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Tópico: Bloodoath

  1. #21
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    Padrão Capítulo 3 - Akumonogatari VII

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Irmão, um de cada vez. Li o primeiro que estava pendente, o segundo acabei de finalizar; não vou me justificar novamente porque tu já sabes, então vamos lá.

    I KNEW IT! Sabia que St. Olias tinha lá o seu aspecto fantasioso, que geraria ilusões naqueles que ingressassem em seus domínios. Lando chegou chegando, lançando luzes sobre os mistérios contidos na saga, e de quebra dando aquela orientação ao Redeater, nosso pretenso Nightcrawler.

    Que top esse fato de que alguém se chama "Santo" alguma coisa e dá nome a um manicômio das trevas. Sempre me perguntei de onde partiam essas ideias de nominar os estabelecimentos a partir do nome de santos, mas, vá lá, o pessoal é criativo pra tudo, vide o tanto de nome de santas que são homenageadas por cidades, praças e afins.

    O capítulo ficou violento, curti a parcela de ação mesclada com o pedaço de mistério. Aliás, mistério nunca falta, né, irmão?

    Com relação ao capítulo novo: Masgaratt, nosso representante do Credo de Sangue, parece ser um daqueles anti-heróis que criam um ambiente sensacional, à lá Senzo, embora entenda o seu interesse de transformar Nightcrawler no anti-herói em Bloodtrip. Aliás, parece-me que teremos outro elo de rivalidade, como o estabelecido entre Suzio e Senzo: Masgaratt e Redeater serão nosso Tom Riddle e Harry Potter, respectivamente (perdão pela referência, sei que tu não vai curtir).

    Valeu, irmão. Outra vez, milhões de milhares de centenas de dezenas de pedidos de desculpas. Sei que você entende o que as mudanças recentes representam na minha vida e, especialmente, no que ela se tornou.

    Um abraço!
    Grande Neal. A ideia de colocarem o nome de um santo a um manicômio das trevas é basicamente uma homenagem, como você disse. Olias também queria ajudar pessoas como as que ele encontrou na guerra, que ficaram catatônicas ou em choque, e criou um lugar para isso. Mas eventualmente ele acabou morrendo e deixou os serviços pra outra pessoa.

    Acredito que vá gostar de Masgaratt mais ainda. É um personagem que também desejo dar mais humanidade se comparado aos seus amigos, e também pretendo deixar o outro lado ainda mais humano, apesar de suas atitudes. Este dará trabalho para Redeater na história, tendo muitas aparições, tal como Senzo foi aquela complicação para Nightcrawler. A propósito, boa referência, não sei porque você acha que eu não gostaria de ver algo assim associado a minha história. Cara, Harry Potter foi minha saga preferida por muitos anos até eu conhecer O Senhor dos Anéis, mas ainda tenho algum apreço por essa história. História que infelizmente a autora ainda não aceitou que chegou ao fim e continua lançando coisas desnecessárias e falando coisas desnecessárias dos personagens, efetuando mudanças mesmo após ter finalizado tudo. Acho desapontador.

    Agradeço a presença, parceiro. Espero que goste desse capítulo!









    Caras, eu não sei ao certo, mas acredito que não estamos muito distantes de um hiato na história. Isso porque minha vida deve mudar um pouco mais no ano que vem, o que me faz pensar se vou conseguir manter o ritmo e continuar Bloodoath. Bom, eu espero que sim.

    Noticias ruins a parte, esse capítulo teve uma dificuldade da minha parte pra ser finalizado. Originalmente, era pra terminar tudo na parte 6, mas ficou maior do que eu esperava: 18 páginas do Word. Então precisei fazer vários cortes e revisar tudo. Bom, espero que esteja tudo certo.




    No capítulo anterior:
    Redeater entra no Órgão do Credo de Sangue e começa sua própria operação matando três dos membros e escapando de armadilhas atrás de armadilhas, emboscadas e todo tipo de coisa para chegar até a sala onde ele acredita que Masgaratt esteja. Ele encontra-o lá, juntamente da besta do manicômio que atacou Lana antes.





    Capítulo 3 – Akumonogatari
    Parte VII




    Redeater está de frente para o Sangrento com a longa marreta de ferro, apontando sua pistola com a mão direita, que também está armada de uma soqueira de ouro. Alutai está na sua visão também, embora ele ainda esteja deitado sobre a poltrona, sem olhar para ele. A besta preta e amarela está presa num feitiço na mão esquerda do detetive. Todos esperam o momento certo para iniciar o combate.

    Após muito, Alutai pula da poltrona e a chuta antes de tocar no chão, lançando-a na direção de Redeater em alta velocidade. Ele desvia com folga, mas realiza que tem apenas uma mão para usar e dois tiros, e que não pode desperdiçá-los.

    O detetive afasta-se, mas Alutai chuta um dos sofás próximos dele na sua direção. Ele abaixa-se com dificuldade, apenas para ver outro vindo rapidamente, sendo obrigado a pular para a esquerda, evitando ser atingido, mas caindo no chão. O terceiro surge voando alguns segundos depois, e Redeater rola no chão para evitá-lo.

    O quarto agora é o próprio Alutai. Ele surge do seu lado e está prestes a finalizar um golpe poderoso na cabeça do detetive. Este dispara contra Alutai, mas ele some no mesmo instante, aparecendo atrás dele. O mascarado adianta-se e usa um chute giratório para tentar acertá-lo, mas o inimigo escapa no último instante; Ainda assim, ele acha tempo para um chute alto, que acerta o queixo do oponente, forte o suficiente para colocá-lo no ar por um segundo, suficiente para um tiro ceifador.

    Mas esse tiro é aparado por uma marreta sem dono, acertando de raspão o joelho de Redeater.

    Ele se afasta mais uma vez apenas para perceber que está cercado pelos dois Sangrentos e que não pode usar a mão esquerda, pois está usando-a para prender a besta do manicômio.

    — Só agora percebeu que usar o que sobrou dos seus poderes pra prender aquilo foi um grave erro? Agora não pode mais voltar atrás, até porque não tem mais munição. Te mataremos antes que o faça.
    — Parece até que não me conhece, seu merda.

    Redeater dispara para o alto e seu tiro se transforma em seis. Três deles perseguem com selvageria cada um dos Sangrentos, que pulam e tentam escapar de qualquer maneira desses disparos. Alutai é justamente o que chega mais perto de Redeater, e este aproveita a oportunidade lançando a própria pistola pro alto e socando seu rosto. Apenas um dos disparos o acerta no processo, os outros dois acabam parando no chão.

    Masgaratt consegue finalmente defender os disparos com sua arma, mas só de saber que um dos disparos acertou o seu companheiro, faz ele se sentir como se ele não tivesse defendido nenhum deles.

    Redeater gira sua mão esquerda com o feitiço, fazendo Alutai ficar paralisado. Masgaratt observa com terror o seu companheiro recebendo um soco tão poderoso no queixo que o faz ir parar no teto e abrir um buraco nele, deixando sua cabeça presa no andar seguinte, e o resto do corpo abaixo tremendo, como um cadáver que recém perdeu a cabeça.

    Sem rodeios, outro disparo vai em direção do Sangrento restante, mas este o defende simplesmente lançando um golpe reto de sua marreta para a sua frente, lançando uma forte pressão de ar. Parece irritado.

    — Finalmente alguma seriedade.
    — Vai se arrepender disso.

    Masgaratt lança-se em sua direção com a marreta pendendo para um golpe fatal. No entanto, ele acaba apenas acertando o ar, visto que seu inimigo se abaixou. Notando a arma apontada para a sua direção, ele afasta-se rapidamente, mas Redeater atira apenas quando o outro toma distância. O tiro acerta seu ombro. Ele reclama, mas vai pra cima de novo, batendo a marreta no chão e lançando uma onda de sangue em sua direção. O detetive usa sua soqueira em resposta, transformando-a em pó.

    O Sangrento não acredita que cometeu um erro tão estúpido.

    — Ouro da Inquisição jamais será atingido por maldade. Esqueceu?

    Masgaratt, no entanto, tenta mais vezes, trazendo ondas pequenas de mais direções, enquanto o detetive as defende com folga. O Sangrento surge do meio de uma delas, mas Redeater simplesmente dispara contra ele, acertando sua barriga dessa vez. Parece finalmente irritado de verdade.

    Redeater está mais sério agora que notou que seu oponente desapareceu. Está apontando sua arma para as direções ao redor dele, algo que não estava fazendo antes. Segundos depois, finalmente começa.

    O homem de vermelho surge em menos de um segundo na sua frente com um golpe a ponto de acertá-lo, mas o detetive nem mesmo se mexe, pois Masgaratt sumiu no segundo seguinte. Redeater olha para a esquerda e vê ele surgindo de novo da mesma maneira, e desaparecendo. Olha para trás e vê a mesma coisa. A mesma cena se repete várias vezes, com Masgaratt sumindo e aparecendo.

    — Gato e rato, é? — Murmura Redeater, sem preocupação alguma em sua voz — Quem será o rato?

    Masgaratt logo acima de Redeater, mas este simplesmente atira para o alto, sem precisar levantar todo o seu braço. E o tiro acerta a direita do seu ombro esquerdo, quase no pescoço.

    O Sangrento cai no chão, mas some de imediato, mais uma vez. O detetive faz o mesmo que antes: Vira-se para um lado, e vê o inimigo vindo numa velocidade assombrosa. No entanto, para Redeater, é como se o mundo estivesse em câmera lenta, e Masgaratt estivesse vindo em uma velocidade bem suave.

    — Parece que eu acertei a Artéria certa. — Disse Redeater, apontando a arma para a direção do oponente. — Livro do Santificado Paladino Real... Capítulo vinte, terceiro parágrafo. A benção de São Charlew guia os honestos, então peço que guie minha arma.

    Uma capa vermelha de pelos dourados surge no seu ombro direito, e uma luz dourada surge de seu braço direito.

    Exori San Mas Con!

    Antes da magia sair, Redeater vira-se para trás, onde encontra o verdadeiro Masgaratt. Em segundos, o mesmo percebe que se lançou na direção de uma lança dourada e brilhante ao ponto de cegar alguém, uma magia que até então ele não sabia que existia. Em seguida, uma explosão dourada cobre a sala. Demora alguns segundos para que tudo pudesse ser visível de novo, embora Redeater esteja vendo tudo sem dificuldade.

    Masgaratt está do outro lado da sala, com um rombo imenso na sua barriga. O que parecia o verdadeiro desapareceu, e agora este está a beira da morte, derrotado e surpreso. O detetive aproxima-se dele com passos lentos, ainda com a mão esquerda prendendo a besta.

    O Sangrento repara que essa mesma mão está sangrando. Manter a criatura presa e lutar ao mesmo tempo estava realmente acabando com o mascarado, mas ele não deu um sinal sequer de que isso o atrapalhava.

    — Realmente, você e sua escória são imortais. Pois se você fosse um demônio, já teria virado pó.

    O Sangrento está desapontado, sem conseguir responder.

    — Por que está no chão agora, você se pergunta? — Indaga Redeater, olhando com desprezo para o oponente — Pois você é estúpido. Estúpido e previsível. Eu lutei contra você ao longo de dez anos, e fui entendendo devagar como você luta. Posso dizer que mesmo que você seja um dos Sangrentos mais poderosos do Credo, você é limitado e fútil. Só sabe balançar a porra dessa marreta pra lá e pra cá e ser rápido, mas pra ser um deles de verdade, isso não é o suficiente.

    Masgaratt ouve-o sem mover um músculo sequer. Sabe que aquilo é verdade.

    — Você, junto daquele demônio miserável, eram implacáveis. Agora, eu te derrotei com uma mão ocupada, sem liberar nem metade da minha capacidade de luta. Ridículo. E se quiser saber, eu não te darei o beneficio da morte. Monstros como você jogam o significado da sua vida no lixo por uma fé falsa e fabricada, agindo como uma ovelha para o pastor guiar. Deus? Credo? Seu verme. Quem aqui que está lutando por algo fútil, por acaso? É por isso que você não consegue mais lutar como eu. É uma pobre alma consumida pela própria fé. Não consigo nem sentir pena de você. Logo, não vejo porque te matar.
    — Eu tenho fé... Pois já fui humano... Um dia.
    — Mas não é mais.

    Redeater finalmente abaixa a mão esquerda. A criatura não leva nem um segundo para cruzar a sala de dois ambientes e vir na direção dos dois. A parede atrás de Masgaratt toma uma forma bizarra, parecendo uma boca com dentes humanos; Ela envolve e traz para dentro de si o Sangrento, sem que ele reagisse.

    Redeater pula para o alto e se pendura num lustre logo acima, na esperança que a besta preta e amarela vá direto para o seu inimigo e arraste-o para fora, mas ela para antes que isso aconteça.

    — Nos veremos de novo, detetive. Enquanto isso... — Disse Masgaratt, enquanto sua voz se torna cada vez mais inaudível conforme a boca se fecha — Questione a realidade com essa besta embaixo de você.
    — Com quem?

    Antes que conseguisse ouvir uma resposta, o membro do Credo desaparece assim que a boca se fecha, que some segundos depois. Quando isso acontece, Redeater sente uma tontura imensa, obrigando-o a soltar o lustre e cair no chão, desmaiando logo depois.

    Ao acordar, sente um peso imenso no corpo. Mal consegue mover seus membros, mas sabe que está na mesma sala de antes. No entanto, ela está escura, como se tivesse sido fechada, pois ainda está claro do lado de fora. Não sente nenhuma presença ali dentro senão a dele.

    Quando finalmente consegue se sentar, nota que a sala está organizada, como se nenhum móvel tivesse sido retirado do seu lugar. E que seu sobretudo está num sofá próximo dele, e está surpreendentemente seco.

    Depois de muito tentar, ele consegue se levantar e andar, além de conseguir vestir seu sobretudo e amenizar o frio daquela sala. Ele dirige-se até a porta para ir até onde ele acredita que Lando e Lana estejam, pois ele deve estar de volta a realidade verdadeira do manicômio. Mesmo que não tenha mexido com o Iludio.

    Redeater abre a porta de correr devagar. Mas ela abre-se mais rápido do que ele esperava. Isso porque alguém terminou de abrir para ele.

    Um homem com uma roupa de paciente pula nele, atirando-o no chão. O mesmo tenta socá-lo várias vezes, mas o detetive consegue aparar os golpes com os braços e tirá-lo de cima dele. Ele percebe pelos seus gritos e rosto desesperado que ele está louco e em choque. O detetive se esforça para se afastar dele se arrastando no chão, mas o paciente corre e tenta puxar suas pernas. Ele amaldiçoa-se por ter usado tanto poder antes, embora tenha dito o contrário para Masgaratt.

    Redeater encontra sua pistola e dá um tiro de aviso, que por pouco não acerta o paciente. O homem se assusta e corre para o fundo da sala, ainda gritando. Ele se levanta com pressa e vai para fora da sala, mancando.

    Ao sair, ouve um coro imenso de gritos por todo o manicômio. Onde ele está é visível ver alguns pacientes totalmente instáveis, seja correndo a esmo, batendo a própria cabeça contra a parede, sentados no chão ou arrastando-se por ele gritando sem motivo, ou socando outros pacientes. Mesmo que seja o quinto andar, ali está os piores, o que lhe é preocupante.

    Ele também repara que a tal sala dos corpos que encontrou antes é a mesma em que esteve há pouco, e não há mais uma porta com ferramentas de limpeza dentro.

    Confuso e irritado, Redeater faz seu caminho até o terceiro andar, evitando os outros pacientes. O manicômio inteiro está desse jeito: Há muitos pacientes loucos e descontrolados, e os funcionários, seja enfermeiros ou médicos, estão nocauteados. Os druidas que normalmente aparecem uma vez ou outra não estão ali. É como se estivesse numa realidade diferente.

    Quando finalmente alcança a sala no terceiro andar, após tanto se esgueirar, ele encontra apenas Lando sentado numa poltrona. O velho sorri em ver o rapaz vivo, e parece aliviado de alguma maneira.

    — Detetive! — Disse ele, levantando-se com dificuldade — Você realmente conseguiu!
    — É. Não precisa se levantar. Sente-se.

    Lando aceita e volta a se sentar na poltrona. Parece mais calmo com a presença de Redeater, mas o detetive não pode dizer o mesmo. E Lando é capaz de perceber isso.

    — Meu jovem. Eu sinceramente não sei o que você viu lá, nem o que enfrentou. Sinceramente, sinto-me culpado por ter deixá-lo enfrentar aqueles malditos sozinho.
    — Por algum acaso, você já viu o estado em que o manicômio está agora?
    — Não exatamente. Não é como se um prédio vazio tivesse muito a mostrar para um velho como eu.

    As peças finalmente se encaixam. Redeater balança a cabeça pra cima e pra baixo devagar, achando a situação deplorável e amaldiçoando seu próprio intelecto. Enquanto isso, Lando fita-o com curiosidade. Novamente, não entende direito o que o detetive quer dizer, mas julga isso como algo normal, por não ter a mesma mentalidade que aquele homem.

    Redeater aproxima-se da janela e retira a cortina de bambus finos, deixando mais do sol do fim de tarde entrar na sala.

    — Tem algo interessante sobre o sol, Lando. Se segue fielmente o panteão tibiano, deve saber que até o sol tem um nome. Fafnar.
    — Sim, uma deusa selvagem, filha de Fardos.
    — Pois é. E a lua se chama Suon. Embora o gênesis interprete que temos dois sóis, eles seguem uma regra totalmente diferente. Até mesmo contraditória. Digo isso porque Fafnar nem de longe é bondosa, mas sua luz forte e bela dá vida ao mundo, permite que a flora floresça e que a fauna prospere. Mesmo que exista os humanos para acabar com tudo, eles nem chegam perto da capacidade de destruição dos orcs, sequer dos... Demônios. — Disse o detetive, fazendo uma pausa curiosa antes de dizer a última palavra.

    Redeater apoia-se na parede e cruza os braços, encarando diretamente Lando, que continua curioso, mas interessado no que o detetive diz.

    — E Suon... Ele é o irmão bom, mas a noite, seu reinado, é maligno. Ela atira o mundo em escuridão e tudo que é de ruim utiliza esse horário para perambular por aí, fazendo suas maldades como bem entenderem. Olhe para a fauna, ela que fica relativamente tranquila de dia começa a se matar com mais violência a noite. Os espíritos, calmos de dia, vagam de noite com boas ou más intenções. Não poder ver o que irá aparecer no escuro torna a noite um momento vil.

    Lando está cada vez mais em dúvida.

    — Mas, deixando essas filosofias estúpidas de lado, o que eu quero dizer é que os dois sóis tem uma interpretação oculta. Existe um único momento onde ambos deuses chegam próximos de serem vistos por nós no mesmo dia. Digo sobre um momento chave onde o que está oculto, se revela. Não importa a magia que fora posta por cima.

    Finalmente Lando parece mostrar incômodo com o que Redeater diz. Este se afasta da janela e caminha devagar até o centro da sala, sem parar de falar.

    — Esse momento é o crepúsculo. Ele anuncia o fim. Mas também um novo começo. Ele combina tudo. O que está oculto, se revela. No entanto... Isso só irá acontecer se você tiver ciência do que está oculto.
    — Espere, detetive... Não estou te entendendo.
    — Mas eu entendo tudo muito melhor agora.

    Redeater estala os dedos. Num instante, a sala oscila entre três aparências: A primeira que ele viu quando encontrou ele e Lana, a segunda que ele viu quando usou o Iludio, levando-o ao Órgão, e a terceira, a que ele vê agora. Aquela onde o Iludio está no colo de Lando, que olha para o objeto, e então para o detetive, em choque.

    O detetive espalma a mão esquerda na direção de Lando, atirando o velho contra a parede e prendendo-o. Sua força psíquica surpreende o mesmo.

    — O que você está fazendo, detetive?!
    — O que eu deveria ter feito desde o começo. Que estúpido. Ao menos você me levou no que eu queria encontrar.

    Lando tenta se debater, mas não consegue. A força é grande demais.

    — Vamos lá. Nessa forma, você não vai conseguir reagir.
    — Por que você está fazendo isso? E comigo?
    — Veja bem, Lando. Eu não sou nenhum psíquico. Eu já usei esse feitiço antes. E ele continua em você.

    Lando finalmente percebe com terror a queimação no peito. Há um desenho tribal de fogo brilhando por trás de sua camisa puída. Ele consegue distinguir o brilho laranja, sinal do feitiço que Redeater usou antes para prender a criatura que estava com os Sangrentos. Ele fita o detetive com fúria e toma um processo de transformação, mesmo preso.

    Em segundos, sua pele escurece mais, sua roupa se rasga e seus braços e pernas são cobertos de listras amarelas. Seu peito também fica mais claro, com uma tonalidade amarela, mais tarde contrastando com a forma bestial que está tomando, lembrando alguma besta do inferno.

    O feitiço é quebrado por um instante e a criatura quadrupede salta na direção do detetive. Tudo que ele faz é se abaixar, sacar sua pistola em um segundo e atirar enquanto ela passa por cima dele. O disparo atinge a barriga da criatura, que tomba e vai parar na parede do outro lado.

    O detetive levanta, ajeita a postura e espalma sua mão esquerda mais uma vez, levantando a criatura e a pressionando contra a parede. Ela volta para a forma humana, com a mesma aparência do velho fazendeiro de pele escura. Em menos de um segundo, Redeater está na sua frente, colocando pesadamente sua mão esquerda em seu pescoço.

    — Finalmente te peguei, Zoralurk das Mil Faces.

    O velho esteve com os dentes cerrados como um animal até aquele momento, mas parece mais calmo agora. No mínimo, sente-se profundamente derrotado.

    — Que humilhação. O Triângulo desapareceu e agora você se arrasta por aí pregando maluquices a respeito de um deus que não é Zathroth, por algum motivo, e sai brincando com os outros, fazendo de cenas de crime o seu parque de diversões. O que eu deveria fazer com um traidor e um fanfarrão como você?
    — Fala como se fosse um demônio.
    — Não preciso ser um pra dar um jeito em traidores nojentos como você.
    — Vai pro inferno.
    — Eu já fui. Na verdade, não cheguei a ir, mas cheguei perto. E não gostei.
    — Você irá pro verdadeiro assim que o meu deus acabar com a sua raça. Sua jornada o levará diretamente para ele. Irei gostar de vê-lo morrer pelas mãos dele.
    — Pois é... Você é um demônio escorregadio que não morre. Ainda brinca comigo com esse lance de ilusões e personalidades. Queria fazer um enigma na minha cabeça, me iludir com aquela figura chamada de Lana, mas no fim, a solução era simples. O manicômio existe. E estamos nele agora. Nossa, isso me fez até questionar se eu sou mesmo um bom detetive, mas, bem, no fim... Eu solucionei tudo. Não tenho mais nada a tratar aqui, nem mesmo pra tratar contigo.

    Zoralurk ameaça um movimento brusco, mas o feitiço o repreende com mais força ainda, surpreendendo o demônio.

    — Que força é essa? Quem diabos é você?
    — Alguém. E esse alguém irá lhe dar uma recompensa por seus esforços em tentar me matar ou qualquer resultado parecido.

    Redeater afasta seu braço direito, preparando-se para um soco. Mas enquanto o faz, uma espécie de espirito laranja toma seu braço, estende-se pelo seu ombro e cobre parte de seu rosto. Este espirito possui outro braço, que sai a partir do ombro do detetive e retira sua máscara para ele.

    Zoralurk está chocado em saber quem esteve perseguindo ele por tanto tempo.

    — Não pode ser... Dartaul Aurecino?!
    — Não... Não. Dartaul está morto. — Disse Redeater, sorrindo. Seu olho esquerdo negro, com um losango laranja no centro, não deixam dúvida de quem ele serve. — Me chame de Redeater.

    O detetive soca-o.




    Próximo: Capítulo 4 – Êxodo

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    Salve, meu grilo! Começamos bem com as nossas referências pra HP, então o gato de Schroeder está vivo. Well done pela gama.

    Pelo capítulo em si: redeater em sua plena forma, combatendo um trio de lastimável cabeças ocas e sobrando ainda pra combater o viado-mor. Foi um bom início de capítulo.

    Diálogos e combates ligeiramente transitórios e voila, o Grand finalle. Uma encarnação de Dartaul ou Redeater é Darstaul primeiro e único?

    Fechaste bem o capítulo, meu caro. Tem que ter muito mais de onde esses vieram. Tamo junto, queridão!

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    Padrão Capítulo 4 - Êxodo

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Salve, meu grilo! Começamos bem com as nossas referências pra HP, então o gato de Schroeder está vivo. Well done pela gama.

    Pelo capítulo em si: redeater em sua plena forma, combatendo um trio de lastimável cabeças ocas e sobrando ainda pra combater o viado-mor. Foi um bom início de capítulo.

    Diálogos e combates ligeiramente transitórios e voila, o Grand finalle. Uma encarnação de Dartaul ou Redeater é Darstaul primeiro e único?

    Fechaste bem o capítulo, meu caro. Tem que ter muito mais de onde esses vieram. Tamo junto, queridão!

    Enviado do meu Samsung j7 usando TapaTalk
    Salve Neal, obrigado pelo comentário, mas manda uma tradução aí rapidão dessa primeira linha pls

    Redeater é forte assim e pode ser ainda mais, mas ainda estamos muito no começo para vermos tudo que ele é capaz. Mas como eu disse antes, isso aqui não vai virar nenhum Dragon Ball, não se preocupe.

    E sim, Redeater de fato é Dartaul. Ele é o novo protagonista. Ainda irei explicar aquela frase que ele mandou, desmentindo o que Zoralurk disse. Mas acredito que isso não será algo que eu poderei explicar normalmente, mas sim usando a própria história.

    Espero que goste desse capítulo!







    Vou aproveitar aqui pra mandar algo que me esqueci totalmente de mandar, devido a algumas circunstâncias. No mês passado o @Don Maximus Meridius desenhou o Nightcrawler:





    Eu assumo que não é exatamente como eu imagino o personagem, mas ficou excelente do mesmo jeito, e mais próximo da realidade, então eu gostei bastante. Don é um puta desenhista, faz trabalhos pro mundo todo e está crescendo mais a cada ano. Vocês podem olhar mais desenhos dele por aqui.



    No mais, vamos ao novo próximo.





    No capítulo anterior:
    Redeater derrota Masgaratt e seu parceiro, Alutai, num combate estratégico e rápido. Ao voltar no manicômio, percebe que ele está cheio de pacientes loucos, diferente de quando encontrou Lando. Em pouco tempo, ele entende o que está acontecendo e percebe que o manicômio, Lana, e tudo que Lando contou era mentira, e que ele na verdade é Zoralurk, do Triângulo do Terror. Ao mesmo tempo que as revelações, Redeater se revela como Dartaul Aurecino.






    Capítulo 4 – Êxodo



    Há vários anos atrás, aquele mesmo detetive entrava naquele mesmo quarteirão, vendo aquele mesmo horizonte. Ele sentia muitas coisas naquele dia, principalmente porque ele nunca tinha vindo para Yalahar antes. Lembra-se que não era ninguém, que praticamente nenhuma alma viva lembrava seu nome, nem de onde veio. Tudo estava começando para ele.

    Agora, ele voltou para este mesmo quarteirão, para ver o mesmo horizonte belo contrastando belamente com o pôr-do-sol. Ele não sente nada, ele já veio várias vezes para Yalahar, está morto para o mundo todo e todo o mundo o conhece e sabe de onde ele vem, e ele ainda não sabe quando tudo terminará.

    Redeater respira fundo. Está disfarçado como um coronel para poder entrar naquele quarteirão, mas não há muitas pessoas andando por ali. Os militares começaram a mover suas bases para Mistrock e Fenrock, trabalhando em união com alguns anões e ciclopes, e o Quarteirão 04 começa a se tornar apenas uma peça memorial de um passado conturbado de constantes lutas contra o povo lagarto.

    O detetive desce apressadamente as escadas para o térreo, e ao chegar, segue com a mesma pressa pelo morro logo a frente, subindo suas escadas lapidadas. Comparado aos inúmeros lugares luxuosos feitos de materiais da mais alta qualidade, com as cores amarelas e brancas, aquela parte da ilha era bem menos sofisticada, onde a natureza constantemente faz mais entradas e enche de verde numerosos lugares próximos do morro ou das várias cabanas e casas altas do lugar.

    Ao terminar de subir, a visão que tem é um pouco triste.

    As Torres Orientais*, o trio de faróis que ajudam na navegação para Yalahar, são uma atração da cidade devido a bela vista do topo destes, mas esse lugar parou de ser visitado há anos. Não há mais barracas por toda a extensão até a atração, tampouco pessoas. Está fechado e vigiado constantemente.

    Ainda assim, algumas pessoas ainda podem subir o morro e admirar os faróis de longe. Que é o caso de um senhor sentado num dos bancos de madeira, virados para o corredor que segue até as construções. Este senhor é moreno, usa um chapéu de aba larga e um largo casaco, ambos de cor bege, e uma camisa de botões branca. Seu cabelo castanho-escuro levemente grisalho indica que ele pode estar na casa dos sessenta.

    Redeater para ao seu lado, também parando para olhar os faróis.

    — É uma visão nostálgica — Disse o velho, sem tirar os olhos dos edifícios — Esse lugar era tão borbulhento de gente... Ser um comerciante bem sucedido aqui era difícil, mesmo que o quarteirão seja imenso. Acontece que os militares não precisavam de muito pra viver e acabávamos depositando nossa confiança nos muitos turistas que visitavam o lugar.
    — E pensar que um bando de gente maluca viaja em navios por dias apenas para visitar um lugar, em meio a um mundo onde guerras podem acontecer a qualquer minuto. — Responde Redeater, com as mãos nos bolsos do sobretudo negro.
    — Eu também pensava assim, meu jovem. — Disse, com uma voz ainda mais melancólica do que antes — Mas Tibia é um mundo mágico onde tudo pode acontecer. Antes que percamos nossas vidas para alguma criatura esquisita que surja no meio da nossa estrada, temos que aproveitar a curta passagem que temos para visitar todos os lugares possíveis, e ver todo tipo de coisa. E eu acredito que muitos jovens pensem dessa maneira, pois o número de aventureiros só tem crescido.
    — Ah, é mesmo?
    — Sim! É terrível se prender a arrependimentos do passado ou apenas a uma coisa na sua vida. É desperdiçar a chance que os deuses lhe dão de poder experimentar o que eles criaram apenas para nós, sem ter motivo ou razão para tal. Uman e Fardos lutaram tanto por nós que chega a ser uma piada ver como o mundo está hoje em dia. Mas eles nunca pediram nada em troca para que pudéssemos viver. Eles só esperam que nós não desperdicemos tudo por amargura e tristeza.

    Redeater fita o horizonte. Não falta mais do que uma hora para o sol se por.

    — Por que será que você me lembra alguém que eu conheci no passado?
    — Vai saber. Eu ao menos não reconheço sua voz.

    Finalmente o detetive percebe que o homem é cego. Seu olho direito é branco, com uma cicatriz peculiar, mas pouco visível. O outro olho também é bem claro, o que sugere que sua visão é quase ineficiente.

    O velho levanta-se do banco com alguma dificuldade e despede-se balançando o braço direito, dirigindo-se para as escadas. Redeater também toma seu rumo para uma das torres, sem dizer mais nada.


    Redeater tomou o mesmo caminho que tomou dezenove anos atrás para chegar na torre, entrar e utilizar o elevador para o último andar. O feitiço de Redeater é complexo o suficiente para não só fazer com que ele seja reconhecido como outra pessoa, mas também permite que ele ultrapasse outros tipos de feitiços e selos, como os que foram colocados sobre as torres, evitando que qualquer pessoa tenha acesso a torre – uma vez que ela foi selada há muito tempo pelo seu antigo dono. O detetive passou alguns longos anos tentando descobrir como quebrar esse selo, mas quando finalmente o fez, nem reparou que teve sucesso.

    O mascarado se livra de seus devaneios só quando nota que está na sala de documentos do último andar, uma área coberta de estantes de placas de alumínio, com inúmeros parafusos expostos, lembrando o visual das fábricas de Yalahar e regiões industriais, o que sugere que a torre foi construída no mesmo período dessas fábricas, mas não ao mesmo tempo que a cidade.

    O detetive, um pouco distraído, também nostálgico, checa diversas estantes. Há muitas pastas sobre inúmeros assuntos. Há seções apenas para Yalahar com assuntos relacionados aos cultos que se assentaram no subterrâneo do norte da ilha, teorias e pesquisas a respeito do desastre que acabou com o Quarteirão de Alquimia, tornando-o inabitável pelos próximos anos ou séculos, o que motivou a rebelião dos gladiadores e o que enfureceu os animais no oeste, e até mesmo entrevistas com os ex-lideres de dois quarteirões semelhantes: O de Comércio e o dos Estrangeiros, que foram os primeiros a serem libertados pelo renascido exército de Yalahar.

    Além dos assuntos de Yalahar, há muitos relacionados a assuntos diversos do mundo. Focados nos assuntos internos de Thais, de Carlin, pesquisas de Edron, maiores comerciantes e melhores contatos em Venore, e os cultos espirituais ou demoníacos de Svargrond. São tantos assuntos que Redeater facilmente ficaria dias naquela biblioteca, ou semanas para ler tudo.

    É o feito máximo de Nightcrawler, pensa o detetive, um pouco melancólico.

    Após uma hora procurando, Redeater chega numa seção relacionada a Oramond. Encontra uma pasta larga e verde, com informações sobre um alvo em especifico, e decide olhar. A contracapa exibe um nome curioso.

    Demermona Van Mena.

    Van Mena.

    Redeater começa a ficar ligeiramente confuso. Embora já tenha revirado o mundo pesquisando sobre inúmeras coisas ocultas apenas para encontrar algo que o levasse até o Credo de Sangue, as menções a esse nome de família só começaram a aparecer agora para ele. Ele começa a olhar melhor o documento, mas as informações são escassas. Indica apenas sobre uma mulher que precisa ser investigada, e que tem mudado as coisas naquele continente. Enquanto lê, percebe algo importante.

    Enquanto Nightcrawler era vivo, ninguém sabia sobre a existência de Oramond.

    O detetive decide olhar a última página, por curiosidade e instinto. Como o documento possui poucas páginas e está incompleto, talvez haja alguma nota importante do autor ali.

    No crepúsculo.

    São quase sete horas da noite e o sol irá se por em breve. É a hora que essa única linha sinaliza.

    Seu olho direito toma a forma maldita. Coloração negra, losango laranja ao centro, uma pequena pupila negra no meio. Ele olha para o documento usando este olho, mas não acha nada. Olha para a estante de onde o tirou, e para a sua surpresa, nota um compartimento secreto escondido por trás dessa pasta, e também por um feitiço especifico. Dentro do compartimento, acha um fichário negro e retira-o com dificuldade.

    Ele o abre, mas encontra poucas folhas também. Decide folhear e tentar achar qualquer coisa, até que acha os símbolos que conseguiu ler no manicômio. A tradução salta na sua cabeça com facilidade.

    Sei que você está lendo isso Dartaul, e espero que você esteja mesmo. Não conheço outra pessoa viva com os mesmos olhos que os seus.

    Estou fazendo o que pediu enquanto você esteve investigando. Minhas operações tem falhado e pessoas tem morrido para que eu consiga fugir vivo. É com isso que você convive diariamente? Não fazia ideia da pressão. Parece que eu te entendo melhor agora, bem como aquele desgraçado de máscara.

    Minhas operações tem falhado, como eu disse. Há mais um inimigo além dos vermelhos. Alguém tem tentado me impedir de conseguir informações valiosas principalmente a respeito do alvo que você leu a pouco, que também chamou a atenção do autor no passado, e eu completei com algumas informações adicionais. Essa família, os Van Mena, eu não sei quem são. Mas você vai encontrar coisas a respeito deles em Oramond, embora eles sejam naturais de Thais, ou se preferir, do sul do continente central.

    Eu descobri ao menos que essa tal Demermona já morreu há anos. Mas a família dela não. Talvez sejam os responsáveis por quase me matarem, mais de uma vez.

    Vá pra Oramond. Leve isso aqui contigo. E não ouse ir sozinho, ou irão te matar e tudo será em vão.


    Redeater reconhece Alayen através do documento. Imaginava que ele estava lidando com muitas dificuldades, mas não imaginava que fosse algo tão grave. E essa família é realmente um empecilho, algo que o detetive precisará lidar futuramente.

    O detetive começa a folhear as últimas páginas. Há informações sobre membros do Credo, conhecidos como aqueles que ele elegeu como os possíveis líderes. Entre eles está Masgaratt, alguém com quatro orelhas de coelho e dentes imensos, outro com um chapéu com uma pena larga lembrando mais uma espinha dorsal cheia de penas, que não contrastam com sua armadura escamosa, um encapuzado com uma máscara de coruja que não parece como os outros, e um último com vários olhos pelo corpo e duas cabeças.

    Alayen colocou dois símbolos peculiares sobre a ficha do das orelhas de coelho e o do chapéu. O símbolo em hanrajiinês** confirma que eles não são os líderes como Redeater imaginava.

    Há um símbolo no mesmo idioma sobre o que está de capuz. Alayen escreveu algumas coisas abaixo deste.

    Anomalia. Chamado de demônio mesmo entre os Sangrentos. Eu tentei investigar a respeito dele e quase fui morto no processo. Evite-o.

    Eu também descobri algo importantíssimo a respeito dele. Sei que já o enfrentou no passado, mas sei o que o motivava a lutar com tanto vigor contra ele. Esse demônio...


    A torre sacode. As luzes da sala se apagam. Redeater ficou ali por tempo demais.

    Ele pega o fichário, fecha o compartimento e o esconde com a pasta sobre Demermona, mas levando as páginas dentro, e fecha a estante, como as outras, com uma portinhola de deslizar. Em seguida, ele corre para a sala das plataformas, cujo acesso está no fundo da sala onde ele está presente. Uma vez lá, repara que algumas das luzes que sempre estão ligadas ali estão desligadas, principalmente as que indicam as celas especiais da torre, que traz algumas lembranças em cima da hora para o detetive. Tudo está no escuro, sendo iluminado por uma luz que passa por um buraco redondo na divisão entre o andar térreo e o que ele se encontra.

    O detetive tem certeza de ter ouvido uma voz na sua cabeça por um breve instante, mas a ignora. Ele sobe os andares com pressa. A torre sacode mais uma vez enquanto isso. Ele sobe um andar, mas a torre sacode outra vez. Ele sobe dois, está próximo da saída.

    Uma das janelas seladas com aço no andar de baixo explode, lançando torrentes de água adentro. Outra janela se rompe, e mais outra.

    Antes que chegasse ao andar certo para ir até a porta de saída, várias placas estouram no andar das celas, lançando muito mais água do que antes. Ele sai do andar das plataformas e entra no principal com os armários, indo para a porta de entrada. Ao abri-la, ele vê uma visão que nenhum outro ser vivo gostaria de ver em sua vida.

    Um maremoto, com metade da altura das torres, aproxima-se do Quarteirão 04.

    Se o detetive decidir correr até as escadarias para acessar a cidade interna, ele será pego no meio do caminho. Morrer ali está fora de questão.

    Redeater entra de novo na torre e corre pelas escadas até o andar mais alto. Durante o caminho, o agito da água na base da torre continua a fazendo tremer. O detetive quase cai das escadas estreitas mais vezes do que ele poderia contar no momento. Ele ouve nitidamente a água do lado de fora. A onda está muito próxima, mas ele também está próximo do topo da torre.

    Dois andares antes do seu destino, a onda finalmente chega ao Quarteirão e acerta as torres em cheio. Um pouco mais da metade dessas torres é submergida pela água, enquanto a água invade as janelas da torre onde ele está presente, quase o acertando. Muita água está entrando sem parar. A água está alcançando as escadas. Está próxima dos seus pés. Embora apenas metade da torre tenha sido submergida, a água ainda está enchendo-a furiosamente, culpa dos poucos espaços para ela escoar.

    Redeater chega ao último andar e chuta a porta que lhe dá acesso ao topo. O terraço é protegido por um telhado em formato de cone. Há uma mureta para ele se apoiar e ver com exatidão o que está acontecendo.

    Está chovendo, mas o pôr-do-sol ainda está lá. Enquanto isso, todo o quarteirão é inundado por uma quantidade surreal de água, e muitas pessoas lutam para subir pelas escadas que os levarão a cidade interna. Algumas ainda observam, surpresas, a água cobrindo todo o antigo quarteirão militar. Outras fitam o horizonte com rostos chocados.

    Você está próximo. Ouve Redeater, em sua cabeça. Ele reconhece a voz, igual a do sonho em que teve no manicômio.

    O detetive olha para o outro lado, e deixa seu fichário cair no chão.

    Há quatro membros do Credo de Sangue flutuando vários metros acima da água, um pouco acima da altura onde o detetive está no momento. Eles são exatamente como os da ficha, e aqueles que estão com o símbolo que não os reconhece como líderes não estão ali. Ao invés disso, há outros dois desconhecidos, sendo um deles inteiramente vermelho, sem mãos ou pés, mas com sangue escorrendo deles ao invés disso. O outro usa uma armadura imensa e completa. O de duas cabeças está ali, bem como o encapuzado, que está todo de branco. Todos girando suas próprias armas, comandando a água.

    Redeater acaba de entender o que aconteceu.

    Ele senta-se na mureta e traz pra perto de si o fichário. Tem estado mais fraco após sair do manicômio, e sua própria fé em seu objetivo tem tornado ele o contrário do que ele costumava ser um dia. Está cansado, nem mesmo chegou a dormir na noite passada, e o estresse está consumindo-o por completo.

    Isso porque ele percebeu que não sabe como sair daquelas torres. O monte que dá acesso as torres está completamente coberto de água. É quase um quilômetro ou mais para se nadar até alcançar as escadarias.

    Resignado, Redeater aceita sua derrota e adormece.






    Próximo: Capítulo 5 – Incursão





    Notas:

    *: Há três torres no leste do Sunken Quarter em Yalahar, e parte delas está submergida. São as torres que dão acesso as Quaras, mas elas não tem esse nome, sendo uma criação minha.
    **: Pra quem não leu Bloodtrip, hanrajiinês é como eu me refiro ao japonês aqui na história. Ele é semelhante a linguagem dos Altos Lagartos de Zao e Razachai, e trata-se do idioma dos lagartos de Chor e dos rebeldes de North Zao. A palavra é formada pelas palavras “hanran” e “jiin” que significam, respectivamente, rebeldes e templos em japonês. Também criação minha.
    Última edição por CarlosLendario; 20-06-2018 às 18:18.



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    O gato de Schrodinger, po. Manquei. Tu sabe que eu tava já sob o efeito do remédio pra dormir no último comentário, tanto que saiu um vacilo ali sem querer, mas corrigido em tempo. Deus é mais. Há um gato dentro de um determinado espaço, e, até que o gato saia, não se tem certeza sobre se o gato está vivo ou não. No nosso caso, o gato está vivo. Mesmo que eu perceba a vontade dele de morrer de vez em quando. Não preciso tecer maiores considerações.

    Gostei do capítulo, curto, dinâmico e floral. Estamos ingressando no horrível, péssimo e indesejado mundo de Oramond, pouco a pouco. Redeater tem se consolidado, é um bom personagem. Não esperava muito dele no início, afinal, temos um precursor poderoso, que é Nightcrawler, mas os instintos do novo detetive são bons como os do seu antecessor. Ponto pra ele.

    Com relação ao final do capítulo, interessante também. A nova "seita", por assim dizer, se me permite dizer, tem sido tão misteriosa quanto a que a antecedeu. Claro, embora ainda não mencionado com todas as letras, existe a (grande) chance de que Redeater seja Dartaul, então, é uma forma de manter Bloodtrip em aberto e dar vida a Bloodoath na mesma medida.

    Keep going, irmão. É ruim, não há público, nem aqui, nem nas demais, e quem costumava estar aqui pura e simplesmente abandonou a seção, então, estou me esforçando pra não ser mais um. Espero poder acompanhar o prosseguimento de Bloodoath ainda assim.

    Nota: li o capítulo no avião, de fato. Só não consegui postar antes, por razões já consabidas.

    Um abraço!
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    Padrão Capítulo 5 - Incursão

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    O gato de Schrodinger, po. Manquei. Tu sabe que eu tava já sob o efeito do remédio pra dormir no último comentário, tanto que saiu um vacilo ali sem querer, mas corrigido em tempo. Deus é mais. Há um gato dentro de um determinado espaço, e, até que o gato saia, não se tem certeza sobre se o gato está vivo ou não. No nosso caso, o gato está vivo. Mesmo que eu perceba a vontade dele de morrer de vez em quando. Não preciso tecer maiores considerações.

    Gostei do capítulo, curto, dinâmico e floral. Estamos ingressando no horrível, péssimo e indesejado mundo de Oramond, pouco a pouco. Redeater tem se consolidado, é um bom personagem. Não esperava muito dele no início, afinal, temos um precursor poderoso, que é Nightcrawler, mas os instintos do novo detetive são bons como os do seu antecessor. Ponto pra ele.

    Com relação ao final do capítulo, interessante também. A nova "seita", por assim dizer, se me permite dizer, tem sido tão misteriosa quanto a que a antecedeu. Claro, embora ainda não mencionado com todas as letras, existe a (grande) chance de que Redeater seja Dartaul, então, é uma forma de manter Bloodtrip em aberto e dar vida a Bloodoath na mesma medida.

    Keep going, irmão. É ruim, não há público, nem aqui, nem nas demais, e quem costumava estar aqui pura e simplesmente abandonou a seção, então, estou me esforçando pra não ser mais um. Espero poder acompanhar o prosseguimento de Bloodoath ainda assim.

    Nota: li o capítulo no avião, de fato. Só não consegui postar antes, por razões já consabidas.

    Um abraço!
    Salve Neal. Quero que Redeater seja tão memorável quanto Nightcrawler, mas não espero que o supere. Na verdade, o personagem que desejo que supere nosso amado detetive fará sua aparição nesse capítulo, então, espero que goste deste.

    Embora as pessoas que eu conhecia que frequentavam a seção tenham dito que teriam mais tempo por volta desse mês, elas decidiram não aparecer. Não posso deixar de ficar decepcionado, mas não estou surpreso. O desapego e desinteresse à seção são naturais, vem com o tempo. Eu mesmo já estou sentindo isso e, como disse, não tardará até que eu dê um tempo. Por outro lado, será bom, posso voltar melhor do que antes escrevendo.

    Obrigado pela presença constante Neal, você é realmente um bom amigo.











    Esse capítulo servirá como o começo da introdução de novos personagens. Espero que gostem deles tanto quanto eu estou gostando de trabalhar neles.




    No capítulo anterior:
    Redeater vai a Yalahar para encontrar mais informações valiosas sobre o Credo, que Nightcrawler pode ter deixado no passado. Mas ele não contava com a emboscada dos seus inimigos, que o prendem no Arsenal de Ratos ao lançarem um maremoto sobre o Quarteirão 04, colocando-o debaixo d'água.





    Capítulo 5 – Incursão




    Redeater acorda soado. Seus pesadelos com qual ele lida diariamente foram mais violentos naquela noite. Ele agarra-se a qualquer coisa por perto para sentir que voltou a realidade, mas tem dificuldade.

    Isso porque ele não está mais no mesmo lugar onde dormiu.

    Ele senta-se imediatamente, mas quase desmaia no processo. Seu corpo ainda está lutando pra se acostumar de novo e ele colocou pressão demais na cabeça. Ele põe uma das mãos no rosto, e com horror, repara a ausência da própria máscara.

    Irritado, ele começa a olhar para os lados. Está numa sala larga numa caverna, que está muito bem iluminada. As paredes de pedra possuem archotes com pequenas lâmpadas com luz mágica. Há uma mesa de madeira à sua esquerda, cheia de papiros com inscrições diferentes, um criado-mudo ao lado da cama com uma vela apagada em cima, e outras duas camas do outro lado da sala, com um quarto pequeno fechado do lado esquerdo delas. Há outra sala à direita, sem porta.

    Ele olha para a direita. Encontra outro criado-mudo com um copo de água sobre ele, e próximo da cama, uma garota curiosa. Albina, ela usa uma capa branca que envolve seu pescoço e metade do seu torso, e a parte de trás direciona-se até sua cintura. Ela tem uma blusa cinza por baixo e veste uma saia longa e bordada, coberta de desenhos relacionados a espíritos. Tem um capuz que cobre só parte da cabeça, como se ela tivesse esquecido que ele está caindo.

    Redeater não parece convencido com sua aparência e considera-a um inimigo imediato, pois seu chapéu, sua máscara e o fichário não estão ali, e ele está mais fraco, além de ser impossível um resgate aonde ele estava. Seu braço direito é envolvido pelo espirito alaranjado de antes, e ele tenta um golpe contra a garota, que se assusta.

    PARE AGORA OU VAI MORRER! Grita uma voz poderosa na sua cabeça. Ele a reconhece, mas não é a mesma que ouviu nos últimos dias.

    Seu poder enfraquece e ele quase cai da cama. Ele se apoia sobre o braço direito e respira rápido e pesadamente, sentindo náuseas e dor de cabeça.

    Ele levanta a cabeça de novo, e vê a moça entregando seu chapéu negro e sua máscara vermelha. Ia tomá-los de sua mão quando percebe que seus pés estão presos numa corda. Não sente dificuldade em destroçá-la, tampouco de levantar e munir-se de seus pertences, ainda assustando a garota, que pode ter vinte anos ou um pouco mais. Ele também calça seus sapatos, que estavam ao lado da cama.

    — É realmente um homem impressionante!

    Embora esteja com seu casaco, ele está desarmado e sem suas munições ou soqueira. Notando a voz, julga estar em perigo e não hesita em se preparar para lutar.

    Ao virar-se para trás, vê uma mulher bem mais velha do que a garota. Seu cabelo castanho-escuro está preso num grande e curioso rabo de cavalo onde metade do cabelo está destacado e espetado. Ela veste um casaco verde e bem aberto, que ultrapassa os seus joelhos e vai próximo ao tornozelo. Por trás deste, há apenas um shorts feminino marrom que acaba indo até além dos joelhos, e uma camisa sem mangas preta. Tem uma bolsa bege com uma alça larga na sua cintura, uma bandana vermelha no pescoço e usa sandálias. Parece abraçar um estilo jovem que não bate com seus quarenta anos, mas a torna bem única.

    — Ora, não me olhe com esses olhos. Sinto muito se te despi do seu... Disfarce? É, algo do tipo, e também do seu armamento. Mas, em compensação, minha dedicada aluna Zidaya esteve lhe vigiando por todo esse tempo. Bom, não é como se tivéssemos muito que fazer nesse buraco.
    — Esqueceu da corda nos meus pés. — Responde Redeater, ríspido.
    — Isso foi a Zidaya. Ela é uma conjuradora! E das boas, tanto que você nem vê sequer uma pronúncia de uma magia, ou os selos de um feitiço em suas mãos. Basta ela pensar e puff! E se ela fez isso, significa que você a intimidou. O que você fez, hein?
    — Mais importante do que isso — Disse Redeater, saindo de perto de Zidaya e indo ao lado da ponta da cama onde esteve deitado, ficando entre as duas mulheres — Identifique-se.
    — Ei, ei! Não me ameace! Está em meus domínios e eu te dei uma cama quente sem nem mesmo pedir algo em troca!

    Um dos olhos de Redeater está negro e laranja novamente. A mulher repara isso a distância e parece ficar nervosa.

    — Você é impressionante, mas muito impaciente. Vamos lá. Meu nome é Ankari! — Disse ela, animada, colocando uma mão sobre o peito e balançando sua camisa folgada ao fazê-lo — Sou uma druida, e os psicólogos dizem que sou totalmente saudável! Me envolver com a natureza e ingerir alguns cogumelos de vez em quando não me fizeram mal.
    — Não te pedi esses detalhes.
    — E aquela é Zidaya, minha aluna! Ela é tímida e quieta, mesmo que a obrigue, ela não vai falar a menos que ache necessário.
    — Certo. Agora, como me salvaram?
    — Estávamos em Yalahar também, mas ficamos assustadas quando ouvimos um baque imenso contra a muralha ao leste. Ouvimos isso lá do centro da cidade, homem! Corremos pra lá e vimos o Quarteirão 04, agora chamado de Quarteirão Afundado, completamente coberto de água. Eu não queria, mas Zidaya me pediu para tentarmos encontrar algum sobrevivente que estivesse em meio a água quando esta cessou um pouco sua velocidade, ou nas torres, o ponto mais distante. Ela que me levou até a torre, e lá resgatamos você. Mas se quiser saber, você é o único que encontramos vivo no quarteirão inteiro.
    — E esse aqui seria seu esconderijo?
    — Isso é algo a parte, meu caro amigo que não sei o nome. Ah é! Eu não sei o seu nome. Qual o seu nome, rapaz sem nome?
    — Eu espero que você não diga “nome” mais uma vez.
    — Mas eu preciso saber o seu nome!

    Redeater põe uma das mãos no rosto.

    — Me chame apenas de Redeater.
    — Mas isso é um codinome!
    — Eu não tenho um nome. E esqueçam que viram meu rosto. Não vou falar de novo.
    — Ai... Tá certo! Detetives nem sempre são pessoas fáceis de se lidar, principalmente os independentes... — Disse Ankari, cruzando os braços. Finalmente tornou-se perceptível o quão alto o número de busto de Ankari é, mas o detetive não deu importância pra isso.

    Como um fantasma, Zidaya aparece do lado de Redeater, numa distância segura, e entrega para ele uma sacola vermelha, ao lado da sua inseparável pistola e da sua soqueira de ouro. Redeater toma tudo de sua mão com pouca gentileza, sem agradecer. Ele retira as munições da sacola e as organiza nos bolsos certos, enquanto a garota albina se afasta e vai pra perto de Ankari.

    — Quanto tempo fiquei apagado? — Pergunta Redeater, enquanto recoloca suas munições em seus respectivos lugares.
    — Duas semanas.

    Nem em sonhos Redeater pensaria que uma noite sem sono seria tão cruel com ele.

    — Na verdade, você acordaria em dois dias no máximo, mas eu induzi um tempo maior, pois seu corpo estava perigosamente fraco e perdendo as funções principais. Em suma, você estava morrendo. Um tipo de maldição foi lançado em você, e eu tomei uma semana para retirá-la por completo e deixar seu corpo limpo. Se eu não tivesse olhado, você morreria alguns dias após ter acordado de falha múltipla de órgãos ou de morte cerebral. Divertido, não é? Eu adoro a medicina. Tem muitos nomes longos e bonitos, mas terríveis de se ouvir.
    — Nossa. Bem divertido mesmo.
    — É por isso que eu quero lhe pedir um favor.

    Ele percebe o quão esperta a druida é. Se ele estiver correto e recusar seu pedido, algo vai acontecer com seu corpo em poucos minutos.

    — Diga.
    — Sei que não quer ajudar um estranho, pois tu deve ter tuas razões, afinal, te encontrei no topo das torres proibidas. Mas não tem pra onde correr, camarada. Estamos presos nessa caverna, e para sair dela, precisaremos do que eu acredito ser o seu poder.
    — Explique melhor.
    — Zidaya move-se de dimensão em dimensão usando o mundo astral. Ela pode pular de um quilômetro a outro num equivalente a um passo com quem estiver perto dela. Mas algo deu errado no resgate, pois viemos parar aqui nesse beco sem saída. Enquanto estive cuidando de você, ela estava estudando o lugar, e percebeu que o lugar em que estamos agora é uma contradimensão.
    — E o que seria isso? — Questiona Redeater, guardando mentalmente o fato de Zidaya ter uma habilidade familiar.
    — Bem, detetive, estamos num vazio que não deveria existir entre uma dimensão e outra. É como se fossemos o recheio de um sanduiche, mas ao mesmo tempo, é como se tivessem botado um sanduiche em cima do outro e botado um recheio no meio desses dois sanduiches.

    Redeater se frustra com a explicação mais do que deveria.

    — Não precisa explicar mais. Só diz como saímos.
    — Dimensão confusa assim só pode ser criada por algo que não é desse mundo, logicamente. E nós vimos essas criaturas. São criaturas estrangeiras poderosas que não temos chance numa luta direta. Não entendemos totalmente o que são essas criaturas, quem dirá o mundo em que vivem.
    — E o que te faz pensar que eu consigo vencê-las?
    — A coisa que fez a retirada da maldição tomar mais do que um dia, que está dentro da sua alma.

    Ankari refere-se a Varmuda. Finalmente o detetive entende.

    — Certo, e Zidaya não pode nos tirar daqui usando o poder de novo?
    — Enquanto formos um recheio que não deveria existir, não encontraremos uma saída pelo plano astral.
    — Porra. Excelente.

    Redeater começa a andar um pouco pela sala. Tanto Ankari quanto Zidaya ainda estão um pouco incomodadas com a presença pesada que o mascarado tem, então elas continuam afastadas, disfarçando o nervoso. O detetive entra na outra sala. Não encontra nada nela senão inúmeros símbolos representando selos de segurança e afastamento, todos ao redor da entrada para outra sala, que vai para o lado esquerdo. Ankari surge logo atrás dele, admirando o trabalho de ambas.

    — Eu poderia dizer que isso tudo foi trabalho meu, mas, ah, não dá. Zidaya ficaria nervosa comigo por dias. Mas, sim, o que está ali do outro lado é o acesso para a dimensão dessas criaturas. Se não estiver se sentindo bem, não tem problema, até porque temos muito a conversar.
    — Estou bem. Logo volto e sua pupila nos tira daqui.
    — Não, sério, preciso conversar contigo. Olha, estamos precisando de uma ajuda realmente grande, pois tem gente nos perseguindo. Eu acredito que o que aconteceu em Yalahar seja relacionado a isso.
    — Bobagem. E quando eu sair daqui, cada um seguirá seu caminho. E fim de conversa.
    — Não, não, você não tá entendendo, cacete! — Disse Ankari, começando a alterar sua voz. Ela toca o ombro de Redeater, buscando chamar a atenção dele — Escute, realmente tem algo atrás de nós duas e não sabemos a quem recorrer. Qual é, detetive! Você me deve uma!
    — Obrigado por cuidar de mim, mas já estou fazendo um favor pra você, que é matar os monstros que você mencionou. Eu acredito que se eu matar os donos dessa dimensão, ela se ligará a que pertence a Tibia e conseguiremos voltar, não é?
    — Sim, mas isso não é bem um favor, né? Está tentando salvar sua pele também!
    — Se eu quisesse, eu encontraria a dimensão certa e sairia por conta própria. Então, é um favor. Se me der licença, estou indo.

    Redeater anda a passos calmos, mas rápidos até o outro lado da sala. Ao chegar no espaço onde muitos dos selos se reúnem, encontra, indo para a sua frente, e na direita da sala, uma escadaria de pedras, e um portal que lembra mais um grande espelho coberto de névoa. Ignorando Ankari e o leve cansaço do seu corpo, ele decide ir.

    — O nome Zidaya Nubila não lhe é familiar?

    Redeater para. Seus olhos estão arregalados, seu corpo paralisado. Há anos ele não escuta aquele nome, “Nubila”. E muito menos o primeiro nome.

    — Eu percebi que você poderia conhecê-la, pois a mãe dela também já lutou contra as coisas que estavam inundando aquele distrito de Yalahar. Eu sei quem são. E são eles quem estão atrás de nós. E você está lutando contra elas, não é?

    O detetive fita-a, sem dizer nada.

    — E nós estamos atrás da prima dela para nos ajudar a nos livrar dessas criaturas há mais de dois anos. Não restou mais família para aquela menina. Precisamos encontrá-la. Ajude-me, Redeater.

    O mascarado continua a encarando por pouco mais de um minuto, sem saber o que responder. Ajudá-la parecia fora de questão até o momento em que ela menciona alguém que ele também vem buscando há anos, mas perdeu seu rastro, pois alguém esteve ajudando ela a não ser encontrada por ninguém por ser extremamente valiosa.

    A filha de Zoe Nubila.

    Redeater engole em seco. Ele vira-se para o portal e continua sua marcha para ele, sem responder a druida. Ela toma um semblante frustrado.

    — Zoe não pode ter confiado num cara desses. Não pode, não tem como. — Murmura pra si mesma, enquanto anda em círculos pela sala. Ela permanece resmungando por algum tempo, não conseguindo manter o próprio incomodo com o detetive.

    Zidaya está do outro lado, encostada na parede, escutando, um pouco irritada, mas também triste. No entanto, sua expressão é difícil de ser lida.

    Após algum tempo, Ankari aparece na sala do outro lado, visivelmente irritada. Ela cruza os braços enquanto encara uma Zidaya em dúvida.

    — Vamos, garota. Prepare tudo para entrarmos naquele portal em 10 minutos.








    Próximo: Capítulo 6 – Resolução








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  6. #26
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    Irmão, boa noite.

    A lore do capítulo tá bem interessante, como sempre, mas de cara identifiquei algumas falhas ortográficas que você não cometeria nos seus melhores dias. Você sabe muito bem sobre o que eu estou falando; talvez esse prometido e anteriormente pretenso hiato possa te fazer bem, afinal. Aponto dois exemplos já na primeira linha:

    Citação Postado originalmente por Trecho
    Redeater acorda soado. Seus pesadelos com qual ele lida diariamente foram mais violentos naquela noite.
    Você já pegou a ideia, mas não custa pontuar novamente:

    Citação Postado originalmente por Verbo "suar"
    suar
    verbo

    1.
    transitivo direto e intransitivo
    verter (suor, líquido etc.) pelos poros; transpirar.
    "suou tudo o que tinha bebido"
    2.
    transitivo direto e intransitivo
    por analogia
    cobrir de ou verter líquido ou umidade; ressumar, ressudar, destilar.
    "a serra suava uma água pura"
    Citação Postado originalmente por Verbo "soar"
    soar
    verbo

    1.
    transitivo direto e intransitivo
    produzir som.
    "os instrumentos soavam uma melodia suave"
    ecoar, retumbar.
    "o céu escureceu, e soaram trovões"
    tirar sons de; tanger, tocar.
    "os músicos soavam seus instrumentos"
    2.
    predicativo intransitivo
    emitir a voz, falando ou cantando.
    "sua voz soava como trovão"
    No mais, take your time, mano. Temos o apontamento de outros personagens já conhecidos neste capítulo em específico, mas finalmente compreendo o seu desejo de se afastar por um instante. Embora o conteúdo continue perfeito como sempre, alguns pequenos erros que você não costuma cometer foram salientados neste capítulo.

    Como disse pra ti em outras oportunidades, sempre espero mais de você. Sempre. Já vi outras histórias começarem e terminarem na seção, mas nunca esperei muito delas. De você, não. De você sempre espero mais, porque você sempre pode dar mais. E, se você não está nos seus melhores dias, então get your shit together e retorne bem novamente depois. Essas coisas não acontecerão de novo se a sua mente estiver bem calibrada outra vez.

    Aguardo, irmão. Dê uma boa revisada no próximo se for postar mais algum antes do hiato.

    []'s
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  7. #27
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    Padrão Capítulo 6 - Resolução

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Irmão, boa noite.

    A lore do capítulo tá bem interessante, como sempre, mas de cara identifiquei algumas falhas ortográficas que você não cometeria nos seus melhores dias. Você sabe muito bem sobre o que eu estou falando; talvez esse prometido e anteriormente pretenso hiato possa te fazer bem, afinal. Aponto dois exemplos já na primeira linha:

    Você já pegou a ideia, mas não custa pontuar novamente:


    No mais, take your time, mano. Temos o apontamento de outros personagens já conhecidos neste capítulo em específico, mas finalmente compreendo o seu desejo de se afastar por um instante. Embora o conteúdo continue perfeito como sempre, alguns pequenos erros que você não costuma cometer foram salientados neste capítulo.

    Como disse pra ti em outras oportunidades, sempre espero mais de você. Sempre. Já vi outras histórias começarem e terminarem na seção, mas nunca esperei muito delas. De você, não. De você sempre espero mais, porque você sempre pode dar mais. E, se você não está nos seus melhores dias, então get your shit together e retorne bem novamente depois. Essas coisas não acontecerão de novo se a sua mente estiver bem calibrada outra vez.

    Aguardo, irmão. Dê uma boa revisada no próximo se for postar mais algum antes do hiato.

    []'s
    Salve, Neal. Como disse antes pra ti, eu nem cheguei a reparar nesses erros. Cada capítulo que mando parece pior do que todos os que eu já escrevi antes. Tá complicado. Por isso, vou dar um tempo pra esfriar minha cabeça e me organizar.

    Obrigado pelos elogios mesmo, cara. Nunca esperei muito das minhas histórias, mas fico feliz que você pense isso. Vou lançar mais uns dois capítulos antes de dar uma sumida.












    No capítulo anterior:
    Redeater acorda numa caverna estranha junto com duas mulheres desconhecidas. Elas o ajudaram a tratar seu corpo após o inferno que passou em St. Olias, mas agora elas o pediram para salvá-las eliminando as criaturas que pularam de uma dimensão a outra e as prenderam no vazio entre elas. Ele é convencido a fazer isso ao descobrir que uma das mulheres é a filha de Zoe Nubila.





    Capítulo 6 – Resolução
    Parte 1





    — Batendo recordes de estupidez, hein, Dartaul.
    Utevo Gran Res Sac. Eu sei o que estou fazendo. Não se meta.

    Redeater está dentro do que acredita ser uma sala cheia de máquinas e dispositivos esquisitos. O tanto de tubulações estranhas lembra os esgotos de Yalahar ou de Rathleton, embora aquilo não seja um esgoto e esteja mais limpo do que estes. Localizada no subterrâneo e sem uma única luz, é o ponto de início pra onde o detetive foi levado.

    A fênix dourada que invocou direciona-se para fora, atravessando a parede para entender o que está em volta dele do lado de fora. Enquanto ele está dentro da sala, ele acessa pequenas dimensões utilizando o poder de Varmuda, como se estivesse ultrapassando um cenário de um teatro pra pegar algo atrás dele. Consegue vários dispositivos circulares destes buracos, e os coloca em diversos lugares daquela sala, especialmente próximo das caixas de metal pra onde os canos de material semelhante vão.

    — Aparentemente, isso é um prédio. Não esperava por isso. Ele ergue-se como aqueles de Thais, mas o lado de fora não é nem um pouco parecido com Thais.
    — Bem, sinto que minha conexão com você não está muito perfeita. É possível que aqui não seja Tibia.

    Redeater fica em dúvida.

    — Seja direta, Varmuda. Onde estou?
    — Ué, eu tenho o dever de saber? Se vire.
    — Demônio inútil.

    O homem utiliza seus poderes para se locomover para um andar alto. Ele e sua ave dourada, Emberwing, encontram a possível localização onde os donos da dimensão estão, mas não entendem o lugar onde eles estão vivendo.

    É um prédio habitacional. Há muitos humanos vivendo ali, embora haja muitos andares vazios. O corredor onde ele se encontra também está vazio, mas as duas portas para cada lado do corredor parecem levar a apartamentos semelhantes aos de Tibia, com pessoas dentro.

    Embora ele compreenda que fazer aquilo colocará pessoas inocentes em perigo, ele não tem escolha. Começou a retirar bombas de seus esconderijos, e agora está retirando arpões afiados capazes de atravessar aquelas paredes feitas de concreto. Emberwing o ajuda do lado de fora, enquanto ele navega por alguns dos corredores que permitem que seus arpões consigam chegar até a sala onde ele acredita que as criaturas estejam.

    Ao começar a pisar nos apartamentos próximos do alvo, ele se surpreende com o que vê. Sofás feitos de materiais luxuosos, embora os apartamentos pareçam modestos e comuns. Há em um outro lâmpadas protegidas por coberturas de vidro ou encaixadas em lustres, mesas de vidro no meio das salas, tapetes de peles ou alguns mais simples de tecidos, além dos mais diversos móveis que podem ser encontrados em Tibia, mas em versões mais modernas. Um dos destaques na sala desses apartamentos seriam espécies de quadros, que ora estão encaixados na parede, ou sobre estantes habilmente feitas e desenhadas. Esses quadros são planos de frente, com uma larga cobertura de vidro. Há botões dos lados e elevações confusas atrás, e alguns cabos escuros indo para um lugar que o detetive desconhece.

    Após vários minutos, ele termina no corredor em frente ao apartamento onde as “criaturas” estão. Ele não tem mais ideia do que está acontecendo nem no que se meteu, pois as habitações não só parecem totalmente comuns, como muito modernas, com designs mais simples, refinados e convenientes do que os rústicos e medievais de Tibia.

    Há oitenta bombas no prédio inteiro, dez arpões explosivos longos e afiados, cinco bestas repetitivas com munições explosivas e outras armadilhas que ele não sabe quais são, pois Varmuda e Emberwing que as plantaram, retirando dos seus esconderijos.

    A demônio surge na sua frente. Sua aparência é semelhante a de uma Fúria, misturada com a de um Demônio vermelho, mas ela possui uma forma muito mais espiritual, estando transparente e totalmente em cor laranja. Parece estar vestida de um longo robe de estilo zaoano com um cachecol.

    Ela lhe entrega sua pistola. Redeater vê aquilo como um questionamento. Se ele realmente deseja continuar com aquilo.

    — Ainda duvida de mim?
    — Você me odiava por ser bom demais, mas olha onde chegou.
    — Ainda te odeio.
    — Mas não me recusa. Nunca recusou minha ajuda. Nunca recusou meus conselhos. Eu cuidei de você, Dartaul, mas você me responde com grosseria e desrespeito. Eu te livrei do inferno da solidão, mas você nunca me agradeceu. O que você quer que eu faça, afinal?
    — Faça o de sempre.

    Varmuda engole em seco.

    — A propósito, por que você deu aquele grito na minha cabeça? Preocupada com o que acontece comigo, por acaso?
    — Se você morrer, meus planos serão acabados. E do jeito que você está, era bem capaz que elas conseguissem te matar caso você decidisse partir pra violência.
    — Eu estou ótimo.

    Redeater passa pela demônio, enquanto ela mantém uma feição afoita.

    — Ei, Dartaul. Há oitenta e nove pessoas nesse prédio. Oitenta e nove inocentes. Seis delas são seus alvos. O que o velho Dartaul faria?
    — Algo estúpido, certamente. Mas não menos estúpido do que um demônio se importando com vidas humanas. — Responde Dartaul, tomando a pistola da sua mão com pouco cuidado. — Saia da minha frente. Eu tenho colhões o suficiente pra cumprir meu objetivo. Não vou parar enquanto não salvar Aika e o meu filho.

    A demônio o encara como se ele fosse um estranho para ela.

    — Você se tornou mais parecido com ele do que eu esperava.

    Varmuda desaparece da sua frente. No mesmo instante, os olhos de Dartaul tomam a forma amaldiçoada. Sua pistola está em sua mão direita, o controle das armadilhas na mão esquerda. Tudo está perfeito. Sua coreografia está perfeita. Em menos de um minuto, tudo estará acabado.

    Mas ainda assim, estando de frente para a porta, ele hesita.

    Há quatro mulheres ali. Uma criança. Dois homens. Ambos os homens estão de frente para o tal quadro de vidro, mas este se revela capaz de reproduzir imagens. Eles estão com dispositivos esquisitos nas mãos que estão permitindo controlar duas figuras que estão se movendo naquela tela. Duas das mulheres estão na cozinha, um pouco a esquerda de Dartaul. Estão conversando ao lado de um balcão. As outras duas estão conversando num sofá da sala. A criança está dormindo entre elas.

    Ele hesita, pois não sabe se é verdade o que Ankari lhe disse. Não sabe se a conversa a respeito das criaturas poderosas é real. Sabe, ao menos, que a explicação das dimensões é real. Ele não está mais em Tibia. Está em outro mundo que não conhece, não entende, e que não está interessado em entender.

    Ele não pode voltar atrás, também. Se a moça albina for de fato a filha de Zoe, é dever dele vigiá-la. Há muito tempo, a mulher pediu para ficar de olho em sua filha e protegê-la, pois ela não teve a chance de criá-la como desejava. Deixou muitos dos deveres para a prima que Dartaul mal conhece, chegando ao ponto de ter esquecido o nome dela.

    Mas o que ele tem a sua frente é um dilema moral. Não sabe o que fazer em seguida, nem se deveria estar ali, nem se deve colocar a vida de oitenta e nove pessoas em perigo só por causa da sua família.

    Você se tornou mais parecido com ele do que eu esperava.

    Há minutos atrás, um demônio estava sendo mais humano do que ele.

    Este mesmo demônio considerava ruim o fato dele estar próximo de matar várias pessoas por um simples capricho ou pela sua simples falta de poder no momento. Um favor para salvar alguém que foi confiado a seus cuidados há muitos anos. Um ato dentre os muitos que fez para recuperar sua família. Mas não importa, pessoas estão em perigo. Varmuda viu isso antes dele. Mesmo vivendo num mundo onde é ensinado a odiar, torturar e matar humanos, aqueles que tomaram seu lugar de direito sobre o solo de Tibiasula.

    O que é mais importante? Sua moral e sua humanidade, ou a filha de uma grande amiga?

    A resposta é simples.

    Dartaul toca a campainha. Ouve alguém vindo atendê-lo. Naquele meio instante, ele, num capricho terrível, some com o seu chapéu e sua máscara. Ele passa a mão pelo cabelo loiro que possui um hábil corte social, possuindo apenas um tamanho um pouco mais elevado que o comum, e aguarda.

    Aquele alguém usa o olho mágico da porta para identificar quem está ali, e demora alguns tortuosos segundos até este decidir abrir. Por trás da porta amarela, revela-se uma mulher um pouco pequena, de cabelos ruivos. Não possui nada no seu corpo que se destaque senão a magreza incômoda, mas parece saudável e normal. Seu olhar é de um desinteresse natural e cansaço que ela não consegue esconder, combinado com alguma alegria, provavelmente provinda do que quer que esteja acontecendo lá dentro. Veste-se casualmente com calças, camisa e jaquetas finas, sem destaque algum.

    Dartaul ouviu essa mesma mulher perguntar se alguém pediu para algum amigo vir. Ele ainda não sabe o que ela é.

    — Boa tarde, o que precisa? — Questiona a mulher, com um olhar um pouco mais tranquilo do que antes.

    Antes que Dartaul possa responder, outra mulher surge ao seu lado. Esta é bem mais curiosa e notável do que a ruiva, exibindo cabelos loiros cujas mechas tomam uma coloração verde e depois azul. Ela usa um tipo de chapéu com uma única aba para o lado do seu rosto, e este tem chifres nas laterais, mas o seu maior destaque é o busto exagerado ressaltado pela camisa sem mangas escura que usa, parecida com a de Ankari, e pelo shorts azul claro curto de material resistente, diferente de couro.

    — Ora, ora! Eu não sabia que tinha amigos tão bonitos, Mushi!
    — Não, eu não conheço ele...

    Dartaul pensa rápido antes de tomar qualquer atitude. Há um corredor relativamente longo que leva até a sala após a porta de entrada, que impede que ele veja quem está lá dentro. Ir lá para dentro não parece uma má ideia, mas ao mesmo tempo pode colocá-lo em desvantagem. Ele não sabe do que elas são capazes, nem o que podem fazer com ele. E ainda há o problema dos dois humanos dentro do apartamento.

    No entanto, ele já conseguiu perceber quais são as criaturas, e quais são os humanos.

    O detetive sabe o que fazer, mas não sabe se deve continuar. Mas a dúvida apenas o atrasará. Então, ele toma uma decisão.

    — Desculpe.
    — Hm? Pelo quê? — Pergunta a ruiva, que consegue ser mais expressiva do que o detetive pensava. Não que isso importe agora.

    Em menos de um segundo, Redeater golpeia a humana com força o suficiente para lançá-la bem longe, fazendo ela ir até a varanda que fica na direção da entrada da casa, atravessando e partindo a porta de vidro, quebrando a mureta e indo parar em queda livre até a rua. Em segundos, ela é salva por Emberwing e colocada em segurança na estrada atrás do prédio. Parece ter se machucado bastante, mas isso é algo que pode ser resolvido depois.

    Apesar de tudo, nem a loira, tampouco as pessoas na sala conseguiram ver se ela estava salva ou não.

    Redeater não tarda com a mulher ao seu lado também. Sua mão vai parar dentro da barriga dela também em menos de um segundo. Sua pistola aparece na sua mão livre no segundo instante. Um disparo perfeito é efetuado na cabeça dela, sem que ela consiga se defender. Somente naquele instante que o homem percebeu que ela esteve com seus olhos fechados desde que apareceu, por algum motivo.

    O detetive usa os poderes de Varmuda para ir mais rápido até a sala. Encontra as outras pessoas restantes: Uma das mulheres que estavam no sofá, agora de pé, juntamente da criança. Os dois homens também de pé, de costas para o quadro reprodutor de imagens. E uma única mulher no que parece ser a cozinha.

    Redeater faz o mesmo que fez com a humana no humano que identificou, que seria um dos homens, mas ele lança-o no apartamento do lado, o que obriga Emberwing a invadi-lo e arrastar o humano, que grita horrorizado, para fora. Agora ele está cercado por todas as criaturas restantes.

    — Mushi... Tazawa... — Gagueja a criança, com uma expressão também horrorizada, assim como a da mulher na cozinha.
    — O que diabos é você? — Vocifera a única mulher que sobrou no sofá, irritada. Não mais do que a mulher na cozinha, e o homem próximo dele.

    O detetive passa rapidamente a visão por todos os seus inimigos. O homem quase do seu lado está todo de preto, é branco e tem cabelos negros. Usa um terno. A mulher na cozinha parece estar vestida de empregada, e também tem chifres estranhos, como a da mulher na entrada, além de também ser loira. A criança tem cabelos brancos e chifres curtos e pontudos. A mulher ao lado dela parece ter um único chifre no meio da cabeça, tem cabelos castanhos e também usa um terno e roupas sociais como o homem.

    E todos, sem exceções, possuem um olho laranja e um olho azul.

    Foi mais fácil de identificar as criaturas do que ele pensava.

    Seu próprio massacre começa a partir do momento em que um arpão surge do teto e acerta a cabeça do homem ao seu lado, que o puxa para cima, pendurando-o ao alto. As criaturas avançam no momento seguinte, com exceção da criança, e Redeater dispara com precisão contra os membros que as locomovem. Bombas estouram em várias áreas do prédio, fazendo elas se desiquilibrarem facilmente enquanto presas em corpos supostamente humanos, facilitando seus disparos.

    Sempre que uma das criaturas tenta golpeá-lo, um disparo de uma das bestas ou arpões ocorre, mas elas conseguem desviar eventualmente. Um dos arpões atinge a cabeça da criança, o que enfurece ainda mais as duas que restaram para lutar contra ele.

    Chutes, socos, arranhões, até mesmo chamas e eletricidade vindas de seus corpos e de suas bocas são utilizados contra Redeater, que utiliza as várias mobílias do apartamento para escapar. Em um dos momentos, a mulher de cabelos castanhos atira o sofá em que ela esteve sentada na direção de Redeater, mas o arpão do apartamento ao lado o defende. Dois tiros de besta surgem em seguida a partir da parede, e explodem ao lado dela, atirando ela no chão.

    A outra loira cuida da criança, mas não tem tempo de realizar qualquer processo de cura nela, pois recebe um chute no rosto. Redeater soca ela mais de uma vez sem intervalos usando os poderes de Varmuda.

    A mulher no chão se levanta, mas Redeater explode duas bombas abaixo dela, fazendo-a cair no andar de baixo. Outra bomba explode lá embaixo, lançando milhares de agulhas enormes e afiadas na sua direção, dilacerando seu corpo no processo.

    Num momento de distração, a criança levanta-se e torna-se mais parecida com seu lado animal, surgindo com a pele totalmente branca e com escamas. Ela atira Redeater no chão e acerta vários golpes no seu rosto, mas ele consegue atirá-la pra cima num breve instante e usar a besta repetitória no apartamento à direita para metralhá-la com tiros explosivos. Não satisfeito, Redeater soca-a contra o teto, destroçando-o no processo. Ela cai no chão do apartamento de cima e não se levanta novamente.

    O detetive levanta-se. Olha para a própria bagunça, e não poderia estar mais decepcionado.

    Os arpões que ele disparou tinham traços de sangue antes mesmo de acertar alguém ali dentro. O buraco para o apartamento de cima revela outros dois buracos nos dois andares superiores, e há sangue vindo diretamente deles. No apartamento, todas as mobílias estão destruídas e há muito sangue, pólvora e destroços de madeira e tijolos por todos os lados. Na cozinha, há água vazando torrencialmente de um buraco na parede, pois uma bomba estourou por ali. Há água vazando de vários lugares diferentes, devido as bombas que estourou.

    Redeater respira fundo. Não está cansado, mas o peso do que fez está fazendo o trabalho de tirar suas forças. Mal se importa com o estrago que fez sobre as criaturas, que estão quase totalmente destroçadas pelas armas que usou, especialmente a mulher do chifre na cabeça, que parece não ter mais um corpo.

    — Não acabou.

    O detetive vira-se para trás ao ouvir a voz de Varmuda, e percebe o homem pendurado pelo arpão se transformando e tornando-se algo diferente. Sua pele escurece rapidamente, as escamas tomam-na com velocidade, seu tamanho cresce exponencialmente, e ele se torna mais parecido com um dragão.

    Entretanto, basta Dartaul estalar os dedos para o arpão explodir junto com a cabeça da criatura, fazendo seu corpo desabar no chão, sem vida.

    — Algo mais?

    O demônio não responde.

    Mas ainda assim, ele ouve algo no corredor. Sons de algo batendo-se contra a parede. Uma respiração pesada. Aquilo começou há segundos, mas o clima do lugar muda totalmente em pouquíssimo tempo, ficando mais quente e mais escuro.

    — Tem um peixe grande vindo. Venha comigo, Varmuda.
    — Não! Saia do apartamento, agora! — Responde ela, com uma voz alta e assustada.

    Uma imensa cauda reptiliana surge do corredor, batendo-se contra as paredes da sala furiosamente. Ela é negra, com penas amarelas e com um espinho também amarelo na ponta desta. Considerando o tamanho daquilo, a criatura que surgirá em seguida será muito maior; E Dartaul não pode evitar que isso aconteça.

    — Porra, é aquela mesma mulher que matei antes? Por que não falou nada? — Dispara Redeater para a Varmuda em seu interior, mas ela continua sem ser clara com ele.

    Sem opções, ele corre na direção da mureta e salta pra fora do apartamento, sendo pego no ar por Emberwing, que pega sua mão esquerda pelos pés, levando-o ao chão, no meio da rua. Dividida entre calçada e asfalto, é extremamente mais moderna do que as ruas centrais thaianas, o que confirma que aquele mundo não é Tibia.

    O apartamento explode. Algo imenso sai de dentro dele, e fica cada vez maior conforme alça seu voo. Embora envolto por muito pó e fumaça, seu formato é visível, e parece distorcido, lembrando algo entre uma hidra e um dragão, mas tendo apenas uma cabeça. A força que ele transmite enquanto voa, com suas asas imensas e magras, é muito maior do que a que Dartaul conta no momento, reforçado pelo seu pouso no meio da rua. Tem metade do tamanho do prédio de onde saiu, e parece não saber o significado da palavra alegria, tamanha sua fúria.

    — O líder deles... — Disse Varmuda, ainda assustada.
    — É um deus.





    Próximo: Capítulo 6 – Resolução II
    Última edição por CarlosLendario; 24-07-2018 às 16:40.



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  8. #28
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    Padrão Capítulo 6 - Resolução II

    No capítulo anterior:
    Redeater invade o apartamento onde as criaturas que criaram a contradimensão estão e as mata, mas uma delas revela não estar morta e destrói o apartamento, buscando matar o detetive, que consegue escapar. Mas ela também sai do apartamento com sua forma completa, buscando matá-lo.





    Capítulo 6 – Resolução
    Parte 2



    A fumaça se dissipa, revelando um tipo de dragão fundido com algo semelhante a uma ave de rapina, com leves inclinações para uma hidra. A partir do seu pescoço até a sua cauda, há uma linha reta de penas douradas e brilhantes, e também há penas ao redor do rosto da criatura e nas patas. Ela é escura, e sua pele parece resistente, embora não tenha placas ou escamas a protegendo. Suas asas possuem vários metros de largura, tornando-o maior do que o normal.

    Aquela criatura era antes a mulher que ele supostamente matou na entrada do apartamento, a mesma com o cabelo curioso e o corpo atraente que surgiu atrás da ruiva que o recebeu. A criatura que parecia mais estúpida é justamente a mais poderosa dentre elas. Esta, que estava de olhos fechados, agora os têm bem abertos; Estes são diferentes das outras criaturas, sendo o esquerdo com um formato totalmente humano, de coloração verde, e o direito sendo o diferente, totalmente cinzento, mas com uma pupila amarela no centro.

    Ela fita Redeater com ódio. Este está apontando sua pistola na sua direção, junto de um grupo de seis arpões, controlados por uma magia ligada a sua mão esquerda. Dois estão no topo do apartamento, mirados para a sua cabeça, e os outros quatro estão distribuídos nas casas do lado direito.

    — Certo, Varmuda. Normalmente eu não peço conselhos seus, mas como eu derroto isso?
    — Você não pode e nem vai me derrotar. — Responde uma voz grossa e animalesca, mas com um leve tom de uma ave no fundo.

    Para a sua surpresa, o dragão penoso consegue falar. E identificar pensamentos também.

    — Não, na verdade, eu não posso me dar a esse luxo. Minha paz foi retirada de mim. As razões que me motivavam a não voltar a essa forma abominável... Se foram. Meu pequeno mestre me deixou há tempos, e agora eu estou sozinha. Você precisa pagar por isso.
    — Oh, interessante. Mas isso começou a partir do momento que seus companheiros criaram aquela contradimensão tentando acessar esse lugar.
    — Eu não sei do que está falando.
    — Não se faça de desentendido.

    O dragão bate uma das patas contra o chão. É praticamente o equivalente a um terremoto.

    — Meu nome é Quetzalcoatl, homem mascarado, não sou um macho. Ao menos se refira a mim da forma correta.
    — Não exija coisas de alguém que você tentou matar um minuto atrás.
    — Ora, ora... Que afiado.

    Embora Redeater esteja atento aos movimentos do dragão, ele ainda não sabe o que fará para derrotá-lo. É algo totalmente diferente de qualquer coisa que já tenha visto ou enfrentado em Tibia.

    Porra, Varmuda. Responda. Não é do seu feitio ficar quieta assim.

    — Não, chega. Não sou mais considerada uma deusa, e não tenho mais motivos para me manter ligada a esse mundo. Eu amoleci demais... Mas você ressuscitou um lado meu que morreu há milênios.
    — Engraçado. Finalmente alguém que entende como eu me sinto.
    — Farei o favor de acabar com a sua dor, então.

    Não demorou nem um segundo para ela abrir sua boca e lançar uma onda de força contra o detetive. Ele escapa por muito pouco da onda que destrói o asfalto e treme os arredores com força. Há barulhos estranhos, lembrando sinos, ao redor da cidade. De alguma forma, ele sente que as pessoas na cidade sabem que algo está acontecendo ali.

    O chão treme sem parar. Redeater não consegue se posicionar para atirar decentemente. Ele tenta lançar os tiros dos arpões, mas eles são lançados para longe. Emberwing tenta enfrentar a criatura, mas ela desaparece antes que o detetive possa fazer algo para impedir. O dragão está lançando tantas daquelas ondas e mexendo-se tanto que ele não tem chance de contra-atacar com seus poderes.

    Orbes de luz giram ao redor da criatura. Elas lançam dardos elétricos e chicoteiam o chão com eletricidade, por pouco não o atingindo. Redeater conta apenas com a sorte para não ser atingido naquela situação. A ferocidade da criatura é real, mas controlada. Aparentemente, ela não quer causar mais destruição do que já causou e não quer ferir humanos, o que lhe dá uma ideia.

    Usando os poderes de Varmuda, ele consegue saltar até o prédio. Ele envolve seus braços e pernas com o poder espiritual do demônio para escalar mais rápido. Como esperado, a criatura não o ataca enquanto faz isso.

    — Por que faz isso? Por que resiste? — Questiona a criatura, que se aproxima a passos lentos.

    Redeater continua subindo. Chegando próximo do topo, ele salta, agarra-se a ponta do terraço e lança-se para o chão. Ao levantar, ele aponta sua pistola de imediato para a criatura.

    — Me ataque! — Grita Redeater, do topo. Dá pra ver que o dragão não gosta da ideia.
    — Está ameaçando humanos de propósito. Não tem vergonha?
    — Não compreende os valores humanos o suficiente pra falar isso.
    — Você matou meus amigos!
    — Seus amigos humanos estão vivos. Você e as criaturas que matei que são as verdadeiras ameaças, e tudo o que eu fiz foi eliminar essa ameaça. Estou errado?

    A deusa fica em silêncio. Dartaul entende porquê: Ela sabe que é verdade. Aqueles dragões disfarçados de humanos têm vivido num mundo cheio de humanos que nem sabiam da existência deles, tampouco sobre como derrotá-los. O detetive fez um favor para a humanidade; Mesmo que de forma cruel.

    Decepcionada, Quetzalcoatl salta do chão e vai até o ar, impulsionada pelas suas asas. Não se importa mais em ser vista. Por outro lado, isso não preocupa Redeater nem um pouco.

    Livro do Santificado Paladino Real, Capítulo Seis, Primeiro Parágrafo... — Disse Redeater, fazendo a capa escarlate repousar sobre seu ombro novamente — Oro para que o Santo Charlew encontre e destrua. Toque e destroce. Mas que sua santidade prevaleça e o mantenha honesto frente aos tolos.

    Quetzalcoatl parece curiosa a respeito da oração, mas não se preocupa a respeito. Sua atenção está focada numa bola de fogo que está preparando para ceifar especialmente seu oponente.

    Per Uman Et Charlew, Exori Gran Altem Mas San. — Pronuncia com calma e concentração Redeater, sacrificando quase toda a sua mana num golpe arriscado.

    Da sua mão esquerda, uma luz imensa surge, seguida de um ankh dourado que cresce de tamanho conforme se afasta do seu invocador. Com tal tamanho, Quetzalcoatl sabe exatamente como desviar daquilo.

    Mas, de repente, aquela magia some. O dragão parece surpreso, mas mostra graça.

    — Usa coisas grandes demais para um humano tão fraco como você é! Se é que posso chamá-lo dis-

    A ankh reaparece, mas dentro do pescoço da criatura, atravessando-o e mantendo a maior parte do outro lado, enquanto lança torrentes de sangue roxo pelo ferimento. Conforme os segundos passam, a energia e a força da criatura caem rapidamente. Está acabado. Logo desabará no chão, e Redeater precisa se afastar, senão será atingido pela força da queda. A magia se desfaz enquanto ele se afasta, bem como a capa escarlate.

    Mas quando o ankh some, a criatura ressuscita como mágica, berrando aos céus.

    Seu corpo é quase inteiramente coberto pelas penas douradas que possui, enquanto a bola de fogo de antes é preparada novamente. Redeater mal pode acreditar que uma magia tão poderosa não fez efeito algum em Quetzalcoatl.

    Quando a bola é disparada, Redeater nem tem tempo de escapar. Ele tenta pular do prédio, mas o golpe o atinge antes dele conseguir saltar.

    Mas, por algum motivo, ela não faz nada. A bola simplesmente se mantém ao seu redor, sem causar danos. Incomodado, ele salta pra fora, mas ao fazê-lo, é preso por inúmeros cipós roxos, e em seguida eletrocutado por dezenas de cópias elétricas que imitam os dragões que matou antes.

    Apesar do tamanho, Quetzalcoatl é bem rápida. Algo que o detetive não esperava.

    O choque é tamanho que ele é jogado para o ar e o terraço é coberto por fogo. No meio do processo, o fogo sobe e toma a forma do corpo humano de Quetzalcoatl; Este o agarra, virando-o de cabeça para baixo e atirando-se junto com ele na direção do chão.

    São poucos segundos até ele chegar lá.

    Varmuda.

    Ele já passou por metade do apartamento.

    Varmuda?

    Quatro metros até o chão. A pressão da queda está quase fazendo o trabalho de matá-lo.

    VARMUDA!

    Outra mulher, totalmente laranja, aparece diretamente do subterrâneo. Ela, em menos de um segundo, pega Redeater pela gola do seu sobretudo negro com a mão esquerda, e com a direita, esbofeteia a mulher com chifres, atirando-a para a direita.

    Varmuda, que ainda está vestida com o robe zaoano, as calças desérticas e o cachecol – embora eles tenham a mesma coloração do seu corpo espiritual –, põe Dartaul no chão. Ele se manteve sem sua máscara e seu chapéu o tempo todo, mas provavelmente eles já teriam sumido depois daquela queda.

    — Finalmente. Agradeço.
    — Olhe pra trás.
    — O quê?

    O corpo humano de Quetzalcoatl para no ar, transforma-se numa cópia de fogo do dragão que ela era antes, e também invoca o próprio corpo de dragão do outro lado. E este já prepara algo em sua boca: Uma esfera negra, cheia de pequenas estrelas brancas no centro, assim como o outro.

    — Ela desistiu da humanidade, é? Pois bem, Varmuda. Vamos com a fusão.
    — O quê? Você vai acabar morrendo!
    — Eu vou ficar bem. Anda logo.
    — Seu desgraçado! Sabe o quão problemático seria pra mim se você morresse agora?
    — ANDA!

    O demônio engole em seco. Sem opções, ela salta pra dentro do corpo de Redeater, com seu formato espiritual cobrindo o corpo normal do detetive. Em alguns segundos, uma energia começa a girar ao redor de Dartaul, e começa a alterá-lo.

    Sua pele começa a ficar alaranjada, e fileiras de placas envolvidas por uma pele resistente semelhantes as presentes no corpo de um demônio cobrem suas áreas vitais. Uma espécie de armadura toma seu corpo rapidamente, e seu rosto é coberto por aquelas mesmas placas e pele, ocultando até mesmo sua visão. Não há espaço para sua boca, nariz ou olhos. Uma transformação completa.

    Quando a energia se dissipa, Quetzalcoatl dispara seu golpe de ambas direções. Mas, para a surpresa da deusa, ambos os golpes são aparados pelas mãos de Dartaul. Em seguida, ele soca um atrás do outro para o ar, e quando estes alcançam uma distância longa do chão, eles explodem juntos. A explosão é tão poderosa que o dia vira noite por dois segundos, enquanto várias partículas de luz se espalham para todos os lados.

    — Deusa, é? — Disse Dartaul. Sua voz está mais grossa do que o normal. — Mande-me algo melhor, então.
    — Humano, é? — Responde a criatura, enquanto seus olhos e seu peito começam a brilhar. Um golpe diferente virá dessa vez — Espero que lide com isso.

    A terra continua tremendo. Pedaços do prédio ao lado dele começam a cair. O dia está escurecendo de novo. Tudo ao redor dele parece estar ficando amarelado ou cinzento.

    — É triste que eu seja obrigada a usar isso contra você, mas um certo deus me ensinou a depender melhor dos meus próprios artifícios, em nome dos que desejo proteger.

    Embora Redeater tenha aumentado bastante seus poderes, ele não sabe se aguentará o que está por vir.

    — Ela está manipulando a realidade — Disse Varmuda, dentro de sua cabeça — Terá que matá-la com um golpe só, ou ela te arrastará pra algo que você não conseguirá fugir.
    — Tenho a coisa certa pra isso.

    Redeater abre a mão direita. Nela, surgem milhares de partículas prateadas até formarem uma lança de cavalaria. Posicionando-se para usá-la, ele apressa-se em sair daquela situação rápido. Até mesmo o chão está mudando para um tipo de calçada de pedra lapidada, cheia de vegetação de selva. Se não agir, será engolido para dentro da realidade da deusa.

    — Usar isso só vai piorar a sua situação, Dartaul!
    — Pare de se preocupar comigo, demônio.

    Uma roda dentada surge ao redor da ponta da lança. Ela sopra um vento visível a olho nu a partir da parte de trás, cobrindo quase toda a lança. A parte da frente é envolta por uma esfera laranja.

    Et movebo, qui malum animae meae. Saras!

    Um raio imenso é disparado a partir da ponta da lança. Quase ao mesmo tempo em que a criatura estende as suas asas, aproveitando o fato de que sua mudança na realidade já fez o prédio ao seu lado desaparecer. Das suas asas, inúmeros símbolos estrangeiros surgem. Dois golpes imensos estão prestes a se chocar.

    À esquerda, uma luz aproxima-se com velocidade. Ela salta num dos prédios, que some em seguida, enquanto esta lança-se na direção de Quetzalcoatl.

    No segundo seguinte, ela atravessa a cabeça da deusa. No outro segundo, toda a realidade volta ao normal e o golpe da lança passa raspando a cabeça do dragão, que tem um olhar chocado, enquanto desaba no chão.

    Tudo acontece tão rápido que Dartaul nem mesmo entende porque o dragão caiu.

    Ele procura nos arredores. Qualquer coisa servia. Apenas para dar-lhe entendimento do que aconteceu. E, em cima de um prédio logo adiante, do lado do corpo morto de Quetzalcoatl, está uma figura humana. Parece uma mulher, com armas lembrando algo como uma chave nas duas mãos. Ela está envolta pelo que parece uma chama branca enorme, mas ao mesmo tempo, fraca.

    Ela some em seguida. Redeater desativa os próprios poderes, sem entender o que aconteceu. A armadura deixa o seu corpo e a lança volta ao nada. Sobra apenas sua roupagem padrão, e um cansaço imenso.

    — Ei! Caralho, já estão todos mortos? Cuidado onde pisa, Zidaya!

    Ele escuta a voz de Ankari, à sua direita, no prédio maculado e semidestruído. Quando sente seu corpo falhar em seguida, percebe que estará devendo um favor para ela, mais uma vez.






    Próximo: Capítulo 7 – A Venoreana Esquecida









    Meu hiato começa hoje. Não sei se voltarei, pois a seção morreu.

    Nós deixamos ela morrer.

    2005-2018



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    Fala, meu bruxo! Um de cada vez.

    Sobre o capítulo "Resolução" (parte 1, por convenção minha), infinitamente superior gramaticalmente falando ao anterior. Se havia algo que devesse ser ajustado, foi.

    A respeito do conteúdo em si: eu gosto desse misto da inocência infantil com eventuais superpoderes ou poderes ocultos que as crianças possam ter. Ao mesmo tempo em que somos capazes de mapear muitos traços da personalidade das crianças, somos incapazes de entender boa parte do seu mundo. O seu capítulo tratou de retratar a parte underground da coisa, ao estabelecer essa distinção de forma bastante tênue, deambulando para lá e para cá. Parabéns por isso.

    Sobre o capítulo "Resolução II", também bastante bem escrito. Não notei aspectos gramaticais que dependessem de intervenção. É isso que gosto nas suas histórias: quando algo de ruim é pontuado, no próximo capítulo, isso já não existe mais. Demonstra duas coisas: a uma, que você tem vontade de melhorar e, a duas, que não é arrogante a ponto de sonegar eventuais ajustes por apontamento.

    Sobre o conteúdo, também gosto desse misto de bad words com natural words durante a escrita. Expressões como "caralho", "porra", "filho da puta", porra (sic), parece-me que enriquecem o texto, sempre. Se a intenção é a de mergulhar o leitor no universo, funciona bastante bem, porque se aproxima bastante da nossa realidade e nos faz nos aconchegar a ela. Excelente moção, desde o início.

    Redeater enfrenta alguns páreos que parecem até sobre-humanos, se quer saber. Dartaul tem essa característica, a de ter essa fibra moral (vá lá, talvez não tão moral assim) que Nightcrawler não costumava ter. Ressalvas e ressalvas em função da ética. Bah. Isso simplesmente não compõe a personalidade de Nightcrawler, mas Dartaul é um pouco mais atento nesse sentido. Parece-me que humaniza o personagem. Sempre enxerguei Nightcrawler como um semideus, ou algo acima das características humanas básicas, e Dartaul não me passa a mesma impressão, apesar de também ser um grande personagem.

    A respeito do seu desabafo ao final, insta tecer algumas considerações também. Conversamos pessoalmente em diversas ocasiões a esse respeito e, vá lá, eu também me sinto um pouco responsável pela falta de movimentação da nossa seção. As histórias não atraem os leitores como costumavam ser em outrora, e até conversamos sobre tocar a seção autonomamente, já que o restante simplesmente se desincumbiu dela. Alguns aspectos da nossa vida cotidiana nos afastam de alguns prazeres que costumamos sustentar, mas eles não podem desfalecer, em hipótese alguma.

    Iridium, Fencer, Sombra, esses(as) caras costumavam estruturar a seção num passado não tão distante. Com o tempo, as atenções passaram a se focar exclusivamente em um dos tópicos e o restante morreu. À revelia de você e do Ringo, que acompanham Jason Walker fielmente, por exemplo, todos os demais debandaram e, com o tempo, passei a (satisfatoriamente) escrever exclusivamente pra vocês dois. A sua situação é um pouco mais crítica, porque você escreve exclusivamente pra mim, e eu mesmo não tenho sido um exemplo de leitor fiel. My bad. Nem mesmo todas as explicações habituais que costumo te dar são capazes de sedimentar a nossa compreensão sobre esse tema, então, desculpe-me, outra vez.

    Ainda pretendo encerrar Jason Walker. Porém, é uma pena, já que escrevi um tomo "Revelations" e já o finalizei, exclusivamente como um fecho pra história de que simplesmente não consegui me livrar. Como J. K. Rowling é associada a Harry Potter e J. R. R. Tolkien é associado a Senhor dos Anéis (guardadas as devidas proporções), eu estou para Jason Walker como você está para Bloodtrip e seu(s) subsequente(s). Essas histórias não podem jazer sem um encerramento, elas precisam terminar. Espero que seja força motriz o suficiente pra te estimular a nos dar um encerramento adequado pra Bloodoath.

    Um abraço, irmão! Precisando de mim, sabe onde me encontrar.
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!



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