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Tópico: Rubi de Sangue

  1. #1
    Avatar de Neal Caffrey
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    Padrão Rubi de Sangue

    Meus queridíssimos, prezados e colendos colegas, saúdo-lhes novamente trazendo besteira para que leiam.

    Paralelamente à história de Jason Walker (importante: ambas serão contadas ao mesmo tempo), trago-lhes "Rubi de Sangue: A História, contada pelo Arauto da Purificação". Trata-se de um conto singular, que provavelmente não conterá uma segunda parte, mas que reunirá o que consigo trazer de melhor: o prisma histórico incidente sobre determinadas coisas.

    Aqui, ousei tomar parte da história da humanidade e transformá-la, trazendo-a de forma um pouco diferente daquilo que sistematicamente vem sendo contado ao longo dos séculos. Nesse mesmo sentido, espero não os decepcionar e, mais do que isso, espero que o Rubi de Sangue também seja uma história que contribua com o desenvolvimento da seção como um todo.

    Vou frisar: a história de Jason Walker não parou e não vai parar, até que os cinco contos tenham-lhes sido passados com exatidão. Inobstante, optei por criar uma segunda história, em paralelo, que não se relaciona com o universo de Tibia, mas que traz à tona novamente a discussão a respeito da religião, agora de forma um pouco menos anacrônica do que suas predecessoras.

    Vamos a ela? Tomara que não os desagrade.

    Citação Postado originalmente por Últimas atualizações
    16/10/2017 (segunda-feira)
    Postado o Capítulo III
    Citação Postado originalmente por Índice
    Prólogo - Neste post
    I - A Terra do Rei - Neste post
    II - A Bela, Britânica e Moderna Londres
    III - Rubi de Sangue

    IV - Testamento Sombrio (na sequência)
    Spoiler: Prólogo


    Spoiler: I - A Terra do Rei


    Obrigado a todos, desde já, pela presença.

    Um abraço!

    Publicidade:
    Última edição por Neal Caffrey; 16-10-2017 às 16:27.
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Acompanhe a terceira história de Jason Walker na seção Roleplay!

  2. #2
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Escrita impecável, como sempre! Conto interessante, com um bom prólogo, que veio com impacto e drama mesmo em poucas linhas. O primeiro capítulo tem seu quê ainda misterioso, já com o ambiente pesado e tenso, como seria de se esperar da disputa entre católicos e protestantes. Vamos ver como o conto se segue. Aguardo o próximo!

    Ah! Caso tenha interesse, há um espaço no site do TibiaBR para contos do Roleplaying (de preferência, pequenos ou divididos em duas partes, mais ou menos como você veio fazendo). Se a divulgação lá te interessar, entre em contato comigo =)





    Abraço,
    Iridium.

  3. #3
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Grande Neal atacando de novo com uma história escrita de forma totalmente acima da média. Esse é o cara.

    Excelente início, rapaz. Eu realmente não esperava que você fosse começar uma história nova logo agora, e ainda usando um tema não-tibiano. Mas ao pegar Londres, o Rei Henrique VIII(Criador da igreja anglicana... Eu achei que era o Henrique V quem criou, acho que estava enganado), e o fodendo Martinho Lutero. Caralho, fui totalmente pego de surpresa quando você colocou esse nome na mesa. Automaticamente me veio aquela ilustração famosa do cara, uma comparação com a forma que você descreveu o personagem, e automaticamente comecei a cagar tijolos.

    Martinho Lutero lutando contra vampiros. Isso aqui vai ser uma história de ouro pra seção. pode não ser vampiros também né, mas do jeito que você descreveu...

    Acompanharei.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  4. #4
    Avatar de Ameyuri Ringo
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    Ai sim vi vantagem rs belo comeco parabéns neal
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  5. #5
    Avatar de Neal Caffrey
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    Spoiler: Respostas


    ~ II ~
    A BELA, BRITÂNICA E MODERNA LONDRES


    Ao abrir os olhos, Martin deparou-se com a sensação mais complexa que se pode imaginar. Londres era nada menos do que… Londres.

    À esquerda, na margem aberta do rio Tâmisa, a Torre de Londres, que era exatamente um conjunto de torres e torrinhas, refulgia sob o parco sol do inverno. Construída no ano de 1078, sofrendo reformas na ala interna em 1190, em todo o seio de sua estrutura em 1285 e tendo seu ancoradouro sido finalizado em 1399, a antiga residência real inicialmente fora de propriedade de William I da Inglaterra, popularmente conhecido como Guilherme, o Conquistador.

    A exemplo do Feudo da Ordem Teutônica na Transilvânia, cuja sede posteriormente foi transferida a Berlim por requerimento do próprio Martin Luther, a Torre de Londres abrigava, naquele momento, os maiores criminosos de que se tinha notícia na história da Grã-Bretanha. Na oportunidade em que a carruagem finalmente venceu todo o trajeto do largo da Torre, Martin fez uma curta prece e se benzeu rapidamente.

    — Gosta dela? — perguntou Henrique, despertando Martin de seus devaneios e apontando para a imponente construção.
    — Parece se tratar de uma grande mancha na história de Londres.

    O rei piscou duas vezes, sinceramente embasbacado com a conclusão à qual chegara o clérigo germânico. A bem da verdade, a Torre de Londres era uma das construções mais remarcáveis daqueles dias, e motivo de grande orgulho para toda a Inglaterra, devido aos avanços arquitetônicos contidos em sua estrutura. Henrique mesmo se gabava em alto e bom som sobre como promovera os reparos mais importantes da história da Torre, reforçando-lhe o potencial de cerco e garantindo-lhe resistência às mais pesadas das artilharias.

    — A Guerra das Rosas nos deixou certo mau legado — continuou o rei, ignorando o comentário recente de Martin. — É importante que a Casa de Iorque entenda exatamente com o que está lindando, sempre que ousa ultrapassar determinados limites.
    — A mim, soa como uma inteligente demonstração de força.

    Henrique fez que sim, aprovando.

    — Os Tudor são poderosos sozinhos. Aliados aos reinos de Escócia e França, são imbatíveis. Aliados, ainda, ao poderio econômico das nossas potências, gostaria de ver o diabo tentar invadir nosso país.
    — Existem inimigos mais poderosos — Martin comentou, disperso.

    Henrique compreendeu que aquele era um homem que não se deixava impressionar. Embora a margem do Tâmisa fosse florida e atraente, as ruas fossem inteiras compostas de blocos meticulosamente encaixados uns nos outros, homens bem vestidos e mulheres cheias de adorno e riqueza transitassem com imponência, e houvesse certo clima de abastada aristocracia, Martin simplesmente parecia não ligar.

    O clérigo puxou um relógio de bolso curioso, que não continha números, mas estrelas, e checou-o rapidamente.

    — Quando chegaremos ao castelo?
    — Não iremos ao castelo.

    Em breve, a carruagem finalmente estacionou diante de outra imponente construção. Tratava-se de um conjunto de duas torres e uma antecâmara avançada do ponto de vista ocidental, de orientação predominantemente gótica, cuja construção se iniciou em 1045 e foi finalizada cinco anos depois. A Abadia de Westminster, agora, era a sede forte do Anglicanismo na Inglaterra, embora tivesse sido sede do catolicismo romano durante muitos séculos.

    Quando Martin finalmente desceu, sentiu as pernas ligeiramente desconfortáveis pelo longo período de desuso. Achou que o sono lhe fora revigorante, afinal, dormira durante quase todo o trajeto, e Catarina conservava os mesmos traços rudes de um recém acordado que ele trazia no próprio rosto. Henrique, contudo, estava impassível.

    As portas duplas de carvalho na entrada da antecâmara da igreja foram abertas e um homem de meia idade, mas de cabelos totalmente brancos e penteados para trás, os recebeu na entrada. Surpreendentemente, usava uma batina católica simples preta, e seus olhos azuis devolveram com curiosidade a inocência contida de Martin por trás dos óculos de meia-lua.

    — Martin, este é o reverendo Richard Franklin, popularmente conhecido como Rick — apresentou Henrique, olhando nos arredores desconfiado. — Rick, este é Martin Luther, o…
    — Destruidor da Igreja Católica no ocidente. Conheço-o.

    A voz surpreendentemente grave do reverendo Richard Franklin deixou Martin um pouco ressabiado. Embora houvesse velada crítica em sua frase, seu tom de voz não era hostil. Pelo contrário; parecia achar graça de alguma coisa.

    — O reverendo Rick vai instrui-lo a respeito de o que vimos fazendo, de que forma e como precisamos de sua ajuda — o rei já ia se despedindo. — Retorno mais tarde para checar os trabalhos.

    Quando Henrique deixou a Abadia às pressas, Rick deu a Martin e Catarina um sorriso bondoso e apontou para o arco da entrada da igreja, por onde todos passaram. O interior era tão surpreendente quanto a parte externa.

    Já na antessala frontal, havia duas portas, uma à esquerda e outra à direita, provavelmente conduzindo às torres administrativas da Abadia. Adiante, tudo era feito de muito ferro, sendo identificáveis os padrões espalhados por toda a estrutura do teto e até em alguns pontos de latão no chão. No centro, na posição meridional, havia um trono imenso e vazio, tão dourado que parecia ter sido feito de ouro maciço.

    — O Trono de Eduardo, o Confessor — disse Rick, como quem lesse os pensamentos de Martin. — Construído com filamentos de ouro e fragmentos da Pedra do Destino, pelo rei Eduardo I, em 1296. É uma fonte de grande poder.

    Martin não fazia ideia sobre quem eram os tais Eduardos, tampouco de que se tratava a dita Pedra do Destino, mas resolveu não contrariar o reverendo, que já dava a impressão de estar-lhe fazendo um grande favor. Inobstante, por mais fabuloso que fosse o trono, outros foram os aspectos que foram prontamente registrados por Martin.

    Ao longo de toda a antecâmara principal, diversos grupos de três ou quatro clérigos se reuniam e trocavam experiências em voz baixa, o som das suas vozes ressoando como sussurros perdidos no tempo por toda a extensão da câmara. Aqui e ali, mulheres também podiam ser vistas. Catarina pareceu imediatamente desconfortável, como se estivesse num ambiente de pura blasfêmia, mas nada disse. No fundo, Martin sabia que a esposa não lidava bem com outras mulheres e que tinha sinceros problemas em se encaixar com elas, provavelmente em razão do seu próprio passado num convento abandonado em Berlim, mas esta é uma história para um outro momento.

    Rick conduziu-os, seguidos todos de perto pelos lacaios da família, que carregavam incansavelmente as malas do casal, até o grupo mais próximo do trono, o único que possuía uma mesa de trabalho de verdade. Ali, existia um mapa, de certo modo pitoresco, com as formas de Londres. Diversos pontos dele estavam marcados com um X vermelho, outros tantos com um O azul e, alguns, com um imenso ponto de exclamação violeta.

    O reverendo aproximou-se da mulher do outro lado da mesa e sussurrou-lhe algo ao ouvido. Ela prontamente levantou a cabeça e removeu o capuz que usava.

    Martin, imediatamente, registrou a aparência excêntrica da mulher, que tinha longos cabelos dourados escondidos por dentro do manto puído, olhos muito verdes e lábios muito cheios. O rosto não continha uma única marca, produzida ou de nascença. Tudo era muito simétrico.

    — Senhores Luther, chamo-me Ana Neville, e sou Sacerdotisa Diretora da Igreja Anglicana — sua voz era, ao mesmo tempo, suave e estridente, bastante conflituosa. — Vou deixá-los a par do que estamos fazendo aqui.
    — Uma mulher, como sacerdotisa de uma religião cristã?

    Catarina mais deixou a pergunta escapar do que qualquer outra coisa. Ana Neville dirigiu seus olhos a ela com certa impaciência, mas leniente, observando-lhe as reações.

    — Senhora Catarina, a esposa do sacerdote Martin Luther — identificou, tentando empregar a maior gentileza possível na voz. — É um prazer finalmente conhecê-la. Seus dotes são notáveis.

    A outra fez que sim uma vez com a cabeça, os lábios apertados numa linha firme.

    — A Igreja Anglicana em nada se assemelha à católica — explicou Ana, pacientemente. — Aqui, homens e mulheres trabalham todos em torno de um mesmo ideal. Ainda que pareça-lhe sistematicamente desconfortável, recomendo que se acostume com esses fatos durante os dias em que estiver em Londres. Não sou a única mulher na alta cúpula da Igreja, e certamente não serei a última.

    Catarina, mais uma vez, assentiu singularmente, sem dizer palavra. Seus olhos se suavizaram um pouco, mas os conceitos que trouxera da Prússia eram deveras resolutos para que circunstância do gênero fosse simplesmente aceita. Todavia, decidiu deixar aquela passar, por ora. Sentia-se compelida, no entanto, a tratar com Catherine, a esposa do rei, a respeito do tema, e o faria tão logo quanto fosse possível.

    A bíblia era resoluta quanto à ocupação das igrejas por parte das mulheres na condição de sacerdotisas, pastoras, diaconisas, pregadoras ou líderes: a carta aberta de Paulo ao povo de Coríntios deixava claro que o papel das mulheres nas igrejas cristãs deveria se restringir à congregação e tão somente a ela, porquanto tenha limitado a elas, enquanto pregadoras, única e exclusivamente o silêncio.

    — Existe um cerco criado em diversos pontos da cidade — continuou Ana, como se não houvesse havido interrupção. — Os ataques têm sido constantes e diários, em diversos momentos. Os pontos marcados em vermelho correspondem a piquetes; os pontos marcados em azul correspondem aos espaços seguros; os pontos marcados com uma exclamação correspondem às saídas clandestinas dos esgotos já mapeadas, e que estão sendo guardadas durante todo o dia.
    — E a noite — completou Martin, as sobrancelhas franzidas sobre os olhos que encaravam os mapas com atenção. — Oferecem maior risco à noite.

    Ana tombou a cabeça de lado, reflexiva.

    — Há trocas de turnos durante a noite.
    — Então transfira-as para o dia — ordenou, ainda olhando para os mapas. — Vou deixar-lhe de antemão uma informação: é durante a troca de turnos no período da noite que eles se esgueiram para fora dos bueiros.
    — A troca não leva dez segundos — argumentou ela, confusa.

    Martin levantou a cabeça finalmente, fitando-a nos olhos.

    — Eles não precisam da metade disso. Troque os turnos, e os embates passarão a acontecer nos horários em que eles imaginam que as trocas acontecerão. Vai surpreender mais de um se esgueirando para fora de uma só vez, e imagino que essas construções, aqui, aqui e aqui — ele tocou em três pontos no mapa, próximos dos pontos de exclamação — estejam lhes servindo de abrigo durante o dia, oportunidade em que esperam o cair da noite e a nova troca de turnos para se escorregar para dentro novamente.

    Ana olhou de Martin para os mapas como se estivesse diante da segunda vinda de Cristo. Aparentemente, embora houvesse grande aparato de resistência, alguns detalhes simples e fundamentais vinham sendo continuamente ignorados pelo grupo da Igreja Anglicana, o que comprometia a própria segurança da população. O sacerdote ignorou a expressão de presunção de Catarina, a quem parecia claro que o grande furo nos planos era decorrência do fato de que Ana comandava a Igreja na Inglaterra.

    — Como sugere…
    — Por favor, mostre-nos o nosso quarto — pediu Martin, suspirando. — Meus criados estão famintos, providenciem sua alimentação. No mais, assim que nos estabelecermos, estudaremos novamente todas as plantas.

    Ele baixou a cabeça e fez uma nova prece. Mais do que aquilo seria necessário.





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  6. #6
    Avatar de Senhor das Botas
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    Simplesmente sensacional, sem mais.

    No mais:

    Os olhos de Martin se detiveram aqui e ali na criação de ovinos, muito comum naquele canto do mundo. Internamente, ele acreditava que a Inglaterra seria, em breve, a pioneira na produção de lã, e que sua fama correria os quatro cantos do mundo e, por isso, a Prússia começava a adotar certas medidas no sentido de garantir que o mercado interno permanecesse sendo valorizado, em detrimento das importações, que ingressavam no país pelos portos ao norte e pela fronteira com os países escandinavo
    Que trecho Neil. Não dúvido nada a plot ser um vampiro que sequestra as pessoas, obriga-as a se adequarem a um novo modelo de produção, e, através disso, promove a Rev. Industrial anos mais tarde. Com Marx sendo outro caçador de vampiros que vem a Inglaterra libertar estes trabalhadores, séculos mais tarde. fikdica

    Enfim, excelentíssima introdução, com ótimos capítulos, personagens carismáticas (Você retratando o Rei Henrique por exemplo xd), E UM P*TA CENÁRIO INSERIDO NUM P*TA CONTEXTO. Enfim, só gostaria de dizer que estou no aguardo da continuação desta nova obra de arte que estás a compartilhar conosco, e que seguirei lendo.
    Última edição por Senhor das Botas; 03-10-2017 às 14:11.

  7. #7
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Como de praxe, já deixei os likes registrando a leitura. Agora, é chegada a hora de comentar!

    Cara... Simplesmente sensacional! A dinastia Tudor é uma das que mais me fascina na história da Inglaterra pela complexidade das tramas que surgiram ao melhor estilo "Páris de Troia"; sua escrita, como sempre, é impecável. Eu tenho uma tendência a ADORAR personagens de nome Catarina, já que o nome sempre remete a mulheres poderosas ao longo da história, independente da nação e do contexto.

    Adorei, adorei, adorei! Mal posso esperar para ler o restante!





    Abraço,
    Iridium.

  8. #8
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    ~ III ~
    Rubi de Sangue


    Martin deixou a ala administrativa da Abadia com mais dúvidas do que quando entrara. Catarina seguira seu caminho para o Castelo e ele ficaria para reorganizar a resistência que se formara em Londres. Ana e os demais agora o observavam com olhares de leniência.

    Cinco soldados com armaduras completas aguardavam defronte à mesa principal, onde o mapa pitoresco havia sido desenhado. Todos os cinco prestaram continência a Martin, que não soube exatamente como reagir.

    Ana olhou para o clérigo, aguardando por instruções. Ele pigarreou e engoliu em seco duas vezes. Nunca tinha comandado homens tão organizados.

    — A mudança do horário de turnos é… necessária. Da noite para o dia, como já havíamos conversado — ele pigarreou novamente, desconfortável. Ana assentiu, aceitando. — Troquem isso — ele apontou para as espadas embainhadas dos soldados. — Tem que ser algo feito de prata. Pistolas com pólvoras e balas de prata e lâminas de diamante também funcionam.
    — Já tentamos utilizar armamento de prata e diamante — disse o primeiro dos soldados, muito profissional. — Não os matou.

    Martin sacudiu a cabeça em sinal negativo, ainda desconfortável.

    — A prata não os mata, mas os atrasa — explicou. — Numa situação de combate, ganhar alguns segundos pode ser a diferença entre viver ou morrer.

    O soldado abriu a boca para falar, mas Ana o silenciou com um gesto breve.

    — Façam o que o padre disse.

    Quando os soldados deixaram a Abadia, Ana dirigiu-se a Martin novamente.

    — O que exatamente eles são, padre?

    Martin respirou fundo, tenso.

    — Na Prússia, nós os chamamos de Noturnos, em razão dos hábitos deles. Não morrem por sair na luz do dia, mas ficam preocupantemente vulneráveis, a pele passa a se parecer com o papiro. Aqui, vocês os chamam de…
    — Vampiros — ela completou.

    Ele fez que sim duas vezes com a cabeça, cansado.

    — Vampiros. Alimentam-se de sangue. Alguns deles, civilizados e conscientes, escolhem uma vida de abstenção com relação ao sangue humano. Bebem de animais, nada que chame muito a atenção. Conheci um dessa espécie em Berlim. Chamava-se Franz. Bom homem.

    Ana fez uma careta, como se acreditasse que era impensável considerar um bom homem uma aberração como aquela.

    — De onde vêm?

    Martin franziu os lábios, em dúvida.

    — Sabemos que existe um alfa, o primeiro de todos, aquele que iniciou a transformação da raça, mas não sabemos quem é, de onde veio, se ainda é vivo ou o que o levou a ser o que é. Os vampiros subalternos se referem ao alfa como The Father ou The Fangs. A julgar pelo dialeto, penso ser seguro acreditar que é original da Grã-Bretanha, mas existem relatos que tratam do aparecimento desses seres na Roma e na Grécia, muito antes de Jesus Cristo.

    Ana traduziu rapidamente as informações. The Father, O Pai, ou The Fangs, O Presas. Achava, sinceramente, que o segundo dos apelidos era o mais apropriado, mas não era uma vampira e não sabia qual era o grau de devoção daqueles seres por seu criador, pelo primeiro da linhagem.

    — Outras criaturas se opõem frontalmente aos Noturnos — prosseguiu Martin, reflexivo. — Conheci um licantropo em Amsterdã, nos Países Baixos, que tinha a habilidade de se transformar independentemente das circunstâncias do dia.
    — Um lobisomem?

    Agora, a clériga estava negativamente perplexa. Já considerava situação suficientemente preocupante o fato de que tinha que lidar com uma porção de sanguessugas, e o fato de ainda existiam homens capazes de se transformar em lobos e vice-versa era informação demais para ela.

    — Lobisomens se opõem, metamorfos se opõem, demônios se opõem. Em situações normais, cravo uma bala na cabeça de cada um. Porém, o inimigo do meu inimigo é meu amigo e, neste momento, creio que a epidemia de transformações de seres humanos convencionais em vampiros é o maior dos nossos problemas e, eventualmente, associar-nos a essas outras criaturas pode não ser a pior das ideias.

    Metamorfos, lobisomens e vampiros, pensou Ana, em pânico. Henrique sabe o que faz. Para lidar com a loucura, trouxe-nos um louco.

    — Sugiro uma expedição sob o calçamento, nos esgotos, com um contingente suficiente, para que possamos encontrar o ninho — prosseguiu Martin, olhando para o mapa com meia atenção. — Existem três pontos de exclamação ordenadamente espaçados, somente na parte meridional da cidade. Então, presumo que a casa seja ao sul.

    A mulher torceu a cabeça de lado, confusa.

    — Mas, se as saídas ficam ao norte…
    — Então, é exatamente no sul que estão — respondeu ele, confiante. — Trata-se de um chamariz, sem sombra de dúvidas. Saem por aberturas próximas no norte para desviar a atenção do sul. Ali, têm espaço e sobrevida e, provavelmente, alguns deles caçam para satisfazer o líder do bando.
    — Isso é um absurdo — ela deixou escapar.

    Martin ergueu a cabeça devagar, analisando os traços suaves da mulher. Sorriu por dentro.

    — Absurdo é ser suficientemente ingênuo para achar que somos mais espertos do que eles — agora, ele sorriu por fora. — Essas criaturas vivem séculos, talvez milênios, e muitos deles podem ser centenas de anos mais velhos do que eu ou você. As táticas convencionais estão todas batidas, já conhecem todas. Precisamos inovar.

    O Reverendo Rick apareceu oportunamente, tolhendo as palavras de Ana. A mulher, agora, pensava que o homem de nome Martin Luther era deveras excêntrico, para não falar no egocentrismo. Decidiria, oportunamente, sobre se iria ordenar suas tropas de acordo com as recomendações do clérigo. Não achava, contudo, que a ideia de realizar uma expedição nos esgotos fosse de todo ruim: se havia algo que pudessem fazer para antecipar os passos dos adversários, diante do fato de que sempre estavam atrás deles no quesito estratégia, então era interessante que o fizessem.

    — Creio que tenha compreendido em que nível estamos — disse Rick, coçando o queixo. — Acho que já sabe exatamente por que precisamos do senhor aqui.

    Martin fez que sim uma vez, sentindo algo de peculiar no Reverendo que não estava exatamente à mostra.

    — Já ouvi falar sobre licantropos, demônios, metamorfos, duendes, fadas e outros seres da imaginação — prosseguiu Rick. — Nunca vi nenhum deles. Mas isto… os vampiros, clérigo, são muito reais. Atacam indiscriminadamente e fazem pouca conta de fazê-lo sorrateiramente. Esgueiram-se para dentro e para fora a plena vista. Precisamos de uma atitude positiva.
    — Tomaremos essa atitude, se o exército estiver disposto a cooperar. De outra senda, será impossível pará-los.
    — Meus homens são seus — sentenciou Ana.

    Martin saltou seus olhos do Reverendo Rick para ela.

    — Neste caso, é importante que comecemos a nos movimentar.

    ~ * ~

    O Castelo de Windsor é uma imponente construção iniciada no Século XI, sob o reinado do Rei William I da Inglaterra, de estilo predominantemente vitoriano. Construído como forte de guerra, posteriormente passou a ser utilizado como residência real, abrigando reis como o próprio Henrique VIII e sua família. As porções da construção são muito bem divididas, em Ala Central, Ala Inferior, Ala Superior (onde ficam situados os Apartamentos de Estado), e Jardins e Parques.

    A esposa do rei, Catherine Parr, sempre se dedicava às vistas de fim de tarde, no Cais Norte, junto à Ala Superior do castelo. Ali, com os olhos fixos no Tâmisa, Catherine passava geralmente o por do sol, admirando a natureza criada por Deus e sentindo-se abençoada pelo fato de que, sob a égide do governo de Henrique VIII, a Inglaterra era tão agraciada.

    Sequer piscou quando o criado anunciou a chegada de Catarina de Prússia, a esposa do clérigo Martin Luther. Não tardou para que cadeiras acolchoadas com uma mesa ornamentada fossem colocadas no centro do Cais, onde Catherine se sentou defronte a Catarina, analisando os traços rudes daquela humilde camponesa.

    Por si só, poderia ser um tanto quanto inapropriado que uma mulher de sua grandeza se sentasse diante de alguém de tão pobre espírito, mas Catherine, como uma boa esposa, decidira aquiescer aos instintos do marido. Agora, esforçar-se-ia para ser a melhor anfitriã quanto fosse possível, ao menos enquanto o camponês prussiano dava conta das bestialidades que surgiram na Inglaterra.

    — Chá? — ofereceu, os olhos fixos nos da outra.

    Catarina fez que sim uma vez, as mãos repousadas no colo.

    Dessa vez, foi a oportunidade da prussiana analisar os traços sutis da britânica. Catherine tinha aquele mesmo ar de aristocrática nobreza que Henrique VIII conservava e, assombrosamente, usava vestes com adornos de ouro. Seus cabelos eram compridos e lisos, muito bem cuidados, e seus olhos azuis eram suaves. Os lábios eram cheios, mas finos. E o busto se destacava muito sob o espartilho apertado.

    — Puro, com limão — orientou Catarina, baixando os olhos.

    O criado do castelo abasteceu sua xícara rapidamente, acrescentando o limão. A de Catherine foi completada com duas colheres fartas de mel. Atendendo ao sinal da mulher do rei, o criado as deixou a sós.

    — Seu marido é um homem de muita coragem — disse, bebericando seu chá com cuidado. — Enfrentar essas criaturas não é tarefa fácil.
    Catarina deu de ombros, espelhando o movimento da rainha. Seus olhos se desviaram dos peitos de Catherine, para onde olhava indecentemente, sentindo fervilhar dentro de si um misto de admiração, abominação e inveja.

    — A Igreja Anglicana é… peculiar.

    Catherine ergueu os olhos, as sobrancelhas perfeitas arqueadas.

    — Em que sentido?
    — Francamente, Majestade — Catarina pousou sua xícara no pires. — Mulheres no comando, frades em abstinência, a subsunção do exército… tudo me parece avançado demais.

    A rainha sorriu, revelando seus perfeitos e brancos dentes. Seus olhos acompanhavam seu sorriso.

    — Entendo a sua preocupação, milady — ela também desceu sua xícara. — E compreendo os motivos que a levam a tê-las.

    Catarina torceu o nariz, contrariada.

    — O apóstolo Paulo…
    — O apóstolo Paulo era machista, misógeno, xenófobo e ultrarradical.

    A mulher de Martin Luther ergueu a cabeça de uma só vez, estalando o pescoço. Seus olhos se arregalaram. Em face da Reforma Protestante, atentar contra Paulo era o mesmo que blasfemar o Espírito Santo.

    — Como ousa…
    — Contra fatos inexistem argumentos — Catherine respirou fundo, os olhos fixos no horizonte. — Um velho sábio, certa feita, sugeriu que nós tivéssemos a possibilidade de abrir nossas mentes. Do exercício, somente existe um derivado: o de que as escrituras foram feitas para satisfazer as pessoas de cada época, e assim devem ser interpretadas. Compreendo sua crença, porém, enquanto estiver na Grã-Bretanha, minha recomendação é de que a senhorita e sua família respeitem o anglicanismo. É assim que fazemos, em nossa mais profunda convicção, é lutar contra isso é fulcral perda de tempo.

    Catarina bufou, sem palavras. Sentia-se como se estivesse adentrando a própria sala do trono de Satanás. Pensando bem, não é tão diferente.
    Última edição por Neal Caffrey; 16-10-2017 às 22:58. Razão: Ajustes de formatação
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