Página 5 de 6 PrimeiroPrimeiro ... 3456 ÚltimoÚltimo
Resultados 41 a 50 de 59

Tópico: Jason Walker e a Relíquia do Tempo

  1. #41
    Avatar de Glauco
    Registro
    13-04-2016
    Localização
    Cabo Frio
    Posts
    121
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas CitizenEstagiário
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Estava eu tentando ,em um esforço hercúleo ,colocar a leitura desta fic em dia quando me deparei com o seguinte trecho:

    Spoiler: seguinte trecho



    Chocado com a descrição da cena ,não me resta nada mais a fazer além de divulgar o seguinte edital:


    O MM juiz titular do cartório da 1 ª Vara de Carlin, faz saber que o Promotor de Justiça denunciou Jason Walker, acusado nos autos de nº 321 oriundo do inquérito policial nº 7 como incurso na ação penal – procedimento sumário – Lesão corporal decorrente de violência doméstica (Art. 129 § 9º e/ou § 11º Como não tenha sido possível citá-lo(a) e nem notificá-lo(a) pessoalmente, por se encontrar em local incerto e não sabido, pelo presente edital, cita e notifica o(a) referido(a) acusado(a) para responder aos termos da ação penal, por escrito, no prazo de dez (10) dias onde poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interessa à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas. Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o(a) acusado(a) citado(a), não constituir defensor, o juiz nomeará defensor etc, etc e etc...

    Publicidade:

  2. #42
    desespero full Avatar de Iridium
    Registro
    27-08-2011
    Localização
    Brasília
    Idade
    22
    Posts
    2.809
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenCríticoDebatedorAdepto do Off
    Prêmios Guardião do GF - pelos serviços prestados à comunidade
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Saudações!

    Todos que já chegaram antes de mim pontuaram aquilo que eu gostaria. Venho aqui para dizer que continuo, sim, lendo e apoiando sua história =)

    Continue, por favor!




    Abraço,
    Iridium.

  3. #43
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    03-07-2016
    Idade
    25
    Posts
    249
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas DebatedorCitizenEstagiário
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Spoiler: Respostas


    CAPÍTULO 15 – ATÉ OS CONFINS DA TERRA


    Jason ainda estava tentando lidar com o fato de que Crunor não intercedera em favor de John em sua morte para livrá-lo da danação, ao passo que arrumava sua mochila com os pertences mais essenciais que pudesse reunir para a nova expedição. Dos arcanjos, somente Rafael iria se engajar na missão; Miguel e Gabriel ficariam para auxiliar na proteção da cidade e para lapidar o plano de Jason de atacar Lúcifer antes que Lúcifer os atacasse.

    Naquele momento, ninguém ousava dirigir palavra a Jason, que tinha cara de muito poucos amigos. No interregno da informação que recebera até aquele momento, tinha sérias dificuldades para compreender o que Crunor realmente planejava, como é que realmente pensava e quais eram seus critérios para a definição dos salvos e dos condenados. Nunca havia questionado mais os desígnios do Criador do que naquele momento.

    Leonard entrou timidamente no quarto do cavaleiro, seguido de Melany. Jason não fez menção de notá-los, mas eles ficaram parados ali por um bom tempo sem dizer qualquer coisa.

    — Não mordo – disse Jason, fechando a mochila.
    — Não estou exatamente preocupado com os seus dentes – Leonard relanceou um olhar para a Espada de Crunor, embainhada na parede.

    Jason revirou os olhos.

    — Onde fica a entrada do inferno? – perguntou, como que para desviar o assunto.

    A verdade é que aquela informação também não fora confiada a Leonard. Depois do surto de fúria de Jason, em que várias cadeiras do Quartel General pagaram o pato, Rafael entendera que era melhor que o cavaleiro tivesse o menor número de informações que fosse possível.
    A noite se veio e se foi. Na oportunidade em que o dia raiou, Jason ainda não havia dormido.

    Rafael entrou na casa dos amigos sem ser convidado. Ali, olhou para tudo com relativo interesse, mas não se deteve em cada peça de decoração por mais do que um segundo, à exceção do machado de Apocalypse, guardado como espólio de guerra. Secretamente, o arcanjo ainda se decidia sobre se aceitava a história de Jason Walker a respeito dele ou não.

    Às nove da manhã, Rafael, Leonard, Melany e Jason se reuniram na antessala principal da casa, todos de mochila nas costas, carregando suprimentos, flechas e dardos. O arqueiro parecia particularmente ansioso.

    — Não existe outra entrada para o inferno que não pelo purgatório – esclareceu rapidamente Rafael, totalmente inerte e alheio às expressões de incômodo e irritação de Jason. – E a entrada para o purgatório fica no fundo do mar.

    Melany torceu a cabeça.

    — Desculpe?
    — Um antigo membro da Sociedade dos Exploradores, chamado Max, hoje aposentado, conseguiu descobrir algo que Crunor sempre se esforçara muito para esconder: como chegar ao purgatório. Em missão para a Sociedade, Max diligenciou ao fundo do oceano num local conhecido como Calassa, onde alguns magnatas detêm o monopólio de exploração de petróleo.

    Calassa. Jason já havia ouvido falar sobre o pedaço de terra particularmente rico, acessável somente pelo alto mar, a sudeste de Liberty Bay. Dali Lancaster Wilshere prometeu recuperar a maior parte dos investimentos que fizera para invadir os Poços do Inferno, poucos meses antes.

    O cavaleiro achou que o fato de que Lancaster era o dono do pedaço não significaria que a situação é melhor do que deveria ser.

    — Entre Darashia e Liberty Bay, naufragou o Holandês Voador – prosseguiu Rafael, esforçando-se para lembrar dos detalhes. – Foi quando as grandes quaras surgiram. Os piratas amaldiçoados tornaram-se coisa pior do que o demônio, se querem saber. Calassa não é exatamente um local abençoado na Terra.
    — Então, expedição para alto mar, homens-peixes e Lancaster Wilshere – Jason contou nos dedos, rapidamente. – Isso fatalmente me faz crer que estamos em quantidade lamentavelmente reduzida.
    — Não posso exigir que Miguel e Gabriel deixem a cidade, tampouco que a rainha Heloise, o rei Arthur ou o capitão Svan nos acompanhem. Precisamos ser rápidos. Se tomarmos as decisões certas na hora certa, não enfrentaremos maiores problemas em ingressar no purgatório.

    Jason achou que Rafael falava com todos no geral, e com ele em particular. O arcanjo parecia acreditar que Jason tinha o condão de tomar as decisões erradas pelos motivos certos, e, no fundo, o garoto sabia que era incapaz de culpá-lo. Costumava ser heterodoxo em determinados momentos, e até estúpido, se considerasse a merda que fizera de realizar involuntariamente os trabalhos que libertaram Lúcifer.

    — O que há no purgatório? – Leonard perguntou, de repente.

    Por um instante, Jason sentiu-se tão alucinado na missão de recuperar John do inferno que sequer raciocinara sobre aquilo. Parecia um questionamento muito mais do que válido.

    — Almas torturadas – Rafael deu de ombros. – Demônios que fizeram a passagem tarde demais. Um deles, porém, fixou residência no local e decidiu assumir uma posição neutra, e acabou sendo respeitado pelos demais, já que é um dos grandes traficantes de influência da região. Ele se chama Randal, é um eremita que joga para lá e para cá quem não deve estar nem lá e nem cá.

    Jason torceu a cabeça do lado, lembrando-se de Randal, um demônio absolutamente dócil e que não oferecia qualquer perigo, para falar bem a verdade. Na expedição que fizera ao futuro, ele e John o haviam capturado para realizar o ritual de invocação dos anjos Dean e Gadreel.

    Carinha engraçado, pensou Jason, tentando evitar o riso.

    — O purgatório é uma dimensão de grande pressão psicológica e fisiológica, absolutamente não recomendado para seres humanos e semelhantes. Incluo-me nessa conta – Rafael coçou a cabeça. – Então, teremos de ser breves. A entrada do purgatório que fica no coração de Calassa nos leva exatamente ao centro da dimensão; Randal fica a dois quilômetros dali, margeando-se o rio, em uma cabana. As outras almas parecem evitar os arredores, por algum motivo, mas no instante em que pisarmos lá, saberão que estamos lá e passarão a nos caçar. Não sei onde fica a entrada do inferno no purgatório, mas Randal sabe, e com a moeda de troca adequada, poderá nos auxiliar.
    — O que Randal exigirá? – Melany franziu o cenho.

    Rafael conjecturou.

    — Ele desejará uma carona para vir para cá, estou certo disso.

    Jason olhou para o arcanjo, tentando entender.

    — Uma carona?

    Rafael assentiu.

    — Só Randal sabe como se movimentar do purgatório para o inferno e do purgatório para a Terra – esclareceu. – Teve tempo suficiente de vivência na danação para entender como funciona. Porém, estou quase certo de que demônios não conseguem cruzar a passagem, nem para um lado, nem para o outro. Na companhia, no entanto, de seres humanos, anjos e arcanjos, ele pode conhecer um feitiço que o auxiliará a realizar a travessia de volta conosco. Não creio que possamos negociar o preço.

    Rafael olhou para Jason, preocupado.

    — Garoto, a despeito das suas convicções a respeito dos demônios e suas práticas, creio que este é um preço absurdamente baixo a se pagar para que a missão seja bem sucedida. Peço, portanto, que sua cabeça esteja no lugar e que você não seja impetuoso com Randal. Ele é uma peça neutra em um tabuleior muito, muito mais amplo do que você imagina.

    Jason assentiu, em silêncio. É verdade que tinha pensado em trair Randal assim que fizessem a travessia de volta – talvez matá-lo ou exorcizá-lo –, e achava válido que Rafael estivesse considerando aquela ocasião como uma verdadeira qualificadora do gênero.

    O cavaleiro achou que era melhor não discutir com o arcanjo naquele momento. Se Randal, ao menos naquela época, fosse tão neutro quanto fazia crer que era, então não havia motivos para que o interpelassem, de qualquer forma que fosse.

    O garoto estava começando a pensar sobre como chegariam a Calassa quando Rafael voltou a falar. O timing do arcanjo era perfeito.

    — A rota para Calassa é clandestina e foi selada por Arthur e Daniel Steelsoul no passado, por motivos óbvios. Os únicos que chegam ao local são os próprios exploradores, para quem os governantes maiores fazem vista grossa. Então, precisaremos ir até Liberty Bay, encontrar o capitão Max e pagar pela diligência. Entendo, a julgar pelos padrões extravagantes de vida que têm, que dinheiro não é um problema para vocês.

    Jason fez que não com a cabeça, espelhado por Leonard.

    — 10 mil moedas de ouro serão o suficiente – disse Rafael.

    O cavaleiro, que achava que era mais pão-duro do que gostaria de admitir, sentiu um ligeiro solavanco no estômago, mas entendeu que o preço era baixo a se pagar pela alma de John, tendo sido ele próprio que botara tudo a perder.

    — Farei o saque – disse, finalmente. – Encontramo-nos no cais em 10 minutos.

    *

    Jason, Melany, Rafael e Leonard eram, certamente, o grupo menos peculiar que Liberty Bay já recebera. Entre piratas, bucaneiros, traidores e pestilentos, o barman Lyonel achava que valia a pena receber gente limpa de vez em quando, só para variar um pouco.

    As mesas estavam quase todas ocupadas por bêbados, andarilhos, pedreiros e cortadores de cana. Exatamente no centro do salão, Rafael ocupou uma das pouquíssimas mesas vazias, assustando-se com a velocidade de Lyonel para chegar até ali.

    — Senhores – disse ele, exalando bebida alcoólica e entregando a eles cardápios puídos. – Os menus.
    — Não serão necessários – Rafael dispensou. – Gim para mim, uísque para os cavalheiros e cerveja amanteigada para a dama.

    Lyonel assentiu, disparando de volta para o bar. Jason arqueou as sobrancelhas, surpreso.

    — Gim?
    — Qual o problema? – defendeu-se o arcanjo.

    Leonard riu, aparentemente alheio ao tema central da discussão.

    — Tem que ser muito veado, mesmo – comentou.

    Rafael torceu a cabeça, confuso.

    — Sou assexuado.

    Lyonel surgiu oportunamente no instante seguinte, trazendo consigo os pedidos em copos surpreendentemente limpos e cristalizados. Antes que o barman pudesse desaparecer novamente, contudo, Rafael o segurou pelo braço.

    — Estamos procurando por um cidadão específico, até peculiar.

    O barman sorriu, achando graça.

    — Olhe em volta, cavalheiro – ele fez um gesto amplo nos arredores. – Só tem gente peculiar aqui. Pode escolher.

    Rafael aproximou-se do barman, quase tocando os lábios em sua orelha.

    — Um verdadeiro explorador – cochichou. – Um homem que aceitaria uma soma em dinheiro razoável para realizar uma simples diligência.
    Lyonel arregalou os olhos por um instante e fez sinal de compreensão, piscando com um dos olhos, conspirativo.
    — Max Holloway – disse, no mesmo tom de voz. – Devo compreender que trouxeram algo… cintilante… para negociar?

    O arcanjo deu dois tapinhas em uma bolsa magicamente lacrada, sorrindo. Ela tilintou, quase que alegremente.

    — Assim que finalizarem suas bebidas, queiram me acompanhar. O senhor Holloway atende particularmente.

    Rafael assentiu, sorrindo. O primeiro obstáculo fora vencido.
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Sétima Vingança
    Acompanhe a penúltima história de Jason Walker na seção Roleplay!

  4. #44
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.037
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    — Gim?
    — Qual o problema? – defendeu-se o arcanjo.

    Leonard riu, aparentemente alheio ao tema central da discussão.

    — Tem que ser muito veado, mesmo – comentou.

    Rafael torceu a cabeça, confuso.

    — Sou assexuado.
    Que vida ruim a que anjos tem, hein

    Excelente capítulo Neal, nunca tinha reparado que os Quaras na verdade eram os marujos do Holandês Voador. Essa busca vai ser bem bacana pelo visto, só espero que eles não esqueçam do Helmet of the Deep que muitos esquecem(Inclusive eu). E o Randal ganhou uma importância interessante, quero ver como será o diálogo com ele e se ele vai querer ajudar. O purgatório certamente vai ser um lugar bom para você descrever, quando me falam sobre, só me vem aquele de Supernatural, que é bem simples até.

    Bem, tem feito um ótimo trabalho até então. Eu aguardo o próximo e estou empolgado pelo que virá.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  5. #45
    Avatar de Ameyuri Ringo
    Registro
    19-01-2012
    Localização
    Barreiras / Bahia / Brasil
    Idade
    21
    Posts
    63
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Citizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Finalmente me encontro neste capítulo, agora sim depois dos contos anteriores consegi alcançar rs! Agora vem aquela espera por cada proximo capítulo e este foi mais um daqueles heim neal rs, esperando mais um capítulo sintilante rs por assim dizer kk yours ringo on laudera since elera on!





    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  6. #46
    desespero full Avatar de Iridium
    Registro
    27-08-2011
    Localização
    Brasília
    Idade
    22
    Posts
    2.809
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenCríticoDebatedorAdepto do Off
    Prêmios Guardião do GF - pelos serviços prestados à comunidade
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Saudações!

    Tem Quara, tem mais like, já valeu o rolê! Adoro Quaras <3

    Bom, euforias à parte, excelente como sempre, Neal! Descrições impecáveis, aquele cliffhanger maravilhoso e que dá sempre mais vontade e gosto de ler, aquela agonia na esperança de que Jason e cia. resolvam a coisa toda (ou morram tentando), o coitado do John comendo o pão que o Diabo amassou e eu, aqui, a ver navios cada vez que acaba um capítulo, e continuo aguardando a continuação, ansiosa pelo que virá a seguir!




    Abraço,
    Iridium.

  7. #47
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    03-07-2016
    Idade
    25
    Posts
    249
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas DebatedorCitizenEstagiário
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Spoiler: Respostas


    CAPÍTULO 16 – PURGATÓRIO


    O mar parecia tão calmo quanto as parcas nuvens que circulavam pelo céu de fim de tarde. Embora o navio parecesse inadequado, era mais resistente do que fazia crer.

    A princípio, Jason e Leonard acreditaram que a embarcação seria incapaz de realizar a missão, e até que o homem chamado Max tinha certa procedência duvidosa. Os cabelos eram decorados em malcuidados dreadlocks, tinha comprida barba puída e malfeita, suas roupas estavam muito sujas e rasgadas, afora o fato de que o homem dava a impressão de estar bêbado em tempo integral.

    Inobstante, Max era simplesmente irrepreensível no manejo do timão. Embora tivessem enfrentado uma tempestade passageira muito próximo de Goroma, agora se deparavam com a calmaria do alto mar, o qual Max parecia conhecer como a palma da própria mão. Melany, de sua feita, decidira ficar no navio para qualquer eventualidade.

    Finalmente, pouco antes do cair da noite, ele ordenou que Leonard, desajeitado como sempre, soltasse a âncora. Alguns segundos depois, preso pelo peso, a embarcação parou e se estabilizou.

    — Você, arcanjo – disse Max, soluçando e apontando para Rafael. – Mantenha esses… ic… bundas moles na linha. Vocês têm… ic… 24 horas. É o máximo de tempo que consigo… ic… manter as quaras longe.
    — Voltaremos na metade disso – disse Rafael, passando a mochila nos arredores dos ombros e olhando para os amigos.
    — Não, não voltarão – Max retrucou, inquieto, mas bêbado. – Chegarão no laço do tempo, se… ic… chegarem. Depois disso, estarão… ic… sozinhos.

    Quando Jason abriu a boca para protestar, surpreendentemente Max tirou uma varinha de dentro das vestes puídas e tocou a cabeça de cada um deles, aparentemente sob um esforço sobreumano. Ele os analisou por alguns segundos e tocou novamente as cabeças de Rafael e Leonard, e, por fim, a de Jason por uma última vez.

    — Cinco… ic… minutos para encontrarem… ic… o que procuram. Após isso, o oxigênio vai… ic… acabar, e as quaras vão comê-los… ic… vivos.

    Rafael puxou os outros dois no sentido da amurada, esforçando-se para não esfolar Jason vivo, que parecia determinado a discutir com o capitão. O arcanjo não esperou e saltou de ponta na água, cortando a superfície calma como um arpão afiado. Leonard deu de ombros e o acompanhou, desaparecendo na sequência.

    Jason respirou fundo, subiu na amurada e tomou impulso, tocando o oceano dois segundos depois.

    Por alguma razão, a sensação que o garoto aguardava não veio. Em vez disso, ele simplesmente flutuou, cercado de água por todos os lados, sem, contudo, se molhar ou que lhe faltasse o ar. Seus olhos sequer coçaram quando entraram em contato com a água salgada. De alguma forma, o capitão Max os impermeabilizara; não era um bêbado total, no final das contas.

    O cavaleiro remou com as mãos e as pernas no sentido do solo do oceano, sentindo a pressão aumentar cada vez mais e os ouvidos zumbirem. Finalmente, tocou solo firme, tudo muito quieto nos arredores. As mãos firmes de Rafael o encontraram cedo e, embora tudo estivesse muito escuro, uma esfera de energia muito pequena brotara das mãos do arcanjo e os ia acompanhando enquanto caminhavam em linha reta.

    Aqui e ali, homens bisonhos levantavam os olhos por um ou dois segundos para averiguar a situação, antes de retornarem à sua eternidade de ociosidade. Alguns deles haviam desenvolvido tentáculos, outros tinham a pele grotescamente recoberta de algas e corais, e todos pareciam muito cegos, talvez com os olhos adaptados, agora, para viver nas esmagadoras profundidades do oceano.

    Aos poucos, Jason sentia que o tempo que Max dera a eles estava se esvaindo muito depressa e, embora Rafael andasse determinado, ainda não tinham conseguido encontrar nada a não ser ossadas completas recobrindo todo o chão lodoso do oceano.

    Finalmente, poucos metros adiante, o arcanjo pareceu encontrar o que buscava: uma rachadura num ponto em que o chão do oceano tangenciava com os restos de um navio naufragado. Com gestos muito precisos, Rafael orientou Leonard e Jason a manterem pressão firme sobre seus braços, unindo-se a ele.

    Enfim, o arcanjo sacou de dentro das vestes um pequeno punhal de prata. Ali, fez um corte na palma da mão, o sangue vertendo e espiralando nas águas, dissipando-se.

    Em alguns pontos próximos, algumas das quaras levantavam as cabeças e começavam a se movimentar, provavelmente atraídas pelo cheiro de sangue. Quando enfim se aproximaram o suficiente para compreender o que acontecia, Rafael tocou a rachadura no chão com a mão ferida.
    Os três sentiram um repentino puxão na altura do estômago, sendo espremidos para lá e para cá, a cabeça de um se chocando nas dos outros. Quando todos perderam totalmente o ar, prestes a mergulhar na inconsciência, tocaram chão firme, rolando por ele e respirando profusamente.

    Jason foi o primeiro a se colocar de pé, com dificuldade. Estavam claramente em uma cidade abandonada, totalmente destruída, mas com um quê de futurismo. Diversos prédios estavam simplesmente pela metade, enquanto outros tantos pareciam ter sido arrancados de suas bases e atirados a esmo pelo ar por alguém simplesmente grande demais para existir.

    Rafael e Leonard também se levantaram, olhando para tudo assombrados.

    — Purgatório – confirmou Rafael, assentindo uma vez. – A morada de cada repugnante e abominável demônio que não conseguiu concluir a passagem, mesmo depois de morrer pela segunda vez. Temos que ser rápidos, fazer o possível para que cada um de nós passe batido. Ainda temos um inferno para sitiar.
    — Onde fica Randal? – Jason olhou nos arredores, não enxergando nada além de destruição.

    O arcanjo fechou os olhos só por um segundo.

    — Sentido nordeste, no caminho do rio, dois quilômetros adiante. Demônios evitam a região, então…
    — Ora, ora, ora – disse uma outra voz, feminina, muito aguda. – Alguém parece estar fora do lugar.

    A garota, a poucos metros de distância, não chegava a ter um metro e meio de altura e tinha os cabelos muito amarelos, quase da cor da palha. Com seu jeito mirrado e infantil, parecia estranhamente deslocada.

    — Infernatil – reconheceu Jason, sacando a Espada de pronto.

    Ela sacudiu as mãos em sinal negativo.

    — Não vou lutar com vocês, não se pode matar o que já está morto – ela sorriu, a voz aguda como Jason se lembrava. – Vão, caminhem livremente pelo purgatório, se é o que querem. Mas devolvam Lúcifer à sua caixa – ela rangeu os dentes. – Nunca vi bagunça maior.

    Jason embainhou a Espada, decidido.

    — Faremos, mas não por solicitação sua. O sofrimento eterno dá a impressão de tê-la feito bem.

    Ela riu; divertia-se.

    — Sofrimento eterno? Isto é o paraíso. Precisa ver o inferno.
    — Essa é uma boa hora para lembrar sobre a circunferência daquele dardo sobre o qual sempre falo? – perguntou Leonard, aos cochichos.
    Infernatil elevou a voz quando Jason fez menção de responder, exasperado.
    — Saiam da minha vista. Façam o que quiserem, mas não me incomodem.

    Rafael, Leonard e Jason, preparados, passaram por Infernatil devagar, os olhos atentos a qualquer movimento brusco, mas ela simplesmente não fez nenhum. Finalmente, quando os três desapareceram de vista, uma segunda mulher surgiu ao lado da outra; esta era esguia e magra, tinha seios fartos e quadril largo, e carregava uma imensa espada negra como a noite. Havia uma certa arrogância em sua postura.

    — Siga-os, Bazir – ordenou Infernatil, os olhos estreitos perdidos no exato ponto em que deixara de ver os três amigos. – Certifique-se de que vão chegar a Randal.

    A outra assentiu uma vez, pondo-se a caminhar.

    *

    Jason, Leonard e Rafael deixaram os limites da cidade destruída, encontrando um campo devastado pelo fogo. Aqui e ali, ramos e galhos amontoavam-se em enormes pilhas de cinzas. Os três se sentiam cada vez menos pertencentes àquele ambiente, que, em verdade, não fora desenhado para eles.

    Não era incomum vislumbrar em alguns pontos alguns demônios, nenhum deles verdadeiramente agressivo. Alguns sequer pareciam se dar conta de que estavam no purgatório; murmuravam desconexamente, falando com seres invisíveis, muitos com sotaques, outros tantos em linguagem absolutamente desconhecida, mas nenhum pareceu notar a presença dos três ali.

    Jason sentiu um calafrio. Ao seu lado, Rafael não embainhava a própria espada; Leonard também mantinha o arco em punho. Adiante, a trilha se dividia à direita e à esquerda.

    — Direita – disse Rafael, com convicção. – Na direção da margem do rio.

    Não demorou para que o tal rio finalmente surgisse. Tratava-se de um córrego, que aparentemente cortava o purgatório de fora a fora, e costumava servir como base de referência, já que todo o restante estava destruído e não havia nada de familiar entre um passo e outro. Logo os três já seguiam pela margem do rio no sentido norte. Embora Jason não fizesse ideia de o que estavam fazendo, Rafael parecia muito certo.

    — Acha que devemos agir depressa? – perguntou o arcanjo, meio sem propósito.

    Leonard, obtuso como sempre, tombou a cabeça de lado.

    — Fala sobre a nossa cauda? – Jason sorriu de canto. – O demônio que está nos seguindo desde que deixamos a cidade?

    Rafael assentiu uma vez, os olhos fixos no caminho adiante, enquanto Leonard suspirou, compreendendo.

    — Fiquem na margem, sob o pretexto de pegar água – disse Jason, sussurrando. – Farei a volta e vou surpreendê-lo por trás.

    Uma vez mais, o arcanjo fez que sim, e ele e Leonard desceram devagar a encosta até o rio, em silêncio. Devagar, Jason tomou o sentido contrário, desaparecendo entre as folhagens queimadas que delimitavam a porção oeste da trilha.

    Rafael e Leonard se abaixaram, aproveitando a oportunidade para saciar a sede, que dava a impressão de não se saciar, de qualquer forma. Talvez seja um dos objetivos, pensou Rafael, por um instante incomodado com o fato de que era abominável que uma criatura como ele estivesse em um lugar como aquele.

    Não demorou para que Jason reaparecesse, do sentido de onde eles vieram, uma imensa espada de ferro estígio embainhada na própria cintura e a Espada de Crunor pressionada contra a garganta de uma mulher esbelta e muito bonita, como numa posição de mata-leão.

    — Apresento-lhes Bazir, para quem não conhece – disse Jason, sacudindo a cabeça. – Não sei por que sempre espero tanto de vocês.
    — Tá legal, tá legal – ela levantou as mãos em sinal de rendição. – Não que alguém possa me torturar de uma maneira pior do que o que já estou vivenciando aqui, mas Infernatil pediu para que os seguisse e garantisse que vocês chegassem até Randal. É só isso.

    Rafael levantou-se, desembainhou a espada da cintura de Jason e devolveu-a à mão de Bazir, para a surpresa de todos os presentes, inclusive para a surpresa dela mesma.

    — Sinceramente, vocês são inofensivos. Jason deve ter te desarmado como se desarmasse uma criança. Volte a Infernatil, só isso.
    Bazir mordeu a língua duas vezes antes de dar as costas e marchar de volta à cidade.
    — Você é corajoso – observou Jason.

    Rafael negou com a cabeça.

    — Só não tenho tempo a perder. Podemos continuar?

    Jason e Leonard trocaram um olhar preocupado antes de voltar a caminhar atrás do arcanjo. A verdade é que, não pela primeira vez, precisariam confiar cegamente em uma pessoa que não conheciam.
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Sétima Vingança
    Acompanhe a penúltima história de Jason Walker na seção Roleplay!

  8. #48
    Avatar de Ameyuri Ringo
    Registro
    19-01-2012
    Localização
    Barreiras / Bahia / Brasil
    Idade
    21
    Posts
    63
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Citizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Solta os foguetes omg neal mais um capítulo sintilante rs demorou mais saiu, a história tomando seu rumo final e nao tenho idéia doque vem por ai mais uma vez meus parabéns que venha a setima vingança !
    Ameyuri Ringo The Ghost Of Sparta!!!

  9. #49
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.037
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Eu tava estranhando porque ainda não havia um capítulo seu, daí notei que você já tinha publicado

    Outro excelente capítulo, cara. As descrições rápidas de Calassa e do Purgatório foram o suficiente para mergulhar de cabeça no clima e no cenário da narração. Você sabe fazer isso muito bem, sem enrolar muito.

    Eu devo dizer que é realmente estranho ver os Ruthless tão fracos em um ambiente onde eles não dominam nada. Lá no mundo que escrevo minhas histórias tibianas, eles são o inverso das divindades, não exatamente tendo a divindade que os deuses possuem, mas sim a maldade, sendo as personificações de tudo que há de ruim. Aqui eles parecem ser coisas que um dia foram humanas, mas abandonaram tudo que Uman os deu como humanos para abraçar a maldade e terem o poder que todos aqueles que andam pelo caminho do mal desejam. Não é uma concepção ruim, só é simples. Mas essa simplicidade também é ótima e tem uma bela parcela de arte em sua forma.

    Eu vejo que nenhum desses demônios parecem ser uma ameaça para o trio, mas eu me pergunto o que enfrentarão depois de Randal. Algo me diz que nem Rafael será o suficiente pra parar o que está por vir.

    E esse capitão Max foi bem útil e conveniente para eles. Torná-los impermeaveis foi uma ótima jogada, suficiente para substituir a necessidade de um Helmet of the Deep. Pensei que tentaria algo parecido com Harry Potter, mas essa ideia ficou muito boa mesmo assim. E aquele diálogo dele... Me pergunto se ele previu alguma coisa que vai acontecer com eles.

    Estou gostando muito desse clima de aventura e tensão destes capítulos, Neal. Tô aguardando pelo próximo.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  10. #50
    desespero full Avatar de Iridium
    Registro
    27-08-2011
    Localização
    Brasília
    Idade
    22
    Posts
    2.809
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenCríticoDebatedorAdepto do Off
    Prêmios Guardião do GF - pelos serviços prestados à comunidade
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Saudações!

    Os likes eu já havia deixado, agora devo comentar. xD

    Rapaz, que cenas incríveis! Adorei as descrições de Calassa e do Purgatório. Ficaram bem imersivas (e eu sou meio suspeita pra falar quando se trata de Calassa na jogada, rs) e tá show de bola. Assim como Carlos, é estranho e ao mesmo tempo satisfatório ver os Ruthless Seven tão enfraquecidos e destituídos tal qual você fez. Aguardo para ver o que o Randal fará com nossos herois e... Bem, continue o excelente trabalho!





    Abraço,
    Iridium.

    Publicidade:



Tópicos Similares

  1. Jason Walker e os Poços do Inferno
    Por Neal Caffrey no fórum Roleplaying
    Respostas: 53
    Último Post: 28-08-2017, 16:20
  2. Jason Walker e a Arca do Destino
    Por Neal Caffrey no fórum Roleplaying
    Respostas: 57
    Último Post: 24-08-2017, 11:32
  3. Proposta: Redução do Tempo de Salvamento do Server
    Por Replicane Dauth no fórum Tibia Geral
    Respostas: 8
    Último Post: 01-01-2005, 02:07
  4. A maquina do tempo (aconteceu mesmo) ENTRA e veja!!! vc vai se surpriender!!!
    Por Pernalonga no fórum Fora do Tibia - Off Topic
    Respostas: 56
    Último Post: 20-11-2004, 19:23

Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •