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Tópico: Bloodtrip

  1. #91
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    Ótimo último capítulo. Pelo visto, nossas queridas personagens, que você demorou tantos capítulos para construir identidades e personalidades, começaram a ser mortas, e de forma bem impiedosa pela Irmandande.

    No mais, não há muito o que comentar, haja visto que este foi mais um "capítulo de transição", indo pros rumos finais. Não creio que permanecerá por isso só, e acho que no mínimo a Redchain ou Soulslayer irão morrer nos próximos capítulos; embora eu ache que vc tenha que trabalhar mais o Soulslayer, uma p*ta personagem badass, você confirmou algo que não tinha prestado atenção antes:

    — Esta é a sua terceira natureza do sangue. Use-a bem, meu amor.
    Uma relação "de carinho" na Irmandade... Mostrou um lado mais humano da Irmandade. (que ja fora mostrado antes, vide o ódio de perder seus membros... Me referindo aos seus companheiros é claro, não aos seus membros anatômicos .-. )

    Oh well, no aguardo dos próximos capítulos, e do desfecho dessa "saga de Yalahar".

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  2. #92
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    Padrão Capítulo 21 - Hakugai I

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Ótimo último capítulo. Pelo visto, nossas queridas personagens, que você demorou tantos capítulos para construir identidades e personalidades, começaram a ser mortas, e de forma bem impiedosa pela Irmandande.

    No mais, não há muito o que comentar, haja visto que este foi mais um "capítulo de transição", indo pros rumos finais. Não creio que permanecerá por isso só, e acho que no mínimo a Redchain ou Soulslayer irão morrer nos próximos capítulos; embora eu ache que vc tenha que trabalhar mais o Soulslayer, uma p*ta personagem badass, você confirmou algo que não tinha prestado atenção antes:



    Uma relação "de carinho" na Irmandade... Mostrou um lado mais humano da Irmandade. (que ja fora mostrado antes, vide o ódio de perder seus membros... Me referindo aos seus companheiros é claro, não aos seus membros anatômicos .-. )

    Oh well, no aguardo dos próximos capítulos, e do desfecho dessa "saga de Yalahar".
    E aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios. Veio até aqui sem eu precisar chamar na Steam ou no Facebook. Excelente, continue assim.

    Apesar de eu ter demorado para trabalhar nos personagens e levado diversos capítulos, eu já estava preparado para me desfazer deles. Não foi difícil, pra falar a verdade, apesar de que pesa não poder pensar mais neles entre o grupo. Mas, fazer o que, eu criei essa história pra ter sangue e violência, não dá pra deixar de tornar personagens principais alvos do inimigo.

    Posso confirmar que mais mortes ocorrerão no futuro. Muita merda está pra rolar ainda e se você já estiver impressionado e surpreso, cuidado: Vai ficar mais ainda. Isso é só o começo.

    Soulslayer é um personagem que eu investi e pensei bastante, espere um foco melhor nele daqui pra frente.

    E, como de costume, obrigado pela sua presença e espero que goste desse novo capítulo.







    Bom pessoal, estamos caminhando para os rumos finais. Garanto buscar o melhor para o que está por vir e garantir capítulos bem escritos. Esse, particularmente, eu gostei. Eu espero que vocês gostem também.


    No capítulo anterior:
    A Irmandade invade o Arsenal dos Ratos, revela que Aika foi, de fato, assassinada, e que Redchain é a verdadeira culpada das suspeitas sobre ela, além de seu nome ser Miraya. Para finalizar, Zoe é morta e Borges está gravemente ferido, mas apesar disso, o time consegue fugir.




    Capítulo 21 – Hakugai
    Parte 1





    Com pouca satisfação e muitos pensamentos, o grupo foge. Estavam nos esgotos abaixo do Quarteirão 04, dirigindo-se na direção norte. Trevor carrega Borges nas costas e Dartaul está correndo logo atrás, enquanto Alayen e Nightcrawler seguem em frente guiando o caminho pelos corredores de paredes de alumínio presas por fortes parafusos de ferro. O caminho é um pouco iluminado por diversas lamparinas dispostas a cada duzentos metros. Parece que o responsável por aquilo é o próprio detetive, para facilitar um pouco sua própria fuga. Mas também pode acabar complicando ela mais ainda.

    Nightcrawler pensa no que aconteceu logo atrás. Aproveitou-se rapidamente do ataque de fúria de Alayen para jogar bombas de fumaça. Magias soltas ao ar nunca deixam rastros, tampouco fumaça, e os Sangues sabiam disso. Todavia, aquilo lhes daria tempo para escapar e pensar no que fariam para salvar Yalahar.

    O mascarado vira para a direita, seguindo o rumo leste. Aquilo poderia lhes deixar um pouco mais próximos do mar para escaparem. Mas o Arsenal fica a mais de dois mil metros do mar, então teriam que andar consideravelmente. Ele olha para trás e vê a dificuldade no rosto de Trevor, bem como seu medo. Vê Borges quase desacordado, mas um pouco melhor após Alayen usar rapidamente algumas runas de cura emergenciais nele e fechar um pouco suas feridas com bandagens mal colocadas, deixando um pouco de sangue sair e manchar a capa do capitão. Também vê o rosto desacreditado e sem esperança de Dartaul, que viu mais mortes do que esperava naquele dia. O detetive se lembra de uma das falas de Lucius. Já é seguro dizer que o seu plano deu certo, Crawler?

    Não. Não é. Pensa ele.

    Ao chegarem numa sala que dá para caminhos ao oeste e leste, com uma vala correndo água podre e cheirando mal, eles percebem que já é hora de parar. O grupo cruza uma pequena ponte para o outro lado sem correr e Trevor coloca Borges contra a parede, sentado. Ele não parece muito bem, mas ainda está acordado.

    — Você é duro na queda, hein, campeão. — Comenta Trevor, colocando as mãos na cintura.
    — T-Tenho que ser... Né? Temos um jovem aqui. Tenho que ser... Um exemplo. — Responde Borges, com esforço. Ele parece sentir dor, mas ignora ela.

    Dartaul senta-se ao lado dele e observa-o, atento. Todos estão vendo a condição de Borges, preocupados com não ter mais uma baixa.

    — Você já é um exemplo para mim, Borges. Acredite nisso.

    Borges sorri. Todos se mantêm calados, atentos e com medo. Mas nada podia ser ouvido além do som da água correndo pelas tubulações e valas.

    — Relaxem. Borges já está fora da condição de perigo. O que ele precisava é de um descanso. E a Irmandade não virá aqui se estivermos próximos do Arsenal. A lógica deles é que eu vou estar sempre o mais longe possível. — Disse Nightcrawler, despreocupado.
    — É. Basicamente, te consideram um fujão. Nada honroso. — Comenta Trevor, pegando algo de uma bolsinha na cintura. Mais bandagens.
    — Eu não tô nem aí pro que pensam de mim. Enquanto eu estiver vivo, melhor.

    Trevor se agacha e arruma as bandagens no abdômen de Borges, além de passar novas. Com menos de um minuto, ele já está pronto e se sentindo melhor.

    — Sempre rápido com essas coisas... — Disse Borges, sorrindo.
    — Pois é, amigão. A guerra sempre pede agilidade.
    — E você precisa me ver te superar. — Disse Dartaul.
    — Heh. Com pouco mais da sua idade, eu já era chefe de escritório... Então, boa sorte com isso.
    — Mas você não era tão inteligente quanto eu.
    — Realmente... Eu não era. Afinal, venho da miserável de Thais. Meu pai morreu num assalto e minha mãe foi violentada e morta um ano depois. Tive que virar servente de pedreiro com nove anos, sempre pensando na minha mãe, afinal, meu pai era um grande de um filho da puta e eu tava pouco me fodendo pra morte dele. Batia na minha mãe, adorava encher o caneco. E aí minha mãe morreu daquele jeito no mesmo ano. Trabalhei que nem um ordinário, dormindo na construção, comendo um pão velho todo dia. Dá nem pra acreditar que já fui uma vara de cutucar tigre um dia vendo como estou agora.

    “Mas falando sério, aquela cidade era um lixo. Mesmo sendo um merdinha sem-teto de dez anos, eu gostava de saber das coisas, investigar, ler. Quando eu era mais novo, minha mãe de vez em quando trazia uns livros pra mim. E eu tinha uma curiosidade grande em ser detetive, daqueles que solucionam os casos mais malucos possíveis, de filho atirar no pai e acertar na mãe e depois um molusco aparecer na janela e tirar os olhos dele pra vender no mercado negro, fazendo o pai virar um travesti depois. Então eu juntava sempre um dinheirinho escondido pra eu pudesse viajar pra Venore, simplesmente para estudar um pouco.

    Outro dia eu fiz um serviço ótimo e eu acabei conseguindo o que precisava. Catei minha trouxa e fugi pra área das carroças no leste da cidade pra viajar pra Venore. É lógico que o cara lá suspeitou de mim, mas quando viu o dinheiro, deixou eu subir e viajar com um pessoal mequetrefe pra lá. Se incomodaram comigo, mas ao invés de eu me incomodar com eles, eu contava umas piadas e falava umas histórias que eu conhecia. Eles gostaram. Sabe, aquilo até fez uma mocinha que estava lá gostar de mim, ela era mais velha e tava viajando sozinha. Ofereceu ajuda. Teto. Comida. Fui trabalhar ajudando a carregar mercadoria numa farmácia da mãe dela em Venore e de vez em quando eu estudava nos cantos ou de noite na casa dela. Fiquei alfabetizado e conhecendo cada vez mais do mundo dos detetives, enquanto vivia aquela vida estranha, mas tranquila.

    Renata era o nome dela. E se estiver se perguntando, sim, eu perdi com ela. Uns dois anos depois. Acho que ela gostava de ser papa-anjo. De qualquer forma, aquela garota me ajudou pra caralho. Consegui até fazer de brincadeira uma prova da AVIN para se tornar um agente ou investigador, e a brincadeira virou realidade. Me tornei estagiário. Comemoramos muito aquele dia, mas nem tudo é rosas. Teve um dia em que ela demorou muito pra voltar pra casa. Quando fui atrás dela, tudo que encontrei foi a guarnição mandando manterem distância de um corpo com a garganta rasgada estirada no chão. Seu ex-namorado a matou à sangue frio. Eu fiquei puto como nunca e, com as habilidades de investigação que consegui, descobri sozinho onde o sem pinto morava, arrombei a casa dele, meti uma faca na garganta dele e botei fogo em tudo. Depois daquilo, fugi pra Thais.

    Tantas provas foram deixadas pra trás quando fiz aquilo, mas ninguém descobriu que fui eu. Claro que ela nunca iria ficar orgulhosa do que eu fiz. Daquela vingança. Nem de que eu estava bebendo com quatorze anos. Mas eu consegui entrar na Universidade de Fibula com dezesseis anos, e a partir daí, minha vida se amenizou um pouco. Passei a viver nos dormitórios de lá e trabalhar lá dentro, então, foi tranquilo. Me tornei investigador-chefe com vinte e quatro anos e chefe de escritório com vinte e nove. Lidei com casos como o Eclipse na Baía da Liberdade onde um monte de mortos-vivos tomaram a cidade do nada, dos Ciclopes Crucificados onde três subordinados meus morreram, da Bolha de Sangue onde um pequeno amigo meu morreu em Rookgaard.

    Enfim, resumindo, minha vida foi um lixo. Eu realmente não iria me importar se eu morresse aqui e agora, pois eu só me fodi. Acho até irônico que eu ainda acredite em deuses. Mas sabe como é, se tu estiver totalmente sozinho na sua jornada, capaz que um dia você se pergunte se pular da janela do quinto andar vai doer.”

    O silencio prevaleceu por um minuto. Borges não chora, mas sente um peso forte na sua mente e um aperto no coração. Sua cabeça está abaixada, e ele reflete sobre o que contou.

    — Agora eu sei porque seus registros eram tão simples. — Disse finalmente Nightcrawler, quebrando o silencio.
    — Um mistério que você não conseguiu solucionar. — Comenta Borges, sorrindo e levantando a cabeça.

    A água parece fazer alguns sons diferentes. Nightcrawler olha para a vala, sem entender. Parece tudo nos conformes.

    Mas um som diferente nem sempre diz que tudo está nos conformes.

    Ele vê sangue vindo pela água e finalmente repara na grade da vala, na parede virada para o norte. Há treze cabeças humanas ali.

    Ao virar-se para trás, vê Borges olhando para um pedaço de papiro. Um brilho roxo desperta sua atenção, mas não atrai a dos outros membros ao redor, que estão distraídos. Percebe que é tarde demais.

    — Ei!

    Os olhos de Borges se abrem de forma crescente. Num instante, ele solta um grito horrendo, parecendo o de um animal. Ele se levanta e tenta correr, mas tropeça e cai na vala, colocando as mãos no peito e começando a agonizar. Todos olham para a cena sem saber como reagir. Quando vira-se para os lados, procurando algo, Nightcrawler consegue ver um membro se aproximando pelo corredor de onde vieram a passos lentos. Está cercado por papéis voando ao seu redor, mostrando que sua identidade é Redchain.

    — Corram!

    Trevor rapidamente levanta Dartaul e joga ele pra frente, forçando-o a se equilibrar e correr. O grupo dispara até um corredor que segue ao leste, com os gritos de Borges ao fundo. Dartaul para com a intenção de ajudar seu companheiro, mas parece perder as esperanças ao ver cinco espécies de tentáculos, mais parecidos com patas de aranha cobertas por um sangue grosso e escuro, saírem de seu peito, deixando seus gritos ainda mais brutais. Nightcrawler volta e puxa-o pelo colarinho, jogando-o de volta pro corredor.

    — Vê se corre, caralho!
    — Mas... Borges...
    — Borges já era! Vai!

    Dartaul segue o grupo, sem contestar muito, mas com lágrimas nos olhos. Sem perceber, eles se separam, incentivados pelo desespero e pela falta de coordenação. Alayen e Trevor vão para o lado esquerdo enquanto Nightcrawler e Dartaul vão para o direito, mas quando percebem, não possuem coragem suficiente pra voltar. Somente correm.

    O caminho faz algumas curvas para a esquerda e para a direita, todos com corredores iguais, mas com uma iluminação cada vez mais fraca. O caminho de Trevor e Alayen leva até uma sala escura e sem saída. Ao tentarem voltar, a sala explode e parte dela desaba. A outra dupla acaba se separando, pois Dartaul estava parando de correr. Ele toma outro caminho e percebe que Nightcrawler nem mesmo tentou segui-lo. Filho da puta criado em orfanato, pensa.

    Ele chega até uma sala parecida com a que estavam antes. Sem disposição, ele senta-se ao lado da parede com um olhar pesado. As lágrimas pararam de cair. Ele repara num buraco na parede ao lado dele e num outro corredor do outro lado da vala. Não sabe bem o que fazer, nem se conseguiria fugir. A questão é que eles estavam sendo perseguidos como se fossem galinhas fugindo do homem faminto.

    Ele fecha os olhos e concentra-se nos sons. É uma atividade comum na guarnição de onde veio para casos parecidos, onde eles não podem contar com a visão. Afinal, aquela sala está mal iluminada e ele pode ser um alvo fácil. Logo, reação rápida será mais que necessário.

    Aos poucos, ele traça um cenário sonoro. Ouve sons próximos. Uma goteira que cai direto pra vala, cuja está sem água. Alguns insetos movendo-se pelos canos próximos. Talvez sejam baratas, pensa ele. Ele lembra-se do seu primeiro desafio em Rookgaard, que era de se esgueirar no escuro do esgoto abaixo do porão de Santiago para matar baratas. Mas elas eram maiores do que o normal, o que o assustava.

    Não posso me deixar levar por nostalgias, pensa ele. O investigador se esforça em afastar os sentimentos ruins e se concentra. Ainda ouve a goteira. Também ouve a água correndo em alguns locais. Ela toca alguns objetos. Sacolas de lixo, restos, objetos velhos, um sofá. Está cheio de formigas e baratas. Jamais imaginou que sua audição fosse tão boa. Ele então continua, agora ignorando a goteira. Mas ela parece ficar mais forte, atraindo a audição de Dartaul. Ele não queria isso, mas parece um instinto. Um instinto que puxa sua audição embora para ficar atento a outros locais. E ele estava certo.

    — Você é retardado.

    Dartaul dá um pulo de susto ao ouvir a voz de Nightcrawler. Ele não está na sua frente, só após alguns instantes que o jovem entende que o mascarado está na parede atrás dele.

    — Desculpe por ter te deixado pra trás. Estou começando a pensar que será melhor se nos separarmos e confundirmos ela. Aparentemente, só ela está aqui.
    — Não ligo por ter me deixado pra trás. Ligo pela vida de Borges.
    — Sinto muito. Por incrível que pareça, eu me comovi um pouco com o gordo. Ele teve uma vida de merda, parecida com a minha. E encontrou um fim pra ela. Podia ter sido bem melhor, mas a vida não costuma nos dar o que desejamos. Se bem que, no caso dele...
    — Cala a boca, Suzio.
    — Ora. Quem lhe deu permissão pra me chamar pelo meu nome?
    — Falei pra calar a boca. Estou tentando ouvir os sons.
    — Ah.

    Dartaul fecha os olhos e concentra-se nos sons novamente. Agora, ele ouve sua própria respiração e batimentos, bem como os de Nightcrawler, o que tornará as coisas um pouco mais difíceis. Ele volta a ouvir a goteira, bem como sons ao redor. Ouve pequenos pedregulhos caindo ao longe. A água trazendo algo pesado. Algo se mexendo pelos cantos de um corredor.

    Ele se concentra mais. Mas ao ouvir um grunhido familiar, ele percebe que é só um rato. Então, volta sua atenção para o que há ao redor. Outro rato próximo, no corredor a frente dele. O bicho corre para outro corredor à esquerda, então só há um lado para ir ali. Ele continua ouvindo a goteira. Ouve um bater de asas, possivelmente de um morcego. Mas as chances de ser um morcego parecem cair um pouco quando ele não ouve a goteira cair na vala por um segundo. Ela volta a cair de novo.

    Quae est ante in. — Murmura para si mesmo Nightcrawler.

    Dartaul ia protestar novamente, mas percebe algo estranho. Ele sabe moderadamente latim, uma língua muito usada em Yalahar. Ele também sabe sentir o ar, que é forte em Yalahar desde que ele chegou lá. Mesmo nos esgotos, ele tem força. Mas onde ele está, o ar falha um pouco. Especialmente do corredor de onde ele vem ou quando ele tenta atingir seus pés. Como se algo o impedisse. E então, ele entende o que o detetive disse.

    Ela está na sua frente.

    Ele abre os olhos e vê uma figura na sua frente. Ela usa uma saia longa e escura e sapatos. Não possui cheiro. Talvez nem mesmo alma. Ele levanta devagar a cabeça, imaginando que sua hora chegou, mas ele queria olhar no rosto daquela que iria ceifá-lo. Mas ela está olhando para os lados, como se não percebesse que há alguém em frente a ela.

    Ela então para, enquanto fita a parede na sua frente. Parece ter ouvido algo. Dartaul fecha os olhos e cessa sua respiração, que está ficando mais rápida. Ele se concentra e tenta fazer o possível para parar a tensão no seu corpo, talvez seu pulso, ou até mesmo seu coração. Ele espera por segundos, que mais parecem uma eternidade, enquanto seu corpo se esforça para não fazer um som sequer e parecer apenas um simples saco de lixo jogado. Ele espera, com um mínimo de esperança no peito de que sairá daquela situação, enquanto ouve correntes caírem de dentro das mangas dos braços de Redchain.

    Mas tudo o que ele ouve em seguida é uma gota cair na vala e ela responder com uma pequena quantidade de liquido se movendo.

    Ele abre os olhos e nota que não há mais ninguém ali. Não sabe se o que viu era sua mente lhe pregando peças ou se era real. Mas ao ver aquilo, ele respira fundo, com bastante alivio.

    — Ouvir os sons não nos ajudará muito. Vamos ter que nos virar no escuro. — Disse Dartaul, esperando que Nightcrawler concordasse.

    Mas ele não ouve uma resposta.

    Ele examina o buraco e nota que não há ninguém ali. A sala está vazia, mal iluminada e não conta nem mesmo com insetos correndo pelo chão. Com estranheza, ele tira seu rosto dali e se levanta, visando seguir caminho. Na sua mente, o detetive passou a não ser mais de confiança. Ao mesmo tempo, passou a ser um inimigo.

    Dartaul se sente sozinho. Ele escutou o som de explosão do lado de Trevor e Alayen. Seu olhar pesado e seus movimentos desanimados indicam que ele não sente mais esperança, e acredita firmemente que foi abandonado naqueles esgotos. Seus pensamentos destroem sua sanidade aos poucos enquanto ele se locomove pelos corredores escuros dos esgotos, sem rumo.

    Ele nota que aquilo é um labirinto. É pior do que o Inferno dos Minotauros. Na verdade, nada do que ele já experimentou na sua curta vida de aventureiro se iguala a aquilo. Ele coloca a mão no bolso e sente algo. É um pedaço de papel. Sente medo de olhar, achando que poderia ser uma armadilha colocada por Redchain, uma vez que ele viu que a Sangue domina habilidades envolvendo papiro e papel. Mas lembra que o mascarado pode ter colocado algo no seu bolso durante a fuga.

    Chegando perto de uma luz falha, ele vê algo escrito. Tem a letra de Nightcrawler e foi escrito há bastante tempo.

    Hakugai. Uma espécie de perseguição onde um membro ganha duas vezes o seu poder, mas perde outras coisas, como a capacidade de escutar os corações de seres vivos e vê-los através de suas máscaras. Geralmente só os mais poderosos ativam esse estado, pois sabem que podem ser capazes de se sair bem nessa situação. Como usam máscaras, eles não possuem visão, mas em troca, possuem boa audição, tato e olfato. Então, é preciso ter cuidado redobrado quando você cai em algo assim.”

    Dartaul não se surpreende, mas entende a condição em que se encontra. Ele guarda o papel e examina o que possui. Seu cinto ainda possui algumas bolsas com facas. Está com um casaco vermelho, com camisa e calça negras, e sapatos cinzas. Dentro do casaco, há uma kukri*. Ele pega ela, enquanto pisca os olhos. Redchain possui uma habilidade que parece enlouquecer os outros com um pedaço de papel, então ele deve ficar atento.

    Utevo Lux. — Pronuncia ele, com voz baixa.

    Ele afasta seus próprios pensamentos. Percebe que Nightcrawler não o abandonou, apenas acredita que ele pode se virar sozinho. Mas não deixa de sentir ódio do homem pelo que ele já fez. Então, ele se move adiante, num corredor que talvez siga para o leste, não tem ideia. Perdeu seu senso de direção há algum tempo. Ele se vira para entrar numa continuação à esquerda do corredor, talvez dando para o sul ou para o norte.

    Entrando ali, nota que é uma pequena sala. Surpreende-se ao ver algo a sua frente. Uma figura. O inimigo, encapuzado.

    Ele para. Não sabe o que fará em seguida, mas sabe que esteve se movendo fazendo o mínimo de som. Ela está apenas olhando pra dentro da sala, e logo irá sair dali. O investigador engole em seco, e ela parece ter ouvido. Redchain torce seu pescoço para trás, imaginando ter escutado algo. Mas tudo que escutara foi o que esteve sempre escutando desde que chegou ali embaixo: Água.

    Ela dá meia volta e volta a passos lentos. Dartaul sai do caminho dela, colocando-se contra a parede, de costas. Ela sai dali, e segue pelo caminho de onde o rapaz veio. Finalmente, o jovem respira um pouco melhor e entra na sala, virando-se para a direita. Toca em algumas correntes distribuídas pelas paredes como se fossem teias, fazendo barulho. Elas são vermelhas e pingam sangue. Os passos no corredor cessam.

    Dartaul senta-se no outro canto da sala com sua arma na mão. Vê a figura retornar para a sala, que está muito mal iluminada. Ela tenta procurar alguém por sons, mas novamente ela não encontra nada. Sente-se levemente frustrada, batendo a mão na parede à direita e voltando. O rapaz sente como se seu coração estivesse sendo pressionado por mãos frias, tamanha a tensão que sente ali embaixo.

    Ele encosta melhor na parede. Reflete a respeito das suas condições por algum tempo, sem saber como irá escapar dali, sem saber se encontrará alguém. Sem saber se será aceito na Guarnição Thaiana de novo. Ele puxa o nariz, tentando conter um eventual choro.

    Mas nota que não está seguro quando percebe que não foi ele que fez aquilo.

    Ele olha pra frente e vê um grupo de correntes embebidas em sangue entrando na sala. Elas examinam os arredores, sentindo uma presença ali, como se fossem cobras. Dartaul não se mexe, ainda respira, porém, sem muito peso ou velocidade. Seus olhos não parecem transmitir um sentimento forte quando algumas das correntes se posicionam próximas dele, parecendo mirar o seu rosto.

    A tensão abaixa quando elas se movem para outro lado. Continua sem se mexer, começando a prender a respiração de novo. Ele já está suando, com o coração voltando a bater rápido. Mas sente-se melhor por elas não estarem mais parecendo ver sua presença.

    — Irmã...

    Uma voz doce, porém, pesada, volta a assustar Dartaul. Ele vira seu rosto devagar com pavor quando nota que a voz veio das correntes.

    — Irmã... Por favor... Foi tudo por nós...

    As correntes começam a se juntar e formam um rosto na extremidade direita. Este rosto é quase igual ao de Miraya.

    — Eu sinto seu cheiro, irmã... Você está viva...? Por que não volta pra mim?

    O rosto feito de correntes vira-se para o de Dartaul. Ele tem certeza absoluta de que foi encontrado.








    Próximo: Capítulo 21 – Hakugai II




    Notas:

    *Kukri é um tipo de faca de origem grega, de uso amplificado no Nepal antes de se espalhar pelo mundo, sendo usada principalmente pelos ingleses.

    Imagem:

    Última edição por CarlosLendario; 04-04-2017 às 09:06.



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  3. #93
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    Saudações!

    Para motivos de controle (e por ter gostado de fato), estou distribuindo likes em seus capítulos que perdi. Engraçado que, mesmo com o curso dos eventos, continuo gostando bastante do Nightcrawler e do Borges, especialmente desse último. O cara é a definição de superação, meu deus.

    Enfim, como li bastante, estou processando tudo ainda, e só tenho isso a dizer no momento: Dartaul tá f*dido e mal pago, coitado. Alguma hora o almofadinha do grupo tinha que se lascar com mais força kkkkk

    No mais, o motivo da minha ausência foi mais uma questão de gostos e compromissos: comento em suas histórias pois, a despeito de não gostar de temáticas muito sangrentas e que são puxadas para o gore, você tem potencial e vale a pena apoiar. Da mesma forma que não gosto do movimento Naturalista da Literatura Brasileira (em especial O Cortiço e O Mulato, ambos de Álvares de Azevedo), por exemplo, preciso reconhecer o talento e o trabalho duro que foi feito por esses escritores --- e é o mesmo que faço com a sua pessoa. Você escreve bem ao ponto de eu conseguir passar por cima dessa "limitação" que eu tenho, por assim dizer.

    No mais, aquele gosto de finalização de história é sempre bom, não é? Vai dar aquela tristeza básica, o banzo da saudade, mas a sensação de dever cumprido é recompensa o suficiente, ao meu ver.

    Nightcrawler e Borges, melhores personagens.

    Bom capítulo,
    Boa narrativa,
    Bom usuário,
    Bom fórum.

    Até o próximo

    Precisando, é só chamar.




    Abraço,
    Iridium.

  4. #94
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    Padrão Capítulo 21 - Hakugai II

    Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
    Saudações!

    Para motivos de controle (e por ter gostado de fato), estou distribuindo likes em seus capítulos que perdi. Engraçado que, mesmo com o curso dos eventos, continuo gostando bastante do Nightcrawler e do Borges, especialmente desse último. O cara é a definição de superação, meu deus.

    Enfim, como li bastante, estou processando tudo ainda, e só tenho isso a dizer no momento: Dartaul tá f*dido e mal pago, coitado. Alguma hora o almofadinha do grupo tinha que se lascar com mais força kkkkk

    No mais, o motivo da minha ausência foi mais uma questão de gostos e compromissos: comento em suas histórias pois, a despeito de não gostar de temáticas muito sangrentas e que são puxadas para o gore, você tem potencial e vale a pena apoiar. Da mesma forma que não gosto do movimento Naturalista da Literatura Brasileira (em especial O Cortiço e O Mulato, ambos de Álvares de Azevedo), por exemplo, preciso reconhecer o talento e o trabalho duro que foi feito por esses escritores --- e é o mesmo que faço com a sua pessoa. Você escreve bem ao ponto de eu conseguir passar por cima dessa "limitação" que eu tenho, por assim dizer.

    No mais, aquele gosto de finalização de história é sempre bom, não é? Vai dar aquela tristeza básica, o banzo da saudade, mas a sensação de dever cumprido é recompensa o suficiente, ao meu ver.

    Nightcrawler e Borges, melhores personagens.

    Bom capítulo,
    Boa narrativa,
    Bom usuário,
    Bom fórum.

    Até o próximo

    Precisando, é só chamar.




    Abraço,
    Iridium.
    E aí Iri, obrigado pelo comentário e pelos elogios. FINALMENTE COMENTOU HEIM


    Reparei que você gosta dos dois personagens, pena que um deles já partiu dessa pra melhor. Borges foi um personagem que eu quis me dedicar em criar uma história complicada, mas cheia de experiências para ele. Pode ver que algumas vezes, ele sempre pareceu meio cético reagindo a algumas notícias, mas é normal, considerando o que ele já viu.

    Dartaul ainda precisa se fuder mais um pouquinho, simplesmente por ele ser o almofadinha do grupo e de eu não gostar de almofadinhas.

    E bem, eu sempre imaginei que gore não fosse a sua praia. Pra falar a verdade, até tenho pegado um pouco leve, justamente para mais pessoas lerem e não se incomodarem com o que aparece na história. Também porque não vejo necessidade em tornar pior, diversas vezes vejo que já é o suficiente e não coloco mais nada. Acredito que funcione melhor assim, dá mais consistência pra história. e que caralhos é movimento naturalista vei

    Por fim, final de história dá essa sensação mesmo. Engraçado é que é a primeira vez que tenho esse sentimento depois de quatro anos e uns onze meses de seção. É difícil terminar uma história, ainda mais quando você estabelece um vínculo com ela. Me sinto um pouco assim com OMP, mas não exatamente com Bloodtrip. Sinto necessidade de dar mais continuações a essa história, mas não tão cedo. Preciso terminar a minha primeira, e isso já levará um bom tempo e vários capítulos.

    Bem Iri, obrigado por tudo e espero que não tarde a voltar aqui.







    Creio que a hora de revelar algumas coisas chegou. Mas não será nesse capítulo ainda. Este será uma pequena introdução, digamos.

    Mas não é tudo! Eu espero que esse capítulo faça vocês sentirem alguma coisa, assim como o anterior.





    No capítulo anterior:
    Borges conta sobre sua vida enquanto se recupera dos ferimentos causados pelos Sangues, mas é morto pouco tempo depois por uma habilidade de Redchain, que começa a persegui-los. Dartaul é um dos principais alvos dela.




    Capítulo 21 – Hakugai
    Parte 2




    Alayen e Trevor se levantam, com um pouco de dor. A explosão por pouco não os atinge, deixando apenas algumas pedras os atingirem, mas eles conseguiram sair dali sem problemas.

    Faz vários minutos que eles estão andando pelos corredores do esgoto, perdidos. Também perderam seu senso de direção por culpa do desvio que fizeram. Mas, na mente deles, eles estão na direção leste, acreditando conseguir achar a saída através de um bueiro ou algo do tipo.

    — Pensando agora, eu acho que a explosão foi alguma armadilha plantada por Nightcrawler. Alguma antiga. — Disse Alayen, um pouco alheio de sua própria situação.
    — Alguma que ele não desativou?
    — Por aí. Ele é cheio de criar coisas assim.
    — Bem, agora não faz mais diferença. Ainda estamos com nossas cabeças. Precisamos encontrar os outros dois e voltar para a superfície.
    — É, mas a questão é: O que faremos quando voltarmos?
    — Salvar Yalahar, óbvio.
    — E como salvaremos?

    Trevor engole em seco. Admite que não pensara nisso ainda.

    — Bom, foda-se. Vamos só encontrar nosso caminho de volta. — Finaliza Alayen, colocando as mãos nos bolsos da calça.

    O caminho volta a ser preenchido pelo silêncio. Em seguida, pela inquietação. Por fim, pelo medo. Eles param.

    Redchain aparece numa espécie de encruzilhada, seguindo na direção sul, sem olhar para os lados. Apesar de ter ouvido passos, ela parece interessada em outra coisa. Mas a aparição dela confirma que eles estão seguindo na direção certa.


    Dartaul fita o rosto de correntes. Ele possui olhos vermelhos e brilhantes. O rosto sabe que ele está ali. Sabe da sua presença. Do seu terror. Mas Dartaul resiste, pois sabe que é o melhor a se fazer. Ele não pode se entregar ao desespero. Ao menos, é assim que ele pensa.

    Melancólico, o rosto busca algo.

    — Minha irmã... — Disse, com uma voz metálica, mas doce e pura. — Você sabe onde está a minha irmã?

    O investigador engole em seco. Mas não vê alternativa.

    — N-Não. Mas eu também queria saber onde ela está agora.

    Ele sente um aperto no coração. A morte de Aika foi tão abrupta e sem sentido que até mesmo naquele momento a ficha não caia completamente. E agora, as memórias dela ainda o perturbam. E continuarão a perturbá-lo daqui pra frente.

    — Então... Por que não procuramos? Você procura de um lado, eu procuro do outro.

    Sem rodeios, Dartaul concorda, usando a cabeça. As correntes vão embora pelo caminho do qual vieram. Ele respira fundo.

    Ele realmente sentira outra personalidade dentro daquele amontoado de correntes. Não sabe o que pensar a respeito disso, afinal, Aika também sofria do mesmo efeito. Mas agora, ele sabe que, na verdade, era a irmã dela que tomava conta de vez em quando. E se era isso mesmo, quem estava por trás daquelas correntes?

    Ele se levanta, passa as mãos por onde sentou e sai da sala. Toma o caminho oposto, em direção ao escuro, ainda ao leste. Usa a luz fraca em torno do seu corpo para se guiar melhor. Não sabe nem mesmo que horas são. Está perturbado e logo sua sanidade mental pode chegar ao fim, tornando-o um zumbi caminhando pelos corredores, esperando pela morte.

    O escuro do corredor o guia para outro corredor, à sua esquerda. Ele entra apenas para dar de cara com Nightcrawler. Rapidamente ele volta a consciência, usando sua kukri para tentar desferir um golpe lateral no rosto do detetive. Mas este defende levando os dois punhos abaixo do punho de Dartaul, aparando o golpe.

    — Ei. Não estou de vermelho, retardado.

    Dartaul gira seu corpo e tenta um novo golpe lateral. Nightcrawler defende segurando o antebraço pelo lado direito e usando sua perna para tirar a de Dartaul do chão, forçando-o a cair. Mas ele consegue rapidamente sair daquilo, para em seguida jogar a arma para a outra mão e tentar uma estocada. O detetive segura sua mão com a direita, leva ela para a esquerda, avança sua mão direita para o ombro do oponente e por fim dá uma rasteira no rapaz, finalmente o derrubando, enquanto a mão com a faca se mantem sobre o controle do mascarado.

    Ele coloca o pé sobre o ombro de Dartaul e visa deslocá-lo, mas fica quieto, enquanto nota que o rapaz nem mesmo está resistindo.

    — Parece que você aprendeu a ficar quieto.

    Ele solta o braço do jovem, que nem mesmo deixa que ele toque o chão, para a arma não fazer barulho. Ele rapidamente torna a levantar, com decepção e tristeza notável em seu rosto.

    — Sei que está com raiva de mim, mas não posso ser babá de ninguém. E se você está vivo ainda, significa que você sabe se virar.

    Dartaul limpa suas roupas e mantém a kukri em mãos. Não abre a boca para falar nada, apenas fita o vazio.

    — Leu o que deixei contigo? Estamos num hakugai. Deixei para Trevor também, talvez eles estejam vivos ainda e tentando se virar. Mas não podemos encontrá-los, ao menos, não ainda. Temos que derrotar Redchain para sairmos daqui. As saídas estão bloqueadas.

    Dartaul olha o corredor atrás de Nightcrawler. Não vê muita coisa, pois o escuro não permite.

    — Dai você se pergunta: Como iremos derrotar alguém tão forte? Bom, do jeito clássico. Lembre-se que Redchain não é um deus ou algo assim. Ela é forte, mas não o bastante para nos parar.
    — Então estamos esperando o quê? — Questiona Dartaul, virando-se e seguindo pelo corredor de onde estava.
    — Um plano, talvez.
    — Então monte.

    Nightcrawler balança a cabeça negativamente. Moleque folgado, pensa ele.

    O detetive segue-o pelo corredor e continua andando em frente. Seus passos combinados fazem um pouco de barulho, mas não ligam; enquanto não conversarem, não irão atrair a atenção de Redchain. Entretanto, o detetive sente que precisa falar alguma coisa.

    — Você está lembrando um pouco a mim mesmo há pelo menos vinte anos atrás. — Comenta com voz baixa, colocando as mãos nos bolsos do sobretudo — O ódio consumindo seu corpo pouco a pouco, após perder pessoas queridas de forma injusta. Muitas perguntas brotam na sua cabeça. Você se pergunta se Deus existe, e porque ele permitiu que algo assim acontecesse contigo. Sabe que a resposta será algo como “Para torná-lo mais forte” e você sentirá vontade de estrangulá-lo e esfolá-lo vivo por isso. Pois não importa se ele é Deus. Ele tirou o que você tinha de importante e você tem o total direito de estar puto com isso.

    Dartaul não responde. Nem mesmo reage ao que o detetive falou.

    — Eu imagino seu ódio por mim e pela Irmandade. Mas eu sinto muito. Eu nunca pedi pra ser como eu sou. Eu nunca pedi por isso.

    Dartaul para, vai até o detetive e agarra-o pelo colarinho. Ele não reage.

    — Escute bem, Suzio. Eu NUNCA serei como você. Eu NUNCA sentirei o que você sente. Lembre-se que eu não planejo ser como você, pois você é um grande de um filho da puta. Um desgraçado sem coração, que faz o que quer, sem se importar com os outros. É como Miraya disse: Você não é muito diferente da escória do qual estamos lutando contra. E é por isso que eu te odeio, inclusive seus malditos discursos de moral ou o seu passado de merda. Entendeu?

    O mascarado não responde. O rapaz solta ele e continua andando, sem olhar para trás. Ele abaixa um pouco a cabeça, como se sentisse um peso dentro de si.

    — Eu entendo. É tudo culpa minha. Parece que eu não amadureci muito se comparado com doze anos atrás, quando larguei o cargo promissor de chefe de investigação para me tornar um detetive independente, fingindo que o antigo Nightcrawler morreu por causa de seu envolvimento com a Irmandade. Pra falar a verdade, eu estou realmente puto com o caminho que escolhi desde que percebi que eu não era nada se comparado a eles. Eu não era nada se comparado ao meu genial amigo que sozinho fez o mundo inteiro temê-lo. Deus... Eu sou ridículo.

    Dartaul caminha mais devagar. Parece interessado.

    — Sinceramente, Dartaul, eu não me importaria se você me matasse agora. Nessa altura, não sei mais se consigo parar a Irmandade. Eu matei a garota pelo qual você se apaixonou. Deixei uma das pouquíssimas mulheres puras de espírito desse mundo morrer por se envolver comigo. Deixei seu velho companheiro e um grandioso homem, não por ser gordo, mas sim pelo seu caráter, morrer de forma miserável. Eu causei uma lista gigante de mortes que não deviam ter acontecido. E agora, depois de tantos anos, eu finalmente sinto o peso delas. Pois eu coloquei um jovem como você no mesmo caminho que eu tomei.

    Nightcrawler mantém a cabeça baixa. Dartaul segue sem responder, mantendo seu rosto direcionado para o caminho adiante. Como se fosse indiferente ao sofrimento do detetive.

    — Errado, Suzio. Eu já estava nesse caminho muito antes de te conhecer.

    Suzio levanta a cabeça e fita o jovem, que ainda não havia desviado seu olhar.

    — Além disso, você tem gente te esperando quando terminar o caso da Irmandade. Lea e Rachel em Carlin, Lucius e Palimuth aqui em Yalahar. Não há ninguém me esperando quando eu voltar.

    O detetive engole em seco. Nunca pensara nessa possibilidade.

    O caminho é interceptado por várias rochas de grande porte. Parece uma das saídas que o detetive mencionara. Ele é escuro e parece esconder algo. Além disso, o próprio ar parece um pouco estranho, como se estivesse inundado por maldade, além de cheirar a sangue.

    — Eu acho que é um dos limites do hakugai. Talvez se golpearmos com força essas rochas, poderemos escapar.
    — Derrotar Redchain não era a única opção que tínhamos?
    — E é. Você viu que eu sou um feiticeiro, mas não domino magias épicas. Minhas facas e chakrams não servem para fazer isso. E você é só um paladino, não há paladinos nesse mundo capazes de abrir caminho entre dezenas de rochas desse tamanho.

    Dartaul parece ter uma ideia. Mas não possui tempo para contá-la, pois nota um movimento no escuro adiante.

    — Cuidado. Acho que tem alguma coi-

    Uma corrente enorme, embebida em sangue, atinge em cheio o peito de Dartaul e lança-o para bem longe. Nightcrawler percebe quem está ali e pensa nas opções. Nenhuma delas diz para ele que há como salvar o rapaz e fugir do inimigo ao mesmo tempo. Então, ele escolhe fugir para o corredor estreito à sua esquerda, em direção norte, proferindo magias de velocidade sem parar.

    Desculpa. Pensa Nightcrawler, balançando a cabeça.

    O detetive segue pelo pequeno corredor até encontrar outro, seguindo para o leste novamente. Surpreendentemente, ele vai parar em outro corredor, dessa vez bem mais aberto, com uma vala no meio correndo água e possuindo canos enferrujados nas paredes e no meio da vala. Então ele percebe que a saída bloqueada é, na verdade, uma armadilha, e Redchain não estava ali.

    Ele soca sua mão direita na parede, em fúria.

    — MERDA! — Grita Suzio.

    Ele abaixa a cabeça, notando o que fez. Sente-se uma pessoa pior do que jamais foi. Ele pensa que apenas dois do seu time sobraram, já que a explosão não foi tão forte. Ou talvez tenham sido pegos de surpresa e mortos. De qualquer forma, ele sente-se culpado. Mais do que nunca. E isso o deixa se sentindo sozinho, impotente, um vilão que jamais planejou ser.

    Essa culpa ofusca sua mente e tira-o da realidade, tornando-o um alvo fácil. E ele sente a consequência disso.

    Um chute atinge ele pela esquerda. A força foi tamanha ao ponto de quebrar uma de suas costelas, jogando-o no chão. Ele volta a realidade e tenta se levantar as pressas, mas recebe outro chute exatamente onde levou o primeiro, perdendo outra costela. Ele cospe e geme de dor, ainda tentando escapar.

    Redchain está na sua frente. Seu corpo possui várias áreas parecendo feitas de papel. Somente suas pernas que não são, pois estão reforçadas por um material lembrando uma cota de malha feita de anéis de ferro, todos embebidos em sangue. Elas aparecem por trás da saia larga a cada golpe que ela desfere no detetive.

    Após um número de sete chutes e uma considerável quantidade de sangue derramada, ela pega Suzio pelo colarinho e o levanta, usando apenas uma mão. Sua força é realmente considerável.

    — Eu não acredito que um covarde como você tenha matado a minha irmã.
    — Tsc. E você lá se importava com ela?

    Redchain joga-o para cima e consegue acertar um soco perfeito em sua barriga, lançando-o para longe. Sangue sai de sua boca enquanto seu corpo vai de encontro ao chão. Uma espécie de cópia de Redchain surge ao lado do detetive, feita de papel. Ela o levanta novamente, colocando-o de frente para a mulher. Ela faz um pulsante surgir na sua mão direita, parecendo mais pesado do que o normal.

    — Já deve conhecer isso. Esse foi feito especialmente para você, Suzio. Para você ver que não conhece nada sobre nós.

    Ela explode o pulsante, e dele surge uma adaga totalmente branca e brilhante. O homem arregala os olhos. A última frase do inimigo atinge-o em cheio.

    — Ora... Que jeito simples de me matar.
    — Tem razão. Mas você não é digno de viajar.

    Redchain fica em frente dele. Posiciona-se para um golpe fatal na direção do seu coração. O detetive parece aceitar seu fim.

    Mas alguém lembra-o que ainda não é a hora disso acontecer.

    Ei.

    Ei. Já é a hora de você usar isso. Não há outro jeito.

    Ei. Você é um gênio das fugas, mas não de fugir de um hakugai. Use o que te dei. Use, de uma vez por todas. Não é a hora de você vir pra cá ainda.

    Nightcrawler sorri.

    Ok.

    Cinco segundos se passam. Nesses cinco segundos, a adaga desce para golpeá-lo, mas quebra. A cópia tenta quebrar seu pescoço, mas desaparece. E Redchain recebe um dos socos mais poderosos que já recebeu na sua vida, lançando-a para a parede no outro lado e abrindo um buraco enorme nela.

    E do outro lado, está Nightcrawler, cujos braços estão circundados por uma espécie de camada etérea, quase transparente, de cor laranja, com bordas negras nos lados. É possível notar que seu olho esquerdo, cujo é cego, está agora negro, com um losango no centro, cuja íris é laranja e o centro é escuro.

    — E eu não sou digno de morrer.








    Próximo: Capítulo 22 – Nightcrawler



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  5. #95
    Avatar de Skirt Underdome
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    É ou não é uma fic naruteira?

    Essa luta nos esgotos é Naruto puro, cheia de inversões e surpresas.

    Parabéns Charles, voce foi realmente legendary nesta treta subterrânea, esta ficando muito boa.






  6. #96
    Avatar de Senhor das Botas
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    QUE CAPÍTULOS CARLÃO.

    Desculpa a demora a comentar. Mas, estou adorando a perseguição de Redchain no esgoto... Que pode ter se encerrado?

    Cinco segundos se passam. Nesses cinco segundos, a adaga desce para golpeá-lo, mas quebra. A cópia tenta quebrar seu pescoço, mas desaparece. E Redchain recebe um dos socos mais poderosos que já recebeu na sua vida, lançando-a para a parede no outro lado e abrindo um buraco enorme nela.

    E do outro lado, está Nightcrawler, cujos braços estão circundados por uma espécie de camada etérea, quase transparente, de cor laranja, com bordas negras nos lados. É possível notar que seu olho esquerdo, cujo é cego, está agora negro, com um losango no centro, cuja íris é laranja e o centro é escuro.

    — E eu não sou digno de morrer.
    Ativou o Sharingan, e é um Sharingan do outro mundo pelo visto, que nem o do Kakashi

    Brincadeiras a parte, pelo visto se trata de alguém importante, do outro, que Nightcrawler perdeu durante sua vida, e que deseja o fim da Irmandade tão intensamente quanto Suzio... Ou simplesmente se trata de Zoe.


    Enfim, no aguardo dos próximos capítulos.

  7. #97
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Vou comentar logo antes que você poste novamente, @CarlosLendario! Adorei o capítulo, está fantástico. Finalmente vi o Dartaul menos "passivo" diante das grandes figuras que o cercavam (r.i.p. Borges) e tomando as rédeas do combate com o potencial que sempre teve. Mas, tem Nightcrawler. E Nightcrawler semprerouba a cena <3

    Aguardo o próximo!


    Abraço,
    Iridium.

  8. #98
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Padrão Capítulo 22 - Nightcrawler I

    Citação Postado originalmente por Skirt Underdome Ver Post
    É ou não é uma fic naruteira?

    Essa luta nos esgotos é Naruto puro, cheia de inversões e surpresas.

    Parabéns Charles, voce foi realmente legendary nesta treta subterrânea, esta ficando muito boa.
    Tem naruto aqui não, sai dai

    Se fosse Naruto mesmo, os personagens parariam o tempo inteiro pra ficar explicando o que acabaram de fazer, o que não acontece aqui. Aqui, ou você presta atenção, ou se fode. e não é porque o nightcrawler destravou teoricamente um susano'o que a historia virou naruto

    Obrigado pelo comentário e pelos elogios Skirt, espero sua presença nos próximos capítulos.

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    QUE CAPÍTULOS CARLÃO.

    Desculpa a demora a comentar. Mas, estou adorando a perseguição de Redchain no esgoto... Que pode ter se encerrado?



    Ativou o Sharingan, e é um Sharingan do outro mundo pelo visto, que nem o do Kakashi

    Brincadeiras a parte, pelo visto se trata de alguém importante, do outro, que Nightcrawler perdeu durante sua vida, e que deseja o fim da Irmandade tão intensamente quanto Suzio... Ou simplesmente se trata de Zoe.


    Enfim, no aguardo dos próximos capítulos.
    Diga aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Ainda não acabou a parte dos esgotos, mas a perseguição sim. Nightcrawler mostrará o que tem escondido na manga agora e finalmente revelará o ser que tem conversado com ele internamente há muito tempo. E não, não é a Zoe.

    Espero que continue aparecendo.

    Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
    Saudações!

    Vou comentar logo antes que você poste novamente, @CarlosLendario! Adorei o capítulo, está fantástico. Finalmente vi o Dartaul menos "passivo" diante das grandes figuras que o cercavam (r.i.p. Borges) e tomando as rédeas do combate com o potencial que sempre teve. Mas, tem Nightcrawler. E Nightcrawler sempre rouba a cena <3

    Aguardo o próximo!


    Abraço,
    Iridium.
    E aí Iri, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Dartaul terá seu destaque agora e deixará de ficar sempre em segundo plano. A verdade é que não deu pra incluir Dartaul na construção da história até esse clímax, mas agora haverá mais espaço para fazer isso.

    E não tem como mesmo, Nightcrawler sempre rouba a cena. Imagino se depois desse capítulo você irá gostar mais ainda dele e se o pessoal que não gosta dele passará a gostar. Espero que desperte algo nos leitores.

    E você previu certo hein, realmente ia publicar hoje o capítulo novo. Então, espero que goste.









    Bom pessoal, creio que algumas revelações serão feitas agora. Então, prestem atenção e criem suas teorias!

    Também é possível notar que os capítulos estão tendo várias partes. Mas isso está acontecendo pois eles são realmente longos e há muita coisa para explicar e contar. Mas creio que, depois do 22, não haverá muito mais capítulos divididos. Bem, assim espero.

    Espero que gostem!




    No capítulo anterior:
    Redchain ainda persegue Dartaul. O investigador encontra Nightcrawler enquanto escapa dela, e este fala para o jovem como ele se sente a respeito de tudo que está acontecendo. Dartaul é pego numa armadilha e Nightcrawler obrigado a lutar contra Redchain, e notando que, para sobreviver, terá que usar tudo que possui. Até mesmo poderes proibidos.




    Capítulo 22 – Nightcrawler
    Parte 1





    É isso. Não havia mais jeito.

    Você não está errado em usar isso. É o símbolo de quem você é. É o símbolo da sua covardia.

    Essa é a demonstração de quem você realmente é.

    Essa é a prova de que você vendeu sua alma para o demônio.



    Múltiplos pensamentos martelam a mente de Nightcrawler enquanto ele observa Redchain tentando se levantar. Ela não entende o que a atingiu, nem porque não conseguiu matar o detetive. Mas sabe que terá que lutar agora como nunca antes.

    Nightcrawler salta de um lado para o outro, dando um soco onde Redchain está, mas papéis surgem no lugar. Ele dá uma cotovelada para trás, com sua área de efeito aumentada pela energia etérea, conseguindo acertar a adversária. Ele gira e tenta um novo soco, mas ela salta para trás, aterrissa um pé na beirada da vala e lança-se na direção do inimigo novamente, que soca-a, mas apenas recebe papéis em troca.

    A Sangue surge a alguns metros do oponente, mas ele prevê isso e lança uma onda de chamas alaranjadas em sua direção, fazendo ela recuar saltando para trás. Num pulo, o mascarado surge em frente dela e soca sua barriga, fazendo-a se curvar de dor e tossir sangue mesmo dentro da máscara. Ele aplica uma joelhada não acompanhada de seu poder em seu rosto e aplica um gancho de direita em seu rosto, lançando-a longe. Antes que ela pudesse tocar o chão, ele enche suas pernas desse poder alaranjado, pula até o alvo e chuta seu peito no ar, esmagando-a contra o chão e fazendo-o se despedaçar.

    Nightcrawler cai na vala, mas pega com as duas mãos Redchain e joga-a contra a parede do outro lado. Ela volta para trás apenas para receber um chute alto do inimigo, lançando-a para o alto e batendo-a no teto. O detetive aumenta a extensão da energia do seu braço direito, fazendo-o ir em direção da Sangue para esmagá-la contra o teto.

    — Sua natureza do sangue não permite que você a use tantas vezes seguidas. Ao menos disso eu sei.

    Correntes embebidas de sangue cercam o braço etéreo, mas ele se desfaz, voltando ao acumulo comum no braço real do detetive.

    — Você é realmente novata. Não tem nenhuma estratégia.

    Redchain consegue sair e voltar para o chão, a metros do inimigo. Sua máscara está rachada e partes dela caíram, revelando algumas áreas de seu rosto. Partes da sua roupa, bem como da sua saia, também possuem danos, bem como a cobertura em suas mãos, apesar da proteção de correntes.

    — Tenho. Mas nenhuma delas envolve lidar com um detetive veterano com poderes demoníacos.
    — Não cheguei a esse nível nem mesmo com Senzo. Deveria se sentir orgulhosa.
    — Usar esses poderes contra mim é o mesmo que usar contra ele.
    — O que quer dizer?

    Redchain avança em segundos em direção de Nightcrawler para socá-lo, mas ele defende com um pilar extremamente ágil de fogo etéreo e então a soca novamente quando esse se dissipa. Ela se choca contra a parede e despedaça parte dela, mas não cai no chão, apenas cambaleia para o meio da vala de novo.

    — Vou repetir: O que você quer dizer com isso?
    — Urgh. Você até parece estar brincando perguntando dessa forma.

    A moça endireita sua postura. Não parece sentir dor, apesar de tudo.

    — Você se chamava de Nuito há décadas atrás. Deveria lembrar de quem eu sou. Ou de quem Senzo sempre foi para você.
    — Que delírio. Me chamo Suzio desde que me lembro por gente. Tinha pais cuzões que apenas trabalhavam e não tinham cérebro para acompanhar o do filho.
    — Também era assim antigamente. Você não tinha tempo para os seus pais, pois sempre foi um gênio. Não ligava nem para a Ember, que era apaixonada por você.

    Nightcrawler começa a sentir o seu peito ficar apertado. De alguma forma, ele sabia do que ela falava. Cada fala dela é como se fosse algo real acontecido há muitos anos atrás.

    — Apenas uma mulher se apaixonou por mim, e ela não se chamava Ember. E eu tenho certeza que Senzo a conhece, pois foi graças a ele que ela morreu.
    — Senzo não se importaria com uma memória falsa.

    O sangue de Suzio ferve. Sente-se ofendido e confuso. E sente hesitação de matar Redchain; ela parece ser uma fonte valiosa de informação. Mas esse sentimento passa em momentos.

    O poder de Nightcrawler fica mais intenso. Ele reforça melhor seus braços e protege levemente seu tronco.

    — Memória falsa...? — Murmura Nightcrawler, com uma voz sombria. Como se tivesse sido possuído. — Tudo aqui é falso. Esse momento. Os momentos anteriores. Essa vida que você tem. É tudo falso!

    Braços etéreos e alaranjados surgem do chão, prendendo Redchain. Ele prepara uma magia em suas mãos.

    — E eu odeio coisas falsas. Exori Gran Flam! — Pronuncia Nightcrawler, lançando a magia em direção do peito dela.

    Ela transforma-se em papéis. Parece o momento perfeito para ele.

    Ele lança seu braço demoníaco ao chão e puxa Redchain de lá. Segurando ela pelo pescoço, ele prepara-se para um soco. Leva seu braço direito o mais para trás que consegue, e enquanto o faz, sua energia torna-se mais forte. Tão forte que ela começa a projetar algo em cima dele. A alguns centímetros, surge parte de um tronco, um pescoço e um rosto demoníaco, levemente feminino. Ele sorri enquanto Nightcrawler pega força para o golpe. E, finalmente, ele desfere esse soco, que possui um som fraco, quase como se um demônio tivesse suspirado.

    A mulher é lançada para bem longe com o golpe. Ela quebra a parede do fim do túnel e vai parar no outro lado, batendo em alguns canos grandes da sala e caindo no chão sem resposta.

    Ela demora a levantar, pois o golpe foi realmente sentido por ela. Seu corpo treme e reclama de dor. Metade da sua máscara quebrou, revelando parte de seu rosto. Ela usa essa parte para vomitar sangue, mesmo que parte dele não consiga sair normalmente por ali. Em seguida, ela tenta levantar, mas alguém supostamente a ajuda. E este é Nightcrawler, que a puxa pelo pescoço.

    Ele deixa-a em pé, de frente para ele, suportada apenas pelo seu braço cercado por poder. Esse poder cerca metade do rosto de Nightcrawler. Metade daquele rosto de antes está nele.

    — Três naturezas de sangue e mesmo assim você perdeu. Novata de merda.

    Mais uma vez as correntes de Redchain cercam seu braço.

    — Quem disse que eu perdi?

    As correntes tentam esmagá-lo, mas quebram. Ela demonstra horror em seu rosto.

    — Eu disse.

    Ela começa a gritar. Tudo que Nightcrawler mais queria. O rosto formado pelo poder sorri malignamente, mostrando seus dentes, que ironicamente completam os que faltam na máscara.

    Exevo Gran Mas Flam!

    Uma explosão gigantesca cobre toda a sala e parte do túnel onde o combate ocorreu. Um grito profundo de dor o acompanha. É o fim da luta.

    Momentos se passam após a explosão. Nightcrawler visualiza um corpo no chão, que parece ser de Miraya. Mas ao se aproximar, inúmeros pedaços pequenos de papel saem do corpo e se espalham. O detetive fica sem saber o que fazer quando percebe que o cadáver na sua frente pertence a rainha Eloise.


    ~*~


    Os túneis tremem e um pouco de poeira e fragmentos de pedra caem do teto. Trevor e Alayen param, com medo de seguir adiante e serem esmagados por pedras. Ou pegos numa armadilha de Redchain.

    — Primeiro aquela coisa de hakugai e agora isso? — Comenta Alayen, emburrado. Entretanto, ele também está perplexo.
    — Alguém parece estar lutando. Foi o som de uma explosão. Mas não uma que cabe numa armadilha.
    — Então faremos bem se continuarmos andando!

    Hesitantes, eles continuam a caminhar. O medo os domina, mas eles se sentem assim desde que entraram nos esgotos. As paredes de placas de alumínio podres, o caminho mal iluminado, os ratos correndo, tudo isso fortalece um clima ruim e desagradável. Clima este do qual eles são obrigados a lidar.

    Mais adiante, eles param de novo. Veem um corpo. A luz projetada por Alayen revela quem é. Dartaul.

    Trevor corre em direção ao corpo e ajoelha-se rápido. Precisa prestar primeiros socorros. Mas não sabe a quanto tempo ele está ali, então, talvez seja tarde demais. Ao analisar o corpo, ele nota que há um buraco na região direita do tórax, e o sangue já embebeu grande parte da sua camisa preta, tornando-a grossa. Ele checa os batimentos, mas não percebe nenhum. Pede mais luz para Alayen pra ver a cor da pele, e ela está pálida.

    O capitão afasta os braços e despende-os. Mantém sua cabeça abaixada. Alayen mostra uma expressão triste e sentida. Trevor soca o chão. Dá mais socos a cada fala que pronuncia.

    — Merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda, MERDA, MERDA, MERDA, MERDA, MERDA, MERDA, MERDA, MERDA, MERDA, MERDA, MERDAAA!

    O homem coloca uma das suas mãos em seu rosto. Ele senta no chão, resignado.

    — Irmandade desgraçada! Ele era tão jovem, tão promissor, tão bom! Por que fizeram isso com ele? Por que tiveram que matar ele?

    Alayen vira a cabeça para o lado e põe uma mão na cintura. Seus olhos estão entreabertos.

    — Conhecíamos ele há pouco tempo, mas era um cara legal...
    — Foda-se se o conhecemos há pouco tempo! Eu já estou de saco cheio de mortes! Não importa o que eu faça com meu cargo, eu nunca consigo evitar nenhuma morte!

    Trevor mantém-se no chão por algum tempo. Alayen decide fazer algo a respeito.

    Utevo Res: Orc! — Pronuncia o rapaz, fazendo um orc surgir ao seu lado. Ele vai em direção do corpo de Dartaul e recolhe-o.

    Trevor olha, com algumas lágrimas no rosto.

    — Quer uma verdade, Trevor? Nunca conseguiremos evitar mortes nesse mundo. Não somos deuses ou coisa assim. Somos apenas baratas rastejantes com vidas pré-determinadas, vivendo porque uns caras poderosos decidiram que tem que ser assim. Não podemos fazer nada, pois somos apenas baratas que vão morrer um dia. E é isso.

    O homem enxuga as lágrimas e se levanta. Bate as mãos nas pernas, tirando o pó.

    — Tem razão.

    A dupla segue em frente. Encontram um caminho bloqueado, mas acham um corredor à esquerda, e decidem seguir por ele. Veem outro corredor para a direita, e seguem por ele, ainda em silêncio absoluto, para entrar num túnel onde aparentemente houve um combate.

    Tem razão. Ele merece uma segunda chance.

    Dartaul volta subitamente a respirar, como se tivesse saído do mar após uma eternidade dentro dele. Ele cai do ombro do orc, que se desfaz em fumaça, e vai direto pro chão, onde tosse violentamente. Trevor e Alayen vão ampará-lo, mas ele já está se levantando. Aos tossidos, mas levantando.

    — Ei, ei! Qual é a tua, cara? Você estava morto há pouco tempo atrás!

    Dartaul olha para o mago com um olhar desanimado, mas também profundo. Como se tivesse visto muita coisa.

    — Eu sei.

    Dartaul anda em direção do túnel e adentra-o, apenas para ver Nightcrawler à sua esquerda, ainda envolto pelo poder demoníaco, carregando um corpo envolto pelo seu sobretudo. Ele desaparece em um instante e volta ao normal.

    — Está vivo então, hum? Vamos seguindo. Redchain está morta e eu achei uma saída.

    A dupla aparece em seguida. Sentem uma tensão esquisita no lugar ao verem Dartaul e Nightcrawler olhando um para o outro.


    Todo o trajeto até a saída foi envolto pela tensão. Ao acharem uma tampa de bueiro, Nightcrawler decide ir primeiro, apesar de estar levando o cadáver. Ao saírem, não encontram nada lá fora. Apenas veem o distrito vazio, com a alta possibilidade dos militares terem saído para patrulhar e guardar todas as áreas de importância de Yalahar. E deixando sua base desprotegida. Suzio ri por dentro.

    Eles seguem andando, passando pela torre e próximos da colina, sob o pôr do sol. A movimentação nela é mediana. Enquanto andam devagar e desanimados, Dartaul vê a chance de começar a falar.

    — Eu conheci Varmuda.

    Nightcrawler para de andar. Os outros também param.

    — Ele não me contou muito sobre você. Mas disse para voltar. Deu-me a vida de novo, de alguma forma. E agora eu quero saber por que você vendeu sua alma para o demônio. Pode me dizer?
    — Não.

    O detetive continua andando. Dartaul se irrita.

    — Por que você tem poderes demoníacos? Por que você escondeu isso de nós?
    — Ei, Dartaul! Do que está falando?
    — Vai me dizer que não viram os braços dele cobertos por uma coisa laranja?

    Nightcrawler vira sua cabeça para trás. Trevor e Alayen parecem perplexos.

    — Varmuda te deu alguma coisa?
    — Não. Apenas a minha vida de volta.
    — Ele não te deu a vida. Ele te tirou do limbo. Simples assim.
    — E não é a mesma coisa?

    Dartaul nem mesmo parece se assustar com a naturalidade do qual Suzio fala sobre o tal demônio. O detetive também não se sente intimidado pelo fato do jovem ter descoberto um de seus segredos mais sombrios.

    — Veja bem. Ele é só a porra de um demônio. E eu não faço ideia do porque ele foi até você.
    — Ele me pediu para te acompanhar, mas eu não quero saber disso. Eu quero saber o que diabos aquilo tem a ver com você! O que você é, Suzio?
    — EU NÃO SEI!

    O lugar fica em silêncio por algum tempo. Nightcrawler parece realmente irritado, além de frustrado.

    — O que você pensa, Dartaul? Que eu fiz um pacto porque eu quis? Que eu queria esse poder, pois eu desejava ser poderoso? Eu nunca pedi por isso! Nunca pedi para ter essa essência demoníaca correndo pelo meu corpo! Eu fiz para sobreviver, fiz para agradecer aos meus amigos que me deram mais uma chance de viver! Pra fazer o que eu sempre quis! Você nem mesmo imagina quantas noites eu perdi em claro pensando nessa merda! Pensando se eu estava fazendo o que os meus amigos queriam ou se eu estava me aproveitando da morte deles para conseguir sucesso! Eu perdi tudo e todos os dias eu sinto medo de puxar mais gente pro buraco! De puxar tanto Lea quanto Rachel pra ele! Eu nunca me perdoaria por isso!

    Nightcrawler se aproxima a passos nervosos. Dartaul parece um pouco surpreso, mas ainda indiferente.

    — E agora você viu, não viu? Viu que eu puxei mais gente pra esse buraco de merda onde eu vivo? Viu seu companheiro morrer, não viu? Viu aquela jornalista morrer também, não é? Se pergunte agora se poderá voltar pra perícia depois de não comparecer mais por um mês! Você não atirou o cargo de paladino no lixo pra ser um investigador? Como vai conseguir agora, depois de ter trabalhado com alguém que metade do seu reino deseja ver atrás das grades?

    O investigador arregala os olhos. Agora, ele parece ter sido pego de surpresa.

    — Entenda, Dartaul! Esse poder não significa nada senão morte e azar! Ele me fez perder tudo e continua fazendo os outros perderem também! Seja lá o que aquele demônio filho da puta tenha falado pra você, ele não sabe de nada! Nenhum demônio sabe o que significa o sofrimento humano, e jamais saberá!

    Nightcrawler vira-se e se afasta a passos largos. Dartaul está surpreendido, mas aquilo não parece tão novo para Trevor e Alayen. O trio fica em silêncio enquanto Nightcrawler some ao virar a esquina para subir a colina.

    — Espero que tenha sido o suficiente pra você, Dartaul. Nightcrawler está a um passo da loucura. E eu até entendo o porquê disso. Segurando sentimentos ruins por tantos anos, sem derramar uma lágrima, deve ser o inferno. — Disse Trevor, cruzando os braços.

    O capitão segue andando, aparentemente para seguir Nightcrawler. Alayen vai atrás, calado.

    — Ele é o homem mais forte que eu já conheci. E se você quiser ser alguém melhor do que ele, terá que se esforçar bastante.

    Os dois se afastam e somem. O sol se põe no horizonte. Dartaul, com a cabeça baixa, senta-se numa rocha próxima da colina, e repousa seu corpo sobre a parede rochosa logo atrás.

    Mais uma vez, derrotado. Mais uma vez, sem saber o que fazer.




    Próximo: Capítulo 22 – Nightcrawler II



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  9. #99
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    Saudações!

    Porra, Dartaul! HAUEHAUEHAUEHUHE

    Brincadeiras à parte, é bom ver um retcom na morte dele ehueheuheuehueh

    Ver ambos no limite, tanto Nightcrawler quanto ele, causa muito mais aperto no peito para o cenário como um todo. Tudo está caminhando para o final, Redchain se fodeu (aleluia, senhor), mas mexeu com o emocional do Suzio (curiosa para ver do que se trata isso aí. Memórias falsas? Quem é o responsável, se é que há algum?). Também quero saber do(a) capeta Varmuda... Você tem certo gosto e carinho pelos capetas aheuaehueh

    Apesar de que, de certa forma, Demônios e Dragões são o coração de Tibia. Independente do update, isso não parece mudar.

    De qualquer maneira, muito bom capítulo! Ainda estranho um pouco a narrativa no presente, mas sei que te deixa infinitamente mais confortável; aguardo o próximo capítulo!



    Abraço,
    Iridium.

  10. #100
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    Pontuando uma coisa que acho necessária: Nightcrawler é um personagem, digamos, interessante. As duplas interpretações que ele oferta a respeito dos mesmos fatos são importantes pra fins de se analisar ambos os lados. Sou um entusiasta desse personagem, acho que você o trabalhou com perfeição.

    Outro ponto: sua escrita, Carlos, o modo como você desenvolve suas narrações, tudo é muito inspirador. A perfeição no uso do vernáculo só contrasta com a sua habilidade de criar coisas novas e interessantes a todo tempo, tudo sempre muito linear, tudo sempre muito pé por pé, passo por passo, cena por cena. Uma vez mais, porque elogios não precisam ser repetidos, mas devem: você é uma inspiração.

    Keep going. Sempre que houver tempo e possibilidade, estarei aqui. Mas, de cara, já digo que Bloodtrip é uma das histórias inspiradoras da seção.

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