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Tópico: Bloodtrip

  1. #111
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    Capítulo de mão cheia, uma vez mais. Sem entrar no mérito sobre a gramática, que evoluiu muito com relação ao último episódio, este foi um capítulo que considero caprichoso.

    Citação Postado originalmente por Trecho
    Harlow e os seis marujos que estavam no convés preparam o navio para a viagem. Puxam a ancora, içam as velas e atentam-se ao vento. O capitão toma o mastro. E as preocupações tomam o grupo. Conforme o navio se afasta do porto, Suzio sente um aperto em seu peito. Não sente que está fazendo a coisa certa, apesar de tudo. Apenas sente que está fugindo, como sempre sentiu.
    Vantagem e ponto na narrativa, uma vez mais, Carlos. Esse é o seu primor, e creio que você deva explorar ainda mais esse aspecto das suas histórias. Ainda que os diálogos sejam inteligentes e envolventes, sua narrativa continua sendo o aspecto mais interessante dentre as suas muitas habilidades. Vou sugerir uma vez mais que você encoraje a circunstância nos próximos capítulos e em todos os demais que você puder.

    Em tempo: seu modo de escrita me lembra muito o de Victora Aveyard, que escreveu A Rainha Vermelha e suas continuações. E, por favor, tome isso como um absoluto elogio; Aveyard é primorosa em tudo que faz, e o envolvimento dos seus temas é muito semelhante ao que ela própria cria.

    Conte comigo, continuamente.

    Abraços!

    Publicidade:
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Acompanhe a terceira história de Jason Walker na seção Roleplay!

  2. #112
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    Padrão

    Bom, há muito devo um comentário em sua história...


    Não irei me alongar muito. Apenas devo dizer que o seu pico de criatividade alcançou... Picos(rs) inimagináveis nestes dois últimos capítulos. Você descrever toda a sociedade dos demônios, dar um contexto f*da, mostrar porque o Nightcrawler é o fodão, e AINDA HUMANIZAR O CARA. CARLÃO POURA!

    Sensacional. Eu poderia ter entrado no mérito que a Iridium tanto mencionou sobre o último cap. da incursão de Nightcrawler nos Poços do Inferno, de ter ficado tibiano demais( uso de termos como "time", em vez de "grupo" por exemplo), além de talvez ter trabalhado melhor a personalidade do demonh... NEVERMIND, ISSO FICA PRA DEPOIS.

    Enfim, ótimos capítulos Carlão. No aguardo dos próximos, e esse Trevor... Acho que seu passado e suas razões de ajudarem Nightcrawler hão de serem trabalhados nos próximos capítulos, talvez? Ou não, já que, inconscientemente, todos sabemos o por quê de Trevor fazer td isso( ele não é covarde, e já tem seu histórico o Nightcrawler).
    Última edição por Senhor das Botas; 28-05-2017 às 22:39.

  3. #113
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    Padrão Capítulo 24 - Decadência I

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Capítulo de mão cheia, uma vez mais. Sem entrar no mérito sobre a gramática, que evoluiu muito com relação ao último episódio, este foi um capítulo que considero caprichoso.



    Vantagem e ponto na narrativa, uma vez mais, Carlos. Esse é o seu primor, e creio que você deva explorar ainda mais esse aspecto das suas histórias. Ainda que os diálogos sejam inteligentes e envolventes, sua narrativa continua sendo o aspecto mais interessante dentre as suas muitas habilidades. Vou sugerir uma vez mais que você encoraje a circunstância nos próximos capítulos e em todos os demais que você puder.

    Em tempo: seu modo de escrita me lembra muito o de Victora Aveyard, que escreveu A Rainha Vermelha e suas continuações. E, por favor, tome isso como um absoluto elogio; Aveyard é primorosa em tudo que faz, e o envolvimento dos seus temas é muito semelhante ao que ela própria cria.

    Conte comigo, continuamente.

    Abraços!
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos muitos elogios.

    Neste capítulo eu não precisei voltar para tempo algum do passado e pude focar na ação do presente, utilizando minha escrita de costume. Também fui incentivado a não cometer os mesmos erros de antes e trazer um capítulo legal. Fico feliz que tenha sido do agrado, isso é um bom sinal pra mim.

    Tenho certeza que já ouvi falar de A Rainha Vermelha, mas não da escritora. Acho que procurarei mais a respeito dela. Mas devo dizer que não espelho minha escrita em ninguém, no máximo coleto inspirações.

    Agradeço pela sua presença e espero que continue aqui até o final!

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Bom, há muito devo um comentário em sua história...


    Não irei me alongar muito. Apenas devo dizer que o seu pico de criatividade alcançou... Picos(rs) inimagináveis nestes dois últimos capítulos. Você descrever toda a sociedade dos demônios, dar um contexto f*da, mostrar porque o Nightcrawler é o fodão, e AINDA HUMANIZAR O CARA. CARLÃO POURA!

    Sensacional. Eu poderia ter entrado no mérito que a Iridium tanto mencionou sobre o último cap. da incursão de Nightcrawler nos Poços do Inferno, de ter ficado tibiano demais( uso de termos como "time", em vez de "grupo" por exemplo), além de talvez ter trabalhado melhor a personalidade do demonh... NEVERMIND, ISSO FICA PRA DEPOIS.

    Enfim, ótimos capítulos Carlão. No aguardo dos próximos, e esse Trevor... Acho que seu passado e suas razões de ajudarem Nightcrawler hão de serem trabalhados nos próximos capítulos, talvez? Ou não, já que, inconscientemente, todos sabemos o por quê de Trevor fazer td isso( ele não é covarde, e já tem seu histórico o Nightcrawler).
    E aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    O inferno que eu criei foi inspirado em A Character's History, mas de resto eu que criei. Fiz um inferno melhor desenvolvido que aquele apresentado lá em O Mundo Perdido, por exemplo, que era apenas uma parte de um plano muito maior.

    Notei essa falha na incursão, mas acredito que ainda irei reescrever ela. Vale por um conto isolado, já que não é parte do enredo de Bloodtrip. Mas a prioridade agora é terminar a história, e depois retomar OMP. E por enquanto, posso dizer que sim, Trevor será melhor trabalhado nos próximos capítulos e será melhor revelado os motivos para que ambos trabalhem juntos e para que o militar faça vista grossa pra tudo que o detetive faz. Garanto que não é por medo, pois num x1 justo, Nightcrawler perderia pra ele.

    Obrigado pela presença e espero que goste deste novo capítulo também!








    E aí pessoal, peço perdão pelo vacilo de não mandar um capítulo novo semana passada. Estive ocupado e também não estava conseguindo escrever muito. Fiz um bom esforço para terminar tudo sem fazer merda e cá está o resultado.

    Também devo dizer que este já é o terceiro capítulo dividido em partes. Desenvolvi a mania de criar capítulos grandes iguais aos de livros. E na reta atual da história, isso será normal. Então, não se importem com isso!

    Espero que gostem do novo capítulo!




    No capítulo anterior:
    Nightcrawler e o restante invade o palácio do governador para tentar chegar até os membros da Irmandade capturados, mas descobrem que os inquisidores estão dominando ela e os ministros estão contra ele. O rapaz supostamente é traído pelos seus dois companheiros, e também os usa para fugir, mas na verdade ele estava apenas planejando fugir por outro local para ir em direção de Carlin, para reconstruir o plano. Mas nota que membros da Irmandade estão dentro do navio dele.




    Capítulo 24 – Decadência
    Parte 1





    Está quase amanhecendo. Nightcrawler mal pôde acreditar no quão rápido as horas passaram e no quanto pecou se distraindo. Agora, ele vê duas figuras em capas negras subindo as escadas do convés e assustando os marujos. Os homens deixam seus afazeres de lado e correm para a cabine do capitão junto do próprio, num tempo curto, mas que Nightcrawler também não conseguiu notar. Tudo acontecera em instantes para ele.

    Aparentemente, a cabeça do detetive está ofuscada. Até demais.

    Dartaul e Alayen aparecem da cabine e Trevor toma o lado de Suzio. Os inimigos estão do outro lado, enquanto o quarteto está de frente para a cabine e para o mastro. Sabem que a luta é inevitável. Porém, o pior de tudo é não ter como saber o resultado daquilo.

    Nightcrawler respira fundo.

    — Ei, seus filhos de uma puta! Que ousadia é essa de invadir o meu navio para assustar trabalhadores honestos e inocentes? — Grita o mascarado, um pouco irritado.
    — Então essa é a sua última fala irônica, Nightcrawler? — Disse o da direita, soltando sua capa e deixando-a cair. Ele revela seu uniforme de Sangue, assim como uma cobertura de manequim feita por fios roxos de tecido. Lalori.
    — Se depender de mim, vou falar muito mais ainda. — Disse Nightcrawler, sorrindo.

    Trevor e Alayen desembainham suas espadas. Dartaul toma algumas facas de dentro de seu casaco e coloca-as entre seus dedos. Parece que sua habilidade com armas assim melhorou consideravelmente, ou ele já sabia como usar, e apenas se lembrou.

    — De qualquer forma, eu sei que há um objetivo por trás da presença da dupla aqui. Adoraria saber qual é. — Disse Nightcrawler, cruzando os braços.
    — E há. Dê-nos o corpo da rainha. Ou terão seu fim.
    — “Morte” você quer dizer? — Disse Alayen, despreocupado.
    — Que palavra pejorativa. Isso não existe para a nossa irmandade. Não temos direitos sobre as vidas de ninguém nesse mundo.
    — Ora... Mas que hipocrisia mais ridícula. Parece até que você está tirando uma da nossa cara falando desse jeito. — Disse Dartaul, com uma voz mais dura que o normal.
    — E as milhares de pessoas que morreram pela mão de vocês? — Questiona Trevor, irritado.
    — Nenhuma delas morreu, de fato. Vocês dizem que elas morreram pois é o modo mais fácil de solucionar o que fazemos. Mas não é assim que funciona. Você também deveria saber disso, Nightcrawler.
    — Sempre há um truquezinho. Porém, não sou nenhum gênio pra sacar todos de uma vez só.
    — Então irei facilitar pra você e te dizer que nenhuma das pessoas feridas brutalmente por nós morreu. Em todos esses dez anos, não tiramos uma vida sequer. Pois nossas habilidades as deixam vivas de forma inconsciente. No entanto, elas não controlam mais seus corpos. Entendeu agora, “detetive”?

    Eles ficam em silêncio. Não é algo que esperavam ouvir.

    — De qualquer maneira, não sei o que desejam com a rainha. Mesmo que ela esteja inconsciente também, por que desejam seu corpo? — Pergunta Trevor, ainda irritado.
    — Tem razão. Eu sei que a rainha é um pitelzinho, uma delícia de mulher, mas ela está... Não está viva! Acordada! Sei lá... — Disse Alayen, abaixando um pouco sua espada, confuso com o que está falando. O restante do grupo faz expressões de decepção.
    —Não me digam que é pra trazer Redchain de volta. Imaginei que não se importassem com os membros mortos. — Disse Nightcrawler.
    — Não diga isso. Nós damos importância a todos. Mas a rainha é nossa prioridade.
    — Não sabia que vocês curtiam necrofilia. — Disse Alayen, com um sorriso de canto.

    O membro na esquerda parece bem irritado. Ele é fisicamente maior que Lalori, e não parece satisfeito com como as coisas tem andado ali. Seu parceiro percebe isso sem nem mesmo precisar olhar para ele e vê que é hora de agir.

    —Há muitas coisas que vocês não conhecem mesmo sobre nós. Nem do que somos capazes. Mas faremos o favor de mostrar isso a vocês.

    Nightcrawler tenta mover um dos braços, mas percebe que eles estão presos em fios invisíveis. O membro na esquerda move-se num salto e deixa sua capa cair, revelando-se como Adumo. Por pouco ele não o soca, pois Alayen agiu antes e queimou os fios com uma magia de fogo discreta, permitindo que o detetive dê alguns passos para trás e deixe o homem passar direto.

    Ele vira para trás. O grupo não se divide, pois planeja atacar juntos os dois; suas habilidades seriam úteis para impedir ataques de ambos inimigos.

    Dartaul joga uma faca explosiva contra Lalori, mas ele para com fios. O rapaz ainda explode a faca, mas não surte muito efeito. Ele lança esses fios de forma complexa, prendendo-os no mastro e nas muretas para que conseguissem avançar e prender o inimigo numa armadilha, mas Alayen os contém com seu fogo. Do outro lado, Adumo avança, mas seu ataque é parado por Trevor. O mago espadachim tenta golpear sua cabeça, mas a lâmina é parada pelas duas mãos do alvo.

    O membro contém a força do rapaz, mas apenas para notar que Trevor também vinha para atacá-lo. Com sua Ceifadora de Dragões, ele acerta a região do rim esquerdo dele, mas parece não surtir efeito. Adumo simplesmente levanta a espada que tenta acertá-lo, soca o capitão de guarda e chuta o mago. Ele berra e bate com o pé no chão, fazendo a madeira se levantar e mostrar grandes espinhos grossos e vermelhos indo em direção do rapaz que ainda estava indo ao chão.

    Exevo Vis Lux! — Pronuncia Nightcrawler, finalmente agindo.

    O golpe do detetive acerta a lateral do corpo do rapaz antes dele cair e o joga na mureta do seu lado. Trevor ainda consegue pegar sua espada do corpo de Adumo e avançar contra Lalori, mas o inimigo o contém com mais fios. Ele parece estar inteiramente protegido por eles. Nightcrawler age rápido.

    Exevo Gran Vis Lux! — Grita o mascarado, lançando um poderoso raio de energia na direção do membro tecelão. Ele salta para trás, sacrificando boa parte dos fios no processo.

    O detetive joga uma faca de prata explosiva na direção de Lalori, mas ela é parada alguns metros antes de alcançá-lo.

    Consummationem! — Grita Suzio, criando uma imensa explosão.

    Adumo recua para o lado de Lalori e Trevor recua para o restante do pessoal. Quando a explosão passou, o inimigo ainda se encontrava de pé, com apenas algumas queimaduras aqui e ali. Mas bastante pó foi levantado, mostrando que todos os fios foram queimados.

    — Que problemático. Vocês são realmente irritantes.
    — Talvez porque você não reparou ainda que não tem chance contra nós quatro juntos. — Disse Dartaul, audacioso.
    — É... Terei que resolver isso, não é? —Disse Lalori, juntando seus dedos e estalando-os.

    A última fala parece preocupar bastante Nightcrawler. Seu olho cego transforma-se novamente, tomando uma cor negra, com uma íris laranja e um losango negro no centro. E como ele esperava, seu inimigo parece ter algo entre os dedos. Esta coisa, que é bem clara, cresce quando ele junta suas mãos ao mesmo tempo em que ele mexe alguns dedos. Algo está para vir.

    — Estou entendendo um pouco melhor porque Redchain morreu. Mas, aparentemente, você estava sozinho, Nightcrawler. Como se livrou do hakugai dessa maneira? Eu acho... Ou melhor, tenho certeza que você tem algo na manga. Não sei o que é, mas estou pronto para lidar.
    — Não fique me enrolando, caralho. Você não entendeu porra nenhuma, e essa é a única certeza que todos nós temos aqui, que inclusive você também concorda. Pois Sangues não foram feitos pra pensar e sim para agir. Pois, se pensassem ao menos um pouco, não estariam fazendo toda essa carnificina por 10 anos. E foda-se se as pessoas não morreram, pois a violência que vocês cometeram foi puramente psicológica. — Disse Nightcrawler.

    Lalori abaixa um pouco a cabeça. De raiva, de medo ou talvez por fazer.

    — Você é um bárbaro tentando se passar por inteligente, mascarado. Mas algo você entendeu, admito: É psicológico. Não “matamos” ninguém. Por isso você nunca nos ouviu usando qualquer verbo para morte. Mas, se não me engano, você também gosta de dizer que eu não percebo nada. E você, Crawler, será que já percebeu algo que está na sua cara desde que entramos nesse navio?
    — Que é...?
    — Que você está completamente errado em pensar que números signifiquem alguma coisa para um membro da Irmandade.

    Lalori abre as mãos e uma luz ofuscante cobre o navio. Nightcrawler por pouco não perde sua visão, mas não consegue evitar um mar de fios vindo na sua direção.


    Ele abre os olhos de novo. Está no mesmo navio, no mesmo mar, e Yalahar ainda está um pouco visível no horizonte; porém, o clima parece estranho. É como se nada tivesse mudado. Como se não tivesse ocorrido nenhuma luta. Ele olha para o lado e vê seus companheiros, e para frente, pra ver os seus inimigos.

    Lalori e Adumo estão no mesmo lugar. Ele não entende o que aconteceu, tampouco quem está junto com ele, tanto que eles olham para os lados para ver se notam o que ocorreu. Dartaul parece entender levemente, já que ele sente que algo está pressionando nos braços e nas pernas. Mas ao olhar para eles, não vê nada.

    Fios aproximam-se em uníssono e o grupo não tem como agir a tempo, e logo ficam presos. De alguma forma, os fios se moviam com uma velocidade dobrada, impedindo uma ação rápida para evitá-los. Adumo concentra uma vasta gama de poder em uma mão, algum poder que está tomando a forma de uma pirâmide tridimensional.

    Alayen age rápido.

    Exevo Gran Mas Flam! — Grita Alayen.

    A área ao redor dos fios esquenta e eles começam a se desfazer. Em seguida, focos de chamas levantam-se do chão, explodindo em conjunto e desfazendo os fios que prendiam seus aliados. Eles machucam apenas os inimigos, que recuam, mas ainda assim acabaram atingidos. Adumo parece ter sentido mais, já que possui fogo no braço direito e no capuz. Ele apaga rápido e reage com bastante raiva.

    Alayen ofega. O uso de magias épicas o consome com facilidade.

    — Ei, Nightcrawler! Quando eu entrei nesse grupinho, não passou nem pela minha cabeça que eu tinha que usar várias vezes magia épica! Faz alguma coisa, caralho! Não fica esperando que eu vá fazer isso toda hora!
    — Ora, ora. Você foi treinado por uma boa mestra justamente para fazer essas magias o tempo inteiro.
    — Vai se fuder! Lea não me ensinou a ser um dragão e sim um mago!
    — Uma pena que ela não tenha te ensinado outras coisas também, né. Você é novo pra isso, também.

    O espadachim olha para o detetive com desprezo.

    — As vezes eu me pergunto porque eu ainda falo contigo.

    Nightcrawler fita Alayen. A expressão de desprezo só aumenta quando ele percebe um sorriso por trás do sorriso da máscara. Naquele instante, ele sentia uma enorme vontade de decapitar o detetive, já que o próprio conseguiu o que o jovem jamais conseguiu.

    — Imperdoável...

    Adumo está retesado, porém, bem irritado. Ver a despreocupação da dupla frente ao perigo não o deixou feliz.

    — Imperdoável... Vocês estão de frente pros humanos mais poderosos de todo o Tibia e ainda fazem piada? Fazem piada em frente de membros da Irmandade do Caminho de Sangue? Como pode?

    Nightcrawler dá uma risada disfarçada.

    — Tá implicando que você é um humano? Ah, dá um tempo.

    O corpo de Adumo treme completamente. Ele cerra as mãos.

    YURUSE!*

    Adumo avança em um instante para a direção de Nightcrawler e parece lhe acertar um soco coberto por um fogo cor de sangue. Entretanto, ele passa direto pelo mascarado, indo na direção da cabine, quebrando a parede e caindo. O rapaz ri, mas Dartaul nota a falta de pessoas naquele local.

    — Ralé. Ninguém nesse mundo pode me tocar sem que eu deixe.

    Adumo levanta-se com mais ódio ainda. Lalori parece se irritar também e faz seus fios avançarem como múltiplas teias de aranha se entrelaçando. Alayen as queima, Dartaul lança facas na sua direção e Trevor avança junto com elas, brandindo sua espada. Lalori esforça-se em recuar e defender os golpes e as facas com os fios, mas não consegue se livrar do oponente.

    O outro Sangue avança novamente, mas Nightcrawler se joga no chão em um único instante, entra dentro dele e volta logo em seguida atrás dele, socando-o pelas costas e lançando-o no chão. Ele lança uma chakram quando ele tenta levantar, acertando seu braço direito. Ele junta as mãos.

    Motum!

    Runas se espalham pelo braço do homem e ele nota que seu corpo não o responde. Foi paralisado completamente.

    Lalori tenta salvá-lo, usando fios que curiosamente vinham de lugar nenhum. Eles parecem mais grossos e tentam acertar a arma, mas Alayen novamente os queima. O feiticeiro avança com avidez contra o membro, que usa dezenas de fios para se proteger, mas Dartaul acerta suas últimas facas neles para queimá-los. Apesar de não conseguir vê-los, os projéteis se prendem neles, tornando o trabalho mais fácil, e complicando uma resistência de Lalori.

    Alayen dá um corte lateral no Sangue, mas ele se desfaz em milhares de fios roxos de lã. Ele é ágil: Pega uma runa de campos de fogo, joga abaixo dele e enche de chamas uma área que compreende dois metros ao redor dele. Lalori reaparece exatamente em um dos campos, e começa a sentir a dor de ser queimado. Ele consegue sair da área, mas bem machucado e carbonizado, já que, devido ao excesso de tecido no seu corpo, o fogo avança mais rápido. Ele apaga, mas nota os danos.

    Lalori está cercado.

    — Deprimente. Realmente... Deprimente. Também estou entendendo porque tantos membros foram atrás de vocês de uma vez só. Vocês trabalham bem em grupo, devo admitir. Não sou uma criança birrenta ao ponto de não reconhecer o poder do meu inimigo.
    — Você parecia ter sido alguém inteligente antes de virar um Sangue, Lalori. Em circunstâncias normais, teríamos sido amigos. — Disse Nightcrawler, fitando-o com seriedade.
    — Não sei se poderia ser o caso. Eu era um alfaiate de grande renome, fazia belas peças de roupa para nobres, príncipes e reis. Mas eu queria mais. Queria ser mais habilidoso, mais criativo, mais original. Eu queria poder. Eu... Quero poder. Mesmo agora, não sou tão poderoso como dizem.
    — Você está entre os oito mais fortes. É o suficiente.
    —Não... Não é. Mas eu ainda subirei, Nightcrawler. Muito mais do que você imagina. Pois se você pensa que eu vou morrer aqui... Então, eu digo que você é o ignorante dessa história.

    Novamente uma bola bem clara surge dentro das mãos de Lalori e faz um grandioso clarão, cegando os membros. Nightcrawler novamente é o último a ver uma onda de fios roxos e grossos vindo em sua direção.


    Estão no navio de novo. Na mesma posição inicial. Não há fogo, a cabine está inteira e também não há traços de fios rasgados ou queimados no chão, tampouco pó. Tudo está como antes. Até mesmo o céu e a posição do sol, que não mudara desde que a luta começou. Dartaul começa a pensar, mas não sabe se terá tempo suficiente para saber o que está acontecendo.

    — Agora eu farei questão que você pague pela sua insolência, Nightcrawler! — Grita Adumo.

    O Sangue com porte físico forte é cercado por chamas vermelhas de sangue, e sua estrutura se transforma. Ele consegue mais músculos, escamas crescem nos seus braços e chifres surgem em sua testa. Está mais alto e mais perigoso. As chamas se concentram no seu braço direito, no seu rosto e na maior parte do seu tórax e tronco.

    — Hm. Acho que não.

    Nightcrawler ativa seu poder demoníaco e este cerca metade de seu rosto, junto de parte do seu ombro, tórax e braço esquerdo. Um rosto demoníaco toma posse do lado esquerdo da face do detetive, fazendo dentes aparecerem na boca da máscara. Os membros parecem surpresos.

    — Se você deseja lutar de verdade... —Disse Nightcrawler, com uma voz dupla, com mais força e com aspecto mais maligno — Então vamos lutar de verdade.





    Próximo: Capítulo 24 – Decadência II




    Notas:

    *: “Yuruse” significa “imperdoável” em japonês. É uma simplificação da palavra, usada de forma informal. A palavra inteira é “Yurusemasen”.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  4. #114
    Avatar de Edge Fencer
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    E aí!

    Muito bons os últimos capítulos, Carlos. Voltando a história pro tempo atual, de certa forma foi bom ver o Nightcrawler agindo como Nightcrawler novamente, mesmo que eu não goste dele kkkk

    Falando especificamente sobre o último capítulo, a luta no navio ficou bem interessante. Talvez pelo sono, achei um pouquinho confusa numa primeira leitura, mas dando outra olhada eu consegui acompanhar sem problemas. Quero ver como funciona direitinho essa habilidade dos sangrentos de dar load no meio da batalha (até parece eu jogando mortal kombat de snes no emulador: acerta um golpe e salva, morre e volta ); considerando o histórico da irmandade até agora tenho certeza que vou me surpreender.

    Quanto a escrita, acho que deu uma leve melhorada em relação aos anteriores. Notei só umas confusões de tempo verbal ali, mas nada demais. As descrições, essas sim melhoraram sensivelmente.

    Bom, a história já dá mostras que está chegando no clímax, e os últimos capítulos demonstraram que dá pra ter boas expectativas com o final

    Abraço!
    Son of a submariner!

  5. #115
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    Padrão Capítulo 24 - Decadência II

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E aí!

    Muito bons os últimos capítulos, Carlos. Voltando a história pro tempo atual, de certa forma foi bom ver o Nightcrawler agindo como Nightcrawler novamente, mesmo que eu não goste dele kkkk

    Falando especificamente sobre o último capítulo, a luta no navio ficou bem interessante. Talvez pelo sono, achei um pouquinho confusa numa primeira leitura, mas dando outra olhada eu consegui acompanhar sem problemas. Quero ver como funciona direitinho essa habilidade dos sangrentos de dar load no meio da batalha (até parece eu jogando mortal kombat de snes no emulador: acerta um golpe e salva, morre e volta ); considerando o histórico da irmandade até agora tenho certeza que vou me surpreender.

    Quanto a escrita, acho que deu uma leve melhorada em relação aos anteriores. Notei só umas confusões de tempo verbal ali, mas nada demais. As descrições, essas sim melhoraram sensivelmente.

    Bom, a história já dá mostras que está chegando no clímax, e os últimos capítulos demonstraram que dá pra ter boas expectativas com o final

    Abraço!
    Grande Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios. Salvou o tópico.


    Este novo capítulo explicará do que se trata essa habilidade de "load" dos sangrentos, mas nada OP como MK MUGEN onde você apertava espaço e a vida dos dois combatentes ficava cheia de novo

    A história já está meio que no clímax. Ele foi anunciado ali no capítulo 20 e agora estamos caminhando para a conclusão dela, que não irá demorar muito. Como já disse, não planejo estendê-la muito, mas planejo uma sequência.

    Espero que goste do novo capítulo!







    Pessoal, espero que a história esteja sendo agradável para todos. De vez em quando fico pensando que os comentários tem influência nos capítulos e que se tem pouco, é porque eles não estão muito bons. Deixem-me sempre saber de suas impressões sobre o que leram, para que eu continue melhorando meu trabalho. É muito importante que façam isso!


    Fiquem com o capítulo.




    No capítulo anterior:
    Dois membros da Irmandade do Caminho de Sangue abordam o navio de Harlow e colocam o grupo numa situação complicada. Sem opções, o grupo decide lutar contra eles.



    Capítulo 24 – Decadência
    Parte 2




    Suzio e Adumo se chocam. Embora a força do membro da Irmandade seja bem maior, o poder demoníaco do seu oponente parece aguentar com folga a pressão da sua força e o peso do seu corpo. Dando alguns passos pra trás, Adumo avança novamente, mas ele recebe um soco que o atinge na barriga, apesar dele ter desviado para o lado. Ao olhar, nota que a força etérea do braço esquerdo dele aumentou de tamanho. Ele se afasta e por pouco não é acertado de novo.

    Adumo salta para trás e é surpreendido por Alayen. Ele tenta acertar um golpe lateral, mas é defendido pela mão do Sangue. Mesmo com a dor, ele não esboça reação; simplesmente chuta-o para trás. Esse tempo perdido com o mago foi uma simples distração para que um belo gancho de direita de Suzio fosse aplicado no rosto de Adumo, jogando-o na mureta da esquerda e por pouco não quebrando-a.

    Mesmo diante da cena, Lalori não mexe nada senão seus dedos. O Sangue sabe que Dartaul está observando-o, que ele planeja algo, mas não hesita em continuar. Sabe que o rapaz não pode reagir, pois suas facas já estão no fim. O antigo tecelão não sabe quantas o investigador possui, mas está preparado para rechaçá-las.

    Ele avança. Trevor avança ao mesmo tempo. Alayen e Nightcrawler estão ocupados com Adumo, que parece não dar tanto trabalho. Ainda não consegue acreditar no quanto de dificuldade eles estão oferecendo, mas não deixa isso o dominar. Simplesmente anda pra frente, com os dedos preparados.

    Ele lança uma onda de fios que tornam-se visíveis num instante na direção de Trevor. Ele não consegue tempo para desviar, já que seus pés foram presos antes de notá-los. Ele é pego e lançado até a parede exterior da cabine, onde é preso por múltiplos fios. Dartaul recuara para a mureta esquerda, a sua frente, mas também consegue ver os fios. Decide agir.

    Ele pega uma faca de prata explosiva com o objetivo de queimar o máximo de fios que puder. Lalori percebe isso a tempo.

    — De novo não.

    Fios brilhantes surgem nos dedos de Dartaul. Ao notá-los, corta vários deles o mais rápido que pode com a faca, mas no fim, acaba perdendo seu polegar.

    O investigador berra, largando a faca e colocando sua outra mão acima do machucado. A dor é lancinante, faz sua cabeça girar e seu cérebro perder o raciocínio de batalha. Isso pode custar caro.

    — Dartaul! Sai daí! — Grita Trevor, enquanto tenta se livrar dos fios que o prendem.

    Mais desses fios se espalham. Dartaul se afasta dando passos para trás, mas eles fazem vários cortes nos seus braços e pernas. Ele tenta correr para o outro lado do navio, mas acaba sendo pego por vários desses fios na perna esquerda e cai.

    Ele sente sua carne sendo pressionada aos poucos e rasgada. A dor virá em instantes.

    Utamo Vita!

    Os fios se partem ao entrar em contato com um escudo de mana feito às pressas. O investigador salva sua perna de ser amputada. Lalori parece bastante irritado, decidindo invocar mais fios para pegá-lo. Alayen reage, queimando o máximo que pode com algumas magias simples de fogo, mas o Sangue está atento a isso. Adumo se afasta para que seu companheiro possa agir, e Nightcrawler se afasta.

    Nightcrawler cerca partes do seu corpo com proteção feita de mana, mas em cor alaranjada, impedindo os fios, e planeja avançar. Dartaul se arrasta para a mureta do navio, enquanto assiste vários fios pressionarem o corpo de Trevor. Ele nota alguns brilhantes, que se enrolam em dois dos seus dedos, que mantinham sua espada em mãos. Em seguida, alguns desses fios conseguem cortar a perna direita dele, seguido dos dedos, arrancando do capitão um urro de dor profundo. Dartaul se irrita com isso e grita para Lalori, mas, obviamente, o homem não se importa.

    Os fios se espalham e são muito mais visíveis agora. Eles são todos roxos, e parecem mais resistentes, uma vez que Alayen não consegue queimá-los inteiramente como antes, o que se torna um problema. Muitos deles de espessura mais fina se enrolam no corpo do feiticeiro, colocando ele em sério perigo.

    — Alayen! Use um escudo de mana! Rápido! Ele vai cort-

    Fios quase invisíveis fazem o braço direito do rapaz sair do lugar. Mais um grito preenche o ambiente.

    Ao ver aquilo, Nightcrawler percebe que os Sangues finalmente resolveram jogar sério. Precisa, de alguma forma, agir.

    Os fios caem sobre todos e cobrem o navio todo. Dartaul começa a sentir eles se entrelaçarem em seu corpo, mas tenta ignorá-los para encontrar uma solução para o problema. Pois há um problema. Tudo aquilo está surgindo do nada. Como se estivessem vindo da água, do céu, do ar. Algo certamente está errado ali.

    Então, ele olha para o sol. Ele nem mesmo conseguiu sair do horizonte ainda, quando um tempo considerável já havia se passado com eles ali.

    — Pagarão pelas ofensas à nossa Irmandade! — Grita Adumo, colocando as mãos no chão.

    Uma grande pressão começa a surgir abaixo do navio. Nightcrawler pensa que Adumo tentará afundar o navio, mas não tem certeza do que ele fará. A água move-se com urgência ao redor, tudo está tremendo. O que virá, ninguém sabe.

    Para o infortúnio dos investigadores e para a alegria do encapuzado, algo surge debaixo das águas: Uma bocarra com um mar de dentes, planejando destroçar o navio numa única bocada. E como esperado, ninguém sabe como escapariam daquilo. Estão perdidos. Aquela coisa, do qual não se sabe exatamente o que é, tira as esperanças de fuga de Nightcrawler. Pela primeira vez desde que colocou a sua máscara, ele não sabe o que fará para fugir.

    Porém, Dartaul nota algo no céu, bem acima dele. Algo muito parecido com fios bem grossos, de tamanho colossal. Ele compara com outras áreas deste mesmo céu. Os mesmos fios grossos, semelhantes a todos os que estão caindo sobre o navio. Finalmente ele entende.

    Ele se levanta, pega sua última faca de prata e puxa algo de dentro da camisa: Um colar. Há uma cruz pendurada nele. O investigador aperta-o; seu objetivo é claro.

    — Perdoem-me, amigos. Charlew... Quebrarei minha promessa. Eu preciso voltar a ser. Eu preciso ser um paladino!

    Dartaul grita para o céu e, com uma força descomunal, ele esmaga a cruz. Inúmeras fontes de luz dourada surgem em seguida, tomando todo o corpo do rapaz, em contraste com a água respingando para dentro do navio e dos fios. Seu poder volta aos poucos, enquanto o mar pontudo e podre devora pouco a pouco o navio.

    Ele corre para o meio do navio.

    Utito Tempo San!

    Ele para de correr e sente uma destreza indescritível preencher seu corpo e mente.

    Exori Gran Con!

    Dartaul dá um pulo e joga a faca para cima com toda a sua força. Sente que o navio está desabando. Esse tiro será seu último: Se não acertar, tudo estará acabado.

    Sua vocação permite ver exatamente o projétil, que segue com urgência e poder em direção do centro do céu. Ao mesmo tempo em que tudo parece desabar lá embaixo.

    A faca acerta o alvo. Um céu sólido feito de fios.

    Consummationem!

    Uma explosão corre pelos céus como cavalos de fogo. As chamas cobrem tudo, ao mesmo tempo em que um clarão ofusca a visão de Dartaul. Ele está caindo, mas, ao menos, seu palpite está certo. Já que aquela coisa que está fazendo-o cair não existe.


    ~*~


    Dartaul abre os olhos. Está de frente para seus oponentes e para um cenário diferente. Atrás de seus inimigos, está um fogo amarelado, que fora usado por Alayen para conter um ataque de Lalori. Ao olhar para trás, repara na cabine quebrada – e vazia. O sol está no mesmo lugar, assim como as nuvens no céu.

    Ele olha para sua mão. Tudo está no lugar, apenas há um corte feio no seu polegar direito, mas nada grave. Ele olha para os outros e pega-os checando seus corpos. Trevor vê que sua perna ainda está no lugar, apenas há um corte em sua superfície e nada mais; e Alayen repara que a manga direita da sua camisa caiu e que há um corte ali, mas seu braço está inteiro. E o seu colar ainda está por trás da sua camisa negra.

    Dartaul e Nightcrawler entenderam tudo ao mesmo tempo.

    — Parece que ligamos a luz do quarto pra saber de onde vem o som suspeito. — Disse Nightcrawler. Alayen olha para ele com a expressão de quem se pergunta se tal comentário foi necessário.
    — É? Pois eu digo que nada mudou, Nightcrawler. Vocês continuam na palma da nossa mão.

    Lalori ri e faz milhões de fios se levantarem das águas. Eles elevam-se até o céu, que também faz outros milhões de fios saírem do lugar e tomarem forma. Pouco a pouco, seres brancos, de forma humana, com armaduras de estilo oriental zaoano e usando naginatas* surgem, tornando-se maiores a cada segundo. Passados dois minutos, dezoito titãs feitos de fios estão no céu, que já não parece mais um céu de verdade e sim um grande novelo de lã branco visto de cima.

    — Ah, Lalori. Você diz isso justamente para mim? E ainda faz algo assim logo depois? Bem... Eu não sei dizer se você está com a cabeça no lugar ou não, mas deixe-me dar uma base do que você deixou para nós: Sua segunda natureza do sangue é criar dimensões semelhantes a novelos de lã.

    Lalori parece indiferente.

    — Sim. E daí?

    A dupla parece surpresa.

    — A segunda natureza do sangue de um membro da Irmandade é um segredo absoluto. Não?
    — Talvez. Pra mim não é. Pouco me importa se souberem como são feitas essas dimensões. A questão é justamente se conseguirão escapar delas.
    — Nós escapamos da primeira. E estamos prestes a escapar da segunda.

    O Sangue ri.

    — A máscara deve estar dificultando sua visão, detetive. Olhe para o céu. Vocês não irão sair daqui.
    — Claro que vamos. Pois a questão que imponho a você agora é quanto sangue você ainda tem para manter esses titãs no céu e essa dimensão.

    Se havia um sorriso por trás da máscara de Lalori, ele já não existe mais.

    — Escute. A natureza de sangue de um membro é sustentada por uma quantia de sangue misturada com o mana de um espírito que desconheço quem seja. Os gastos costumam ser altos na maioria das vezes. Especialmente o seu. O que sustenta meu argumento é a seguinte suposição: Você não criou uma dimensão cem por cento fiel a nossa realidade pois você não seria mais capaz de combater por um bom tempo, e Adumo não seguraria as pontas sozinho. Mesmo nos prendendo aqui, você não se daria ao luxo de ficar no mesmo lugar que nós e morrer no processo, não importa o quão maníaco você seja.
    — Você est-
    — Não acabei. Ainda há outra. Você não consegue criar uma dimensão completa. Ao invés disso, faz cópias que são mais parecidas com ilustrações do mundo ao seu redor e coloca dentro da base do novelo, criando uma falsa ilusão de que o inimigo ainda está no mesmo lugar, apenas foi enganado por um clarão e por pouco não foi morto. Você também não consegue copiar toda a força de quem está com você e quem está contra, então todos chegam aqui mais fracos. E conforme mais dimensões você faz, mais fracas ficam as pessoas dentro delas.

    Lalori cerra os punhos. Adumo já está bem impaciente. Trevor e Alayen parecem se divertir com isso.

    — Criar essas dimensões que são cópias da realidade também destroem suas reservas de sangue mágico, enfraquecendo você conforme o tempo passa. Ainda assim, elas são permanentes, enquanto as que são totalmente fiéis não. Mas nas duas você morre se ficar tempo demais dentro delas. Portanto, seu ponto forte, que é criar fios do nada e matar rapidamente seus inimigos no processo dentro dessas dimensões, curiosamente também é o seu ponto fraco. Lalori, você é engenhoso, mas quando se descobre sua estratégia, você rapidamente se torna um inútil.
    — E você não merece ser um dos oito maiores, Lalori. — Disse Dartaul, com um olhar desafiador — Sua habilidade de criar fios impede o uso de sangue e de pulsantes. Então ou você usa os pulsantes ou usa os fios.

    O Sangue está cabisbaixo. Foi descoberto. Adumo está irritado, mas sabe que será eliminado em instantes, caso tente avançar. Eles já possuem ciência de todos os seus truques.

    — E você, Adumo? Sua segunda natureza do sangue é aquele troço gigante que engole navios numa bocada? Nunca vi algo do tipo. Você parece ser poderoso, mas foi enfraquecido pelo seu próprio companheiro. Se eu fosse você, nem pensaria em avançar. — Disse Nightcrawler, sorridente como a sua máscara.
    — É isso aí. Tática de batalha. Vocês foram descobertos pelo inimigo e agora estamos oferecendo a opção de se renderem. — Disse Trevor, cruzando os braços.
    — Vocês são bons, sério mesmo. Ninguém chegou perto de quebrar alguma parte do meu corpo, quem dirá cortar um membro meu. Mas hoje não foi o dia de me matarem. — Comenta Alayen, embainhando as espadas e colocando as mãos atrás da cabeça.
    — Obviamente. Pois, modéstia a parte, estão tentando lutar contra o maior detetive de Tibia. O que nunca foi pego por ninguém.
    — Nossa, Crawler... Cala a porra da boca. — Disse Alayen, colocando a mão no rosto.

    Enquanto o grupo interage entre si, Adumo parece estar próximo de explodir em fúria.

    — Inadmissível...
    — Acalme-se, Adumo. No fim, fomos vencidos. Fisicamente e psicologicamente. Colocaram-nos contra a parede. Acho que os verdadeiros errados dessa história são a nossa Irmandade. Sarutevo não estava com a cabeça no lugar.
    — O que você quer dizer com isso? — Murmura Adumo, planejando jogar sua fúria contra o companheiro.
    — Que a Irmandade nos traiu. Jogou-nos na direção do inimigo para atrasá-los. Como se fossemos meros peões.
    — E somos peões! Somos peças para concluir o objetivo do Conhecedor. Daquele que se deita com Deus. Nunca nos foi prometido a vida quando entramos nesse mundo.
    — Não posso me considerar um simples peão, Adumo. Talvez você consiga, mas eu não.
    — Pois você ainda está atado a sua vida antiga. Estou certo?
    — Exatamente. Eu era um grande alfaiate. Fazia belas peças de roupa para nobres e reis. Mas eu não era um alfaiate de grande destreza. Não conseguia fazer a mesma peça mais de uma vez. Sempre faltava detalhes ou algo saia mal feito ou pouco parecido, e aquilo destruía todo o aspecto da peça original. Eu me juntei a Irmandade para resolver isso. Para concluir meu objetivo de ser o alfaiate mais habilidoso de Tibia.

    Tudo fica em silêncio por algum tempo. Aparentemente, o grupo inimigo também ouviu o que Lalori disse.

    — É isso. Vocês venceram. Continuar com isso trará a morte para nós dois.

    Adumo não teve tempo para protestar, pois em dois segundos uma naginata de um dos titãs cai entre os dois. Ela se desfaz em fios pouco depois, assim como os outros titãs, e assim como toda a dimensão, que se desfaz em milhões de fios. Um clarão ofusca novamente a visão de todos. É o sinal de que a luta acabou.


    Todos abrem os olhos.

    Lá está o navio de novo. O sol está mais alto, mas as nuvens cobrem boa parte do céu, que está levemente nublado. A manhã é fria e sombria, e os marujos, antes curiosos a respeito do que cercava o grupo, agora fita-os com medo e inquietação. Harlow está na frente de todos, apontando uma garrucha para os membros da Irmandade. Outros marujos corajosos o acompanham. Parece o fim.

    Lalori se ajoelha. Está fraco e incapaz de se levantar por algum tempo. Adumo está cabisbaixo, sem conseguir aceitar o que aconteceu. Suas mãos estão cerradas. É difícil acreditar no que está acontecendo.

    — Afaste-se, Capitão Harlow. Está tudo acabado. Eles se renderam. — Disse Trevor, modesto.

    Adumo levanta a cabeça enquanto os marujos se afastam com medo. Como o esperado, ele não aceita a rendição. Seu corpo começa a tremer.

    — Quem disse que eu aceitei seus termos?
    — Adumo, não faça isso! — Grita Lalori, com uma voz fraca.
    — Não vou aceitar. Nunca vou aceitar! A Irmandade nunca abaixará a cabeç-

    Nightcrawler surge de repente no ar, chutando o topo de sua perna esquerda, na região do quadril. O inimigo se curva e, nesse momento, o detetive coloca sua mão direita sobre a sua cabeça, faz um círculo laranja com um hexagrama coberto por símbolos surgir e força Adumo contra o chão. Ele quebra-o, assim como quebra o chão do convés e o do casco logo abaixo, afundando no mar junto do círculo.

    Harlow parece mais chocado que os demais marujos.

    — Porra... Vão! Peguem os materiais e consertem o buraco no casco! Rápido!

    Os homens do capitão se apressam e vão até a cabine ou descem para o convés. Em instantes, eles somem dali e deixam apenas o grupo, o capitão e o membro remanescente. Suzio aproxima-se de Lalori e fica de frente para ele, mas ele não parece reagir.

    — Parece que é o fim mesmo... Que pena.
    — Para Adumo, é. Mas pra você não, alfaiate.

    O membro levanta a cabeça para fitar o detetive.

    — O que quer dizer?
    — Que você está livre para partir.

    Lalori parece bastante surpreso, assim como os demais do grupo. Misericórdia não parecia ser do feitio do mascarado.

    — Por quê?
    — Pois diferente dos outros membros que conheci, você está consciente. Sabe do que está fazendo e do porque se juntou a Irmandade. Não é uma simples peça, é um humano. Com pensamentos. Estou te deixando solto porque você merece, não porque eu tenho misericórdia. É algo simples de se entender.
    — Não exatamente... — Comenta Alayen, entre os dentes.

    Lalori abaixa a cabeça. Parece algum tipo de truque.

    — Que surpresa, mascarado. E pensar que eu conseguiria algo tão raro vindo de você... Heh. Você é realmente muito interessante, detetive. Em outras circunstâncias, teríamos sido bons amigos.
    — Eu concordo. Agora vá, antes que eu mude de ideia.

    O rapaz assente e se levanta devagar. Ele dá uma última olhada para o seu liberador, e depois para os outros que o derrotaram. Por fim, ele dá meia volta e pula do navio pela mureta do seu lado, desaparecendo em fios roxos.

    — E pensar que ele ainda conseguia fugir...

    Uma inquietação é ouvida abaixo do navio. Aparentemente, todos estão muito apressados em consertar o navio, e Nightcrawler se sente um pouco culpado por isso. Mas o que acontece é diferente.

    — Encontramos uma mulher no convés!

    O grito do marujo desperta a atenção de todos. Eles correm até onde essa pessoa foi encontrada.

    Dartaul começa a ser invadido por pensamentos estranhos. Como se tivesse completa ciência do que está para ver. E ao chegar no último local onde o buraco foi aberto, os pensamentos ocultam sua percepção dos arredores.

    Ele vê muitas pessoas cercando o corpo. Cada passo até essa pessoa parece levar uma eternidade. Tudo parece certo do que verá. E isso lhe dá medo, sentimento que contrasta com uma frase antiga que martela com força em sua mente.

    Os marujos se afastam. Dartaul toma o lugar deles para ver quem é a mulher. Mal pôde acreditar no que está vendo. Neste momento, a frase é audível na sua mente.


    Eu continuo gritando para Deus... Mas ele não me escuta.


    Realmente havia alguém dentro do corpo de Adumo.

    Este é Aika Danguian.





    Próximo: Capítulo 25 – Máscaras para Animais


    Notas:

    *: Naginata é uma lança japonesa de lâmina curvada, semelhante a de um sabre. Está presente no Tibia como drop de alguns lizards de Zao.








    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  6. #116
    Avatar de Skirt Underdome
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    Boa luta, Charles.

    Combate ninja com tudo que tem direito.

    Prevejo uma trajetória diferenciada para o Lalori a partir de agora, quem sabe até uma mudança de lado.

  7. #117
    Avatar de Neal Caffrey
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    Primeiramente, quanto ao parágrafo preliminar em que você expôs momentaneamente uma frustração que talvez nem mesmo você saiba que existe: comentaristas vêm e vão, Carlos, e nem sempre eles apresentarão seus comentários oportunamente. Minha história possui um comentarista a cada capítulo, mas as visualizações já passaram de mil em menos de dois meses. Não sei se entende o que quero dizer, mas vou tentar traduzir isso em palavras mais simples: podem não haver comentários, mas, com certeza, há leitores. Aqui, nesta seção, uma boa parte deles é composta por anônimos, que não se registram no fórum e que somente procuram algo um pouco diferente pra fazer a imaginação voar. É o caso. Assim que postar um novo episódio, fique de olho nas informações de tópico lá embaixo; verá dois ou três usuários registrados e um porrilhão de visitantes. Respire fundo e não perca o pique. Sempre digo que, se houver um único leitor acompanhando a história, ainda vale a pena contá-la. Não perca isso de vista.

    Em segundo lugar, não posso dizer que esse capítulo foi menos do que caprichoso. Apesar de seus meios pouco ortodoxos, continuo sendo um fã confesso do personagem Nightcrawler, e acho que, no curso do tempo, Dartaul também pode chegar lá. A gramática da sua escrita tem melhorado bastante e atingido pontos de excelência indizíveis. Seu avanço é notório, peço pra que não se perca no meio de eventuais frustrações que venham a ser supervenientes na sua caminhada. Seria uma lástima se Bloodtrip parasse na metade, tanto pra seção, quanto pros leitores.

    O capítulo foi bem fechado. Não posso esperar do próximo que seja menos do que excelente do que esse. Continuo elogiando sua narrativa como o ponto mais forte das suas habilidades, e encorajaria você a fomentar esse pedaço da sua história.

    De mais a mais, conte comigo, amigo. Se eu não aparecer por aqui, é porque estou muito apurado com o escritório. Pra qualquer coisa que for necessária, conte comigo.

    Abraços!
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Acompanhe a terceira história de Jason Walker na seção Roleplay!

  8. #118
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    E aí!

    Como eu esperava, fiquei bem surpreso com esse poder do Lalori. Sério, não passou nem perto do que eu possa ter pensado quando li o capítulo anterior kkkk
    Mas ficou bem legal dessa forma, achei inteligente e criativa a forma e o uso que vc deu para os fios nesse caso xD

    A narração da luta manteve o nível dos últimos capítulos, ou seja: ficou muito boa.

    Curiosa a personalidade do Lalori, faz a gente pensar que todos os membros da irmandade já podem ter sido apenas pessoas comuns há algum tempo. Fico mais curioso ainda por isso ter feito o Crawler poupá-lo... Acho que a participação dele na história não acabou nesse capítulo.

    Eu já tava gostando muito do capítulo, mas esse final aí elevou bastante o nível. Ansioso pra descobrir como o Dartaul e o Nightcrawler reagirão a essa situação...

    Quanto aos comentários na tópico, assino embaixo do que o Neal disse: continue em frente com a história. Se você conseguir finalizá-la com esse nível atual, com certeza ela será bem marcante pra seção.

    Abraço!
    Son of a submariner!

  9. #119
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    Padrão Capítulo 25 - Máscaras para Animais

    Citação Postado originalmente por Skirt Underdome Ver Post
    Boa luta, Charles.

    Combate ninja com tudo que tem direito.

    Prevejo uma trajetória diferenciada para o Lalori a partir de agora, quem sabe até uma mudança de lado.
    Diga aí Skirt, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Nem chegou a ser um combate ninja direito mas sim, essa misericórdia de Nightcrawler pode dar um resultado interessante no final da história, logo veremos.

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Primeiramente, quanto ao parágrafo preliminar em que você expôs momentaneamente uma frustração que talvez nem mesmo você saiba que existe: comentaristas vêm e vão, Carlos, e nem sempre eles apresentarão seus comentários oportunamente. Minha história possui um comentarista a cada capítulo, mas as visualizações já passaram de mil em menos de dois meses. Não sei se entende o que quero dizer, mas vou tentar traduzir isso em palavras mais simples: podem não haver comentários, mas, com certeza, há leitores. Aqui, nesta seção, uma boa parte deles é composta por anônimos, que não se registram no fórum e que somente procuram algo um pouco diferente pra fazer a imaginação voar. É o caso. Assim que postar um novo episódio, fique de olho nas informações de tópico lá embaixo; verá dois ou três usuários registrados e um porrilhão de visitantes. Respire fundo e não perca o pique. Sempre digo que, se houver um único leitor acompanhando a história, ainda vale a pena contá-la. Não perca isso de vista.

    Em segundo lugar, não posso dizer que esse capítulo foi menos do que caprichoso. Apesar de seus meios pouco ortodoxos, continuo sendo um fã confesso do personagem Nightcrawler, e acho que, no curso do tempo, Dartaul também pode chegar lá. A gramática da sua escrita tem melhorado bastante e atingido pontos de excelência indizíveis. Seu avanço é notório, peço pra que não se perca no meio de eventuais frustrações que venham a ser supervenientes na sua caminhada. Seria uma lástima se Bloodtrip parasse na metade, tanto pra seção, quanto pros leitores.

    O capítulo foi bem fechado. Não posso esperar do próximo que seja menos do que excelente do que esse. Continuo elogiando sua narrativa como o ponto mais forte das suas habilidades, e encorajaria você a fomentar esse pedaço da sua história.

    De mais a mais, conte comigo, amigo. Se eu não aparecer por aqui, é porque estou muito apurado com o escritório. Pra qualquer coisa que for necessária, conte comigo.

    Abraços!
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    É, há uma certa frustração frente a essa situação, mesmo. Apesar de eu saber que comentaristas nunca se mantêm no mesmo tópico por muito tempo(anos de experiência), ainda é frustrante não ver um comentário por mais de uma semana na sua história. Digo isso pois eu não gosto de fazer double post e, apesar dos leitores anônimos, eu preciso de um comentário para saber se as pessoas estão lendo minha história mesmo ou não, pra saber se estou fazendo merda ou não, pra saber o que acharam do capítulo, essas coisas. Gosto de comentários, só é uma pena que eu não receba muitos aqui.

    Vejo que gosta do Nightcrawler, e provavelmente irá gostar mais dele no futuro. Ainda há mais coisas que precisam ser reveladas e contadas a respeito dele, e com o tempo, chegaremos lá. Dartaul também se tornará um personagem querido pelo pessoal - ou odiado. Isso veremos.

    Obrigado por todo o apoio Neal, é ótimo que minha história esteja te agradando. Sei que você é mais velho do que eu nessa seção e já leu muitas histórias, e pra minha história despertar seu interesse e ainda merecer tantos elogios seus, significa que estou fazendo um bom trabalho.

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E aí!

    Como eu esperava, fiquei bem surpreso com esse poder do Lalori. Sério, não passou nem perto do que eu possa ter pensado quando li o capítulo anterior kkkk
    Mas ficou bem legal dessa forma, achei inteligente e criativa a forma e o uso que vc deu para os fios nesse caso xD

    A narração da luta manteve o nível dos últimos capítulos, ou seja: ficou muito boa.

    Curiosa a personalidade do Lalori, faz a gente pensar que todos os membros da irmandade já podem ter sido apenas pessoas comuns há algum tempo. Fico mais curioso ainda por isso ter feito o Crawler poupá-lo... Acho que a participação dele na história não acabou nesse capítulo.

    Eu já tava gostando muito do capítulo, mas esse final aí elevou bastante o nível. Ansioso pra descobrir como o Dartaul e o Nightcrawler reagirão a essa situação...

    Quanto aos comentários na tópico, assino embaixo do que o Neal disse: continue em frente com a história. Se você conseguir finalizá-la com esse nível atual, com certeza ela será bem marcante pra seção.

    Abraço!
    E aí Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    E sim, a intenção era realmente surpreender com o Lalori, tanto com a revelação dos poderes dele quanto com a misericórdia de Nightcrawler. Bom que tenha surpreendido você.

    Há mais para ser revelado sobre os membros da Irmandade, acredito que solucionará muitas dúvidas.

    E sim, continuarei com a história. Só preciso de um comentário ou dois pra me manter no ritmo.

    E como sempre, espero que goste deste capítulo.






    Bem pessoal, espero que gostem deste capítulo. Pode ser que as coisas deem uma suavizada de novo, mas logo tudo volta a explodir e virar caos, aí que as coisas ficarão interessantes.


    E vamos lá.



    No capítulo anterior:
    O grupo descobre o segredo de Lalori e ele se rende ao perceber isso, pois considera que não tem mais chance contra eles. Adumo não aceita isso e é morto rapidamente por Nightcrawler, sendo afundado no oceano. Entretanto, no buraco por onde ele foi jogado, surge uma mulher: Aika.



    Capítulo 25 – Máscaras para Animais




    Um Dartaul pequeno olha por trás do portão da sua casa. Barras de ferro isolam-no do mundo lá fora, já que não fora autorizado que saísse. Esse é o seu cotidiano.

    Ele anseia por sair dali logo. Fugir para as pequenas montanhas ao leste de Thais, para as planícies ao sul. Qualquer lugar longe de sua casa.

    Pois naquele momento, a única coisa que ele ouvia eram os lamentos de sua mãe enquanto era socada pelo seu marido.


    ~*~


    Era uma tarde de verão. Dartaul agora não está mais impedido pelas barras de ferro do seu portão, e, ao invés disso, está sentado na frente dele, lendo um livro. Ele não é para crianças, e sim para adolescentes, quase adultos, pelo nível de maturidade do conteúdo transcrito. O rapazinho de dez anos é bem inteligente, tem uma visão matemática excelente e ótimo raciocínio. O que ele aprendia na escola ou lendo livros sempre surpreendia sua mãe. Entretanto, não era o mesmo com seu pai, que está sempre trabalhando, e este algumas vezes nem mesmo volta pra casa.

    Naquele dia, ele estava sozinho em casa. Sua mãe partiu para conseguir a cesta de alimentos garantida pelo serviço mensal do marido. No entanto, era preciso pagar por ela; e apesar da adversidade, as coisas saiam mais baratas lá do que isoladas, e os produtos tinham alguma qualidade, então não havia do que reclamar.

    Dartaul aguarda-a ansiosamente. Quer contar para ela as coisas interessantes que viu naquele livro, chamado de Vyllarëgord, um conto saído de Senja que conta sobre uma mulher que descendia diretamente de Banor, o primeiro humano de Tibia, e dos poderes que ela possuía. Entretanto, apesar do livro interessante, sua mãe está demorando.

    Depois de um bom tempo, ela surge no horizonte, virando a esquina. O local onde viviam era no sudoeste da cidade, logo, era um local mais humilde. Mas era bom para Dartaul, pois ele conseguia distinguir melhor as pessoas ali. Especialmente a sua progenitora.

    O problema é que ela não carrega nada nos braços. E isso deixou o menino inquieto.

    — Ei, mãe! — Chama Dartaul, quando sua mãe já está próxima de casa — Onde está a cesta?

    Sua mãe não respondeu. Apenas o mandou entrar.

    Dentro de casa, sua mãe senta numa cadeira de madeira, na sala. Olha para a sua carteira verde, e o pouco que tinha. Não irá durar o mês inteiro, pensa. Terei de pedir algo aos vizinhos. Talvez para a avó Abbe. Ela não se importa com isso, mas não posso abusar de sua bondade... Ao olhar para o lado, vê Dartaul, fitando-a com preocupação.

    — Diga, Dartaul.
    — Por que não trouxe a cesta, mamãe?
    — Eu ia, mas achei alguém com mais necessidade, e decidi ajudar.
    — Como assim?
    — Um sem-teto. Ele estava agonizando de fome num canto e machucado. Pedi ajuda a alguém que morava perto e cuidei um pouco dele. Depois, comprei pão e um pouco de carne. Ele ficou muito feliz, sabe? Não me arrependo do que eu fiz. Receber sorrisos sinceros é a melhor coisa dessa vida, Dartaul. Mesmo que você tenha que fazer sacrifícios.
    — Por isso... Que a cesta não veio?
    — É... O dinheiro não deu. Não se preocupe, falarei depois com a vó Abbe.
    — Mas... E o papai? Ele não gosta que você peça ajuda pra ninguém.

    Apesar do assunto ser um pouco pesado para o rapaz, a mãe dele consegue tratá-lo sem muitos problemas. Ele tem noção de muitas coisas do mundo.

    — Conversarei com ele. Tudo ficará bem, ok?

    Dartaul assente com a cabeça. Mas ele sabe que é mentira.


    Mais tarde, seu pai chega em casa. Ele está em seu quarto, ainda lendo o livro de antes. Ao ouvir a porta bater forte, ele deixa o livro de lado e senta na sua cama, olhando pelo corredor, enquanto tenta ouvir alguma coisa. Imagina que uma discussão irá começar em breve, mas depois de ter ouvido sua mãe falar o que fez, ele não ouviu mais nada. Simplesmente ouviu passos até o corredor, e então, o seu pai.

    Um homem alto, sem muitos músculos, mas forte. Tem um olhar revoltado e fundo, cabelos negros e baixos e pele clara, quase morena. Seu olhar sombrio é ressaltado pelas pequenas tochas no corredor, assustando Dartaul. Mas ele simplesmente entra em outro quarto e fecha-o, sem dizer uma palavra sequer.

    Sua mãe vem em seguida. Uma mulher loira, de expressão mais funda e acabada, mas como se insistisse para si mesma que ela está bem. Ela é mais baixa que o marido, não tem músculos visíveis e aparenta ser fraca. Ela olha pelo corredor com as mãos juntas e colocadas em frente a seu avental bege, enquanto usa um vestido branco por trás. A moça não esboça nenhuma esperança de que tudo está bem para o jovem. Até porque nada está bem.

    Algo certamente acontecerá naquela noite.

    Mais tarde, Dartaul deitou-se para dormir. Abandonara a leitura por não estar mais tranquilo o suficiente para ela. E talvez nem para adormecer. Já que o tempo todo, durante o jantar e as horas seguintes, o que predominou naquela casa foi o silencio.

    E uma hora, seu pai sai do quarto onde sua mãe também está. Ele vai em direção da cozinha, e fica lá por dez minutos, aproximadamente. Dartaul escuta variados sons vindos de lá, mas não compreende nenhum deles.

    Quando ele termina e sai de lá, o homem vem em passos lentos pelo corredor. Dartaul sente um medo imenso correr pelo seu corpo. Não sabe o que vai acontecer. Nem do que seu pai é capaz de fazer. E quando este abre a porta de seu quarto apenas para olhá-lo por quase um minuto, ele entende que a sua vida não será mais a mesma. Principalmente após ouvir seu pai.

    — Eu perdi.

    Ele fecha a porta e tranca-a. Antes disso, ele nota algo parecido com uma corrente em suas mãos. E quando a porta é trancada, Dartaul salta de sua cama para, inutilmente, tentar abri-la.

    Enquanto tenta abrir, ele ouve alguns sons de dentro do quarto dos seus pais.

    Dario, o que você está fazendo?

    Ele força mais e mais a maçaneta. Dá chutes. Socos.

    Larga isso! Não, por favor!

    Ele também ouve socos e lamentos de dentro do quarto. Isso o motiva mais e mais a abrir aquela porta. Seus lamentos agem em conjunto com os da sua mãe. E aquele homem, o seu pai, está conseguindo algo que nem mesmo o melhor assassino conseguiria.

    Matar indiretamente uma pessoa e diretamente outra pessoa.

    Ele, por fim, ouve agoniantes sons de correntes. Os berros de sua mãe sendo estrangulada. Ele ouve aquela cama tremendo, os socos dela nas coisas ao lado, uma escrivaninha caindo, um copo se quebrando. E ela também ouve seu filho berrando, socando a porta, chutando-a, pedindo socorro.

    Sua mãe já está morta. Mas ele ainda está gritando.

    Mas não para que seu pai pare. Para que sua mãe seja salva. Para que alguma alma viva salve ele e a pobre mulher.

    Para Deus. Ele grita para Deus. No entanto, ele não o escuta.


    O sol levanta-se no horizonte e ilumina o quarto de Dartaul. Ao mesmo tempo, homens da guarnição thaiana invadem a casa e examinam os cômodos. Eles entram no quarto onde vinha os gritos, mas o que encontraram foi apenas um corpo na cama com o pescoço envolto numa corrente, com inúmeras marcas de agressão por vários locais do corpo. O vestido que a mulher usa – cuja é chamada de Irale – está bem manchado de sangue nas regiões do tronco, com rasgos nas mangas e nos locais extremos próximos do tornozelo. Não há sinais de abuso.

    Em outro quarto, acharam Dartaul, ajoelhado no chão. Suas mãos estão em carne viva, há marcas de cabeçadas no rosto e seus sapatos possuem rasgos, causados pelos chutes. Ao serem retirados, notaram que seus pés estão realmente machucados, com unhas encravadas. O homem que o encontrou comoveu-se e não pôde deixar de pedir ajuda para seus companheiros. Afinal, é um caso pesado.

    Este homem, Borges, levanta-o e coloca o rapaz na sua cama. E por mais que tentasse, ele não lhe dá nomes, ou informações do que aconteceu. Ao invés disso, Borges apenas encontra olhos vazios, e mãos que, mesmo tremendo, mesmo machucadas, ainda se movem. Quando uma delas soca – de forma bastante fraca – o peito de Borges, e deixa um pouco de sangue para trás, ele entende o que aconteceu ali.

    — Acalme-se, filho. Vou te tirar dessa. Você não está sozinho.

    Os olhos de Dartaul se fecham. O cansaço venceu seu desespero, após horas de luta.


    ~*~


    Dartaul acorda. Para sua surpresa, o que ele vê a sua frente não é Borges, como vira em seu sonho, para lhe dizer que está dormindo há muito tempo e que precisa estudar, como era de costume quando era uma criança. Ao invés disso, é Aika quem está em cima dele, com um olhar levemente preocupado.

    Ela se abaixa e beija o rapaz. Logo em seguida, ela se afasta, menos preocupada. E Dartaul, novamente, deixa um olhar aéreo para a garota, sem reação.

    — Você não parece como aqueles homens mais velhos que sempre sabem o que fazer...

    Dartaul sente-se levemente ofendido, mas entende a situação.

    — Desculpe. É que eu nunca acordei com uma garota que achei que estava morta em cima de mim.
    — Você nunca teve esse senso de humor tóxico...

    A garota sai de cima dele e senta na outra ponta da cama. O investigador se levanta logo em seguida. Pelo balançar do recinto, eles ainda estão no navio de Harlow. Ele fita a garota, que está surpreendentemente bem. Seu visual está diferente, pois agora ela usa calças negras, uma camisa branca e um casaco roxo por cima, que está aberto e se estende além da sua cintura. Seu cabelo curto está mais ajeitado e bonito.

    — Você está péssimo.

    Dartaul entende a mensagem. Nas últimas horas, ele foi colocado em inúmeras situações de risco onde precisou largar seu espírito altruísta para adotar uma personalidade realista. Seu olhar está mais duro, menos pensativo e mais fundo. Ele parece um homem mais sólido do que antes, além de mais sombrio. Uma mudança de personalidade rápida e súbita que nem mesmo Nightcrawler esperaria. Isso parece ter mudado Dartaul – Como se ele tivesse envelhecido alguns anos em apenas algumas horas.

    — Seus olhos refletem melhor a morte do que os meus. Dartaul... O que aconteceu?
    — Você não se lembra de nada?
    — Lembro de entrarmos na sala das plataformas do esconderijo de Nightcrawler... Mas... Tudo parece nebuloso a partir daí. Não consigo me lembrar de muita coisa. A partir daí, é como se eu tivesse adormecido e caído num pesadelo.
    — E o que você via?
    — Eu não via nada. Só ouvia sons. Gente sendo morta e gritando. Eu me movia sem minha permissão.

    Alguém abre a porta daquele quarto. Como esperado, é Nightcrawler.

    — Bom saber. Vá dizendo mais lá na cabine principal, com todo mundo reunido. Se apresse.

    O mascarado vai embora rápido. O quarto pequeno e simples abaixo da cabine do capitão possuía várias velas iluminando-o, tinha dois quadros em cada lado da cama, e esta é um pouco pequena, mas confortável. Dartaul odeia o fato de ter que deixá-la logo agora, mas entende o pedido.

    Ele chega lá subindo o convés e passando direto pelos marujos. É noite, e Dartaul nem se lembra porque foi dormir, nem como dormiu tanto.

    — Me disseram que você desmaiou ao me ver. Eu acordei um pouco depois. Acho que até Nightcrawler estava preocupado contigo. — Comenta Aika, que está ao lado do rapaz.
    — Desmaiei, é?... — Disse Dartaul, como se sentisse vergonha de algo assim ter acontecido.
    —Não se preocupe. Pelo que vejo, você está bem melhor depois desse descanso.

    Dartaul fita-a. Ela ainda tem os mesmos olhos azuis e fortes de antes. O sorriso que ela esboça ao notar que está sendo observada com ele parece encantar o rapaz, que vira a cara um pouco rápido, o que faz a moça esconder uma risada. Quando abrem as portas e entram no lugar, reparam que todos estão ali, inclusive o capitão. E todos estão olhando para Aika, como se ela tivesse voltado a ser um perigo crescente para o grupo.

    Aika se dá ao trabalho de fechar as portas e começar a ouvir o que eles têm a dizer. Nightcrawler não faz rodeios e aproxima-se dela a passos lentos, deixando o clima inquieto.

    — Você é realmente surpreendente, Aika Danguian. Eu tenho certeza que transformei sua cabeça em mil pedaços.

    Dartaul cerra os punhos e olha para o mascarado com irritação, mas ele não se importa.

    — Não, detetive, não diga isso. Eu estou bem aqui, viva!
    — Essa é a questão, feiticeira. Como? Por que diabo você está bem aí, viva?
    — Eu disse isso quando acordei. Não sei o que aconteceu comigo!
    — Bom, se me permite — Disse Trevor, tomando a frente. — A teoria que estive formulando é que ela sempre esteve no corpo de Adumo, e que capturamos uma espécie de isca da Irmandade para aquele ataque direto ao seu esconderijo.
    — E como diabos ela se lembra de Dartaul e de nós? — Questiona Alayen, um pouco irritado.
    — É possível que as duas estivessem conectadas de alguma forma, ou que Adumo tenha criado a isca. Ele podia invocar criaturas do oceano, fazer uma isca dessa maneira não deve ser nada pra ele.
    — Não queria admitir isso, mas esse caso pode nos fazer entender melhor como funciona os poderes da Irmandade. — Disse Nightcrawler, atento ao assunto. — E meu primeiro teste será feito em Carlin.
    — O que planeja? — Pergunta Dartaul, um pouco alheio aos pensamentos do detetive.
    — Simples. Veremos como a cidade está. Levaremos o corpo da rainha e a própria Aika pela área onde o massacre da Irmandade aconteceu. Iremos até o castelo, o último lugar onde Eloise foi vista viva, conversaremos com a herdeira que já está coroada, e por fim, deixaremos o corpo aos cuidados dela ou dos druidas. Lalori disse que ninguém vítima da Irmandade realmente morreu. A rainha será o primeiro teste.
    — Tem certeza que quer passar por lá, Crawler? Talvez as mulheres estejam trabalhando com os thaianos para capturá-lo... — Pergunta Harlow.
    — Há! Aquelas vadias são orgulhosas demais pra aceitar que homens andem com liberdade na terra delas para capturar um alvo que não tem nada a ver com elas. Carlin ainda é um porto seguro.
    — E temos Lea para nos auxiliar lá. — Completa Alayen, com um sorriso.
    — Então, já sabe, não é, Harlow? Devemos zarpar para lá.
    — Espero que não se importem, mas a viagem demorará. Preparem-se até lá.

    O grupo todo assente. Aika sente falta de pessoas ali, assim como Dartaul, que se manteve praticamente calado o tempo todo. Em seu sonho, algo importante passou pela sua cabeça, como um aviso.

    Você não está sozinho.

    O sonho parece ter feito sentido para ele, mais que o de relembrar aquela cena horrenda de sua infância.

    — Ei, Nightcrawler. E Borges? Não resgatará o corpo dele?

    Surpreendentemente, um longo período de silencio se instaura na sala. Ninguém parece ter coragem de falar algo a respeito disso. Apenas o mascarado, que não parece se importar com o assunto.

    — Vai ter que me desculpar, jovem, pois eu não mandei ninguém atrás do corpo dele.

    O chão da sala treme. Uma rachadura abre-se do pé direito de Dartaul até a parede e a porta atrás dele. Isso acompanha um olhar de fúria por parte do investigador.

    — E então — Vocifera Dartaul, bem alterado, assustando alguns dos membros da sala — Você tá realmente, REALMENTE esperando que eu contribua com a missão sabendo disso?
    — Estou. Você não tem outra opção. — Disse por fim Nightcrawler, indiferente.

    O olhar de Dartaul se acalma e passa a ser indiferente. Aika tocou sua mão há alguns segundos, e isso talvez tenha ajudado a dissipar a nuvem de ódio que estava retornando a cabeça do rapaz.

    — Se ninguém que foi vítima da Irmandade morreu, eu voltarei para Yalahar assim que tudo isso acabar e resgatarei ele. Pouco me importa agora se tudo terminará bem ou não.

    Dartaul larga a mão de Aika e sai da cabine a passos largos. A garota, um pouco envergonhada, despede-se de todos e segue-o rapidamente. Ao detetive, restara apenas cruzar os braços.

    — Não acha que foi um pouco cruel demais com ele? — Pergunta Harlow, perplexo.
    — Foi necessário. Algo me diz que, quando tudo isso acabar, ele vai ser um investigador de verdade. Pois agora ele já é um homem de verdade.
    — E quanto aquela rachadura que ele fez sem nem mesmo sair do lugar?

    Parece que todos que estão na sala esperam uma resposta imediata dele. Mas o detetive pensa um pouco a respeito.

    — Acho que precisarei fazer uma pesquisa.





    Próximo: Capítulo 26 – Assunto para Mortos
    Última edição por CarlosLendario; 11-07-2017 às 19:33.



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    Mais um excelente capítulo, Nightcrawler complexo como sempre, personalidade magnetizante.

    Deixando de lado momentaneamente as questões envolvendo o próprio enredo em si, gostaria de lhe chamar a atenção ligeiramente a respeito da gramática. Não se esqueça dos acentos e, mais do que isso, se a sentença é narrada no presente, então a mantenha no presente em sua integralidade; não mescle o manuseio da frase entre passado e presente, sob pena de comprometer seu sentido e a própria narrativa. Exemplo prático:

    Citação Postado originalmente por Trecho
    O local onde viviam é no sudoeste da cidade, logo, era um local mais humilde.
    Outro ponto onde desejo chamar sua atenção: a questão da transitoriedade dos verbos. Quem "reclama", reclama "de" alguma coisa, e não "alguma coisa", simplesmente. Isso porque reclamar "de" significa se queixar; reclamar "algo" significa atrair para si; entenda que a flexibilização do léxico cria sentidos diferentes. Senão, veja-se:

    Citação Postado originalmente por Trecho
    [...] e apesar da adversidade, as coisas saiam mais baratas lá do que isoladas, e os produtos tinham alguma qualidade, então não havia o que reclamar.
    De mais a mais, gosto de pensar no caminho que a história toma e nas guinadas que costuma dar. A cada novo capítulo, a história parece transitoriamente se desenrolar num determinado sentido; de repente, ela assume outras feições e dispara em direção oposta, o que me agrada e me agrada muito. Atenções voltadas para Aika e para sua capacidade de síntese.

    Aguardo ansiosamente pelo próximo capítulo.

    Forte abraço, Carlos!

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    Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Acompanhe a terceira história de Jason Walker na seção Roleplay!



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