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Tópico: Jason Walker e a Relíquia do Tempo

  1. #1
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    Padrão Jason Walker e a Relíquia do Tempo

    Caros e dignos amigos, boa tarde.

    Como alguns de vocês já notaram, Jason Walker e os Poços do Inferno findou, mais uma vez impulsionando o próximo conto da saga. Decidi trazê-lo já, porque tenho escrito freneticamente e temo que acabe por finalizar o conto antes mesmo de começar a postá-lo.

    Assim, aos meus fiéis leitores, requeiro a companhia de vocês, uma vez mais. Àqueles que acompanham mas não postam, espero que possa satisfazê-los, mesmo que os novos capítulos ainda não tragam as vossas postagens. E àqueles que não acompanham, nem postam... deem uma chance.

    Moving forward, fellows. Espero não ser responsável por nenhum anticlímax.

    ------------------------------
    Data: 22/09/2017
    Atualização: Postados o Capítulo 17 (Nêmesis) e o Epílogo
    ------------------------------
    Spoiler: Prólogo


    Spoiler: Capítulo 1 - Ao Infinito, e Além

    Publicidade:
    Última edição por Neal Caffrey; 22-09-2017 às 19:05. Razão: Atualização do Conto
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Sétima Vingança
    Acompanhe a penúltima história de Jason Walker na seção Roleplay!

  2. #2
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Nossa senhora, fiquei confusa HAUEHUEHAUEHUHE

    Creio que essa era a intenção desse prólogo e do capítulo 1. Pelos deuses, quando o Jason consegue ir resolver um problema, outro ainda pior aparece O.o

    Parece então que teremos aqui uma narrativa sobre futuro distópico e uma possível alteração dele. Vamos ver no que vai dar. Aguardo ansiosamente os próximos capítulos e comentarei sempre que possível.

    À propósito, é uma trilogia? Eu não lembro se no primeiro arco das histórias do Jason Walker você falou sobre o número esperado de arcos.

    De qualquer maneira, espero o próximo capítulo ansiosamente!




    Abraço,
    Iridium.

  3. #3
    Avatar de sirtchuck
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    Cara, isso é muito bom. Sério, muito bom!

    presente amigo secreto OFF 2013. VALEU SCKARR!

  4. #4
    Avatar de Neal Caffrey
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    Spoiler: Respostas


    CAPÍTULO 2 – A MAIS NEFASTA DAS TÉCNICAS

    Melany sentia como se sua mente estivesse sendo comprimida por uma prensa gigante. Cada um dos seus músculos protestava avidamente, requerendo alívio, mas ele simplesmente não vinha. Ela estava prestes a mergulhar na inconsciência novamente quando sentiu um puxão vigoroso em seus cabelos, na nuca, e sua cabeça, que estivera submersa por um tempo que lhe pareceu infindável, foi alçada para fora da água novamente.

    Ela respirou, sorvendo ar com gratidão. Seus pulmões ardiam pelo esforço de mantê-los fechados enquanto era submetida à nefasta técnica de tortura desenvolvida por Apocalypse e seus correligionários. Já estava ali por muito tempo e, até aquele momento, não entendia por que estava sendo torturada; Apocalypse fizera uma sucessão de questionamentos a respeito de Jason cujas respostas a garota não fazia a menor ideia. O demônio, é claro, não se convenceu de sua argumentação e simplesmente continuava a torturá-la.

    — Quanto antes responder, mais cedo morrerá – advertiu Apocalypse, que não tinha mais nenhum vestígio do sarcasmo que era propriamente seu no passado.
    — Já disse… que não faço… ideia…
    — Novamente – ordenou Apocalypse.

    Os outros demônios forçaram a cabeça da amazona novamente para dentro da água, e, por um instante, ela desejou morrer. Dessa vez, desmaiou em poucos segundos e acordou logo depois com uma forte pancada no rosto.

    — Costumava ser mais resistente – ponderou Apocalypse, quase em tom de reprovação. – Estou decepcionada. Acho que…
    — Soltem a garota.

    Essa voz era diferente. Masculina, imperativa, do tipo que não abria espaço para argumentação. Melany sentiu que a forte pegada que segurava seus braços cedeu, quase instantaneamente. Ela sentiu aquela aura demoníaca que só sentia na presença de Zathroth, mas, a julgar pelo momento em que ela pensava estar, imaginava que ele já não mais existisse.

    Ela levantou a cabeça devagar, a visão turva registrando prontamente um homem de meia idade, olhos muito azuis, cabelos cheios e penteados para trás e barba média, quase no estilo lenhador. Tudo era muito grisalho, e ele transmitia uma sensação de segurança que só conflitava com outra sensação, a de que sua presença significava perigo iminente.

    Melany não deixou de notar que o homem era alto, mais alto que Jason, e consideravelmente mais musculoso. Vestia roupas alvas de algodão, e carregava somente um punhal, embainhado em uma cercadura branca, presa à cintura.

    — Cain – disse Apocalypse, quase em tom de rancor. – O que quer dizer com “soltem a garota”?

    Ele se aproximou perigosamente dela, parando a poucos centímetros de distância.

    — Em que momento você deixou de entender o bom idioma?

    Ela engoliu em seco e fez uma careta, como se tivesse acabado de lamber um limão.

    — Saiam daqui, todos os três – ordenou o homem chamado Cain, fazendo um sinal vago com as mãos. – Depressa. Não vou ordenar novamente.

    Por algum motivo, Apocalypse não discutiu; ela deixou a sala rapidamente, sendo seguida por seus dois capangas. Somente agora Melany notara que todos os três, inclusive a mulher, vestiam ternos negros e usavam gravata. Que coisa esquisita para um demônio fazer.

    O local onde estavam era feito de alvenaria, sem dúvida, mas o chão era de madeira. Melany estava sendo empurrada de qualquer jeito dentro de um barril cheio de água, água que vazara e molhara o chão nos arredores de si, conforme ela lutava contra as mãos irresistíveis que a torturavam.

    — Obrigada – disse, baixando a cabeça.

    Cain franziu o cenho.

    — Acha que estou lhe fazendo um favor?

    Ela sacudiu a cabeça em sinal negativo, pouco se importando. Pelo menos, pararam de me machucar.

    Ele puxou uma cadeira e se sentou diante dela, que continuava aninhada no chão frio, tensa.

    — Sabe quem sou, criança?

    Melany levantou a cabeça devagar, sacudindo-a novamente em tom de negação.

    — Sou o segundo da linhagem – disse, recostando-se na cadeira. – Tomei decisões reprováveis, é verdade, mas nada que me parecesse tão ruim quanto o que minha mãe fez. Por alguma razão, no entanto, Deus achou que deveria me punir com mais rigor do que puniu Eva, ou mesmo Adão.

    A garota franziu a testa, mas não disse nada.

    — Eva o desobedeceu – continuou ele, aparentemente imerso em pensamentos, todos muito desagradáveis. – Tomou para nós o conhecimento, o discernimento. Se não o tivéssemos, talvez eu também não tivesse degolado meu irmão – ele deu dois tapinhas na adaga que trazia embainhada. – Tenho muitas semelhanças com o Anjo Caído. Uma delas é o fato de que amei tanto a Deus que me senti enciumado pela criação de Abel ser mais valorizada que a minha. Quis a atenção do Criador só para mim. Foi onde pequei, a julgar pelas escrituras.

    A amazona fechou os olhos. Não fazia ideia de nada do que aquele homem estava falando. Para ela, eram lamentações vagas.

    — Agora, necessito de absoluta precisão na sua resposta. Entenda-me, não sou um adepto das torturas, e não permitirei que isso aconteça com você novamente. Mas, se você está aqui, significa que Jason Walker também está. Isso me confunde. Vocês foram mortos há 130 anos.
    — Eu não sei – ela respondeu entre os dentes. – O Anjo Caído foi libertado porque John Walker morreu. Quando tomamos o portal para sair dos Poços do Inferno, caímos aqui, e a desgraçada me arrastou e começou a me afogar. Jason não está conosco. Não tenho mínimas pistas sobre o seu paradeiro. E acho que não quero ter. Até agora, só o que ele e aquela maldita espada me trouxeram foi sofrimento.

    O homem chamado Cain estreitou os olhos, decidindo-se sobre a história contada por Melany. A garota parecia dizer a verdade; Apocalypse era precisa no que tocava à obtenção de informações e, se ela não extraíra nada da menina, era porque a menina não tinha nada para contar.

    Ele deliberou por um instante, decidindo mudar o rumo do assunto.

    — Quem são os outros três?
    — Por que se interessa?

    Ele deu de ombros.

    — Curiosidade.
    — Leonard Saint, arqueiro, Heloise Pennyworth, rainha de Carlin, e Svan, seu capitão.

    Cain assentiu devagar, como se confirmasse suas suspeitas. Carlin foi destruída, pensou, lembrando-se de como Lúcifer marchou sobre a cidade e a reduziu a cinzas, antes que os outros se reorganizassem em Edron e criassem a contrarresistência. Grande massacre, pensou, sorrindo. Bonito.

    — Interessante. Leonard Saint também foi morto por nós.

    Melany fez cara de “tanto faz”. Cain se levantou.

    — Vou ordenar que volte à cela, receba cuidados emergenciais e que todos tenham direito a alimentação e um banho – disse. – Depois, vocês estarão livres para ir. Não vejo razões para continuarem presos.

    A garota o interpelou.

    — Quem é você, afinal?

    Ele parou a meio caminho da porta, girando a cabeça para trás.

    — Apocalypse acha que é a primeira na cadeia de comando, mas eu sou o forte general do nosso senhor. Nada acontece ou deixa de acontecer nestas bandas sem o meu aval.

    Cain virou-se totalmente e se dirigiu para ela. Melany se retesou, por instinto.

    — Quando saírem, sugiro que levem a vida de Terrenos. Conhecemos as resistências, que hoje são muito parcas, e, em breve, não restará mais nenhuma. Espero que sejam sábios.

    Ele deixou o aposento, batendo a porta atrás de si.

    *

    Cain caminhou devagar pelo tapete vermelho e extenso, parando diante do trono vazio, negro como a noite, acolchoado em vermelho. Os archotes lançavam uma luz bruxuleante sobre a paisagem. Ele aguardou.

    No segundo seguinte, um homem saiu de trás do trono. Tinha cabelos médios, aparados e lisos, e barba feita, para não falar nos olhos azuis. Era alto e vigoroso, e usava um smoking com uma gravata borboleta.

    — Cain – disse ele, a voz controlada.

    Cain fez uma reverência breve.

    — Senhor, a garota não tem informações – reportou, com cuidado. – Se Jason Walker veio parar aqui, por algum motivo, foi separado do grupo.
    — Jesus – disse ele, com nojo.

    Cain assentiu.

    — É minha aposta. O anjo, John, está realmente morto. Quanto a Rafael, Miguel e Gabriel, não temos notícias, mas cremos que o primeiro comanda a resistência de Edron; o segundo, a de Yalahar; e o terceiro, de Liberty Bay. Nenhum dos três foi visto por ninguém nos últimos oito meses.

    O outro fez que sim, aprovando.

    — Jason Walker gosta de Carlin – observou.
    — Uma guarnição foi deslocada para o que restou dela há poucos minutos, meu senhor – Cain continuou. – Se Jason Walker estiver lá, saberemos.

    Lúcifer venceu devagar a distância até seu trono e se sentou, ao que Cain entendeu que sua reunião estava finalizada. Ele fez outra reverência e ia saindo quando foi chamado de volta.

    — Você tem sido um servo leal, Cain – observou o Anjo Caído, alisando o próprio smoking. – Muitas das nossas vitórias derivaram quase que exclusivamente da sua atuação. Devo parabenizá-lo.
    — Existo para servi-lo, senhor.
    — Mais… uma coisa – ele levantou o dedo indicador. – Que Jason Walker morra, sofra, viva, não me importa. Somente garanta que a Espada de Crunor seja adequadamente destruída. É o único elemento que efetivamente me ameaça. É um tanto quanto… frustrante… que Walker a tenha descartado antes de morrer. Porém, se ele estiver aqui, ela também estará. Não me importo com o que acontece com o homem, mas sua guarnição não pode falhar novamente quanto à relíquia.

    Cain assentiu, compreendendo.

    — Certamente, senhor. E… senhor?

    Ele fez que sim, permitindo.

    — Apocalypse precisa de freios – disse, sem rodeios. – Ela torturava Melany Walker como se fosse a melhor forma de obter informações, sendo que bastaram dez segundos de conversa para que ela abrisse o bico. A tortura caiu em desuso, senhor. Sou um leitor de mentes mais hábil do que qualquer outro.

    Lúcifer não disse nada por um longo tempo, mantendo os olhos semicerrados fixos no archote mais próximo do seu trono. Aos poucos, ele começou a fazer que sim, como se, finalmente, desse razão à argumentação de Cain. Seus olhos pousaram na lâmina embainhada na cintura dele antes que voltasse a falar.

    — Você é meu melhor – disse. – Faça o que achar que deve. E, se Apocalypse desobedecê-lo, puna-a exemplarmente. Nosso modus operandi não mudou.
    — Obrigado, senhor.
    — Dispensado.

    Cain levantou-se devagar e fez a última reverência antes de retomar sua caminhada para fora. Agora, tinha o aval: Apocalypse deixaria de ser uma ameaça.
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Sétima Vingança
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  5. #5
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Primeiro, os likes: agora, o comentário. O que me frustra quando eu leio seus escritos é que me faltam coisas para dizer. Me faltam elogios ou outras críticas pois só vejo acertos; mesmo religião sendo um assunto do qual tenho fugido, e muito, nos últimos anos, essa história ao mesmo tempo que é focada no embate entre Cristianismo x Paganismo Tibiano, ela ainda assim não tira os humanos, as pessoas pequenas e comuns, de seu foco.

    De todas as figuras bíblicas que perpassaram minha infância dividida entre um lar materno agnóstico e quase ateu e um "lar" (é muito complicado) paterno e evangélico, Caim certamente me causava certo fascínio; Caim fez tudo o que fez em uma vã tentativa de agradar através daquilo que ele não era, mas que ele tinha. A lição a ser tirada de Caim e Abel é muito interessante: o que você pode dar é apenas aquilo que você tem, e não aquilo que jamais será seu.

    Voltando à sua narrativa: o Anjo Caído e Caim trabalhando juntos, e Caim tendo essa gama de poderes e liberdades que ele mostrou até agora já são o suficiente para eu gostar dele e ficar ansiosa para ler mais. Até porque ele deu uma prensa na Apocalypse, e eu achei digno, belo e moral. XD

    No mais, continue. Suas histórias são belas adições ao acervo da Seção e eu espero que, mesmo ao final delas, você continue por aqui. A gente some às vezes, mas a gente faz o nosso melhor para voltar.




    Abraço,
    Iridium.






  6. #6
    Avatar de Glauco
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    Falando no diabo, aparece o rabo.

    Ja ta exalando um cheirinho de enxofre.

  7. #7
    Avatar de Senhor das Botas
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    Bom, hora de fazer o comentário há muito estou lhe devendo!

    Primeiramente, ótimo finale nos poços do Inferno. Perdoe-me por não comentar, mas saiba que estou sempre a ler seus capítulos. Eles são como um farol ardente de uma grandiosa figura que temos aqui na seção, e eu não gostaria que a luz deste farol se apagasse.

    Em segundo lugar, que introdução f*da essa das Relíquias do Tempo. Sua introdução de Caim, Lúcifer, todo esse universo distópico...

    Enfim, não há muito o que comentar, por ora. Não sabemos muito claramente os rumos que a história irá tomar( apenas algumas sugestões aqui e acolá). Continue, e não desista; estarei sempre a lhe acompanhar


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  8. #8
    Avatar de Neal Caffrey
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    CAPÍTULO 3 – A RELÍQUIA DO TEMPO


    O calor é insuportável. Não sei mais o que fazer.

    Minha voz se estrangula quando meu corpo é cortado novamente em mil pedaços, só para se regenerar e ser cortado novamente. O sofrimento aqui é maior do que em qualquer outro momento da história ou da criação.

    Dois são os segundos de alívio e, logo, as chamas começam a consumir meu ser novamente. Grito, mas minha voz não reverbera. Clamo, mas meu suplício não finda. Rezo, mas minhas esperanças não deixam o calabouço.

    Novamente, estou em mil pedaços. Agora, sinto minhas pernas sendo refeitas; em seguida, meu tronco; na sequência, meus braços; por fim, minha cabeça. Por um segundo, o sofrimento cessa, e, então, tudo se inicia novamente. Da vez anterior, fui queimado vivo, esfolado e esfacelado, até retomar novamente minha forma. Agora, é como se um milhão de lâminas afiadíssimas rompesse cada célula do meu organismo, mergulhando-me na inconsciência parcial. Parcial. Não tenho a sorte de ficar eternamente ou totalmente inconsciente.

    Não morro, não durmo, não respiro, não retorno. Meu corpo começa a ser reconstruído para ser destruído outra vez. O pranto cessa por dois segundos, e, então, recomeça.

    A cada segundo que passo enterrado até o pescoço em sofrimento, minha sede de vingança e meu ódio aumentam. A criação será destruída oportunamente, e meu suplício terá um fim.

    E, então, tudo se desanuvia. Meu corpo intacto toca o chão firme e reluta em se levantar. O cheiro de grama invade meus sentidos, e o ar, ah, o ar! Inflo meus pulmões no limite das minhas capacidades. Levanto-me devagar e ergo os olhos. A luz das estrelas incide sobre mim.

    Estou livre.


    *

    Jason saiu para o ar frio da manhã, que lhe cortava o rosto. Decidira não contar a verdade a Ryan e Rosa. Precisava tomar algumas decisões, e aquela havia sido a primeira delas.

    Difícil de imaginar que esta é Carlin, pensou, amargurado. Falhara. Sob o manto da sua total ignorância, permitira a liberdade do Anjo Caído. Destruí-lo, agora, não faria sentido. Precisava retornar para o seu tempo. Como, não sabia.

    Ainda, havia outro agravante. Onde estão Melany e os outros?

    Ryan confidenciara que Lúcifer mantinha seu palacete no topo do vulcão de Goroma, uma das ilhas subordinadas à jurisdição de Liberty Bay. Não existiam mais navios disponíveis. Não fazia a menor ideia de como chegaria lá. Porém, de alguma forma, imaginava que a chave para o retorno estava no Anjo Caído. Precisava encontrá-lo e combatê-lo enquanto havia tempo.

    Enquanto Jason analisava o céu nublado, Ryan deixou a cabana e se aproximou dele.

    — Escute, Jason, isso custa cada molécula da minha coragem, mas acho que posso ajudá-lo – Jason não fazia ideia do que significava a expressão “molécula”, mas imaginou que fosse algo muito pequeno. – Se você precisa ir até Goroma, conheço alguém que pode levá-lo até lá.
    — A que custo? – perguntou, desconfiado.

    Ryan deu de ombros.

    — Destrua-o e sua dívida estará saldada. Creio que o capitão também aceitará esse pagamento.

    Jason fez que sim, olhando em volta. Não havia mais cais em Carlin, e o oceano estava absolutamente congelado.

    — Existe um velho sábio que reside nas montanhas ao norte – disse Ryan, os olhos fixos no horizonte. – A caminhada até lá é complicada. Porém, uma vez que você alcance a base da montanha, não enfrentará oposição até o topo.
    — E exatamente em que medida ele poderá me ajudar?

    Ryan sorriu.

    — Salazar é um homem inteligente e que chegou aqui há pouco – respondeu o garoto. Aparentemente, “Salazar” era o nome do velho. – Os demônios não se aproximam do platô, em nenhuma hipótese. Ele simplesmente chegou, caminhou até a base da montanha e subiu por ela, e nenhum dos soldados do Anjo Caído é suficientemente corajoso para enfrentá-lo. Que fase.

    O dono da Espada de Crunor refletiu por um instante, considerando as informações dadas por Ryan. Por um instante, lembrou-se com certo sobressalto de que ele era seu descendente vivo, e que aquele não era o mundo onde gostaria que sua prole tivesse crescido. Que fase, repetiu mentalmente, sentindo-se cada vez mais culpado por ter dado início àquela catástrofe em escala global.

    Uma vez mais, ele pensou em Melany, Heloise, Leonard e Svan, todos ali por sua causa, todos de paradeiro desconhecido. Foi como se houvesse um animal selvagem solto em seu estômago, também, quando ele se lembrou da catastrófica morte de John. Vez após vez, o incandescente pusera suas melhores habilidades em favor do grupo e não raras vezes arriscara sua própria vida para protegê-los, protegê-lo.

    Ryan não deixou de notar que os olhos de Jason estavam marejados. Achou que aquele estranho forasteiro tinha mais fantasmas em seu passado do que havia contado, mas, no fim das contas, quem poderia exigir que ele saísse falando livremente? Identificara no menino uma aura interessante, como se fosse abençoado. Jesus o recompensaria se o ajudasse, estava certo disso.

    — Como… Como chego lá? – Jason secou as lágrimas, distraído.

    O outro apontou na direção norte, fazendo de conta que não vira o pequeno momento.

    — Basta seguir em linha reta. Duas horas de caminhada, talvez um pouco menos, talvez um pouco mais, dependerá muito do seu ritmo. Mas você encontrará muitos demônios no caminho. Ataque um deles e todos serão alertados. É melhor passar despercebido.

    Jason estava prestes a perguntar como poderia passar despercebido quando Ryan sorriu para ele.

    — Preste atenção.

    *

    Randal estava farto daquele trabalho. Para ele, parecia suficientemente óbvio que os Terrenos de Carlin não tinham a menor condição de se rebelar. A montanha de Salazar se erguia imponente ao norte; ao sul, nada além de uma paisagem devastada e soterrada pela neve. Maldita era glacial, praguejou, puxando seu sobretudo mais para perto do corpo.

    Uma camada de névoa fina pairava sobre o terreno, ocultando os objetos mais distantes, mas nada se movia. Esse é o pior trampo de todos, pensou, frustrado. Malditos Lúcifer e sua grei.

    Estava prestes a se sentar naquela rocha sólida no meio do nada novamente quando notou que algo se movia ao sul, vindo em sua direção. Ele apertou os olhos para tentar enxergar em meio à névoa, mas demorou até que pudesse distinguir aquilo que se aproximava.

    Era um ser humano. Ou demônio, foda-se, pensou, pouco caso fazendo. Contanto que não me incomode, que morra com uma espada enfiada no rabo. Ou viva. Tanto faz.

    Conforme o homem foi se aproximando, Randal o identificou como sendo um Terreno. Por que estava ali e o que fazia, não sabia, mas, também, pouco lhe interessava. Não tinha que fatiar a carne se, ao norte, existiam outros mil demônios que tinham muito mais disposição que ele.

    Contudo, aquele tinha um quê de diferença. Não era como os outros Terrenos. O frio não parecia afetá-lo, tampouco a presença de outros demônios. Os outros ao sul já o deixaram passar, pensou Randal, enquanto o cidadão cruzava à sua frente, a uma distância de menos de vinte metros, sempre em sentido norte, aparentemente alheio a todo o restante do ambiente.

    Randal observou ligeiramente boquiaberto o homem passar diante dele, sem fazer conta da sua presença. Algo nele o incomodava, parecia carregar consigo algo de valor, importante. Porém, não demorou para que o demônio identificasse a estrela de seis pontas gravada em seus trapos velhos. Não quer confusão, concluiu, sem, contudo, ver aliviada aquela coceira no cérebro.

    Ele se sentou devagar e acompanhou o homem até que desaparecesse na névoa, ao norte. A sensação não o abandonou.

    Tanto faz, pensou, tentando convencer mais a si mesmo do que a qualquer outro.

    *

    Deu certo, pensou Jason, excitado, puxando a capa puída mais para próxima do corpo enquanto ia vencendo a neve aos poucos.

    O conselho de Ryan havia sido valioso. Ele passara por seis hordas de demônios com diferentes tamanhos e nenhuma delas sequer se dera o trabalho de interrompê-lo. Há algumas centenas de metros, um deles em específico havia lhe prestado mais atenção, é verdade, mas nada que lhe causasse grandes preocupações.

    A montanha de Salazar ia se avultando no horizonte, cada vez maior, e conforme se aproximava, cada vez mais as hordas de oponentes parecia escassa. Deve existir um motivo muito consistente para que eles não venham para cá, Jason continuou conjecturando, finalmente alcançando a base da montanha, onde não havia um único indício de demônio.

    Havia um caminho simples, ladeado pelas paredes da montanha, que subia por ela. Jason resolveu segui-lo; não havia muito mais o que fazer. Aqui e ali, conforme ia subindo, o espadachim ia identificando algumas bifurcações e percebeu que, mais de uma vez, o caminho terminava numa esquina e serpeava bruscamente para a direita ou para a esquerda, sem motivo aparente.

    Aquilo tudo era muito deliberado. Jason sabia que essa montanha não estava lá em seu tempo, e que ela parecia ter sido erigida repentinamente, como se tivesse sido pega com a mão e simplesmente posicionada ali. Tudo lhe parecia cada vez mais estranho, mas o garoto achou que questionar a situação seria mais estranho ainda. Momentos de desespero exigiam atitudes desesperadas.

    Ao fim, o caminho foi se estreitando devagar até culminar em uma escada de mão em sentido ascendente. Jason abandonou a capa com a runa antidemônio gravada e olhou para ela, desconfiado.

    — Suba, Jason – disse uma voz muito conhecida lá em cima.

    O cavaleiro olhou nos arredores e a voz continuou, frustrada.

    — Vamos, garoto. Duas horas de caminhada e não vai subir?

    Ele refletiu por um instante e chegou à conclusão de que pior do que a situação em que se encontrava aquela não poderia ser. Jason deu de ombros e subiu a escada devagar, os olhos sempre atentos.

    Achava-se em um aposento surpreendentemente arrumado. Era um quarto, como qualquer outro, com chão de linóleo negro e paredes de azulejo. Havia uma cama, uma estante de livros, uma mesinha de centro muito gasta, um tapete puído e um homem de estatura mediana, oculto por um capuz verde, sentado defronte à mesa.

    Ele indicou a cadeira imediatamente à sua frente e Jason se sentou, apreensivo.

    — E eu que achei que, depois de Rafael, Miguel e Gabriel, ninguém seria suficientemente estúpido de querer ir a Goroma. Ledo engano.

    Ele riu, mas não se revelou. Jason achou que sua voz era familiar, como se ele a tivesse ouvido há muitos anos.

    — Então, você quer enfrentar Lúcifer sozinho, nesse estado – não era uma pergunta. – Quer colocar fim no sofrimento desta era.

    Jason não respondeu.

    Isso, Jason Walker, é estupidez.
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Sétima Vingança
    Acompanhe a penúltima história de Jason Walker na seção Roleplay!

  9. #9
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Que belo capítulo, que treta majestosa! Salazar, Randal, Ryan... E Jason. Quando a gente acha que as coisas não podem piorar, a barata começa a voar. Eu estou muito intrigada com essa nova realidade, e com a aparição do Tinhoso. Ou vai ou racha. Boa sorte por Jason e os demais, pois eles vão precisar. E muito.

    Aguardo ansiosamente o próximo capítulo!




    Abraço,
    Iridium.

  10. #10
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    E mais uma vez apareço só depois do término da história e no começo da outra.

    Excelentes capítulos estes últimos, Neal. Dito e feito, a mitologia cristã realmente deu riqueza a história. Você usou-a tão bem que estou até agora impressionado com as referências, com esses caras andando pelas terras tibianas, bem contra o mal, num lugar que eles não parecem pertencer. É chocante. E esse futuro distópico, destruído e afundado em desespero que Jason se encontra é mais chocante ainda. De tudo que pensei que você usaria seguidamente, esse futuro seria a última opção. O que você fará em seguida, realmente não sei. Mas eu espero ser surpreendido.

    Continuo acompanhando.

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