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Tópico: Jason Walker e a Sétima Vingança

  1. #41
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    Sei nem oque dizer que machado overpower seria esse ? E o seu criador? Superaria a lâmina de Crunor? Logo mais no próximo capítulo! Rs parabéns neal.

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    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  2. #42
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    Preparem-se para a guinada que a história vai receber a partir de agora. Vamos explorar outros campos de muitas culturas.

    CAPÍTULO 11 – FÉRIAS FORÇADAS


    Jason abriu os olhos e viu-se prontamente diante de uma imensa antessala organizada, no centro da qual havia uma escrivaninha atulhada de pergaminhos. Um carpete vermelho gasto cobria todos os cantos do piso, e algumas janelas cheias de adorno estavam inexplicavelmente quebradas.

    Do outro lado da escrivaninha, Crunor sorria para ele com bondade. Uma cadeira de madeira simples se materializou diante dele. Jason entendeu a deixa e se sentou.

    Durante um longo momento, ele e Crunor mantiveram somente os olhos fixos nos do outro, reflexivos. O deus, com sua personalidade sempre assente e muito controlada, parecia ler cada linha da alma de seu último descendente vivo. Seus olhos azuis ardiam, embora os ombros estivessem muito relaxados sob a camisa regata branca impecável. Os feixes dos músculos dos braços se destacavam, e a barba tremia um pouco, como se Crunor achasse graça de alguma coisa.

    — Que grande trabalho você fez.

    Jason arqueou as sobrancelhas, inerte ao elogio. A verdade é que John havia sido muito claro quanto à atuação de Crunor diante da maior crise que o antigo continente já havia enfrentado e, sinceramente, tinha pouca ou nenhuma confiança nele naquele momento. Decidiu nada responder.

    — Estou saindo de férias – disse, surpreendentemente. – Sinceramente, os problemas recentes me deixaram um pouco catatônico.
    Te deixaram?

    Jason sorriu amarelo, descrente sobre quão cínico alguém poderia ser a respeito de determinados temas. A verdade é que Crunor atuara de forma totalmente neutra no combate, e pouco se ouvira falar ao seu respeito e, quando se ouvira, não eram boas notícias. Agora, ele simplesmente avisava Jason que estava deixando o universo à sua própria sorte por tempo indeterminado, alheio à batalha recente.

    — Garoto, não seja como o incandescente desertor. Existe um sem número de situações que derivam das outras e, enquanto vocês lutavam, outros problemas burocráticos também estavam sendo resolvidos aqui em cima. Estive… estou com uma crise nas mãos entre meus próprios comandados, algo que vez sim, outra também, preciso resolver. Não é fácil estar na minha posição. Quer meu cargo por um único dia?

    O cavaleiro refletiu alguns segundos a respeito. A abordagem de Crunor, é claro, considerava dados e critérios que ele mesmo afastava quando objetivava fazer sua análise sobre a participação dele no combate. Obviamente, não era necessário que ele lutasse ostensivamente, dentro do campo de batalha: suas atividades extraordinárias também podem ter tido um papel determinante no próprio deslinde do feito.

    Agora, Jason achava-se verdadeiramente confuso. Tinha escutado tudo que John e Heloise haviam dito a respeito de Crunor, e criara sua própria opinião baseada nas deles. Não era fácil conflitá-las neste momento.

    — Vocês têm outro problema em mãos – disse Crunor, trazendo Jason de volta ao presente. – Deve ter percebido que Leonard Saint matou Cain.
    — Eu o teria feito, se tivesse chegado a tempo.

    Crunor riu; não parecia reprovar.

    — Sei que sim. Mas o fato é que as escrituras trazem consigo uma maldição operante sobre quem tirasse a vida de Cain. Ele seria vingado sete vezes, é meu acerto com ele, depois que o expulsei da minha presença.

    Jason arqueou as sobrancelhas, surpreso.

    — Sete vezes?
    — É o combinado.

    O cavaleiro respirou fundo.

    — E você vai vingá-lo?

    Crunor arregalou os olhos.

    — Por mim, Jason, é claro que não – ele se remexeu na cadeira, enquanto Jason ainda tentava entender a expressão “por mim”. – Não, Leonard Saint é um homem segundo o meu coração. Jamais tocaria em um fio de cabelo dele.

    Quando Jason compreendeu que “por mim” poderia significar “por Deus”, fez uma careta à la Leonard.

    — Pois é – continuou Crunor, fazendo uma péssima avaliação da expressão de surpresa do outro. – Não, não. As escrituras são muito mais parabólicas do que literais. Compreenda-as como doutrina religiosa, mas nunca como um livro de história. Sabe qual é a diferença, Jason?

    Ele sacudiu a cabeça, sincero.

    — A história é interpretada com a subsunção do fato ao tempo. A doutrina religiosa se perpetua ao longo das gerações, e não está sujeita às más interpretações. Pelo menos não as criei para que estivessem.

    Crunor pensou por dois segundos, reflexivo.

    — Preparem-se, porque vem pela frente algo que deixará o Anjo Caído parecendo um gatinho em fuga. Será necessário…
    — E você decide tirar férias?

    A pergunta de Jason era mais inquisitiva do que restritiva. Ele queria entender sobre como Crunor poderia pensar em se ausentar logo depois de dar-lhe aquelas informações, tão contundentes como eram.

    — Esse é um combate que independe de mim – ele sorriu, triste. – Porém, vou deixá-los em contato com um conjunto de homens e mulheres que gozam da minha inteira confiança. Não será fácil de encontrá-los… ao menos alguns deles – a barba dele tremeu ligeiramente –, mas, uma vez que os encontrem, mencionem o meu nome de passagem. Eles podem estar me devendo um favor ou dois.
    — Mas…
    — Está na hora de voltar.

    Crunor enfiou um pergaminho lacrado nas mãos de Jason e tocou sua testa.

    *

    De férias?

    John andava de um lado para o outro no jardim suspenso da casa de Jason e Leonard, justamente na companhia dos dois amigos. Os funerais estender-se-iam por mais algumas horas antes que todos os heróis de guerra fossem sepultados no cemitério a leste, com as honras que efetivamente mereciam.

    Agora, no entanto, Jason achava que a maior crise de todas seria a de se administrar os sentimentos conflitantes de John. O incandescente parecia enfurecido por algum motivo específico, e os acontecimentos recentes somente serviram para extenuar suas forças, quase que definitivamente. Seus sentimentos já estavam bastante aflorados e por pouco o cachimbo d’água não pagou por sua fúria.

    — O que você acha disso?

    John questionou Jason diretamente, enquanto o cavaleiro, de sobrancelhas arqueadas, atirava fumaça cheirosa pelo ar.

    — Sinceramente, não acho nada.
    — Como…
    — John, sente-se.

    Surpreendentemente, o pedido vinha de Leonard, que acompanhava a discussão com somente meia atenção. John olhou para ele como se o visse pela primeira vez na vida e obedeceu quase que instantaneamente.

    O arqueiro pendeu o corpo para a frente, parecendo cansado.

    — Crunor nunca nos ajudou em absolutamente nada. É possível que sua voz tenha me orientado a apunhalar Cain na altura da nuca, mas essa era uma ideia que já me havia perpassado a cabeça. Ele nos enviou Hansel e Gretel, que morreram. Svan se foi. Melany está prestes a se retirar novamente com o grupo de amazonas e retornar para seu acampamento. Zathroth tem um acordo de paz conosco. Sinceramente, onde é que você vê vantagem?

    “O fato de que ele se ausentará, particularmente, em nada me incomoda. Nunca precisamos dele para nada. A maioria dos nossos problemas foram resolvidos por ninguém menos do que nós mesmos. Se Crunor está aqui ou não, pouca diferença faz. Que tire suas férias, em outro planeta, de preferência, e que não mais interfira nas nossas decisões. Estaremos melhores assim.”

    John arregalou os olhos, descrente. Nunca havia pensado em fazer análise do gênero e, para ele, incomodante era em suficiente medida o fato de que Crunor parecia sempre estar neutro. Porém, na visão de Leonard – e de Jason, porque agora o cavaleiro assentia com a cabeça em sinal de concordância –, Crunor não somente os atrapalhava, como era dispensável.

    Talvez, em sua longa saga como incandescente, ele tivesse sido doutrinado para pensar diferente, e não ignorava aquela possibilidade. Contudo, achava que aquilo era avançar limites, até mesmo para ele, que era um expert na arte.

    — Entendi – limitou-se a dizer, com sinceridade.
    — Temos de nos concentrar no próximo passo – disse Jason, passando a mangueira do cachimbo para Leonard. – Se algo poderá caçar Leonard, então precisaremos estar preparados. Temos duas relíquias, a Espada de Crunor e o Livro das Ciências Ocultas. Acredito que possa lê-lo. Talvez seja interessante buscar um arco, ou mesmo um cajado. Conhece algo?

    John fez que sim uma vez, imerso em pensamentos.

    Repentinamente, Jason lembrou-se do pergaminho que lhe fora entregue por Crunor. Ele rompeu sua cera e o abriu, identificando prontamente a caprichosa caligrafia do Criador. Ali, nada mais existiam do que 11 nomes – os nomes mais estranhos que Jason já havia visto –, um em cima do outro.

    O cavaleiro franziu o cenho.

    — Do que se trata? – perguntou John, disperso.
    — “Theoí tou Olýmpou” – Jason recitou a primeira linha do pergaminho.

    O incandescente levantou a cabeça de uma só vez, estalando o pescoço.

    — Como é?
    — Não me faça repetir – ele passou o papel para John, exasperado.

    Por um instante, John acreditou que estivesse diante de uma situação que fosse sistematicamente embaraçosa. Inobstante, agora, entendia o que Crunor quisera dizer quando mandou que Jason procurasse por um grupo de homens e mulheres. Aqueles 11 nomes eram muito famosos no paraíso, em qualquer dos tempos.

    — É tão… improvável.
    — O que é?

    John franziu os lábios, tenso.

    — No início da Criação, Crunor trouxe à existência boa parte dos seus querubins. Se não me engano, Gadreel foi o primeiro.

    “Nos anos subsequentes, ele estava encontrando algumas dificuldades para administrar tudo. Aliás, não dificuldades… mas a estafa era grande. Nessa oportunidade, Crunor, reunido com os arcanjos, decidiu criar determinados seres que se assemelhassem a ele quanto aos poderes que detivessem, mas que cada qual tivesse somente um deles. E, então, com a ideia pronta e o projeto aprovado pela alta cúpula do céu, ele os criou.

    “A Zeus foi atribuído o domínio dos céus. Poseidon ficou encarregado pelos mares e Hades, pelo submundo. Esses são os chamados Três Grandes. Hera, a esposa de Zeus, passou a cuidar do matrimônio. Afrodite é a deusa do amor. Hefesto, seu primeiro esposo, é o senhor das forjas vulcânicas. Ares, aquele com quem Afrodite mais de uma vez traiu Hefesto, é o senhor da guerra. Apolo é o deus do sol, e Ártemis, a deusa das caçadoras. Creio que Melany já tenha ouvido falar sobre ela. Hermes é um mensageiro, e zela pelos mercadores e, creia se quiser, pelos gatunos. E Atena é a senhora da sabedoria. Juntos, são chamados de ‘Deuses do Olimpo’.”

    — Mas…
    — Jason, o fato de que Crunor nos pediu para que procurássemos os deuses do Olimpo não é uma boa notícia – ele coçou a cabeça, guardando consigo o pergaminho. – Vem chumbo grosso por aí.

    Jason olhou John nos olhos, e já tinha com ele conexão o suficiente para compreender seus sinais. Ele estava apavorado. Fossem quem fossem os Deuses do Olimpo, precisavam encontrá-los depressa.
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  3. #43
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    Que loucura, agora até os deuses gregos farão participação na história. O mais interessante é Crunor depender deles. Ou seria ele tirar férias? Será que ele vai fazer igual aquele filme "Deus É Brasileiro" e pular o Carnaval por aqui ou algo assim?

    Novamente, mais um excelente capítulo, Neal. Eu gostei dessa transição que a história tomou, e a forma de como você tratou os Olimpianos como seres com parte de seu poder é bem criativa. Olhando dessa forma, o politeísmo não é lá a melhor forma de encontrar deuses poderosos, afinal, o que são vários deles pra apenas um, cujo é absoluto e dono de tudo?

    Eu não consigo me lembrar dessa menção ao Inominado, mas seguindo a linha que a história está tomando, poderia ser Cronos? Talvez até mesmo Gaia, muito puta com seus filhos, que nem em God of War? Bem, eu acredito que você certamente me surpreenderá com a sua resposta. Já estou surpreendido com a inserção da mitologia grega na história, me lembra até da intenção de adicionar coisas semelhantes nos meus trabalhos, mas ainda não consigo achar um espaço pra fazer isso. Maldita seja a Irmandade.

    No mais...

    — Por mim, Jason, é claro que não – ele se remexeu na cadeira, enquanto Jason ainda tentava entender a expressão “por mim”. – Não, Leonard Saint é um homem segundo o meu coração. Jamais tocaria em um fio de cabelo dele.

    Quando Jason compreendeu que “por mim” poderia significar “por Deus”, fez uma careta à la Leonard.
    Mano Crunor é um cara excêntrico e tanto, hein? Me senti igual ao Jason nessa parte.


    No aguardo do próximo, parceiro. Conte sempre comigo.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  4. #44
    Avatar de Ameyuri Ringo
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    Kkk mano eu ja comecei imaginar kratos atras do Leonard que viagem a minha kk boa transição neal mitologia grega sem duvida minha favorita nao sei se conhece O rpg age of mithology onde o protagonista arkantos passa por poucas e boas ate alcança a divindade um tanto quanto parecido com nosso querido jason. Esperando um bom desenvolvimento dessa parte e que Leonard se cuide rs! Parabéns.
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  5. #45
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Neal, me perdoa a ausência de novo; o ano começou estressante e, agora que algumas pendências foram resolvidas, estou INFINITAMENTE mais leve e continuo encantada com a sua história, estupefata com os ocorridos. A forma como você trata religião e os teísmos variados é bem interessante, apesar de eu tender a discordar do Carlos, por uma questão de preferências: monoteísmo nunca me foi atraente, por conta de diferentes alinhamentos e princípios que as pessoas podem assumir conforme o deus ou deusa que veneram. Se eu fosse escolher alguma religião para mim, certamente seria alguma politeísta, de cunho pagão ou até mesmo o próprio xamanismo. Acho que já comentei isso em um dos volumes anteriores de sua história como curiosidade mesmo =D

    Voltando ao tópico, aguardo ansiosamente os próximos capítulos, onde tecerei comentários mais detalhados, como a sua história merece <3




    Um forte abraço e sempre conte comigo,
    Iridium.






  6. #46
    Avatar de Neal Caffrey
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    CAPÍTULO 12 – BUSCA IMPLACÁVEL


    — Os reflexos disso podem ser somente um — ia dizendo Crunor, segurando uma pitoresca maleta de pano e olhando para seus três arcanjos. — Cain não podia ser morto. Desabará fúria sobre Leonard Saint.

    O machado apreendido na residência de Jason Walker flutuava magicamente entre os arcanjos e Crunor, lançando uma luz aterradora por toda a antessala. Rafael, que mantivera seus olhos fixos na arma até aquele momento, pela primeira vez voltava seus olhos para o Criador.

    — Senhor, não é uma… má ideia… não me interprete mal — ele acrescentou depressa, engolindo em seco. — Mas… quero dizer…
    — Raios, desembuche, homem — Crunor arqueou as sobrancelhas.

    Rafael pigarreou, desconfortável.

    — Não acha que é uma má ideia… sair agora? Quero dizer… se o Inominado está prestes a retornar, não seria melhor que o senhor estivesse aqui?

    Crunor olhou para Rafael como um pai que olhasse para um filho querido. Ele lhe deu um meio sorriso, conformado.

    — Vocês são as mais belas das criaturas que decidi trazer ao mundo — ele umedeceu o lábio inferior. — Os arcanjos são meus olhos, ouvidos e, às vezes… não raras vezes… músculos. Ninguém combate melhor do que vocês.

    Rafael, Gabriel e Miguel entreolharam-se, sem bem saber o que responder.

    Por um longo momento, um silêncio incomodante pairou sobre a sala.

    — Não é um mau momento — concluiu Crunor, finalmente. — Dei a Jason Walker os 12 combatentes do Olimpo. Se ele conseguir reunir a todos, então haverá força-motriz o suficiente para frear a ofensiva de Ferumbras.

    Os arcanjos se retesaram involuntariamente, arrepiando-se. Crunor, evidentemente, percebeu a circunstância, mas decidiu deixar aquela passar.

    — Preciso de vocês. Resolvam isso para mim, tá legal?

    Ele desapareceu no segundo seguinte.

    Rafael, de olhos fixos no machado demoníaco, permaneceu inerte.

    A realidade é que nenhum deles estava tão otimista assim.

    *

    — Acha que é uma boa hora?

    Heloise marchava quase correndo atrás de Jason, que carregava uma mochila nas costas. Eles deixaram o castelo de Carlin e logo estavam avançando entre a população da cidade na primeira rua que cortava a avenida principal, no sentido sul. Aqui e ali, homens trabalhavam febrilmente na reconstrução da cidade e na alocação dos feridos e na concessão de suporte às famílias que haviam perdido entes queridos.

    — Não podemos perder tempo — justificou Jason, falando por sobre o ombro. — O fato de termos criado nossa ofensiva em tempo foi o que determinou nossa vitória contra Lúcifer. Se aquele é um modelo que funciona, então não posso simplesmente abandoná-lo. Preciso replicá-lo agora.
    — Esse tal de…
    — É melhor não dizer o nome dele.

    Heloise trombou com um dos soldados do exército, que pediu milhões de desculpas enquanto a rainha já o ultrapassava e deixava para trás, ainda tentando acompanhar Jason.

    — Jason, espere.

    Ela o pegou pelo braço e ele se virou totalmente, de olhos arregalados.

    — Entendo a natureza da ameaça, tudo bem? Mas não leve todos. Deixe ao menos um para mim.

    Jason deliberou por um instante.

    — Não posso deixar Leonard ou John, mas Randal vai ficar. É o suficiente?

    A rainha fechou os olhos, nervosa.

    — Não é o suficiente. Preciso de John.
    — Este é o único que não podemos negociar — sentenciou. — John conhece os deuses do Olimpo e não posso partir sem ele. E, sem Leonard, sinto-me como se estivesse nu. Sei que não posso sobrecarregá-la agora, Heloise, mas não é o momento para reforçarmos Carlin. Esta missão é mais importante do que isso, e não existem ameaças além dessa que precisem ser repelidas neste momento.

    Heloise baixou a cabeça, dando-se por vencida. Finalmente, Jason chegou à conclusão de quão vulnerável ela se sentia naquele momento. Acabara de perder Svan. Não tinha mais seu mais fiel e importante capitão, aquele que lhe dava segurança nos momentos de crise.

    Por um longo momento, Jason encarou o rosto torturado da rainha antes de tomar uma importante decisão.

    — Volte ao castelo — sugeriu. — Em breve, alguém vai encontrá-la lá. Se é de segurança que você precisa, é segurança que terá.

    Ela assentiu, sem dizer palavra. Jason deu-lhe um beijo no topo da cabeça.

    — Resista — pediu.

    *

    — Você é uma criatura peculiar, Jason Walker.

    Zathroth olhava para ele com um misto de espanto e admiração. O requerimento era um tanto quanto estranho mas, dadas as circunstâncias, achava até que poderia significar algo.

    — Este casamento já vem dando o que falar — brincou. — Precisa de quem?
    — De você — Jason mordeu a língua, segurando as palavras. — Creio que esteja familiarizado com o nome de Ferumbras.

    Como os arcanjos, Zathroth se retesou, fazendo uma careta cômica.

    — Não diga esse nome.
    — Vou atrás de quem pode vencê-lo. Enquanto isso, Carlin ficará desguarnecida. Com a morte de Svan, Heloise se acha mais vulnerável do que nunca. Já que temos um acordo vitalício de paz, não me parece estranho pedir para que você seja o guardião do pedaço enquanto não retorno.
    — Verei o que posso fazer.
    — Meus termos são claros, como os seus — Jason endureceu o olhar. — Você estará aqui para garantir a segurança da cidade. Não dará ordens, não tomará decisões e não se infiltrará na política. Somente comandará o exército em momentos de crise. Não atentará contra a nossa segurança e não criará embaraços à defesa da cidade e, sobretudo, não comprometerá o reino e os cidadãos. Temos um acordo?

    Zathroth ergueu as mãos em sinal de paz.

    Jason puxou a Espada de Crunor e fez um corte na palma da mão direita, ignorando o fato de que Zathroth deu um passo atrás, ligeiramente desconfiado.

    O outro revirou os olhos mas, com sua espada, repetiu o movimento. Em seguida, ambos apertaram as mãos, selando o pacto.

    — Confio em você — disse Jason, os olhos se suavizando. — Não me traia.
    — Não o farei — prometeu Zathroth, com sinceridade.

    Em seguida, Jason deixou o saguão do castelo.

    *

    A desengonçada Margareth, mais uma vez, estava no cais de Carlin, olhando para Jason Walker como quem olhava para um filho. Aquela tripulação já havia tido suficientes momentos juntos, mas, agora, vê-los de novo reunidos lhe causava certa satisfação.

    Cotton, Gibbs, Joshua e Catarina sorriam, felizes, em uma roda de conversa com ela. Leonard, Jason, Randal e John também conversavam em voz baixa a um canto. Faltava somente um tripulante.

    Finalmente, ele chegou. O homem negro de traços marcantes e terno completo, inclusive colete, marchou pela escada do cais carregando sua famosa lança prateada. Seus olhos demoraram a se acostumar com a cena mas, acostumado que estava a seguir ordens em vez de questioná-las, nada disse.

    — Temos… ic… o que precisamos — disse o Capitão Max, seus olhos um pouco fora de foco. — Podemos… ic… partir?
    — Espero que não tenha que socorrer nenhum ferido desta vez — Jason sorriu, em tom de desculpas.
    — O que acontece no mar… ic… fica no mar — ele deu-lhe uma piscadela, conspirando. — Qual é… ic… o destino?
    — Conversamos sobre isso a bordo — disse Rafael, finalmente ingressando na conversa.

    Margareth, Cotton, Gibbs, Joshua e Catarina deram uma espécie de abraço coletivo, a mulher se adiantando para Jason novamente e dando-lhe uma queixada carinhosa – e dolorida – no rosto. Secretamente, nutria seus sentimentos paternais e de orgulho com relação àquele menino, mas aprendera desde cedo que reconhecimento não era exatamente o que ele buscava.

    Agora, chegava à conclusão de que Jason Walker, de fato, se tornara um homem. Não era mais um garoto que partia com o obtuso Leonard Saint em busca de ouro. Era um homem completo, que, sempre que deixava a cidade, buscava proteger todo o continente.

    Embora seus objetivos fossem mais nobres do que pareciam, ele estava mais soturno do que nunca. Achava que as aventuras mais recentes dele o tornaram mais velho, mais sério e mais triste, mas também cria que, talvez, aquela fosse a missão finalíssima e que, enfim, Jason poderia descansar depois dela. Se voltasse vivo.

    — Tenha cuidado — pediu ela, olhando para a linha do horizonte.
    — Jason Cuidado Walker é o meu nome — ele sorriu.

    Ela fez que sim, empurrando-o às pressas para a prancha do navio.

    — Partindo — gritou Capitão Max.

    Quando a âncora foi levantada por Gibbs e Cotton e os olhos de Jason vislumbraram os contornos do imponente castelo de Carlin pela última vez, o garoto pediu a Crunor, em silêncio, para que, de fato, aquela não fosse a última vez.

    Finalmente, quando o navio iniciou sua transição, Zathroth surgiu no cais, a postura ereta e imponente como sempre. Olhando nos olhos do menino, ele acenou brevemente com a cabeça e Jason repetiu seu gesto, sentindo, repentinamente, um assomo indizível de gratidão por aquele homem.

    O gesto dele tinha um significado.

    Deixe comigo.

    E o de Jason também.

    Confio em você.

    *

    John, Leonard, Jason e Randal estavam sentados novamente à mesma mesa na sala do capitão, no convés. Nenhum deles havia dito nada até aquele momento, mas cada um tinha seus afazeres. Como de praxe, John analisava os mapas; Jason cobria seu trabalho; Leonard afiava as facas; Randal calibrava os canhões.

    — Sabe — de repente John levantou a cabeça, olhando para Randal. — Enfim, talvez tenhamos alguma coisa boa para se extrair de toda essa confusão.

    Ele tirou de dentro da mochila o Livro das Ciências Ocultas. Randal arqueou as sobrancelhas, inquisitivo, enquanto ele encontrava determinada página.

    — Como curar um demônio, em três etapas — ele deu-lhe um meio sorriso. — Sua natureza não é essa, Randal. Ao fim, se quiser, pode acabar sendo um de nós.
    — Já me sinto um de vocês — ele fez que sim com a cabeça, reforçando as palavras. — Mas seria surreal voltar a ser humano.

    Jason sorriu para John, feliz.

    — Faremos, assim que terminarmos.
    — Estarei à disposição.
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  7. #47
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    Zathroth jurando proteger uma cidade humana é realmente insano olha onde as coisas chegaram, bicho.

    Excelente capítulo Neal. Aparentemente, Ferumbras é o tal Inominado, e confesso que não pensei nisso por um instante, pois não imagino que ele seja tão poderoso quanto um deus ou sequer um arcanjo, mas você deve ter dado um buff massa pra ele, certeza. Pra exigir os olimpianos, o buff foi forte. (A Lore tibiana também deu um buff pra ele, tem uma quest onde ele fica com o poder semelhante ao de um deus, lançada recentemente, então é justo)

    No momento, estou curioso em como você abordará a personalidade deles. Zeus vai ser um cara metido a cafetão? Poseidon vai ser um maluco de boa na lagoa? Talvez Hades seja alguém com depressão profunda e muito rancor, mas com alguma bondade no fundo? Estou curioso mesmo, e acredito que não irei me decepcionar. Essa história nunca me decepcionou.


    Aguardando o próximo.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  8. #48
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    Hum... Como posso dizer primeiramente nostalgia de ver eles abordo do navio mas uma vez me trouxe o sentimento bom do comeco de jason... Ja a novidade de furumbras devo ser sincero creio que devido minha experiência ja nerfada com bom velinho no tibia n tive aquela sensação de "vixe fodeu agora" logo me lembrei de se trata de uma história sua neal e como nesse tempo todo numca me decpcionei com sua escreta sei q teremos um grande e "over power problem" para jason rs desde aqui meus parabens rs ferumbras do 7x kk coitado do leonard vlw neal!
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  9. #49
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    CAPÍTULO 13 – BONANÇA


    Jason levantou-se, espreguiçando-se devagar. Leonard não estava em local algum visível então, com certo sentimento de nostalgia, ele pôs sua roupa de linho branca e abriu as portas para o ar da manhã.

    Rafael e Randal patrulhavam o convés, da proa à popa. O arcanjo dirigiu-lhe um curto cumprimento antes de reiniciar a volta. Os demais não estavam em local algum do convés.

    O sol brilhava firme sobre eles e o oceano, embora sustentasse o peso de um imenso navio carregado sobre si, era bastante calmo. Ele desceu as escadas ao nível subterrâneo bem em tempo de ver Catarina colocar seus maravilhosos dotes sobre a mesa.

    Ovos mexidos, bacon frito, salsichas, pães caseiros cobertos de farinha de trigo e, por algum motivo, gengibre. Ele se sentou à mesa no extremo, do lado esquerdo de Leonard, primeiro à sua direita.

    — Bom dia.

    Cotton e Gibbs acharam graça de alguma coisa.

    — “Bom dia”? — Leonard soltou uma risada anasalada. — São quatro da tarde.

    Jason arqueou as sobrancelhas, verdadeiramente indiferente ao horário.

    — Acho que ele levou tanta pancada nos córneos que nem se preocupa mais com a posição do sol — Leonard continuou rindo. — Aliás, você me deve uma. John queria entrar na cabine e enfiar algo pelo seu rabo até você levantar.
    — Somente uma vez teria sido necessária — apressou-se em dizer.

    Leonard levantou a cabeça de uma só vez, semicerrando os olhos.

    — O mundo hoje é plural, cara. Não tem problema se você gostar de receber alguma coisa no seu rabo com certa frequência.
    — Pare de falar abobrinha.

    Cotton levantou a cabeça.

    — Abobrinha? — resmungou, em meio a uma mastigada. — Gosto de comer isso.
    — Céus — Jason sorriu, finalmente. — Somos tão obtusos que parece que temos seis vezes um Leonard nesta sala.

    Leonard começou a rir, mas logo sua expressão transitou para a compreensão. Ele fez uma careta engraçada e voltou a dedicar seus esforços ao bacon.

    — Já temos nosso destino?

    John atirou o mapa defronte dele, apontando para uma ilha ao extremo leste de Edron. Jason levou somente meio segundo para compreender.

    — Fala sério — ele riu. — O Olimpo tem sede em Krailos?

    O outro nada respondeu, comendo suas salsichas ferozmente.

    Outra vez, foi necessário meio segundo para que Jason se atentasse a certos detalhes. Entre eles, havia o fato de que John nunca comia, mesmo porque não era necessário. Era um incandescente.

    — Você se desfiliou — o cavaleiro estava positivamente surpreso. — Que momento das nossas vidas.
    — Não foi fácil — disse, entre o esforço de se lembrar como mastigar. — O cacique quis me cercar de todos os lados. Mas sou mais liso do que isso.

    Outra vez, Jason arqueou as sobrancelhas e começou a comer os fabulosos bacon e ovos feitos pelas mãos preciosas de Catarina. Pouco tempo depois, Randal desceu as escadas e foi rendido por Gibbs, que tomou-lhe a besta das mãos e foi fazer a ronda no seu lugar, dando-lhe um sorriso.

    Ele se sentou à mesa com uma expressão intrigada no rosto, os olhos fixos nos pães.

    — Coma — sugeriu Jason.
    — Para quê? — Randal riu. — Queria muito, mas não preciso. E não vou sentir o gosto de nada, então…
    — Por pouco tempo — Catarina deu-lhe um sorriso bondoso, colocando diante deles uma jarra de suco de laranja.

    Depois, o silêncio pairou. O único som que preenchia o ar era o de algumas bocas mastigando incessantemente. Aliás, agora Jason se dava conta do fato de que tinha muita fome. Os últimos dias passaram diante dele como um borrão, e ele quase deixara escapar o fato de que ainda tinha que satisfazer suas necessidades fisiológicas.

    Seu estômago deu um solavanco quando se lembrou de Melany. John levantou a cabeça por um segundo, olhando para ele, mas logo voltou aos pães.

    Rapidamente, o antigo incandescente informou que existia certa atividade nos arredores de Krailos que vinha tornando a vida no local praticamente impossível. A cartada de John residia na possibilidade de que o Olimpo já sentia a presença do Inominado e começara a construir diques e barragens nos entornos do próprio castelo de ilusões.

    Agora, Jason imaginava que talvez aquela missão não fosse assim tão simples. John repassou depressa o fato de que Poseidon, o mestre dos mares, possivelmente seria o primeiro dos grandes empecilhos, já que não havia forma de chegar à ilha senão através dos domínios dele. Em Krailos, Hefesto, o deus das forjas, eclodia vulcões sem parar, trabalhando febrilmente com as forjas. E as tempestades de raios nos arredores do arquipélago levava a crer que Zeus, o senhor dos céus, não parecia também de todo feliz.

    Rafael concordou com a opinião de John quando foi rendido por Cotton nas rondas no convés.

    — Cotton e Gibbs fazendo rondas sem qualquer adulto por perto — lamentou-se Jason. — Estamos num mato sem cachorro.

    Rafael riu, achando graça da expressão.

    — Cotton engordou — comentou Leonard, ao acaso. — Deve ser muito pandeló.
    — Pão de ló — corrigiu Rafael, automaticamente.

    Leonard assentiu algumas vezes, o olhar desfocado, como se finalmente compreendesse alguma coisa.

    Ao ver todos os seus amigos mais queridos reunidos na mesa pela primeira vez em muito tempo, ninguém preocupado com a morte iminente de um colega próximo, Jason sentiu-se abençoado. Sentiu que, talvez, a bonança poderia estar chegando. Ao que tudo indicava, o Inominado poderia ser o último dos grandes desafios. Se saíssem deste vivo, poderiam ter algum motivo por que comemorar.

    Rafael limpou a boca cortesmente com um guardanapo e começou a falar, como se lesse os pensamentos do espadachim.

    — Ele recrutou muita gente no passado — disse, soturno. — Não havia quem sobrevivesse se ele decidisse matar. Tempos sombrios.

    John assentiu, concordando e ainda mastigando. Parecia quase nostálgico.

    — Da primeira vez, atacou Carlin — continuou o arcanjo, perdido em pensamentos como sempre. — Destruiu tudo. Depois, marchou contra Thais, e tomou o trono. Seus correligionários eram um grupo conhecido como “Arrebatadores”, ou “Arautos da Arrebatação”. Feitos lendários. Horríveis, mas lendários.

    “Os Arautos eram o grupo armado mais poderoso de que se tinha notícia naquela época, e o Inominado avançava muito depressa. Em menos de 10 anos, tinha mais de 75% do continente. E os Arrebatadores eram muitos, mas somente cinco deles compunham o seu círculo mais íntimo.

    “Cerberus era um seguidor fiel, o maior dentre todos os torturadores do pequeno círculo. Tinha a curiosa habilidade de se transformar em um cachorro de três cabeças. Nem preciso falar do que ele era capaz de fazer com três bocarras. Chimera era uma espécie de mantícore, uma mulher com grandes dotes de sedução e que se transmutava em um animal pitoresco com cabeça e corpo de leão e rabo de cobra. Queimava tudo que via. Destruidora por excelência.

    “Procusto, o Esticador, era muito perverso e enganador. Matava a esmo, mas não sem antes amputar braços e pernas de suas vítimas. Górgon era uma das mulheres que compunham seu esquadrão de elite, também. Transformava as pessoas em pedra e sal, membro a membro, quebrando-os devagar. A esposa de Ló sofreu com as suas habilidades.

    “Finalmente, Morfeu, o senhor dos sonhos e dos pesadelos. Jason pode ter enfrentado algo semelhante quando combateu Sirius, nas ilhas geladas, e aquilo é o que Morfeu fazia com as pessoas. Ingressava em seus sonhos, em seu estado de sono profundo, e torturava-as de dentro para fora. Algumas das vítimas de Morfeu morreram, outras enlouqueceram, outras nunca mais acordaram.

    “Cerberus, Chimera, Procusto, Górgon e Morfeu são o esquadrão de elite do Inominado, e desconheço sobre a extensão do seu retorno para saber se há a possibilidade de que eles retornem com ele. Fato é que, quando o Inominado conquistou mais de 80% das nossas terras, Crunor engajou-se imediatamente em combate e, enfim, a luta se desbalanceou. Infelizmente, o Inominado e Lúcifer vagaram pelo mundo simultaneamente. Enquanto Crunor dava cabo daquele, este surgiu diante de Abel, identificando-se como Deus e agindo como se o fosse.

    “Crunor se enfureceu ao retornar e perceber que Cain havia matado seu irmão. Porém, Cain foi poupado, porque sua justificativa foi plausível. Ele trocou sua alma pela do irmão, e salvou-o, mas o trato demandava que fosse ele a tirar a vida de Abel. Crunor o perdoou, e deu a ele a Marca de Deus, como salvo-conduto. Cain não poderia morrer, exceto caso a Marca fosse destruída. E, convenientemente, a Marca era a chave da prisão do Inominado. Quando a Marca se rompeu e a maldição foi libertada, com ela, ele também deixou sua cela de lástima e sofrimento. Sua vingança deve ser mais amarga do que nunca. Desta vez, precisamos matá-lo, e não o trancar. Sua jaula será insuficiente para contê-lo depois do que acontecer aqui.”

    Jason e Leonard estavam boquiabertos diante do tanto de informações que Rafael decidira compartilhar com eles. Como alguém de mente aguçada e praticamente irrepreensível, Jason, evidentemente, guardou todos os nomes dos generais do Inominado e o que faziam, mas não podia crer que Crunor tivesse deixado passar algo tão importante quanto a Marca de Deus, gravada em Cain.

    A única justificativa possível deveria ser de que Crunor desejava que Jason corrigisse todas as suas falhas, e todas de uma vez só. Não existia outra razão para tamanha relapsa.

    — O Inominável e os Arautos — Leonard fez pouco caso. — Esse povo não tem nome?

    Rafael abriu e fechou a boca duas vezes, suando frio.

    — É claro que o Inominado não se chama “Inominado”. Ele tem um nome. Seu nome é F… — ele pigarreou, incomodado. — Fer…
    — Quer escrever? — sugeriu Leonard, inocente e gentilmente.

    Rafael soltou um assobio baixinho e secou uma gota de suor na testa.

    — Por Deus, não.
    — Ferumbras — disse John, despropositadamente, ainda mastigando.
    — Ferumbras — repetiu Leonard em alto e bom som.

    O arcanjo quase caiu da cadeira, tapando a boca do arqueiro de qualquer jeito.

    — Grande bosta — Leonard deu de ombros, falando entre os dedos de Rafael. — Vai virar peru de natal mesmo assim. Quer se chame Inominado, quer se chame Ferumburras.

    Jason revirou os olhos, acostumado demais com o amigo para contestá-lo. A verdade era que provavelmente Leonard estava tratando aquele como somente mais um obstáculo. Mas, sinceramente, se havia um inimigo cujo nome sequer poderia ser pronunciado, e se os próprios arcanjos tinham esse receio, então havia muito pelo que trabalhar. Era importante que todos mantivessem o foco.

    Em paralelo a isso, agora Jason finalmente se dava conta de quão abençoado era por ter aqueles amigos junto dele. Não houve um único problema que tivesse enfrentado sem que eles estivessem consigo. Leonard, é claro, sempre estivera ali, mas John, Rafael e Randal eram amigos queridos, que tinham se tornado peças fundamentais em sua caminhada. Um deles, obviamente, era seu antepassado, mas quando apareceu não sabiam disso.

    Era a hora de raciocinar com clareza. O problema que enfrentariam no Olimpo talvez fosse mais imediato do que o próprio combate contra Ferumbras. Era um feiticeiro poderoso e destruidor, era certo; porém, antes disso, 12 deuses amedrontados os aguardavam, e convencê-los a ajudar não seria a mais simples das tarefas.

    Jason olhou em volta, imaginando, contudo, que, com aqueles junto de si, nada poderia dar errado.
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  10. #50
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    Muito top os arautos me parecem que não sera nada simples e conseguir persuadir os olimpianos entao ? Rum vai da treta tio neal kkk parabéns !

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