendo levemente a cabeça para o lado — É um lugar construído para gente como nós, para ficarmos seguros do mundo cruel que nos aguarda do lado de fora.
    — E quem disse que eu sou como vocês?

    Lana dá as costas para Joseph ao ouvir essa resposta.

    — É por isso que eu disse que você está quase consciente. Só precisa acordar.

    Uma resposta dura para Joseph. Pois mesmo aquele detetive mal sabia responder aquilo, tamanha a confusão que está sentindo.

    — Ah, você está aí!

    Uma voz chama o detetive através do corredor, não tão longe das escadas. Ele olha para a direção dela e vê o gerente Uldin vindo. Só que um pouco diferente.

    Embora ainda tenha o mesmo corte afetado, ele está bem arrumado de um terno e calças amarelos estranhamente modernos, cheios de linhas negras, retas e finas. Ele parece alegre, com uma pasta de couro embaixo do braço esquerdo, enquanto balança o direito, chamando a atenção de Joseph.

    Quando este olha para o outro corredor, Lana já está do outro lado, seguindo para outro corredor. Sua agilidade é estranha, mas foi uma visão melhor do que vê-la sumindo do nada.

    — Clark Uldin. — Disse Redeater, desmanchando seu disfarce, com alguma irritação. Ele o faz sem olhar para a sua direção.
    — Hã? Algo errado... Coveiro?

    Redeater finalmente passa a olhar para o senhor.

    — Eu que pergunto. Que... Visual é esse?

    Uldin ri a toa e continua se aproximando de Redeater.

    — Ah, rapaz, você nem iria acreditar! Fui para a cidade e encontrei o melhor bordel que já vi na minha vida, tinha até elfas ali! Elfas! Era um lugar tão viciante que eu só consegui voltar pra cá hoje. Veja, nem sei como arranjei essa roupa. É tão moderna, não? E me serve muito bem!

    Redeater respira fundo.

    — Uldin... Você é completamente incompetente. Ir pra um bordel quando é o gerente de um manicômio desses... Incrível.
    — Quê? Eu não fui porque eu quis! Fui para o Banco Central Carlinídeo resolver problemas com os fundos desse lugar, e por coincidência, encontrei um amigo. Fui beber um pouco com ele, mas ele acabou me levando pra aquele bordel... Ah, aquele bordel. Preciso levá-lo lá, coveiro.
    — Imbecil.

    O detetive ignora Uldin e começa a andar rápido pelo corredor, visando alcançar Lana. O gerente corre atrás dele, um pouco atrapalhado, tentando chamá-lo. Mas Redeater parece enfeitiçado. De novo.

    — Eu tenho aqui os registros de todos os pacientes! Podemos encontrar a tal Lana!

    O mascarado finalmente para. O gerente usa essa brecha pra se aproximar, enquanto abre a pasta e analisa os arquivos.

    — Olha... Lana, não é? Conseguiu o sobrenome e o número de registro?

    O detetive lembra-se de conseguir o número na camisa dela quando a deixou num banco próximo de onde encontrou os corpos, mas não se lembra do sobrenome.

    — Só o número. 566.

    Uldin começa a olhar obsessivamente pelos pacientes de número 500. Enquanto o faz, o mascarado finalmente percebe que não falou a respeito das anormalidades que encontrou. Mas antes que pudesse abrir a sua boca pra falar algo a respeito, Uldin começa a encará-lo com dúvida.

    — Agora que eu reparei... Não tem número 566 aqui, Redeater. Só vai até o 530. Tem certeza que não foi talvez 56? 66? Melhor, vou olhar de imediato.

    Redeater já esperava por isso. Chega a ser clichê.

    — Tire essa roupa de merda, logo voltarei pra sua sala. Eu acabei de falar com ela. Ainda posso encontrá-la e levá-la lá.
    — Bem... Boa sorte. Ficarei esperando.

    Redeater começa a correr a toda velocidade pelo corredor, alheio ao fato de que não está mais disfarçado. Embora seu sobretudo negro pese um pouco, ele consegue superá-lo e manter uma velocidade satisfatória para ele. Sua corrida permite que ele alcance o outro lado do corredor, tomando o lado esquerdo, com pressa. Ele mantém a velocidade enquanto abre várias portas, encontrando alguns pacientes em pequenas bibliotecas ou salas de reunião e ignorando a surpresa dos poucos funcionários daquela área.

    Ele para de achar pessoas por ali quando chega num corredor um pouco familiar. No final deste, ele novamente encontra as portas de bambu.

    Dessa vez, ele puxa algo de dentro do sobretudo: Uma pistola. Seu design é um tanto antigo, lembrando uma pistola de fecho de mecha*, mas com aspectos mais modernos. O cano longo procura dar a potência que ele precisa para o tiro que irá dar no que vai encontrar.

    Ele abre devagar as portas.

    Utevo Max Lux.

    Criando uma iluminação poderosa, ele revela o que há naquela sala escura.

    Caixa de música. Uma mão pálida sobre ela. Mão de uma mulher bela e pálida. Pálida pois está sem vida. Sem vida pois está sendo devorada por um cão de pelo menos cinco metros de comprimento.

    Redeater respira fundo, outra vez.

    Sem hesitar, o mascarado aponta sua arma na direção do monstro. Quando o faz, o bicho some em um instante. Apenas Lana está na sala agora. Ouve um barulho logo ao seu lado, e vira-se também num instante para disparar.

    Ele atira no cão preto e amarelo do seu lado, que some com uma fumaça negra, fazendo o disparo abrir um buraco na parede. Em seguida, ele corre pra dentro da sala e guarda a pistola, ajoelhando-se rapidamente ao lado de Lana. O detetive analisa melhor o que aconteceu, mas mal consegue olhar para o buraco na lateral do seu corpo. Além disso, por algum motivo, a caixa de música não está tocando, e nem estava tocando antes.

    Agora, seus mecanismos começam a se mover. Ele a observa por alguns instantes, e nota que ela é dourada, e bem bonita. Assim como sua melodia.

    — Está tudo bem.

    Redeater escuta a voz de Lana, mas ela não veio de sua boca. Ele começa a olhar para os lados, perdido e confuso.

    — Está tudo bem. Logo isso irá acabar.

    Finalmente conseguiu encontrar a voz, que vem da caixa de música.


    Mas ele não me responde.


    Mais uma vez, Redeater respira fundo.

    Para não gritar de ódio.



    Próximo: Capítulo 3 – Akumonogatari IV




    Notas:

    *Fecho de mecha, ou matchlock, foi o primeiro mecanismo inventado para disparos automáticos.
    Última edição por CarlosLendario; 11-05-2018 às 11:43.



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  4. #14
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    A ambientação tá do caralho, real mesmo. Por isso pedi pra que tu estendesse a estadia do investigador em St. Olias. Acertou, de mão cheia. Parabéns por isso.

    Pareceu mais um capítulo transitório do que qualquer outra coisa. Uldin, aliás, é uma figura peculiar, mas ainda estou tentando encaixá-lo com Redeater e a importante personagem de Lana. E qual é o problema de Uldin querer dar uma bimbada? Deixa o cara aliviar a tensão, bicho. Tá certo que ele é mais imbecil do que aparentava quando apareceu, mas, vá lá. Pode ter a sua importância. Se não morrer ou não estiver morto.

    Prossegue com a mesma pegada, mano. O arco tá legal, mas acho que tu estás se sentindo insatisfeito com ele porque ainda não se desprendeu de Bloodtrip. Tu mesmo salientas diversas vezes que é uma história completamente diferente, então passe a tratá-la como tal. Por ser um conto independente, deve ser distinto, também. Não existe outra coisa pra se concluir.

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  5. #15
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    Saudações!

    Passando para deixar AQUELA ward amiga! Estou acompanhando, SIM, mesmo que a faculdade esteja sendo bem tensa esses últimos dias! Segue em frente, escuta os conselhos dos Neal e continua a escrever que é só sucesso!



    Abraço,
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  6. #16
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    Padrão Capítulo 3 - Akumonogatari IV

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    A ambientação tá do caralho, real mesmo. Por isso pedi pra que tu estendesse a estadia do investigador em St. Olias. Acertou, de mão cheia. Parabéns por isso.

    Pareceu mais um capítulo transitório do que qualquer outra coisa. Uldin, aliás, é uma figura peculiar, mas ainda estou tentando encaixá-lo com Redeater e a importante personagem de Lana. E qual é o problema de Uldin querer dar uma bimbada? Deixa o cara aliviar a tensão, bicho. Tá certo que ele é mais imbecil do que aparentava quando apareceu, mas, vá lá. Pode ter a sua importância. Se não morrer ou não estiver morto.

    Prossegue com a mesma pegada, mano. O arco tá legal, mas acho que tu estás se sentindo insatisfeito com ele porque ainda não se desprendeu de Bloodtrip. Tu mesmo salientas diversas vezes que é uma história completamente diferente, então passe a tratá-la como tal. Por ser um conto independente, deve ser distinto, também. Não existe outra coisa pra se concluir.

    Vamo que vamo!
    Salve Neal. Infelizmente St. Olias só irá até o próximo capítulo, pois já planejei a maioria das partes da história e já existe um final pensado. Mas não se preocupe, acredito que veremos cenários como St. Olias no futuro mais vezes, vamos ver o que o futuro nos guarda.

    Redeater é um cara sério, não iria aceitar algo assim enquanto está trabalhando. É parte da personalidade do detetive, que será bem visível durante a história, e que se mostrará diferente do antigo detetive.

    E de fato eu não estou 100% desprendido de Bloodtrip, mas a razão disso é que não dei tempo suficiente entre Bloodtrip e Bloodoath, então minha intenção de mudar a atmosfera de uma história pra outra pode acabar mudando um pouco em consequência. Mas não se preocupe, nada que afete a história. Conforme as coisas vão se desenrolando você vai entender porque eu não quero me manter só nesse manicômio.

    Espero que goste desse capítulo!

    Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
    Saudações!

    Passando para deixar AQUELA ward amiga! Estou acompanhando, SIM, mesmo que a faculdade esteja sendo bem tensa esses últimos dias! Segue em frente, escuta os conselhos dos Neal e continua a escrever que é só sucesso!



    Abraço,
    Iridium.
    Opa Iri, agradeço a presença e fico feliz em saber que ainda está acompanhando. Tome seu tempo.













    Esse capítulo tem muitas coisas importantes pro futuro da história, fiquem ligados aos pontos. Eles aparecerão no futuro.





    No capítulo anterior:
    Redeater procura o gerente e não o encontra, e decide procurar nos seus arquivos qualquer coisa a respeito de Lana, sem sucesso. Ao ir procurar por ela, ele a encontra e faz algumas perguntas, mas não consegue tirar nada dela. O gerente aparece e revela onde esteve, e também tenta ajudá-lo a encontrar registros sobre Lana, mas ele não encontra nada e ela some. Ao encontrá-la de novo, ela está sendo devorada pelo cão gigante mais uma vez.





    Capítulo 3 – Akumonogatari
    Parte 4





    Dúvidas. Dúvidas. Muitas dúvidas.

    Redeater corre manicômio adentro disfarçado como Joseph, alheio ao por-do-sol lá fora. Agora ele lembra do caminho para a sala, mas precisa encontrar o gerente antes. Algo está muito errado.

    Já estava entardecendo e a noite logo chegaria. É mais ou menos a hora em que ele viu Lana sendo morta da última vez. Agora, ela foi morta da mesma maneira, e dessa vez, ele conseguiu reagir a isso, embora não tenha certeza de ter feito algo contra a criatura. O mais provável é que nada tenha acontecido a ela.

    Joseph chega à sala do gerente como uma manada de elefantes. É questão de vida ou morte contar o que está acontecendo e o que descobriu.

    Ele chega nela só para encontrá-lo morto.

    Nem Joseph acredita naquela visão. A visão do gerente, sem o terno ridículo, mas com seu jaleco habitual e uma camisa social por trás, indicando que a única coisa que ele tirou foi o terno. Seu corpo está sentado em sua cadeira, e metade de seu torso está estirado sobre o seu gabinete. Sangue sai de sua cabeça e provavelmente do seu peito também, e a baixa quantidade deste indica que ele foi morto há poucos minutos.

    O mesmo gerente que encontrou antes, todo animado, agora está ali, na sua sala, morto. É algo surreal.

    Mas aquele detetive já se acostumou com essa sensação.

    — Não é culpa sua.

    Joseph olha para sua esquerda e nota um homem ali. É o mesmo velho de antes, com as roupas de fazendeiro, a pele negra e a mesma barba grisalha e malfeita. O homem não responde, ao ponto que esse velho precisa prosseguir.

    — Eu sei... Estou numa cena de crime. É, estou cometendo um erro. É o que eu normalmente pensaria se não fossem as circunstâncias.
    — Quem é você?
    — Não é assim que você deveria perguntar a meu respeito.
    — Certo. O que é você?

    O velho sorri.

    — Um conceito.

    Redeater abre em partes o seu disfarce, tornando-se algo entre ele mesmo e Joseph, apenas para sacar sua pistola e atirar contra a figura. E, para a sua surpresa, ele acerta o tiro, que acerta a área entre as suas sobrancelhas. Entretanto, o velho nem sai do lugar, tampouco cai no chão.

    — E conceitos são imortais. Até que seja decidido o que será desse mundo. Você está pronto para quando esse dia chegar?
    — Você já sabia desde o começo quem eu sou.
    — E eu não sou quem você pensa. Não estou do lado deles. Mas sirvo a um propósito.
    — Não está? Então desembuche sobre Lana. Agora. Neste momento.
    — Oh, céus... Eu não disse que esse é o seu trabalho? Descubra, detetive.

    O velho desaparece do mesmo jeito que antes. Mas agora, na parede atrás de onde ele estava, está o que parece o desenho de uma adaga. E, ao olhar para o gabinete, nota alguns outros símbolos parecidos ao redor do gerente, bem como um de alguém sendo crucificado.

    Redeater parece perdido outra vez, mas não há o que fazer. Ele refaz seu disfarce e tenta analisar a cena próxima do corpo. Não se preocupa em deixar digitais, pois sua magia não as deixa.

    Embora tenha analisado o que pudesse nas circunstâncias em que ele se encontra, a causa da morte parece estranhamente simples. Um assassinato com uma faca que não está presente ali. E que provavelmente pertence ao velho de antes.

    Frustrado, ele tenta pensar em algo para fazer naquela situação. Se o gerente for encontrado morto, é mais do que certo que o manicômio acabará sendo fechado e os pacientes serão transferidos para outro lugar. Isso acabará com seus planos para descobrir o que Stanni’al apontou antes, e não permitirá que ele descubra o culpado pela morte de Lana. Além disso, não há lugar por perto que permita ocultar seu cadáver e esconder seu odor.

    Joseph cruza os braços e começa a bater com o pé no chão, tentando pensar da melhor forma possível nos lugares que viu no manicômio e como esconderia aquilo sem ser visto. Tem pouco tempo. Se o gerente está presente, isso significa que as enfermeiras aparecerão para dar os relatórios nos horários comuns. E a julgar pelo entardecer do lado de fora, logo uma dará as caras.

    Ele está quase aceitando seu destino quando percebe algo. As batidas do seu pé. Elas estão fazendo um barulho. Um eco.

    Um alçapão debaixo dele.

    Ele procura por trancas ou qualquer coisa que ajude a ocultar a entrada para poder abri-lo, e consegue em alguns segundos. Ao abrir, nota que ele é mediano, um tanto pequeno, e que esconde apenas um monte de livros velhos e arquivos. Por algum motivo, há algumas ferramentas quebradas formando um “N”, mas Redeater não faz ideia do que isso signifique.

    De qualquer maneira, ele suspira, aliviado. Vendo todo aquele trabalho pra fazer, ele tranca a porta e começa.


    ~*~



    Já anoiteceu. Redeater está andando pelo quinto andar há quase uma hora. Ele deixou os fichários que encontrou no seu quarto para analisar durante a madrugada, algo que o ajudaria a encontrar o paradeiro dos pacientes desaparecidos, e também sobre Lana.

    Enquanto anda, ele tenta pensar no motivo dele estar tão obcecado por Lana. Talvez fosse por ela ser a única chance dele descobrir o que está errado ali, mas ele sente que há algo a mais nela. Algo grande. Além disso, ela lembra alguém importante do passado desse detetive, então não é pra menos que ele deseja assegurar que ela esteja livre daquele inferno.

    Há muitas histórias onde detetives se apaixonam por alguém envolvido em seu caso. Mas Redeater nem de longe deseja se dar a esse luxo.

    Embora a cada momento em que permanece naquele lugar, ele se sinta mais atraído por ela, embora não perceba isso. Lana lembra, de fato, alguém. Seus cabelos negros, sua aura calma e suave, suas palavras com tom gentil. Talvez não fosse atração, de fato. Pode ser seus próprios instintos tentando dizer outra coisa. Mas é tudo tão confuso que Redeater prefere não pensar a respeito daquilo.

    Em meio aos seus devaneios, ele mal percebe que chegou ao final de um corredor em que já esteve presente antes. Aquele onde encontrou os corpos. Mas tudo que está ali agora é uma porta simples de madeira, do qual ao abri-la, tudo que ele vê são materiais de limpeza.

    Ele dá meia volta e deixa o lugar para trás. Decide olhar em qualquer uma das portas que vier a seguir pra ver se encontra algo relevante, pois ele acredita que as noites possam mostrar algo que ele não consegue ver de dia.

    Ao abrir, ele acha uma sala relativamente pequena, com algumas estantes. Trata-se de uma pequena biblioteca. As janelas estão abertas e a luz da lua ilumina o lugar. Ele fecha a porta atrás dele para começar a sua investigação.

    Ele vai checar as estantes. Numa das seções, o detetive nota uma súbita falta de livros em uma estante próxima. Vê uma lamparina pendurada próximo dali, e a acende para poder analisar melhor. Tudo que encontra é um único livro, grande, aparentemente ilustrado. Ao pegá-lo, vê que seu título é “Inertes”. A capa ilustra homens de chapéu e capas longas e escuras andando sobre uma campina clara, iluminada pelo pôr-do-sol.

    Ao começar a lê-lo, se surpreende. Ele é de fato ilustrado, mas não há nada escrito. Há vários símbolos, mas nenhum deles é familiar para o detetive. Há cenas de homens de chapéu, iguais aos da capa, em vários lugares diferentes, como em fazendas, mercados, lojas, portos, acampamentos, todos com várias pessoas aleatórias fazendo suas atividades diárias, mas com esses homens os observando.

    Logo, ele encontra uma ilustração menor do que as outras. Nela, há uma casa de dois andares e uma escada do lado de fora dela, por onde um homem comum desce por ela. Logo atrás, um dos homens de chapéu observa ele descer, e há uma faca fina em sua mão. Há um símbolo de alguém crucificado desenhado na parede da casa próximo do homem, e este homem carrega duas mesas de forma tão peculiar que parece formar um H. Do lado direito, Redeater finalmente vê símbolos que reconhece. Um idioma específico e incomum.

    "Ele não quer mais lutar, pois eles já deixaram esse mundo há muito tempo.

    O meu Deus deixa que eles andem sobre a terra. Os deuses tibianos deixam que eles pratiquem de sua heresia livremente pois eles têm medo do deus dos hereges.

    No meio disso tudo, eu só poderia contar com os lendários Van Mena, mas todos eles deixaram esse mundo após o falecimento da
    gigantesa. Talvez os filhos da estrela pálida conseguissem fazer algo a respeito. Os cultos do sol. Os caminhantes dos sonhos. As crias de Banor. Os falcões esquecidos. Qualquer um.

    Sobrou mais alguém para combater os de vermelho?

    Será esse o legado do miserável das mil linhas do tempo?"


    Redeater não encontra mais nenhuma ilustração depois daquilo, apenas páginas em branco. Ele não entendeu muito bem o texto nem a utilidade dele, mas parece os augúrios de um conhecedor da existência do Credo de Sangue, a julgar pelo “os de vermelho”. Guiado pela curiosidade do livro, ele acaba guardando-o, pois pode lhe ser uma pista valiosa sobre St. Olias.

    Redeater se dirige a saída. Mas antes de chegar na porta, ele nota algo à sua direita com o canto dos olhos. Mas antes que pudesse reagir, já estava desfalecendo no chão.



    ~*~



    Redeater acorda, mas é de manhã. Está sentado num banco, ausente de seu disfarce. Não se lembra de como foi parar ali.

    Na verdade, ele lembra-se de ter sido vergonhosamente nocauteado ao tentar sair da biblioteca. Lembra-se de por aquele livro curioso dentro do seu sobretudo, mas ao checar, percebe que ele não está mais ali. Como esperado.

    Ao olhar para os lados, reconhece onde está. É o mesmo banco onde Lana costuma se sentar. A luz distante do sol, vinda do oeste, lança uma iluminação forte no lugar. À esquerda, ele repara que a própria está vindo com um livro verde-escuro em mãos, e está distraída. Redeater tem tempo de recolocar seu disfarce antes que ela notasse que ele está sentado ali.

    Lana surpreende-se com a presença do rapaz. Os pacientes não costumam andar por aí tão cedo como naquela hora. Ainda assim, ela sorri.

    — O que faz aqui tão cedo, Joseph?
    — Pergunto o mesmo pra você.
    — Manhãs são boas. E positivas. Não parece seu habitat.
    — E não é mesmo. De qualquer maneira, sente-se.
    — Tem mais perguntas? — Questiona Lana, pressionando o livro contra o peito, apreensiva.
    — Algumas.

    Lana aceita a derrota rapidamente e senta-se ao seu lado. Ela põe o livro sobre as coxas, e mantém as mãos juntas. Não dá pra saber o título nem do que se trata, mas é totalmente diferente do livro que o detetive encontrou na noite passada. Ainda apreensiva, mas com um pequeno sorriso no rosto, parece gostar da presença de Joseph por ali. É a única pessoa que a compreende melhor em todo aquele manicômio.

    Joseph levanta o rosto com irritação.

    — O que é você?

    Lana encara as próprias mãos por vários minutos. Vários minutos sem resposta. Sem reação. Que tentam vencer a poderosa paciência de Redeater, um detetive de muitos anos, que viu mais coisas que um humano normal poderia ver, e que aventureiros odiariam ter a oportunidade de olhar.

    Finalmente, a moça olha-o com uma expressão quase aterrorizada. Põe tanta força no livro que não seria surpresa se ele começasse a se desfazer.

    — O que eu sou? — Disse Lana, num tom de pergunta.
    — O próprio manicômio, tentando falar comigo.

    A expressão da mulher muda para algo vazio e indescritível.

    — Ah. Faz sentido.


    Tudo ao redor do detetive muda de repente. As paredes, antes de madeira, brancas e marrons, parecem dar a impressão que o detetive está dentro de um corpo. Veias e circulações seguem pelas paredes como num corpo humano. O banco também é feito de carne. Todas as áreas ao redor estão vivas, vermelhas, e o sangue é abundante, assim como os inúmeros gritos de várias direções do manicômio.

    Lana não está mais ali. Apenas o livro, que o detetive toma para si, enquanto retira seu disfarce mágico mais uma vez.

    Ele abre-o na última página, por instinto. Vê algo escrito a mão, provavelmente por Lana.

    “Olias viveu o suficiente para ver eles controlarem nosso mundo pouco a pouco.

    Deve ser por isso que eles estão aqui agora.”


    Ele o fecha com uma única mão. No corredor, logo adiante, está o gerente. Ou o que parece ser ele, já que mesmo que ele esteja com a roupa amarela de antes, ele tem um sorriso que cobre quase metade do seu rosto, além da outra metade da sua cabeça estar coberta por uma espécie de capacete. Seus braços estão nas costas, e suas mãos seguram uma marreta de combate enorme.

    — Bem vindo, Redeater.






    Próximo: Capítulo 3 – Akumonogatari V
    Última edição por CarlosLendario; 15-05-2018 às 19:15.



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