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Tópico: Anarco capitalismo

  1. #41
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    Citação Postado originalmente por Bob Joe Ver Post
    O complicado nesse raciocínio aí é esse pulo Deus >> Cristianismo. É um leap of faith, literalmente. Nem o William Lane Craig consegue manter o mesmo nível lógico de argumentação quanto tenta fazer essa ponte.
    Existem 2 maneiras lógicas de encontrar Deus:
    1 - O homem consegue chegar a Deus, através de alguma maneira (Através da formalização de alguma metodologia, por exemplo).
    2 - Deus se revela ao homem e demonstra sua plenitude.

    No caso, nós nunca encontramos, explicitamente, uma maneira de encontrar Deus. Pelo menos não da maneira científica, não temos uma metodologia tal para descrever esse tipo de experimento (apesar de eu crer que a bíblia é essa metodologia, mas ela é uma metodoligia revelada por Deus e não pelo homem).

    Nos resta então crer que Deus irá se revelar de alguma forma para nós, de tal maneira que fique evidente a constatação por si só.
    Eu gosto da frase do Santo Agostinho que diz: "Eu creio para entender e entendo para crer", dento das limitações racionais que a gente tem, o mais lógico pra mim é crer no cristianismo, que mostra que temos um Deus pleno e que toda a existência possui um significado, sendo ela completamente justa e lógica. E esse raciocínio pode-se extender pra qualquer conhecimento racional adquirido pelo homem, pois se algo é ilógico ele é descartado da nossa consciência instantaneamente. Obviamente, se eu não acreditasse em nada, ou em Deuses de outras religiões, eu estaria sendo ilógico e não iria sustentar meu raciocínio nunca, pois não haveria pressupostos iniciais que não contradizeriam meu próprio argumento.

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  2. #42
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    Citação Postado originalmente por My on easy Ver Post
    Existem 2 maneiras lógicas de encontrar Deus:
    1 - O homem consegue chegar a Deus, através de alguma maneira (Através da formalização de alguma metodologia, por exemplo).
    2 - Deus se revela ao homem e demonstra sua plenitude.

    No caso, nós nunca encontramos, explicitamente, uma maneira de encontrar Deus. Pelo menos não da maneira científica, não temos uma metodologia tal para descrever esse tipo de experimento (apesar de eu crer que a bíblia é essa metodologia, mas ela é uma metodoligia revelada por Deus e não pelo homem).

    Nos resta então crer que Deus irá se revelar de alguma forma para nós, de tal maneira que fique evidente a constatação por si só.
    Eu gosto da frase do Santo Agostinho que diz: "Eu creio para entender e entendo para crer", dento das limitações racionais que a gente tem, o mais lógico pra mim é crer no cristianismo, que mostra que temos um Deus pleno e que toda a existência possui um significado, sendo ela completamente justa e lógica. E esse raciocínio pode-se extender pra qualquer conhecimento racional adquirido pelo homem, pois se algo é ilógico ele é descartado da nossa consciência instantaneamente. Obviamente, se eu não acreditasse em nada, ou em Deuses de outras religiões, eu estaria sendo ilógico e não iria sustentar meu raciocínio nunca, pois não haveria pressupostos iniciais que não contradizeriam meu próprio argumento.
    Se ele não se revela, necessariamente não quer dizer que não exista porém consigo sustentar a existência de qualquer entidade.
    "Why are you wearing that stupid man suit?"


    [away]

  3. #43
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    Citação Postado originalmente por Gëik Ver Post
    Se ele não se revela, necessariamente não quer dizer que não exista porém consigo sustentar a existência de qualquer entidade.
    Se eu me neutralizasse o máximo das minhas crenças o mais longe que eu conseguiria ir seria:

    Se ele não se revela e não há metodologia para encontrar a Deus por empirismo, não há como sustentar num debate "científico" que ele não existe, tampouco se divindade X ou Y existe . Entretanto se tu quiseres viver racionalmente e organizar os teus pensamentos, tu precisa da lógica (fundamentalmente a lógica clássica), e sem Deus a lógica é relativística, pois Deus (Aqui no sentido metafísico como engrenagem-mor do universo), é a maneira como a natureza se comporta, portanto ele é o pressuposto inicial filosófico de toda a epistemologia científica.

    Existe uma cadeia de argumentos (regressivos) gigantesca em que explica o porquê de qualquer afirmação feita pelo homem "Ex: Estou no tibiabr postando algo" não ser exata e poder ser relativística caso Deus seja negado. Acreditar num Deus lógico é só um step ahead depois de acreditar que existe uma engrenagem-mor que cria, controla e mantém o universo. Ora, se Deus não existe o universo é caótico, relativístico, difuso e tudo é obra do acaso, como não possuo crença suficiente a ponto de acreditar nisso, ou acreditar que exista qualquer outra teoria que seria mais perfeita que Deus (por ser substancialmente ilógico), eu acredito em Deus, e como eu já disse, o Deus cristão acaba satisfazendo todas essas nuânces.
    Última edição por My on easy; 08-05-2017 às 18:35.




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  4. #44
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    Eu confesso que conheço muito pouco sobre o assunto deste tópico, por isso já peço desculpas pela ignorância desde já (sou de exatas hehe).

    Acontece que eu sempre fui o exemplo de pessoa completamente contrária à qualquer tipo de sistema político baseado na anarquia (mesmo sem estudar profundamente sobre o assunto). Eu li toda a discussão nesse tópico e apesar de concordar com o ponto de que quanto menos estado melhor, os resultados de um país completamente coletivista, sem estado, ainda me assustam pelos seguintes motivos à seguir:

    1 - Em uma nação onde a união das pessoas deve ser decidida pelas mesmas em um consenço, o que garantiria que em um momento onde a soberania do país fosse comprometida, por exemplo, haveria uma união em prol do país sem interesses conflitantes?

    2- Como funcionariam as áreas de saúde, segurança, saneamento, educação e tantas outras, que hoje, são reguladas e funcionam com impostos administrados pelo estado? Teríamos direito à esses serviços básicos em um regime anarcocapitalista?

    3- Existiria algum tipo de sistema legislativo? Como ele funcionaria?

    4- Como seriam administrados os espaços públicos como calçadas e parques, e como seria feita a manutenção e construção de estradas, pontes, ou qualquer outro tipo de obra que hoje seria realizada pelo estado, por exemplo?

    Esses pontos todos me resumem a uma grande dúvida que eu tenho sobre esse sistema, que é o apelo pelo coletivismo. Eu não consigo "botar fé" em um regime que depende da união das pessoas por boa vontade em prol de uma causa, porque nós, como pessoas, já provamos através da história que o interesse é quem governa o próprio governo.

    Por favor, se eu estiver errado (e acredito que esteja mesmo) me corrijam.
    Bendito seja o riff da guitarra, que quebra a rotina e incita a revolução.
    Bendita seja a voz rasgada, que derruba a tristeza e levanta a multidão.
    Bendita seja a batida enfurecida, que faz da bateria alma e coração.
    Bendita seja a locomotiva incansável, que pelas linhas do baixo nos guia até o fim da canção.

  5. #45
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    Citação Postado originalmente por Guigzzt Ver Post
    1 - Em uma nação onde a união das pessoas deve ser decidida pelas mesmas em um consenço, o que garantiria que em um momento onde a soberania do país fosse comprometida, por exemplo, haveria uma união em prol do país sem interesses conflitantes?
    Não faz muito sentido uma ideia de nacionalismo no anarcocapitalismo, ou uma ideia de união ou re-patriação de terras "públicas" caso elas estejam sendo ameaçadas. Há o conceito de agressão, se por exemplo uma empresa poluidora decide invadir a amazônia, e comunidades próximas irão ser agredidas tendo suas terras intoxicadas e o sistema de recursos hídricos também, o procedimento é entrar na justiça e cobrar indenização e remoção coercitiva da empresa do local.


    Citação Postado originalmente por Guigzzt Ver Post
    2- Como funcionariam as áreas de saúde, segurança, saneamento, educação e tantas outras, que hoje, são reguladas e funcionam com impostos administrados pelo estado? Teríamos direito à esses serviços básicos em um regime anarcocapitalista?
    "Direito" é um ponto delicado no ancap, existem direitos fundamentais: "Direito à vida e à propriedade privada", e só. Não faz sentido criar "direito de décimo terceiro", "direito de educação", etc.

    A fundamentação lógica sobre isso é que para que existam outros direitos fora os dois mencionados acima, eles precisam necessáriamente ser violados. Ou seja, para ter direito a educação, alguém tem que pagar esse serviço, e esse dinheiro será removido coercitivamente do contribuinte, portanto ferindo o direito à propriedade privada de gerir meu dinheiro da forma que eu quiser, uma vez que imposto não é opcional.

    Teoricamente teríamos todos esses serviços no ancap, e eles provavelmente seriam muito mais baratos dado a oferta/demanda e a concorrencia entre setores. Muito provavelmente um assalariado que ganhasse 1000 reais por mês no Brasil teria acesso a segurança, plano de saúde, alimentação e transporte caso não tivesse que pagar imposto e não houvesse monopólio de mercado estatal.

    Citação Postado originalmente por Guigzzt Ver Post
    3- Existiria algum tipo de sistema legislativo? Como ele funcionaria?
    Pode existir, desde que seja dentro de terras privadas. Supondo que eu compre o Acre, como minha propriedade privada eu tenho o direito de fazer o que quiser com ela, inclusive criar minhas próprias leis para regulamentar as relações entre indivíduos que moram dentro da minha propriedade. Obviamente as pessoas decidem ou não se vão morar no acre seguindo minhas regras ou iriam para outra região que fosse mais conveniente à elas.

    Estender a legislação para fora da propriedade privada, ou impô-la não faz sentido também, já que fere a propriedade privada.

    Citação Postado originalmente por Guigzzt Ver Post
    4- Como seriam administrados os espaços públicos como calçadas e parques, e como seria feita a manutenção e construção de estradas, pontes, ou qualquer outro tipo de obra que hoje seria realizada pelo estado, por exemplo?
    Seria realizado pela iniciativa privada:

    Moradores constroem com R$ 5.000 ponte orçada em R$ 270 mil no RJ

    Cansados de esperar pela Prefeitura de Poço Dantas-PB moradores constroem estrada por conta própria em regime de mutirão

    Sem previsão para obra, moradores constroem desvio em rodovia do RS


    Cansados de esperar pelo estado, agricultores constroem 33 kms de estrada privada


    Belo e moral.

    Citação Postado originalmente por Guigzzt Ver Post
    Esses pontos todos me resumem a uma grande dúvida que eu tenho sobre esse sistema, que é o apelo pelo coletivismo. Eu não consigo "botar fé" em um regime que depende da união das pessoas por boa vontade em prol de uma causa, porque nós, como pessoas, já provamos através da história que o interesse é quem governa o próprio governo.

    Aí é que te enganas, não é a união das pessoas pelo bem maior. É a troca de relações entre individuos que buscam satisfazer suas próprias necessidades pessoais que culminam numa negociação boa para ambos os lados. Ele funciona justamente por causa da individualidade humana, e não da necessidade de coletivismo.









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  6. #46
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    Cara, você me clareou muito as ideias sobre o assunto, realmente eu tinha uma abordagem errada sobre esse sistema.


    Citação Postado originalmente por My on easy Ver Post
    Não faz muito sentido uma ideia de nacionalismo no anarcocapitalismo, ou uma ideia de união ou re-patriação de terras "públicas" caso elas estejam sendo ameaçadas. Há o conceito de agressão, se por exemplo uma empresa poluidora decide invadir a amazônia, e comunidades próximas irão ser agredidas tendo suas terras intoxicadas e o sistema de recursos hídricos também, o procedimento é entrar na justiça e cobrar indenização e remoção coercitiva da empresa do local.
    Eu não tinha esse entendimento de que o país anarcocapitalista seria completamente dividido entre propriedades privadas individuais e deixaria de ser uma nação por si só. Mesmo assim, ao meu ver isso torna ainda mais complicada a migração para um sistema político desses atualmente, tendo em vista a inimizade da maioria dos países no mundo com regimes de esquerda.

    Citação Postado originalmente por My on easy Ver Post
    Pode existir, desde que seja dentro de terras privadas. Supondo que eu compre o Acre, como minha propriedade privada eu tenho o direito de fazer o que quiser com ela, inclusive criar minhas próprias leis para regulamentar as relações entre indivíduos que moram dentro da minha propriedade. Obviamente as pessoas decidem ou não se vão morar no acre seguindo minhas regras ou iriam para outra região que fosse mais conveniente à elas.

    Estender a legislação para fora da propriedade privada, ou impô-la não faz sentido também, já que fere a propriedade privada.
    Entendi esse ponto. Entretanto, esse sistema de legislação não seria nada mais do que o dono da terra dizendo o que você pode ou não fazer. Isso não passa uma segurança de que estando no "Acre" eu vou receber um salário e poder ir e vir conforme minha própria vontade, já que o dono da propriedade vai citar as regras. Esse sistema nos coloca praticamente na mesma posição dos escravos lá no século XVI. É uma comparação um pouco exorbitante sim, mas o que eu quero dizer é que sem um mediador nas relações entre as duas partes (que seria o estado através da justiça), o dono da terra vai mandar e desmandar como bem quiser, pelo o que entendi.
    Bendito seja o riff da guitarra, que quebra a rotina e incita a revolução.
    Bendita seja a voz rasgada, que derruba a tristeza e levanta a multidão.
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  7. #47
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    Citação Postado originalmente por Guigzzt Ver Post

    Eu não tinha esse entendimento de que o país anarcocapitalista seria completamente dividido entre propriedades privadas individuais e deixaria de ser uma nação por si só. Mesmo assim, ao meu ver isso torna ainda mais complicada a migração para um sistema político desses atualmente, tendo em vista a inimizade da maioria dos países no mundo com regimes de esquerda.
    Sim e não. Isso é muito relativo.
    Tudo que um país vizinho gostaria de fazer é manter relações comerciais diretamente com o produtor dos recursos que ele tem interesse em comprar sem ter que obrigatoriamente pagar um mediador para "garantir" o translado da mercadoria. Nesse caso o mediador é o estado, que basicamente pega o dinheiro do intermédio sem fazer nada (é como um grande sindicato).

    Claro que Venezuela e Cuba não gostariam disso, já que a grana do intermédio que o estado brasileiro ganha, é transferido em investimentos nesses países como "acordos de aliança internacionais", e quem detem o comando gosta desses privilégios.
    Em contra partida outros países já muito bem estabelecidos economicamente e com liberadade de mercado como US e Europa iriam adorar negociar com esses territórios.


    Citação Postado originalmente por Guigzzt Ver Post
    Entendi esse ponto. Entretanto, esse sistema de legislação não seria nada mais do que o dono da terra dizendo o que você pode ou não fazer. Isso não passa uma segurança de que estando no "Acre" eu vou receber um salário e poder ir e vir conforme minha própria vontade, já que o dono da propriedade vai citar as regras. Esse sistema nos coloca praticamente na mesma posição dos escravos lá no século XVI. É uma comparação um pouco exorbitante sim, mas o que eu quero dizer é que sem um mediador nas relações entre as duas partes (que seria o estado através da justiça), o dono da terra vai mandar e desmandar como bem quiser, pelo o que entendi.
    O Acre é um território hipotético, muito provavelmente não existiriam territórios privados desse tamanho.
    Mas mesmo assim, supondo que o dono do Acre imponha legislações tais que praticamente escravizam as pessoas e ferem suas propriedades privadas, as pessoas em primeiro lugar não iriam para o Acre, e mesmo que fossem elas poderiam mudar para o estado "concorrente", que possui uma qualidade de vida melhor.

    Um fator importante é que o dono do Acre muito provavelmente vai querer dinheiro, vai querer ser rico para manter sua terra. Então ele vai estar preocupado em tratar da melhor forma os individuos que vivem no acre de tal forma que ele extraia o máximo de lucro deles sem que essas pessoas queiram sair da sua terra e ir trabalhar e gerar recursos noutro território privado. E essa maneira é tendo uma gestão eficiente e atrativa de recursos, talvez seja até do interesse dele construir estradas e fazer loteamentos de terra de aluguel para que as pessoas vejam com bons olhos a ida para o acre e tenham uma perspectiva de futuro e estabilidade.

    Caso ele não adote essa postura, ninguém em sã consciência iria querer ir pra lá e ele teria um punhado de terra que não serve para nada.




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  8. #48
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    Citação Postado originalmente por My on easy Ver Post
    O Acre é um território hipotético, muito provavelmente não existiriam territórios privados desse tamanho.
    Mas mesmo assim, supondo que o dono do Acre imponha legislações tais que praticamente escravizam as pessoas e ferem suas propriedades privadas, as pessoas em primeiro lugar não iriam para o Acre, e mesmo que fossem elas poderiam mudar para o estado "concorrente", que possui uma qualidade de vida melhor.

    Um fator importante é que o dono do Acre muito provavelmente vai querer dinheiro, vai querer ser rico para manter sua terra. Então ele vai estar preocupado em tratar da melhor forma os individuos que vivem no acre de tal forma que ele extraia o máximo de lucro deles sem que essas pessoas queiram sair da sua terra e ir trabalhar e gerar recursos noutro território privado. E essa maneira é tendo uma gestão eficiente e atrativa de recursos, talvez seja até do interesse dele construir estradas e fazer loteamentos de terra de aluguel para que as pessoas vejam com bons olhos a ida para o acre e tenham uma perspectiva de futuro e estabilidade.

    Caso ele não adote essa postura, ninguém em sã consciência iria querer ir pra lá e ele teria um punhado de terra que não serve para nada.
    Ressalvadas possíveis ignorâncias da minha parte, você não acabou de descrever algo mais ou menos análogo a um Estado contemporâneo?

    O que me pareceu aí é que você basicamente disse que o dono do território Acre poderia fazer o que quisesse com as suas terras e exigir o que quisesse dos moradores de lá, tendo como defesa o argumento de que " se não gostou, vai pra outra terra, você não é obrigado a ficar aqui". Mas atualmente, salvo exceções pontuais, qualquer um pode (em tese) deixar o Estado em que se encontra e procurar outro lugar, se não concordar com as práticas daquela terra e desde que tenha recursos para tanto. O problema é que o mundo inteiro é cheio de Estados, e não tem como o cara simplesmente ir para alguma região onde ele possa fazer o que quiser sem ter sua liberdade coercitivamente restringida.

    O problema é que, do modo como vejo, isso pode facilmente também acontecer em um mundo tomado pelo anarcocapitalismo. Você teria várias regiões, talvez menores do que os Estados atuais mas ainda assim controladas por alguém que dita as regras daquele espaço, e um pé de chinelo que nascesse naquele meio não teria muitas opções senão eventualmente se assentar em uma dessas regiões e "concordar" em seguir as regras daquele lugar, mesmo que não goste muito delas.

    Meu maior problema com o ancap é esse. Do modo como vejo, esse sistema facilmente possibilitaria o ressurgimento de um panorama semelhante ao atual. Só porque o nome seria diferente, não quer dizer que o anarcocapitalismo não iria eventualmente decair em um bando de Estados, só que dessa vez sendo chamados de "propriedades privadas" e, portanto, belos e morais.
    “The big questions are really the only ones worth considering, and colossal nerve has always been a prerequisite for such consideration”.
    - Alfred W. Crosby

  9. #49
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    Citação Postado originalmente por Gabriellk~ Ver Post
    Ressalvadas possíveis ignorâncias da minha parte, você não acabou de descrever algo mais ou menos análogo a um Estado contemporâneo?

    O que me pareceu aí é que você basicamente disse que o dono do território Acre poderia fazer o que quisesse com as suas terras e exigir o que quisesse dos moradores de lá, tendo como defesa o argumento de que " se não gostou, vai pra outra terra, você não é obrigado a ficar aqui". Mas atualmente, salvo exceções pontuais, qualquer um pode (em tese) deixar o Estado em que se encontra e procurar outro lugar, se não concordar com as práticas daquela terra e desde que tenha recursos para tanto. O problema é que o mundo inteiro é cheio de Estados, e não tem como o cara simplesmente ir para alguma região onde ele possa fazer o que quiser sem ter sua liberdade coercitivamente restringida.

    O problema é que, do modo como vejo, isso pode facilmente também acontecer em um mundo tomado pelo anarcocapitalismo. Você teria várias regiões, talvez menores do que os Estados atuais mas ainda assim controladas por alguém que dita as regras daquele espaço, e um pé de chinelo que nascesse naquele meio não teria muitas opções senão eventualmente se assentar em uma dessas regiões e "concordar" em seguir as regras daquele lugar, mesmo que não goste muito delas.

    Meu maior problema com o ancap é esse. Do modo como vejo, esse sistema facilmente possibilitaria o ressurgimento de um panorama semelhante ao atual. Só porque o nome seria diferente, não quer dizer que o anarcocapitalismo não iria eventualmente decair em um bando de Estados, só que dessa vez sendo chamados de "propriedades privadas" e, portanto, belos e morais.
    Bom post.

    O que muito provavelmente aconteceria em estados pacíficos (diferente do estado do dono do acre que quer escravizar as pessoas) é uma formação de lei da seguinte forma:

    1 - O indivíduo que se apropriará de algo que não tinha dono até então, torna-se o proprietário exclusivo desse bem (Já que como ele não entrou em conflito com ninguém, pois as outras pessoas só entraram na cena posteriormente)

    2 - O indivíduo que produz usando seu corpo ou os seus bens dos quais se apropriou originalmente, torna-se o proprietário legítimo do produto de seu trabalho (Caso ele não tenha danificado propriedades de terceiros)

    3 - O indivíduo que adquire um bem de outro proprietário por meio de uma troca voluntária, torna-se o novo proprietário desse bem


    Isso é o que essencialmente ocorre em trocas internacionais, nas chamadas "anarquias jurídicas", quando um país precisa negociar com outros países ele não dispõe de um "estado mundial" para regulamentar sua troca, ele consulta sua jurisdição interna, e os outros países consultam as respectivas jurisdições internas, de seus países, se houver acordo ok, se não uma justiça terceirizada é estabelecida para firmar o acordo em que todos saiam felizes.


    E na verdade, se pensa justamente o contrário, primeiro é necessário quebrar o estado em mini-estadinhos, por exemplo fazer uma separação de determinadas regiões, para então instalar-se um ancap, e não que o ancap iria construir os estados pequenos.

    E a lógica quanto a isso é de que a concorrência ou o agredido iria processar os indivíduos que estivessem agindo como estado em suas terras, pois necessariamente eles estariam violando direitos individuais e violando propriedades de outras pessoas para instaurar um estado interno. Ou seja, na medida que eles crescem para se tornar um estado, eles estariam sendo processados e devolvendo suas propriedades roubadas e diminuindo seu tamanho também, ficando reduzidos até que suas propriedades sejam extinguidas.




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  10. #50
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    O primeiro ponto que a maioria das pessoas concordam a princípio é de que o estado é um agressor e que imposto é roubo. Isso porque você não escolhe fazer parte do Estado e não concorda em pagar impostos, apenas paga impostos pra não ser preso ou morto caso tente reagir.
    Sempre achei que essa pergunta nunca poderia ser respondida com Filosofia, com fundamentos do Contratualismo ou qualquer estudo que racionalize demais. Acho que essa é uma pergunta a ser respondida pela Antropologia.

    Quem já leu história da humanidade, fazer uma "sociedade" é algo quase instintivo do ser humano, pois é uma forma de se proteger contra os males do mundo exterior. A partir dessa noção antropológica (coisa que ninguém considera quando vai cavar a fundo a formação de certas coisas na humanidade) evoluímos para a noção de que viver em sociedade requer um respeito a certos direitos para que seja viável. Acho estranho o argumento do anarcocapitalismo de que "quando você nasce, não assina contrato social nenhum, então qual a legitimidade do Estado?". Ora, eu sinceramente acho que a legitimidade está na própria condição humana que tem essa tendência. Todas as sociedades, até mesmo aquelas isoladas pelo mar milhares de anos atrás para serem re-descobertas novamente por uma Europa mais avançada, se desenvolviam numa espécie de sociedade que continha direitos e deveres para que aquela reunião de pessoas se tornasse viável.
    Tendo em base nisso, acho que o anarcocapitalismo nesse aspecto é de um racionalismo exagerado, sem considerar o aspecto humano mais instintivo. Não estou dizendo que não funcionaria. Qualquer modelo de sociedade, quando respeitado, deve funcionar (até mesmo o socialismo). O que se deve considerar é se funcionaria de fato e eu acho que não. Quem legitima a Justiça, por exemplo? Se não há um Estado maior, uma Lei maior, onde estará a legitimidade de uma privatização da justiça? Se existir uma legitimidade atribuída pelo coletivo, devo supor que há sim uma sociedade. Acho confuso, mas vamos lá... é bom ter esse tipo de discussão.

    Várias dessas discussões, também, se devem ao fato de que hoje direita e esquerda, conservador e liberal, são erroneamente taxados. Fazem sempre as mesmas perguntas para qualificar, quando na verdade essas coisas são bem misturadas hoje em dia. Eu, por exemplo, não sou a favor da legalização das drogas, ao mesmo tempo que sou a favor do aborto. Sou a favor do liberalismo econômico, ao mesmo tempo que não descarto direitos sociais para manter igualdade. As pessoas costumam pescar uma resposta sua e arremessar ela para o "extremismo" de uma vertente, só porque você está falando algo diferente do dela. Bolsonaro, se fosse usuário do fórum, falaria muito bem a respeito disso tudo.

    Outro detalhe é que essas vertentes surgem na presença de Estados fracos. Todo mundo hoje em dia corre atrás de uma "salvação da lavoura", algo novo para dar solucionar tudo, mas às vezes a salvação está em simplesmente fazer direito o que você já tem. Organizar a casa.

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    Última edição por Mestre Shake; 11-05-2017 às 12:52.



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