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Tópico: O Exorcismo de Alyssa Amber

  1. #1
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    Padrão O Exorcismo de Alyssa Amber

    Pessoal,

    Como alguns de vocês que me acompanham já sabem, Jason Walker chegou ao seu último tomo e já foi inteiramente finalizado, sendo que os capítulos serão postados conforme os comentários forem surgindo na história. Futuramente, teremos um outro tomo chamado "Jason Walker: Revelations", que tratará de alguns aspectos periféricos da obra de cinco livros, mas será posterior à finalização da postagem da história na seção de Roleplay do fórum.

    Neste momento, quero lançar um piloto. Como alguns de vocês sabem (Iridium, Ameyuri Ringo, CarlosLendario), preciso estar escrevendo continuamente. É o meu prazer, é o que eu gosto de fazer. Esta história continuará a depender do acompanhamento que tiver. Caso a procura por ela seja baixa, permanecerei escrevendo, mas somente para o meu acervo pessoal. O Patrono do Apocalipse me criou uma perspectiva recente de que, talvez, minhas histórias não sejam tão bem escritas quanto eu imagino, porque meu público não aumentou e perdi um pouco daqueles que costumavam me acompanhar. Agora, quero testar a tese abordando o ambiente tibiano de outra perspectiva.

    O merge com a cultura cristã permanecerá. Aqui, não teremos Crunor ou Zathroth, mas Deus e o diabo, de forma bastante singela. Emprestei os conceitos e os ambientes tibianos, mas decidi manter a cultura religiosa do jogo de fora. Espero não os decepcionar e, sinceramente, não decepcionar a mim mesmo.

    Comentários, críticas e sugestões, em qualquer nível, são muito bem vindos. Preciso de perspectiva. Se o projeto não avançar, vou paralisá-lo de qualquer forma.

    Desde já, obrigado a todos que me acompanham. É um prazer ter alguém para quem escrever.

    Nota: este é um thriller tradicional. É recomendável àqueles que não se sentem confortáveis com o tema abordado que tomem certo cuidado com a leitura. Aborda possessões, rituais de possessão, lendas e mitos cristãos e outros aspectos do gênero.

    Citação Postado originalmente por Atualizações
    Postado o Episódio 6
    25/05/2018
    Citação Postado originalmente por Índice
    Prólogo nesta postagem
    Episódio I - Piloto nesta postagem
    Episódio II - Henricus, o Exorcista
    Episódio III - Forças
    Episódio IV - O Início
    Episódio V - Conflitos ideológicos
    Episódio VI - Embate extraprocessual

    Episódio VII - Especialista (próximo capítulo)
    Citação Postado originalmente por Extras
    Inspirações iniciais nesta postagem
    Spoiler: Prólogo


    Spoiler: Episódio I - Piloto


    Spoiler: Inspirações iniciais


    Obrigado a todos e espero que este seja um até logo.

    []'s

    Publicidade:
    Última edição por Neal Caffrey; 25-05-2018 às 23:53.
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  2. #2
    Avatar de Edge Fencer
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    Oi Neal. Antes de tudo, tenho que dizer que há muitos meses eu planejo voltar a acompanhar as histórias do Jason (infelizmente parei logo nos capítulos iniciais), mas seja por preguiça ou falta de tempo, não cheguei a cumprir essa meta. O que nunca me faltou foi vontade, porque sua escrita é excelente e certamente merece muito mais feedback do que de fato recebe. Fiquei contente de ver esse tópico novo aqui porque me deu a chance de conseguir pegar um projeto seu do começo e ter mais ânimo pra acompanhar e valorizar seu trabalho.

    Sobre o início da história, sensacional. Desde os capítulos que li da saga do Jason já dava pra perceber que o mundo do tibia não te limita, muito pelo contrário, só enriquece suas histórias. Sendo bem bobo e simplista, é como se suas obras fossem um potão de sorvete de flocos e a mitologia e ambientação tibiana uma cobertura de caramelo (melhor combinação, sinta-se muito elogiado hahaha). E nessa aqui essa mistura ficou ainda mais legal, muito por causa da narração ótima que o julgamento do senhor sonegador teve. Deu pra perceber que você manja dos termos jurídicos e dos procedimentos legais, e seria bem fácil a leitura acabar ficando meio chata; felizmente isso não aconteceu aqui, o capítulo foi muito imersivo e envolvente, ao mesmo tempo que ficou tranquilo até pra um total leigo como eu conseguir acompanhar o desenrolar do julgamento. Sobre os personagens, o advogado Pearson e a juíza Sarah tiveram uma dinâmica bem legal nesse começo de história, e pelo prólogo a previsão da juíza sobre o futuro do advogado parece que vai se cumprir hahaha.

    Espero que continue escrevendo essa e outras e histórias por aqui, tenha certeza que a qualidade da sua escrita segue altíssima mesmo com uma eventual falta de comentários. Certeza que eles somem às vezes por falta de tempo dos leitores, ou pura preguiça mesmo, como acontece comigo. Mas certamente não é por uma queda de qualidade dos textos, pode apostar. Seguirei acompanhando essa história aqui, é muito promissora, e ~eventualmente~ vou ler as aventuras do Jason Walker e comentar minhas impressões por lá. Obrigado pelo capítulo, abraços!
    Son of a submariner!

  3. #3
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    Salve Neal, como esperado um início excelente e com uma escrita sensacional, como de costume. A defesa de Michael me deixou impressionado, cálculos precisos e rápidos, mal parecem suposições ou adivinhamentos, mas sim dados corretos - Até porque o velho Engels confirmou a maior parte das suas indagações, então, ele esteve certo o tempo todo, e ainda acendeu uma fagulha de tensão entre os cidadãos e a coroa. Já gostei do personagem.

    Como o título sugere, o caldo vai engrossar pra ele, pois ele me parece um personagem confiante, mas terá que lidar com um caso que nem mesmo Thais quis lidar e preferiu passar para os carlineanos. Curioso pra ver o que está por vir.

    Eu só sinto dizer que, pela primeira vez, acho que notei um erro seu.

    Cara, já conversamos sobre o que atrai público para as histórias, e como eu estive aqui durante um período onde a seção já foi mais movimentada e teve um bom público - o glorioso ano de 2012, meu primeiro ano na seção, e o último de movimento fluente e satisfatório - e eu meio que peguei o que mais atrai público e consequentemente torna tal conteúdo popular. Observando filmes, séries, livros, animes, jogos, eu comecei a tentar criar na minha cabeça o que exatamente atrai as pessoas, o que se torna popular. E só estou falando isso para você pois há tempos noto como você se queixa que está insatisfeito com a falta de público nos seus trabalhos, que sempre são excelentes.

    O melhor exemplo recente de história que fazia até visitantes criarem contas para comentar e apoiar o autor foi Dan da Cidade de Carlin. Eu também sofri o mesmo efeito, eu era um lurker (A palavra mais próxima disso em português é observador) que via algumas notícias, screenshots e vídeos de Tibia como visitante em 2011 e mesmo no ano seguinte com uma conta em mãos, eu continuava sendo um. Mas a história do Danboy era tão boa que me encheu de inspiração, e eu decidi que poderia escrever minhas próprias histórias também. É uma história emocionante, viciante, escrita suavemente e sem apostar em elementos muito pesados ou difíceis de compreender. Consequentemente, virou provavelmente a história com mais comentários de toda a seção, e mesmo que o autor não tenha terminado, tem 119 páginas lá e ainda há gente aparecendo pra comentar e encher de elogios. Desde 2012 eu não vejo uma alma sequer apontando algo ruim naquela história. Parece até magia.

    Mas, claro, não tem nada de sobrenatural nisso. É o estilo que o Danboy desenvolveu. Ele fez um estilo suave e simples de se ler, que me lembra muito o de Rick Riordan, autor de Percy Jackson e Os Olimpianos, uma série popular de livros entre jovens e até adultos, e também o de J.K. Rowling. Há alguns anos, livros como esses que mencionei começaram a ficar mais populares entre os jovens e o que levava essas obras até para o cinema era justamente a simplicidade mas precisa e bonita escrita que elas possuem.

    Resumindo essa wall of text sem noção onde eu provavelmente também posso estar errado em alguma coisa, seu estilo aqui nessa história está um pouco complexo para atrair o público. Eu digo isso porque é o primeiro capítulo que deixa a impressão se a obra será boa ou não, e se vale ser acompanhada. Se ele não agradar a todos, e se você visa público ao invés de trazer uma história boa para alguns - como o que eu tenho feito -, então eu sinto dizer que esse começo não foi uma boa jogada, ainda mais porque eu não penso que histórias com semelhança a Law & Order ou a que você já mencionou, Suits, atraia tantas pessoas. Claro, pode perfeitamente mudar depois e ganhar um outro estilo mais interessante, mas, como já aprendi há tempos, a primeira impressão é a que fica.


    De resto, nada mais. Eu certamente vou acompanhar enquanto aguardo a chegada dos capítulos já finalizados de Jason Walker. Espero que eu tenha sido compreensível na minha crítica, e considere-a importante, pois até hoje eu nunca achei sequer algo que pudesse ser criticado nas suas histórias.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  4. #4
    Avatar de Neal Caffrey
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    Spoiler: Respostas


    No último capítulo: Michael Pearson vence um caso tributário dificílimo em Carlin, após trabalhar o sentimento do júri. Como recompensa, Sarah Carano, a juíza, designa-lhe um outro caso possível, recomendado por Ronald Franklin, rei de Thais. Mike aceita o caso e passará a trabalhar na defesa de Henricus, o clérigo do Tribunal da Santa Inquisição de Thais.

    EPISÓDIO II
    HENRICUS, O EXORCISTA


    O Tribunal da Santa Inquisição de Thais nada mais era do que uma sala perfeitamente quadrada, com três escrivaninhas e muito papel acumulado. Uma porta aos fundos levava à carceragem, de onde viera a singular pessoa de Henricus.

    Prontamente, Michael imaginou que o clérigo se parecia mais com um astro do teatro do que com um padre propriamente dito. Suas vestes relembravam as da aristocracia, é verdade, mas aquele colete brilhante sobre a batina discreta e os cabelos louros arrumados num coque severo davam a impressão de que Henricus simplesmente não combinava com a Igreja Católica.

    O clérigo se adiantou, ajeitando os óculos modernos que usava e estendendo a mão direita ao advogado, que o cumprimentou, segurando a pasta com os arquivos do processo na mão esquerda.

    — Doutor Pearson, muito obrigado por ter vindo — sua fala era macia, como a de um político experiente na arte do convencimento. — Devo admitir que me causa certa estranheza o fato de a Coroa ter conseguido um defensor tão depressa. Tinha para mim que seria impossível de encontrar alguém que estivesse disposto a defender meu caso.

    Michael assentiu algumas vezes, olhando tudo em volta com vivo interesse.

    — É um procedimento bastante complicado, padre.
    — Sei que sim, sei que sim — Henricus, agora, parecia disperso. — Venha, vamos até minha sala particular. Conversaremos com mais tranquilidade por lá.

    O advogado fez um aceno breve para dois coroinhas que preenchiam documentos na antessala principal, que responderam com olhares de julgamento. Secretamente, ele compreendia qual era a origem daquilo. Durante todo o seu período de formação, seus professores costumavam dizer que ele se comportava mal. Agora, dentro do seio da Igreja Católica em Thais, achava que chupar uma bala podia ser considerado um mau comportamento.

    O ar era ligeiramente mais rarefeito além da porta aos fundos do escritório do Tribunal. Ali, Henricus o conduziu até uma sala pequena, em que a luz bruxuleante de um archote preso à parede oposta, às costas da escrivaninha vazia, dava impressão sepulcral ao ambiente. O padre se sentou do outro lado e Michael acomodou-se como pode em uma cadeira estreita diante dele.

    O defensor abriu a pasta do processo e começou a organizar os documentos sob o olhar atento de Henricus.

    — Padre, antes de mais nada, preciso que entenda que não estou aqui para julgá-lo — ele iniciou a conversa como iniciava com todo cliente em potencial. — Tudo que dissermos aqui está protegido pelo sigilo estabelecido entre advogado e cliente, portanto, nada poderá ser utilizado contra o senhor. É importantíssimo que saiba.

    O outro assentiu brevemente, concordando.

    — Consta dos autos do processo que o senhor realizou um exorcismo que deu errado — outra das características de Michael era o fato de que sabia ser direto quando era necessário. — A garota, Alyssa Amber, sofreu avarias severas antes de, finalmente, vir a óbito. As acusações são de homicídio doloso, isto é, havendo a intenção de se matar ou assumindo-se o risco de que o resultado ocorra.

    Henricus respirou fundo, concordando outra vez.

    — A legislação antiquada da Coroa estabelece punições… severas. O homicídio doloso é punível com a forca. Portanto, precisamos estabelecer a nossa defesa no sentido da absolvição e, especialmente, tentando desclassificar a questão envolvendo o dolo.
    — Senhor Pearson, creio que… lamentavelmente… nossas chances sejam menores do que a sua opinião profissional pode abranger.

    Michael recostou-se na cadeira educadamente, cruzando os braços e instando o clérigo a prosseguir.

    — Alyssa Amber era uma garota doente — foi a vez de Henricus de recostar-se, sentindo-se um pouco desconfortável. — Vinha sendo tratada por uma equipe de druidas em Thais, até ser removida para Carlin, onde havia melhor e mais competente equipe. Fui eu quem removeu Alyssa de seu leito e a trouxe para a realização do ritual de exorcismo.

    O defensor franziu o cenho, um pouco surpreso. Em geral, tinha que enfrentar os procedimentos instaurados pela Coroa no escuro, porque os acusados não costumavam abrir-se de forma tão abrangente consigo, fosse porque imaginassem que assumir a culpa ao próprio advogado reduziria suas chances de absolvição, fosse porque se envergonhavam do que quer que haviam feito.

    Henricus, contudo, não era um daqueles homens. Imediatamente, Michael reconheceu a expressão estampada em seu rosto. Culpa. Ele se sentia culpado pelo que o seu ritual de exorcismo ocasionou. Sentia-se culpado porque fora incapaz de salvar a vida de Alyssa Amber. Sentia-se ainda mais culpado porque fora quem dera a ordem para a remoção do leito do hospital e o início do ritual.

    — Ela tinha 16 anos — lamentou-se o clérigo, coçando os olhos por baixo dos óculos. — Muito, mas muito jovem. Mas o resultado dos nossos procedimentos causou surpresa mesmo a mim. Alyssa descendia de uma família muito cristã. Francamente, não sei por que havia tanto interesse sobre ela.
    — Peço que me explique de forma um pouco mais contundente — Michael puxou sua pena e um pedaço de pergaminho em branco. — Como foi que tudo isso se iniciou? E de que forma o senhor reconheceu os sinais da possessão?

    Henricus, agora, semicerrava os olhos. Estava claro para ele que estava diante de um cético de primeiríssima categoria. Em uma situação normal, aquilo ensejaria uma investigação por parte do Tribunal da Santa Inquisição.

    Aquela, no entanto, não era uma situação normal.

    — Vejamos — o clérigo ajeitou os óculos outra vez, deliberando. — Alyssa era uma grande feiticeira, mesmo para a idade. Embrenhara-se na Catedral Negra recentemente com um grupo de expedição da Escola de Feitiçaria. Nunca sabemos o que pode acontecer lá, mas a situação é eventual, mesmo considerando isso. Ninguém retornava da Catedral… louco. As visitas são guiadas por outros professores mais experientes, que conhecem cada uma das mazelas de lá.

    Michael assentiu, tomando notas.

    — Alyssa começou a manifestar comportamento agressivo nos dias subsequentes. Deve se lembrar das notícias mais recentes, que dão conta do feitiço que ela lançou sobre Percybald, o ator, que faleceu poucos dias depois. Estava absolutamente incontrolável.

    “O primeiro prognóstico profissional foi no sentido de doença psicológica. Alyssa foi diagnosticada com uma doença popularmente conhecida como esquizofrenia, com episódios de ataques epiléticos. Fora medicada. Druidas a acompanhavam a todo momento, sem lhe dar sossego. Fora enfeitiçada mais vezes do que seria suportável pelo seu jovem corpo e pela sua jovem mente.

    “Dias depois, seu comportamento se alterou. Da agressividade, Alyssa começou a agir de forma dócil. Conversava conscientemente, parecia ciente de que tinha um problema e estava empenhada em solucioná-lo. Recusava-se terminantemente, no entanto, a tocar no assunto a respeito da Catedral Negra. Salientava que se lembrava de tudo, mas simplesmente não queria falar sobre o tema.

    “Em seu último surto, mesmo após a melhora, ela matou dois dos médicos mais competentes de Thais. Com as mãos. Arrancou o coração de um deles simplesmente enfiando a mão dentro de seu peito. O outro teve a cabeça decepada. Durante todo esse processo, Alyssa não se utilizou de qualquer armamento. Entenda, defensor, ela fez isso com as mãos.

    “Ronald Franklin foi obrigado a pedir o auxílio de Elizabeth Franklin, que aceitou receber a enferma em Carlin, mas a teve mantida sob a mira de espadas e machados desde então. Druidas somente a visitavam acompanhados de soldados do exército. Por pouco, o próprio exército não lhe tirou a vida.

    “Foi a velha Diana Amber, sua mãe, moradora da pacata Rookgaard há tantos anos que me procurou neste Tribunal pouco tempo depois. Até então, tudo que sabíamos era que Alyssa tinha uma doença psicológica aparentemente incurável. Mas foi Diana quem identificou alguns dos padrões mais basilares. Como a boa católica que sempre foi, acreditava que forças extraordinárias haviam se apossado do corpo da filha.”

    Michael assentiu algumas vezes, lançando mais anotações. Acabara de identificar uma testemunha em potencial, e as teses de exclusão de culpabilidade começavam a tomar suas ideias naquele momento. Se Henricus fora procurado por um familiar da jovem Alyssa, então a própria família tinha não somente dado seu aval para o tratamento ritualístico, mas o requisitado. Era uma boa tese para iniciar.

    — Com a companhia de Diana, desloquei-me até Carlin para visitar a pequena Alyssa — Henricus prosseguiu, imerso em pensamentos. — Às perguntas de praxe, respondeu que sim. Que se sentia acompanhada, que sentia que perdia eventualmente o controle sobre suas ações, que não sabia como lidar com a situação — esclareceu, diante do olhar de confusão do advogado. — Mas o pior veio depois.

    “Pedi a ela permissão para rezar consigo, e Alyssa não respondeu. Seus olhos endureceram por um instante e suas pupilas se dilataram. Aquele, para mim, era o sinal mais claro de que Alyssa não estava sozinha. Pouco tempo depois, ela aquiesceu, mas desisti de rezar com ela. Embora já tivesse o suficiente, era necessário que realizássemos mais testes.

    “Ela manifestou extrema aversão à cruz de Jesus Cristo. Desviava o olhar com frequência e sentia-se acuada quando o símbolo se aproximada de sua testa. Na parede sobre a cabeceira da sua cama, embora preso por dois pregos, um no topo, outro na base, a cruz que é fixada em todos os leitos estava invertida, tendo o prego do topo sido removido de qualquer jeito, deixando um buraco substancial na parede.

    “Sua manifestação mais contundente, contudo, se deu quando ofereci a ela um copo d’água, misturada com água benta. Ela parecia saber exatamente qual era o conteúdo da bebida, e o copo simplesmente se rompeu nas minhas mãos.”

    — Veja — disse Henricus, mostrando a mão direita com cortes cicatrizados. — Embora seja experiente no tema, nunca vi tamanha força extracorpórea. Bastou que ela olhasse para o copo para que ele se quebrasse.

    Agora, Michael franzia o cenho. Henricus lhe dava um relato interessante, que teria sido recebido com ceticismo em qualquer ocasião. Contudo, segundo ele, havia testemunhas. Ele, Michael, não era adepto das teses de histeria coletiva. Na sua cabeça, uma pessoa que tivesse devaneios era louca; mais de uma pessoa com os mesmos devaneios e no mesmo ambiente, esse era um fato que não significava loucura alguma. Havia ampla e resistente base factual para os relatos.

    Um pouco constrangido, ele baixou a cabeça e voltou a fazer anotações, seus sentimentos secretamente se conflitando.

    — E então?

    Henricus respirou fundo outra vez.

    *

    — Quem está aí? — questionou Henricus, os olhos fixos nos de Alyssa Amber, mais selvagem do que nunca. — Quais são seus objetivos?

    Alyssa sorriu de forma demente. A cena parecia ainda pior, considerando o fato de que seus braços e suas pernas estavam amarrados com fitas resistentes. Ela se remexeu no mesmo lugar, incapaz de se mover muito mais.

    — Um clérigo, dois coroinhas e uma mãe em sofrimento — disse Alyssa, mordendo o lábio inferior. — Que equipe.

    Os dois coroinhas se entreolharam, agarrando-se às próprias estolas púrpuras e fazendo o sinal da cruz. Diana Amber, uma mulher com ar aristocrático, vestindo um chapéu com pena, baixou os olhos, entristecida.

    — Quantas pessoas o senhor matou, padre?

    Henricus levantou a cabeça, arqueando as sobrancelhas.

    — Somente aqueles que atentaram contra o Espírito Santo.

    Alyssa riu. Os pelos dos braços do padre se eriçaram.

    — Khebab, Josh, Latrina, Bennett, James, Karl, Max — ela contou em voz alta, divertindo-se. — Se quiser, posso refrescar usa memória ainda mais.
    — Hereges — respondeu Henricus, finalmente compreendendo o padrão estabelecido naquele local. — Francamente, o resultado daquilo significa muito considerando os fatos mais recentes. Esses são os nomes daqueles que foram queimados pelo Tribunal da Santa Inquisição. Os últimos. Os sete são a sua companhia, Alyssa?

    De repente, o torso de Alyssa se projetou para a frente e suas costas e arquearam. Ela atirou a cabeça para trás e se sacudiu no mesmo lugar, sustentada pelas pernas e pelos braços amarrados nas extremidades do leito. Não tardou para que o mais imponderável e improvável acontecesse.

    Alyssa levitou. Só não alcançou o teto da sala porque estava amarrada à cama. Um segundo depois, retornou à sua posição original, duas lágrimas brotando de seus olhos cheios de temor.

    Henricus adiantou-se e tomou seu pulso. Estava acelerado.

    — Alyssa…
    — Salve-me — ela implorou, mergulhando na inconsciência.

    *

    Michael piscou duas vezes, a boca semiaberta diante do relato tão preciso de Henricus. Ele arqueou as sobrancelhas por um instante, inserindo suas anotações entre os documentos e cerrando-os todos na pasta.

    — O julgamento começa em três dias — disse, ainda surpreso. — Preciso que vá para Carlin e fique lá. Vamos voltar a conversar antes disso.

    Henricus fez que sim enquanto Michael saía, ponderando sobre se o advogado o julgava ou se estava decidido a buscar inocentá-lo.

    Próximo capítulo: Episódio III - Forças
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  5. #5
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    Excelente capítulo Neal, este foi melhor que o primeiro, mais empolgante, embora menos detalhado. Não que seja um problema, gostei dessa conversa entre o Michael e o Henricus, e os relatos sobre Alyssa e seu exorcismo, que obviamente me lembrou do clássico O Exorcista. Acredito que esse julgamento será bem interessante, pois teremos pessoas com poucas crenças ao ponto de acreditar tão fielmente nos relatos de Henricus, junto de pessoas que de fato acreditam nessas coisas. Pode facilmente surgir um conflito disso aí.

    Também adoro como você mistura uma temática tibiana junto ao nosso universo, acho muito interessante essa prática que você faz tanto aqui quanto em Jason Walker. Acabam se encaixando bem.

    No aguardo do próximo.








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  6. #6
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    Oi Neal. Muito bom o capítulo, sem dúvidas conseguiu atender à expectativa alta que o primeiro deixou. Depois de um início que apresentou bem o protagonista e o ambiente jurídico no qual a história (ou parte dela, pelo menos) vai acontecer, esse aqui já deu passos importantes no desenvolvimento do plot propriamente dito. Gostei da descrição do Henricus sobre toda a cena do exorcismo, e a forma como a narração transitou das lembranças do inquisidor pra cena, digamos, em "tempo real" do exorcismo ficou bem fluida e agradável de se ler, você acertou bastante nessa escolha. Michael já se mostrou um cara bem cético nesse capítulo, o que é interessante de se observar num universo extremamente mágico como o Tibia; ta aí mais um mérito da mistura de mundos e mitologias que você faz. Vai ser interessante ver como o protagonista irá se desenvolver ao ter que se envolver num caso desses.

    Valeu pelo ótimo capítulo, na expectativa aqui pela sequência. Abraços!
    Son of a submariner!

  7. #7
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    Spoiler: Respostas


    No episódio anterior: Henricus se apresenta para Mike e conta o início da história de Alyssa Amber. O advogado sente-se momentaneamente acuado pelo excesso de informações, mas consegue delinear uma boa estratégia para iniciar.

    EPISÓDIO III – FORÇAS


    Michael bebia muito devagar seu uísque, refletindo longamente sobre a história contada por Henricus. Era necessário lhe dar certo crédito. Ele próprio era um homem que muito pouco se atentava às normas clericais a respeito da vida, e já tinha sido uma experiência e tanto ingressar no arcabouço do Tribunal da Santa Inquisição Thaiana e sair de lá com saúde o suficiente para contar história.

    Ele repassou mentalmente os nomes repetidos por Alyssa Amber: Khebab, Josh, Latrina, Bennett, James, Karl e Max. Todos eles constavam dos arquivos processuais que lhe foram entregues pela juíza Sarah. Khebab, Josh, Latrina e Bennett eram irmãos, todos da família McKonney. James e Karl, pai e filho, respectivamente, de sobrenome Duncan. Max Pelentier não tinha qualquer relação de parentesco com os demais, mas havia sido queimado com James e Karl.

    O advogado fechou os olhos e, um segundo depois, três batidas ressoaram à sua porta. Ele se virou e analisou a sala sob o ponto de vista estético, gostando do que via. Três prateleiras atulhadas com grandes livros de aspecto sério ao leste de sua posição, uma mesa de reuniões disposta exatamente no centro da sala, sua escrivaninha particular na parte sul de sua posição e a porta de madeira no canto oposto. Os candelabros antigos estavam apagados. A luz natural infiltrava-se por duas janelas imensas na parede oeste.

    — Entre — orientou, sentando-se e não fazendo conta de esconder o copo de bebida.

    A secretária, Annabelle, colocou a cabeça para dentro pela fresta da porta, parecendo aflita.

    — A juíza Sarah Carano está aqui.

    Michael fez um sinal autorizando a entrada e a garota abriu a porta, permitindo a passagem e fechando-a na sequência.

    — Excelência — cumprimentou o advogado, exausto.

    Sarah sentou-se diante dele sem esperar por um convite, tomando ela mesma a garrafa e enchendo uma xícara de café.

    — Sinta-se em casa — disse ele, sarcasticamente.

    Ela ergueu uma sobrancelha.

    — Qual é a sua tese no caso de Henricus? O julgamento se inicia amanhã e ainda não recebi sua moção.

    Michael também se sentou, trocando de bom grado o café pelo uísque. Não fazia diferença que fossem dez da manhã.

    — Quer minha tese para expô-la ao Ministério Público e deixar-me em posição de desvantagem?

    Sarah arqueou agora as duas sobrancelhas.

    — Vou deixar essa passar.

    Michael abriu os braços, respirando fundo.

    — Não há tese — disse, finalmente. — Henricus quer contar sua história, e pretende convencer o júri por si mesmo. Ele quer pintar Alyssa Amber como uma espécie de mártir, ou algo que o valha.
    — Talvez ela seja.

    O defensor abriu a boca para responder mas a fechou quase que instantaneamente. Repentinamente, algumas coisas começaram a se encaixar dentro da sua cabeça. Afinal, parecia que Ronald Franklin não indicava casos coisa alguma; embora fosse muito justa, Sarah Carano deu-lhe o caso porque sabia que ele buscaria absolver Henricus de qualquer jeito, custasse o que custasse. Provavelmente, a juíza também ficara impressionada pelo seu desempenho no julgamento de Jimmy Forstman, e enxergava no advogado uma boa oportunidade.

    Não gostava, todavia, de receber as cartas. Gostava de distribui-las. O fato de que fora tão sumariamente enganado lhe parecia um péssimo sinal.

    — Qual é o seu interesse no caso?

    Sarah respirou fundo, deliberando.

    — Participei do ritual.

    Foi a vez de Michael de levantar as sobrancelhas.

    — Ora, não podes ser testemunha e não podes julgar o processo. Tens de se declarar suspeita imediatamente.

    Ela sacudiu a cabeça em tom negativo.

    — Terá de levar o caso à Corte de Apelação se quiser o meu afastamento. Julgarei com isenção, considerando tão somente as provas produzidas nos autos, asseguro-lhe, mas a causa muito me interessa por causa do que vi Henricus fazer. O padre é inocente, Mike. Ele não matou aquela garota. E nunca vi nada semelhante ao que vi naquela noite.

    Michael fechou os olhos pela segunda vez, sentindo-se um pouco confuso. Não sabia se por causa da bebida ou das declarações prestadas pela juíza, fora de seu gabinete, onde não estava abrangida pelo ônus legal que lhe incumbia.

    — Esta é uma posição de desconforto.

    Sarah fez que sim, compreendendo.

    — Porém, não teria condições de entregar o caso a um advogado qualquer. Levante a história de Henricus a fundo e esteja certo de que considera todas as possibilidades. O clérigo não pode ser condenado pelo júri por um crime que não cometeu.
    — O que fará quando, sob juramento, ele disser que você participou do ritual, Sarah? Céus, o que acha que o júri fará?

    Ela deu de ombros.

    — Terei o cuidado de tomar seu juramento por suas declarações e não por suas omissões. Pelo que deixar de dizer, ele não será punido.
    — Então, sugerirei que ele exerça seu direito ao silêncio.

    Ela deu um sorriso irônico, endurecendo seu olhar na sequência.

    — Está tentando ser engraçado ou preso?

    Michael sacudiu a cabeça para lá e para cá, como quem dissesse “uma coisa ou outra, tanto faz”.

    — Estou tentando ser engraçado. Mas, se estiver preso, creio que haverá uma muito restrita quantidade de defensores que aceite assumir o caso, nas circunstâncias em que ele está.

    A juíza se levantou, finalizando seu café de um gole só.

    — Absolva-o, ou prendo você.

    Enquanto ela ia deixando a sala, Michael pôs-se de pé.

    — Vai me prender se não obtiver êxito?

    Ela sorriu por sobre o ombro.

    — Desculpe, defensor. Estava apenas tentando ser engraçada.

    Quando a porta bateu, Michael ainda estava mastigando a própria língua. Desgraçada, pensou, permitindo-se sorrir. Nunca consegui vencê-la. Nem mesmo em uma discussão de bairro.

    *

    Henricus e Michael terminavam de discutir os últimos detalhes da defesa do clérigo quando o promotor ingressou no restaurante do depósito, trazendo uma pilha de papéis consigo. Olhou para eles de cima, fazendo questão de esbarrar no braço do advogado ao passar.

    — Imbecil.
    — Acalme-se, Henricus — ele massageou o braço. — Este é um tubarão-martelo num oceano cheio de sangue.

    Nas últimas horas, o clérigo, que viera de Thais, havia repassado a história em mais de uma centena de detalhes. Michael não estava exatamente certo sobre permitir que testemunhasse, mas não teria esse poder de mando sobre o padre, ao menos não da forma que objetivava.

    Mais cedo, um dos oficiais de justiça havia levado uma intimação ao escritório do advogado. Nela, constavam os nomes de cinco testemunhas: Diana, Amélia e Richard Amber, Louis Dermont e Peter Winters. O ato era corriqueiro; pretendia que a parte contrária não fosse surpreendida com testemunhas não previamente arroladas. Contudo, o nome de ambos os coroinhas de Henricus, Louis e Peter, deixou o clérigo ligeiramente encabulado.

    Diana, é claro, era a mãe de Alyssa. Amélia, sua irmã mais velha, e Richard, o patriarca da família. Tinham poucas informações, já que era vedado à parte comunicar-se com testemunhas arroladas pela parte contrária, pela Lei Orgânica da Coroa. Provavelmente, a família Amber e os demais depoentes tinham sido acomodados em algum dos hotéis da cidade.

    Secretamente, Michael tinha muita vontade de procurar por eles, ouvir a história por parte deles antes de expô-los ao juramento. Era, todavia, uma estratégia perigosa, já que poderia configurar crime de coação. Naquele momento, deveriam permanecer no escuro, embora não fosse desejável.

    — Está certo dos detalhes? — perguntou o defensor, recolhendo os papéis.
    — Absolutamente — Henricus sacudiu a cabeça em sinal positivo, enfatizando o que dizia. — Nada me escapou.
    — Exceto a presença de Sarah Carano.

    O clérigo piscou duas vezes, finalmente dando-se por vencido.

    — Isso não deveria ser público.
    — E não é — sustentou Michael. — Contudo, temos de nos precaver. As testemunhas não podem destacar a presença da juíza no ritual, ou teremos um deslocamento de competência e não poderemos contar com um juiz imparcial.

    Henricus baixou a cabeça, tenso.
    — É proibido contatar as testemunhas antes do julgamento.

    Michael deu de ombros.

    — Mas não é proibido encontrá-las por acaso.

    *

    Uma mulher de aspecto aristocrático, uma garota vestida com costumes cristãos e um homem sereno tomavam seu café da manhã despreocupadamente sob a sombra de uma palmeira, na porção sudoeste de Carlin. Adiante, o mar ia e vinha, passando uma mensagem bastante clara: o mundo não acabará, independentemente do resultado do julgamento.

    Pouco tempo depois, um homem de terno e gravata surgiu, segurando uma linha de pesca, sem minhocas. Sem motivo aparente, ele atirou a linha ao mar, sem isca alguma, respirando fundo.

    O homem revirou os olhos.

    — Não pode falar conosco.

    Michael fez que sim.

    — Com certeza também não posso perguntar se havia mais alguém na sala do ritual no momento em que Henricus o professou — ele girou o molinete despreocupadamente. — Também não posso perguntar por que ele está sendo acusado, se foi procurado pela família.

    O homem, quem Michael pressupôs ser Richard Amber, pôs-se de pé.

    — Defende um assassino e ainda coloca em xeque o julgamento com perguntas hostis?

    Michael sacudiu a cabeça novamente, desta vez em sinal negativo.

    — Não perguntei absolutamente nada. Somente comentei que não poderia perguntar.

    A mulher, Diana, também se colocou de pé. Seu tom, contudo, era muito mais sereno. Aparentemente, não tinha grandes ressalvas à pessoa de Henricus, mas Michael achou que seu julgamento poderia ser afetado pelo fato de que o padre queimava pessoas na fogueira nas horas vagas.

    — O que quer, doutor?
    — Nada — ele respondeu, os olhos fixos no mar. — Somente ressaltar aquilo que não estou autorizado a perguntar.

    Diana também revirou os olhos.

    — A juíza Sarah Carano prestou um serviço à comunidade ao receber a denúncia formulada pelo promotor — ela argumentou. — Não há qualquer razão para implicá-la, e sua presença será omitida.

    Michael franziu os lábios, aceitando parcialmente a resposta. Um instante depois, o promotor também chegou, seus olhos semicerrados, seu olhar atônito e a testa incomodantemente franzida.

    — Não pode conversar com as testemunhas!
    — Estou pescando — disse Michael, sem tirar os olhos do mar. — E, até agora, surpreendentemente, não peguei absolutamente nada.
    — Sugiro, defensor, que vá pescar em outro lugar.

    O advogado tirou um documento de aspecto oficial de dentro do terno.

    — Tenho permissão concedida pela juíza Sarah Carano para pescar na reserva do sudoeste. Mas — finalmente, ele girou o molinete e recolheu a linha, dando-se por satisfeito — não capturei coisa alguma, então, acho melhor ir pescar em outro lugar.

    Ele se aproximou do promotor, estreitando os olhos e falando em tom muito baixo.

    — Se alguma testemunha se contradisser, creia, pedirei a anulação do julgamento inteiro. E, pelas minhas contas, a pena em concreto de Henricus atingirá o prazo prescricional, sem falar na decadência. Tenha muito cuidado com os questionamentos.

    O promotor fez uma careta quando Michael desapareceu de vista.

    — O que ele lhes perguntou?
    — Não fez pergunta alguma — respondeu Diana, sob os olhares de reprovação do marido.

    Na sequência: Episódio IV - O início
    O Exorcismo de Alyssa Amber
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    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

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  8. #8
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    Neal, excelente mais uma vez. Estou gostando da Sarah, uma ótima personagem, e também me interesso mais pelo Michael e a forma como ele tenta conseguir informações. Sua personalidade é realmente interessante, e tô gostando de ver como ele age na história.

    E esse final foi ótimo. É engraçado imaginar um advogado de terno pescando ao lado de uma família um tanto tradicional e conservadora, só pra conseguir deixar claro que a Sarah precisa ser tirada do perigo, isso foi excelente Inclusive, a Sarah fez parte da treta, e ainda saiu viva... Tem dente de coelho nisso aí. Algo me diz que esse julgamento vai ser cheio de reviravoltas e nem a juíza vai escapar. Afinal, foi ela que passou o caso, e só isso já atrai algumas coisas pra ela.

    É isso cara, aguardando os próximos. Segue essa porra aí, pau na máquina.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  9. #9
    Avatar de Edge Fencer
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    Opa. Ótimo capítulo, Neal, como de costume. Ainda sobre o capítulo anterior a esse, nosso amigo padre com certeza cooperaria com o próprio Zathroth se isso o ajudasse a se livrar de uma acusação de assassinato; com um simples advogado cético então... Prioridades né

    Agora sobre o capítulo atual, Michael de novo mostrou o quanto é astuto. O cara se aproveita de qualquer brecha na lei pra conseguir se colocar em vantagem, mesmo sendo pressionado pela juíza e por um caso completamente fora da curva pra ele. Falando na Sarah, gostei bastante da construção dela nesse capítulo, mostra que não perde em nada pro Michael em termos de esperteza e sarcasmo hahaha. Já o Henricus, mesmo tendo o testemunho da juíza a seu favor, não tá me cheirando muito bem. Acho que, direta ou indiretamente, teve dedo podre dele nessa história aí, quero ver o que ele vai dizer durante o julgamento e como o Michael pretende agir na defesa.

    Falar da sua escrita é chover no molhado, mas é sempre bom reiterar o quanto ela é boa, fluida, sucinta e rica na medida certa. Destaque especial nesse capítulo pros diálogos entre Michael, as testemunhas e o promotor, foram precisos pra construir a cena de forma sólida e bem imersiva. Boa!

    Na expectativa aqui pro julgamento do Henricus e pra sequência da história, abraços!
    Son of a submariner!

  10. #10
    Avatar de Neal Caffrey
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    Spoiler: Respostas


    No último episódio: Utilizando-se de lacunas na interpretação da lei, Michael Pearson interpela as testemunhas arroladas pela promotoria pública e extrai algumas informações importantes. A defesa de Henricus está prestes a começar, assim como seu julgamento.

    EPISÓDIO IV
    O INÍCIO


    Era o maior júri popular de que se tinha notícia na Coroa de Carlin, desde muito tempo.

    Sentado no banco dos réus, ninguém menos do que Henricus, o responsável pelo Tribunal da Santa Inquisição thaiana. Na plateia, praticamente todos os cidadãos de Carlin e muitos outros de outras localidades. O júri, composto por seis homens e seis mulheres, de idades variadas, preparava-se para tomar notas. A última a chegar foi Sarah Carano, provocando um ligeiro frenesi quando todos se colocaram de pé para recebê-la.

    — Autos de número 613 — pronunciou ela, ajeitando os óculos de meia-lua. — O Povo contra Henricus Footridge. Sentem-se.

    Levou mais um tempo para que todos pudessem se acomodar outra vez. Era registrável a chegada de Ronald Franklin, o rei de Thais.

    — Consta da denúncia que Henricus Footridge, ciente da ilicitude e da reprovabilidade de sua conduta, submeteu Alyssa Amber a tratamento experimental, excepcional e não comprovado, consistente na utilização de técnicas católicas de exorcismo em detrimento de cuidados médicos básicos — prosseguiu Sarah, atendo-se ao documento que continha a denúncia. — Aduz a acusação que Alyssa Amber faleceu necessariamente em decorrência da atuação do acusado, algo que, supostamente, não teria acontecido caso permanecesse realizando tratamento médico adequado. A denúncia é por homicídio doloso, cuja pena pode variar entre a remição, o perdão judicial e a sentença de morte por enforcamento. É o relatório do necessário.

    Duas mesas haviam sido montadas no júri, ficando Michael e Henricus à esquerda do povo e à direita da juíza, e o promotor, à direita do povo e à esquerda da juíza.

    — A acusação será exercida pelo promotor público de Thais, Gary Sanders, ao passo que a defesa do acusado será exercida pelo defensor nomeado, Michael Pearson. A defesa está pronta para prosseguir, senhor Pearson?

    Michael colocou-se de pé.

    — Sim, Excelência.

    Ela relanceou um olhar para Henricus.

    — O acusado — ele também se levantou. — Como o senhor se declara?

    Henricus respirou fundo, travando uma batalha interna sofrível.

    — Inocente, Excelência.

    Sarah assentiu uma vez, lançando notas em um pedaço de pergaminho. Michael registrou prontamente o sorriso presunçoso de Gary Sanders, que era um homem com estatura suficiente para ser confundido com um touro, e que, francamente, parecia tão agressivo quanto. Sua pele era morena e queimada pelo sol, e os olhos, castanho-claros. O defensor registrou mentalmente aquele bigode ridículo para cobrá-lo por ele mais tarde.

    — Defensor — orientou a juíza.

    Na plateia, o povo se remexeu praticamente em uníssono.

    — Senhoras e senhores componentes do júri — Michael posicionou-se diante deles, de costas para Sarah. — Temos, diante de nós, um homem acusado de um crime bárbaro. Compreendo que muitos de vocês possam não ser necessariamente católicos, porém, nada poderá impedi-los de avaliar as coisas como elas são. Durante todo o julgamento, os senhores estarão sempre diante de factoides, falácias, falsos testemunhos e ilações ilógicas sem embasamento de prova. E, durante todo esse período, os senhores estarão concentrados em cinco palavras e em uma só frase, que será determinante para auferir a culpa de Henricus Footridge, que não é nada além de um homem bom.

    Michael apoiou-se no estrado que separava o tablado do júri, atirando as mãos para o ar para destacar cada palavra.

    — Henricus… não… cometeu… este… crime.

    Sem dizer qualquer coisa mais, o defensor retornou ao seu lugar ao lado de Henricus, sentando-se. A própria juíza estava boquiaberta. Quase absolveu sumariamente o clérigo de todas as acusações.

    Ao lado de seu advogado, o clérigo sorriu, pressionando levemente o joelho de Michael, demonstrando confiança.

    — Bem… se nada mais for requerido, gostaria de proceder com a oitiva da primeira testemunha.

    Gary Sanders colocou-se de pé.

    — A acusação chama ao plenário Louis Dermont.

    Tardou um pouco para que o menino franzino, com não mais de 20 anos, conseguisse se destacar da multidão, ingressando no tablado e sentando-se na cadeira à esquerda da juíza, que sorriu para ele, encorajando-o. Ele retribuiu como pode. Era muito magro e poder-se-ia considerar negro, embora a pele fosse um pouco mais clara do que o habitual, nessa classificação.

    — Nome completo, idade e local de nascimento, para registro do júri — ordenou a juíza.
    — Louis Lane Dermont, 19 anos, thaiano de nascimento.
    — A partir deste momento, Louis Dermont, o senhor encontra-se compromissado com este juízo e tem o dever legal de dizer a verdade. Eventual relato inconsistente será interpretado como ato atentatório à dignidade da justiça, e ensejará a persecução penal do senhor por falso testemunho.

    Embora parecesse, Louis não era exatamente estúpido e sabia quais eram as consequências pela prestação de falso testemunho. De forma alguma pretendia que seu depoimento fosse inconsistente. A vida de um inocente dependia dele.

    Sarah fez um sinal para o promotor.

    — Vamos lá, senhor Dermont.

    *

    A chuva torrencial assombrava, especialmente sob a tempestade de raios que varria Carlin naquele momento. Na penumbra, a figura maltratada de Alyssa Amber repousava suavemente, dormindo a sono solto, alheia a qualquer outra coisa. Adiante, mais próximo da cama, Henricus rezava em voz baixa. Beijei a estola, pedindo proteção divina. Ao meu lado, Peter, meu amigo de longa data e um dos formandos mais recentes da catequese eclesiástica, repetiu meu ato. Uma mulher cujo nome desconheço dava amparo a Henricus próximo da cama. Richard e Diana, pais de Alyssa, e a garota de nome Amélia, sua irmã mais velha, serviam de suporte, mas encontravam-se razoavelmente distantes da cama.

    Henricus endireitou o corpo, olhando para mim.

    — Água benta — ordenou.

    Não tardei a fornecer a ele o frasco de água benta, no qual ele embebeu o dedo indicador, marcando o sinal da cruz sobre a testa de Alyssa. Ela despertou repentinamente, alerta demais para quem estivesse repousando por um longo período de tempo.

    — Padre — disse ela, sorrindo debilmente. Faltavam-lhe vários dentes. Diana soluçou diante da aparência deplorável da filha. — Que saudades.
    — Designa-te — ordenou Henricus.

    Ela repetiu o sorriso, sem nada dizer.

    A mulher desconhecida aproximou-se também dela, sussurrando em seu ouvido. Alyssa relanceou um olhar breve para ela, fixando seus olhos em mim na sequência.

    — Coroinhas — ela disse. — Que falta de classe.

    O clérigo olhou para mim, instando-me a respondê-lo.

    — Jesus Cristo o comanda…
    — Jesus Cristo nada tem a ver com isso — ela respondeu, dando de ombros. — O princípio é correto. Somente o ritual é o errado.

    A multiplicidade das vozes arrepiou os pelos dos meus braços.

    Henricus enxugou a testa com a estola, arrancando-a na sequência. Secretamente, sabia que Alyssa havia acabado de lhe fornecer uma informação importante. Não se tratava de uma possessão demoníaca, como todos pensavam. Tratava-se de uma possessão orientada, causada por um espírito recente, mas não por um demônio.

    Àquela altura, já sabíamos com o que lidávamos. Especialmente Henricus sabia. Alyssa não estava possuída por um demônio. Haviam se apossado do corpo de Alyssa aqueles que Henricus havia queimado vivos na fogueira recentemente. Embora fosse um alívio suficiente, criava uma problemática interessante: não havia um ritual determinado para expulsar espíritos não malignos, mas intrusos.

    Talvez por aquele motivo ela manifestasse aversão relativa aos símbolos cristãos, mas não reagia à água benta ou à cruz de Cristo. Pelo contrário, parecia pouco se importar com eles. Não havia Deus ou o diabo envolvidos naquela circunstância. Era um terreno absolutamente novo, mesmo para Henricus, que era um exorcista competente e experiente.

    — Designa-te — disse o clérigo outra vez, abrindo a batina.
    — Khebab McKonney, Josh McKonney, Latrina McKonney, Bennett McKonney, Peter Duncan, Karl Duncan, Max Pelentier.

    Sua resposta pronta causou-me confusão. Como não se tratava de uma possessão demoníaca, os rituais cristãos não operariam efeitos sobre as entidades, não se havendo qualquer poder de mando por parte de Henricus sobre elas.

    Henricus enxugou a testa novamente.

    — Qual a real intenção disso?
    — Puni-lo — Alyssa respondeu com simplicidade. — Por queimar-nos vivos.

    Desta vez, o clérigo franziu o cenho.

    — Punir a jovem Alyssa — ele corrigiu. — Não há qualquer punição contra mim pelos atos que estão praticando.

    Alyssa torceu a cabeça de lado, reflexiva.

    — Veremos quando arrancarmos os últimos resquícios de vida do corpo dela.


    *

    Naquele instante, visivelmente abalado, Louis pediu para não prosseguir com o testemunho. Apesar dos protestos de Gary, Sarah acatou o requerimento, dispensando-o. O relato era confuso e, na visão de Michael, perigoso. O primeiro reflexo de um mentiroso de primeira categoria é contar a sua história com riqueza desproporcional de detalhes. O defensor sabia disso quando lhe foi passada a palavra.

    — Louis — ele disse em voz baixa, aproximando-se dele —, quero que respire fundo e se acalme. Não vou exigir que prossiga contando o que aconteceu depois, mesmo porque foi dispensado seu depoimento adicional. Contudo, é necessário esclarecer algumas dúvidas a respeito do que já foi dito. Acha que tem condições?

    O coroinha levou um segundo para assentir uma vez, fungando.

    Michael distanciou-se dele e alteou o tom de voz.

    — Quem era a mulher que se encontrava no local no momento do ritual?

    Sarah Carano sequer piscou. Quanta frieza.

    — Não a conheço — respondeu Louis, evitando olhar para os lados. — Provavelmente, alguém designado pelos Tribunais da Santa Inquisição de outras comarcas. Era esguia na penumbra, mas sequer poderia referenciar a cor de seus cabelos.
    — Menos detalhes, Louis — orientou Michael, alisando o terno. — Se não a conhecia, não a conhecia.

    Louis fez que sim, secando o nariz com um lenço puído.

    — Disse que ouviu múltiplas vozes partindo de Alyssa naquele dia. Correto?

    A testemunha assentiu, concordando.

    — Já viu isso acontecer antes?

    Outra vez, Louis confirmou.

    — Em que situação?
    — Em um ritual de exorcismo em Liberty Bay, onde acompanhei Henricus, como neste.
    — Então — Michael fez um sinal para que o promotor se calasse, vez que era iminente a sua interrupção. — É seguro dizer que as múltiplas vozes são um sintoma comum de alguém que está possesso?
    — Isso me parece correto.

    Michael franziu os lábios e afastou-se dois passos, posicionando-se lateralmente, de forma que sua visão periférica pudesse abranger também o júri, que lançava suas notas em silêncio. Era importante registrar a sua reação.

    — Como Henricus foi designado para atender Alyssa?
    — Por solicitação de Diana Amber.

    Uma vez mais, Michael calou o promotor com um sinal.

    — Louis, Alyssa Amber estava possessa?
    — Sim, estava. Mas não por espíritos demoníacos, segundo sua própria versão. Achava-se possuída por hereges que Henricus condenou à fogueira após persecução que assegurou a todos o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.

    Desta vez, Gary Sanders não tentou interromper. Parecia mais confuso do que incomodado. O defensor lutou para não rir.

    Michael aproximou-se de Louis outra vez, e achou que era um sinal positivo o fato de que a testemunha não se retesou novamente em razão da sua aproximação.

    — Louis, quais foram as últimas palavras de Alyssa Amber, dirigidas a Henricus, quando ele a visitou na enfermaria de Thais?

    Louis engoliu em seco.

    — “Salve-me” — ele repetiu, a voz tremendo.
    — Satisfeito, Excelência.

    Michael retornou devagar ao seu lugar, sendo fuzilado pelos olhares de Gary. Ao seu lado, Henricus sorriu outra vez enquanto Sarah Carano dispensava Louis, a secretária ao seu lado lançando notas freneticamente através de uma pena enfeitiçada. O depoimento de Louis durara quase uma hora.

    — Recesso de 15 minutos — disse Sarah, batendo o martelo.

    Na sequência: EPISÓDIO V – CONFLITOS IDEOLÓGICOS

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