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Tópico: Bloodoath

  1. #41
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    Cara eu tenhio lido essa fic mas eu tenho ficado um pouco confuso porque as coisas mudam de direção abruptamente inicialmente aquele clima no asilo depois a entrada em uma nova dimensão não sei onde o Redeater enfrenta um enorme dragão e agora o cenário volta a mudar com a cena do dragão não valendo mais

    Mas as cenas de luta são legais bem rápidas mas tenho tido um pouco de dificuldade para sacar o fio da meada onde ta indo

    Vamos indo não desista da seção não vou lendo pois quero ver onde tudo isso vai dar

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  2. #42
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    Padrão Capítulo 11 - Reunião de Monstros

    Citação Postado originalmente por Sombra de Izan Ver Post
    Parabéns, outro grande capítulo.

    Sabe enquanto li estava pensando, deve ser uma espécie de mágico para fazer todos sumirem kkkk
    Dava até impressão de ser filme de terror, foi fantástico e o desfecho nem se fala, continuo acompanhando.
    com mais derramamento de sangue na próxima vez
    Valeu pela presença e agradeço por todos os elogios, cara. Tem me apoiado bastante.

    Esse sumiço aí vai ser explicado nesse capítulo, claro. Mas pode perguntar se não entender.

    E sangue é o que não falta, afinal, se olhar o título...

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Caraca, bicho! Por partes.

    Quer dizer se Dartaul agora assumiu algumas habilidades mais peculiares. Parece-me, em verdade, uma mistura entre Caitlyn e Le Blanc. Atira redes e armadilhas por aí, ao mesmo tempo que sua sombra de move, deixando um rastro atrás de si e confundindo os inimigos. Quem diria que uma mescla dessa seria possível em uma história tão fabulosa. Me impressiona, verdadeiramente, cada vez mais.

    É Ankari? Seria uma mescla perfeita de todos os suportes de League of Legends? Seria uma Leona, disposta a atirar-se adiante, assumir a linha de frente e se projetar na direção do perigo com o fito único e exclusivo de proteger seu atirador? Estaríamos presenciando um combate franco entre o Garen de Demacia e uma bot lane muito sofisticada?

    Alguns trechos do combate me lembraram Jason v. Ferumbras n'O Patrono do Apocalipse. Posso ter feito uma péssima leitura da realidade, mas não posso ignorar a existência dessa pequena referência.

    O capítulo terminou com gosto de quero mais. Arthur vai se juntar a Redeater? A ver.

    Parabéns, irmão! Vamos adiante.
    Vício da porra hein parça As únicas referências aos campeões de League que eu botei no capítulo foram ao Pyke (A habilidade que atordoou o Arthur é o E do Pyke, que você usa sempre que puxa alguém pra perto) e a Caitlyn também. Eu acho que Redeater e Caitlyn se dão bem. Claro que certas atitudes do detetive poderiam não agradar a xerife de Piltover, mas em matéria de capturar e matar seus alvos à distância, os dois são geniais. E não coloquei nenhuma referência de League na Ankari, o que ela fez foi para garantir que o plano desse certo, pois ela pode se dar ao luxo de se atirar no meio de uma explosão, já que sairá inteira. Eu vou explicar isso no capítulo 12. E respeita o Arthur porra, ele é melhor que esse merda de Garen aí.

    Obrigado pela presença, mesmo que tardia, e que eu tenha de ter insistido pra caralho pra fazer você aparecer. Agora a meta é a gente fazer nosso duo de Lucian + Bardo.


    Citação Postado originalmente por Shirion Ver Post
    Cara eu tenhio lido essa fic mas eu tenho ficado um pouco confuso porque as coisas mudam de direção abruptamente inicialmente aquele clima no asilo depois a entrada em uma nova dimensão não sei onde o Redeater enfrenta um enorme dragão e agora o cenário volta a mudar com a cena do dragão não valendo mais

    Mas as cenas de luta são legais bem rápidas mas tenho tido um pouco de dificuldade para sacar o fio da meada onde ta indo

    Vamos indo não desista da seção não vou lendo pois quero ver onde tudo isso vai dar
    Agradeço seu retorno, Shirion! Eu posso explicar algumas coisas.

    Eu divido a história em arcos, e no começo, não me dei ao luxo de fazer uma transição bonitinha de um arco para outro, senão eu ficaria preso tempo demais aqui no que é somente o começo da história; O Credo de Sangue mal fez uma aparição boa ainda, estamos um pouco longe disso acontecer também. Mas vou preparando o caminho até lá.

    Explicando tudo até agora:

    O primeiro arco é o arco de St. Olias. O manicômio de Carlin foi usado como uma base do Credo de Sangue. Usei um esquema de realidades para explicar a razão desse manicômio sempre mudar. Tudo começou a partir do momento em que o primeiro Sangrento que Redeater matou, lá no capítulo 2, revelou para ele a localização da base, chamada de órgão, e terminou quando Redeater matou Zoralurk, o verdadeiro responsável por criar essas realidades. A razão para ele estar lá, eu ainda irei explicar. Haverá muitas referências ao longo da história.

    Depois, no arco seguinte, o arco "pré-Oramond" atual, Redeater foi investigar mais sobre eles em Yalahar, mas eles o pegaram de surpresa lançando um tsunami sobre um dos distritos de Yalahar, recriando o que conhecemos por "Sunken Quarter", ou "Distrito Afundado" onde tem as quaras e tudo mais. Redeater subiu a torre inteira onde ele estava para escapar, mas perdeu as forças eventualmente e desmaiou. Foi resgatado por Ankari e Zidaya, mas quando elas tentaram escapar, elas cairam numa armadilha, uma "contra-realidade", onde elas não podem escapar sem destruir as conexões que Tibia tem com outra dimensão próxima. Em suma, elas e Redeater caíram dentro de um sanduiche e precisam empurrar um lado para sair.

    Redeater entra na outra dimensão, que é na verdade o nosso mundo, ou uma cópia fictícia dele, já que não existe dragões (Será?), e lá ele lutou e derrotou os responsáveis pela contra-realidade, aqueles humanos que podiam virar dragões. Eu me desfiz do capítulo 6 - Resolução II pois eu quis refazer a história e seus rumos e encurtá-la, e para tal, eu "nerfei" o Redeater. Ele não tem mais armadura do demônio nem nada. É agora bem mais parecido com seu antecessor, Nightcrawler.


    Enfim, espero que tudo possa ter ficado mais claro para você. E espero que continue acompanhando! A história poderá ser um pouco grande, mas eu garantirei que tenha qualidade do começo ao fim.










    Capítulo 11 – Reunião de Monstros





    A situação não podia ser pior para Arthur.

    Além de ter explodido uma casa sem nem perceber, esteve a uma questão de segundos de matar duas pessoas de uma vez. Tudo porque ele deixou de controlar sua própria força com o objetivo de matar Redeater, por acreditar que Mirladan foi morto por ele. E agora, uma mulher desconhecida surge dos escombros da casa explodida, sem dar sinais de que ela está morrendo. Todas as suas feridas estão se regenerando de forma anormal, impossível para qualquer ser humano.

    Ankari já está quase inteira. Seu sorriso permanece.

    — Esse é o rapaz, Redeater?
    — Como pode ver. O que achou dele? — Disse o detetive, com dificuldade. Agora, ele finalmente sente dor o suficiente para ficar no chão.
    — Bem ousado. E grosseiro. Quem atiraria uma mulher direto para o fogo dessa maneira?

    Arthur desespera-se.

    — N-Não foi m-minha intenção, eu juro! Estava apenas cumprindo a lei, parando esse mascarado!
    — Até um cego notaria que você estava tentando matá-lo. Não me enrole. Só prove que está pronto para lutar.

    As feridas que Ankari não conseguiu curar a tempo são cobertas por camadas de grama. Vinhas e cipós cobrem seus braços, e folhas surgem ao redor dela, circulando-a. O homem fica apreensivo, sem saber o nível de poder da druidesa. A velocidade de regeneração dela já o assustou o suficiente, e mostrou que ser o inimigo dela pode não ser algo bom.

    Ele engole em seco. Não há outra opção.

    — Eu estou. Venha. — Disse ele, apontando sua espada para a direção de sua adversária.

    O rapaz já possui uma desvantagem notável: Seu braço esquerdo está ferido, o que vai impedir que golpes fundamentais seus sejam feitos. Ankari provavelmente sabe disso, e usará essa desvantagem a seu favor. Isso o fará ficar na defensiva.

    O corpo de Ankari já está completamente curado. O tenente reflete sobre essa mesma capacidade insana de regeneração por um momento, o suficiente para ele não perceber o chão abrindo-se debaixo dele.

    O homem consegue cravar sua espada no chão antes de cair num vazio negro logo abaixo dele. Ele usa os pés para se impulsionar para o chão novamente, e ao conseguir, é socado por Ankari. A mão da druida está reforçada por camadas espessas de gelo, formando uma manopla perfeita, que joga o thaiano e sua espada para longe.

    Antes que esse caísse no chão, um pedaço da própria calçada sai do chão e choca-se com o cavaleiro, mais uma vez atirando-o para outro lugar, dessa vez o fazendo perder a espada; E novamente, antes de cair, dezenas de plantas e vinhas espinhosas cobrem seu corpo e o suspendem no ar, impedindo-o de cair. Uma vinha com uma ponta lembrando uma faca bem serrilhada posiciona-se acima dele, em posição para atravessar seu coração, embora ele estivesse com uma ótima armadura.

    Arthur fora derrotado antes mesmo que pudesse fazer alguma coisa.

    Ele vê a sua inimiga aproximando-se do detetive caído para curá-lo, enquanto impedido de se mover. O rapaz não entende muito bem o que aconteceu, nem como terminou naquela situação.

    Tudo que ele consegue se lembrar, naquele momento, é da carta de seu tio. Ele lembra-se dele dizendo o máximo que podia de coisas ruins sobre certas pessoas que tomavam cargos altos em Thais, mesmo que adorasse o império e servisse a ele. Trevor ensinou-lhe sobre como era importante ter autocrítica, e que deveria sempre duvidar do império que servia, mas tentar melhorá-lo, não abandoná-lo ou juntar-se a sua corrupção. O resultado de ter deixado um homem tão suspeito como Redeater andar pelo seu império é aquele.

    Mesmo que o detetive fosse conhecido como um dos únicos combatentes contra o Credo de Sangue e tivesse parceiros e amigos secretos, espalhados pelos reinos de Tibia, ele nunca deixou boas impressões. Ele não passava segurança, não passava confiança, e a desconfiança sobre suas ações e atitudes eram sempre altas para qualquer pessoa que ficasse tempo demais próximo dele. Arthur ficou quase dois anos trabalhando com o detetive. Agora, ele nem mesmo sabe se Mirladan está vivo.

    No entanto, mesmo que tenha errado, o velho Trevor o ensinou também que ele pode resolver seus próprios erros buscando por soluções. E que, mesmo agora, quando errou o suficiente para perder seu melhor amigo, ele ainda podia fazer alguma coisa.

    L... L-Livro do Cavaleiro Banido de Elite... P-Página 33, quinto parágrafo...

    O primeiro a escutar a recitação é Varmuda. Redeater ainda está no meio dos seus primeiros cuidados, mas a demônia não parece interessada em esperar.

    — O cavaleiro não desistiu! Ele tem um livro de quarta profissão! Avise a druida! — Grita Varmuda, através da mente do detetive.

    Um livro de quarta profissão. Outra vez, Dartaul se assusta. Ao olhar para o lado onde o rapaz está, ele não vê mais nada entre as vinhas. Ankari repara em algo estranho, e logo depois, no sumiço do seu alvo.

    — Tem algo que eu precise saber, detetive?

    Uma figura surge dos céus com uma espada imensa, em alta velocidade. Talvez não dê tempo dos dois escaparem, mas ainda assim, Redeater aponta. E Ankari responde.

    Exevo Gran Mas Frigo!
    Exori Arus Ico!

    Um único tornado imenso de gelo forma-se ao redor de Ankari e Redeater para protegê-lo do poder insano da espada crescida de Arthur. Mesmo o rapaz parece maior agora, e sua armadura está negra, diferente de antes, que ostentava as cores dos militares thaianos. Agora, seu poder pode dificilmente ser contido por uma magia épica, afinal, o que ele está usando pode ser muito mais poderoso.

    Com o choque da espada, a magia enfraquece. Dartaul entende rápido que ela não vai aguentar, apesar da demonstração de poder que mostrou há pouco. Ambos não sabiam que o tenente especial é tão poderoso como tem aparentado, e sua própria estratégia parece ter ido por água abaixo.

    Mas não por muito tempo.

    — Toque Ankari! Irei nos salvar! — Grita Varmuda, mais uma vez. Ele entende por um momento o que deve ser feito.

    Redeater agarra abruptamente o tornozelo da druida, que está tão concentrada que mal percebe o toque. E em segundos, a força do tornado cresce exponencialmente, tornando-se maior, mais forte e mais violento. Embora Arthur esteja mais forte, ele não irá conseguir resistir.

    O homem percebe a situação desvantajosa e desiste. Ele desaparece, e o tornado também, logo depois. Quando as coisas ao redor voltam ao normal, Arthur surge novamente atirando-se na direção dos dois, com outra magia semelhante. A armadura negra e uma capa roxa presa no ombro direito dele mostram que ele não desistiu completamente.

    Exevo Gran Mas Frigo! — Pronuncia com mais violência a druida, estendendo os braços em seguida.

    Agora, vários tornados do mesmo tamanho do anterior surgem, segurando os movimentos de Arthur. O poder do gelo é mortal sobre a armadura pesada do tenente, que vacila por um instante; O suficiente para que os tornados tomassem outro caminho e se juntassem todos para atingi-lo. Por um tempo de quase quarenta segundos, nada ouvia-se por perto senão os gritos do rapaz e o vento gelado e carregado ao redor dele.

    Ele agora está tombado no chão, enfraquecido, cheio de feridas. Sua armadura está quebrada, e seu rosto praticamente vermelho de tantas feridas. Não seria estranho se ele morresse ali mesmo de hipotermia, tamanho o poder que Ankari lançou contra ele. Mas agora, ela está exausta, e ainda assim, tentando recuperar Redeater. O detetive sente-se um pouco culpado naquela situação, e a impede de continuar, deixando-a sentar-se um pouco também.

    — Hah. Hahahah. No fim, você é um detetive bonzinho. — Murmura Ankari, enquanto tenta voltar a respirar normalmente.
    — Tantas magias te deixaram louca.

    Redeater respira fundo e usa as próprias magias de paladino real para se curar. Sente-se cansado, mas não o suficiente para ficar no chão, após passar tanto tempo sem fazer nada. Arthur ainda está no chão. Talvez seja hora de começar a falar.

    Ele levanta-se. No meio tempo, ele consegue ver Arthur ainda se mexendo. No instante em que ele ajeita sua postura, o cavaleiro está voando outra vez na sua direção; Agora, mais parecendo um espectro maligno e avermelhado do que um ser humano.

    — Tsc. Faça-me um favor e volte pro chão.

    Enquanto avança, o rapaz percebe que a visão que tem de Redeater se esvaiu da sua frente e foi substituída com algo parecendo um míssil vindo na sua direção. Em um segundo, ele reconhece que é ele mesmo. No outro segundo, ele choca-se com um espelho, e perde toda a força restante que tinha para avançar ao cair no chão pela confusão que o objeto lhe causou e os novos machucados que o vidro lhe providenciou.

    Outra vez, ele está no chão. E outra vez, ele tenta se levantar. Porém, um brilho claro como a lua surge abaixo dele, tomando um formato de uma espécie de brasão tribal. Esse formato cerca seus arredores, formando uma gaiola.

    Kråkabur! — Pronuncia Gala, na sua frente, completando o formato da gaiola branca.

    A garota albina toma uma de suas espadas-chaves e usa a área que seria o pomo, que mais lembra uma ponta de chave, para trancar a gaiola. Finalmente, Arthur está derrotado. Em seu estado atual, é impossível ele escapar da magia sofisticada da Sociedade dos Espíritos Claros. O cavaleiro finalmente cai no chão, mas não desmaia de cansaço por muito pouco. Redeater aproxima-se, com desdém.

    — Mirladan está vivo, sabe? Assim como sua companhia toda. A garota que criou aquele espelho foi a mesma que criou um portal que trocou nossas posições. Agora mesmo, o velho e aqueles soldados devem estar na área da segunda muralha, tentando voltar pra cá.

    Embora não devesse se sentir assim, o rapaz consegue respirar mais aliviado. No fundo, sente que o detetive está falando a verdade.

    — Na verdade, toda a palhaçada que aconteceu hoje foi feita por mim. Nunca houve ataque do Credo de Sangue. Eu mesmo fiz os sinais ao redor da capital enquanto estive por aqui, e até quando eu não estava. Tive meus aliados para fazer até o Imperador pensar que a cidade corria perigo. O fogo repentino na floresta do norte, o lago sagrado do norte sujo, a velha matilha do oeste morta, um ciclope crucificado na colina mais distante do leste. Tudo foi feito por mim. Para que, quando o anúncio do ataque feito hoje, o tal fazendeiro sem sangue algum no corpo, convencesse os militares.

    “Aquilo também fora uma criação da garota ali atrás. Ela é perfeita com coisas assim, por ser uma conjuradora. Aprendi rápido o que ela é capaz de fazer, e pude agilizar as coisas para hoje. Para que eu pudesse chegar até você novamente, um dos homens mais difíceis de ser localizado na capital quando não está em serviço, e estritamente perigoso quando está em serviço. Deixá-lo sozinho não necessariamente me requisitaria tanto esforço, mas a razão de eu ter feito isso é para que eu também pudesse convencê-lo.”

    Arthur ouve vozes estranhas logo atrás dele. Com algum esforço, ele consegue virar um pouco do seu corpo exausto para olhar pra trás. Pensava que não poderia ficar mais chocado naquela noite.

    Ainda havia pessoas na região. Elas se esconderam dentro das suas casas, esperando que o ataque não chegasse até ali. Aquela área não foi totalmente evacuada. As informações foram manipuladas. Quando o combate finalmente cessou, as pessoas que não tinham saído daquela área estavam agora encarando uma espécie de ídolo caído diante dos inimigos. Era possível escutar o choro de várias crianças, em várias casas diferentes ao seu redor. Murmúrios de medo e tristeza. Ele está caído, derrotado, e essas pessoas estão vendo isso muito bem. Uma visão digna de seus pesadelos.

    — V-Verme... É... A-Assim qu-que vai... Me c-convencer?
    — Óbvio. Já sabe o que está acontecendo, não é? Colocou essas pessoas em perigo. Não checou corretamente se todos evacuaram o distrito. Ainda há pessoas aqui, Arthur. Você as colocou em perigo. Quando Mirladan e o outro tenente que está com ele chegarem e verem isso daqui, verão que você, além de ter sido derrotado, permitiu que essas pessoas fossem quase mortas, a troco de quê? Isso é inadmissível para o major especial, seu chefe. Uma vergonha para sua casta.

    O tenente especial não responde. Sua face encontra o chão mais uma vez, sem esperanças, sem força. Não há mais vigor no seu corpo, e nada o responde mais.

    — Isso só será evitado se você se sacrificar. Se vier comigo para Oramond. Ninguém saberá que Arthur Van Aknimathas lutou arriscando a vida de inocentes e perdeu.

    Gala encara toda a situação logo ao lado dos dois sem mudar a expressão, mas não consegue deixar de sentir nojo de Redeater. Ela ou Zidaya eram capazes de criar ilusões de pessoas reais para colocar nas casas, mas ele preferiu colocar pessoas reais dentro delas. Ankari, que está sentada no chão, foi a que se posicionou ao lado dele desde o começo, e que manipulou as informações. Ela sente a raiva de Gala ao longe.

    Redeater também sente a raiva tanto de Gala quanto de Arthur. Sabe que o que está fazendo trai tudo que um dia já acreditou. Mas era a forma mais eficiente de trazer uma pessoa tão importante quanto o cavaleiro para o seu lado, facilitando a entrada em Rathleton. Pois, como pessoa, Arthur não valia nada para ele. O mesmo também tem ciência disso. Mas não está em posição de recusar.

    — E-Eu irei. — Disse Arthur, baixo e fraco, mas audível.
    — Ótimo. Zidaya, sabe o que fazer.

    Zidaya, que está atrás de Ankari, assente. Toda a área ao redor deles é circulada por um brilho poderoso, que os leva embora daquele distrito. E daquela cidade.

    Pouco tempo depois, Mirladan surge com sua companhia, mas tudo que encontra são os inúmeros destroços e sinais de uma batalha mortal. Ele e o tenente loiro ao seu lado conseguem entender o que aconteceu.

    Arthur caiu.





    Próximo: Capítulo 12 – Horizonte






    Espadas-chaves são as armas de Gala Nubila, mais conhecidas como "Twin Hooks". https://cdn.shopify.com/s/files/1/11...g?v=1522625957
    Última edição por CarlosLendario; 03-04-2019 às 13:50.



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  3. #43
    Avatar de Sombra de Izan
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    Padrão Batalha

    Poxa que incrível batalha, essas transformações me lembrou um pouco as mudanças dos Sayajins.

    Poxa esse lance interdimensional pode criar um nó na cabeça da gente sabia? me lembra um pouco o caminho dos sonhos, o desfecho não poderia ser melhor, sangue e destruição kkkk

    Ótimo capítulo, fico no aguardo de novas atualizações

  4. #44
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    Eu ja to mais ligado no enredo e na cronologia, acho que entendi o que foi descartado e a adaptação que o Redeater sofreu. Se bem que eu achei legal a treta com o dragão

    Mas segue o jogo. Ficou boa também a treta entre o Redeater e o Artur e tipo a chantagem que o Redeater fez com o Artur para forçar o cara a ir com ele para Rathleton.

    Acho boa ideia usar Rathleton como cenário. Que eu me lembre só um escritor da seção usou uma vez um personagem natural de Rathleton. Os escritores usam pouco essa ilha e eu acho que ela pode gerar histórias interessantes, pelas características dela que é tipo uma república no meio vários reinos e impérios várias monarquias

    Vamos em frente e fico aguardando material novo

  5. #45
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    Tá aqui, corno. Pra você deixar de grudar em mim como um Zac batendo com o Q.

    Capítulo extenso, como eu havia dito, o que acabou me impossibilitando de comentá-lo nos primeiros dias. Você conhece as minhas ressalvas com capítulos mais compridos, podem acabar extraindo do seu leitor o foco que se espera dele, mas vá lá. Nem sempre somos capazes de controlar isso. Tem muito mais a ver com a nossa empolgação do que com a nossa habilidade de ser sucinto. Sofro do mesmo mal.

    Outra ressalva: Oramond/Rathleton. Não vou me estender pra não chover no molhado, e tenho a expectativa sincera de que você desfaça a minha impressão a respeito do ambiente. Claro, não somos mais jogadores em nenhuma medida, mas o meu ódio àquele pedaço do jogo me precede, então, já sabe.

    No mais, pancadaria que segue. Gosto muito. Quanto mais sangue, melhor. Essa sina de Dartaul de trazer Arthur consigo vai ter que se justificar em algum momento da história, se você quer saber. Tivemos dois capítulos de confronto árduo entre esses dois com um único objetivo; é bom que ele seja uma espécie de Zathroth pra Randal, ou Randal pra Zathroth. Ademais, o personagem de Ankari me causa algum fascínio; sei que já esteve presente antes e que foi bastante explorado, mas é interessante vê-la retornando e sendo determinante no deslinde de mais um capítulo.

    Vai em frente, irmão. Desculpe pela demora, mas, já sabe. Vontade tenho. Só me falta tempo.

    Um abraço!





    Jason Walker e o Retorno do Príncipe
    Sexta história da série de Jason Walker e contando. Quem sabe não serão dez?

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  6. #46
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    Citação Postado originalmente por Sombra de Izan Ver Post
    Poxa que incrível batalha, essas transformações me lembrou um pouco as mudanças dos Sayajins.

    Poxa esse lance interdimensional pode criar um nó na cabeça da gente sabia? me lembra um pouco o caminho dos sonhos, o desfecho não poderia ser melhor, sangue e destruição kkkk

    Ótimo capítulo, fico no aguardo de novas atualizações
    Rapaz, o caboclo ali só ganhou uma armadura, foi transformação não vou inclusive explicar futuramente sobre essas paradas. Também vou sempre explicar o melhor que eu puder sobre viagens interdimensionais e essa merda toda, mas não é nada muito complicado.

    Agradeço a presença, cara. Espero que continue.

    Citação Postado originalmente por Shirion Ver Post
    Eu ja to mais ligado no enredo e na cronologia, acho que entendi o que foi descartado e a adaptação que o Redeater sofreu. Se bem que eu achei legal a treta com o dragão

    Mas segue o jogo. Ficou boa também a treta entre o Redeater e o Artur e tipo a chantagem que o Redeater fez com o Artur para forçar o cara a ir com ele para Rathleton.

    Acho boa ideia usar Rathleton como cenário. Que eu me lembre só um escritor da seção usou uma vez um personagem natural de Rathleton. Os escritores usam pouco essa ilha e eu acho que ela pode gerar histórias interessantes, pelas características dela que é tipo uma república no meio vários reinos e impérios várias monarquias

    Vamos em frente e fico aguardando material novo
    Rathleton foi usada só pelo @Edge Fancer pelo que eu me lembre, é um lugar com boa lore para ser utilizado em diversas histórias. Aqui na minha, a cidade não vai ser bem o que se espera ser, farei algumas alterações. E a propósito, Rathleton não é uma república, mas um regime democrático regido por um magistrado, e as pessoas de lá foram escolhidas pelos cidadãos. Que, por sinal, é algo bom mesmo de ser explorado.


    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Tá aqui, corno. Pra você deixar de grudar em mim como um Zac batendo com o Q.

    Capítulo extenso, como eu havia dito, o que acabou me impossibilitando de comentá-lo nos primeiros dias. Você conhece as minhas ressalvas com capítulos mais compridos, podem acabar extraindo do seu leitor o foco que se espera dele, mas vá lá. Nem sempre somos capazes de controlar isso. Tem muito mais a ver com a nossa empolgação do que com a nossa habilidade de ser sucinto. Sofro do mesmo mal.

    Outra ressalva: Oramond/Rathleton. Não vou me estender pra não chover no molhado, e tenho a expectativa sincera de que você desfaça a minha impressão a respeito do ambiente. Claro, não somos mais jogadores em nenhuma medida, mas o meu ódio àquele pedaço do jogo me precede, então, já sabe.

    No mais, pancadaria que segue. Gosto muito. Quanto mais sangue, melhor. Essa sina de Dartaul de trazer Arthur consigo vai ter que se justificar em algum momento da história, se você quer saber. Tivemos dois capítulos de confronto árduo entre esses dois com um único objetivo; é bom que ele seja uma espécie de Zathroth pra Randal, ou Randal pra Zathroth. Ademais, o personagem de Ankari me causa algum fascínio; sei que já esteve presente antes e que foi bastante explorado, mas é interessante vê-la retornando e sendo determinante no deslinde de mais um capítulo.

    Vai em frente, irmão. Desculpe pela demora, mas, já sabe. Vontade tenho. Só me falta tempo.

    Um abraço!
    Demora duas semanas pra comentar e ainda reclama

    A essa altura, eu já posso falar que o foco mesmo vai ser no continente de Oramond, não em Rathleton. Tem muita coisa a ser explorada lá, e farei com que seja interessante o máximo possível. Estou refazendo a história para tal. Já bolei novos personagens que estarão vindo nos próximos capítulos que não existiam quando eu escrevia no ano passado, então já dá pra esperar coisa boa.

    E realmente, Arthur será decisivo nesse arco de Oramond, por isso ele teve dois capítulos e meio focados ao seu redor.

    E prepare-se: Rathleton no próximo capítulo!












    Capítulo 12 – Horizonte




    Não demorou mais do que dois dias para que Redeater e seu grupo zarpassem para Oramond, apesar da demora de Ankari pra apresentar-se para a viagem. Após finalmente conseguirem Arthur, nenhum deles estava disposto a perder tempo. Especialmente após o exagerado plano do mascarado para tirá-lo do império e não dar qualquer margem para que ele retorne.

    Ao menos, é como o cavaleiro pensa.

    A capital do império supostamente fora atacada pelo Credo de Sangue, mas, no fim, não houve sequer um sinal de que ela, de fato, foi atacada. No entanto, há confirmação de várias testemunhas de que Arthur foi capturado por um grupo diferente. Um erro de cálculo fez com que Redeater perdesse seu acesso ao império, já que não era difícil reconhecê-lo: Seu sobretudo e chapéu negros são vistos ao longe, mesmo que não queira. Somente em Carlin seu disfarce funciona bem, devido ao frio e ao uniforme de sargentos locais. Denunciado ao exército, é impossível que ele volte novamente, e se Arthur descobrir, abandonará o grupo.

    Mesmo que a vergonha sepulte sua fama como parte do top 10 de melhores tenentes especiais do império e destrua sua chance de ser líder da família Aknimathas. Talvez Arthur reconsidere quando se lembrar de tudo isso. Menos uma preocupação para ele.

    O detetive está agora encarando o horizonte. O seu navio não está muito cheio. Poucas pessoas têm motivos bons o suficiente para se aventurar numa viagem para Oramond, onde há risco de ataques de piratas, navios-fantasmas ou criaturas marinhas. Além disso, o capitão não é sequer confiável: Veste-se de uma camisa puída e bermudas velhas, e usa um macacão verde-escuro por baixo de tudo, e um colete costurado em volta de uma cota de malha. Muito bom para brigas de bar, péssimo contra a lâmina de um pirata dos mares. Tudo isso somado a seu rosto que lembra alguém que não dorme há dias e sua cabeleira desorganizada só piora as coisas.

    O mascarado lembra-se da situação do grupo: Arthur trancou-se num cômodo do convés, e Gala e Zidaya estão em outro, conversando incansavelmente como amigas que não se veem há décadas, talvez séculos. Ele nunca soube de Zoe se albinos da Ordem eram capazes de viver mais do que humanos. Mas sabe que nenhum deles está a fim de conversa com ele.

    No fim, Ankari é a única disposta a interagir.

    — Lendário detetive! Ou seria detetive lendário? Enfim, estou bem entediada. Quanto tempo até chegarmos nesse continente? — E logo quando pensa nela, ela surge ao seu lado, animada como sempre.
    — Provavelmente mais alguns dias. Não conte com a sorte. — Responde o detetive, com um espírito oposto ao da druidesa, de braços cruzados.
    — Pelos deuses, como eu odeio Oramond. Por que tão distante?

    A druidesa não apreciava viagens longas, por mais que gostasse de conhecer lugares novos.

    — Então, Redeater — Disse ela com seu usual tom de ironia ao falar seu nome — Que tal uma conversa? De repente você pode até me explicar como conseguiu essa pistola que recarrega rápido. Talvez pode explicar sua fama como-
    — Explique como sobreviveu àquele golpe de Arthur. Aquela regeneração não é normal.

    Por algum tempo, a druidesa pensou ter conseguido lançar uma desculpa convincente para ele, afinal, já tinha um bom tempo desde que aquilo aconteceu.

    — Ah... Vou ter que explicar isso mesmo?
    — Deve.

    Ankari põe os braços sobre a amurada e afunda sua cabeça neles. Faz um suspiro alto e ruidoso, enquanto se prepara para falar.

    — Bem... Pode-se dizer que eu sou imortal.

    O detetive calcula mentalmente quanto tempo levaria para ele pegar sua pistola e atirar na cabeça dela. Afinal, ele só conhece um tipo de gente imortal.

    — Sou filha de uma dríade. Elas são muito raras hoje em dia, mas pode ser que antigamente elas tinham tanto domínio sobre os campos e colinas ao norte de Carlin que uma ou outra podia se dar ao luxo de ter relações com humanos, sem que as outras percebessem. Ao menos, eu acho que foi isso aí que aconteceu. Afinal de contas, sequer vi um contorno de minha mãe em toda a minha vida. Meu pai morreu cedo, e fiquei aos cuidados dos meus avôs, que nunca conseguiram lidar com o fato de eu querer ser uma cavaleira, sendo que sempre fui tão fraca.

    “Eu tinha uma doença degenerativa, não posso explicar muito bem sobre ela, porque não lembro direito das coisas. Mas foi um elfo que me curou e disse para eu arriscar a vida de um druida. E cá estou eu, uma druidesa. Foi meio complicado no começo, mas o poder de uma dríade não pode ser subestimado. Minha conexão com a natureza só perde para a de uma dríade de verdade. Inclusive, posso fingir ser uma cavaleira quando eu quiser."
    “Mas é difícil aceitar ser uma druidesa quando você sente que seu corpo nasceu pra outra coisa. Então, pra tentar contornar isso, eu comecei a estudar compulsivamente, e pesquisar. Isso me levou a vários cantos do mundo, procurando livros, tentando entender o que eu poderia fazer. E dez anos atrás, eu encontrei Gala e Zidaya aventurando-se sozinhas por Svargrond. Elas queriam ir para Helheim, resgatar um garoto que foi sozinho lá em busca do pai e se perdeu. Eu decidi ir com elas, inventando umas desculpas. Mas meu interesse em duas albinas, branquinhas igual a neve, nossa, era mil vezes maior. Não que eu goste da fruta, nada disso. Só que a energia que elas emanavam era insana. Eu queria ver isso mais de perto.”

    “No fim, fomos para as Minas de Formorgar. As duas se ajudavam tão bem para derrotar os demônios da mina que eu fui inútil no caminho inteiro, só servi pra ficar tagarelando, principalmente após descobrir que elas eram da Sociedade dos Espíritos Claros. Foi chocante notar que uma filha de uma dríade não era nada se comparado ao potencial de combate das duas. Até que achamos o garoto, mas ele estava tão assustado que nos confundiu com demônios e fugiu de novo. Voltamos para o topo da ilha, e francamente, nunca fiquei tão irritada. Mas, ao longo do caminho, elas comentaram que conseguiram detectar o corpo de algum parente dele espalhado pelos corpos dos demônios que derrotamos perto da criança. É, a criança viu o pai ser devorado na frente dele.”
    “Foi então que tive a dúvida: Se o pai dele foi devorado, porque o menino não foi devorado também? E enquanto eu refletia, fomos emboscadas, e eu tomei um golpe fatal protegendo Zidaya de ser atingida por trás. Forcei-as a fugirem e me deixarem para trás, mas acredito que os demônios foram atrás delas, e eu fiquei lá, sangrando até a morte. E, de fato, eu vi uma luz distante num túnel. Mas eu nunca cheguei nele. Minha visão voltou, e em pouco tempo, eu senti minhas feridas se fechando, o sangue voltando, tudo funcionando de novo. Então, em cinco minutos, eu me levantei e corri até a saída das minas, achando muitos corpos pelo caminho.”

    “Fora da entrada, encontrei elas com o garoto, mas eu pude sentir a presença maligna dentro dele. Elas estavam chocadas em me ver viva, com meu casaco esverdeado de druida aberto e embebido de sangue, mas minha pele sem uma cicatriz sequer. Mas o mais importante era salvá-las de uma armadilha, outra vez. Então, eu me atirei na direção delas usando meu controle sobre o vento, e com a mesma força, as joguei para trás, e empalei o garoto com a terra abaixo de mim, tudo em um segundo. E em um segundo, eu tive meu braço arrancado, e minha barriga aberta outra vez pela minha própria magia, já que ele me prendeu, de alguma forma.”
    “Eu e o garoto demoníaco ficamos agonizando no ar por um bom tempo, enquanto Gala e Zidaya deixavam a ilha para trás, com medo e culpa. E, por meia hora, eu realmente não pude me mexer. Estava morta. Mas minha regeneração me deu forças para tirar meu corpo da estaca, e trouxe-me de volta a vida, meu braço, minha barriga linda. Eu as encontrei em Svargrond de novo no mesmo dia. E elas passaram a confiar em mim, desde então.”

    É bastante informação, mas Redeater consegue entender que Ankari nunca teve exatamente um controle total sobre o que deve fazer, ela simplesmente faz. Podia muito bem ter morrido na explosão na capital, mas não se importou em arriscar, pois voltaria a viver logo depois. Ele também aproveita para anotar mentalmente como a vida da druidesa é terrível, afinal, não consegue imaginar situação pior que a de não morrer de jeito algum, não importando a dor.

    — Então agora você espera que eu confie em você, por ter feito basicamente a mesma coisa que você fez nessa história para que saíssemos vivos?

    A druidesa põe a cabeça sobre as mãos, com os cotovelos apoiados na mureta do navio, e o encara com um sorriso bonitinho e sem vergonha, brincando com o fato de suas intenções terem sido descobertas. O detetive respira fundo.

    — Tsc. Creio que posso contar com você no futuro. — Disse o homem, enquanto o sorriso de Ankari cresce — Mas não confio em você, só para deixar claro. Sua história de imortalidade ainda é suspeita. — E diminui logo em seguida, transformando-se numa cara de pidona. O detetive a ignora.

    A mulher endireita-se, e põe as mãos na cintura. O vento dos mares balança seus cabelos castanhos, e seus olhos encarando o horizonte brilham com o sol de fim de tarde. Por um breve instante, Redeater sente um mundo de pensamentos moldando a expressão de Ankari.

    — Pois bem, contei minha história. Agora, e quanto a sua esposa? E esse buraco entre o tempo do clã de vampiros e agora?

    Finalmente, ele volta a encará-la, pouco amigável.

    — Pensei que já tinha te falado.
    — Na verdade, quando eu perguntei, você-
    — Te falado para não me perguntar sobre isso.

    Ankari demora dez segundos para desfazer a cara de choque que fez e absorver o fato de que Redeater pode ser minimamente engraçado.

    — Posso te falar de praticamente qualquer coisa além disso.
    — Ok, ok... Esposa é assunto proibido... Então, por que estamos indo para Oramond?

    O detetive gosta tanto da pergunta que deixa de cruzar seus braços e os apoia sobre a mureta.

    — O Credo de Sangue está lá. Em algum lugar chamado de “Caverna da Esperança”, na antiga localização dos clãs de altos minotauros de Oramond. Eles estão no subterrâneo, e há muitos boatos de assassinatos brutais ocorrendo lá dentro. O local era usado por mineiros e peregrinos, e por minallies, até essa palhaçada começar. Estou indo lá investigar e resolver.
    — Minallies? O que é isso? E se é tão simples assim, por que precisa de nós?
    — São os altos minotauros que aceitaram se aliar a humanidade em Oramond e trabalhar com eles depois que os clãs foram desfeitos, na Guerra do Santo Machado.
    — Hã... Nunca ouvi falar, detetive.

    O detetive agradece por ter sido abençoado com tanta paciência.

    — Em poucas palavras, os clãs queriam diminuir a influência perigosa da humanidade sobre a ilha e seu uso desmedido sobre o glooth. Em suma, eles queriam destruir Rathleton. A humanidade revidou e venceu. Eles ganharam domínio sobre a cidade baixa para guerrear, sobre os esgotos, sobre os clãs, e agora Rathleton é muito mais poderosa do que no passado. Isso graças a uma guilda especial, chamada de Protetores, e pelos Van Mena.
    — Ah, então os minotauros perderam e foram obrigados a trabalhar com os humanos que tinham gente poderosa com eles?
    — É... Por aí. Eu chamei vocês, pois, obviamente, não vamos simplesmente limpar essa caverna, vamos ficar para investigar provavelmente Oramond inteira. Aquele lugar tem um altíssimo potencial de ser o próximo alvo de um genocídio global em Tibia pelo Credo de Sangue.

    Ela parece um pouco confusa frente aos novos fatos, mas consegue compreender que nada daqui em diante será fácil para ela.

    — E você quer nossa ajuda para investigar sobre o Credo na ilha?
    — Exatamente. Na verdade, Zidaya tem poderes sensoriais e astrais, serão muito úteis contra eles. Gala também, além de sua habilidade de luta superior a minha. E Arthur é uma autoridade thaiana, nos ajudará a entrar em Rathleton, e será nosso trunfo contra o líder do Órgão na ilha.
    — E eu? — Pergunta a druidesa, com visível animação.
    — Será nosso suporte. E só.
    — Isso é tão cruel...

    Embora não parecesse, a animação de Ankari consegue chegar até Redeater e transformá-lo um pouco. A figura depressiva e pouco destacável que é Redeater não consegue sentir animação em ir matar coisas em outros lugares, mas há algo em Rathleton que o incentiva a ir para o continente, apesar dele não ser muito atraente. Sentir raiva e decepção é muito comum para ele, entretanto, naquele momento, e nos próximos, talvez ele deixasse de se comportar continuadamente dessa maneira.

    — Ah, Redeater, preciso que se lembre de pegar leve com Zidaya. É um favor pessoal meu.
    — Adoraria escutar a razão, pois ela não é muito amigável. Igual à prima.
    — Alguns anos após a mãe dela ser declarada morta, ela cortou a própria língua fora para aliviar a depressão que sentia. Ela tinha sete anos quando Zoe morreu, e creio que doze quando fez isso. Ela só recuperou a língua e a fala graças a mim, mas continua com o costume de ser muda. Só isso já é motivo para tratá-la de uma maneira diferente, se possível.

    Por algum motivo, o sentimento um pouco quente que sentia dentro dele se foi. Ele lembra-se de como não conseguira localizar a filha de Zoe, embora a mesma tivesse pedido isso para ele quando ainda era presente na sua vida.

    — Não sei se posso. Mas irei tentar.

    Ankari assente e ambos voltam a olhar para o horizonte. O sol já se pôs. O detetive volta a cruzar os braços, com planos dispostos na sua mente como em uma mesa. Sabe bem o que sente agora.

    Rathleton, que poderá ser vista no horizonte assim que a noite cair, está prestes a oferecer muito mais do que eles imaginam.








    Próximo: Capítulo 13 – Salto



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  7. #47
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    Caralho, mano. Tô arrebentando um recorde pessoal aqui. Que não se alegue no futuro que Neal Caffrey quedou-se inadimplente com suas obrigações.

    Esse é um capítulo de transição. Muitas informações trocadas entre Dartaul e Ankari, o que enrique o enredo de longo prazo, já que alguns fatos suscitados podem acabar por influenciar a história no futuro. De antemão: dei like na viagem de navio, por mais irrelevante que isso possa parecer nesse momento da história. Não sei exatamente o que me motivou a inserir esse elemento nas minhas histórias. Ele sempre existiu. Acho que a série de Piratas do Caribe pode ter alguma influência nisso. De todo modo, esse período que serviu quase que exclusivamente pra reflexão dos personagens quer me parecer relevante no longo prazo.

    Aos poucos, vou compreendendo um pouco melhor a personalidade de Ankari, em adição a tudo que você já me falou sobre ela. Achei curiosa a expressão "druidesa"; confesso que não fui atrás pra saber se etimologicamente é correta, mas é bacana ver essa distinção entre o masculino e o feminino. A digressão que ela faz a respeito das diligências nas ilhas de Svargrond foi muito boa e bastante imersiva. Espero que você explore a ilhota gelada e seus apêndices em algum momento. E concordo com ela: Oramond é um lixo.

    Mais: a vestimenta do Credo, como foi descrita, me lembrou o campeão Twisted Fate, muito ignorado nos patches recentes de League of Legends mas que é muito, muito útil se o cara souber jogar com ele. Fica esse adendo.

    De mais a mais, gostaria de pontuar duas coisas. Seria interessante se tivesse havido a tradução literal da expressão glooth, que vi uma ou duas vezes no curso do texto. Poderia até ter sido inserida uma nota de rodapé esclarecendo a transcrição. Isso, contudo, é uma coceira no cérebro minha em particular, não é obrigatório.

    Finalmente, não entendi o excerto abaixo (pode haver um errinho de digitação aí):

    — Te falado para não me perguntar sobre isso.
    No mais, vai em frente, irmãozinho. No final das contas, acho que Oramond (e mesmo Rathleton, vá lá) pode nos trazer algo de interessante sobre o que se estruturar.
    Jason Walker e o Retorno do Príncipe
    Sexta história da série de Jason Walker e contando. Quem sabe não serão dez?

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  8. #48
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    Cara, acho que uma republica não precisa ter necessariamente um presidente, pode ter um primeiro-ministro e de repente ate mesmo um juiz coordenando um sistema democrático em que os cidadãos votam. Se a gente tivesse que classificar Rathleton acho que a classificação mais correta seria republica, porque monarquia não é. Talvez uma oligarquia, sei lá.

    Mas isso não cai na prova

    Essa historia do Edge Fancer eu não li , não me lembro. Foi em um outro lugar que eu vi mas agora também não me lembro

    Mas beleza vamos para Rathleton porque pelo que você descreveu sobre o time que o Redeater montou os caras são foda vão fazer molho pardo do pessoal do sangue lá.

    Gosto de ver as suas cenas de ação quando o pau quebra pra valer.



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