Página 7 de 8 PrimeiroPrimeiro ... 5678 ÚltimoÚltimo
Resultados 61 a 70 de 73

Tópico: Jason Walker e a Sétima Vingança

  1. #61
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    3.009
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas SoldadoNascenteAutor ExperienteAutor Recorrente
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Spoiler: Respostas


    CAPÍTULO 16 – QUEM DE NÓS?


    Zathroth e Heloise conversavam a um canto do restaurante do depósito de Carlin, ele surpreendentemente desarmado. O exército vinha realizando rondas regulares e, na sua visão, era desnecessário caminhar de forma hostil dentro de um território que, sinceramente, tinha o recebido tão bem.

    A rainha Heloise era, no fim das contas, a monarca que menos se assemelhava a um monarca no antigo continente, Zathroth constatou cedo demais. Misturava-se ao povo e fazia parte dele constantemente, abandonando suas vestes reais com uma frequência maior do que se podia imaginar.

    Agora, exatamente dentro das expectativas de Zathroth, às sete da manhã, ela comia bacon frito e ovos cozidos com ele, com uma boa caneca de café com leite, sentada no restaurante popular da cidade em meio à multidão. Bambi Bonecrusher, que fora promovida e assumira a vaga deixada pelo finado Svan, andava para lá e para cá, fechando detalhes importantes referentes à segurança da cidade.

    — Ela é competente — disse ele, puxando conversa.

    Heloise fez que sim, mastigando devagar.

    — Minha melhor combatente.
    — Depois de Jason Walker.
    — Jason Walker sequer pode ser incluído na lista — ela sorriu, lembrando-se do jeito adolescente e atrapalhado do garoto que carregava nas costas os maiores fardos da humanidade. — Ele e Leonard Saint estão em outra posição. São incomparáveis.
    — De acordo.

    Por um certo tempo, Zathroth remoeu diversas coisas na cabeça. O respeito que Heloise tinha pelos dois meninos confirmava certas suspeitas a respeito de outras relíquias que ele estava rastreando, já tendo encontrado duas delas, estando de posse de uma.

    Finalmente, quando não pode mais se aguentar, Zathroth tirou de dentro das vestes uma caixinha de joias pequena, abrindo sua tampa e mostrando o conteúdo para a rainha. Ela tomou um gole rápido do café com leite, detendo-se longamente na grande esfera brilhante lá dentro. Abaixo dela, e nela amalgamado, havia um arco tosco e rude feito, aparentemente, de níquel. Era um anel.

    — O Anel Finalíssimo — identificou Zathroth, ao que os olhos dela brilharam. Ela conhecia o potencial do anel. — Trata-se de uma das 12 relíquias. Sabe o que ele faz?
    — Mostra o futuro — ela respondeu prontamente, franzindo o cenho. — Ou pelo menos uma projeção dele.
    — Precisamente.

    Heloise aguardou, mas Zathroth e ela só se encararam nos olhos por um longo tempo. A rainha não precisava perguntar para saber que ele havia tirado aquilo de Lancaster Wilshere, na campina, durante o combate contra Lúcifer. Não sabia exatamente como se sentia a respeito de Zathroth acumulando relíquias, mas, a julgar pelo fato de que John tinha o Livro e Jason, a Espada, ao menos poderiam assegurar que ele não podia ter todas elas.

    — Qual a relevância do tema para nós?

    Zathroth respirou fundo, fechando a caixa e guardando-a em segurança novamente.

    — Não resisti ao impulso e usei-o após a partida dos nossos destemidos heróis, seja lá para onde tenham ido. E os resultados foram catastróficos.
    — Em que sentido?

    Novamente, ele respirou fundo.

    — Tudo é bastante… fosco, anuviado, para ser mais preciso. Um deles morrerá, Heloise, e não sei precisar quem será. Não sei dizer se o Inominado o matará, ou a matará, ou mesmo se isso acontecerá antes dele chegar. Na visão, Jason, John, Randal, Rafael e Leonard estão ajoelhados diante de um inimigo incompreensível, e incompreensivo. Ele lhes faz algumas perguntas. Nenhum deles responde qualquer delas. E, logo, uma cabeça rola. Não sei dizer a de quem.

    “O anel possui um certo lastro, que registra as suas atividades. Lancaster o usou na noite anterior à sua morte. Ele viu um machado sendo disparado na sua direção, e viu uma cabeça rolar no chão. Mas sua ânsia por ter a Espada de Crunor o cegou. Ele achou que nada poderia afetá-lo.”

    — Viu a cena de cima? — perguntou Heloise, transtornada. — Ou como espectador?

    Zathroth sorriu com tristeza sincera.

    — Você não entendeu, rainha. Eu estava na visão de quem cortou aquela cabeça.

    *

    Jason acordou de repente, o sol invadindo o quarto através da janela no topo. Estava vazio. Somente ele ainda estava dormindo.

    Ele levantou devagar, sentindo uma estranha sensação de confusão. Lembrava-se de John quebrando algo num canto do quarto, muito irritado, e, depois, acordou. O que quer que fosse aquilo que Eremo lhe dera, era realmente bom. Não se lembrava de ter dormido tão bem em sua curta jornada de vida.

    Ele saiu para o corredor, permitindo que os pés descalços assimilassem o chão frio. Finalmente, chegou ao jardim.

    Eremo havia conjurado mesas e cadeiras e servia o almoço. O almoço. Por algum motivo, Jason pulara o café da manhã.

    — Horas? — perguntou, sentando-se, desorientado e cheio de ressaca. A sensação da grama macia e fofa sob os seus pés nus lhe agradava.

    Eremo olhou para o céu por um instante.

    — Onze.
    — Deveríamos estar em Krailos.
    — Estarão antes do meio-dia.

    De repente, as mesas quase se dobraram com o peso da comida que surgiu sobre ela. Galinha assada, algo que parecia a metade de uma vaca fatiada, arroz branco cozido, batatas, algumas folhas muito verdes e cebola picada. Leonard não esperou uma segunda oportunidade e logo começou a encher o prato, beliscando as travessas aqui e ali.

    John, sentado à direita de Jason, nada disse. Eremo ocupou a cadeira à sua frente e começou a encher o próprio prato também.

    — É um dos efeitos colaterais — disse, em tom de desculpas. — Essa ressaca quase insuportável. Mas passa em alguns minutos.

    Jason assentiu uma vez, exausto demais para responder. Logo, Eremo começou a servi-lo também.

    Por um instante, todos somente fizeram comer, sem dizer qualquer palavra. Finalmente, com todos satisfeitos, exceto Leonard, que ainda comia, Eremo agitou as mãos com displicência e as travessas desapareceram. Leonard terminou de devorar sua coxa de frango, limpando as mãos num guardanapo puído e gasto.

    Alguns minutos depois, Eremo, que havia se dirigido para o interior da residência, retornou, trazendo consigo um tapete carcomido, de mais ou menos cinco metros quadrados. Ele o estendeu na grama e olhou para Jason, aguardando.

    — O que é isso?

    Ele sorriu, feliz.

    — Estava esperando pela pergunta. É um tapete mágico, pura e simplesmente.
    — Já ouvi falar deles — John se levantou, interessado. — Mas nenhum de nós sabe operá-lo.
    — Seria muito fácil se soubessem.

    Um homem de cabelos ruivos, camisa branca e calça jeans saiu da casa naquele exato instante. Tinha a pele queimada de sol e olhos bondosos. Também estava descalço, por alguma razão, mas foi o primeiro a subir no tapete.

    — Este é Pino. Serve a cidade de Edron. Curiosamente, ele sabe operar um tapete mágico. Então, se estiverem todos prontos…

    Gibbs e Cotton vinham de dentro da casa, carregando as mochilas nas costas musculosas. Logo, todos se espremeram sobre o tapete, sem bem saber o que fazer. Somente Rafael permaneceu destacado por um instante; Eremo cochichava algo em seu ouvido, e sua expressão não era das melhores.

    Enfim, quando a conversa terminou, o arcanjo também embarcou, apertando-se ao lado de Jason, à frente de John.

    — O que foi isso? — o cavaleiro perguntou, desconfiado.
    — Não gosto desta coisa — ele bateu os pés no chão, incomodado. — Questionei Eremo sobre se não havia outra alternativa.

    Jason semicerrou os olhos, aceitando parcialmente aquela resposta. Se houvesse algo que comprometesse a missão, Rafael deveria ser o primeiro a se manifestar, mas ele nada disse.

    — Diga a Zeus que não esqueci do débito que ele tem comigo — disse Eremo, quando o tapete, magicamente, começou a planar e o vento sul levantava os cabelos de todos. — Se não saldá-lo antes de morrermos, bem, conversaremos nos Campos Elísios, se ele tiver essa sorte. E se Poseidon não acalmar essa maldita maré, terei que enfiar aquele tridente em um determinado local que vai desagradá-lo.
    — Que débito é esse? — gritou Jason para se fazer ouvir, já a 20 metros de altura.
    — Salvei uma de suas missões certa vez — Eremo respondeu, também aos gritos, mas também evasivamente. — E trazer energia elétrica à minha ilha não fará mal, no final das contas. E o estoque do remédio que fabriquei está no bolso da frente da sua mochila!

    Jason estava prestes a perguntar o que era “energia elétrica” quando o tapete disparou no sentido leste, deixando a ilha para trás muito rapidamente. A última visão que todos tiveram foi a de Eremo acenando e retornando devagar para dentro da sua casa, antes que a ilha se tornasse um minúsculo ponto no horizonte.

    *

    — Conhece as regras, Poseidon.

    Zeus, um homem alto, de cabelos e barbas muito brancos, olhos azuis da cor do céu e usando uma túnica azul-marinho muito comprida, segurava nas mãos algo que surpreendentemente se parecia com um raio vivo. Ao seu lado, um homem muito musculoso segurava uma espécie de maça presa numa corrente comprida.

    Diante deles, Poseidon, segurando seu tridente, tentava convencê-los. Não seria tarefa fácil.

    — Jason Walker simplesmente explodiu a hidra, de dentro para fora — ele argumentou, soturno. — Saiu voando, é verdade, mas vivo. Não podemos ignorar o potencial desse garoto.

    O homem com a maça grunhiu, cuspindo no chão.

    — Acalme-se, Hades — advertiu Zeus, conjecturando. — Não estou negando a eles uma audiência, mas o Olimpo tem um código de conduta que não pode ser afastado, nem mesmo em situações excepcionalíssimas. Você há de convir comigo.
    — Não discordo — limitou-se a responder.

    Zeus coçou o queixo.

    — Nosso código determina a morte de ao menos um dos nossos visitantes, e ele servirá ao sacrifício. Porém, não pode ser qualquer um deles. Deve ser um dos líderes. Preferencialmente, aquele que detiver uma relíquia.
    — Jason Walker tem a Espada de Crunor e John Walker traz consigo o Livro das Ciências Ocultas — argumentou Poseidon, verdadeiramente indiferente sobre qual deles iria morrer, mas desejando, secretamente, que a vida do espadachim fosse poupada, no final das contas. — Escolha um deles, qualquer um deles, mas os ouça.

    Hades adiantou-se meio passo, irritado.

    — Você amoleceu, Poseidon — disse, com sua voz grossa e profunda. — É uma pena que tenhamos chegado a este ponto. O Olimpo, submetendo-se aos desejos dos mortais. Realmente, estamos chegando no fim do mundo.

    Poseidon virou seus olhos para ele, de má vontade.

    — O Olimpo já serviu aos mortais antes. Esqueceu-se do que Ares fez? De quem ele recrutou?

    Hades grunhiu mais uma vez, incomodado.

    Publicidade:
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  2. #62
    Avatar de Ameyuri Ringo
    Registro
    19-01-2012
    Localização
    Barreiras / Bahia / Brasil
    Idade
    22
    Posts
    112
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas ConhecidoNeutroEstagiárioCitizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Ares um menino sempre levado rs grande capítulo neal e se tivese que escolher entre jhon e jason gosto mais do jhon ja e uma mania minha sismar com protagonistas rs abraços
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  3. #63
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.222
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas NoobAutor ExperienteAutor RecorrenteNobre
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Excelente capitulo, Neal. Agora as coisas ficaram incrivelmente tensas, pois um dos protagonistas está jurado de morte. Imaginei que um deles acabaria morrendo no final da história, mas acredito que eu não estava preparado.

    E ainda não me desce esse Zathroth bonzinho... O outro lado de Uman está muito suspeito, sinceramente. Ainda acho que ele fará alguma merda.

    No aguardo do próximo, parceiro. E eu tenho certeza que quem vai rodar vai ser o John. De novo.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  4. #64
    desespero full Avatar de Iridium
    Registro
    27-08-2011
    Localização
    Brasília
    Idade
    23
    Posts
    3.059
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas NoobAutor ExperienteAutor RecorrenteNobre
    Prêmios Guardião do GF - pelos serviços prestados à comunidade
    Mãe Dináh - Acertou alguma previsão para o Winter Update 2018
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    HADES MELHOR DEUS FLW VLW

    Ah, mas onde estão meus modos? Saudações!

    Excelente capítulo, Neal! Se o John rodar, já vai poder pedir música heim HSAUSHAUSAUHSAUSHAUSHUASH

    Brincadeiras à parte (e o fato de que o Pino estaciona que nem um babaca kkkk), estou ansiosa para ver o desenrolar das coisas. Queria era que sacrificassem o Cotton pra ver se ele para de fazer besteira, masssss n será o caso x.x

    Aguardo o próximo!




    Abraço,
    Iridium.

  5. #65
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    3.009
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas SoldadoNascenteAutor ExperienteAutor Recorrente
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Spoiler: Respostas


    CAPÍTULO 17 – OS TRÊS MAIORES


    O tapete aterrissou suavemente no chão lodoso, ao que Pino fez um sinal breve, orientando todos a desembarcar. Assim que o último deles desceu, ele simplesmente deu meia volta e partiu para Edron, deixando-os à própria sorte.

    Jason ainda estava embasbacado quando percebeu que um inseto gigante – grande demais para ser de verdade – ia rastejando a distância, entrando na terra segundos depois.

    — Que diabo era aquilo?

    Rafael suava frio.

    — Bichos de estimação.

    Adiante, um mastro ornamentado de aproximadamente dez metros de diâmetro erguia-se do chão como um leviatã, disparando no sentido do céu, indiferente ao fim do mundo. Jason e John trocaram um olhar cheio de significado, e Leonard sacou seu arco, equipando uma flecha afiada nele.
    Os amigos avançaram devagar, rumo ao mastro. Não faziam ideia de como subiriam, mas tinham a promessa de Poseidon.

    Jason respirou fundo, pondo-se a andar.

    A hora chegou.

    *

    Zathroth fechou a porta atrás de si, no alto da torre leste do castelo de Carlin. O relógio de parede lhe dizia que era meio-dia. Talvez fosse o mais adequado dos momentos.

    Ele se sentou na cama simples, reflexivo, tirando a caixa de música de dentro das vestes e analisando-a longamente antes de abri-la. Obviamente, não tiraria a vida de nenhum daqueles homens, mesmo se quisesse – tinha um acordo para não o fazer. Inobstante, não deixava de se sentir ansioso pelo fato de ter visto a cena a partir dos olhos do assassino, e sabia que não era o Inominado.

    A rainha, contudo, não precisava ter todas as peças encaixadas.

    Ele passou o longo dedo nodoso sobre a superfície da pérola incrustada no anel toscamente talhado, deliberando. Sabia quem morreria, e, sinceramente, sua cabeça não sugeria qualquer saída prática para aquilo. Simplesmente aconteceria, e não havia nada que ele pudesse fazer.

    Contudo, a experiência lhe dizia que, ainda que não houvessem saídas à vista, conhecer as pessoas com quem você estava negociando era importantíssimo para que a relação perdurasse, se ela estava para se iniciar. Conhecia aqueles 12 nomes há muitos anos e, secretamente, desejava que nunca pudesse lidar com qualquer um deles.

    Pestilentos, traidores, nefastos e dissimulados, é o que eles são, pensou, sentindo um aperto terrível no coração. Carlin estava prestes a perder um dos homens mais importantes de sua história, simplesmente porque, desde Ulisses e desde Creta, havia um código de conduta que assim determinava.

    Jason Walker não fazia a menor ideia do tamanho da armadilha para dentro da qual estava se esgueirando.

    Contudo, Zathroth sabia que não podia interceder ao seu favor. Todavia, conhecer seus novos amigos poderia conceder a Carlin certas vantagens num futuro próximo.

    Assim, sem pestanejar, ele enfiou aquele anel demoníaco de qualquer jeito no dedo médio da mão direita, preparando-se para a carnificina.

    *

    Eremo bebericou seu chá calmamente e sequer piscou quando um imenso dragão, negro como a noite, pousou em sua ilha sacudindo as estruturas da sua morada. O homem desceu do seu torso e o bicho permaneceu parado no mesmo lugar, aparentemente inerte a todo o restante.

    Criaturas fabulosas os dragões, pensou Eremo, tomando outro bom gole do seu chá. O bicho bufou e se enroscou, deitando-se no chão e sacudindo a ilha pela segunda vez.

    O homem diante dele tinha cabelos e barbas muito longos e desgrenhados, parecendo quase selvagem. Seu porte físico, escondido sob os feixes das malhas da sua armadura grega completa, se destacavam, e a espada de ferro estígio – como a de Lúcifer, pensou Eremo, que conhecia aquela bestialidade cristã mais do que desejava – era ameaçadora, mas permanecia embainhada calmamente em sua cintura.

    Os olhos azuis do homem não deixavam dúvidas a respeito de sua descendência. Eremo sorriu ao vê-lo se sentar diante de si, tamborilando os dedos na mesa de plástico.

    — Ares — cumprimentou, erguendo uma sobrancelha.
    — Auxiliou os humanos no caminho até Krailos — não era uma pergunta. Sua voz era controlada, mas continha um quê de ameaça. — Não consigo deixar de me perguntar por quê.

    Eremo bebeu seu chá novamente, erguendo os olhos devagar. Não pretendia respondê-lo com maldições, como seu instinto mandava que fizesse, mas não faria mal não lhe fornecer a história completa.

    — Sabe quem é Jason Walker?

    Ares deu de ombros, mas assentiu uma vez.

    Por dentro, Eremo se sentiu bastante satisfeito. A fama do garoto sobe o palácio do Olimpo, pensou, orgulhando-se dele.

    Conhecia Jason Walker desde que nascera, é verdade. Sabia quais eram seus laços com ele, e por que decidira isolar-se numa ilha num local insignificante do planeta em vez de acompanhar seu desenvolvimento, mesmo depois de Lawton Walker e Clarice Walker morrerem. Tinha lá suas responsabilidades, mas o garoto cresceria melhor se não fosse… se não estivesse com ele.

    — Como deus da guerra, achei que o conheceria. Jason Walker causou confusões o suficiente no nosso continente. E venceu todas. Não é incrível?
    — Graças à ajuda de amigos mais talentosos do que ele — Ares fez uma careta, desdenhando. — Com a Espada de Crunor ou com o Machado Infernal, ele nunca seria capaz de me vencer.

    Eremo sorriu, pensando. Jason Walker pode vencê-lo sem arma alguma, paspalho, refletiu, divertindo-se.

    — Zeus irá ajudá-lo?

    Ares fez um biquinho.

    — Zeus ajudará a humanidade, porque esse é o desejo de Crunor, e nós somos leais a Crunor, por mais imbecil que ele seja. Não estou exatamente certo sobre se Zeus ajudará Jason Walker, especificamente. Conhece o código de conduta do Olimpo. Um deles morrerá hoje. Aposto no garoto.

    Eremo ergueu as sobrancelhas, certo de que a visita de Ares não era exatamente dissidente de uma coincidência qualquer. Ele queria informações. O druida sabia muito bem sobre como Zeus tratava seus visitantes, e sabia que o deus dos raios e dos trovões era presunçoso, exatamente como Gaia, sua avó, e Urano, seu avô.

    — Qual a razão da aposta?
    — Zeus quererá canalizar energia. Matar o detentor de uma relíquia histórica parece ser uma excelente forma de fazê-lo.
    — John Walker tem o Livro.
    — O Livro não pertence a John Walker como a Espada de Crunor pertence a Jason Walker — Ares bocejou, entediado. — Conheço meu pai, e sei o que fará. Ele preferirá matar aquele que for o mais capaz de conceder-lhe algo de que precise. Jason Walker está na vez.

    Eremo franziu o cenho, pensativo novamente. Conhecia o ego de Zeus e sabia que ele comandava o Olimpo com mão de ferro, mas matar o único homem cujos poderes seriam capazes de rivalizar com os do Inominado parecia um tanto quanto estúpido.

    Por maiores que fossem os desejos do deus dos raios, sabia que ele não era burro. Já negociara diretamente com ele em diversas ocasiões e tinha certeza de que, para ele, o melhor acordo era aquele em que sua barganha fosse a melhor quanto fosse possível.

    A Espada de Crunor não lhe serviria de nada, disso Eremo estava certo. Era correto também dizer que Zeus era um ser um tanto quanto volátil, e que não hesitaria em matar Jason Walker se isso fosse o que estivesse em sua cabeça. Mas, mesmo para Zeus, aquilo era um tanto quanto ininteligente, quase um retrocesso. E o comandante do Olimpo não tolerava retrocessos.

    — Presumo que não tenha vindo até aqui somente para tomar chá comigo.

    Ares fez que não, erguendo uma sobrancelha.

    — Me diga o que é necessário para que eu possa evitar a morte de Jason Walker hoje.

    Foi a vez de Eremo de levantar as sobrancelhas, surpreso.

    — Realmente quer isso?
    — Tive um filho que me decepcionou. Você conhece sua história. Hefesto forjou para ele a melhor das armas, e ela passou a fazer parte integrante do seu sistema nervoso. Não era necessário que ele movimentasse as mãos para manusear seu armamento pesado. Bastava que pensasse. É óbvio que você o conhece.

    Eremo fez que sim. Todos os grandes historiadores sabiam o seu nome.

    — Infelizmente — continuou Ares, soturno —, a ambição de Kratos foi a sua ruína. Tentar matar Zeus… quão longe ele foi.
    — Qual sua relação com Jason Walker?

    Ares fez que sim uma vez, como se quisesse dizer que ainda não finalizou seu raciocínio.

    — Jason Walker é um grande guerreiro, e sabe como gosto de grandes guerreiros. Entendo que, no longo prazo, ele poderá desempenhar um trabalho formidável em favor do Olimpo e, por via reflexa, em favor de toda a humanidade. Se fizermos os ajustes corretos, ele e a jovem Melany poderão viver conosco. Ártemis adoraria ter essa amazona, especificamente, mais próxima dela. É a melhor de todas.

    Eremo curvou o corpo para frente, aproximando seu rosto do outro. Ele deliberou.

    — Entende que salvar Jason Walker significa desperdiçar outra vida?

    Ares assentiu enfaticamente.

    — Estou disposto a garantir esse sacrifício.
    — Então, escute-me com atenção.

    *

    O palácio do Olimpo era o mais próximo do paraíso que Jason havia imaginado. Todos os deuses eram simplesmente grandes demais para serem de verdade, e seus tronos, dispostos de forma semicircular na parte meridional da sala, que era inteira vazada e sustentada por colunas altas e muito brancas e com um pé direito também muito alto, eram intimidadores.

    Poseidon piscou para ele uma vez, dando-lhe um meio sorriso. Ele retribuiu, contrafeito. Um dos tronos estava vazio.

    — Ajoelhem-se — ordenou Zeus, e sua voz ressoou como um trovão.

    Os amigos entreolharam-se, ao que Zeus se levantou. Não foi necessário um segundo aviso. Todos puseram-se de joelhos.

    — O Olimpo tem um código de conduta bastante específico — disse ele, e Poseidon, que já tinha ouvido aquela história, exatamente com as mesmas palavras, um milhão de vezes, pôs-se a lixar as unhas com o tridente. — Chegaram até aqui, e serão congratulados por isso. Daremos a todos uma audiência. Contudo… as regras existem para serem seguidas.

    Ele se adiantou e, magicamente, reduziu ao tamanho de um homem normal, sacando sua afiada espada e apontando-a para a cabeça de Jason Walker.

    — Sacrifício é necessário.

    Jason arregalou os olhos, descrente.

    — Eu escolho você, espadachim.





    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  6. #66
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.222
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas NoobAutor ExperienteAutor RecorrenteNobre
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Fudeu.

    Sony vai botar sua história abaixo por usar um personagem deles sem autorização.




    Brinks, tô ligado no verdadeiro Kratos e sua vingança que não deu tão certo quanto o de GoW (Na verdade eu não lembro agora se ele chegou a enfrentar os olimpianos ou não), é impressionante que ele seja comparado ao Jason.

    Quanto ao Jason... Ares, o último deus que eu pensaria que faria algo, está fazendo, e talvez Jason possa ser salvo do ato estúpido de Zeus. Aliás, me diga uma vez que Zeus não foi estúpido desde que derrotou Cronos. E bom, espero que o Jason não rode ainda. Pois se acontecer, RIP Tibia. Até Zathroth preocupa-se, então não é pouca coisa.

    Excelente capítulo mais uma vez meu amigo, e aguardo pelo próximo ansiosamente. Não faço ideia do que vai acontecer agora.

    e é bom que essa fama de matador de protagonistas se espalhe, assim todo mundo que começar a ler uma historia minha ja vai entrar com o cu na mão, e isso é bom



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  7. #67
    Avatar de Ameyuri Ringo
    Registro
    19-01-2012
    Localização
    Barreiras / Bahia / Brasil
    Idade
    22
    Posts
    112
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas ConhecidoNeutroEstagiárioCitizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Agora sim kkk agora arrepiei aqui kratos meu ícone favorito so a citação dele me empolga creio que ares será um "advogado" de Jason kk coitado pego de suprise seu melhor capítulo que já tive o prazer de ler neal meus parabéns yours ringo on old elera since 2005
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  8. #68
    Avatar de Sombra de Izan
    Registro
    09-01-2011
    Localização
    Santa Catarina
    Idade
    33
    Posts
    3.365
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas HerbalistaNoobAutor ExperienteAutor Recorrente
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão História

    Bom vamos lá, mas devagar, prólogo, achei interessante, quem matasse Cain teria 7 x de castigo, leva a um homem normal pensar 7 vezes antes de atacar ele.
    Esse pós guerra do primeiro capÃ*tulo achei interessante, a parte da tortura me lembrou a temporada de sobrenatural que o Sam ficou com Miguel e Lúcifer. bateu tipo um flash back Daora
    A parte da luva de látex, que fora as similaridades da bÃ*blia que puxou a realidade, que com machucados, druidas e magias, pra que luva de látex? Só curiosidade mesmo.
    Agora a parte final, fazer um acordo com o coisa ruim, ou é o coisa meio ruim, medidas desesperadas, parece o fim mesmo kkk
    Essa conversa entre o John e o Crunor foi bem interessante, pode se dizer que parece um plano já arquitetado para um fim, pelo visto do fim da conversa. Agora deve ser engraçado ver o Randal sem entender um feitiço do capiroto kkkkkk , por fim o feitiço finalmente deu certo.
    Fazer menção ao casal Warren foi engraçado, os contos deles invadiram até os espaços tibiano, muito boa sacada. Mas tenho que falar que são um casal de Delelele kkkk

    Bom parabéns e sucesso, irei acompanhar a medida do possÃ*vel.

  9. #69
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    3.009
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas SoldadoNascenteAutor ExperienteAutor Recorrente
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Spoiler: Respostas


    CAPÍTULO 18 – SACRIFÍCIO NECESSÁRIO


    Ares irrompeu pelas portas do Olimpo, sacando sua imensa espada de ferro estígio e saltando entre Zeus e Jason Walker. O deus dos raios arqueou suas sobrancelhas, descrente, mas sua surpresa durou apenas meio segundo.

    No instante seguinte, pai e filho duelavam, espada a espada, no centro do palácio. Jason e os outros rastejaram para trás devagar, assustados, tentando fugir daquele duelo de titãs.

    Zeus, que era muito mais experiente, combatia Ares com facilidade e encontrava brechas para disparar raios na direção de Jason, que dançava para lá e para cá, escapando como podia. Um dos ataques acertou seu braço esquerdo, abrindo um ferimento que quase arrancou seu membro do corpo.
    Imediatamente, John o puxou para si, procurando pela página certa no Livro das Ciências Ocultas e recitando um encantamento em voz baixa.

    No centro, Ares começou a ganhar certa vantagem no combate, obrigando Zeus a concentrar nele todas as suas atenções. Os outros deuses, retesados, permaneciam parados em seus lugares, assistindo à cena como se nunca tivessem visto semelhante barbárie em sua história.

    Aqui e ali, Ares ia abrindo talhos nos braços de Zeus, minando suas forças. Quando, finalmente, o deus dos trovões percebeu que aquele era o terreno do deus da guerra, ele simplesmente abandonou sua espada e um imenso raio corpóreo materializou-se em sua mão direita, e ele o atirou na direção do outro, perfurando-o de fora a fora.

    O corpo inerte de Ares rolou pela antessala e, justamente quando a perplexidade de Jason, agora totalmente curado, começava a crescer, o deus da guerra simplesmente pôs-se de pé, o buraco imenso em seu peito fechando-se devagar.

    — Tentou me matar? — perguntou, abismado.
    — Sabia que não mataria — Zeus desviou o olhar, constrangido.
    — Meu saco que sabia — ele bufou.

    Zeus apontou seu raio na direção de Jason.

    — Ajoelhem-se — ordenou outra vez.
    — Espere um segundo — pediu Ares.

    Um homem magro, de armadura de ouro e que utilizava botas com asas — por alguma razão — levantou-se, vencendo a distância até o centro da sala com muita velocidade. Seus olhos, negros como duas opalas opacas, eram frios como a noite. Ele fez um sinal breve, ao que Zeus assentiu uma vez. Aparentemente, era um pedido de permissão.

    — Esclareçam-me uma dúvida, por favor — sua voz era muito fina. Quase feminina. — Ele quer matá-lo — ele apontou primeiro para Zeus e, depois, para Jason. — Ele quer viver — ele repetiu o gesto, mas na ordem inversa. — Você, que não tem nada a ver com o assunto, quer matá-lo e salvá-lo — novamente, ele apontou para Zeus e, depois, para Jason. — Parece-me um pouco estúpido que você aceite morrer por isso, não acha, Ares?

    Ares bufou, irritado.

    — Você é um palhaço, Hermes. Ninguém vai matar Jason Walker hoje.

    Ao olhar para eles, percebeu que estavam ajoelhados novamente. Sinceramente, nenhum deles ousaria colocar-se de pé novamente.

    — Depois dessa demonstração pública de afeto, estou razoavelmente incerto — Hermes deu de ombros. — Espero que esse combate franco não tenha servido para que um mostre ao outro que seu pênis é maior.
    — O meu é maior — comentou um homem de capacete e segurando uma maça mortal, arrancando risinhos daquela que, sem favor algum, era a mulher mais bonita do local.

    Ares revirou os olhos, mas Zeus analisava-o, achando seu comportamento curioso.

    — Quer matar Jason Walker por causa da afinidade dele com sua relíquia, certo? Acha que a energia liberada será maior, e que poderá vencer o Inominado sozinho. Correto?

    Zeus fez que sim duas vezes, concordando com ambos os questionamentos do outro. Internamente, Jason achava que era presunçoso demais que alguém se portasse daquele jeito mas, sinceramente, considerando que, cinco minutos atrás, seu pescoço quase pagou pela presunção de Zeus, não era exatamente o momento apropriado para conjecturar.

    Ao seu lado esquerdo, Rafael continuava suando frio por baixo daquele terno e daquela gravata pretos. Jason franziu o cenho para ele, cobrando explicações, mas o arcanjo não fez conta de ter notado.

    — Vamos analisar isto criticamente — Ares começou a andar pela sala, e Poseidon revirou os olhos. Sabia que o sobrinho era um excelente combatente mas, ainda mais do que isso, era um embromador de primeira classe. — Se eu lhe disser que outros deles possuem relíquias históricas, talvez tão poderosas quanto a Espada de Crunor, aceitaria minhas palavras?
    — Seria necessário vê-las.

    Ares adiantou-se para o grupo e, bruscamente, retirou das mãos de Leonard seu arco e, das de Rafael, sua lança prateada, atirando as armas aos pés de Zeus.

    O maior dos deuses do Olimpo assobiou baixinho, confirmando as suspeitas de Ares. Este, por sua vez, voltou ao grupo e puxou Randal pelo colarinho, jogando-o defronte às armas.

    — Nossa — Zeus arqueou as sobrancelhas, positivamente surpreso. — A Lança do Destino, o Arco dos Elfos e o Colar de Contas. A Espada de Crunor e o Livro das Ciências Ocultas. Todos diante de mim. Quem diria.

    O deus da guerra aguardou, ansioso. Leonard, contudo, colocou-se de pé.

    — Arco dos Elfos é o meu ovo direito — Jason olhou para ele, subitamente dividido entre a vontade de rir e a vontade de chorar. — Paguei 10 mil moedas de ouro por ele. Se fosse uma relíquia, custaria muito mais caro do que isso.

    De repente, Ares puxou sua espada imensa e partiu o arco ao meio. Leonard soltou um grito estrangulado e ameaçou adiantar-se para pegar de volta as duas metades do arco quebrado, mas não havia mais duas metades. Magicamente, o arco se recompusera sozinho, brilhando, e retornara ao seu estado original.

    O arqueiro estacou por um instante, descrente. Os elfos, é claro, eram criaturas muito inteligentes e versadas em diversas artes mas, ainda mais claro do que isso, não sabiam cobrar pelos serviços que prestavam.

    — Você, arcanjo — Zeus apontou para ele com o raio, e ele se retesou, nervoso. — O que tem a dizer ao seu favor?

    Rafael olhou para Jason, quase suplicando por ajuda.

    — Está… está comigo desde que fui criado — uma gota de suor escorreu pela sua testa. — Nunca… nunca me foi dito que… se tratava de uma relíquia.

    Zeus deu-lhe um meio sorriso.

    — Deve ter feito coisas formidáveis com essa lança. E você, demônio?

    Randal fez uma careta e cuspiu no chão.

    — Chupe meu pau. Não lhe devo nada e, ainda que devesse, preferia ver esse raio entrando pelo meu rabo do que o ajudar com qualquer coisa que seja. Quero mais é que você se foda.

    Agora, Zeus ria abertamente. Jason, do contrário, se sentia muito tenso.

    — Céus, Jason Walker. Você tem um grupo e tanto aqui. O arqueiro é meio obtuso, é verdade, mas o demônio, que não quer mais ser um demônio, é bastante engraçado, apesar de ser meio boca-suja. Ares, querido, por favor, devolva o arco ao arqueiro e a lança ao arcanjo. Já tomei minha decisão.

    Ares enfiou o arco nas mãos de Leonard e a lança, nas de Rafael, de qualquer jeito, retornando à sua posição. No seu íntimo, respirava aliviado. As informações de Eremo tinham sido muito úteis, afinal.

    Zeus apontou o raio para Randal.

    — Últimas palavras?

    *

    Pelos olhos de Zeus, Zathroth observava embasbacado a tranquilidade no rosto de Randal. O demônio, que detinha uma das 12 relíquias, simplesmente não ligava para o fato de que morreria. Que criatura peculiar.

    Agora, ele sabia onde estavam as últimas relíquias que vinha mapeando. O Arco dos Elfos pertencia a Leonard Saint; a Lança do Destino sempre estivera com o arcanjo Rafael; o Colar de Contas, talvez por decisão de Crunor, estava no purgatório, com Randal, desde sempre. Amaldiçoou-se por um instante por não ter sido mais rápido quando ainda não tinha criado afeição por aquele estranho grupo de homens. Poderia ter tido mais de três quartos das relíquias sem precisar fazer muito esforço.

    Durante muito tempo, permanecera focado no fato de que Jason Walker tinha a Espada de Crunor. Era, de fato, o artefato mais cobiçado no antigo continente, mesmo porque a maioria dos cidadãos decidira enveredar pela classe da cavalaria, que era a mais simples, no final do dia. Ali, diante dos deuses do Olimpo, cinco relíquias refugiam, ansiosas por serem usadas. Ele, Zathroth, tinha a sexta. Faltariam outras seis para se tornar o ser mais poderoso do antigo continente.

    Agora, contudo, seus objetivos eram outros. Firmara um acordo inteligente e seria ainda mais inteligente se o honrasse, o que pretendia fazer, verdadeiramente. Ver tantas relíquias reunidas, contudo, lhe causava uma sensação de prazer indizível. Ainda que ele não fosse o dono de todas elas, lutar ao lado de quem as detivesse fazia com que se sentisse ainda mais poderoso e, sobretudo, protegido.

    Vai servir se for desse jeito, pensou, o coração descompassando quando Zeus levantou seu raio.

    *

    Um clarão imenso preencheu todo o domo quando Zeus disparou seu raio, cegando a todos momentaneamente. Jason escutou algo tombando dolorosamente por ali, e todos os outros mantiveram um silêncio sepulcral.

    Finalmente, após alguns segundos, a claridade começou a ceder. A distância, Jason percebeu que Zeus já estava sentado, em tamanho real, novamente em seu trono. Ares também ocupara de volta o seu lugar, exatamente o trono que estava vazio quando chegaram.

    Randal, contudo, permanecia ajoelhado. Mexeu-se, incomodado. Estava vivo.

    Ao seu lado direito, Leonard piscou duas vezes, confuso. O coração de Jason se descompassou, momentaneamente aliviado pelo fato de que o amigo continuava vivo e aparentemente inteiro, mas um objeto atirado a poucos centímetros diante de si chamou sua atenção quase que instantaneamente.

    A cabeça de Rafael, separada do corpo, encarava-o calmamente, quase dando a impressão de que ele dormia de olhos abertos. Ao lado esquerdo de Jason, seu corpo, sem vida, estava tombado de lado, e a lança pendia molemente de sua mão direita.

    Novamente, aquela sensação bizarra o inundou como a maré avançada de uma enchente incontrolável. Seu rosto e as pontas de seus dedos formigaram e ele sentiu que desmaiaria. Ele tombou a cabeça para a frente e respirou em profundos arquejos, atraindo a atenção de Ares, que havia se levantado, mas não se aproximara.

    John rastejou-se até ele, lágrimas peroladas escorrendo-lhe pelos olhos. Ele abraçou o espadachim, que sentiu seus braços em volta de si, mas não reuniu forças o suficiente para retribuir o gesto.

    Leonard, mais consciente do que nunca, puxou a Lança do Destino para si, atirando fora seu punhal gasto e embainhando-a em seu lugar. Tardiamente, contudo, percebeu que Catarina, Gibbs e Cotton também já não tinham mais cabeça.

    Jason olhou para eles, finalmente sucumbindo. Em prantos, ele dobrou-se para a frente, agarrando os cabelos, enlouquecido. Seus gritos preencheram o salão.

    — Céus — praguejou Zeus, parecendo sinceramente arrependido. — Algo me diz que me excedi. Matar o arcanjo exigiu muito de mim.

    Levantando-se devagar, John puxou Jason para si, levando-o devagar para fora. Leonard, contudo, ficou. Era necessário levar os corpos dos amigos.

    EPÍLOGO


    De olhos vermelhos, Jason avaliava o trabalho que fizera com John. Os corpos dos amigos, cujas cabeças forma recompostas através de uma competente magia de John, estavam agora envoltos em lençóis brancos e amarrados com cordas firmes, cada qual no centro de uma grande armação de madeira, no jardim na parte externa do Olimpo. Lá embaixo, até onde os olhos podiam ver, pulsava vida, e o mundo, que já parecia mais triste, dava a impressão de pulsar, de soluçar, pela morte de Catarina, Gibbs, Cotton e Rafael, amigos queridos.

    Jason aceitou o cajado de John, esforçando-se para conjurar aquela magia que, verdadeiramente, como um cavaleiro, não tinha qualquer afinidade para produzir. Logo, contudo, as três armações ardiam com fogo santo, que ia consumindo pouco a pouco os corpos daqueles que morreram, levando aos Campos Elísios suas almas, que haviam tão bravamente batalhado em favor dos propósitos de Crunor.

    Ares aproximou-se devagar, timidamente, as mãos cruzadas nas costas, e posicionou-se ao lado de Jason.

    — Sinto muito.
    — Devo compreender o que fez como um ato de clemência?
    — Sim — sua resposta parecia sincera. — Se Zeus tivesse tentado matá-lo, teria de matar a todos os demais. Não seria suficiente levar outros três mortais consigo. Todos os seus amigos estariam sendo queimados agora, e você também.

    Repentinamente, Crunor apareceu, do outro lado das fogueiras. Seus olhos, vermelhos como os de Jason, pareciam cansados.

    — Tem cinco segundos para sumir daqui, antes de ser morto com a arma que os ciclopes forjaram para você.
    — Não estou aqui para lhe pedir desculpas, Jason — seu tom, porém, era de desculpas de qualquer forma, e continha algo mais. Seria arrependimento? — E não pense, por um único segundo, que foi o único a sacrificar algo pelo bem maior hoje. Perdi meu melhor e mais amado arcanjo.

    Ele desapareceu. Jason mordeu a língua duas vezes, incapaz de praguejar contra ele, mesmo sabendo que tinha razão.

    Ares aproximou-se do cavaleiro novamente, sussurrando em seu ouvido:

    — Sua missão agora é muito maior do que essa.

    Zeus surgiu um segundo depois, muito sério.

    — Demos a vocês a audiência que prometemos e, mais do que isso, estamos dispostos a ajuda-los. Escute meus termos, Jason Walker, porque somente serão ditos uma vez.

    Jason ergueu os olhos de má vontade.

    — Não sobreviveremos, nenhum de nós, nenhum de vocês — sentenciou. — Contudo, ainda que seja seu último ato, prometa-me que será o responsável por dar fim à vida do Inominado.

    O cavaleiro respirou fundo, finalmente compreendendo o quão poderosa era a missão que lhe fora confiada.

    — Prometo.

    FIM
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  10. #70
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.222
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas NoobAutor ExperienteAutor RecorrenteNobre
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Viiiiiiiish.


    Que reviravolta. Imaginei que o Randal fosse realmente morrer, e pra mim parecia razoável o bastante, mas no fim foi o arcanjo que curte gim e os amigos do Jason (Que já nem me lembrava direito de quem eram, mas imaginei que não fossem sobreviver). Pobre do Jason, tá fudido agora. Mas ao menos tá vivo e com as relíquias, que por sinal, cresceram em quantidade, já que eles nem sabiam que suas armas tratavam-se de relíquias. Tanto que o Leonard nem perdeu tempo em pegar a lança do Rafael, que fudido

    Ares foi bem importante, impediu que coisa pior acontecesse. Ele é um deus da guerra, mas também parece manjar de diplomacia. Embora ainda tenha acontecido sacrifícios (Que eu imaginei que trataria-se apenas do Randal por ele ter agido daquela maneira, que não é do feitio dele), acho que as coisas não acabaram tão ruins. Ainda há como derrotar o Inominado, pelo menos.

    Excelente capitulo final Neal. Esse último conto vai ser do caralho, muito sangue jorrando e cabeças rolando estão por vir. Já tivemos algumas rolando agora, mas vai acabar vindo mais. Jason acabará bem, será?



    Continue com o ótimo trabalho e conte sempre com a minha presença.

    Publicidade:



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉



Tópicos Similares

  1. Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Por Neal Caffrey no fórum Roleplaying
    Respostas: 58
    Último Post: 09-10-2017, 01:17
  2. Jason Walker e os Poços do Inferno
    Por Neal Caffrey no fórum Roleplaying
    Respostas: 53
    Último Post: 28-08-2017, 16:20
  3. Jason Walker e a Arca do Destino
    Por Neal Caffrey no fórum Roleplaying
    Respostas: 57
    Último Post: 24-08-2017, 11:32
  4. MORTE CRUEL!!! E VINGANÇA MAIS CRUEL AINDA!!!
    Por Bob Forever no fórum Tibia Videos
    Respostas: 68
    Último Post: 01-11-2004, 07:56
  5. Os Malvados 2 a vingança
    Por Golden_Fox***** no fórum Fora do Tibia - Off Topic
    Respostas: 10
    Último Post: 15-10-2004, 12:45

Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •