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Tópico: Jason Walker e os Poços do Inferno

  1. #1
    Avatar de Neal Caffrey
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    Padrão Jason Walker e os Poços do Inferno

    Meus queridíssimos amigos, muito boa noite a todos.

    Para aqueles que tiveram o (des)prazer de acompanhar Jason Walker e a Arca do Destino, findei o conto prometendo uma continuação. Tive alguns fiéis leitores, outros que perdi no meio do caminho, mas espero reconquistar a todos nesta continuação e, especialmente, fidelizar aqueles que se mantiveram comigo até o final.

    Jason Walker terá uma segunda aventura.

    Sem mais delongas, espero que este conto seja melhor do que o anterior.

    EDITADO: Atenção! Todos os tomos de Jason Walker encontram-se registrados e, por consequência, protegidos por direitos autorais, na forma da Lei n. 9.610/1998, anexos e alterações. A reprodução, contudo, não é proibida; basta que sejam indicados os créditos caso a história seja replicada em outro lugar.

    -----------
    Última atualização: 10/04/2017
    Atualização: Postado o Epílogo; volume encerrado.
    -----------

    Spoiler: Prólogo


    Spoiler: Capítulo 1 - Vida Nova, Problemas Antigos


    []'s

    Publicidade:
    Última edição por Neal Caffrey; 11-11-2018 às 14:11.
    Jason Walker e o Retorno do Príncipe
    Sexta história da série de Jason Walker e contando. Quem sabe não serão dez?

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  2. #2
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Bom ver que Jason Walker ainda estará conosco! Eu li o prólogo e o primeiro capítulo e já estou muito interessada! Comparando esse início com o d'A Arca do Destino, é incrível ver a grande mudança de ambientação e das descrições, que já parecem tão pesadas quanto o fardo que a Espada de Crunor é para o Jason.

    Aguardo o próximo e sei que a clientela voltará; fim de ano é difícil, mas estamos aí sempre. Continue!


    Abraço,
    Iridium.

  3. #3
    Avatar de Skunky
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    Saudações brother!

    Ainda não li este história e nem terminei a Arca do Destino, mas o farei! Assim que der. (Um pouco é relaxo meu mesmo)

    Passando apenas pra avisar que acompanho todas as att e que não fiquei no caminho kkkkkk

    Abraços! Vou tentar por em dia a leitura o quanto antes!

  4. #4
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Rapaz, devo dizer que estou arrependido de não ter continuado a ler a sua história. Tinha lido os dois primeiros capítulos tempos atrás e não continuei lendo, peço perdão por isso.

    Eu adorei sua história e não posso dizer que ela é menos que excelente. A escrita é fluída e de alto nível, as descrições são suaves, a narrativa excelente(Ponto forte seu) e personagens muito carismáticos. Gostei muito d'A Arca do Destino e tudo que você planejou, desde os vilões até a revelação dos Ruthless Seven, que mesmo com genderbend - algo incomum aqui, ao meu ver - me convenceram de que darão um grande trabalho à Jason. Por fim, lendo esse primeiro capítulo, noto a súbita mudança de cenário e que coisas novas nos esperam. E, dessa vez, irei acompanhar.

    Meus parabéns por completar a primeira história e estar começando a continuação. Devo dizer que é uma das melhores histórias que já li na seção, e com certeza continuarei acompanhando ela.

    Também espero que você permaneça na seção por mais tempo, se o seu tempo permitir.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  5. #5
    Avatar de Neal Caffrey
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    Spoiler: Respostas


    Antes de mais nada, uma imagem que vale mais do que qualquer palavra:


    CAPÍTULO 2 – O RETORNO DOS GATUNOS DA MEIA-NOITE


    De volta ao presente, Jason levou certo tempo para notar que Leonard conversava com ele. Desconexamente, o arqueiro falava algo sobre ir até a cidade dos elfos para saber como estava a situação por lá e retornar antes do pôr-do-sol. O cavaleiro somente assentiu, sem saber muito bem o que dizer.

    Cerca de meia hora depois, Leonard alugou um cavalo e partiu. Ligeiramente distraído, Jason se vestiu com suas armaduras de ouro novas e embainhou a Espada de Crunor, saindo para o ar morno da manhã.

    Carlin estava bastante movimentada, apesar do horário. Os comerciantes já haviam armado suas barracas nas ruas perpendiculares centrais, que se encontravam defronte ao depósito. Aqui e ali, feiticeiros vendiam quinquilharias e itens consideravelmente raros, enquanto outros mercadores pareciam querer negociar colares e anéis que se queria fazer crer que poderiam proteger o usuário contra influências externas.

    Jason foi cumprimentado mais vezes do que gostaria. Na maior parte do tempo, gostava de passar desapercebido na multidão. A fama recente, em razão da Espada, lhe causava um certo incômodo.

    O cavaleiro rumou diretamente para o castelo, onde encontrou Svan reunido com Bambi Bonecrusher.

    — Bom dia – saudou, incerto sobre se Svan iria querer falar com ele.
    — Sabe das boas novas? – disse o capitão. – As pessoas têm conseguido domar algumas criaturas selvagens com a seleção correta de certos itens.

    Jason franziu o cenho.

    — Como é?
    — Um ermitão de Port Hope arrancou algumas folhas de bambu e atraiu uma panda até sua caverna – explicou Bambi, aparentando certo interesse. – O bicho cresceu e, agora, o cara anda para cima e para baixo montado nele.

    O cavaleiro arqueou as sobrancelhas, surpreso. Um homem excêntrico de sobretudo vermelho passou por eles às pressas.

    — Algumas pessoas juram que viram um cara montado em um pássaro gigante em Liberty Bay – disse Svan, sorrindo. – A comunidade está se aperfeiçoando. Alguns comerciantes até estão vendendo certos itens que podem atrair alguns desses animais.
    — Talvez eu dê uma olhada nisso depois – disse Jason, interessado.

    Uma movimentação incomum se iniciou duas quadras abaixo, em frente ao depósito. Jason e Svan trocaram um olhar e Bambi não precisou de segundo aviso; ela assumiu sua posição na saída norte e capitão e cavaleiro desceram depressa até a área central da cidade, onde uma multidão se aglomerava em torno de alguma coisa.

    Svan ia abrindo espaço às cotoveladas; as pessoas pareciam se aglutinar ainda mais ao perceberem que Jason estava ali. Um pouco irritado, o garoto as empurrava para lá e para cá, tentando chegar ao cerne da confusão.

    Foi como se uma cachoeira de gelo descesse pelo seu estômago.

    Uma moça de vinte e tantos anos, muito bonita, estava caída no chão, usando apenas roupas de baixo. Seu abdômen sangrava profusamente. Um druida recitava encantamentos para tentar curá-la, aparentemente sem sucesso.

    — Por Crunor, o que é que houve aqui? – Svan gritou, aproximando-se.
    — Sobretudo vermelho – disse o druida, entre encantamentos. – Capuz. Estatura mediana. Forte. A esfaqueou e disparou na direção do castelo.

    Jason e Svan trocaram um olhar e o capitão fez menção de correr, mas Jason segurou seu braço.

    — Eu vou – disse ele, e o capitão assentiu. – Tente salvá-la.

    Jason abriu caminho entre a multidão, dessa vez aos socos e tapas, e mal notou que muitos dos cidadãos reclamavam de sua abordagem. Quando alcançou o ponto em que a multidão se dispersava, ele correu na medida de sua condição no sentido norte. Um homem vinha se aproximando montado em um cavalo.

    O garoto sacou a espada e apontou para ele.

    — Desça – ordenou, e o homem não pensou duas vezes.

    O cavaleiro montou e girou totalmente, partindo a toda velocidade e passando por uma perplexa Bambi Bonecrusher, que tentava compreender o que acontecia.

    Não demorou para que Jason deixasse a estrada e se embrenhasse nos campos, onde formações rochosas se levantavam do chão como leviatãs em todos os lugares. Adiante, Jason identificou o homem de sobretudo, que disparava na direção contrária à da cidade em meio a magias.

    Se ele se distanciasse o suficiente, poderia desaparecer. O garoto cravou as botas nos quartos do cavalo, que imprimiu mais velocidade, disparando pela campina irregular.

    Jason remexeu nas vestes e encontrou uma pedra ancestral que fora encantada por Heloise para que ele pudesse utilizar. A runa tinha uma estrela de cinco pontas gravada.

    Ele apontou para o homem que corria e murmurou um encantamento simples.

    Um segundo depois, as pernas do homem se trançaram e ele caiu de cara no chão, deslizando pela campina. Jason o alcançou e saltou do cavalo de uma só vez, sacando a Espada.

    O homem se virou, de costas para o chão, mas o capuz lhe protegia a identidade. Jason apontou a espada para o peito dele, seu próprio peito ardendo pelo esforço.

    — Tire o capuz – ordenou, entre os dentes. – Agora.

    Ele fez menção de levar as mãos à cabeça e Jason apertou a espada contra seu estômago.

    — Sem movimentos bruscos.

    Muito devagar, o outro continuou a levar as mãos à cabeça, puxando o capuz com cuidado.

    Jason recuou meio passo, a Espada pendendo molemente nas mãos. O rosto de John se materializou sob o capuz, e o incandescente levantou as mãos em sinal de rendição, sentando-se devagar.

    — Bom dia, Jason – disse, ainda meio grogue.
    — Diabo, John – Jason sentia a pulsação nos ouvidos, atordoado. – O que foi que você fez?

    John coçou os olhos.

    — Acha que ataquei aquela garota?
    — Uma testemunha atesta que sim – Jason segurou a Espada com mais firmeza, um pouco fora de si. – O que aconteceu?

    O incandescente se levantou, e Jason viu algo relancear sob o sobretudo em seu braço esquerdo. Antes que John começasse a falar, Jason franziu o cenho, olhando para ele.

    — Levante a manga – ordenou, a Espada apontada para o seu braço.
    — Jason…
    — Agora!

    A contragosto, John afastou a manga do lado esquerdo. Ali, tatuado, aparentemente recentemente, havia uma espada e uma rosa cruzados. Se Jason estivera fora de si antes, nada se comparava com o que sentia neste momento.

    — Por Crunor, John – gritou ele, irritado. – Você se juntou aos Gatunos da Meia-Noite?
    — Para tudo existe uma explicação lógica que pode…
    — Ah, cale-se!

    Jason sentia-se frustrado como nunca havia se sentido na vida. Os Gatunos da Meia-Noite, poucos meses antes, haviam criado as maiores complicações que Jason e os outros haviam enfrentado no mar. Na ocasião, Jason estava abatido em razão do confronto com o demônio Sirius, e Leonard e os outros tiveram que lançar mão de um audacioso plano para se livrar dos atacantes de Lancaster.

    Na oportunidade, Alistair e Howard, dois Gatunos conhecidos, haviam sido abatidos. Jason cuidara do primeiro; Leonard finalizara o segundo. A missão empreendida pelos dois paspalhos quase levara a tripulação de Jason ao naufrágio, antes que chegassem a Senja.

    — Terei que arrestá-lo, John – Jason não parecia nem um pouco arrependido da decisão. – Afaste as mangas e vire-se.
    — Mas…
    — Não lhe darei um segundo aviso.

    *

    A tarde se fora e a noite caía suave sobre a cidade de Carlin. A garota sobrevivera, mas, internada no Hospital dos Druidas de Carlin, não tinha a menor condição de falar, por ora. Leonard já retornara de Ab’Dendriel e parecia, como Jason, surpreso com o fato de que John havia se afiliado à comunidade dos Gatunos.

    Os dois ainda não haviam tido a possibilidade de conversar com o incandescente, mas ele estava preso em Carlin. Svan e Bambi tentaram extrair informações dele, mas ele não aceitara conversar com ninguém. Dizia sequencialmente que só conversaria com Jason e Leonard, e, ao cair da noite, os dois amigos deixaram a casa no sentido da prisão, que ficava na porção leste da cidade, quase nos portões.

    A prisão, no fim das contas, era composta por somente cinco ou seis celas com barras de ferro, magicamente encantadas. Percybald, o ator aposentado, e Emma, a líder da Brigada das Mulheres, eram os responsáveis pela cadeia.

    Emma era uma garota consideravelmente jovem para o posto que ocupava. Seu corpo estava sempre coberto por pesadas armaduras, mas suas curvas eram deveras visíveis. Ela tinha longos cabelos louros e olhos verdes como o mar, mas muito pouca tolerância. Ainda assim, Jason se surpreendeu ao perceber que John não recebera qualquer cuidado enquanto estivera ali.

    — O que houve? – perguntou o garoto, vendo o incandescente encostado nas paredes e de olhos fechados. – Ele não recebeu água ou comida?
    — Não – Emma fechou a cara. – E não receberá. Assassinos não devem ser bem tratados.
    — Você o está condenando antes do juiz – disse Leonard, aborrecido. – Não é sua função, Emma. Sugiro que permaneça adstrita às suas obrigações.
    — Vocês são donos da cidade? – ela arqueou as sobrancelhas, sarcástica.
    — Ainda que não sejamos, garanto que fizemos mais por ela do que você – Jason respondeu, com maus modos. – Saia da minha frente. Quero interrogar o prisioneiro.

    A garota mordeu a língua e a mastigou, aparentemente sem saber o que responder. Jason passou por ela, e Leonard sacudiu a cabeça, discordante. Eles pegaram as chaves sobre a mesa e ingressaram na cela de John, que abriu os olhos, finalmente.

    — Não briguem com a carcerária.
    — Fale somente sobre o que é da sua alçada – Jason se sentou defronte dele, inquieto. – Comece.

    John respirou fundo.

    — Meu pedido de saída foi deferido. Não sou mais um incandescente. Tenho uma vida mortal, como a de vocês, agora.
    — E o que motivou sua entrada nessa guilda nojenta? E por que atacou aquela garota?

    O outro respirou fundo de novo, ligeiramente impaciente.

    — Entrei na guilda dos Gatunos para rastrear antigas relíquias. Não tenho qualquer intenção de perpetuar suas práticas. E não ataquei aquela moça. Estava de passagem quando ela foi atacada, sequer me aproximei dela.
    — E por que o druida disse que você…
    — O druida não a estava curando, Jason – John inclinou-se para a frente, olhando nos olhos do cavaleiro. – Se quisesse curá-la, teria feito isso em menos de dois minutos. Existe uma organização atuante em Carlin que quer fazer crer que certas coisas são o que não são. Você está no caminho certo, mas interrogando o homem errado.
    — E que organização é essa?

    John recostou-se novamente, ponderando.

    — Os Gatunos da Meia-Noite.





    Jason Walker e o Retorno do Príncipe
    Sexta história da série de Jason Walker e contando. Quem sabe não serão dez?

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  6. #6
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Aparentemente, os Gatunos da Meia-Noite vão se revelar um verdadeiro infortúnio agora. Não chegamos a ver todo o nível dessa organização, então estou curioso para saber o que farão sobre Carlin e com os heróis dela.

    Excelente capítulo, aguardo o próximo.



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  7. #7
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    Spoiler: Respostas


    CAPÍTULO 3 – O PLANO DE LANCASTER WILSHERE


    — Obrigado por isso, Jason. Devo dizer que a vossa residência é muito mais bonita do que a anterior, inegavelmente.

    Jason, John e Leonard estavam de volta à casa dos dois amigos. O cavaleiro utilizara sua influência para retirar o antigo incandescente da prisão e estava pronto para testemunhar em seu favor. Ele responderia pelo processo em liberdade, e estava temporariamente proibido de deixar a cidade.

    Por um longo tempo, Jason e Leonard discutiram sobre se aquela era a melhor forma de se abordar o problema. Afinal de contas, a entrada de John para a guilda dos Gatunos da Meia-Noite deixara os colegas de sobreaviso. Que é que poderiam esperar do mais novo ser humano do pedaço?

    Com curtas palavras, John explicara como formalizou seu pedido de saída das fileiras dos incandescentes de Crunor. Segundo ele, aquela situação era atípica; ele havia sido um ser humano como outro qualquer em outro momento da história quando, julgado sobre os feitos de sua vida terrena, fora elevado à condição de anjo. Não era usual que os seres nessa condição desejassem trilhar o caminho contrário, ainda menos que se afiliassem a sociedades particularmente nocivas no antigo continente.

    John contou como Crunor aceitou seu pedido, e como estava certo de que o Criador acompanhava cada um de seus passos. Era óbvio que a divindade conseguia enxergar tudo e todos em qualquer situação, mas, mais evidente que isso, era o fato de que um antigo incandescente e que regressara à vida humana teria ainda mais holofotes sobre si do que um cidadão comum.

    Em outras palavras, John quis dizer que, se estivesse tomando decisões fora da curva, a fúria de Crunor pesaria sobre ele em alarmante velocidade. Inobstante, aquela argumentação não convenceu os dois amigos, que preferiram manter John na rédea curta enquanto ainda não tinham maiores informações sobre suas atividades recentes.

    De outra feita, Svan, que adoraria ter alguém a quem culpar pelos recentes ataques aos cidadãos de Carlin, não ficara muito satisfeito com a decisão de Jason de retirar o incandescente da prisão sem sua chancela. Era evidente que o plano do capitão consistia em encontrar um culpado, e o fato de John ter sido solto significava tão somente que a Coroa estava tão próxima de apontar um suspeito agora quanto sempre esteve.

    Naquela noite, Jason, John e Leonard sentaram-se defronte ao cachimbo na sacada, apreciando a brisa morna do verão, que vinha do mar. O antigo incandescente imediatamente se apaixonou pelo cachimbo; o carvão e o fumo precisaram ser renovados duas ou três vezes. Depois de um longo tempo falando sobre coisas esparsas, Jason finalmente resolveu interpelá-lo.

    — Disse que Lancaster tinha um plano para Carlin. Que plano é esse?

    John deu uma longa tragada no cachimbo, lançando uma grande quantidade de fumaça densa no ar. Seus olhos azuis se fixaram nas estrelas enquanto ele refletia por um instante. Jason achou que sabia no que o amigo estava pensando: teria valido a pena abandonar as fileiras de Crunor?

    — Os Gatunos da Meia-Noite são uma organização bastante fidedigna aos seus princípios – disse, por fim, pensando bastante. – Mas, no fim do dia, são mercenários, como quaisquer outros. Matam, pilham, roubam, estupram, atacam, causam o caos, tudo em troca de dinheiro. Lancaster é um dos homens mais ricos do antigo continente; ele tem uma mansão em Liberty Bay que é absolutamente transcendental, é o dono de todas as ilhas de Meriana, financia a maior parte das experiências científicas em Yalahar, é patrono da Academia de Edron, tem o monopólio da exploração de petróleo em Calassa, enfim. E acabou de comprar vários lotes de terra em Greenshore. A família Wilshere tem sido competente em levar adiante os objetivos dos Gatunos ao longo dos séculos.
    “Nos últimos meses, a ambição de Lancaster mudou, contudo. Sua aventura em Senja contribuiu bastante para isso, devo dizer. Tenho estado no radar dele desde muito tempo, e não por outro motivo os três paspalhos foram mandados para cobrar Leonard antes da nossa viagem. Designei minha missão a você, e Alistair estava lá, observando tudo. Reconheço que posso ter sido um pouco incauto, é claro, mas nada que tenha sido determinante. Lancaster já me queria, de uma forma ou de outra.
    “Ele esperava que Alistair fosse falhar, mas não esperava que você o matasse. A ocasião já o tornou mais ríspido do que de costume, e junte-se a isso o fato de que ele não conseguiu colocar as mãos na Relíquia de Crunor, e lá vamos nós: temos o terreno fértil para Lancaster destrinchar seu ódio da maneira que julgar conveniente.
    “Me afiliei aos Gatunos com a intenção de rastrear as relíquias que eles mesmos vinham buscando. Não as quero para mim, mas sei que muitos dos esconderijos que nós, incandescentes, designamos para elas, não são exatamente os apropriados. Ele se aproximou muito do Machado dos Anões e do Escudo dos Grifos, perto de Demona. Sorrateiramente, consegui agir antes que seus mercenários chegassem ao final do Labirinto das Almas Perdidas, e simplesmente mudei as relíquias de lugar. São itens únicos, o mercado negro pagaria uma infinidade de ouro por eles.
    “Nas últimas duas semanas, no entanto, Lancaster conseguiu rastrear outro ponto histórico do antigo continente. Os Poços do Inferno, sob as Planícies do Caos. No passado, guerreiros imponentes como Arieswar conseguiram se esgueirar pelos tronos infernais dos Poços e chegar à sala da recompensa, porém, esses são locais que não estão sob os domínios de Crunor. Uma vez mais, Zathroth é o responsável por guardar os labirintos até o reduto final das relíquias, mas seus demônios parecem ter entrado de férias”.
    — Você fala sobre Zathroth e seus demônios como se houvesse um trabalho cooperativo entre eles e Crunor – questionou Leonard.

    John assentiu, concordando.

    — E há. E como esses laços são muito tênues, nenhuma das duas partes se atreve a cruzar a fronteira. Se há uma designação universal para qualquer ser ou entidade, a função desse ser ou dessa entidade é cumprir essa designação. O universo roteirizou os Poços do Inferno para Zathroth e sua turma, e eles são formalmente obrigados a garantir sua proteção.
    “Os Poços estão divididos em sete grandes tronos, cada qual outorgado a um dos demônios da nata de Zathroth: Verminor comanda o Trono das Pragas; Tafariel é o responsável pelo Trono das Maldições; Bazir comanda o Trono da Dissimulação; Pumin é o senhor do Trono das Almas Torturadas; Infernatil é o comandante do Trono dos Incendiários; Ashfalor manda no Trono dos Mortos-Vivos; e Apocalypse é o senhor da Destruição. Os Sete Cruéis são os maiores comandantes de Zathroth, e cada qual é responsável por manter a segurança de um pedaço dos Poços do Inferno.
    “Mesmo não sendo mais um incandescente, não é conveniente para mim ingressar em um local como os Poços do Inferno. Os Sete Cruéis têm a missão de resguardar a sala final, mas não são obrigados a manter sigilo sobre quem entra e quem sai dos Poços. Lancaster saberia imediatamente caso eu tentasse cumprir os Sete Tronos e chegar à sala da recompensa”.
    — O que há no final dos Poços? – perguntou Jason, compenetrado.

    John respirou fundo.

    — Arieswar disse, no passado, que existem algumas relíquias indiscerníveis no final do caminho. Segundo o guerreiro, o vencedor dos Sete Tronos pode escolher entre uma valorosa espada, uma precisa besta ou uma mordaz maça, e receberá, ainda, um dragão em miniatura, uma mochila extensível indetectável, muito ouro, um par de botas mágicas e um pedaço do céu.

    Jason torceu o nariz ao escutar as expressões “dragão em miniatura”, “par de botas mágicas” e “pedaço do céu”. Como muitas das lendas do antigo continente, o cavaleiro cria que, talvez, Arieswar pudesse ter sido impreciso ao relatar sua recompensa. No entanto, todos conheciam o antigo guerreiro. Arieswar fora o primeiro a vencer o inferno e obter uma das espadas mais lendárias do mundo, e, agora, mais um de seus grandes feitos chegava ao conhecimento dos jovens empreendedores de Carlin.

    Pensar em Carlin acendeu uma luz de dúvida na cabeça de Jason.

    — O que você fazia aqui, se estava rastreando as relíquias sob as Planícies do Caos? Elas ficam em Venore, muito distantes daqui.
    — É uma boa e conveniente pergunta, Jason – John sorriu, bondoso. – Eu estava na biblioteca, conversando com Margareth. Já faz três dias que estou hospedado aqui.
    — Como é?

    Jason estava negativamente surpreso. Visitara Margareth pelo menos doze vezes nos últimos sete dias, e ficara, agora, ligeiramente irritado com o fato de que a bibliotecária não mencionara a presença de John, de quem era amiga de longa data, na cidade. Jason teria gostado de saber que o amigo estava ali.

    — Marga me auxiliou a encontrar algumas informações sobre os Sete Tronos dos Poços do Inferno – continuou John, tentando destacar sua voz sobre a irritação do amigo cavaleiro. – Pelo bem ou pelo mal, descobri o que há guardando cada um dos tronos.
    “A ideia dos Poços é bastante simples: enfrente o selo, vença-o, sente-se no trono de um dos demônios de Zathroth e sua missão, por ora, estará terminada. No entanto, os tronos demoníacos nos Poços do Inferno farão o Castelo das Ilusões de Zathroth parecer um parque de diversões infantil. Na conjuntura atual, não sei dizer se os Sete Cruéis de Zathroth guardam cada um o seu trono, porém, suas criaturas certamente estarão por lá.
    “Cada um dos selos carrega a característica própria de seu guardião. Então, se Lancaster fosse invadir qualquer um deles, teria meia noção do que enfrentaria. Entretanto, os Gatunos da Meia-Noite são extremamente numerosos; muitos mercenários, senão todos, não ligam para relíquias ou para o poder que elas têm. Sua intenção é única e exclusivamente a de fazer tanto ouro quanto for possível, e Lancaster não é obrigado a informá-los a respeito de o que o item objeto da missão é capaz. Simplesmente manda que o peguem, o tragam para ele, e o pagamento será garantido.
    “Jason, sei que, neste momento, não sou o homem mais confiável da face da Terra. Mas é importante que você entenda: se não rastrearmos os Poços do Inferno, Lancaster obterá acesso a eles mais cedo ou mais tarde. Não consigo imaginar do que a guilda seria capaz se tivesse as relíquias que existem na sala de recompensa. Com dois cavaleiros e um feiticeiro, ele poderia tomar Thais de assalto num único turno de batalha, só para você ter uma ideia. A situação atual é perigosa e catastrófica, e quanto mais tempo levarmos para nos apossarmos das relíquias, menos risco corremos”.

    Jason olhou para John por um instante, deliberando. De certa forma, a argumentação do amigo fazia sentido. No entanto, o cavaleiro não pode deixar de considerar o quão fácil havia sido capturar um antigo incandescente de Crunor. Um homem que, basicamente, fora treinado a vida inteira para ser invisível, para aparecer somente quando quisesse, se quisesse.

    E se a captura por Jason estivesse nos planos de John desde o princípio, para que ele pudesse solicitar a ajuda do dono da Espada de Crunor? E se o feiticeiro, de fato, tivesse atacado aquela garota, e esperasse que sua fama junto a Jason e Leonard fizesse com que acreditassem em sua palavra?

    Naquele instante, nenhum dos dois amigos estava inclinado a aceitar as palavras de John. Porém, descartá-las completamente também não parecia ser uma opção.

    — Serei sincero, John. Temos genuínas dúvidas sobre se o que você fala é real ou não. Não confio totalmente em sua honestidade, não pelo que você é, mas em função daquilo em que se tornou. Afiliar-se aos Gatunos da Meia-Noite para rastrear relíquias pode ser uma boa ideia, mas também é uma ideia potencialmente problemática. A função dos Gatunos é roubar, matar, destruir, e você faz parte das suas fileiras neste momento. Até segunda ordem, você é presumidamente inocente, mas essa presunção é relativa. Há uma marca da guilda gravada em seu braço.

    John assentiu uma vez, concordando.

    — Não faço qualquer objeção à tese, Jason. Aliás, concordarei também caso você deseje me devolver à prisão até que tome uma decisão.

    Leonard fez que sim.

    — É exatamente o que faremos, mas nós vamos mantê-lo sob custódia. Nem Svan, nem ninguém, poderá interrogá-lo sem a nossa presença, e você não deve responder questionamento algum, nem mesmo sob coação. Temos um trato?
    — Certamente que sim.

    Jason se levantou.

    — Está ótimo. Vamos retornar à carceragem e, no fim da manhã de amanhã, voltamos para conversar com você.
    Jason Walker e o Retorno do Príncipe
    Sexta história da série de Jason Walker e contando. Quem sabe não serão dez?

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  8. #8
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    E lá vou eu começando a saga de perder capítulos... -.-

    Enfim, gostei bastante do capítulo mas estranhei que alguns capítulos de narração não foram separados uns dos outros. O texto veio mais condensado dessa vez e foi mais complicadinho de ler. De resto, está impecável como sempre, e gostei dos esclarecimentos dados sobre os Gatunos e da abordagem que virá a seguir. Resta apenas esperar para ver como Jason lidará com tudo isso; a responsabilidade, de fato, está pesando fortemente em seus ombros.


    Aguardo ansiosamente o próximo!


    Abraço,
    Iridium.

  9. #9
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Pits of Inferno, então? Eu nem imaginei que a sequência se trataria disso, que falha a minha. Achei que você criaria algo novo, mas no fim você provavelmente criou uma interpretação diferente tanto dos Implacáveis quanto das Plataformas(que é como sempre me refiro a PoI). Estou realmente curioso para saber a forma que você tratará os Poços do Inferno.

    Gostei do capítulo, principalmente dessa menção a Arieswar como o primeiro a fechar a PoI. Ele é um dos meus tibianos lendários preferidos, assim como o Cachero e o Astronis. Eu particularmente gostaria de ser um Sorcerer como o Cachero, mas sei que isso nunca vai acontecer

    Aguardo o próximo e que o John seja quem sempre foi.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  10. #10
    Avatar de Glauco
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    Já começou o novo livro e eu comi mosca mas já estou atualizado

    No início pensei que o enfoque teria mudado em relação ao primeiro livro

    Este aqui teria uma historia mais analítica, policial, investigativa uma temática mais urbana

    Mais ai lembrei do epilogo do outro e dos sete cramuião barra pesada que se apresentaram

    Então vai ter porrada federal neste aqui também e como o Jason agora tem a espada doutrinadora o pau vai comer mermao el cacete vueja

    Segue o negócio que começou bem so dou uma chancelada no que a distinta moderadora falou above teve uns paragrafos ali que ficaram meio aglomerados mas é só dar uma ajeitadazinha cosmetica básica que fica tudo nos figurinos em termo de forma porque o conteudo esta liso esta descendo bem

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