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Tópico: Jason Walker e a Sétima Vingança

  1. #31
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    É guerra, e das pesadas.

    Excelente capítulo como de costume, Neal. Estou curioso para saber como você escreverá essa batalha. Sou particularmente fã de batalhas e sempre estive buscando formas novas de escrever alguma, já que não sou lá tão experiente.

    Jason tá atrasado demais, mas é capaz que ele ressurja muito puto no modo turbo no meio dessa guerra e mande metade da galera do Lúcifer pro caralho. Ao menos, é o que eu espero ver nesses próximos capítulos. E claro, espero pelo combate mortal entre Leonard e Cain, e inclusive penso como será essas punições. Preocupo-me com os Warren caçando Randal, mas se eles estão aí na batalha, possivelmente não fizeram nada. Ou mandaram outros fazerem no lugar deles. Tem sempre dessas.


    No aguardo do próximo, cara. Pois ele promete.

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  2. #32
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    Good times are coming rs ta na hora de conta o combo! Belo capitulo neal salve para galera da guild old vipers da extinta elera !
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  3. #33
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    CAPÍTULO 8 – COMBATE MORTAL


    John e Arthur, de bandeira hasteada, mantiveram sua posição habitual, analisando a horda de demônios com cuidado. O plano de Jason Walker era perfeito em seus detalhes: o cavaleiro havia precisado, com margem de erro de menos de 15 centímetros, qual era a distância entre uma fileira e a outra. Era simplesmente brilhante.

    Leonard e Gretel subiram também sua bandeira, a dos arqueiros. Adiante, Hansel e Heloise também levantaram seus sinais. Bastava que Svan desse o seu.

    Finalmente, o capitão levantou seu estandarte, prateado. Devagar, os cavaleiros, componentes da linha de frente de ataque, espaçaram-se de forma igual, sacando suas armas com estrondo. As linhas de Lúcifer também puxaram suas espadas, suas clavas e seus machados, o som estridente do ferro atritando com o ferro podendo ser ouvido por muito tempo.

    — Senhores — gritou Svan, avançado no campo de combate, o homem mais próximo das linhas do inimigo, a cerca de 200 metros de distância. — Temos diante de nós, hoje, as criaturas mais horrendas, pestilentas, traiçoeiras e traidoras de que o mundo já teve notícia. Existe somente uma regra: não há regras. Não queremos prisioneiros de guerra. Não queremos ninguém a quem interrogar. A ordem é simples: matem todos. Que não sobre uma única alma viva.

    Todos bradaram um grito de guerra e chocaram suas espadas contra seus escudos, os homens mais avançados montados em cavalos.

    — Preparem-se — orientou Svan em voz baixa, os olhos fixos na primeira linha adversária.

    *

    — Que não sejam ouvidos brados de alegria — gritou Apocalypse, marchando de cavalo entre as linhas de frente. — Que não existam esperanças remanescentes. E que amaldiçoado por nós este dia seja, em que todos aqueles que ousaram nos combater serão sumariamente dizimados. Derramem sangue sobre a terra e honrem o nome do nosso Senhor.

    Muitos metros adiante, os homens de Heloise chocaram suas espadas contra seus escudos.

    — Avançar.

    Apocalypse manteve-se parada sobre seu cavalo quando as hordas de trás dispararam para a frente, correndo rumo ao combate franco. Ela arqueou as costas para observar as linhas de frente, mas nenhum deles estava preparado para o que veio adiante.

    Os homens de Carlin recuaram meio passo, em perfeita sincronia, enquanto Heloise e John saltavam de dentro do exército, posicionando-se no front do combate. Juntos, ergueram varinha e cajado e conjuraram um feitiço breve, explodindo o terreno entre os dois exércitos. Os cavalos dos demônios assustaram-se e passaram a saltar um sobre o outro, derrubando uma série de combatentes já no estande frontal.

    Adiante, labaredas imensas e blocos inteiros de gelo espiralavam juntos, como se não fossem antagônicos. Os blocos começaram a furar as defesas adiantadas e explodir no território do exército de Lúcifer, atirando demônios e cavalos para todos os lados.

    As chamas, por sua vez, infiltraram-se nas linhas mais avançadas e atearam fogo em todos os demônios mais adiantados, mas extinguiram-se em breve. Quando os blocos de gelo passaram das primeiras linhas, no entanto, foram consumidos no ar.

    Mais atrás, Spectulus, de cajado erguido, dissipava as energias adversárias com calma. Seus olhos, estrábicos, pareciam concentrados, e seus movimentos eram simples, mas eficazes. A distância, o som de um tiro foi ouvido; o bruxo desfez o projétil no ar, mas não houve tempo para que aparasse o segundo disparo, cuja bala se alojou com firmeza em seu estômago e o atirou metros para trás.

    Hansel já carregava seu trabuco novamente. Atrás das linhas dos demônios, Cain estava estarrecido e seu humor não melhorou quando dezenas de flechas e dardos descreveram graciosos movimentos parabólicos no ar e começaram a se alojar nos demônios à sua volta.

    — Recuar — tentou ordenar, mas a balbúrdia estava instaurada.

    Os demônios começaram a disparar no sentido do vale, passando por dentro da cratera aberta por Heloise e John entre os dois exércitos. Surpreendentemente, não chegavam ao outro lado. Cain aproximou-se depressa do buraco, desviando-se displicentemente dos projéteis dos adversários e, lá dentro, identificou uma sucessão de corpos tombados e várias criaturas elementais atacando indistintamente todos que invadiam seu restrito espaço. Inequivocamente, criaturas invocadas pelos feiticeiros e druidas.

    Céus, pensou, preocupado. Eles são bons.

    Spectulus retornou logo ao combate, sangue vertendo de seu estômago aos borbotões, mas o bruxo não fazia conta dos ferimentos. Ali, passou a disparar feitiços ferozmente, derrubando alguns dos cavaleiros mais adiantados das linhas de Heloise. Agora, o exército de Carlin também disparava feitiços por sobre a cratera, atingindo as hordas recuadas de Lúcifer.

    Cain sacou seu punhal manchado de sangue, sentindo gosto da eletricidade que pairava no ar. Tinham combatentes sobrando. Precisavam avançar, já que recuar estava fora de questão e, se daquele simples ato derivassem demônios mortos, tanto fazia. Era necessário contratacar.

    — Comande seus bruxos daqui — orientou Cain a Spectulus, que não parecia feliz por receber ordens. — Vou invadir pessoalmente as linhas deles.
    — Quero os caçadores — respondeu o bruxo, enlouquecido.
    — Tanto faz.

    Cain disparou por entre as horas dos demônios, iniciando sua corrida no sentido descendente do vale. Aqui e ali, disparava seus feitiços contra as criaturas dos magos adversários, reduzindo-as a pó. Sequer ficou surpreso quando viu homens inteiros feitos de fogo, água e terra desabando, porque sabia que aquelas criaturas tinham sido criadas por Crunor há muitos anos com o objetivo de dar números finais à segunda guerra contra Lúcifer.

    Agora, no entanto, sentia-se mais determinado do que nunca. Invadiria o terreno do adversário, destruiria Leonard Saint e levaria com ele tantos combatentes quantos fosse possível.

    Após derrubar boa parte das criaturas, o cavalo de Cain começou a iniciar a subida, incansável.

    É a hora.

    *

    Distante do combate, Rafael encarava a cena embasbacado. Não achava que fosse possível que mortais, ainda que combatendo organizadamente, fossem capazes de enfrentar um exército do tamanho daquele que Lúcifer montara. No entanto, Heloise, John, Leonard e os outros se provavam uma vez após a outra, mostrando que era possível combater o bom combate com dignidade e organização.

    Se Jason Walker estava certo ao elaborar aquele audacioso plano, estava quase na hora do recuo das linhas de Lúcifer. Esse era o momento em que o restante do exército de Carlin os pegaria pela retaguarda. Bastavam mais alguns minutos, se tudo corresse bem.

    Na montanha, um imenso dragão verde disparou chamas para cima, mais como objetivo de se mostrar do que para qualquer outra coisa. Rafael o ignorou. A dois passos dele, adiante, Gabriel e Miguel conversavam em voz baixa, e era necessário conter os combatentes que estavam escondidos entre as entradas das montanhas, até para não fornecer subsídio aos demônios retardatários, que chegavam tarde para o confronto.

    Alguns minutos depois, o exército de Lúcifer começou a recuar devagar, comandado por Apocalypse, mais feroz do que nunca. Não havia sinal de Cain. Os demônios de trás eram pisoteados pelos da frente que, sinceramente, nunca pareciam ter enfrentado coisa como os homens de Carlin.

    Somente mais alguns metros, pensou Rafael, sinalizando para Miguel, que se comunicou com Gabriel. Mais um pouco…

    Atrás dos arcanjos, os homens remanescentes, que se organizavam da mesma forma como a linha que decidira combater Lúcifer de frente, começaram a se instigar, preparando-se para o combate. Rafael não se preocupou em contê-los; sabia que a vitória dependia deles e que muitos daqueles soldados simplesmente queriam participar, de qualquer forma que fosse.

    Finalmente, a linha mais avançada de Lúcifer se tornou visível. Rafael levantou sua bandeira e fez um sinal breve.

    No instante seguinte, os cavaleiros, montados em cavalos de guerra profissionais, dispararam, passando pelos arcanjos como flechas. Não demorou para que alcançassem os demônios de trás, perfurando-os pelas costas, entre as junções das armaduras, na altura da jugular, no joelho, onde fosse possível.

    Agora, dividido, o exército de Lúcifer tentava compreender o que acontecia. As linhas de combate que estavam de frente para Heloise e os outros não sabiam o que estava acontecendo lá atrás; as que estavam de frente para Rafael e os arcanjos não sabiam o que acontecia lá na frente. O projeto de Jason Walker fora simplesmente genial.

    Apocalypse parou a meio trote, surpresa demais para se mover. Seus olhos vermelhos como o sangue cruzaram com os olhos azuis de Rafael, e ele sorriu-lhe de canto, sussurrando:

    — Prepare-se, filha da puta.

    *

    — Estão recuando — gritou Svan, abatendo um demônio. — Estão sendo surpreendidos!

    Leonard Saint cravou seu punhal na cabeça de um adversário próximo, levantando os olhos. Lá atrás, o avanço dos homens de Rafael era visível e, enquanto eles pressionavam as linhas de frente, os arcanjos pressionavam as de trás. Em breve, todo o exército inimigo ficaria prensado no fogo cruzado. Nada poderia salvá-los.

    Os arqueiros agora começavam a abraçar os adversários pelas extremidades, fixando lanças ao longo dos flancos. Conforme os arqueiros apertavam o espaço, demônios que batiam em retirada acabavam caindo também nessas armadilhas, os corpos inteiramente atravessados pelas longas estacas de madeira.

    Logo, um homem de cabelo prateado montado em um exuberante cavalo se destacou entre os homens de Carlin, abatendo alguns aos poucos, mas sem objetivo claro. Quando Leonard sacou depressa seu arco e atirou contra um demônio que ameaçava atacar Heloise, revelou-se Cain, fitando-o com ferocidade.

    — Abel — gritou ele, degolando sumariamente um cavaleiro. — Acerto de contas!

    Leonard puxou outra flecha, equipando-a no arco. Como que magicamente, os demais combatentes abriram uma espécie de clareira no campo de batalha, inconscientemente. Leonard e Cain estavam cara a cara, mais uma vez.

    — Está dois a um para mim — disse Leonard, zombando. — Preparado para iniciar a goleada?

    Cain girou o punhal na mão direita, concentrado. Leonard disparou uma flecha contra ele, sem efetividade. O demônio recurvou as costas.

    — Acerto de contas — repetiu.

    *

    Zathroth encarava Lancaster Wilshere na taverna em Ab’Dendriel, especulando. Ele havia atendido seu chamado prontamente, o que, por si só, já seria uma situação suficientemente estranha.

    — Quer de volta o Livro das Ciências Ocultas — concluiu Lancaster, tomando o uísque de um gole só. — É bastante ousado.

    O outro nada respondeu, as mãos pousadas sobre o cabo da espada.

    — Presumo que tenha algo substancial para dar em troca.
    — Jason Walker e a Espada de Crunor — Zathroth respirou fundo, deliberando.

  4. #34
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    Capítulo sensacional, Neal! Deu pra imaginar cada parte dessa guerra, fora esse plano extremamente bem executado. Estão cercando o exército de Lúcifer direitinho, botando pressão até no Cain. Mais engraçado ainda é o Spectulus mais louco que o Batman disparando um exevo gran mas vis atrás do outro mesmo com uma bala no bucho. Show de bola.

    Esse final só reforça o "ACORDA LOGO JASON PUTA QUE PARIU", agora que Zathroth, não surpreendentemente, mostra-se um traidor, tentando usá-lo como moeda de troca. E também há uma chance do plano dar errado de alguma forma, Lúcifer pode estar escondendo algo. Não acho que vai ser fácil assim.

    E se você disse que é mais preocupante o Randal caçando alguém do que alguém caçando o Randal, não duvidarei. Não vimos todo o potencial dele ainda. Ele pode surpreender bastante.

    Excelente, mais uma vez, Neal. No aguardo do próximo.


    tá devendo comentário, fedido



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  5. #35
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    Que pelego heim cain se alterando, leonard aparenta esta ainda leigo a seu passado de derrotas contra o mesmo, lucifer inerte! E zatroth pau nu c... Que capitulo heim ta melhor que db super kk so falta "Lucio" chama o Jiren kkk parabéns pela ambientação neal show !





    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  6. #36
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    CAPÍTULO 9 – MANO A MANO


    Do alto do ligeiro planalto avançado no terreno, Lúcifer observou o combate que acontecia diante dos seus olhos. Se não estivesse ali e alguém estivesse contando aquela história, seria deveras difícil de acreditar.

    Que os demônios eram criaturas repugnantes e, em justa medida, até estúpidas e primitivas, não havia dúvidas. Porém, aquilo era demais. Até mesmo para eles.

    Os feiticeiros e arqueiros de Carlin os driblavam com a facilidade de quem tirava doce de criança. Aqui e ali, haviam até criado estruturas de cerco, que chegavam a sacudir as montanhas. Tudo havia sido criado dentro do combate. Era impressionante de se assistir, e ele gostava de coisas impressionantes.

    A forma de Spectulus era boa, mas ele estava levando um verdadeiro baile de John Walker, que tentava se aproximar de Apocalypse, por algum motivo desconhecido. Incandescentes, pensou, achando engraçado.

    Estava prestes a se engajar no combate literalmente. Bastava que Cain matasse Leonard Saint, o que aconteceria a qualquer momento.

    *

    Leonard e Cain avançaram um contra o outro, os cavalos se chocando na altura do torso, mas a arma de um não foi capaz de ferir o outro. A aura que o demônio exalava era aterradora, e o arqueiro mesmo não fazia ideia de como o mataria. Se suas lembranças pregressas estivessem certas, então Cain tinha um ponto fraco, mas não havia tempo hábil para descobri-lo naquele momento, então seria pela teoria da tentativa e do erro.

    Uma vez mais, os dois marcharam, trocando golpes curtos, adaga contra adaga. A lâmina de Cain causava calafrios em Leonard. Nos arredores, o mundo continuava terminando em sangue. Era preciso dar números finais ao combate.

    Leonard se impressionou por um instante com a quantidade de corpos amontoados – muito mais demônios do que combatentes carlineanos, mas era muita gente mesmo assim. Sobressaltou-se quando Cain avançou contra ele novamente e, por um triz, errou sua orelha esquerda.

    Ele tomou uma decisão e saltou do cavalo, ainda de adaga em punho. Cain, que não se intimidava, espelhou seu movimento. Era a hora de combater como homem. Ou morrer como homem.

    Cain avançou muito depressa, estocando com a adaga; Leonard saltou para o lado e contragolpeou, mas seu golpe passou no vazio. Novamente, Cain estocou e, outra vez, Leonard desviou-se por um fio. Embora tivesse treinamento para combater corpo-a-corpo, claramente enfrentava um oponente muito mais experiente e, talvez, muito mais técnico.

    Um corpo foi atirado contra Cain, que não conseguiu se desviar. Leonard aproveitou a oportunidade e partiu para cima, brandindo o punhal na horizontal. Quando Cain finalmente se livrou do corpo, a adaga de Leonard já estava enroscada em sua camisa de linho branca; ele chutou o arqueiro no estômago e o fez rolar para trás, mas, dada a força que Leonard usava para segurar a adaga, sua camisa foi com ele.

    O demônio ficou exposto no campo de batalha e, na ânsia de se esconder, vacilou. Leonard levantou-se depressa e chutou na altura de seu joelho, partindo-o para trás. Devagar, ele transitou no solo e chegou às costas de Cain, que achava-se de quatro, lutando enlouquecidamente contra a força irresistível de seu adversário.

    Enquanto aplicava-lhe um belo mata-leão, Leonard desviou sua atenção para a curiosa tatuagem nas costas de Cain: dois fios entrelaçados, que começavam em sua nuca e terminavam em seu cóccix. O arqueiro se distraiu por um momento, imerso em uma situação de completa epifania; foi o que Cain precisava para atirá-lo pelo ar e acertar-lhe um bom soco no rosto.

    A arqueira bonita e vistosa chamada Gretel interferiu no momento exato, cravando uma flecha precisa no pulso de Cain que segurava o punhal. Ele deixou sua arma cair e dobrou-se, segurando o braço.

    Leonard levantou-se devagar, olhando para Cain, que já ia se recompondo, sua expressão transitando da dor intensa para o descaso total. Sem cuidado, ele removeu a flecha e atirou-a de volta contra Gretel, que desviou-se com dificuldade e foi engolida pela multidão em combate.

    O demônio sacudiu a mão direita, fazendo pouco caso do sangue, e puxou de volta seu punhal do chão com a esquerda.

    Logo, ambos retornaram à dança tática, girando em torno do mesmo eixo. Leonard, um pouco mais confiante, retornou ao combate corporal, trocando socos e chutes com o outro, sem muita eficiência. Seus instintos lhe diziam que a tatuagem de Cain era a chave da vitória; contudo, o demônio gingava muito depressa, justamente com o objetivo de proteger a região das costas.

    Agora, Leonard começava a reparar que a preocupação de Cain gerava brechas em seu jogo que poderiam ser exploradas. Tudo ao seu tempo, pensou, absorvendo um soco e devolvendo um chute baixo, na parte externa da perna esquerda do outro. Um dardo passou a milímetros do topo da cabeça de Cain, mas ele não deu qualquer sinal de tê-lo percebido.

    O topo da tatuagem, disse uma voz na cabeça de Leonard. Ele escapou de ser esfaqueado por Cain por um triz, surpreso. Golpeie o topo da tatuagem.

    O arqueiro sacudiu a cabeça, tentando se livrar da voz suave.

    Ele saltou para o lado quando Cain o atacou novamente, mas o punhal dele fez contato com sua perna esquerda no único segundo de vacilo que dera.

    Leonard caiu no chão, dobrando-se, em agonia. Suas mãos seguravam a perna esquerda, que sangrava muito, e ele gritava muito alto. Sua visão se embaçou por um instante e, no segundo seguinte, por puro reflexo, ele soltou uma pedalada alta com o pé direito, atingindo o queixo de Cain em cheio. Atrás dele, uma explosão pode ser ouvida.

    Uma vez mais, o arqueiro sacudiu a cabeça. Sua visão melhorou um pouco, mas não conseguia firmar o pé esquerdo no chão. Adiante, Cain ia se levantando.

    Céus, pensou Leonard, irritado. Já fui ao inferno e ao purgatório e retornei sem um único arranhão. Agora, vou morrer por causa de um punhal cravado na minha perna. Irônico e medíocre ao mesmo tempo.

    Cain correu contra ele e Leonard jogou-se no chão, caindo sobre a perna ferida. Ele reprimiu o grito e concentrou-se para aplicar uma rasteira em Cain, que também caiu, estatelado. E de bruços.

    O arqueiro puxou seu punhal e arrastou-se, dominando novamente as costas do demônio. Ele se sacudiu loucamente. Eita, pensou Leonard, lutando para se equilibrar e fechar o cadeado na cintura do outro. Parece que está possuído. Não, espere.

    Leonard ergueu sua lâmina e atacou, perfurando as costas do demônio. Cain gritou, mas não morreu. O talho havia sido aberto milímetros ao lado do topo da cicatriz. Droga.

    Cain levantou-se de uma só vez e tentou puxar as pernas de Leonard, objetivando se livrar da posição incômoda. Ainda assim, o arqueiro tentou se sustentar, a duras penas. O problema é que não tinha mais punhal: sua arma fora atirada para longe quando Cain se sacudiu, logo após o golpe.

    Use a cabeça, disse novamente a voz para Leonard. Ele pensou por um segundo, atirou a cabeça para trás e meteu uma boa testada no ponto alto da tatuagem pitoresca de Cain, achando que sentia mais dor do que o próprio demônio. Mas que merda de conselho, praguejou, irritado.

    Raciocine, explicou a voz, pacientemente.

    Eu não…

    Leonard estacou, lutando para manter a firmeza da pegada. Ele liberou o braço direito devagar e levou-o às costas, puxando uma flecha da aljava. Agora, com muito mais cuidado, ele mirou e cravou-a exatamente no ponto mais alto da tatuagem de Cain, ao que as pernas do demônio fraquejaram imediatamente.

    Cain tombou em câmera lenta, sangue escorrendo-lhe pelo canto da boca. No instante seguinte, ouviu-se um grito enregelante e uma explosão que atirou gente para todos os lados.

    Lúcifer chegara.

    *

    — Jason Walker está ali?

    Lancaster Wilshere encarava com assombro a carnificina que se instaurara logo após a saída da montanha. Silenciosamente, Zathroth rezava para que ele não estivesse.

    — Talvez.

    Repentinamente, John Walker e Apocalypse destacaram-se do combate. Foi tempo suficiente somente para que ambos relanceassem um olhar para Zathroth e Lancaster, que piscou duas vezes, muito confuso. O demônio mancava e estava quase todo desfigurado.

    John abaixou-se e pegou um machado no chão, atirando-o a esmo pelo ar. No segundo seguinte, esse mesmo machado alojou-se na cabeça de Lancaster Wilshere.

    O caçador de recompensas e mercenário dobrou-se, os joelhos do corpo já sem vida chocando-se contra o chão com violência. O segundo que Apocalypse utilizou para compreender a cena foi o que bastou; Zathroth atirou para John o Livro das Ciências Ocultas e, encontrando o feitiço necessário com relativa facilidade, o incandescente o proferiu, recitando as palavras com cuidado.

    Apocalypse também caiu sobre seus joelhos, o corpo absolutamente imóvel. Sua imensa espada de ferro estígio caiu no chão, cravando-se na grama. Somente seu pescoço se movia.

    Ela soltou uma risada anasalada, aparentemente conformada.

    — Faça — exigiu.
    — Não pense que não farei.

    John folheou o livro mais um pouco, tombando a cabeça de lado para se livrar de um feitiço. Seus olhos brilharam ao encontrar a página adequada.

    Did non alic mos chance — recitou, concentrado. — Ergo certe certo.

    Os céus se abriram e uma nuvem negra pairou sobre o combate. Em silêncio, John rezou para que fosse Crunor, e não Lúcifer.

    Um segundo depois, um raio poderoso demais para ser real desceu dos céus e encontrou a terra, atingindo o ponto exato onde estava Apocalypse. Seu corpo, já muito maltratado, se desfez em inúmeros pedaços, lavando John com seu sangue.

    O incandescente respirou fundo, limpando o sangue dos olhos sem muito cuidado. No instante seguinte, abaixou-se e pegou a cabeça inteira de Apocalypse, atirando-a aos pés de Zathroth.

    — Nosso trato está cumprido — ele cuspiu no chão.

    Zathroth estendeu as mãos, esperando pelo Livro.

    — Ainda preciso dele — argumentou John, incerto sobre se realmente o devolveria. — Tenho que descobrir como posso trancar Lúcifer.

    O outro assentiu uma vez, arqueando os ombros.

    — Quanto a isso… acho que ainda posso lhe ser útil — ele apontou na direção norte. — Leonard Saint acaba de matar Cain e Lúcifer o fará em pedaços. Se quer saber como trancá-lo, recomendo que estude depressa.

    John sentiu um calafrio. Ele tinha razão.

    *

    Lúcifer abriu espaço em meio aos combatentes espalhando morte. Ninguém se aproximava dele, e não seria capaz de fazê-lo, se quisesse. Havia uma espécie de escudo de proteção nos entornos dele, praticamente impermeável. Os corpos que estavam no caminho simplesmente eram atirados pelo ar, sem cerimônias.

    Em milênios de existência, nem mesmo quando fora trancado por Deus, sentira-se mais furioso. Cain não fora exorcizado. Fora morto. Abel, naquele momento, havia avançado um limite especial, que não deveria ter avançado.

    Sentindo cheiro de sangue, objetivando o bote rápido como o de uma serpente, ele deslizou, preparado para destruir o mundo se fosse necessário.

  7. #37
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    Minha cara lendo


    C O R O I, que capítulo foda, cara. Abel matou Cain, Lancaster morto do nada, Apocalypse ganhando o que merece e pra fechar com chave de ouro, Lúcifer muito puto no modo turbo correndo atrás do toba do Leonard. Mal dá pra acreditar que o Jason tá perdendo esse espetáculo. Quando ele acordar, vai pensar "Esse é o tipo de coisa que acontece quando não participo?".

    Excelente trabalho mais uma vez, Neal. Aguardo você na minha história. A propósito, sábado eu irei publicar outro capítulo, visto que fiz um grande demais e parti em dois. Bastante coisa pro dia.



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  8. #38
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    Me sentir lendo tolken nesse capítulo neal parabéns rs lucifer como saurom marchando contra gil-galad e elendil muito bom mesmo espero que jhon ajude Leonard a tempo! Um abraço meu nobre.
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!



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