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Tópico: Jason Walker e a Relíquia do Tempo

  1. #31
    Avatar de Neal Caffrey
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    CAPÍTULO 11 – EPIFANIA


    Jason e Leonard caminhavam mais próximos um do outro, havendo pouca ou nenhuma oposição no caminho, conforme venciam a distância. O cavaleiro estava totalmente focado na missão, mas não ignorou a inércia de Leonard no combate anterior. Teria de interpelá-lo.

    — O que houve lá atrás? – perguntou, os olhos fixos no corredor.

    Leonard olhou para ele, inquisitivo.

    — Parado, inerte, não ingressou na luta, quero saber o que houve.

    O arqueiro deu de ombros.

    — Travei.

    Jason quase interrompeu a passada, surpreso.

    — Travou? Você nunca trava.
    — Escute, havia algo em Apocalypse, tá legal? – ele parecia desabafar. – Não nego que fiquei ligeiramente incomodado com o fato de que Melany fora destacada para ser torturada por ela. Não existe vergonha alguma em temê-la, se quer saber a verdade.

    Antes que o amigo pudesse responder, Leonard pendeu a cabeça delicadamente para o lado, como se estivesse ouvindo uma voz distante.

    O arqueiro parou no meio do caminho, fazendo com que Svan, distraído, chocasse-se contra ele. O capitão resmungou alguma coisa, massageando a testa. Leonard manteve-se estacado, os olhos ligeiramente arregalados e as pupilas contraídas.

    — Leo? – chamou John, atento.
    — Mate o comandante… assuma seu lugar – murmurou o arqueiro.

    Heloise fez um sinal vago como quem dissesse “endoidou”, mas o incandescente não enviesou a discussão naquele sentido. Pelo contrário. Sentia que, aos poucos, suas maiores suspeitas iam se confirmando.

    Segundo informações de Dean, Cain era o primeiro comandante de Lúcifer naquela época. O demônio fora libertado tão logo o Anjo Caído deixara a própria cela, no mesmo dia ou um dia após. Parecia por demais evidente que um deles não trabalharia sem o outro. Embora ambos fossem absolutamente duros separados, juntos eram praticamente imbatíveis.

    John sabia que Leonard Saint chegara a Carlin num estado de quase morte, muitos anos antes, após ser atacado por um grupo de mercenários no caminho entre Venore e a metrópole de Heloise. No entanto, o incandescente sempre achara que algo naquela história simplesmente não se encaixava. Leonard era jovem demais para realizar um deslocamento daquela natureza sem correr alguns riscos no caminho.

    Naquele tempo, Ryan Walker deixara John suficientemente a par de algumas informações para que ele chegasse a algumas conclusões. Não achava que o fato de Lúcifer ter estabelecido seu altar no fundo do vulcão de Goroma e ter destruído Morgaroth com essa exclusiva intenção era coincidência. Não.

    O capitão Jack Fate fora um cartomante competente em vida, que conseguia transitar entre os mundos físico e sensível com facilidade tal que se tornara um verdadeiro profeta. Algumas horas antes, quando sentenciara a Leonard a missão de matar o comandante e assumir o seu lugar, a situação parecia estranha, por assim dizer. Mas, agora, John acreditava que essa situação poderia ser qualquer coisa, menos estranha.

    Leonard Saint era o Arqueiro de Crunor, e disso todos os anjos e incandescentes sabiam, desde sempre. O que não encaixava era o fato de que cada Arqueiro de Crunor, de cada geração, tinha seu nome passado de guarnição para guarnição nos céus como uma espécie de roteador automático. Essas mensagens ficavam gravadas nas cabeças dos incandescentes. Somente pode haver um Arqueiro de Crunor vivo por época, e todos os anjos conheciam o nome de cada um deles até o fim da eternidade. Era uma configuração de fábrica de cada incandescente, por assim dizer.

    O primeiro dos Arqueiros de Crunor fora Abel, que fora assassinado pelo irmão Cain. Assim, não era um absurdo pensar que todos os arqueiros posteriores eram seus descendentes diretos. O único problema era que Abel não deixara descendentes antes de ser assassinado. E o nome “Leonard Saint” não constava dos registros mentais dos anjos e incandescentes. O nome da época era outro.

    Essa circunstância deixava espaço para somente uma conclusão possível.

    Quando John finalmente foi arrancado de seus devaneios, o grupo já se achava diante de um imenso portal, no topo de uma plataforma que se sustentava por alguns pilares encravados toscamente no chão de pedra. Não havia ninguém ali.

    — É a entrada para o palácio? – perguntou Jason, analisando a esfera com cuidado.

    John fez que sim, os olhos ainda fixos em Leonard.

    — Existe uma antessala ampla em que todos os demônios devem estar lotados. A sala de Lúcifer encontra-se no fim do vulcão, em sua base.

    Jason não aguardou e passou pelo portal, pegando os amigos de surpresa. Após, e muito depressa, cada um deles tocou a esfera e também foi transportado dali.

    Achavam-se agora diante de uma imensa clareira aberta no coração do vulcão. Não muito distante dali, ouviam a lava borbulhar, ansiando pela libertação. Aquele procedimento tinha que ser rápido. Não podiam se prolongar. Havia um corredor no sentido sul e outros dois, um no sentido leste e outro, oeste.

    Imediatamente, o cavaleiro estranhou de sobremaneira a falta de oposição. Onde estão nossos adversários?

    — Temos que avançar no sentido sul – orientou John, apontando para a frente com o dedo indicador. – A sala fica adiante.

    Os amigos passaram a caminhar, todos de arma em punho, atentos a qualquer movimento, mas simplesmente não havia nenhum. À frente, a clareira afunilava-se em uma passagem estreita, que culminava numa sucessão de escadarias no sentido descendente. Conforme avançavam, o calor e a iluminação tornavam-se mais intensos.

    Devagar, todos os cinco começaram a descer as escadas, o som de seus passos ecoando adiante, como se estivessem diante de uma imensa sala vazia. Finalmente, chegaram a uma porta de madeira simples, que Jason empurrou de qualquer jeito.

    Ali, um imenso tapete vermelho e bem cuidado estendia-se para a frente até um trono negro com acolchoamento vermelho. Archotes de mármore estavam fixados por todo o trajeto até o final. A sala era comprida, mas não muito larga. A Relíquia do Tempo, uma pedra irregular que brilhava como o sol, refulgia suspensa no ar sobre o trono.

    Não estavam sozinhos, no entanto. Adiante, um homem forte, de meia idade, segurando um punhal simples e gasto, encarava-os com relativo interesse. Tinha cabelos médios e barba cheia, tudo muito branco. Seus olhos eram muito azuis e refletiam a luz dos archotes.

    — Cain – disse John, um pouco temeroso.
    — Vocês chegaram… longe demais – disse ele, seus olhos fixos em Leonard, que parecia nervoso com a presença dele, mais do que com a de Apocalypse. – A caminhada foi longa, é claro, mas prometo não destrui-los, somente atrasá-los. Lúcifer estará aqui em breve. A barricada dos arcanjos não sobreviverá por muito tempo.

    De repente, um fantasma surgiu entre Cain e o grupo, trazendo a amazona Melany consigo. Era Jack Fate.

    A amazona venceu a distância até o grupo e se posicionou junto deles, o arco já equipado e preparado. Jason sorriu para ela, tenso, e ela devolveu-lhe o sorriso.

    — Tomou uma decisão – observou Cain.
    — Agradeçamos ao nosso visionário – ela apontou para o fantasma.

    Jack Fate girou totalmente no lugar e encarou Leonard.

    — Arqueiro de Crunor – disse, com um meio sorriso. – Sabe o que fazer.
    — Mate o comandante, assuma seu lugar – disse Leonard, finalmente compreendendo.
    — Precisamente.

    O capitão desapareceu.

    Os amigos não tardaram a se distribuir igualmente entre Cain e a saída. Da forma como lutavam juntos, a sintonia era simplesmente inderrogável. Aquele grupo de seis combatentes, junto, era quase invencível. Mas Cain pouco ligou para eles, porque seu foco estava totalmente voltado para Leonard, para quem olhava com um misto de rancor e admiração.

    — “Mate o comandante, assuma seu lugar”?

    Leonard sacou uma flecha, equipou-a e disparou-a na direção de Cain. O demônio somente tombou a cabeça de lado, desviando-se do projétil por milímetros. Ao endireitar a cabeça novamente, finalmente sorriu.

    — Abel? – perguntou, parecendo emocionado.

    John engoliu em seco. Não era o momento mais apropriado para discutir a verdadeira identidade de Leonard. Jason e os outros também olharam para Leonard num rompante, surpresos.

    — Sou a reencarnação de Abel, um homem do Senhor, forjado para defender os interesses do Paraíso e da humanidade – Leonard sentenciou.

    A determinação do arqueiro era palatável. Mas, se aquilo era verdade, não poderiam todos combater Cain. A discussão ficaria entre o primeiro assassino da história e a reencarnação de seu irmão.

    — Jesus nos ensinou a dar a outra face – Cain comentou, sarcástico.
    — Isso é muito fácil de se resolver. Enfio uma flecha no seu rabo e, após, você me oferece a outra face, e cravo uma delas também na sua cabeça. O que acha da proposta?

    Cain arqueou as sobrancelhas, ao mesmo tempo surpreso e admirado.

    — Não queria matá-lo, irmão – disse. John ficou igualmente surpreso com o quão sarcástico aquele demônio poderia ser. – Aguardei por uma eternidade para ter a oportunidade de lhe dizer isso. Junte-se a mim. Vamos lutar. Juntos. Lado a lado. Somos iguais, somos…

    Leonard baixou o arco por meio segundo e ergueu-o novamente.

    — Não somos nem remotamente parecidos.

    John aproximou-se do arqueiro devagar.

    — Leonard, não quero ser insistente, mas precisamos agilizar isso. A cada segundo que passa, nossas chances se reduzem.

    O arqueiro passou a sacar uma sucessão de flechas e dispará-las na direção de Cain, que foi pego de surpresa com os movimentos de Leonard. Aqui e ali, flechas atingiram o demônio de raspão, abrindo ferimentos em sua perna direita, na altura do torso e no braço esquerdo.

    Finalmente, o cansaço venceu Leonard, que cessou a artilharia. A última flecha foi capturada por Cain ainda no ar, prestes a se alojar em sua cabeça.

    Ele partiu o projétil ao meio.

    — Quer saber? – ele atirou os braços para cima. – Foda-se. A cada vez que você reencarna, tento fazer as pazes contigo, e sempre devolve meus pedidos de desculpas com flechadas. E sempre mato você novamente. Estou farto. Essa repetitiva rotina é, digamos, entediante.
    — Quebremos o protocolo desta vez, então – Leonard respondeu, sem baixar o arco. – Desta vez, mato você. E você vai sentar no colo do diabo.

    Cain riu, divertindo-se.

    — Já estive lá. Não é tão ruim quanto parece.

    Repentinamente, a porta da sala do trono explodiu. Miguel, Gabriel e Rafael marcharam para dentro, de costas, as lanças em punho, combatendo uma multidão de demônios. Lá atrás, no topo da escada, vinha ninguém menos que o próprio Anjo Caído, parecendo absolutamente furioso. Não dava a impressão de se incomodar com o fato de que estava destruindo o próprio palácio.

    Leonard virou-se para o trono novamente, mas Cain desaparecera. John atirou contra um demônio próximo e virou-se para Jason.

    — Vá, agora – ele fez um gesto no ar e a Relíquia do Tempo, que pairava como se estivesse enfeitiçada, rolou pelo chão. – Vão, todos vocês. Não temos tempo. Toquem todos ao mesmo tempo.
    — Venha comigo – Jason pediu.
    — Meu tempo naquela era já acabou. Vá, Jason. Vão!

    Jason olhou para John, insistente.

    — Jason, VÁ!

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    Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Acompanhe a terceira história de Jason Walker na seção Roleplay!

  2. #32
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    Boa, Neal. Creio que fui pego de surpresa com o fato de Leonard ser a reencarnação de Abel e o destino dele é ser morto por Cain. Impressionante.

    Excelente capítulo, cara. A narrativa realmente me pegou aqui. Não havia pensado na possibilidade de Leonard ter tal importância, algo talvez além de Jason. E agora, parece que está tudo se apertando de novo, afinal, voltar para a era normal da história significa abrir mão de John, já que o mesmo morreu no início dessa situação. Me pergunto se Jason realmente conseguirá voltar com esse fato pesando em sua mente, mas é melhor que consiga, senão, fudeu pra Tibia. Crunor vai ter que arrumar outro canto, outro planeta, outro nome. Outro panteão de deuses, também.

    Você continua fazendo um ótimo trabalho até aqui. Continue assim, pois estou ansioso pela sequência.

    Btw, não precisa procurar o conto, pois ele está aqui. Particularmente, eu não gosto tanto desse conto, pois eu extrapolei muito escrevendo ele e a narrativa acabou ficando corrida e não me satisfez. Fora que acabei perdendo, também. A única coisa que posso levar em conta aqui é como descrevi Ankrahmun no futuro, algo baseado em Ghost in the Shell. Que, aliás, é uma das minhas obras cyberpunk preferidas, com um aspecto sombrio e realista. Algo que acabei não encontrando nas séries animadas, e que ficou meio monótono por causa disso(Ghost in the Shell SAC caso estiver em dúvida).



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