Página 6 de 6 PrimeiroPrimeiro ... 456
Resultados 51 a 60 de 60

Tópico: Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

  1. #51

    Registro
    20-08-2015
    Idade
    24
    Posts
    17
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Newcomer
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Veeeeeeeeeeem novo capítulo! Esse foi o que mais me deixou com vontade de quero mais kkkkkkkkkkkkkk
    Nunca poderia imaginar os rumos que essa história tomaria,
    aguardando ansiosamente!
    abraços! Vitor Medeiros

    Publicidade:

  2. #52
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    3.002
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Adepto do OffSagaz CitizenMain CitizenCrítico
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Spoiler: Respostas


    No último episódio: Os amigos chegam à conclusão de que um arcanjo é o responsável pela abertura do Enigma Milenar. Entrementes, dependendo necessariamente desse auxílio improvável, todos passam a bolar um plano de forma a assegurar a cooperação sem que, contudo, disso derive maior risco do que aquele que já enfrentam.

    Este capítulo contém uma homenagem ao meu amigo @CarlosLendario, a menos singela de todas as homenagens. A você, irmão, meu muito obrigado, por ter contribuído de sobremaneira com os passos de Jason Walker no decorrer da sua saga. Àqueles que não conhecem as obras do Carlos, "Bloodtrip" e "Bloodoath" são leituras obrigatórias. Neste capítulo, parte do nosso universo se coaduna com o de Bloodtrip.

    CAPÍTULO XV – O ÚLTIMO ARCANJO


    Ferumbras levantou a cabeça, suspenso no ar, analisando friamente o que sobrara de Edron. Tudo estava absolutamente destruído. Tinha bastado dedicar menos de cinco minutos do seu precioso tempo. Seus sentimentos mais profundos lhe diziam que algumas centenas de vidas foram ceifadas naquela operação. Sinceramente, ele não se importava.

    No segundo seguinte, seus olhos cheios de ódio encaravam a movimentada, superpopulosa e moderna Thais, que, agora, continha uma cicatriz em sua face. Ele fizera questão de levar o castelo abaixo, poucos dias antes. Agora, não sobraria pedra sobre pedra.

    Se a incursão em Edron levou tantas vidas, era possível de se imaginar quantas delas seriam sacrificadas em Thais. Tudo, é claro, se justificava.
    Ferumbras levantou seu cajado, iniciando seu mais ardiloso trabalho. Em breve, Thais se tornaria outra tumba, a exemplo de Edron.

    *

    Ele assistia àquele espetáculo raro da natureza com sentimentos mistos de alegria, devoção e paz de espírito. O antigo continente brilhava sob o sol do verão. Sol amarelo, sol vermelho. Raios de luzes se infiltravam através das nuvens, que pareciam infinitas sob o sol bicolor. Era impressionante como aquilo poderia impressionar os corações mais puros e os olhares mais intensos. À distância, lá embaixo, a bandeira vistosa de Carlin balançou ao sabor do vento.

    E, então, a dor chegou. Excruciante, afetando cada centímetro da sua pele exposta. Seus olhos arderam pelo esforço que ele fazia de mantê-los abertos, e suas mãos tentavam inutilmente tatear algo físico e sensível no que pudesse se fiar, mas não havia nada. As inúmeras pessoas ao seu redor somente assistiam à cena, impassíveis, ocultas por um véu opaco de luz intransponível. Ninguém tentaria ajudá-lo. Estava certo de que morreria ali, da forma como Crunor decidira, sem poder lutar por sua vida.

    No instante seguinte, Jason rolava pela grama, o rosto firmemente apertado contra a relva. O som de corpos caindo ao seu redor o levou a crer que não estava sozinho. Quando seus sentidos se desanuviaram e, finalmente, ele encontrou forças para se colocar de joelhos, sentiu-se como se tivesse renascido, mas num ambiente muito, mas muito indesejado. Lembrava-se muito bem dele.

    Randal, John, Leonard e Zathroth também tentavam se colocar de pé, enfrentando muitas dificuldades, como Jason. Embora parecessem inteiros, davam a impressão de terem sofrido uma surra muito recente. Randal, certamente, era o mais afetado; seus olhos, fora de foco, estavam ligeiramente estrábicos, e demorou um pouco para que ele recobrasse totalmente os sentidos.

    Quando Jason se colocou de pé, divisou os contornos de uma cidade destruída no horizonte. Estava bastante distante dela, mas a conhecia muito bem; passara certo tempo dentro daquela paisagem num passado não tão distante.

    O limbo.

    Uma infinidade de perguntas lhe espocou à mente: como Randal conseguira entrar no limbo para resgatá-lo semanas antes, sem contar com a intervenção de Zeus? Que encontraria no limbo, agora que Lúcifer estava trancado de novo? Quais eram as chances de que Afrodite os tirasse de lá em tempo, se sequer havia a certeza de que seriam capazes de sobreviver?

    A deusa do amor lhes dera uma hora, e nada mais do que isso, que era o tempo máximo dentro do qual ainda teriam chances de sobreviver. Após, as garantias se reduziriam progressivamente até zerar. Não parecia sábio perder tempo com questionamentos naquele momento, especialmente se tinham a intenção de sair vivos de mais uma aventura catastrófica; depois que aquilo passasse, haveria tempo o suficiente para sanar as dúvidas, se tudo corresse bem.

    O fato de que John trazia junto de si a arca com o enigma milenar dava a Jason conta de que suas chances eram boas. Ao menos, até ali, tudo vinha correndo exatamente como tinham planejado, embora não contasse exatamente com o fato de que cada junta do seu corpo protestava de dor. Esperava, sinceramente, que não precisassem lutar.

    Imediatamente, as atenções do grupo se voltaram para John, que levantou a cabeça, sentindo-se um pouco confuso. Esperava que seu senso desse um pouco de direção para o grupo mas, a julgar pelo golpe recente que sofrera de Zeus, achava que teria sorte se tivesse algum dos sentidos funcionando quando voltassem, se voltassem.

    Não demorou para que um homem surgisse na cena. Usava uma espécie de manta térmica da cor da pele – ou seria um corta-febre? – e uma máscara bizarra e sorridente de teatro lhe cobria o rosto. Seus cabelos negros e espetados eram visíveis, em parte, sob o capuz daquela manta, firmemente preso sob um chapéu de abas largas que parecia estar bastante fora de contexto. Pelo fato de que trazia um cajado antigo consigo, era seguro dizer que se tratava de um feiticeiro. De uma forma ou de outra, sua presença não parecia maligna.

    — Quem é você? — Jason perguntou.

    De pronto, o cavaleiro sentiu os efeitos do limbo. Tudo parecia muito etéreo e distante, e sua própria voz ressoou em sua cabeça durante um certo tempo até que se acalmasse.

    — Detetive — respondeu o homem. Sua voz era grave e reconfortante, ao mesmo tempo que transmitia muito poder.
    — E o que você faz aqui?

    O homem hesitou por um instante.

    — Rastreio por baixo durante o dia, volto à superfície durante a noite.

    Aquilo parecia significar algo, mas nenhum deles conseguiu concluir o que era.

    — Concluo que procuram por sua jaula.

    Jason assentiu uma vez, ainda atento.

    — Tenho costume de auxiliar aqueles que necessitam de fazer sua passagem em paz. Mas, a julgar pelo excelente estado de saúde de todos, presumo que nenhum de vocês precise fazer a passagem, mas, sim, encontrar o que procuram e sair daqui logo em seguida.
    — Bem, detetive — Jason respondeu, ainda um pouco incerto. — Sim, procuramos a jaula dele.

    O homem deu-lhes as costas e passou a caminhar no sentido contrário, sem dizer palavra. Os cinco amigos entreolharam-se por um instante e puseram-se a andar atrás dele, seguindo seus passos. Não demorou para que chegassem ao ancião arco de pedra que sustentava a entrada da cidade destruída; o detetive ingressou na cidade sem nem mesmo parar por um segundo, e, agora de armas em punhos, os amigos o seguiram.

    A destruição era avassaladora. Não restara pedra sobre pedra. Inobstante, não tardou para que Jason identificasse um certo padrão; a cidade se parecia muito com Edron, mas não tinha muito mais no que se sustentar.

    Mais ao acaso do que por qualquer outro motivo, o detetive abatia lebres e pequenos camundongos com a magia de seu cajado aqui e ali, aparentemente entediado. Pouco tempo depois, ele começou a apertar o passo, e os amigos quase tiveram que correr para segui-lo. Eles emaranharam-se cada vez mais pelas passagens estreitas da cidade, saltando móveis quebrados, prédios reduzidos a pó, e encontrando até restos mortais em alguns locais, mas nada que parecesse oferecer muito grande ameaça.

    Todos atravessaram a cidade de fora a fora, alcançando o ponto que parecia ser a saída norte. Ali, o homem fez um gesto vago com a mão, orientando-os a prosseguir; por alguma razão, parecia não querer cruzar aquele limiar. Jason agradeceu com a cabeça e o homem rumou de volta no sentido sul, deixando-os para trás.

    Os cinco avançaram devagar e logo deixaram a grande e destruída cidade para trás, apertando os olhos para enxergar através da névoa rala que começara a se formar. Alguns passos adiante, a névoa simplesmente sumiu, e todos estavam diante de uma das construções mais bizarras de que se tinha notícia.

    O domo parecia ser perfeitamente quadrado e conter algo entre seis e oito metros quadrados. As paredes eram compostas por celas de ferro firme, e o chão era feito de terra batida. Não havia portas, fechaduras ou emendas, de modo que tudo se parecia com um único conjunto bisonho e aterrador. Enclausurado dentro das quatro paredes de ferro, estava ele – alguém a quem Jason sinceramente esperava nunca mais ter de ver na vida, ou na semivida.

    Era exatamente como se lembravam: cabelos cuidadosamente repartidos de lado, barba muito bem feita, smoking impecável e gravata borboleta. Naquele momento, estava sentado sobre as pernas cruzadas e encostado na parede oposta da cela. Parecia entediado, mas seu olhar se iluminou ao ver o conjunto de pessoas aproximando-se de sua cela devagar. Logo ele pôs-se de pé de um salto, atravessando a cela e agarrando as barras no sentido oposto, apertando o rosto entre elas.

    — Não é possível — ele murmurou, de olhos esbugalhados. — Jason e John Walker, Randal, Zathroth e Leonard Saint. Ou Crunor decidiu libertar-me de meu suplício, ou chegamos no ponto alto do milênio, em que começo a ter alucinações.
    — Ah — Leonard murmurou, parecendo finalmente dar-se conta de onde estava. — O capiroto!
    — Em carne e osso — Lúcifer sorriu, maníaco.

    Ele relanceou um olhar para a arca selada com o enigma milenar, franzindo o cenho.

    — Gostaria muito de saber o que esse objeto diabólico faz aqui.

    John sorriu para ele, decidindo tomar as rédeas da situação.

    — Acho que sabe o que está acontecendo no mundo real, por assim dizer.

    Lúcifer soltou um assobio baixinho, como quem dissesse “e como”.

    — O limbo se sacudiu de uma forma impressionante. Achei que as barras fossem ceder. Aparentemente, Crunor acha que ter-nos vagando no mundo ao mesmo tempo é uma situação indesejada. Nem mesmo a sua fúria rompeu as amarras da cela.
    — É, pois é, que seja. Deve saber que caçamos as relíquias ultimamente e reunimos quase todas. Por acaso, a Túnica Rubra está aqui dentro — John deu dois tapinhas na caixa. — E adivinhe quem Ferumbras definiu como o único capaz de abri-la?

    Ele se retesou um pouco ao ouvir o nome, mas seu rosto se abriu no mesmo sorriso maníaco outra vez.

    — O homem sabe o que faz — disse, também em tom de quem sabe das coisas.
    — Talvez, talvez — John respondeu, em tom amigável. — O que acha de botar esse braço torneado para fora e tocá-la enquanto ainda temos chance de salvar tudo que existe?

    Lúcifer sustentou o sorriso enquanto avaliava a proposta que lhe fora feita.

    — Sem acordo.

    Foi a vez do sorriso de John se desfazer. Ele se sentiu ligeiramente amuado.

    — O que quer?

    Lúcifer deu dois tapinhas numa das barras da cela.

    — Vamos trabalhar nesta belezinha aqui?

    Jason franziu os lábios, decidindo ingressar na conversa.

    — É, veja, a contraprestação que você exige deve ser um pouco menor do que essa. Queremos desfazer um erro que foi cometido, e não praticar outro com o fito de encobrir o primeiro. Sabe como é.
    — Deixe-me ver se entendi — ele levou a mão ao queixo e começou a andar pela sala, dramatizando. — Estou trancado numa merda de menos de 10 metros quadrados por toda a eternidade. Do lado de fora, existe um enigma milenar que só pode ser resolvido por mim. Se não o for, então o mundo não tem condições de prosseguir.

    Finalmente, ele parou, fitando Jason nos olhos.

    — Acha mesmo que a minha liberdade vale menos do que a sua sobrevivência?
    — Acho que a sua liberdade mina a nossa possibilidade de sobrevivência de sobremaneira. E não pense que não existem outras formas de vencer. Você pode manter o que tem, isto é, a merda de menos de 10 metros quadrados, ou sucumbir junto do restante de nós, porque o limbo é o próximo passo, depois de Ferumbras destruir a Terra, o purgatório, o inferno e o paraíso. Acha que será poupado? Tente novamente. A simpatia da qual você goza com ele não é maior do que a que temos por você.

    Lúcifer mordeu a língua várias vezes, ansiando por dar a Jason uma resposta negativa que tivesse um mínimo embasamento no qual se fiar. Todavia, a argumentação do cavaleiro era válida até certo ponto. A partir desse ponto, ele sabia que tinha um alto poder de barganha, e que poderia ser a única chance que tinha de utilizá-lo para fazer algo para si mesmo diante da danação eterna à qual certamente estaria submetido se deixasse a oportunidade passar.

    Precisava, contudo, de um pouco mais de tempo para pensar. A julgar pela forma direta como conversavam, era razoável pensar que seu tempo era limitado. Eles corriam contra o relógio, mas Lúcifer também, porque precisava capitalizar em cima daquela chance.

    — Creio que podemos chegar a um meio termo.
    — Que significa…?
    — Não peço para que me tirem do limbo, mas, ao menos, livrem-me desta cela. O detetive e eu teremos muito sobre o que conversar no restante das nossas vidas aqui dentro.

    Impaciente, Jason arrastou John para longe dos olhares e ouvidos de Lúcifer, deliberando.

    — Quais as chances de isso dar errado?
    — Se fizermos, terá de ser no limite do momento em que Afrodite tentará nos reanimar — argumentou. — Com as nossas forças exauridas, não sei até que ponto temos condições de segurá-lo se ele quiser lutar.
    — Não foi essa a pergunta — Jason relanceou um olhar para a cela, onde Lúcifer tamborilava os dedos sobre uma das barras, aguardando. — Quero saber o que ele poderia fazer fora da cela. Crunor o trancafiou por alguma razão; existe alguma chance de ele progredir do limbo para a Terra?
    — Sem um soil, é impossível, tendo em vista que ele não tem um receptáculo corpóreo para ser reanimado. Preocupo-me mais com as nossas hipóteses de sair dessa vivos.

    Jason marchou de volta à cela, sentindo o peso da sua decisão nas costas. John correu para acompanhá-lo, não se sentindo exatamente certo sobre se era o que deveriam fazer, no final das contas.

    — Fechado — Jason murmurou.

    A reação dos demais foi instantânea; todos levantaram a cabeça e o encararam como se nunca tivessem visto nada parecido na vida. Zathroth era o único cuja reação não se sobrepujava à dos demais; parecia calmo demais, como quem aceitasse determinado destino. Jason estranhou o posicionamento dele.

    — Façam a transação e eu ficarei — ele sentenciou, soturno. — Se alguém precisar segurá-lo aqui, creio que sou aquele que tem as melhores hipóteses.

    Repentinamente, o corpo de Randal caiu duro no chão. Jason saltou para trás, surpreso, quando o mesmo aconteceu com o de Leonard, e ele não pode avaliar a proposta adequadamente.

    Tic-tac — murmurou Lúcifer, arqueando as sobrancelhas. — Dois de vocês já foram reanimados. Quem será o próximo?

    John também caiu, um segundo depois. Desesperado, Jason pegou a arca nas mãos e aproximou-se da cela, oferecendo-a a Lúcifer.

    Sem hesitar, o arcanjo colocou um dos braços para fora e tocou a arca, ao que ela se abriu com um estalido breve. Jason não parou para avaliar o que havia dentro; quando deu um passo para trás, agarrando-se à arca como se fosse a última coisa viva na qual se fiar, ele também mergulhou na inconsciência, sendo subitamente arrancado do limbo.

    Zathroth sorriu amarelo, sacando sua espada.

    — Prepare-se para uma luta sem fim.

    Ele adiantou-se e começou a serrar as barras da cela, trabalhando devagar. A teoria se confirmou; embora ela não pudesse ser aberta de dentro para fora, era uma cela de ferro como outra qualquer de fora para dentro. Depois de um certo tempo de trabalho, a primeira barra cedeu; sem esforço, Lúcifer envergou-a para trás, em seus dois pedaços, abrindo um buraco enquanto Zathroth começava a trabalhar na segunda barra.

    Quando ela também cedeu e Lúcifer arrancou suas partes de qualquer jeito, saltando para fora e cerrando os punhos, o detetive ressurgiu, avançando para Zathroth numa velocidade impressionante para alguém que carregava tanta roupa.

    — Sinto muito, Zathroth. A hora da sua travessia chegou.

    Ele tocou-lhe na testa e Zathroth mergulhou na inconsciência, preparado para abraçar os Campos Elíseos, tendo os berros indignados de Lúcifer sido a última coisa que ouviu em vida.

    PRÓXIMO EPISÓDIO: CAPÍTULO XVI - MAIS CICATRIZES NO ROSTO DO CONTINENTE
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  3. #53
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.203
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Parceiro, sem palavras. Esses dois últimos capítulos foram pontos altos da sua narrativa, embora a luta contra Lúcifer tenha sido seu melhor trabalho.

    Sobre o penúltimo capítulo: Foi difícil não associar a imagem dos Olimpianos às imagens que conheço, que são as de Age of Mythology. Ainda misturei com sua ideia de roupas um pouco modernas. Ficou bom. Poseidon de bermuda havaiana parece muito plausível pra mim. Rick Riordan, de Percy Jackson e Os Olimpianos, também concorda.

    O lance do enigma foi muito bom. Imaginei que você talvez fosse mandar algum deus tibiano fazer o trabalho de abrir a Arca, mas não parecia apropriado considerando tudo que já apareceu. Mesmo que Ferumbras seja extremamente maior que todos esses, incluindo Crunor, Lúcifer ser o responsável por abrir essa arca parece melhor e mais interessante, e percebi porquê.

    Nesse último capítulo, li com mais empolgação. Fiquei feliz mesmo de ver esse "detetive", guiando seus personagens-chave até Lúcifer. Parece muito apropriado pra ele, como se tivesse nascido pro trabalho. Melhor ainda, ele parece ter sido o suposto ceifador de Zathroth(!!) e aparentemente não vai ter volta dessa vez. Olha, Zathroth durou bastante. Mas foi inevitável. Eu sabia que esse lance de deixar Lúcifer andando saltitante pelo limbo seria uma péssima ideia, tanto que o detetive surgiu rapidamente pra impedir que isso acontecesse. Lá em Supernatural dá pra ver o que rola quando se deixa ele solto. Creio que na décima terceira temporada. Que eu não assisti, perdão.

    Enfim cara, muito obrigado pela homenagem, de verdade. Quando eu escrevia Bloodtrip ainda no começo de 2017, você tava por aí postando e eu me perguntava se um dia eu conseguiria te atrair pra minha história pra, ao menos, ouvir sua opinião, e eu nem esperava nenhum elogio foda. Mas olha só, você até fez uma homenagem pra um dos personagens de lá agora. Que loucura.

    Agradeço a parceria e agradeço mil vezes pela homenagem. Fico realmente honrado de ter tamanho reconhecimento de um escritor tão foda como você.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  4. #54
    Avatar de Ameyuri Ringo
    Registro
    19-01-2012
    Localização
    Barreiras / Bahia / Brasil
    Idade
    22
    Posts
    105
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas EstagiárioCitizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Estou sem oque dizer putz grylo man que final de Cap deliciante kkk quero nem ver se esse cidadao sair do limbo so consigo ver um cataclisma no final parabens neal!
    Última edição por Ameyuri Ringo; 03-09-2018 às 00:23.
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  5. #55
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    3.002
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Adepto do OffSagaz CitizenMain CitizenCrítico
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Spoiler: Respostas


    NO ÚLTIMO EPISÓDIO: O arcanjo auxilia os amigos e ajuda na abertura do enigma milenar. Um dos amigos fica para trás, com o objetivo único de assegurar o sucesso da estratégia do grupo. É chegado o momento de tomar decisões.

    CAPÍTULO XVI – MAIS CICATRIZES NO ROSTO DO CONTINENTE


    Jason acordou de súbito, agarrado à arca com o enigma milenar com toda a força que podia reunir. Ao seu lado, três dos quatro amigos já recebiam uma boa xícara de café fumegante. Zathroth, por sua vez, jazia deitado sobre a mesa em posição de honra, as mãos cruzadas sobre o peito, dando a impressão de simplesmente repousar.

    O cavaleiro evitou olhar para ele mais do que o necessário. Sentiu suas emoções aflorarem novamente, e seus sentimentos não melhoraram quando John deu a ele o Anel Finalíssimo, extraído do corpo sem vida de Zathroth. Bellatrix soluçava ao seu lado, mas nada dizia; dos deuses do Olimpo, somente Atena ainda estava ali, todos os demais já haviam partido.

    Jason pegou-se refletindo por um longo momento a respeito de como Zathroth havia se tornado importante no desempenho das suas atividades até que aquele fatídico momento chegou. Apesar de todas as diferenças que eles haviam tido no passado, a existência de um inimigo em comum não somente os uniu, como criou entre eles laços inquebráveis. No final, seu último ato em vida teria sido o de garantir a transação, ainda que aquilo lhe custasse a própria vida. De uma forma ou de outra, Afrodite não conseguira trazê-lo de volta, talvez pela sua obstinação em ficar, talvez pelo seu interesse em morrer.

    Algum tempo depois, Zeus ressurgiu, trazendo consigo a Túnica Rubra. Nada mais era do que um robe vermelho e toscamente costurado, mas tinha uma certa aura estranha que Jason nunca tinha sentido antes. Rashid, que estivera ali desde então, analisou o pano com devoção, mas não ousou tocá-lo. Quando ele foi depositado sobre a mesa, ao lado do corpo sem vida de Zathroth, Jason finalmente compreendeu que, enfim, tinham reunido todas as relíquias corpóreas, e tinham o suficiente para avançar.

    — Está, de fato, danificada — comentou Zeus, franzindo o cenho. — Foi o toque de Morfeu que a corrompeu. Será preciso um incandescente para repará-la.

    Jason sacudiu a cabeça, desgostoso.

    — Não temos nenhum, e Crunor não respondeu às minhas orações. Estamos num beco sem saída.

    John contemplou a Túnica Rubra por um instante, sem dizer nada. Tentou tocá-la, mas seu toque foi irrelevante; ele se havia desfiliado e não tinha mais as propriedades necessárias para fazer o artefato funcionar.

    Alguns minutos depois, Heloise também apareceu, os olhos cansados reforçados pelas olheiras profundas. Ela se sentou ao lado de Jason, respirando fundo.

    — Ferumbras destruiu Edron, Thais, Ankrahmun e Darashia. Poucas pessoas sobreviveram. Em Edron, não sobrou ninguém. Em Thais, somente um músico chamado Quero, que nunca conheci. Em Ankrahmun, Melchior conseguiu fugir, e, em Darashia, somente Miraya teve tempo o suficiente para desaparecer. Notícias recentes dão conta de que ele vai atrás de Yalahar.

    Jason abaixou a cabeça, sentindo-se impotente.

    — Está tentando nos atrair. Assim que deixarmos Senja, ele nos atacará. Sinceramente, não sei o que fazer.

    Samuel também reapareceu.

    — Precisamos confrontá-lo depressa, antes que ele abra mais cicatrizes no nosso continente — sentenciou. — Acho que posso convencer os arcanjos que restaram a se engajarem no combate, mas não sei se será suficiente.

    Thais era duas vezes maior do que Edron e talvez um pouco maior do que Yalahar. Significava dizer que, se em dois dias ele tinha conseguido varrer duas cidades imensas e mais o deserto de Darama do mapa, não existia muito tempo sobrando. Jason olhou para Atena.

    — Pode resguardar a Túnica enquanto saímos?
    — Certamente.
    — Não é a hora de pouparmos esforços — ele raciocinou. — Quero Heloise, Samuel, Randal, Leonard, John, Bellatrix, Ares e Miguel ou Gabriel comigo. Precisamos retardá-lo, apenas por tempo suficiente para descobrirmos como faremos para reparar a Túnica Rubra. Preciso que todos entendam que existe um risco imenso de confrontá-lo no estado mental em que se encontra, sem termos todas as armas nas mãos. Samuel, recrute ao menos um dos arcanjos para o combate. Precisamos de tudo que tivermos.

    Os presentes assentiram uma vez, obstinados.

    — Saímos em meia hora.

    *

    A cidade de Yalahar era uma cidade completa. Seu ambiente futurístico somente fazia acentuar o interesse dos grandes viajantes pela cidade, que tinha o metro quadrado mais caro do continente. A cidade era resultado de um grande amálgama de informações e autoafirmações: seu seio principal era perfeitamente circular e todo murado, com mecanismos mágicos trabalhando em cada um dos muitos portões que levavam a locais de caça lucrativos e interessantes. O diplomático Palimuth e o volátil Yalahari comandavam a cidade, muitas vezes divergindo a respeito da melhor forma de tocá-la, mas sempre conseguindo chegar a um consenso.

    Nos arredores de Yalahar, haviam-se instalado todo tipo de população. No extremo sudoeste e no extremo sudeste, fixavam-se as pessoas mais perigosas do local: bandidos, mercenários e assassinos, frequentemente em guerra pela disputa dos pontos de tráfico de influência, mercadorias e armas. A leste, guerreiros e guardiães estabeleceram uma espécie de arena de batalha, onde combatentes guerreavam até a morte em espetáculos medonhos. A noroeste, experimentos científicos bizarros tratavam de dar vida a criaturas mutantes, entre homens, ratos e morcegos. O cemitério, situado no extremo norte, que continha uma capela que pretendia prestar cultos a Crunor, encontrava-se totalmente corrompido, abrigando mortos-vivos e ceifeiros de almas, que se instalaram nos subsolos. O Quarteirão dos Magos abrigava feiticeiros inconsequentes e necromantes que cultuavam a morte, emboscando viajantes a todo momento. A leste, o Quarteirão das Fábricas continha experimentos tecnológicos que saíram do controle, e parecia ter sido o único local em que havia sido possível empilhar máquinas mutantes. O único dos quarteirões que parecia abrigar certa paz era aquele que ficava no extremo leste e que levava às torres de vigia no meio do oceano.

    O centro de Yalahar era todo composto por palácios e palacetes onde homens ricos e influentes, tal como costumava ser Lancaster Wilshere, escolhiam fixar suas residências. As casas eram um festival pirotécnico de exibicionismo, e o comércio local também não deixava a desejar, sendo exercido por ciclopes, gnomos, duendes, licantropos e outras criaturas detestáveis. Apesar disso, Yalahar era a cidade que mais girava riquezas no antigo continente e, apesar do risco aparente que representava, atraía a atenção de muita gente.

    Jason, Heloise, Samuel, Randal, Leonard, John, Bellatrix, Ares, Miguel e Gabriel surgiram no topo de um dos palacetes que abrigava a maior parte das lojas de departamento em Yalahar, batendo a poeira das vestes. Dali, a vista panorâmica era de tirar o fôlego, mas algo corria muito mal. A cidade, outrora sempre muito movimentada, estava absolutamente vazia. A julgar pelos acontecimentos recentes, talvez as notícias da sede de destruição de Ferumbras tivessem chegado ali mais cedo do que todos estavam esperando.

    Devagar, todos começaram a descer as escadas, as expectativas se confirmando quando perceberam que lojas inteiras, com todos os seus pertences, haviam sido deixadas para trás. Leonard e John, que não tinham qualquer fibra moral, começaram a saquear tudo que conseguiam ver e que pudessem utilizar no combate; Jason simplesmente virou os olhos para o outro lado, fingindo não ver.

    No depósito, ao contrário do que muitos esperavam, a marginalidade se havia instaurado. Mendigos e homens de ar ameaçador acumulavam-se, disputando espaço. Não foi necessário um segundo aviso para que todos entendessem que não era ali que deveriam se organizar, então, logo, deixaram a proteção do depósito e rumaram no sentido leste, onde havia sido instalado o banco.

    Surpreendentemente, havia um duende atrás do balcão. Jason olhou para ele com um misto de pena e arrependimento; apesar das notícias de catástrofe próxima, a criatura ambiciosa ficara para proteger o seu tesouro.

    — O que querem? — ele grunhiu, impaciente.
    — Só um lugar para ficar — Jason respondeu, com sinceridade.

    A criatura apontou para um conjunto de escadarias na parte norte da recepção suntuosa e todos se dirigiram para ela, saindo no segundo andar, onde costumava ser exercido o comércio postal. John selou magicamente a entrada e todos começaram a descer seus pertences, as cabeças trabalhando febrilmente enquanto tentavam descobrir que tipo de tática seria viável numa situação como aquela.

    — Jason…

    A voz de Ferumbras sobressaltou a todos, que se puseram a postos, de armas erguidas. Era distante, mas firme; imediatamente Jason notou que ele utilizava o mesmo recurso que usara para se comunicar com eles em Venore.

    — Sei que estão em Yalahar e que planejam lutar — prosseguiu. — Sei que acham que podem me enfrentar sem todas as relíquias, e que têm a intenção de impedir a destruição da cidade. Sua fibra moral é interessante, mas todos irão morrer. Isto acaba hoje.

    Jason aguardou por um instante, tenso.

    — Cidadãos e sobreviventes, mercenários, bandidos e abandonados, comerciantes, banqueiros e trabalhadores de Yalahar… tragam-me Jason Walker e Leonard Saint, e pouparei a cidade. Todos os outros que combatem junto dos dois também serão poupados. Aguardarei na antessala principal de Yalahari. Vocês têm uma hora. No sexagésimo primeiro minuto, a cidade começará a ruir sob a minha fúria. Não pouparei ninguém.

    Todos se entreolharam.

    — Uma hora — ele repetiu, e se silenciou.

    Nenhum deles se moveu, absolutamente incapazes de tomar qualquer decisão. Quando John percebeu que o duende do banco tentava forçar a entrada através da magia que ele conjurara, simplesmente decidiu disparar um feitiço contra a sua cabeça e matá-lo, antes que algo pior pudesse acontecer. O corpo morto da criatura rolou pela escadaria abaixo, mas Jason não gostou da reação. Se estivessem dispostos a matar cidadãos em troca da própria vida, então em que seriam diferentes de Ferumbras naquele momento?

    Lá embaixo, pelas janelas da edificação, Jason identificou uma movimentação incomum para andarilhos, mercenários e ladrões. Eles se espalhavam deliberada e lentamente, buscando obter visão em determinados pontos-chave da cidade. Não era difícil de identificar o padrão: os portões visíveis daquela distância estavam agora ocupados, e o acesso ao barco, restrito. Demorou para que o espadachim entendesse que, entre a população miserável que estivera no depósito quando eles chegaram, não era impossível imaginar que houvesse gente de Ferumbras infiltrada.

    Randal aproximou-se um pouco ressabiado, deliberando.

    — Jason, sei que não quer ouvir isso, mas talvez seria melhor se abríssemos caminho na base da força bruta e saíssemos de Yalahar. Já percebemos que o que restou da população nos combaterá. Creio que seja difícil deixar a cidade sem que alguns corpos sejam também deixados pelo caminho.
    — Viemos aqui com um objetivo definido…
    — E, agora, não temos mais objetivo algum senão o de sairmos vivos daqui — Randal continuou argumentando. — Perdemos o efeito surpresa. Ele sabe que estamos na cidade. Se não aparecermos no tempo determinado, vamos morrer do mesmo modo. Ele quer nos ver. Se conseguirmos fugir assim que ele puser os olhos em nós, talvez ele poupe a cidade.

    O espadachim levantou a cabeça, soturno.

    — Então vamos dar a ele o que ele quer.

    *

    Uma balbúrdia dos infernos se instaurou do lado de fora do suntuoso palácio de Yalahari, que sequer levantou sua cabeça fabulosa. Sentado em seu trono, Ferumbras sabia que feria o seu ego, mas simplesmente não se importava. O feiticeiro se colocou de pé, batendo a poeira das vestes despropositadamente. A hora chegara. Ele mexera com o brio de Jason Walker e sabia que o espadachim era incapaz de ver gente inocente morrer em seu lugar. A aposta fora feita e premiada; agora, era a hora de coletar o prêmio.

    Ele girou o cajado, testando-o. Parecia justo combater o cavaleiro num combate corpo-a-corpo. Sairia vencedor, de todo modo.

    O interior do palácio brilhou por um instante, e Ferumbras fixou seus olhos nas portas duplas e mágicas adiante de si. Embora o domo fosse suntuoso e muito bem decorado com o que havia de mais futurista e limpo entre os mostruários da mobília moderna, havia muito espaço vazio dentro do salão imenso.

    De repente, ambas as portas explodiram e, através dos seus escombros, Jason Walker ingressou no salão. Atrás dele, corpos se amontoavam à exaustão, mas não havia qualquer sinal de seus correligionários num local próximo. Aparentemente, tinham batido em retirada. Corajosamente, o cavaleiro ficara para rendê-los enquanto fugiam.

    Que criatura fabulosa é Jason Walker, pensou Ferumbras, girando seu cajado outra vez.

    Na altura em que o cavaleiro avançou contra o feiticeiro de peito aberto, um feitiço atingiu Ferumbras pelas costas. Ele girou nos calcanhares em tempo de assistir Yalahari, com sua máscara ancestral, sua túnica muito alva e mais de dois metros de altura, atirar outra magia contra ele.

    O mago dançou para escapar do ataque, ao que Jason Walker conseguiu alcançá-lo, atacando-o com uma fúria impressionante para um reles humano. Pela primeira vez, o Inominado sentiu as dificuldades de combater uma relíquia histórica; a Espada de Crunor simplesmente parecia fazer parte do trabalho sozinha, enquanto, durante boa parte do início do combate, somente o que ele fez foi se defender.

    Nos arredores, dois imensos robôs de lata surgiram da penumbra, avançando também contra Ferumbras. O feiticeiro abateu o mais próximo com uma magia bem colocada na perna dianteira, mas foi derrubado pela força e pelo peso impressionante do outro.

    — Isso é tudo, Bellatrix — ouviu-se Jason Walker. — Vá!
    — Falou e disse — respondeu a rascante voz de Yalahari.

    Enquanto lutava contra a força quase irresistível do robô, Ferumbras amaldiçoou a própria sorte. O demônio do finado Zathroth havia ousadamente dominado o corpo de Yalahari para assegurar o imponderável, e, agora, fugia com os demais.

    Ferumbras encaixou o cajado entre as junções superiores do robô e separou o tronco das pernas, atirando os pedaços para o lado. Foi necessário rolar pelo chão para escapar dos ataques ferozes de Jason, que avançava contra ele de forma incauta. Girando no mesmo lugar, o feiticeiro aplicou um chute no joelho da frente do cavaleiro, que recuou, o que possibilitou que ele se levantasse.

    Agora, o combate franco recomeçara. Jason e Ferumbras trocavam golpes concisos, sem conseguir tocar um ao outro; a Espada de Crunor se chocava com violência contra o cajado ancestral do feiticeiro, que parecia frustrado pela energia com que era combatido. Era preocupante, entrementes, como o cavaleiro conseguia ingressar em sua redoma de proteção, passando a milímetros de feri-lo.

    Enfim, com alguns passos rápidos, Ferumbras conseguiu restabelecer sua posição de dominância, acuando Jason devagar, mas continuamente, contra as paredes suntuosas de ferro do aposento. De pé, Yalahari encarava a cena chocado; jamais imaginara que alguém poderia combater Ferumbras de igual para igual, ainda que, no longo prazo, houvesse desvantagem no confronto.

    Jason deu um passo calculado à esquerda e estocou; o golpe foi aparado pelo cajado de Ferumbras que, enroscado à Espada, arrancou-a da mão do cavaleiro. O feiticeiro ergueu sua arma para o golpe final, mirando o encurralado Jason, que atirou as mãos adiante, tentando se defender.

    Quando o cajado foi estocado em sua direção, Jason teve somente um milésimo de segundo para perceber que Yalahari havia acabado de intervir e se deixar perfurar em seu lugar.

    PRÓXIMO EPISÓDIO: CAPÍTULO XVII - FUGA





    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  6. #56
    Avatar de Ameyuri Ringo
    Registro
    19-01-2012
    Localização
    Barreiras / Bahia / Brasil
    Idade
    22
    Posts
    105
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas EstagiárioCitizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Cada cap com seu valor Jason mesmo que por um curto tempo se mostro abil a combater esse hacker rs que grande desfecho ate quem nao conhece Jason em poucos segundos percebeu que so ele e capaz de salva a patria e com isso se sacrifica gostei muito neal no aguardo do proximo.
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  7. #57
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.203
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Excelente, cara. Essa luta contra o Ferumbras foi de tirar o fôlego. Triste também ver Yalahar sofrendo assim, mais do que o habitual. Até o goblin do banco se fudeu. Aliás, Leonard e John tão sendo sobrevivencialistas soberbos, saqueando e matando e tal. Dá pra ver que tá osso.

    Eu notei algumas coisas apenas nesse capítulo, talvez você tenha deixado passar batido:

    A leste, guerreiros e guardiães estabeleceram uma espécie de arena de batalha, [...]
    Arena Quarter fica no oeste de Yalahar.

    Apesar disso, Yalahar era a cidade que mais girava riquezas no antigo continente e, apesar do risco aparente [...]
    Acho que foi a única coisa que me deixou um pouco incomodado, e é mencionado dessa forma mais de uma vez, como no título. Eu considero Tibia um planeta, então quando você diz cicatrizes no continente, eu encaro como cicatrizes no mundo tibiano, e talvez tenha sido sua intenção original. Quanto a Yalahar, ela é uma ilha, praticamente um continente, então se você estiver querendo dizer que Yalahar em si é um continente antigo, ignore essa chatice aqui.


    No mais, nada mais senão elogios. Esse capítulo ficou excelente, e terminou num bom cliffhanger. Curioso pra saber pra onde a turma do barulho foi, e pelo próximo capítulo.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  8. #58
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    3.002
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Adepto do OffSagaz CitizenMain CitizenCrítico
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Spoiler: Respostas


    NO ÚLTIMO EPISÓDIO: Os amigos diligenciam a Yalahar para evitar que seja destruída, e uma batalha sangrenta começa a se desenhar. Yalahari, anterior e brevemente ocupado por Bellatrix, sacrifica-se para fazer valer o ato de bravura do grupo.

    CAPÍTULO XVII – FUGA


    Ferumbras sacou o cajado cravado no corpo de Yalahari, amaldiçoando a própria sorte. Entendia que o feiticeiro poderia ser uma boa aquisição; agora, porém, morto, não tinha muito mais o que oferecer.

    Entrementes, a Espada de Crunor retornara à bainha de Jason Walker, que já a sacara e retornara ao combate. Não tardou para que os arcanjos Gabriel e Miguel surgissem, segurando lanças prateadas que eram réplicas perfeitas da Lança do Destino, posse anterior do finado Rafael. Agora, ainda que numa proporção de três contra um, o combate se aproximava mais de um equilíbrio do que de um desbalanceio.

    — Surpreso? — perguntou Miguel, divertindo-se.
    — Querias — respondeu Ferumbras, ofegante pelo esforço que fazia.

    O feiticeiro abriu razoável distância e inverteu as pontas do cajado, direcionando o “F” ornamental entalhado em seu topo para os pés dos arcanjos.

    Ex ori mort — murmurou.

    Uma caveira incorpórea brotou da extremidade do cajado, sendo disparada na direção de Miguel, que somente rolou de lado, surpreso. O feitiço explodiu onde seus pés haviam estado milésimos de segundos antes. Não foi necessário aguardar para que o próximo fosse carregado outra vez.

    Ex evo vis hur!

    Desta vez, uma devastadora onda de energia foi disparada, seu raio de varredura abrangendo vários metros adiante. Embora Miguel tenha conseguido escapar novamente, Gabriel não teve a mesma sorte; seu corpo rolou pela sala e rompeu a parede no canto oposto do domo, desaparecendo de vista.

    Jason avançou depressa, visando cobrir a retaguarda do arcanjo que sobrara. Ferumbras tentava trabalhar na curta distância, atirando indistintamente com seu cajado para todos os lados, direcionando boa parte de seus feitiços contra Gabriel, incauto. O arcanjo tentava a todo custo romper as barreiras que haviam sido criadas pelo feiticeiro, tentando alcançar o irmão, potencialmente desacordado.

    O cavaleiro atirou-se adiante de Ferumbras e estocou.

    Ut amo vita!

    Embora a Espada tenha atravessado seu peito, Ferumbras sorriu, achando graça. Jason tardou para notar que um feitiço de proteção havia sido invocado; no instante seguinte, estava sendo socado no rosto e atirado pela sala, semiconsciente.

    Gabriel retornou, trazendo o avariado Miguel consigo, em tempo de impedir o avanço derradeiro de Ferumbras contra Jason, que ainda tentava se levantar, grogue. Os arcanjos conseguiram empurrar o feiticeiro para o canto oposto da sala, atraindo sua atenção, ao que Jason se punha de pé devagar, lutando para lembrar dos passos que lhe haviam sido ensinados por John.

    Estendendo as mãos espalmadas, ele começou a murmurar, torcendo para não cometer nenhum equívoco que comprometesse a eficácia da missão.

    *

    John levantou a cabeça quando um vistoso e enorme carneiro feito de fumaça pura marchou para dentro do depósito de Yalahar, a cabeça fantástica acompanhando o movimento do corpo imenso e torneado. O quadrúpede sentou-se nos quartos, seus olhos fixos nos do antigo incandescente.

    — Estamos prontos — disse brevemente a voz etérea de Jason Walker, antes que o feitiço se desfizesse e seus rastros se dissipassem.

    John e os outros deixaram o depósito às pressas, avançando na direção norte, no sentido do palácio de Yalahari. Palimuth, um homem de aspecto bondoso que rivalizava suas forças contra as do excêntrico Yalahari, achava-se escondido sob uma mesa de carvalho puro, assombrado.

    — Vá embora — ordenou John.

    Ele não precisou de um segundo aviso, batendo em retirada.

    Era impressionante o trabalho de Jason até chegar a Ferumbras. Corpos de mercenários, assassinos, bandidos e ladrões acumulavam-se, o que gerou dificuldades inclusive para que o próprio grupo avançasse através do palácio. As portas duplas que levavam ao salão anterior estavam em pedaços. Se o cavaleiro precisava de efeito surpresa, certamente que o havia levado a Ferumbras. O rastro de destruição era intimidador.

    Dentro do salão, a imagem do combate era aterradora.

    Yalahari estava morto, o peito perfurado, caído de qualquer jeito na porção sudoeste do domo, onde havia um buraco do tamanho de um corpo humano na parede. Adiante, na parte nordeste, Miguel, Gabriel e Jason tentavam segurar Ferumbras da forma que podiam, sendo duramente castigados. O feiticeiro era simplesmente demais para eles, por melhores que fossem as suas intenções.

    Heloise, John e Randal avançaram de arma em punho, atacando Ferumbras com tudo que tinham. Na retaguarda, Bellatrix, Samuel e Leonard disparavam à distância. Ares não estava em ponto algum visível.

    Finalmente, a luta começou a se desbalancear. Ferumbras encontrou certas dificuldades em defender tantas frentes e, a menos que nocauteasse alguns de seus adversários, sairia em desvantagem.

    Repentinamente, o teto sobre o feiticeiro cedeu, e pedaços de caliças, tijolos, ferro, reboco e — por alguma razão — isopor desabaram sobre ele. Ferumbras disparou um feitiço para cima, reduzindo tudo a pó. No segundo seguinte, um imenso dragão, negro como a noite, explodiu o que restava do telhado, com Ares montado em suas costas.

    Todos tiveram que se proteger atrás do que sobrou das pilastras quando o bicho imenso começou a disparar labaredas para todos os lados. Ferumbras invocou um breve feitiço de proteção, neutralizando as chamas num primeiro momento, e sendo obrigado a lidar com os ataques ferozes de Ares ato contínuo.

    Os feiticeiros continuavam a disparar suas magias, sendo contidos pela redoma de proteção de Ferumbras. Adiante, Leonard gingava pela sala, atirando flechas a perder de vista, sua potência e precisão ampliadas pelo Bracelete de Anúbis. Num local não muito distante, dentro do salão, John, que se retirara da luta brevemente, começava a trabalhar em sua invocação.

    O dragão permanecia a postos, às vezes dançando para a direita, às vezes dançando para a esquerda. O único fato concreto era que seus movimentos estavam levando toda a estrutura abaixo. Primordialmente, era importante que todos reconhecessem: o plano de manter a estrutura da cidade falhara diante da movimentação imparável e incontrolável do animal de estimação de Ares.

    — Agora pode ser uma boa hora — gritou Ares, partindo para cima de Ferumbras com tudo que tinha.

    O feiticeiro aparou o golpe de sua espada enquanto os outros reuniam-se no centro do salão, preparando-se para fugir. Aqui e ali, Ares já havia conseguido furar as defesas de Ferumbras, ferindo-o na altura da coxa esquerda, do plexo, do braço direito. Eram talhos pequenos e insignificantes, mas, a bem da verdade, considerando-se o fato de que aquele era um místico ser que demandava muito esforço para sequer ser tocado, o deus da guerra parecia tirar leite de pedra.

    Todos envolveram John quando um homem montado numa cadeira de rodas futurística desceu dos céus, sua queda suavizada pela atuação providencial do dragão. Ele girou as rodas da cadeira com os braços musculosos e atirou diversas engrenagens contra Ferumbras, que parecia muito indignado pelo simples fato de estar sendo atacado por um aleijado. Jason o conhecia muito bem: Hefesto, o deus das forjas vulcânicas. Parecia conveniente que ele tivesse surgido no palácio de Yalahari, que, excentricamente, lutava com robôs de guerra completos e costumava mandar neles em vida.

    Quando o antigo incandescente de Crunor proferiu as últimas palavras do conhecido feitiço, Ferumbras disparou sua própria magia negra contra o grupo. Os amigos espiralaram no ar, envoltos na mágica de John, enquanto o próprio feitiço destrutivo de Ferumbras parecia integrar toda a cena, fazendo parte da mágica de transferência e a ela se integrando, compondo-a, de forma indissociável.¹

    No momento em que todos finalmente desapareceram, a última imagem registrada era a de Ares e Hefesto montados no imenso dragão, destruindo o restante do palácio com a finalidade de soterrar Ferumbras e desaparecendo no escuro céu de fim de tarde de Yalahar.

    *

    Randal, Gabriel, Miguel, Bellatrix, Leonard, Samuel, Jason e John aterrissaram em Senja de uma vez só, rolando pelo gramado àquela altura descampado e colocando-se de pé com dificuldade.

    O cavaleiro, que havia liderado o grupo naquela ardilosa missão, demorou meio segundo para notar que algo não corria bem. O grupo se reunia em volta do corpo ainda deitado de Bellatrix, que respirava profundamente em arquejos agonizantes. Seus olhos, esbugalhados, pareciam saltar das órbitas.

    — O que há? — Jason agachou-se, preocupado.

    Samuel sacudiu a cabeça, tocando em seu ombro com leveza.

    — Amaldiçoada. É um feitiço de morte, mas, antes disso, de sofrimento. Ela vai agonizar até morrer. Ferumbras é um maldito desgraçado filho da puta.

    Jason levantou a cabeça, desesperado. Seu primeiro reflexo foi recorrer a John.

    — O que podemos…
    — Coloquemos fim em seu sofrimento — sugeriu John, e sua voz não tinha qualquer vestígio de humor. — Não adianta instá-la a trocar de receptáculo neste momento. A maldição parece ser extracorpórea. Um exorcismo também não funcionará, ao menos não para o fim ao qual se destinaria. E sinto muito, Jason, mas não conheço qualquer feitiço que seja capaz de reverter tão ancestral magia. Pode ser leviano até tentar. Enquanto procuramos, ela continuará sofrendo e em desespero.

    Jason estava prestes a contestá-lo quando sentiu o também sutil toque de Leonard, cujo rosto estava cortado sob o olho direito.

    A visão do primo ferido trouxe Jason de volta ao presente.

    — Faça — pediu, torturado.

    O cavaleiro relanceou outro olhar para Bellatrix, cujo rosto, agora, mudava de tom. A julgar pela forma penosa como tentava captar o ar, a maldição havia chegado aos seus pulmões, exigindo um esforço absurdo para que continuassem funcionando. Ela grunhiu em vários arquejos, torturada.

    Ele se abaixou outra vez, uma lágrima escorrendo-lhe pelo olho direito.

    — Me perdoe — pediu, ao que ela atirou as mãos para frente, agarrando febrilmente sua camisa rasgada. — Bellatrix, me perdoe. Rogo para que Crunor receba sua alma nos Campos Elísios e permita que você passe a eternidade ao lado de Zathroth.

    Em meio à agonia, Jason vislumbrou um aceno de cabeça breve. Tudo aquilo parecia ensejar um estado de quase enlouquecimento mas, nos últimos momentos de vida, a formidável mulher, que havia se tornado uma aliada e tanto, abraçava a morte como forma de colocar fim ao seu sofrimento.

    Brevemente, ele se lembrou de quando exorcizara Bellatrix, o que parecia ter acontecido há milênios. Naquela oportunidade, o corpo devastado do seu receptáculo sequer tinha forças para se levantar outra vez. No seu leito de morte, a mulher outrora possuída simplesmente abraçou a morte, como Bellatrix, satisfeita por, enfim, ver o final do seu suplício, depois de tantos séculos.

    Bellatrix era um ser interessante. Era um soldado leal, fiel, eficaz e eficiente. Cumpria as ordens que recebia sem pestanejar. Tinha sido assim enquanto era subordinada de Zathroth e, na altura em que ambos passaram a se equivaler na hierarquia universal, aceitara o projeto arriscado de Jason de salvar Yalahar sem questioná-lo.

    Embora cindisse sua alma a necessidade de matá-la, Jason entendia, agora, que era necessário. Não sabia por quanto tempo poderia perdurar a magia negra de Ferumbras e, naquele momento, assistir ao penoso fim da vida de Bellatrix trazia-lhe um dos maiores sofrimentos que já havia experimentado em vida.

    Ele fechou os olhos por um curto instante, finalizando sua prece. Ao abri-los, permitiu que as lágrimas rolassem livremente. Leonard ofereceu-lhe a Lança do Destino, e Jason a tomou na mão direita, incerto sobre como fazer aquilo.

    Agora, os olhos de Bellatrix assumiam um tom vermelho medonho, que podia indicar uma hemorragia cerebral. Não havia mais como esperar.

    Jason debruçou-se sobre ela e, com cuidado, inseriu a Lança em sua têmpora, atravessando-a pelo outro lado. As mãos firmes que agarravam sua camisa destruída se afrouxaram imediatamente, pendendo molemente ao lado do corpo. Randal adiantou-se e fechou os olhos dela com os dedos, apertando com carinho o ombro de Jason. Todos assistiam à cena chocados. Sabiam o quão difícil tinha sido aquilo.

    — Enterro digno — ordenou o cavaleiro, sem querer dizer mais nada.

    Imediatamente, todos começaram a se movimentar para obter pás, uma pedra que pudesse ser lapidada para representar o túmulo, e não houve surpresa quando Samuel ressurgiu com duas delas, o corpo de Zathroth carregado nos ombros. As incursões recentes para parar Ferumbras haviam ceifado mais duas vidas.

    Externamente, Jason manteve o semblante fechado. Internamente, sua alma, desesperada, bradava por vingança, exigia a cabeça de Ferumbras posta numa estaca e pendurada por milênios sob o céu e sobre o mar.

    O cavaleiro respirou fundo, pondo-se ele mesmo a começar a escavação para o sepultamento dos dois amigos. Seu íntimo, no entanto, continuava protestando.

    Perdera Bambi, Carl, Logan, Zathroth, Bellatrix, e, principalmente, Eremo, além daqueles que fora obrigado a matar, como Arthur e o anão ganancioso, entre tantos outros.

    O saldo negativo era violentamente superior ao positivo.

    Naquele momento, contudo, ele fez uma promessa a si mesmo: não perderia mais ninguém. Não naquele momento, e não para Ferumbras. O momento de reverter a guerra chegara.

    Disso, estava absolutamente certo.

    *

    Gabriel e Miguel analisaram longamente a Túnica Rubra, sem tecer qualquer consideração. Finalmente, o primeiro arcanjo levantou a cabeça, sentindo-se um pouco estupefeito.

    — Está danificada, sim, mas não podemos repará-la — comentou, surpreso.

    Jason jogou as mãos para o ar, impaciente.

    — Então tragam-me a merda de um incandescente.
    — Não sei em que mundo você vive — respondeu Miguel, mais surpreso ainda pela reação do cavaleiro —, mas não temos mais muitos incandescentes. A maioria deles morreu no cerco a Venore, tentando proteger a população depois que vocês mataram Chimera. Não sobrou outros tantos da defesa a Thais após a morte de Procusto.

    Agora, quem estava surpreso era Jason.

    — Estamos muito confortáveis ao criticar Crunor a todo custo — Gabriel disse, meio soturno. — A verdade é que, embora ele não lhes deva grandes satisfações, seus incandescentes foram dizimados ao tentar conter a fúria de Ferumbras sobre essas duas cidades. Nem sei onde está o que sobrou de nós. Sinceramente.

    John e Samuel trocaram um olhar cheio de significado que não escapou à atenção de Jason. O cavaleiro, agora, sentia um certo pesar, muito próximo de um arrependimento. Gritava e esperneava contra Crunor sempre que tinha uma boa oportunidade, certo de que ele estava inerte, mas, afinal, seus homens também vinham morrendo.

    Apesar disso, tinha um problema maior em mãos. Não sabia como reparar a Túnica.
    -------------------------
    ¹: A inspiração para a cena foi extraída da morte de Dobby, o Elfo Doméstico, em Harry Potter e as Relíquias da Morte (J. K. Rowling).
    -------------------------
    PRÓXIMO EPISÓDIO: CAPÍTULO XVIII - MEMÓRIAS. Este episódio trará um pouco da história de Randal.
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  9. #59
    Avatar de Ameyuri Ringo
    Registro
    19-01-2012
    Localização
    Barreiras / Bahia / Brasil
    Idade
    22
    Posts
    105
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas EstagiárioCitizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Modo sadboy on grande cap neal to surpreso pela referencia na morte omg me pego sem previsao do desfecho desde ja meus parabens
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  10. #60
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.203
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Mais um capítulo digno do acervo de capítulos sensacionais que você já escreveu. Incrível essa luta contra Ferumbras, sem dúvidas respondeu as minhas expectativas. Ferumbras é difícil pra caralho de ser morto, nem parece com o atual do Tibia, que morre em 30 segundos ou menos.

    A inspiração foi até engraçada. Quero dizer, aqui vemos a Bellatrix agonizando após um teletransporte, já morrendo, enquanto em Harry Potter, é a própria Bellatrix(Que não é a mesma pessoa, estou ciente) que atira o golpe fatal. Mais uma coisa realmente impressionante desse capítulo.

    No aguardo do próximo. Parece bom contar a história do Randal agora, considerando a situação de merda que se encontram no momento e a falta de opções.

    Publicidade:



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉



Tópicos Similares

  1. Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Por Neal Caffrey no fórum Roleplaying
    Respostas: 58
    Último Post: 09-10-2017, 00:17
  2. Jason Walker e os Poços do Inferno
    Por Neal Caffrey no fórum Roleplaying
    Respostas: 53
    Último Post: 28-08-2017, 15:20
  3. Jason Walker e a Arca do Destino
    Por Neal Caffrey no fórum Roleplaying
    Respostas: 57
    Último Post: 24-08-2017, 10:32
  4. O Guerreiro do Apocalipse
    Por Viny Morozesk no fórum Roleplaying
    Respostas: 6
    Último Post: 16-06-2006, 11:36
  5. O guerreiro do apocalipse.
    Por DarkMan no fórum Roleplaying
    Respostas: 47
    Último Post: 31-05-2005, 21:48

Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •