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Tópico: Jason Walker e a Relíquia do Tempo

  1. #11
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    Eu quero ver no que vai dar essa vitamina de Teologia Judaica da Terra misturada com mitologia tibiana da Cip.

    E a outra galerinha do universo do Zartroth, como o Fardos ou o Umam? Pretende trazer esse pessoal pro play?

    Cuidado com os paradoxos que sempre são gerados em enredos com viagens no tempo.

    No mais, já comprei meu balde de pipoca, coloquei os óculos 3d e to so urubuservando pra ver a treta que isso ai vai causar.

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  2. #12
    Avatar de Neal Caffrey
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    CAPÍTULO 4 – O SEGREDO DO SÁBIO SALAZAR


    — Posso vencê-lo – argumentou Jason.
    — Lúcifer é invencível – respondeu Salazar.

    Jason sacudiu a cabeça em sinal negativo.

    — Ninguém é invencível.

    Repentinamente, sem aviso, o homem removeu o capuz.

    Jason sentiu um arrepio que nada tinha a ver com o frio. Seus olhos se fixaram com devoção no rosto à sua frente e, por um instante, o garoto sentiu a sensação que lhe acometera na cabana de Ryan retornando: o estranho sentimento de irrealidade, a falta de ar nos pulmões, a dormência nas pernas, nas mãos e no rosto, tudo ao mesmo tempo.

    A sensação se foi tão rápido quanto veio, mas houve um motivo para que ela ocorresse. Diante de Jason Walker estava John.

    — Quanto tempo, Jason Walker – disse ele, sorrindo.

    Jason fez menção de se levantar para abraçá-lo, mas parou no meio do caminho. Ele levantou um dedo indicador, puxando para perto de si um jarro transparente cheio de água. Havia, por algum motivo, um crucifixo mergulhado no conteúdo.

    — Deixe-me poupá-lo do trabalho.

    Ele tomou um bom gole daquela água. Aquilo deixou Jason ainda mais confuso.

    — Não sou um demônio. Isto é água benta.
    — Eu vi você morrer – Jason deixou escapar, incapaz de se conter.

    John assentiu, sorrindo de canto.

    — Eu morri.
    — Quer me explicar que porra é essa?

    Ele fez que não com a cabeça, erguendo os ombros.

    — Simplesmente apareci nesta montanha. Sem motivo. Só apareci.

    “No começo, causou-me certa estranheza o fato de que os demônios não penetravam neste perímetro. Depois de deixar a montanha em algumas ocasiões, descobri com os Terrenos de Carlin que esta formação somente brotou do chão aqui, ela não existe no nosso tempo, se bem se lembra.

    “Estranhei também o fato de que os demônios nunca me viram como uma ameaça. Aliás, eles simplesmente parecem não notar minha presença. Tentei conversar com um deles e ele sequer fez menção de me enxergar.

    “Durante um tempo, comecei a conjecturar as coisas mais absurdas. Achei que tivesse falhado em minha passagem e me transformado em um espírito. Imaginei que estivesse vagando sobre a Terra, sem nenhuma perspectiva, e que, no curso do tempo, tornar-me-ia um espírito violento, como acontece com todos aqueles que não conseguem ou que se recusam a fazer a passagem, a deixar este mundo.

    “Apesar disso, os Terrenos de Carlin me viram muito bem e muitos deles foram deveras receptivos; ofertaram-me água, parcela da pouca comida que tinham, abrigo. Conheci seus descendentes, Jason. Meus descendentes. A esta altura, imagino que já saiba que sou seu antepassado”.

    — Não, não sei – Jason respondeu com indignação. – Que espécie de prática é essa em que ninguém me conta absolutamente mais nada?

    John arriou os ombros outra vez, em um claro sinal de desculpas.

    — Creio que tenha deixado essa passar – ele se retesou, pensativo. – Peço perdão por isso também.

    “Comecei a fazer um reconhecimento do terreno nos entornos da montanha e mapeei sua geografia, até que descobri que os caminhos por onde as pessoas costumam subir até aqui formam, entrelaçados, uma perfeita estrela de seis pontas. Uma armadilha contra demônios, pura e simples, dentro da qual nenhum deles se atreve a pisar. Isso, com certeza, é coisa de Crunor. Nem mesmo Lúcifer ousou tentar subir a montanha, em nenhum momento.

    “Obviamente, todos já conhecem esta montanha como ‘a montanha de Salazar’. Salazar… Este sim é um nome engraçado. No vilarejo onde antes era Carlin, somente Ryan Walker e a irmã pareciam saber quem havia sido John Walker no passado. Agora, Jason, preciso alertar-lhe de algo…”

    — “Alertar-me”? – o garotou repetiu, irritado. – Agora, decidiu que vai me alertar de alguma coisa. Até este momento, dividir informações comigo parecia um trabalho irrelevante. Certo?

    John olhou para Jason, indeciso sobre se ria ou se chorava. O garoto não entendia que tinha tantas informações quanto ele próprio, mas ele era exatamente como John se lembrava: bravo, obstinado, incansável. Provavelmente, fora parar ali e empreendera sua missão sem nem mesmo descansar por um segundo.

    Aliás, olheiras não faltavam no rosto de Jason Walker. John sentiu que precisava tomar uma decisão.

    — Veja, Jason, antes de qualquer coisa, sugiro que você descanse. Não – o incandescente levantou o indicador quando o garoto fez menção de reiniciar uma discussão. – Este requerimento não está aberto ao debate. Tenho água, comida e lugar para você dormir. Aliás, não sei por que Crunor me deu aquilo – John apontou para a cama. – Não preciso disso.
    — Depois de tudo em que o mundo se transformou, você realmente acha que Crunor se importa?

    O incandescente raciocinou por um instante e deu de ombros.

    — Acho que sim.
    — Achou errado – Jason se colocou de pé e chutou uma das cadeiras toscas, partindo-a com tanta facilidade que conseguiu assustar a si mesmo. – Onde estava Crunor quando Lúcifer sitiou Edron? Onde ele estava quando os Poços do Inferno se romperam?

    John levantou as mãos em sinal de rendição.

    — Crunor não combate diretamente…
    — É uma pena, porque Lúcifer combate – Jason chutou outra cadeira e também a quebrou. – Enquanto Crunor fica sentado em seu trono de ouro infinito, assistindo à comédia da vida alheia, o diabo destrói o mundo! Mas ele não intervirá, porque Crunor não combate diretamente!

    John procurou algo para responder mas simplesmente chegou à conclusão de que nada que dissesse adiantaria. Jason tinha sua opinião formada a respeito do combate e não se importaria com as informações que o incandescente eventualmente tivesse sobre Crunor e sobre seus arcanjos.

    Por outro lado, o garoto havia levantado um ponto interessante. Crunor, de fato, nunca se engajara em combate. No paraíso, dizia que venceu Lúcifer todas as vezes. Miguel, Gabriel e Rafael diziam que Crunor nunca o havia combatido diretamente, sendo que, da primeira vez, Miguel o trancara na jaula e, das outras vezes, alguém simplesmente o empurrou novamente para dentro, sem a intervenção, direta ou indireta, do Criador.

    Agora, passava pela cabeça de John o simples fato de que Crunor não conversara com ele nenhuma vez desde que ele voltara. E isso fora a seis meses atrás. Miguel, Gabriel e Rafael também estavam desaparecidos, e não se ouvia falar dos arcanjos há muito tempo.

    Desta vez, o Anjo Caído atacara com força máxima e o Paraíso não respondera à altura. Era simplesmente formidável – e estúpido – que Jason Walker achasse que podia fazer alguma coisa.

    — … com aquela bunda gorda angelical enfiada num trono assistindo Lúcifer destruir a criação, é muita pretensão, mesmo – ia dizendo Jason, ainda enfurecido.

    John sorriu por um instante, lembrando-se de Leonard. Onde estaria o arqueiro naquele momento?

    — … porque se eu encontrar aquele puto, juro que vou enfiar essa lâmina em seu rabo adentro, todinha, até a cruz, e depois vou tirar e enfiar de novo, até que ele esteja com a bunda totalmente…
    — Chega.

    Jason parou no meio da frase, olhando para John. Em qualquer situação, no passado, o incandescente deixara o cavaleiro dispor de sua raiva livremente. Agora, contudo, pedia silêncio. O pedido não viera em tom ordenatório, pelo contrário; era quase gentil.

    John fez um gesto vago e as cadeiras puídas se recompuseram. Ele indicou uma delas e Jason se sentou, ainda tenso.

    — Dividirei informações consigo se me prometer que descansará antes de partir novamente – disse.

    O cavaleiro hesitou por um instante e assentiu uma vez. Na sequência, John tocou-lhe a testa, sem aviso, e Jason desmaiou.

    O incandescente contornou a mesa e pegou-o no colo, deitando-o com cuidado sobre a cama e cobrindo-o. Sacudiu a cabeça na sequência.

    Jason.

    *

    Eles estão cercados, penso, depois de décadas de perseguição. Esta é uma situação que exige minha intervenção direta. Combaterei pessoalmente.

    Meus exércitos vencem a montanha e avançam depressa pela longa campina, no sentido do Caminho da Aniquilação. Nem mesmo os caçadores vêm mais aqui. Edron é uma cidadela que me pertence, agora.

    Aqui e ali, vejo corpos de ciclopes abatidos. Idiotas. Se tivessem se juntado a mim, estariam gozando da vida e de todos os prazeres proporcionados pelo lado vencedor. Se dominar Edron dependia da extinção de uma raça, não me arrependo.

    Meus homens fazem uma excelente varredura, vasculhando cada canto daquele campo nefasto construído por Jesus. No extremo oeste, além do que os olhos comuns podem ver, dois dragões bebês levantam a cabeça, mas não nos prestam mais atenção do que o necessário. Nem mesmo os dragões ousam se contrapor ao nosso poderio. Somos virtualmente invencíveis.

    Guiadas pela informação que recebemos, minhas guarnições afunilam no sentido oeste, sabedoras de que Cyclopolis e a Caverna dos Heróis não possuem estrutura suficiente para abrigar os revoltosos.

    “Estão escondidos nas criptas”, grita um de meus servos, quando constatam não existirem rastros que levem ao Lar dos Dragões. Homens sábios, penso eu. Preferem esconder-se nos lares de vampiros do que enfrentar minhas forças. Se os vampiros os estiverem acobertando, serão massacrados igualmente.

    Sequer pisco quando meus homens explodem a entrada da cripta de qualquer jeito. “Deixe-me matá-los, meu senhor, quero fazer pessoalmente”, implora Apocalypse, mas tenho outros planos para Jason Walker e seus correligionários.

    Não demora para que eles sejam desentocados. Por um longo instante, observo Jason Walker, já de avançada idade, derrubar corpos, um por um. A Espada de Crunor refulge sob o céu nublado, rolando cabeças livremente.

    “Nosso contingente está sendo drasticamente reduzido, senhor”, murmura Cain ao meu lado, mas não lhe dou ouvidos. A Espada de Crunor é lendária e quero ver do que ela é capaz.

    Jason Walker troca um olhar breve comigo, mas não dá outras mostras de perceber que estou acompanhando o combate a distância. Melany Walker já foi abatida, seu corpo sem vida boia no oceano sem fim. E Leonard Saint… Não demora para que ele tenha uma bala alojada na cabeça e tombe inerte ao lado de seu fiel amigo.

    Resta somente o espadachim, que não se entrega e combate meus homens com fervor. Homem de fibra, penso. A morte dos amigos eleva seu sentimento de ódio. Ótimo. Preciso disso.

    Finalmente, Jason Walker se aproxima de mim, brandindo furiosamente sua sagrada relíquia. Esquivo-me devagar, e decido-me por matá-lo sem pressa. Logo, o corpo cansado e abatido do garoto começa a pesar, e seus movimentos tornam-se mais lentos do que nunca.

    Estranho quando ele atira a Espada de Crunor no oceano. Ele para diante de mim de braços abertos. Aceitou a morte.

    Decido por encerrar o combate antes que seu ódio se dissipe.

    O combate findou. Jason Walker, que resistiu por décadas, jaz, agora, sem vida, diante de mim, com um punhal cravado em seu coração. A resistência terminou.
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Acompanhe a terceira história de Jason Walker na seção Roleplay!

  3. #13
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    John sempre surpreendendo, impressionante. Esse papo que o Jason mandou pra ele até que faz sentido, mas eu vi a coisa quase como John veria: Crunor coloca suas peças em combate e elas sozinhas lidam com o problema - No caso, Lúcifer. Dessa forma, ele não precisa sair do paraíso e continua sendo a vida plena desse universo, o "Deus Ex Machina", sem sair de seu posto.

    E a morte de Jason foi parecida com o que eu pensei. Morto em combate por Lúcifer. Imagino se, numa luta justa, Jason conseguiria vencê-lo. Espero ver isso futuramente na história.

    Aguardo o próximo.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  4. #14
    Avatar de Neal Caffrey
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    CAPÍTULO 5 – PONTO DE IMPACTO


    John observou Jason dormir por um longo tempo. Naquela montanha totalmente nova, mas esquecida por Crunor, ver a vida ser tão valorizada era motivo para se parar por alguns instantes.

    Muito tempo depois, o cavaleiro despertou, esfregando os olhos, desconfiado. Ele não dirigiu qualquer palavra a John quando aceitou o café que lhe foi oferecido, mas os olhos estranhamente fora de foco faziam crer que Jason estava acordado por mais tempo do que deveria.

    Dormiu por mais de 20 horas, pensou John, omitindo propositalmente o fato do garoto. Não demorou, contudo, para que o diálogo recomeçasse.

    — Certo, descansei – disse Jason, dando um último gole no café. – Agora, divida informações comigo.

    Por alguns segundos, John considerou recomendar ao seu descendente que descansasse por mais tempo, que ficasse por mais tempo fora de combate, que corresse risco por menos tempo, mas sabia que não adiantaria. Jason era um homem obstinado e muito difícil de lidar. O incandescente não acreditou que pudesse dobrá-lo por muitas mais oportunidades.

    — O que quer saber?

    O menino pensou por um instante.

    — Como posso chegar em Goroma? O que estou fazendo aqui? Como posso matar Lúcifer? Onde estão meus amigos?

    John fitou os olhos do outro por um longo tempo antes de começar a falar.

    — Conheço uma rota para Goroma através de um portal. Por algum motivo, o lado de cá fica na base da montanha. Não sei qual o real interesse de Crunor nisso, mas ele nos concedeu uma passagem direta ao palacete de Lúcifer para, caso seja necessário, possamos destruir ele de dentro para fora.

    O incandescente se calou, e Jason fez sinal para que ele continuasse falando.

    — Não sei o que está fazendo aqui, mas desconfio.

    Novamente, o incandescente fez uma pausa.

    — Desembuche, homem!
    — Creio que Crunor entenda que você precisa aprender algumas coisas antes de enfrentar o inimigo diretamente. Por isso, trouxe você até aqui, décadas adiante do momento de libertação do Anjo Caído.

    “Nas profundezas da antiga cidade soterrada de Banuta, um velho primata, que aprendeu com o tempo a conviver entre os humanos e até mesmo a falar a nossa língua, ostentava uma relíquia deveras interessante. A Relíquia do Tempo é capaz de flexibilizar as eras e atirar gente pelo espaço-tempo, ressalvadas certas condições. Creio que, após Apocalypse passar pelo próprio portal para sair dos Poços do Inferno, Crunor o tenha transformado na Relíquia do Tempo.”

    Jason olhou para John como se nunca o tivesse visto na vida.

    — Ela pode me levar de volta?
    — Possivelmente – John aquiesceu. – Contudo, como tudo mais, exceto a Espada de Crunor, a Relíquia do Tempo encontra-se sob guarda e custódia de Lúcifer em seu palácio em Goroma, agora.

    Jason raciocinou por um instante. Por um momento, sentiu-se desconfortável; quando John começara a falar sobre a Relíquia do Tempo, ele mesmo já tinha considerado a oportunidade de manter todas as relíquias sob seus olhos. Era preocupante que Lúcifer e ele tivessem a mesma ideia.

    — Com relação a onde estão Leonard, Svan, Heloise e Melany, sinceramente, não faço a menor ideia. Imagino que a Relíquia os tenha atirado para locais aleatórios deste tempo, e não descarto a possibilidade de que eles estejam em Goroma neste exato momento.
    — Mais um motivo para minha expedição – Jason assentiu firmemente, como que para reafirmar a tese. – Como posso matá-lo?

    John sorriu amarelo para ele, achando curiosa sua ingenuidade.

    — Lúcifer não pode ser morto, nem mesmo com a Espada de Crunor.
    — Mas…
    — Jason, você não entende.

    O incandescente se levantou e começou a andar pelo quarto, aparentemente imerso nos próprios pensamentos.

    — O equilíbrio não pode ser rompido. O bem e o mal, o branco e o preto, o certo e o errado, Jesus e Lúcifer, o yin-yang. O Anjo Caído abalou seriamente o equilíbrio quando tomou algumas das suas mais recentes atitudes. Ninguém pode governar amplamente este mundo. Embora Crunor seja o senhor do universo, ele mantém a possibilidade de que os homens pensem por si mesmos, que escolham o caminho pelo qual desejam seguir.

    “Não é possível matá-lo, desintegrá-lo, destrui-lo, esfacelá-lo, em nenhuma hipótese. Crunor e o Anjo Caído foram feitos para serem eternos. Mas, sim, é possível trancá-lo de volta, por tempo indeterminado. Entende o que quero dizer?

    “Sim, é possível trancá-lo novamente, porém, é um feitiço que exige que certos requisitos sejam preenchidos. Infelizmente, o último detentor do Livro de Feitiços antes de Lúcifer foi Lancaster Wilshere, que foi morto em Liberty Bay, há muitas décadas. O Anjo Caído tem a guarda do Livro hoje também, e não conheço outro lugar onde esse feitiço tenha sido replicado.”

    — Posso recuperar a Relíquia do Tempo e o Livro de Feitiços na mesma expedição – teimou Jason. – Na mesma oportunidade, trancafio novamente esse filho da puta.

    John fez que não.

    — Não adianta trancá-lo agora – ele se sentou novamente. – Você precisa aprender a magia, utilizar a Relíquia do Tempo e trancá-lo novamente na sua época, ou todo o continente terá sofrido com a sua fúria. Entende? Precisa voltar ao passado, precisa voltar ao seu tempo. Tem que prendê-lo novamente logo que ele foi solto. Não pode fazê-lo nesta época.
    — Droga, John.

    Foi a vez de Jason se levantar, irritado como estava quando quebrou duas cadeiras. John manteve-se alerta para o caso de precisar contê-lo, mas ele não fez menção de destruir mais nada.

    — Como espera que eu invada Goroma, tome as duas relíquias, encontre meus amigos e retorne? É virtualmente impossível fazê-lo sozinho.

    John olhou nos olhos de Jason somente por tempo suficiente para o garoto se irritar ainda mais.

    — Nem pensar. Já vi você sendo morto uma vez, não vai acontecer de novo.
    — Então, faça sozinho – John cruzou os braços. – Boa sorte.

    O espadachim abriu e fechou a boca várias vezes, aparentemente sem saber o que dizer. Agora, Jason estava diante de um grande conflito de interesses e vontades: arriscaria a vida de John novamente ao levá-lo consigo, ou falharia na missão de invadir Goroma sozinho?

    Ambas as hipóteses pareciam igualmente dispensáveis, mas ele teria que escolher uma. Não era um momento simples.

    — E quanto a Ryan e Rosa?

    Jason fez que não.

    — São camponeses, não sabem lutar. E não quero ter que me preocupar ainda mais com terceiros quando tenho que evitar morrer.

    O garoto se sentou novamente.

    — Que tal é Goroma?

    John deu de ombros.

    — Goroma é um vulcão parcialmente ativo. Às vezes explode, lançando demônios para todos os lados, às vezes não. Não entra em erupção desde que ele fixou seu trono lá, há cerca de três décadas. Dizem que matou Morgaroth só para tomar sua sala.

    Jason não fazia ideia de que diabo era “Morgaroth”, mas preferiu não perguntar.

    — Escute, Jason… Conheço dois combatentes da Guarda de Crunor que talvez possam nos ajudar. Veja, talvez possam – ele frisou as palavras. – Não ouço falar absolutamente nada sobre Dean ou Gadreel há muitos anos, mas sei que não morreram nesta guerra.
    — Como você sabe que não morreram? – perguntou Jason, curioso.

    John deliberou.

    — Cada incandescente possui esse… núcleo, essa força vital, que é sentida por todos os demais incandescentes. Quando ela se esvai, sabemos no mesmo momento.

    O cavaleiro assentiu, aceitando a história. Imaginava que fosse alguma coisa do gênero.

    — Como são Dean e Gadreel?
    — Gadreel era o incandescente que realizava a guarda do Paraíso antes do homem cair em tentação – Jason não entendeu absolutamente nada. – E Dean já enfrentou Lúcifer em um outro momento, conhece os caminhos para derrotá-lo.
    — O que precisamos fazer para encontrá-los?

    John levantou a cabeça, incerto.

    *

    Randal continuou com seu sistêmico dever de não fazer absolutamente nada, fitando o vazio com a boca ligeiramente aberta. A vida tinha se resumido àquilo nos últimos 70 anos: um combate aqui, outro ali, e de repente Lúcifer o designa para não fazer nada.

    Não havia demônio ou ser humano em qualquer local visível. As patrulhas agora eram muito mais espaçadas; aqueles que combateram do jeito que ele queria tinham sido levados ao palácio em Goroma, ao contrário daqueles que não, que foram designados para missões estúpidas como aquela.

    Bem que eu gostaria de um pouco de ação, pensou ele.

    Repentinamente, um homem com a pele surpreendentemente queimada de sol materializou-se ao seu lado.

    — Cuidado com o que deseja – disse, com a voz rouca.

    Ele pousou a mão espalmada sobre a testa de Randal e o demônio experimentou aquela sensação irresistível de curvatura da coluna vertebral, caindo de joelhos. No instante seguinte, seu corpo estava absolutamente paralisado; não conseguia mover os braços, as pernas ou a cabeça.

    Sabia quais eram a únicas criaturas capazes de criar aquele tipo de sensação sobre demônios. Anjos.

    Salazar surgiu diante dele, e seus olhos eram curiosos.

    — Randal – identificou o anjo, olhando para um segundo homem, que o demônio não conhecia. – Um demônio de terceiro escalão.
    — Serve? – perguntou o outro homem.

    Salazar assentiu uma vez, de olhos fixos em Randal.

    Ele tocou a cabeça do demônio e o ar tremeluziu, dissolvendo o ambiente. No instante seguinte, Randal estava atirado a um canto de uma tosca cabana aparentemente aberta no coração de uma montanha, sob uma inequívoca armadilha de demônios desenhada às pressas no teto.

    — Francamente – praguejou, colocando-se de pé com esforço. Sabia, porém, que não poderia sair da área de alcance do sigilo.

    Sobre a mesa manufaturada de madeira, havia uma pequena vasilha de barro. Algo que se assemelhava com sangue preenchia-lhe quase a metade, e Randal não deixou de notar que tanto Salazar quanto o outro homem tinham marcas idênticas nos braços, exatamente na mesma altura.

    É um ritual, pensou, ligeiramente temeroso.

    — Sangue de incandescente, sangue de humano e sangue de demônio – disse Salazar, concentrado, abrindo um talho no braço de Randal.

    O demônio não fez conta de protestar. Não havia nada que pudesse fazer e, sinceramente, estava suficientemente exausto. Se o anjo o matasse, estaria lhe fazendo um favor.

    Salazar depositou o sangue extraído na vasilha e a mexeu com o auxílio de uma colher de pau. A qualquer instante, pensou Randal, inerte.
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

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  5. #15
    desespero full Avatar de Iridium
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    Like primeiro, degustação e digestão dos acontecidos depois. Vamos ao capítulo 4 primeiro.

    Capítulo fantástico, mas eu não esperava a morte dele. Não ainda; achava que titio Luci enrolaria um pouco mais, postergando para explicar algo ou outras motivações sórdidas.

    E esse capítulo de agora me deixou com mais dúvidas do que antes; eu realmente não tenho muito a dizer por questões de conjecturas. Está fantástico e eu quero o restante para que então todas as peças desse quebra-cabeças divinamente infernal esteja montado.


    Abraço,
    Iridium.






  6. #16
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    CAPÍTULO 6 – O ARQUEIRO DE CRUNOR


    Melany não disse qualquer palavra quando retornou à cela, tampouco quando, para a surpresa dos demais, dois homens de terno abriram as grades e escoltaram os amigos para fora. Rapidamente, a amazona explicou que um homem chamado Cain a havia salvado da tortura engendrada por Apocalypse, e que decidira soltá-los por acreditar que nenhum deles oferecia perigo ao reinado do Anjo Caído.

    Por algum tempo, Leonard fez todos acreditarem que ele realmente já havia ouvido falar de Cain no passado, mas a conversa não se prolongou tanto quanto o arqueiro pretendia. Não levou muito tempo para que os quatro amigos fossem postos para fora do palácio, encontrando-se em um terreno absolutamente estranho.

    Heloise foi a primeira a notar que o castelo do Anjo Caído havia sido erigido sobre um vulcão. Disse, inclusive, que sentia a lava pulsar lá embaixo, como se estivesse ansiosa para ser libertada. A despeito daquilo, contudo, ninguém parecia fazer a menor ideia de onde estavam, exatamente.

    Uma montanha intransponível se erguia onde Leonard supôs ser o lado leste do vulcão e, a oeste, ao norte e ao sul, o oceano, que parecia triste, atirava suas ondas vagarosas e preguiçosas para cima e para baixo.

    — Estrutura familiar – disse Svan, checando um corte que tinha no rosto, cujo sangue já estava seco. – Vagamente, mas familiar.

    Heloise olhou para ele.

    — Já viu este terreno em algum momento?
    — Arriscaria dizer que é Goroma. Mas está massivamente distinto daquilo que conheci, quando empreendi missão para cá com Lawton Walker, muitos anos atrás.

    Leonard questionou-lhe sobre se Svan conseguia identificar algum ponto, por menor que fosse, em comum com a Goroma que conhecia, mas o capitão não soube dizer. Secretamente, o arqueiro achava que Cain havia sido deveras ardiloso: soltou os quatro para que morressem de fome naquele pedaço de terra esquecido por Crunor.

    Svan torceu a cabeça de lado, raciocinando.

    — Existe uma passagem no corpo das rochas das montanhas por onde Lawton e eu passamos – disse, os olhos estreitados. – Não me lembro exatamente onde é. Armas em punho, vamos nos dividir e procurar. Melany comigo, no sentido norte; Heloise e Leonard, no sentido sul. Quem encontrar a entrada dispara um feitiço para cima.

    Todos concordaram e, então, o grupo se separou. Embora não fosse tocar no assunto, no entanto, Svan notou que a amazona estava mais calada do que costumava ser em outrora. Ao mesmo tempo em que estava alerta, focada na missão de encontrar uma forma de sair dali e voltar para Carlin, Melany parecia também assustada e, por algum motivo, parecia querer ficar sozinha.

    Antes que Svan dissesse qualquer coisa, cedo demais, os dois notaram um feitiço sendo disparado para cima, poucos metros ao sul.

    — Essa foi rápida – ele sorriu para ela, mas Melany lhe deu as costas em silêncio e começou a andar.

    Ele deu de ombros e a seguiu. Surpreendentemente depressa, encontraram-se com Heloise e Leonard, que apontavam para um buraco aberto exatamente na junção das rochas da montanha com o chão de terra.

    Svan fez que sim.

    — Exatamente por aqui – confirmou.

    Lentamente, os quatro desceram pelo buraco, saindo em uma caverna ligeiramente apertada. Aqui e ali, a água do oceano ia se infiltrando, provavelmente oriunda de outros túneis cavados e que vieram a desabar no curso do tempo. Poucos passo adiante, havia um buraco no teto baixo por onde se infiltrava uma parca luz perolada.

    Svan deu de ombros e tomou a frente, conduzindo o grupo. Finalmente, chegaram à superfície.

    Não podia haver surpresa maior.

    Todo o campo visível estava absolutamente soterrado por uma densa camada de neve. Onde a linha do continente se coadunava com o oceano, no extremo leste, pequenos cristais de gelo acompanhavam as ondas, acumulando-se em grandes flocos na costa.

    Adiante, próximo dos destroços de um navio que outrora devia ter sido muito funcional, havia um homem velho e muito magro, todo trajado com pesadas roupas azuis e reflexivas. Era uma forma interessante de enfrentar o inverno rigoroso.

    O capitão de Heloise o conhecia muito bem. Jack Fate era um fantasma, proprietário do navio que fazia a travessia entre Goroma e Liberty Bay, e que havia sido morto em uma expedição à ilha em uma emboscada armada por trasgos. Ele não parecia fazer conta do frio, mas dava a impressão de estar absolutamente decepcionado.

    — Jack – cumprimentou Svan, batendo os dentes.
    — Tudo destruído – disse ele, a voz etérea e distante. – Meu navio destruído.

    Dos quatro amigos, a rainha e Melany enfrentavam o frio com muita tranquilidade. Provavelmente por causa de suas habilidades especiais de druidas, que utilizavam o gelo como elemento próprio de sua natureza.

    — Jack, o que houve?

    O capitão do navio olhou para Svan e depois para Leonard, fixando-se no arqueiro. Não disse qualquer palavra.

    Svan relanceou mais um olhar nos arredores. O céu estava totalmente encoberto por uma densa nuvem até onde os olhos podiam enxergar.

    — O Arqueiro de Crunor – disse Jack Fate repentinamente, sem tirar os olhos de Leonard. – A força da sua criação em ambiente terreno.

    Os amigos entreolharam-se e, de repente, o capitão se aproximou de Leonard muito depressa. Não havia trinta centímetros entre a distância do rosto do capitão para o rosto do arqueiro.

    — Conhece sua missão, Leonard Saint?

    Leonard tentou recorrer aos amigos, mas nenhum deles se manifestou.

    — Mate o comandante, assuma seu lugar – continuou Jack Fate, aparentemente em transe.
    — Que comandante?

    Jack sorriu, revelando a ausência de vários dentes.

    — Mate o comandante, assuma seu lugar – repetiu.

    Leonard abriu a boca para argumentar novamente mas Jack o interrompeu.

    — Mate o comandante, assuma seu lugar! – ele gritou, falando muito depressa, alucinado. – Mate o comandante, assuma seu lugar! Mate o comandante, assuma seu lugar! Mate o comandante, assuma seu lugar!

    O arqueiro estava prestes a sair correndo por puro desespero quando Svan sacou sua espada e atacou o fantasma, que desapareceu instantaneamente. Leonard sabia como o capitão fizera aquilo: ferro puro em contato com um fantasma afasta-o por algum tempo. Seria o suficiente para que Leonard colocasse suas ideias em ordem.

    Jack Fate estava em Goroma havia mais de mil anos e já devia ter visto absolutamente tudo na vida – ou na morte. “O Arqueiro de Crunor”, ele dissera. Todos sabiam que Jason era o detentor da Espada, que era descendente de Crunor e que era seu escolhido. Leonard não fazia ideia de o que significava ser o Arqueiro de Crunor.

    Além disso, a qual comandante o barqueiro se referia? “Mate o comandante, assuma seu lugar”, ele havia repetido incessantemente. Svan era capitão. Afora isso, não conhecia mais ninguém que ocupasse alguma posição de comando em qualquer cadeia militar.

    Naquele instante, Svan, que havia caminhado até o navio para checar suas condições, já vinha retornando com dificuldade, abrindo espaço pela neve alta. Ele sacudiu a cabeça em tom positivo.

    — Algumas das estruturas da embarcação estão conservadas. Embora não seja possível navegar, talvez possamos passar a noite.

    Como o capitão chegara à conclusão de que estava anoitecendo, Leonard não tinha a menor ideia. O céu, naquele lugar, parecia sempre denso e sempre negro. Era difícil de identificar a diferença entre o claro e o escuro ali.

    Os quatro chegaram ao navio puído e quase totalmente dominado por algas, que se agarravam e cresciam aqui e ali, e subiram as escadas para o convés. Svan tinha razão, aquele navio não estava apto para navegar. A amurada estava parcialmente destruída e faltavam várias tábuas no convés, além do que outras tantas estavam soltas e todos precisavam se atentar ao pisar em qualquer uma delas.

    Parte da embarcação estava encalhada na neve, onde havia um imenso rombo no casco, que parecia ter sido atingido por uma bala de canhão gigantesca. A pequena parcela do navio que encontrava-se na água não era funcional e estava corroída em vários pontos.

    Os amigos subiram até a cabine de comando e empurraram a porta, que estava intacta. Lá dentro, à exceção da poeira que se acumulava no chão e nos móveis gastos, não havia qualquer outro sinal de vida. Três redes empoeiradas haviam sido estendidas entre os mastros que cortavam a cabine.

    Heloise e Melany limparam o lugar rapidamente com o uso de magia. Os quatro se assustavam sempre que o feitiço saía mais forte do que o necessário e fazia ranger as estruturas do navio; porém, não levou muito tempo para que a cabine estivesse temporariamente habitável novamente.

    — Alguém terá que dormir no chão – observou Svan.

    Leonard sacudiu a cabeça.

    — Faremos um revezamento das redes. Um de nós sempre deverá estar de vigia, então, não haverá prejuízo para ninguém.

    O capitão fez menção de tomar o primeiro turno, mas Leonard sacou o próprio arco e o impediu.

    — A guarda inicial é minha. Descanse. Fazemos o primeiro revezamento em uma hora e meia.

    Svan não discutiu e logo assumiu uma das redes, sendo espelhado por Melany e Heloise, que não tardaram para adormecer. Ele estava certo, pensou Leonard, quando saiu para o frio enregelante: estava escurecendo muito rapidamente. Logo, a noite lançou seu manto intransponível sobre eles, por cima daquele nevoeiro que não arredava pé.

    Pouco mais de meia hora depois, o fantasma de Jack Fate ressurgiu, mas não subiu no navio. Em vez disso, o maluco se manteve lá embaixo, de costas, gritando “mate o comandante, assuma seu lugar”, até que Leonard perdeu a paciência e atirou um mancal de ferro contra ele, fazendo-o desaparecer.

    O arqueiro se recostou na amurada parcialmente destruída e tentou entender o que estava acontecendo.

    Inutilmente.

    *

    Apocalypse entrou na sala fria de Cain e olhou para todos os cantos, ligeiramente enojada. Ele não fez menção de ter notado sua presença, mas logo não houve mais como fingir.

    — Comandante – ela concedeu, de má vontade.
    — Pois não, soldada.

    Ela torceu o nariz, irritada.

    — Tem noção de que deixou escapar o Arqueiro de Crunor?

    Cain assentiu uma vez, analisando longamente o fio do punhal que segurava entre as mãos nodosas. Sua barba tremeu um pouco, como se ele estivesse fazendo esforço para não rir.

    — Não tem receio de que…

    Ele se levantou e se aproximou dela, que não pode evitar se retesar.

    — Não sou como vocês, demônios imundos, que dão a bunda para não perder a vida – disse ele, mordaz. Apocalypse recuou um passo. – Chama-se “dividir para conquistar”. Se Jason Walker estiver aqui, Leonard Saint vai recorrer a ele cedo ou tarde.

    Apocalypse não respondeu, tampouco conseguiu sustentar o olhar de Cain.

    — Saia da minha frente, ralé, antes que perca minha paciência definitivamente e tranque você na jaula de Lúcifer.

    Ela lhe deu as costas e saiu caminhando, um pouco confusa.
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    Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Acompanhe a terceira história de Jason Walker na seção Roleplay!

  7. #17
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Cain NERVOSO ashuadhuahsuahsuahuhsu

    Eu gostei bastante do capítulo. Por um instante eu tinha confundido o Leonard com o John e a minha cabeça bugou, mas aí então eu entendi quem estava em cena e o susto passou. Quem é o Lawdon Walter? Se ele já apareceu na história, eu esqueci X.x

    De qualquer maneira, gostei muito do capítulo. De um lado, um grupo perdido, com nenhuma informação e lampejos de esperança para guiá-los. Do outro, um grupo maior, muito bom informado, armado e com muita vantagem. Veremos quem se sobressai.

    Aguardo o próximo.


    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 23-05-2017 às 12:35.

  8. #18
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    Ótimos últimos capítulos. A personalidade, a reação das personagens, você descrevendo tudo tão sucintamente e, ao mesmo tempo, de forma tão rica e expressiva, sem nenhum grande floreio ou exagero. Espero ter mais capítulos deliciosos como estes últimos, para deleitar nós leitores em sua escrita peculiar.

    No mais, meio que os alicerces da história se formaram. Aguardo ansiosamente o que acontecerá, já que os rumos já estão meio definidos (ao menos para Jason Walker), e aguardo o Caim aprontar alguma coisa. Não dou muito tempo de vida para Apocalypse, há não ser que haja uma jogada de mestre por parte dela, que não precisa ser necessariamente nesse tempo...

  9. #19
    Avatar de Neal Caffrey
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    CAPÍTULO 7 – OS COMBATENTES DO SENHOR


    Jason, John e Randal estavam diante de duas figuras muito singulares naquela apertada e tosca cabana. Um deles era um pouco mais alto que o outro, embora ambos fossem altos, e os dois tinham curtos cabelos dourados e olhos azuis como o céu. O mais baixo era consideravelmente mais forte; seus feixes musculares desenhavam-se perfeitamente ao longo dos braços e do torso torneado.

    Por algum motivo, os dois usavam camisetas roxas sem estampas, calças e jaquetas jeans e botas de caminhada. Pareciam exaustos.

    — John – cumprimentou o mais baixo. Tinha voz roca e desconfiada.
    — John – espelhou-o o mais alto, de voz consideravelmente mais suave e melodiosa.
    — Gadreel. Dean – John sorriu.

    Pelo andar da carruagem, Jason entendeu que Gadreel era o mais alto e Dean, o mais baixo. Jason franziu o cenho por um instante, mas não achou que Gadreel e Dean pareciam tão felizes em ver John quanto este estava em vê-los. Pelo contrário: achou que o feitiço de invocação que fora realizado pelo incandescente os deixara ligeiramente aborrecidos.

    De repente, Gadreel pareceu ter notado a presença de Randal no canto.

    — Por que nos invocou neste lugar abominável, com este ser humano abominável e com esta criatura abominável? – questionou, friamente.

    O cavaleiro abriu a boca para protestar, mas John o calou com um gesto.

    — Precisamos recuperar a Relíquia do Tempo e devolver Jason Walker para sua época – explicou ele muito rapidamente. – A Relíquia está guardada com o Anjo Caído em seu palácio, junto dos demais artefatos.

    Foi a vez de Dean torcer a cabeça de lado, dando a entender que estava confuso. John engoliu em seco, mas não disse mais nada.

    — Acha que estamos disponíveis para empreitadas suicidas com anjos caídos e seres humanos? – perguntou, a voz grave e rouca ecoando no espaço fechado.
    — Dean…
    — Escute aqui.

    Dean venceu a distância até John com uma velocidade impressionante.

    Em não raras ocasiões, Jason vira o incandescente ser pressionado por adversários, mas nunca por aqueles que em tese lutavam consigo. Inobstante, aquela situação não era usual. Dean parecia agressivo e impaciente, especialmente com John, e não fizera conta sequer de olhar para Jason em momento algum desde que chegaram até ali.

    — Resolva os problemas que criar – disse, com o dedo na cara de John, acuado contra a parede. – O Anjo Caído é virtualmente invencível neste momento, e estamos gastando muito tempo tentando colocar as coisas em ordem lá em cima. Perdemos muito, perdemos muitos. Nossa guarnição possui hoje um contingente extremamente reduzido. Sinceramente, pouca questão faço deste planeta. Que exploda e soterre todos juntos, inclusive esses macacos andarilhos que Crunor resolveu criar.

    As palavras de Dean chocaram-se contra John como se fossem chicotes com extremidades afiadas. O incandescente recuou e encolheu, absolutamente subjugado pela provável maior força do outro. Gadreel assentiu duas vezes, como que para enfatizar as palavras do colega.

    Jason, porém, achou que as referências utilizadas por ele eram deveras injustas e até mesquinhas.

    — Então é isso que fazem quando estamos de costas? Arrumam a bagunça “lá em cima”, viram as costas para a Criação e vão até outro mundo, criar outras aberrações contra as quais vocês terão que lutar depois?

    Dean e Gadreel viraram-se para Jason de uma vez só, surpresos, mas não mais do que John. O incandescente parecia ter sido esfolado vivo, de tão vermelhas que ficaram suas bochechas.

    — Vou-lhes dizer uma coisa, Grean e Dedrael, ou seja lá que nome tenham: entrem um de cabeça no rabo do outro e façam a festa lá dentro. Enquanto estiverem ocupados comendo as fezes um do outro, tentaremos corrigir essa bagunça “aqui embaixo”. Bagunça que vocês criaram.
    — Nós criamos? – Gadreel sorriu para ele, indulgente, mas muito calmo. – Você realizou os trabalhos.
    — E não me lembro de ninguém ter vindo até aqui com suas palavras alucinógenas para nos instruir a não o fazer – Jason replicou, com raiva. – Vão. Podem ir. Vocês são o mais próximo da definição de lixo com que já tive contato.

    Gadreel aproximou-se de Jason, muito devagar.

    — Cuidado com as palavras, macaco.
    — Ou o quê? – Jason o desafiou. – Vai matar o dono da Espada de Crunor? O descendente do Criador? Gostaria de vê-lo tentar. Chutarei esse rabo angelical frouxo como se estivesse jogando futebol.

    Surpreendentemente, Dean riu, achando muita graça.

    — Até que gosto dele – comentou.
    — Sua bunda também não será perdoada – respondeu Jason.

    Dean sacudiu a cabeça rindo e murmurou algo parecido com “macacos de circo”, antes de desaparecer no ar, levando Gadreel consigo. John finalmente conseguiu se mover, apenas o suficiente para alcançar uma cadeira próxima e se sentar, tremendo da cabeça aos pés.

    Por alguma razão, o demônio Randal analisava a cena sentado sobre as pernas, achando-a interessante. É provável que já tivesse ouvido falar a respeito da guerra de egos no céu, porém, mais provável ainda era que estivesse presenciando a cena pela primeira vez na vida.

    Jason atravessou a sala até o armário de suprimentos, resmungando sozinho. John não dissera nada; mantinha-se estático e de olhos fixos nos desenhos que a madeira criara na mesa puída, sem saber bem o que pensar.

    O cavaleiro demonstrara certa fibra. Uma vez mais. Encarar Dean era difícil; encarar Gadreel era difícil; encará-los juntos era missão impossível, embora evidentemente não se pudesse exigir aquele conhecimento de alguém que efetivamente não os conhecia.

    — Não… consigo imaginar por que meus irmãos estão agindo assim – disse John, finalmente. – Fomos criados para proteger a humanidade, para abençoá-la. Deve haver bagunça o suficiente no céu para, inclusive, ser questionada a posição dos arcanjos. Nenhum deles parece se respeitar mais.
    — Que morram todos engasgados com grandes pedaços de merda empurradas goela abaixo de cada um – Jason respondeu.

    Randal riu, mas se calou ao receber o olhar dos outros dois.

    — Jason, não posso exigir…
    — Não me diga nada – o cavaleiro o cortou, de olhos fechados. – De verdade. Não me diga nada.

    John cerrou os lábios e se calou. A verdade é que estava absolutamente decepcionado com os irmãos. Muito mais do que Jason poderia imaginar.

    *

    — Quem é você e o que quer?

    Leonard apontava uma afiada flecha contra a cabeça de um homem alto, louro e de olhos azuis, que acabara de brotar do nada diante de si. Ele era forte e vigoroso, mas mantinha as mãos erguidas mais ou menos na altura do peito e espalmadas, em sinal de rendição.

    — Calma, garoto – disse, a voz grave e rouca. – Vim até aqui para ajudá-los.
    — Identifique-se – repetiu Leonard, entre os dentes.

    O homem revirou os olhos.

    — Meu nome é Dean, e eu sou um combatente do Senhor.

    Leonard baixou ligeiramente o arco mas logo tornou a levantá-lo.

    — Um combatente meu? Não tenho combatentes.

    Dean levou dois segundos para entender a confusão que fizera o arqueiro. Céus. O que esse idiota tem de habilidoso, tem de estúpido.

    — Um combatente do Senhor, com “S” maiúsculo, e não do senhor, com “s” minúsculo – explicou, pacientemente.

    Leonard abriu a boca em um cômico “O”, em sinal de compreensão.

    — De Crunor?
    — Precisamente.

    O arqueiro assentiu uma vez, mas não baixou o arco.

    — Prove.

    Dean sacudiu a cabeça.

    — Não tenho como provar. Mas tenho informações sobre Jason Walker, se isso puder chancelar minha visita.

    Leonard baixou o arco totalmente, mas somente por um segundo. No instante seguinte, sacudiu a cabeça, como quem dissesse “continue falando”.

    — Jason Walker está numa montanha ao norte de Carlin, ou do que sobrou dela, na companhia de John Walker – disse Dean, alheio aos protestos de Leonard, que insistia em dizer que John estava morto. – A montanha é inteira uma armadilha contra demônios, nenhum deles pode ingressar nela. Eles pretendem invadir Goroma, mas não podem fazer isso sozinhos, embora possam se transportar para cá, dois por vez, sempre com o auxílio de John Walker.
    — John está morto, diabo – repetiu Leonard, incansavelmente.
    — John retornou – Dean explicou o óbvio. – E está auxiliando Jason Walker. Posso levá-los até uma região próxima deles, mas não todos. Como eu disse, somente dois. A influência de Lúcifer neste pedaço do planeta é muito intensa. Se eu passar tempo demais aqui, ele perceberá.

    Naquele instante, Heloise e Melany saíram para o ar frio, aparentemente inertes quanto à neve que os rodeava. As duas, que tinham ouvido a conversa, olharam para Dean e aceitaram de pronto suas palavras, sem objeções.

    — Quem devo levar?

    Leonard se candidatou imediatamente, e imaginou que Melany fosse acompanhá-lo, mas a amazona deu as costas ao grupo e retornou para dentro da cabine do navio, sem dizer palavra. Todos vinham estranhando o comportamento da garota, mas nenhum tivera suficiente coragem para interpelá-la, inclusive Svan. A verdade é que a garota fora levada por Apocalypse mais cedo, e ninguém sabe o que foi feito com ela, e de que forma foi feito. Ela parecia cansada e em transe.

    — Eu vou – disse Heloise, franzindo o cenho. – Mencionou Carlin, ou o que sobrou dela, e disse-nos que pode nos levar até uma localidade próxima. O que quis dizer?
    — Carlin foi destruída, como todas as demais cidades do planeta. A essa altura, se não sabem, devem saber que foram lançados 150 anos adiante no tempo, e todos vocês já morreram, infelizmente todos em combate. O plano de John Walker é o de devolvê-los à sua época, para que possam mudar a história. Porém, não posso lhes dar maiores informações a esse respeito.

    Heloise assentiu, inquieta.

    — Vou deixá-los a cem metros da base da montanha – disse Dean. – Porém, neste momento, os demônios que patrulham o perímetro já deram falta de Randal, um deles, e imaginam que John o tenha levado. O cerco nos entornos da morada de John pode ser… desafiador.
    — Pode nos ajudar a combater? – perguntou Leonard.
    — Posso ajudá-los a chegar até lá, mas não vou matar ninguém. Não posso matar ninguém. Nós não rompemos o equilíbrio. Mas conseguirei abrir caminho, guiá-los até lá pelo trajeto mais simples, menos complicado.

    Leonard fez que sim.

    — Parece-me suficiente.

    Dean aproximou-se dos dois.

    — Quando estiverem prontos.

    Leonard e Heloise fizeram sinal positivo e Dean tocou-lhes a testa. A última visão que tiveram foi do navio destruído, a muitos metros de distância.
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  10. #20
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    Eu juro que não consegui deixar de lembrar do Dean Winchester quando vi esse anjo aparecendo. Mas aí eu lembrei que o Dean tá mais virado pro lado dos demônios que dos anjos.

    Excelentes capítulos, Neal. Estou gostando do seguimento deles e do desenvolvimento do enredo. Aparentemente, a melhor forma de solucionar um problema que não pode ser solucionado mais é voltar pra quando ele foi criado. E eu acredito que Jason conseguirá enfrentar Lúcifer numa luta justa e, quem sabe, vencer.

    Achei bem interessante essa coisa dos anjos estarem tacando o foda-se pra humanidade e de como Jason os enfrentou. Acho que só ele mesmo pra fazer algo assim, pois o John não é de ficar distribuindo xingamentos pros outros, além do Jason estar sempre acompanhado do Leonard, o boca suja-mor. Confesso que senti medo de que Jason morresse pros anjos nessa altura do campeonato e a humanidade não tivesse mais salvação.


    Como sempre, acompanhando. Mesmo que eu deixe uns capítulos passarem.

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