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Tópico: Bloodtrip

  1. #161
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    Damn it! He's still alive!

    Um baita de um capítulo, Carlos, apesar de ter sido um pouco mais comedido e menos intenso. O desenlace da situação é interessante de se acompanhar, especialmente porque Senzo continua vivo, apesar de o destino de Miraya me parecer um pouco confuso, mais para o final. Seria a alma e o corpo dela que Senzo estaria interessado em restaurar?

    De qualquer forma, a história está tomando um rumo interessante. Que reviravolta, não? Terminamos o último capítulo crentes de que Nuito tinha matado Senzo. Agora, sabemos que Senzo continua vivo, mas Nuito está morto. Não em um combate franco, mas por um julgamento aparentemente corrupto. Espero estar errado a esse respeito, porque tiraria toda a credibilidade do tribunal. Porém, se a análise for um pouco mais ampla do que isso, certamente que teremos explicações para essa partida inesperada de Nuito, depois de vencer Senzo num combate justo.

    Sobre Ember: grávida de Nuito? Não sei se deixei algum detalhe passar em algum momento, mas não estou lembrado sobre se isso foi comentado antes. Se não, é uma excelente notícia; ainda que Nuito tenha morrido, existe uma chance de continuar a história e a linhagem a partir dali. Se sim, então, falha minha; espero não causar mal estar por causa disso.

    No mais, Carlos, toque adiante. Blood Trip está se tornando uma história e tanto. O quinto tomo de Jason Walker terá uma homenagem a ela, mas não direi de que forma. É desnecessário, já que você vai perceber, quando for postada.

    Um abraço e keep going!

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    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

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  2. #162
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    Padrão Capítulo 32.5.5 - Monólogo

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Damn it! He's still alive!

    Um baita de um capítulo, Carlos, apesar de ter sido um pouco mais comedido e menos intenso. O desenlace da situação é interessante de se acompanhar, especialmente porque Senzo continua vivo, apesar de o destino de Miraya me parecer um pouco confuso, mais para o final. Seria a alma e o corpo dela que Senzo estaria interessado em restaurar?

    De qualquer forma, a história está tomando um rumo interessante. Que reviravolta, não? Terminamos o último capítulo crentes de que Nuito tinha matado Senzo. Agora, sabemos que Senzo continua vivo, mas Nuito está morto. Não em um combate franco, mas por um julgamento aparentemente corrupto. Espero estar errado a esse respeito, porque tiraria toda a credibilidade do tribunal. Porém, se a análise for um pouco mais ampla do que isso, certamente que teremos explicações para essa partida inesperada de Nuito, depois de vencer Senzo num combate justo.

    Sobre Ember: grávida de Nuito? Não sei se deixei algum detalhe passar em algum momento, mas não estou lembrado sobre se isso foi comentado antes. Se não, é uma excelente notícia; ainda que Nuito tenha morrido, existe uma chance de continuar a história e a linhagem a partir dali. Se sim, então, falha minha; espero não causar mal estar por causa disso.

    No mais, Carlos, toque adiante. Blood Trip está se tornando uma história e tanto. O quinto tomo de Jason Walker terá uma homenagem a ela, mas não direi de que forma. É desnecessário, já que você vai perceber, quando for postada.

    Um abraço e keep going!
    Salve Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    É bom saber que o capítulo ficou legal, ultimamente não tem sido um bom período pra ficar escrevendo, mas continuo tentando. Ainda mais porque falta pouco pra acabar.

    A verdade é que Nuito não conseguiria ir até o final e dar o último golpe no melhor amigo. Apesar dele ter causado tantos problemas, ainda era o amigo dele, e Senzo não conseguia fazer outros amigos nem se relacionar com a sociedade direito. Mas isso acabou gerando problemas, pois se ele tivesse matado Senzo - ou ao menos tivesse dito que ele estava morto - talvez o destino dele fosse diferente. Bem, foi mais algo para mostrar que tomar decisões é algo complicado, que pode te trazer muitas coisas boas ou ruins. Foi algo que Nuito percebeu enquanto estava sendo julgado, e que incentivou ele a se confessar. Se ele tivesse matado Senzo, ainda estaria vivo.

    O julgamento não era corrupto, Nuito assumiu que fudeu parte de Edron e criou aquilo pra parar Senzo, mas no fim, ele acabou usando aquilo pra ficar mais forte e matar mais pessoas, o que torna Nuito cúmplice daquela crise. Ele acabou julgado culpado mesmo sendo o salvador da crise, pois nem sempre a justiça fica do lado dos mocinhos. Btw, foi no capítulo do combate mesmo que deixei a menção da gravidez, embora de forma bem suave. Não tinha muito espaço pra incluir isso, mas eu precisava. Foi antes de Nuito se encontrar com Senzo.


    Agradeço a presença constante, cara. Tamo junto.











    Vamos voltar para o presente e dar os últimos passos para a conclusão de Bloodtrip. Esse capítulo possui um formato diferente dos outros, então espero que não incomode.


    Espero que gostem!






    No capítulo anterior:
    Nuito foi executado pela justiça de Edron, devido a sua confissão a respeito do Musenki. Antes disso, ele já era julgado por agredir o governador da ilha, e optou pela confissão para evitar que Ember tentasse salvá-lo e coisas piores acontecessem. Senzo sobreviveu e tentou evoluir o Akonancore, mas não conseguiu, e ainda perdeu Miraya para um assassinato cometido por Ember. Furioso, ele foi para Darashia e tentou matar todos que viu, mas foi morto no processo.





    Capítulo 32.5.5 – Monólogo




    É... Deve ter uns três dias que estou caminhando a esmo.

    Depois de tudo o que eu fiz, tudo o que eu vivi, eu ainda tenho medo de encará-los. Como se algo dentro de mim me impedisse de fazer isso. O pior é que eu conheço o caminho para Chaur tão bem como se fosse minha própria casa. E isso é muito estranho. Eu estou caçando eles, e não voltando pra casa. Outra coisa linda pra me ajudar nessa viagem pra comprar pão pro café da manhã é que meus olhos continuam lacrimejando. O veneno daquela aranha acabou comigo.

    Ah, mas essa caminhada tem sido boa para refletir sobre minha vida. Meu passado fodido. O próprio Dartaul me ajudou com isso antes de eu partir. Acabei dando a impressão errada pra ele, como se eu estivesse sofrendo profundamente por dentro, a ponto de eu me portar como um suicida. Porra, eu estava até chorando, quando na verdade tem anos que não choro. Mas tudo aquilo é causa do veneno. A linha tênue que me livrava do meu próprio lado ruim, do sofrimento mais profundo, dos sentimentos mais escuros, era Varmuda. Mas eu quebrei a conexão com ela. Não tenho mais minhas habilidades de regeneração. Como não tratei o veneno direito, não deve demorar mais uns dias pra eu bater as botas.

    Não que isso faça diferença. Quando eu me soltar totalmente na toca do lobo, eu não irei sobreviver pra contar a história. O que eu descobrir lá irá morrer comigo. Mas, pelo menos, esses filhos da puta nunca mais vão mexer com esse mundo.

    Mas Varmuda não parece estar muito a fim de me dar um descanso. Levando em conta o que eu fiz, provavelmente ela vai ser minha torturadora eterna por eu ter quebrado o pacto sem a consultar. Não espero menos do que isso. Ser inimigo de um demônio é a pior coisa que um humano pode fazer em Tibia. Embora exista muitas entidades, criaturas mitológicas e fantásticas, bem como mortos-vivos em Tibia, todos eles viram sujeira de bota quando comparados a um demônio. Poucos são os guerreiros capazes de matar algum. Poucos mesmo, acredite em mim. Uns oito malucos deve ser meu melhor chute, e olha que sou o melhor detetive desta merda.

    E, bem, eu não sou adorado. Mais da metade do mundo já botaram um preço pela minha cabeça. Se eu fosse contar algumas pessoas que realmente querem que eu volte, seriam umas cinco, provavelmente.

    Rachel. Ela quer que eu volte pra que eu pague minhas dívidas com ela. Houve uma vez que eu comprei todo o estoque de runas dela para dois meses pra fabricar armas com runas, mas não paguei todo o gasto até hoje. Ela me odeia por isso, mas não quer que eu morra. Senão, quem vai pagar?

    Lucius. Conheço ele há muitos anos. Sempre quis ser caçador de entidades, e quando virou um Inquisidor, ficou mais feliz que uma criança quando ganha um brinquedo novo. Mas quando eu supostamente morri lá em Vengoth, lutando contra Senzo, ele passou a viver para eliminar todos os vampiros de Yalahar e Vengoth, ficando apenas naquele distrito fodido ao lado do porto e não saindo mais de lá. Ainda é reconhecido como um Inquisidor. E quer que eu volte, pois tem grande consideração por mim. Já o salvei várias vezes.

    Palimuth. Experientes com espíritos como ele sabem dizer exatamente como você está no momento. Desde que cheguei em Yalahar, ele ficava atrás de mim, e frequentemente perguntava se eu estava bem. Ele foi o primeiro a descobrir que criei um pacto com Varmuda e que eu sabia usar a Manipulação da Alma como um poder pra lutar e também fugir. Ele tentava dominar o mesmo poder, mas ele só sabia expulsar espíritos ou exorcizá-los. Ele me ensinou algumas coisas, o que me ajudou na hora de exorcizar Bryca. Sinceramente, ele sempre me pareceu meio bicha, mas ele é gente boa. Ele quer que eu volte, mas não sei se é só por eu ser amigo dele, não. Prefiro não pensar nessas coisas.

    Lea. Ah, a Lea. Ah, a voluptuosa e farta Lea. Eu a conheci por volta de cinco anos após ter abandonado Yalahar e começado a caçar Senzo e seu grupo que anteriormente foi formado em Vengoth, mas ele desapareceu no mundo depois daquilo. Acabei indo para Carlin um dia para manter um posto lá, e então me dirigir para Ab’Dendriel. Então, veio o dia onde eu a conheci por acidente.

    Eu não estava prestando atenção em onde eu estava. Sinceramente, eu devia estar meio louco, sob efeito de substâncias criadas por dworcs ou lagartos de Chor, pois eu estava no telhado do prédio onde fica a Guilda dos Feiticeiros de Carlin. Estava sentando, observando os movimentos de alguém suspeito, disfarçado entre os cidadãos da cidade, e decidi me levantar e ir atrás dele. Então, o chão debaixo de mim quebrou e eu me espatifei no chão. Era óbvio que não foi um acidente, alguém usou uma explosão exatamente onde eu estava, então me preparei pro combate logo ao levantar. Mas o que eu vi me tirou o chão mais do que aquela queda do telhado.

    Lea sempre foi espetacular, honestamente. Quando a vi logo adiante, ao lado de sua mesa, com uma das mãos na boca, segurando-se para não rir, eu não consegui reagir. Até sua voz era linda. Era como se eu estivesse me apaixonando de novo.

    Então, como de costume, matei esses sentimentos antes deles se desenvolverem. É uma das habilidades que Varmuda me deu.

    Mas não tive como não gostar dela, infelizmente. Os sentimentos voltavam o tempo todo. Ah, maldita seja a volumosa Lea, pois aquela mulher não sentia medo de mim nem por um instante. Ela me ajudou por um longo tempo, e sempre que eu voltava para Carlin, ela me oferecia ajuda. Até que começamos um caso. Na época, ela tinha um aluno, e ele devia querer fazer o mesmo que eu consegui fazer, mas como era só um jovem com menos de vinte anos... Heh, otário. Cheguei primeiro.

    É, e por isso Alayen guarda rancor de mim até hoje. Sou cuzão demais, por Uman. Opa, eu sou ateu. Então, é... Por mim mesmo, então. Não preciso ser modesto enquanto estou tendo um monólogo.

    Enfim... Lea deve estar a minha espera, certamente. Ela sempre ficou triste quando eu ia embora, pois não sabia se eu ia voltar ou não. Alayen torcia pra que eu morresse até o momento em que passamos a ter algumas conversas e passamos a nos entender melhor, e ele até desenvolveu alguma intimidade comigo. É por isso que ele me chama de tio. Bom, no fim, eu acabei parando de visitá-la tem quatro anos, por isso que ela ficou irritada quando voltei, naquele dia, há talvez um mês atrás. Tanta coisa aconteceu nesse curto tempo que estou até confuso. Mas, sim, se eu voltar vivo, certamente irei visitá-la. Eu simplesmente não posso dispensar aquele mulherão. E só fiz isso quando voltei pra Carlin naquela vez por motivos óbvios.

    Não sei se vou voltar mesmo.

    E Trevor. O modo que nos conhecemos foi engraçado, pra não dizer humilhante. Já tem um ano e uns meses. Me escondi na torre dos mágicos, vazia no dia, que fica ao lado do Monte Sternum, e no caminho para a Ponte Anã, em direção de Kazordoon. Estava sendo perseguido por autoridades thaianas tinha um bom tempo. Não sei o que Trevor fez até hoje, mas ele conseguiu fazer vários arqueiros se esgueirarem pela montanha dos ciclopes para chegar até o andar que ficava alinhado a onde eu estava. Os outros soldados cercaram a torre, e muitos outros a subiram num processo que parece ter tomado quase uma hora. A única coisa que ouvi foi um ranger de ferro, que me fez acordar, mas para a minha surpresa, eu já estava cercado pelos soldados de Trevor.

    Ele não é nada menos do que genial entre os cães thaianos. Quando ele apareceu me levando para a prisão de Thais, ele foi consagrado como um dos melhores agentes que a capital e o reino dispunha. A notícia se espalhou até para as colônias. “Trevor Van Aknimathas prendeu Nightcrawler, detetive misterioso que cometeu inúmeros crimes contra a coroa”. Porra, que piada de mau gosto.

    Ele obviamente ganhou uma promoção. Foi de um sargento para Capitão de Guarda, e com um pé na posição de Major, pois não ia demorar pra ele ser promovido de novo se continuasse sendo tão bom no comando. E eu realmente não tinha muito o que fazer na época que fui preso para escapar dele, pois meus poderes estavam em desordem. Estava interessado em ficar por ali pra recolher informações, também.

    Fiquei um mês na cadeia. Então, um dia, Trevor surgiu, interessado em saber o que eu fazia. A contragosto, decidi falar um pouco sobre, mas ao invés dele tirar sarro de mim, ele pediu para que eu continuasse. E bem, eu só continuei, pois trata-se de alguém que me capturou. Merece respeito, ao menos. No final, ele pareceu tenso e com um medo visível, mas simplesmente disse que eu era um homem corajoso e que me ajudaria de alguma forma. O problema é que ele não pode me ajudar. Pedir para me soltar só pra capturar um suposto grupo de gente que estaria por trás de inúmeros massacres do mundo parecia loucura. De certa forma, os thaianos acreditavam na existência da Irmandade. Mas ignoravam por medo. O que fariam se conseguissem encontrá-los? Levando em conta que mataram tanta gente, como colocariam a lâmina em suas gargantas, se ela nem tem efeito?

    E nem mesmo eu reuni informações o suficiente nos mais de dez anos em que estive no rastro deles. O que garante que os thaianos conseguirão? No fim, me soltar ou não nem faria diferença, mas eles preferem me manter lá porque eu realmente cometi crimes. Não ligava, eu realmente precisava de tempo pra me recobrar. Mas o perigo da Irmandade me atacar enquanto eu estivesse ali era muito, mas muito alto. Não era uma boa situação.

    No fim, um dia, no meio da noite, Trevor abriu minha cela e mandou segui-lo. Acabei fazendo isso, pois, se eu quisesse fugir, precisava traçar um rumo mais detalhado, e fazer isso fora da cela. Mas o que ele fez não estava nos meus planos: Ele me deu um disfarce, me levou para perto de Greenshore e me falou para continuar fugindo. Disse que queria ajudar, e aquela era a ajuda inicial dele. Não falou nada depois disso, apenas voltou para a capital.

    No dia seguinte, soube por um fazendeiro do vilarejo das novas. Já soltaram a noticia que eu tinha fugido, e que Trevor ficou na minha cola, mas me perdeu no norte da capital. Por isso, ele foi rebaixado para Tenente de Guarda, pois a razão dele ter sido promovido foi por causa da minha captura. E havia suspeitas de que ele não estava atrás de mim, e sim me ajudando. Buscando evitar esses rumores de prejudicarem a imagem das Guarnições, ele foi simplesmente rebaixado.

    Trevor apareceu pouco tempo depois em Greenshore, quando eu me escondi numa casa abandonada. Então, eu percebi. Ele entregou sua chance de continuar subindo profissionalmente entre os militares de Thais pra me ajudar. E de bom grado. Nunca conheci alguém como ele. Passei a confiar no homem, que tinha alguns 43 anos e muita merda no passado.

    Ele me contou sobre o seu passado tempos depois, enquanto ainda se acostumava com minhas exigências. O cara era realmente filho de aristocratas, como eu brincava de vez em quando. Afinal, quem tem “Van” ou qualquer merda do tipo no nome provavelmente é riquinho. E ele era, mas, como descreveu, era um garoto muito mais imerso em lutar e virar um aventureiro.

    Seus parentes não concordavam. Um filho de aristocratas e diplomatas virando aventureiro e vivendo nas piores condições apenas pra caçar aventura e exploração? Era ridículo, na visão deles. Mas ele tinha um incentivo vindo de sua mãe, que apoiava que ele corresse atrás dos seus sonhos, e também de um tio dele. Mas o restante não gostava da ideia. Porém, ele não tava nem aí: Podia ter 15 anos, mas nada do tipo iria derrubá-lo. Ele continuou treinando, dia após dia, e mostrando uma habilidade sem igual, como a de um herói de lendas antigas. Ele realmente tinha uma destreza sensacional segundo as pessoas que o conheceram na época, um dom genioso com a espada.

    Então, um dia, parece que seu sonho de aventureiro foi por agua abaixo. Um grande evento abalou a Baía da Liberdade, lugar onde ele nasceu e foi criado. Uma grande invasão de piratas ocorreu, dezenas de navios cercando a cidade. Uma infestação de piratas vieram em pouco tempo, e os soldados mal estavam preparados. A defesa dos distritos da cidade foi feita quase que na base da guerrilha, pois eram piratas demais, e eles precisavam usar ideias mais eficientes pra vencer.

    Detalhe interessante: Os piratas já tinham pólvora e possuíam canhões enormes nos seus navios, de alguma forma. Além de portarem garruchas e bacamartes que não eram lá tão bons, mas úteis. Esses montes de piratas bombardearam a cidade por uma hora antes de virem todos juntos atacá-la, e antes disso, eles mataram mais pessoas ainda com os tiros de canhão. As bolas de ferro foram longe, e atingiram até as mansões no distrito norte e no leste.

    Uma delas atingiu a mansão onde Trevor vivia. Foi bem rápido. Ele foi até um corredor da casa e achou sua mãe com uma serviçal, correndo. No momento seguinte, a parede estourou logo ao lado dela, e alguns segundos depois, ele viu o corpo da mãe no chão. Tudo tava lá, menos a cabeça, que explodiu em mil pedaços. A bala do canhão estava coberta de sangue. A serviçal não foi atingida, mas desmaiou ao ver como sua patroa estava.

    Trevor ficou entre catatônico e furioso. Ele foi até sua sala de treino, pegou sua espada e correu para a entrada da mansão. Antes disso, seu pai e sua irmã tentaram impedi-lo, mas não conseguiram. Ele avançou como um cão até a cidade, armado e nem um pouco preocupado se iria morrer ou não; Apenas queria levar uns piratas consigo. Parece comigo nos meus tempos de glória. Heh.

    A batalha durou até o amanhecer do dia seguinte. No meio da madrugada, a elite do exército retornou antes do distrito ao norte, o último da cidade, ser invadido. Muitos deles estavam em missão ao redor de Nargor e de Sabrehaven, bem como em Porto Esperança, mas quando voltaram, os piratas nem se preocuparam em continuar lutando como antes. Seus saques e violência acabaram rápido. Eles voltaram para seus navios com tudo que conseguiram e abandonaram a cidade.

    Muitos soldados comemoraram, mas os membros da elite e outros soldados mais conscientes evitaram comemorações, e se apressaram em checar o estado da cidade, ver a quantidade de mortos. Eles encontraram Trevor, mas ele não estava no chão, e sim de pé. Ele fitava os navios indo embora ao longe com um olhar vazio e destruído. Parecia morto por dentro. E ainda estava coberto de sangue.

    O general que o encontrou, parte da elite, olhou-o mais de perto, tomando cuidado com seus movimentos inumanos. Seu corpo estava torcido para o lado, encarando parte do céu, e parte do mar. Na sua mão, um sabre danificado. Sua espada foi colocada de volta na bainha, para preservá-la, nos seus últimos instantes de consciência. E nenhum – Repito – Nenhum ferimento. Todo o sangue nele era dos piratas. Ele matou tantos que até hoje não existe número correto. Sabe-se que, depois daquele dia, ele entrou no exército, formou-se rápido e logo estava dentre as fileiras da Baía da Liberdade, ignorando avisos de familiares e até mesmo o poder e influência de sua família. Ele entrou por conta própria. Sem ajuda.

    Suas primeiras três missões foram simples. Os soldados sabiam que ele era um cão desalmado e sedento por piratas. Então, quando eles rastreavam os piratas nas ilhas ao redor, eles lançavam Trevor na sua direção com a melhor espada que tinham. Quando ele finalmente foi atingido por um bacamarte próximo da cintura, no lado direito, ele se acalmou e ficou mais realista, e esse tipo de estratégia não dava mais certo. Com isso, ele passou a ser mais estratégico. Em cinco anos, já era major. Isso porque ele era genial quando se tratava de caçar piratas e rebeldes. Nargor ficou com o cu na mão. O nome do cara já era mais temido que o de deus. Quando eu crescer, quero ser que nem ele.

    Ele se tornou comandante com 25 anos e quase comandante-em-chefe. Suas táticas eram geniais. Ele sabia melhor do que ninguém como os piratas se comportavam, ganhando o nome de “Ceifador do Rum”. Ele ficou conhecido assim quando conseguiu botar fogo num navio inteiro atirando numa garrafa de rum com um arco e uma flecha flamejante.

    Por que ele desistiu de tudo que é a questão principal. Mas ele explicou: Logo o seu ódio passou, e ele precisava de novos ares. Então ele foi para Thais. Perdeu seus cargos pois uma transferência de uma colônia para o reino não era bem aceita e geralmente era mais fácil conseguir um cargo nas colônias do que no reino em si. Trevor passou seus anos seguintes trabalhando para o exército, depois para a Guarnição. Suas habilidades diminuíram de forma significante. Não tem pirata em Thais, afinal de contas.

    Ele ficou um bom tempo como Cabo, e então como Tenente de Guarda, até me capturar. Perdeu os dois cargos que conseguiu, e os recuperou quando a Irmandade nos atacou em Thais e ele os segurou sozinho. Eu sabia que podia confiar nele, pois ao longo do tempo em que trabalhamos juntos, ele nunca mostrou sinais de que iria me trair. Confio nele, mas não totalmente. E eu também sei que ele espera que eu volte. Trevor é uma das pessoas que mais se entristece com o fardo que coloquei sobre mim mesmo, e espera que ele acabe.

    Ele acabará, Trevor. Assim que eu colocar Chaur no chão.

    Não estou mais no meu ápice, e não tenho a mesma habilidade que tinha quando matava demônios atrás de demônios em Yalahar, há décadas.

    Mas sou mais que o suficiente pra acabar com uma cambada de ninjas fedendo a sangue.

    Eu já matei mais de duzentos demônios, caralho. Um filho da puta de vermelho jogando sangue em mim nunca será o suficiente pra me parar. Por isso, se prepare, Senzo e companhia.


    Eu estou chegando.








    Próximo: Capítulo 33 – Dilúvio
    Última edição por CarlosLendario; 10-02-2018 às 19:14.



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  3. #163
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    Cara, tava de bobeira essa madrugada no serviço e pensei, poxa vou lá na seção roleplaying ler um história, e sabe qual foi contemplada?
    kkkkk
    Bom tenho que dizer que aquele capítulo deu umas instigação de como o Nuito com seu conhecimento e muita audácia fez experimentos numa escala ampla, e como descobriu a solução dos problemas que criou, lembrou me bem que em várias áreas do continente Tibiano tem pântanos, não se restringe só em Venore como antigamente, tem outra parte daquela quest da bruxa nova, tem outra colada em Thais e muito ao sul dela tem até respawn de Swamp Trolls, boas ligações para a história - se não tiver relação com pantano viajei bonito kkkkk

    O restante comento quando ler, sucesso e boa sorte ai

  4. #164
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    Citação Postado originalmente por Sombra de Izan Ver Post
    Cara, tava de bobeira essa madrugada no serviço e pensei, poxa vou lá na seção roleplaying ler um história, e sabe qual foi contemplada?
    kkkkk
    Bom tenho que dizer que aquele capítulo deu umas instigação de como o Nuito com seu conhecimento e muita audácia fez experimentos numa escala ampla, e como descobriu a solução dos problemas que criou, lembrou me bem que em várias áreas do continente Tibiano tem pântanos, não se restringe só em Venore como antigamente, tem outra parte daquela quest da bruxa nova, tem outra colada em Thais e muito ao sul dela tem até respawn de Swamp Trolls, boas ligações para a história - se não tiver relação com pantano viajei bonito kkkkk

    O restante comento quando ler, sucesso e boa sorte ai
    Passa na minha, também. Ingrato.

    @CarlosLendario

    Que lore mais interessante neste capítulo. As memórias de Nightcrawler são, verdadeiramente, um show a parte, assim como o próprio personagem, isoladamente. O que me chama a atenção é quanto rancor ele carrega dentro de si, e esse desejo de matar enriquece o personagem ainda mais. Não que ele precise de novos motivos, porque Nightcrawler é Nightcrawler, mas, bah. Ele é demais.

    Só gostaria de pontuar algumas coisas referentes à gramática, Carlos. O conteúdo do capítulo é fenomenal, como sempre, mas gostaria de indicar os seguintes trechos como sugestão para uma situação futura. Talvez, na ânsia por criar um conteúdo espetacular, você tenha acabado atropelando esses trechos, o que não é nenhum pecado, mas que amigo seria eu se não os apontasse?

    Mas Varmuda não parece estar muito a fim de me dar um descanso.
    Repare no negrito. "A fim" e "afim" são palavras diferentes.
    Embora exista muitas entidades, [...]
    Muitas entidades existem, certo? Então, embora "existam" muitas entidades.
    Mais da metade do mundo já botaram um preço pela minha cabeça.
    Quem já botou um preço pela minha cabeça foi mais da metade do mundo, que é um sujeito singular e, portanto, exige a concordância também no singular.
    São apenas apontamentos pontuais. Tenho certeza de que você não se chateará com eles.

    No mais:

    Sinceramente, ele sempre me pareceu meio bicha, mas ele é gente boa.
    Que TOPPEN VIADDOMMM! Leonard feelings. HAHAHAHAHAHA

    Lea. Ah, a Lea. Ah, a voluptuosa e farta Lea.
    Damn, it. Finalmente chegamos no ponto em que você me perguntava freneticamente sobre se eu conhecia algum sinônimo para "voluptuoso". É interessante ver nossas conversas se refletindo na sua escrita, de verdade. Gosto muito disso.

    Eu já matei mais de duzentos demônios, caralho. Um filho da puta de vermelho jogando sangue em mim nunca será o suficiente pra me parar. Por isso, se prepare, Senzo e companhia.


    Eu estou chegando.
    Rapaz, o capítulo se encerrou de maneira chocante. Óbvio que as memórias de Nightcrawler são suficientes por si só, mas essa confiança, esse destemor, somente fazem acentuar características básicas do personagem, que é incrível. Sinto-me mais atraído por Bloodtrip agora que ele retornou, não que precisasse de incentivo, mas admito que a história com Nightcrawler e Dartaul é mais envolvente do que sem eles, e isso é inegável. Nunca escondi.

    De mais a mais, aguardo pelo próximo capítulo, irmão. Este, especialmente, possui um conteúdo muito vasto, sem se tornar maçante. Muito bom o que você conseguiu fazer com ele.

    []'s
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  5. #165
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    Cara, tava de bobeira essa madrugada no serviço e pensei, poxa vou lá na seção roleplaying ler um história, e sabe qual foi contemplada?
    kkkkk
    Bom tenho que dizer que aquele capítulo deu umas instigação de como o Nuito com seu conhecimento e muita audácia fez experimentos numa escala ampla, e como descobriu a solução dos problemas que criou, lembrou me bem que em várias áreas do continente Tibiano tem pântanos, não se restringe só em Venore como antigamente, tem outra parte daquela quest da bruxa nova, tem outra colada em Thais e muito ao sul dela tem até respawn de Swamp Trolls, boas ligações para a história - se não tiver relação com pantano viajei bonito kkkkk

    O restante comento quando ler, sucesso e boa sorte ai
    Opa Izan, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Cara, na verdade, aquela área de Edron que Nuito escolheu pra começar seu plano acabou virando um pântano depois de ser curada, exatamente como é hoje em dia. Eu levo em conta que pântanos um dia já foram lagos ou rios comuns antes de alguma condição de milhares de anos alterá-lo (Ou tô brisando mesmo). Mas os pântanos que você mencionou não tem relação com a história, infelizmente.

    Agradeço a presença, parceiro.

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Que lore mais interessante neste capítulo. As memórias de Nightcrawler são, verdadeiramente, um show a parte, assim como o próprio personagem, isoladamente. O que me chama a atenção é quanto rancor ele carrega dentro de si, e esse desejo de matar enriquece o personagem ainda mais. Não que ele precise de novos motivos, porque Nightcrawler é Nightcrawler, mas, bah. Ele é demais.

    Só gostaria de pontuar algumas coisas referentes à gramática, Carlos. O conteúdo do capítulo é fenomenal, como sempre, mas gostaria de indicar os seguintes trechos como sugestão para uma situação futura. Talvez, na ânsia por criar um conteúdo espetacular, você tenha acabado atropelando esses trechos, o que não é nenhum pecado, mas que amigo seria eu se não os apontasse?


    São apenas apontamentos pontuais. Tenho certeza de que você não se chateará com eles.

    No mais:


    Que TOPPEN VIADDOMMM! Leonard feelings. HAHAHAHAHAHA


    Damn, it. Finalmente chegamos no ponto em que você me perguntava freneticamente sobre se eu conhecia algum sinônimo para "voluptuoso". É interessante ver nossas conversas se refletindo na sua escrita, de verdade. Gosto muito disso.


    Rapaz, o capítulo se encerrou de maneira chocante. Óbvio que as memórias de Nightcrawler são suficientes por si só, mas essa confiança, esse destemor, somente fazem acentuar características básicas do personagem, que é incrível. Sinto-me mais atraído por Bloodtrip agora que ele retornou, não que precisasse de incentivo, mas admito que a história com Nightcrawler e Dartaul é mais envolvente do que sem eles, e isso é inegável. Nunca escondi.

    De mais a mais, aguardo pelo próximo capítulo, irmão. Este, especialmente, possui um conteúdo muito vasto, sem se tornar maçante. Muito bom o que você conseguiu fazer com ele.

    []'s
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Esses erros foram de empolgação e passaram pela revisão sem que eu percebesse. Não vão se repetir.

    Eu aproveitei essas últimas partes para salientar coisas sobre Nightcrawler, sua personalidade e o que o levou a ir sozinho para Chaur. Ainda farei mais disso, com o propósito de dar mais sentido as coisas, já que a história nunca foi exatamente um show de ação. E as conversas e inclusive a sua história tem me ajudado bastante, então dá pra você notar uma coisa ou outra delas nos capítulos.

    Eu aposto que o Leonard falaria isso mesmo ao saber que o Palimuth tinha uma queda pelo Nightcrawler

    E fico feliz que o formato que tomei pro capítulo tenha agradado, de verdade. Faz muito tempo que não escrevo nada em primeira pessoa, então é bom saber que não tive uma queda de qualidade nesse quesito. Nesse capítulo aqui eu também tomei uma abordagem diferente das outras na história, então espero que esteja bom também.


    Obrigado pela presença fiel, cara. Tem ajudado bastante a história.












    Chegou o capítulo prometido! Depois de tanto tempo só na tensão, finalmente voltaremos a ter ação.

    Para dar início, deem uma olhada nessa ilustração feita pelo @Showman (E que eu intensifiquei as cores, pode me socar depois):





    Fiquei realmente feliz com essa ilustração. É uma ótima sensação quando algo que você escreve toma forma! Muito obrigado pelo trabalho, Showman!


    Agora, vamos ao capítulo.




    No capítulo anterior:
    Nightcrawler tem um monólogo. Ele reflete seus próprios motivos e a sua situação, além de lembrar de quem deseja que ele retorne.




    Capítulo 33 – Diluvio




    Chove sobre as planícies mais temidas do continente tibiano. O dia cinzento não dá sinais de que voltará a ser ensolarado e bonito.

    Se é que já foi bonito algum dia.

    As Planícies do Horror são temidas devido as inúmeras criaturas que podem ser encontradas por toda a sua extensão, seja na superfície ou no subterrâneo. Outro fator que ajuda a alimentar o medo nas lendas ao seu respeito é que as criaturas que são mortas lá sempre retornam, e atacam quem as matou com mais vigor e ódio. As coisas que podem ser encontradas lá são variadas, desde mortos-vivos até aranhas gigantescas.

    Entretanto, como Nightcrawler já sabe, elas não irão atrapalhá-lo. Até porque já faz 12 anos desde que as planícies não possuem mais vida, e 12 anos desde que as chuvas começaram a maltratar as terras ao redor de um ponto fatídico: Chaur.

    Andando com atenção planície abaixo, ele vê a cidade estranha logo adiante. A chuva não está forte, mas quando ele chegar lá, ela certamente irá piorar. Para contornar isso e as roupas molhadas não o atrapalharem, ele usa o controle sobre o fogo dos feiticeiros para esquentar sua roupa o suficiente para ela não ser afetada pela água, e ao mesmo tempo, evitando que ela aumente desnecessariamente a sua temperatura corporal. Uma tática dessa leva anos de prática, algo que Nightcrawler certamente possui.

    Mais uma hora de caminhada. Ele não se importa. Quanto mais demorar, melhor sua estratégia será.

    O detetive esteve pensando muito desde que deixou os territórios de Thais e começou a ir na direção do caminho que leva a Venore. Sabe que cedo ou tarde, as pessoas que o ajudaram perceberão que foram usadas. Mas, desde o começo, ele nunca quis ajuda. Trevor se ofereceu no começo, e trouxe mais pessoas para o caso, pois sozinho ele não faria nada. Talvez pudesse, mas não nas circunstâncias que ele preparou em Yalahar. Mas, no fim, ele nunca quis ajuda, e sempre sentiu um incomodo em deixar aquelas pessoas frente a frente com os assassinos mais perigosos que Tibia já viu.

    Outro incomodo desde que deixou Thais era o fato dele conhecer aquele caminho perfeitamente. Ele não sabia até agora onde ficava Chaur, mas quando disse o nome desse lugar para Soulslayer, na emboscada do Arsenal de Ratos, ele percebeu que sabia perfeitamente como chegar lá. Não só isso, ele acabou se lembrando de eventuais vezes onde sofreu com lapsos de memória que o davam as informações que ele estava procurando.

    É como se Varmuda estivesse lhe ajudando inconscientemente de alguma forma. Passando para ele tudo que ela sempre soube a respeito da Irmandade, mas quis contar na hora certa, para que nada desse errado. A verdade é que Nightcrawler não é um detetive extremamente genial como aparentava ser, e era perfeitamente inclinado para cometer erros, como em Yalahar. Ele sabe bem disso, e Varmuda também fazia questão de lembrá-lo disso o tempo inteiro. Então esses lapsos eram convenientes para ele.

    Você não é o melhor detetive de Tibia. Você é você. E tem uma missão a cumprir.

    Desde que mantivesse isso em sua cabeça, poderia fazer qualquer coisa.

    Nightcrawler lembra que só agora que ele está chegando um pouco mais perto do seu período de auge, onde podia lutar contra dezenas de demônios sem parar. Lembra do seu passado. De tudo que sofreu até chegar ali. De como perdeu seu amigo, Senzo, para suas próprias aspirações. E de como o próprio parece ter arrancado parte de seu poder de seu corpo.

    E, naquele momento, ele pensa que as leituras espirituais que eventualmente eram encontradas no sangue que a Irmandade usava tinham relação com a Manipulação de Almas. Ele precisa confirmar isso com seus próprios olhos, tirando todos de seu caminho para lidar com seu problema maior: Sarutevo.

    Mas Soulslayer também é um problema imenso. Ele não é o líder, mas tem um nível de poder bem alto, sendo respeitado por todos lá dentro. Certamente todos tentarão atrasá-lo e cansá-lo antes que chegue no seu nemesis, para que assim a luta seja mais fácil para Senzo. Mas ele não planeja deixar isso acontecer. Ele fará o possível para aguentar até o final.

    Mesmo que ele não esteja tão convencido de que vá conseguir.


    A chuva está mais intensa e cai com mais vigor. Chaur some pouco a pouco no horizonte, como se fosse uma ilusão. Como se Nightcrawler não fosse convidado para entrar nessa cidade. Caso ele se perca no meio dessa chuva, é capaz que ele fique vagando para sempre ao redor de Chaur, mas nunca veja a cidade nem sinal de que ela está por perto.

    Provavelmente esse é o mecanismo de defesa da cidade, que impede que qualquer um entre nela.

    Nightcrawler não aceita que os membros da Irmandade estejam simplesmente negando-o, como se ele não fosse nada para os seus assassinos de vermelho. Ele já parece notavelmente irritado pela cidade estar começando a sumir, então ele decide fazer algo que talvez os atraia.

    — Isso vai me desgastar um pouco — Murmura para si mesmo o detetive. — Mas não tenho escolha, tenho?

    Suzio para e olha para o céu, ignorando as gotas de chuva que entram pelas cavidades de sua máscara e tocam sua pele levemente maculada pelo tempo. Em seguida, ele suspende seus braços, e fica um tempo parado, deixando a chuva atingir suas roupas e desaparecer ao contato, devido a sua magia de evaporação de líquidos, que acaba deixando-o impermeável.

    Ele concentra-se ao fundo de sua alma. Escava suas memórias. Seus medos, seus sentimentos mais profundos. Encontra alegria, tristeza, felicidade, desgraça. Ódio e melancolia. Raiva e serenidade. Fúria e depressão. Ele busca o que nunca tentou buscar antes.

    Ele se vê dentro de um imerso mar escuro, com apenas uma luz tímida vinda do sol iluminando partes desse lugar sem esperança. Seu próprio vasto mar de sentimentos, memórias, sensações, tudo que for de mais humano. Vê peixes ao seu redor, também tímidos a ele, ou simplesmente temerosos demais. Ele não é um peixe. Ele não é um ser do mar. Ele não é comida, tampouco um predador. Ele não é um espírito.

    Ele não é humano.

    Ele vira-se para encarar o lado escuro logo atrás dele. Ele não vê nada. O sol não consegue penetrar aquele lugar, apesar dele ser parte da superfície. Aquela sombra parece ser onipotente, quase inteiramente capaz de sugar a própria luz. Eventualmente, ele vê movimentos estranhos, coisas estranhas observando-o na escuridão. Ao tentar se aproximar, ele sente seu coração ser envolvido por uma mão fria e um solavanco avassalador na barriga.

    Isso sou eu.

    Uma criatura distorcida surge da escuridão. Ela parece ser incrivelmente parecida com Nightcrawler, sem sua máscara, mas ela possui vários olhos espalhados pelo seu rosto, bem como alguns dentes aqui e ali. Ela possui nadadeiras quase destruídas por várias outras criaturas ao longo do tempo ao invés de braços, e tentáculos, ao invés de pernas. Uma crista de tubarão na cabeça, uma fileira de chifres podres da nuca até a outra ponta das costas. Há olhos nesses tentáculos. Há olhos nessas nadadeiras. Há olhos na crista, e nos chifres.

    Por que tantos olhos?

    Para olhar para a escuridão no seu lugar.

    Os inúmeros olhos que observavam os arredores viram-se todos para Nightcrawler, em uníssono.

    Que tal olhar para si mesmo?

    Que tal ver o quão desprezível e nojento você é?

    Que tal fitar essa escuridão que insiste em correr para fora de sua casca, a ponto de destruir o mundo?

    Quer dizer que você vai enfrentar aquele que afundou seu coração nessa treva apenas por causa de Tibia? Você realmente se importa com Tibia? Você se importa com os deuses, com os humanos, elfos, anões, orcs, minotauros e qualquer outra coisa viva desse mundo?

    É claro que não. Somos iguais, Nightcrawler. Queremos destruí-lo apenas por desejos egoístas. Queremos vingar nossos amigos. Queremos vingar Estella, pois ela nunca teve a chance de ao menos dizer que te amava. Queremos vingar tudo que foi vitima de coisas malignas, não importa se nos unimos a um demônio, da mesma raça que matou dezenas de amigos e conhecidos seus, que te fez sofrer mais do que Senzo e companhia.

    Hipócritas, egoístas, egocêntricos, arrogantes, nojentos, odiosos, vingativos, assim somos nós, Suzio. Assim... Somos... Nós.


    Assim somos nós.

    Pois tô pouco me fodendo se os demônios mataram várias pessoas que eu gostava. Eu não sou deus para derrotá-los.

    Eles são a balança de Tibia. De um lado está os deuses, do outro está os demônios.

    De um lado, a divindade, do outro, a maldade.

    Eu não tenho poder para quebrar essa balança, pois seria o mesmo que partir o mundo em que eu existo ao meio.

    Ao invés de quebrá-la, eu criei minha própria balança. Eu estou de um lado. Senzo do outro.

    Mas já passou da hora de quebrá-la. Não por Tibia. Por mim mesmo.


    Excelente.

    Estamos lutando. Mas não por algo desse mundo. Mas por nós mesmos.


    A criatura desaparece, e Nightcrawler sente a urgência de subir para a superfície.

    Ele nada, rapidamente, até o topo, que o espera ansiosamente. Não importa se Suzio não se importa com o mundo, o mundo se importa com ele. Mesmo que ele seja destruído futuramente por causa dele, pouco importa.

    Tibiasula não tem o dever de desgostar de alguém por esse alguém não gostar dela.

    Nightcrawler sai da água. E do devaneio.

    Um espírito de mais de oito metros levanta-se junto do detetive. Laranja, de contornos brancos, com um rosto que lembra vagamente o de uma coruja. Ele levanta-se, de braços suspensos, na mesma pose que o detetive, e afasta a chuva numa grotesca e gigante onda de choque, fazendo a própria chuva parar de chover, e o clima ao seu redor ficar somente nublado apenas por um instante.

    Logo, o espírito some e a chuva volta a cair. Chaur está bem mais visível agora, mesmo com a chuva intensa.

    — Até que enfim. — Murmura Nightcrawler, com um sorriso. — Que trabalheira dos infernos.

    O detetive anda rapidamente até Chaur, mais preparado do que nunca. Cumpriu o último requisito, que esteve adiando até sua chegada na cidade. Ele se aceitou. Assim como Senzo fez, há um bom tempo.



    ~*~



    A cidade chuvosa de Chaur possui um estilo de edifícios peculiar. Todos eles parecem ser feitos de ferro, e diversos deles parecem ser feitos de tijolos a partir de sua base. Os edifícios mais próximos do centro são feitos de mármore negro, e parecem ser bem antigos.

    Ele vê a torre de uma catedral no centro da cidade. Já achou seu destino.

    Ao andar pelas ruas, nota que elas são mais modernas que as de Thais, a atualmente mais moderna cidade de Tibia. Asfalto no centro, concreto nas calçadas. Postes a gás aqui e ali.

    Nightcrawler não se sente em Tibia ao pisar naquela cidade, pois ela parece ter sido retirada de alguma ficção presente em algum livro. Ela parece ser de uma época muito adiante, desconexa e confusa, tão distante e futurista que parece inimaginável para um tibiano comum. Andando pelas ruas desertas, ele nota que todas as janelas estão fechadas, e que as possíveis lojas onde estariam um vendedor ou outro estão fechadas, tapadas com placas de madeira.

    Ele já era esperado, aparentemente.

    O detetive faz seu caminho até a catedral. Há algum tempo notou vultos nos telhados, sombras estranhas em chaminés e escuridão em becos que deveriam ser claros. Cada passo seu está sendo observado e calculado. Se ele fizer um movimento estranho, acabou. Nem seu poder será capaz de segurar aqueles Sangues saindo de todos os cantos, pulando da escuridão para tomar-lhe o seu sangue. Ele, obviamente, precisa atrai-los para um local espaçoso. A catedral pode ser o suficiente.

    E se eles não o atacaram ainda, significa que tanto Senzo quanto Sarutevo querem que ele venha para a catedral.

    Demora quase dez minutos para chegar lá. Chaur é um pouco grande para uma cidade escondida em meio a uma chuva incessante.

    Ao chegar em frente dela, ele sente dezenas de presenças em todos os lados. Ao pegar seu relógio de um bolso do seu sobretudo, ele faz de conta que está olhando as horas, quando está apenas tentando detectar quantas pessoas estão atrás dele pelo vidro do objeto. Ele consegue identificar quarenta e seis sombras em cima de todos os telhados ao seu redor.

    Levemente hesitante, ele guarda o objeto e abre os portões da Catedral Sombria. É chegada a hora de lidar com seu destino.

    Ao entrar, ele deixa sabe-se lá quem fazer seu trabalho e fechar os portões atrás dele. Adiante, há várias tochas acesas, em todos os cantos. Um segundo andar pode ser visto, com algumas tochas a menos. Assim como por fora, por dentro ela é feita inteiramente de mármore negro, cuidadosamente lapidado e posicionado. A luz das tochas dança ao seu redor, trazendo ilusões para sua visão periférica.

    Mas dentro de Chaur, não há ilusões, nem falsas impressões. Tudo é real.

    Logo, Nightcrawler está cercado pelos mais de quarenta Sangues de antes. Seja embaixo, em cima, todos aguardam pelo seu momento. Pela ordem do absoluto, aquele que os lidera nas sombras e nunca revela seu rosto. Entretanto, hoje, ele decidiu mostrar seu rosto.

    No andar acima, ele surge em meio aos vários Sangues, todos com o mesmo uniforme característico da Irmandade do Caminho de Sangue. A roupa vermelha, a cobertura de manequim protegendo o corpo físico, todos esses sinais estão ausentes em Sarutevo. Ele possui braços que contam com duas veias enormes, parecendo cobras, serpenteando por toda a sua extensão, entrando pelo seu pulso antes de alcançar sua mão. Uma é negra, a outra é vermelha. Elas estão vivas, devido a saturação intensa de sua cor.

    Essas duas veias vão até seu pescoço e atravessam seu rosto também. Elas serpenteiam para trás da cabeça, e parecem dançar pelas suas costas antes de alcançar as pernas, fazer uma nova volta e chegar no tronco, misturando-se com a outra dúzia de veias iguais. Seu corpo é escuro, lembrando cinzas, e musculoso. Seu cabelo é quase inexistente, mas parece – ou parecia – liso e longo. Ele tem a mesma cor escura do seu corpo, embora seja mais intensa.

    Ele põe as mãos sobre a mureta de mármore escuro que separa aquele andar do térreo, e fita Nightcrawler com seus olhos vermelhos, que parecem mais intimidadores do que de qualquer outro demônio.

    — Bem vindo. — Lança Sarutevo, com uma voz grossa e intimidadora.
    — Obrigado. Falaram que aqui tinha bebidas grátis. Não sou muito de beber, mas gosto de fazer alguns amigos.
    — Gosta de fazer piadas, não é, Suzio Bahrl Resgakr? Honestamente, não me importo que você as faça. É uma presença totalmente diferente da nossa, afinal.
    — É. Sou mesmo. E eu não gostei muito de vocês, então acho que tenho que fazer algo a respeito disso, não é? Acho que você concorda.

    Sarutevo ri moderadamente. Algo que não devia fazer a séculos, por isso a risada parece mais intimidadora que a própria voz dele.

    — Claro que concordo... Senão, eu não teria trazido meus seguidores comigo.

    Suzio passa o olho pelos Sangues. Identifica Hator e mais alguns outros, mas não encontra Stanni’al ou Onni’aw, tampouco Lalori. Provavelmente eles foram atrás de Zoe. Logo, ele vê, no andar térreo, surgindo no meio dos Sangues, aquele que é perfeitamente o outro lado da balança. O homem que possui a mesma vestimenta que os Sangues comuns, tirando o fato de que ele possui um símbolo peculiar no peito e acima da região do seu olho, ambos presentes no lado direito de seu corpo.

    Soulslayer aguarda o inicio do combate. Espera apenas pela ordem do mais poderoso deles. Por fim, Sarutevo suspira devagar, e olha com desprezo para o detetive. E sorri.

    — Sangue para o deus do sangue.

    Todos os Sangues avançam ao mesmo tempo contra Nightcrawler logo ao final da sentença do líder. O detetive já estava preparado.

    O poder demoníaco de Varmuda envolve seus braços, metade de seu tronco e sua cabeça. Seu rosto está envolvido por um rosto demoníaco e sorridente. O espírito laranja que o envolve parece mais animado do que Suzio, e inicia o combate antes dele. Ele salta para fora da proteção que criou ao redor de seu receptáculo e gira com os braços levantados, atirando todos os membros para longe, e retorna.

    Suzio defende o primeiro Sangue pessoalmente em menos de três segundos, socando seu rosto. Ele soca outro, e mais outro, e mais outro. Salta para trás e chuta o rosto de mais um ainda no ar, e martela a cabeça de outro juntando ambas as mãos e batendo para baixo antes mesmo do Sangue aparecer. Mais um aparece na sua frente, e ele chuta sua barriga e soca-o com a mão esquerda.

    Cordas com pontas de lança afiadas surgem a partir da energia que o protege e acertam múltiplos Sangues. Oito baixas para Sarutevo, zero para ele.

    Hator surge ao longe. Esse membro possui chifres de cabra na testa, e de um touro nos ombros. Seus braços possuem desenhos de ondas escuros, e sua roupa é de um carmesim escuro e sombrio. Sua arma é uma katana. Este, ao invés de se juntar aos Sangues que queriam acertá-lo com pulsantes, ele os chuta, um a um, na direção de Nightcrawler. O mesmo projeta uma grande e afiada espada na mão direita, e a usa para fatiar cada um dos membros atirados na sua direção. Treze para Sarutevo, zero para ele.

    Ao chocar-se com Hator, ele percebe um desenho de um meio-círculo com uma chama no centro na sua máscara de manequim, ambos negros. Não é um detalhe importante para Suzio, que chuta seu joelho, gira rapidamente sua lâmina – arrancando a cabeça de outro Sangue no processo – na tentativa de acertar Hator, e chuta novamente o peito dele, mas seus golpes não funcionaram. Todos defendidos.

    Hator pula e tenta chutar o rosto de Nightcrawler, mas ele defende com ambos braços. O mascarado usa um chute giratório, defendido por apenas um braço de Hator. O que ficou sem uso é usado para um golpe reto na lateral, abaixo de sua axila, mas seu alvo abaixa-se a tempo. Ao se abaixar, ele chuta seu tornozelo direito, fazendo Hator se desiquilibrar, e enquanto este aguarda que Nightcrawler use um golpe da espada projetada, para sua surpresa, percebe que o detetive nem mesmo está no chão mais. E sim acima dele.

    Suzio concentra energia no braço direito e soca Hator contra o chão. Com o impacto, Hator quebra sua máscara e a área peitoral do manequim. Em seguida, ele refaz a espada de antes e finca ela na nuca do Sangue, enquanto este tentava se levantar. Uma grande perca para Sarutevo, convencido de que deixar apenas dois dos antigos oito melhores na sua base seria o suficiente para parar o seu principal inimigo.

    Na verdade, Suzio se mostra muito mais do que Sarutevo ou até ele próprio esperava ser. Derrotando e lançando membros para todos os lados, escapando de seus pulsantes e suas adagas brilhantes, ele percebe que sua força está imensa e imparável. Como um herói de alguma lenda, lidando com várias criaturas ao mesmo tempo. Algo que nem Suzio compreendia que fosse possível. O poder de Varmuda parece ter crescido só dele ter tirado sua conexão com ela. Mas isso traz uma desvantagem severa para ele: O que ele descobrir ali, jamais será dito a ninguém.

    Afinal, Nightcrawler sabe que não irá sobreviver.

    Ambos os seus olhos estão negros, com o losango alaranjado no centro, e a pupila negra no meio dele. Sua Manipulação de Alma está galopando para o limite em pouco tempo. Felizmente, os números da Irmandade já caíram bastante.

    Subitamente, os membros param e todos eles explodem seus pulsantes ao mesmo tempo. Ele recua. Não esperava por isso, o que o faz reforçar sua própria proteção para evitar ser pego pelo efeito daquela arma nociva. E antes do que espera, uma explosão enorme cobre o salão da catedral. Quase é pego nela.

    Quando ela se dissipa, sobra apenas um pó avermelhado cobrindo parte da visão adiante, e desse pó, dois membros saltam na sua direção. Um deles possui uma linha grossa de tinta azul no lado esquerdo do rosto, lembrando os bárbaros de Svargrond. O outro possui inúmeras marcas de queimado pelo uniforme, e vários símbolos semelhantes ao que Soulslayer possui no peito, mas este está distribuído por toda a extensão do manequim do seu corpo. Ele sabe o que significa: Explosão.

    O primeiro membro é lançado pra frente por uma pequena explosão do outro, e enquanto ele avança, dezenas de espinhos carmesins o acompanham do chão. Aquilo parece problemático para as habilidades de Nightcrawler, então ele salta para o ar. O Sangue dos espinhos usa um deles para saltar para cima, crescendo seus espinhos mais e mais, mas subitamente ele é lançado para cima por alguma força estranha, indo mais a frente dos seus espinhos que o normal. Força projetada por Suzio.

    Suzio sorri maleficamente e soca o peito dele, atirando-o contra os próprios espinhos e matando-o. Após isso, ele estende o braço espiritual que possui contra uma das paredes ao seu lado e vai na direção dela. Subitamente, ele entra dentro dessa parede, e surge atrás do Sangue das explosões, sem ele perceber, enquanto este está no chão, procurando-o.

    Antes que os espinhos sumam, ele usa um chute cavalar para erguê-lo para cima, salta para junto dele, e acerta uma cotovelada insanamente poderosa no seu peito, atirando-o contra os espinhos feitos de sangue do companheiro. Ele acerta os espinhos antes deles sumirem, abrindo vários buracos pelo seu corpo. Dezesseis para Sarutevo, zero pra ele.

    O pó vermelho que se acumulou ao redor de onde estava Sarutevo se dissipa. Todos os membros o atacam de surpresa, mas, como esperado, isso não funciona, pois o detetive convoca uma explosão mágica de alto poder. Nos minutos seguintes, Nightcrawler permanece lutando sem parar. Ele soca, chuta, esmaga, e até mesmo usa o espírito que personifica Varmuda para devorar parte do tronco de alguns dos Sangues. Enquanto essa luta desvairada e descontrolada ocorre, Soulslayer e Sarutevo observam. Não há muito mais o que fazer. Eles realmente subestimaram o detetive. Pois, aparentemente, Nightcrawler jamais mostrou tamanho poder antes. É como se ele tivesse guardado tudo aquilo para o momento certo de usar.

    Ou simplesmente ele não se preocupa mais com a própria alma e prefere usá-la inteiramente para destruir seu inimigo.

    Passam-se alguns minutos. Sarutevo possui quarenta baixas. Nightcrawler ainda está de pé. Ninguém sequer tocou ele. Ele fita Sarutevo, e Soulslayer, logo ao lado dele.

    — Tá fácil ainda. — Disse, sorrindo — Mande o que tiver de melhor, Sarutevo.

    O líder dos Sangues mexe a cabeça negativamente, como se estivesse decepcionado pelas percas. É como se tivesse criado um grande grupo de gente inútil, buchas de canhão para intimidar os fracos e fazer crer que eles eram realmente onipotentes. Aquele detetive está ali pra provar que não.

    Soulslayer treme um pouco. Não de medo, mas de excitação. Está aguardando ansiosamente pela ordem de seu mestre, mas mal pode se conter.

    Ele vê uma marca de mão na barra de ferro que separa os andares. Ela brilha numa coloração vermelha. A autorização.

    Um sorriso se forma na máscara de madeira de Soulslayer. Ele explode em sangue e aparece logo abaixo em menos de um segundo.

    — NUITO! Eu esperei muito por esse momento. — Grita Soulslayer, mal se contendo de alegria.
    — Meu nome não é Nuit... Ah, tanto faz. Chame-me do que quiser. Isso não fará diferença quando você estiver estirado no chão.
    — É claro que é Nuito. Você tem o Resgakr no nome. Assim como ele.

    Nightcrawler levanta uma sobrancelha. Não se lembra de ninguém na sua família que se chamasse de Nuito. Na verdade, ele mal conhece a própria família, então faz sentido que ele não saiba quem esse homem é, e que Soulslayer esteja confundindo os dois.

    — Não acredita? Eu matei aquele que se chamava Suzio há muitos anos, e de repente, alguém de personalidade diferente e levemente exótica toma seu lugar e assume seu nome e sua genialidade. Não conheço ninguém senão você, Nuito, para substitui-lo. Afinal, se Ember ainda está viva, isso significa que você também estaria. Mas... Onde ela está? Onde a escondeu esse tempo todo?
    — Uman. Ou qualquer outro caralho de entidade. Você tá falando muita, mas muita merda. Pois eu não sei quem é Ember, nem quem é Nuito. Mas sei quem é você. Você matou Estella e todos os meus amigos nas Plataformas do Inferno. Aqui se faz, aqui se paga, Senzo Niban.
    — Senzo... Niban. Isso me traz memórias.

    Suzio, pela primeira vez desde que chegara, pega duas facas com runas mágicas escritas e prepara-se para o combate decisivo. Os Sangues que ainda sobraram nem pensam em incomodá-los, afinal, é o grande show. É o que Sarutevo também espera.

    Senzo gera dois pulsantes do nada e os esmaga com as suas mãos, revelando duas adagas longas, brilhantes e afiadas.

    — Sangue para o deus do sangue.
    — Inferno para o fugitivo do inferno.

    Em uníssono, um salta na direção do outro.






    Próximo: Capítulo 34 – Fatal




    BLOOD FOR THE BLOOD GOD
    warhammer intensifies








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  6. #166
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    Para dar início, deem uma olhada nessa ilustração feita pelo Showman (E que eu intensifiquei as cores, pode me socar depois)
    Que nada, o importante era passar a ideia, a partir daí vc que decide o que faz com o desenho, se quisesse poderia botar até os personagens de lingerie nayrnyarnyar. No mais boa sorte com a história (Y)
    (OuO)

  7. #167
    Avatar de Neal Caffrey
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    Que final de capítulo. Céus.

    Nigthcrawler, como não economizo em dizer, é um dos personagens mais impressionantes com que já tive contato. A força que ele demonstra e a aparente calma diante de certos desafios somente o tornam uma figura ainda mais peculiar. As reflexões de Suzio ao encarar seu eu também foram um alto ponto do capítulo e, embora ele discorde, considero-o o maior detetive de Tibia. Sensacional, como sempre.

    No mais, mais um capítulo que finda com um combate pela metade. Isso é importantíssimo pra que as atenções estejam voltadas pro próximo. É evidente que Bloodtrip é uma história que chama a atenção por si só, mas, verdade seja dita, as cenas em excesso enriquecem a história em seu nascituro. E a representação do @Showman do Nightcrawler, rapaz. Já tinha tido a oportunidade de comentar sobre ela contigo oportunamente e, embora não tenha sido exatamente uma surpresa, continuou sendo uma ilustração muito, mas muito legal. Deve ser a mesma sensação que J. K. Rowling teve quando viu sua série de 7 tomos se transformar em 8 filmes, ou quando J. R. R. Tolkien viu o que foram capazes de fazer com sua série de volumes.

    Sensacional o seu trabalho até agora como de praxe, Carlos. Prossiga nesse caminho que ele só tem um destino.

    []'s
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  8. #168
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    Padrão Capítulo 34 - Fatal

    Citação Postado originalmente por Showman Ver Post
    Que nada, o importante era passar a ideia, a partir daí vc que decide o que faz com o desenho, se quisesse poderia botar até os personagens de lingerie nayrnyarnyar. No mais boa sorte com a história (Y)
    Boa Wrath, disse isso pois tem muitos desenhistas que se incomodam quando suas obras são alteradas, então fiquei um pouco receoso de fazer o que eu fiz (Apesar de não ter mudado tanto o que você mandou de início).

    Mais uma vez, muito obrigado pelo desenho, cara. Ele tá realmente excelente.

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Que final de capítulo. Céus.

    Nigthcrawler, como não economizo em dizer, é um dos personagens mais impressionantes com que já tive contato. A força que ele demonstra e a aparente calma diante de certos desafios somente o tornam uma figura ainda mais peculiar. As reflexões de Suzio ao encarar seu eu também foram um alto ponto do capítulo e, embora ele discorde, considero-o o maior detetive de Tibia. Sensacional, como sempre.

    No mais, mais um capítulo que finda com um combate pela metade. Isso é importantíssimo pra que as atenções estejam voltadas pro próximo. É evidente que Bloodtrip é uma história que chama a atenção por si só, mas, verdade seja dita, as cenas em excesso enriquecem a história em seu nascituro. E a representação do @Showman do Nightcrawler, rapaz. Já tinha tido a oportunidade de comentar sobre ela contigo oportunamente e, embora não tenha sido exatamente uma surpresa, continuou sendo uma ilustração muito, mas muito legal. Deve ser a mesma sensação que J. K. Rowling teve quando viu sua série de 7 tomos se transformar em 8 filmes, ou quando J. R. R. Tolkien viu o que foram capazes de fazer com sua série de volumes.

    Sensacional o seu trabalho até agora como de praxe, Carlos. Prossiga nesse caminho que ele só tem um destino.

    []'s
    Opa Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Nightcrawler brilhará muito nesse final, para o seu alento. Isso eu garanto. E, originalmente, eu não ia colocar essas reflexões, mas foi algo que me surgiu enquanto escutava alguns dos mixes que deixei no capítulo da luta entre Nuito e Senzo. Ele simplesmente entrar em Chaur e matar todo mundo me parecia muito seco.

    E sim, Wrath fez um ótimo trabalho, mas não me senti exatamente como Rowling ou Tolkien; Talvez parecido com como quando algum fã fez uma reprodução artistica de algo dentro da obra de ambos. Mas ainda assim, é uma ótima sensação.

    Espero que esse capítulo te agrade, pois pra mim, foi um ótimo trabalho.













    E aí, vamos ao penúltimo capítulo de Bloodtrip?

    Para quem curtir ou não se incomodar com eletrônica ou dubstep, eu recomendo escutar algumas das músicas do Dex Arson enquanto a luta estiver no seu ápice, o que dura boa parte do capítulo, e recomendo fortemente essas duas pro início da luta, pois são as que usei para escrever.


    Espero que gostem do capítulo! Essa será a última semana de Bloodtrip!





    No capítulo anterior:
    Nightcrawler aceita seu lado ruim antes de entrar em Chaur, o que lança uma grande massa de poder aos céus forte o suficiente para atrair a atenção da Irmandade. Dessa forma, ele consegue entrar na cidade e chegar até a catedral onde eles se organizam. Lá, ele acaba com a maioria dos Sangues antes de se encontrar e começar a lutar com Soulslayer.





    Capítulo 34 – Fatal



    A morte aguarda as criaturas mais bondosas e as mais nefastas, dando-lhes uma punição na mesma medida: Um descanso.

    O jovem moreno de olhos escuros observa o deserto logo além das fronteiras da cidade de Darashia. Logo, um jovem, com padrões um pouco pálidos de pele para os darashitas, surge por trás de um edifício. Eles estão logo ao lado da torre de vespas e abelhas, de onde vem outra grande fonte de riqueza para Darashia: O mel.

    O moreno está com uma expressão agridoce – um pouco preocupado, e um pouco animado –, tão distraído que nem perceberia se um ladrão batesse seus bolsos. Não que ele tivesse algo neles, já que não passa de um jovem com vestimentas puídas, sujo de areia, fácil de ser ignorado. Já o outro parece melhor cuidado e limpo. Está de bermudas verdes e uma regata branca e folgada. O moreno usa bermudas brancas e um único colete bege e sujo.

    — Ei, Suzio! O que faz aí? É perigoso! — Questiona o rapaz branco, de dez anos, assim como Suzio.
    — Ontem... Ontem, eu vi ela. Aquela criatura gigante, de olhos alaranjados.
    — Você viu... O Nightcrawler?
    — Sim... Ele olhou pra mim e voltou pro chão. E não voltou mais.
    — Eu não acredito! Você será alvo dele na próxima vez... Suzio... Você não pode morrer tão cedo!

    Suzio virou-se para Senzo e abriu um sorriso sorrateiro.

    — Não esquenta, Senzo. Meus pais me deixaram a mercê dos vizinhos doidos que eu tenho e eu não morri até agora. Não vai ser uma lacraia gigante que vai me matar agora. E se eu continuar vivo, vou tomar o nome dessa criatura pra mim, pode apostar!

    Senzo parece preocupado, mas ri da frase de Suzio. Ria muitas vezes dele sempre que o encontrava.

    — Tudo bem. Vamos embora de Darashia logo, então.
    — Vamos!


    Queria que essa época tivesse durado mais tempo.

    Pra eu não me matar dessa maneira estúpida só por sua causa, Senzo.



    O choque das armas de ambos sacode todo o salão da catedral. As armas de Nightcrawler evaporam ao contato, então ele se vê obrigado a tomar outra decisão rápida para contra-atacar os punhais vorazes de Soulslayer.

    Ele enche ambos os braços de sua energia demoníaca mais uma vez e aplica vários jabs seguidos no oponente, mas ele desvia de todos. No último, ele desaparece em sangue e aparece logo atrás de Nightcrawler, dando-lhe um chute reto na ponta final de sua espinha, fazendo ele se curvar e morder a própria língua tamanha a força do chute. Jogado para a frente, ele aproveita que está indo direto para o chão para entrar dentro dele antes que Soulslayer tente algo, mas ele é mais rápido. Ele atira seu punhal, ligado com uma corda quase transparente, e acerta a arma no sobretudo do inimigo, puxando-o em seguida.

    Para o azar do detetive, sua vestimenta é mais resistente que o normal, e ele é puxado para trás pela força colossal de Soulslayer. Ele força sua entrada contra o chão tocando ambos os pés nele, e tem sucesso; Ele reaparece logo atrás de Soulslayer, mas este já estava preparado previamente, e usa um chute cavalar – do mesmo tipo que Nightcrawler usou antes – forte o suficiente para atirá-lo contra o ar. Em pouco tempo, dezenas de agulhas surgem ao lado de Soulslayer e correm em alta velocidade atrás de seu alvo. O homem só tem tempo de proteger o torso para cima, e criar uma proteção superficial para as pernas. No último segundo, ele ainda consegue tempo para uma última proteção.

    Utamo Vita!

    Ninguém nunca o colocou sobre tanta pressão antes. A situação está exatamente como na primeira vez em que ambos se enfrentaram.

    Nightcrawler se impulsiona com energia psíquica contra a parede do salão logo atrás dele, e reaparece no lado esquerdo de Soulslayer, chutando a lateral de seu torso. Ele retorna aos jabs logo ao chegar perto dele, mas mais uma vez seu oponente desvia com facilidade. O detetive aplica uma diferença para os golpes, invocando fogo do chão logo onde Soulslayer está pisando, a cada golpe, sem pronuncias. Quando seu oponente ameaça desaparecer, ele envolve-o com seus braços demoníacos, que crescem livremente de tamanho o suficiente para funcionarem como cordas.

    O detetive arde em chamas por conta própria, fazendo o oponente avermelhado gritar de dor. Ele só para quando Soulslayer faz surgir mais um pulsante na mão direita e o explode na própria mão, obrigando-o a recuar. Logo em seguida, dezenas de agulhas o precedem, mas ele tem sucesso em entrar no chão.

    Mas, para a sua surpresa, ele acaba surgindo no mesmo lugar em que estava.

    As agulhas o acertam e o perfuram, mas ele consegue segurar a maioria com a proteção do espírito de Varmuda. Parado, ele atrai Soulslayer, que faz mais um punhal surgir em sua mão. Ao chegar perto, ele é surpreendido por um espírito que sai do corpo de Nightcrawler e agarra seu pescoço com a própria mão. Nightcrawler surge por trás dele e dá um dos socos mais fortes que já deu em sua vida no queixo de Senzo, lançando-o no ar.

    Mas ele não será derrotado dessa maneira. Um dos portais roxos, com um círculo e um hexagrama cobertos de símbolos em tenrajiinês que ele criou em Yalahar, surge na direção de onde ele estava indo, e o portal o atira de volta contra o chão. Ele quica ao se chocar contra o chão, e usa esse impulso para ficar de pé e se atirar como um míssil na direção do detetive. Logo, o detetive percebe que todo o chão ao seu redor está roxo, com o mesmo formato do portal anterior, que provavelmente o cobrirá de agulhas em breve.

    Ficar no chão será a sua morte, ir para o chão também será. Ficar parado também. É uma situação digna para um detetive como ele resolver.

    Ele leva todo o seu poder de uma vez para a perna direita e dá um chute imensamente poderoso para cima, acertando Soulslayer antes que ele o alcançasse. Mais uma vez atirado para cima, mas alheio ao dano físico, ele usa a tática do portal mais uma vez.

    Não é possível que alguém com tanta experiência de combate usaria a mesma tática mais de uma vez...Pensa Nightcrawler, enquanto observa a formação do portal roxo.

    Nightcrawler prevê seu próximo movimento. Ele salta para trás, mas percebe que o portal trouxe o inimigo logo para onde Nightcrawler saltou. Hora de um golpe arriscado.

    Um espírito semelhante ao que o protege agora soca as costas de Nightcrawler, mas seu soco a atravessa. A mão do espírito se transforma em várias facas, lançadas na direção de Soulslayer enquanto este vem em alta velocidade na sua direção. O detetive junta as mãos.

    Consumationnem!

    Uma explosão gigante surge em seguida, por pouco não pegando Nightcrawler também, graças ao seu controle sobre o fogo. Direcionada para cima, ela faz o inimigo sumir no meio do fogo, e atirar o homem em dúvidas. Mas quando ele cai no chão sem sentir nada o perfurando, ele sabe que sua aposta deu certo: Ele lançou aquela explosão para que a área roxa diminuísse. Onde ele caiu é justamente um lugar seguro.

    Não demora muito para Soulslayer surgir, na outra ponta do salão. Nightcrawler se levanta também, e o encara.

    Ambos ficam em silencio por alguns segundos antes de se atirarem um contra o outro na mesma velocidade insana de antes.

    Facas na mão do detetive, punhais brancos na do assassino, ambos se chocam novamente e sacodem a estrutura, que já apresenta sinais de que não vai aguentar mais outro choque daqueles. Em seguida, vem uma troca de golpes surreal, numa velocidade quase impossível de se acompanhar. Facadas, chutes, o espírito de Varmuda interferindo algum golpe ou o sangue de Soulslayer criando proteções e escudos para si, tudo surge para completar aquele combate entre dois deuses de um mundo próprio criado por eles.

    Ambos se afastam por um instante. Nightcrawler gira e atira quase todas as facas que possui em alta velocidade. Soulslayer atira agulhas de vários tamanhos.

    Tumultuantuem!

    Explosões de fogo e sangue se convergem e se misturam numa dança sincronizada e coreografada engenhosamente. Não há descanso. Sempre que elas surgem, ambos se chocam novamente para uma nova troca de golpes. É uma verdadeira dança sem fim, um show exclusivo para aqueles que trilharam caminhos que os fizeram abandonar a própria humanidade.

    Sarutevo assiste pacientemente junto de outros seis Sangues que sobraram. Não há dúvidas de que aquilo era muito esperado. Era melhor que eles tivessem lutado desde o começo; Ainda seria um espetáculo sem igual. E muito provavelmente Nightcrawler acabaria com todos também, da mesma maneira.

    Entretanto, o detetive já está escondendo qualquer sinal de cansaço há algum tempo. Aquilo está desgastando ele demais, e seu corpo se esforça para não perder a velocidade, assim como sua alma. Soulslayer é forte demais, e mesmo que ele soubesse disso, ele preferiu vir sozinho. Mesmo que Sarutevo acabe com sua raça no fim e seus esforços sejam em vão, ele quis que fosse assim. Não quer que mais ninguém morra. Essa luta desgastante é a forma dele se redimir pelos seus pecados, pelas pessoas que morreram por sua culpa. Então, pouco importa o resultado final para ele.

    Eles recuam novamente. Soulslayer nem parece estar cansado, mas o chão coberto pelos portais dele já recuou bastante. Seus movimentos perderam levemente a velocidade. Isso significa que ele possui um limite.

    O avermelhado corre na sua direção em alta velocidade, mais uma vez. E dessa vez, Nightcrawler faz o mesmo, mas antes mesmo deles ficarem a alguns passos um do outro, ele para com o pé direito, concentra mais energia na mão direita e soca Soulslayer. Dessa vez, o golpe acerta seu inimigo, atirando-o para o outro lado, num choque feroz.

    Soulslayer sente o golpe, mas ao invés de demonstrar dor, ele faz um sorriso surgir em sua máscara acompanhado de olhos saltitantes e animados. Ele volta a correr, mas desaparece em sangue no meio do caminho. Nightcrawler se vê cercado de longas lanças feitas de sangue logo em seguida, mas vê uma solução simples para escapar, e uma oportunidade.

    Ele pula, fazendo as lanças se chocarem. Em seguida, Soulslayer surge do meio do choque e tenta atirar algo contra o detetive, mas ele faz uma das suas chakrams cair de seu sobretudo e acertar a cabeça de Senzo. Ele junta as mãos outra vez.

    Motum!

    Dezenas de runas esverdeadas surgem e cobrem seu rosto, e em pouco tempo, todo o seu torso. É a chance perfeita.

    A alma de Nightcrawler arde em fúria e dor. Em troca, o poder dele cresce grandemente, cobrindo-o de um brilho alaranjado. O laranja de seus olhos fica mais forte e mais intenso.

    — A primeira e a última habilidade criada por mim usando Varmuda! Bu’Koros!

    Nightcrawler cria várias cópias suas, que se espalham e começam a acertar Soulslayer com facas. Inúmeros golpes seguidos são dados contra Senzo, sem que ele consiga reagir. Sua cobertura de manequim se destrói aos poucos, sua roupa é reduzida a frangalhos. Não há como se defender dos golpes nem dos clones, que surgem e desaparecem em menos de um segundo. A paralisia não dá nenhum sinal de que vai parar. É a pior situação possível para um dos Sangues mais poderosos da Irmandade.

    Após vinte segundos de golpes incessáveis, os clones recuam. Eles deixam um rastro alaranjado e brilhante pra trás. Num segundo, um círculo tão brilhante quanto os rastros se forma, conectando cada clone, que erguem em suas mãos algo semelhante à pistola que Nightcrawler deu para Dartaul.

    Todos atiram ao mesmo tempo. Os tiros destroem toda a proteção de Soulslayer na região do torso e perfuram seu corpo pálido. É o fim.

    Os clones desaparecem, e Nightcrawler finalmente demonstra seu cansaço. Ele anda ofegando até Soulslayer, que ainda se mantém de pé, mas a um fio de cair no chão. Sua máscara se quebrou e seu capuz sumiu. Ele está sorrindo.

    Suzio vai até a sua frente.

    — Já sabíamos o final dessa história.
    — É... A-Acho que sim. — Responde com esforço Senzo, melancólico e conformado.

    Nightcrawler preenche seu braço direito do poder de Varmuda mais uma vez e enfia sua mão no peito de Soulslayer. Dali, ele consegue envolver sua mão em seu coração, e ao fazê-lo, arranca-o para fora com força, contudo, com leve cautela para não destruí-lo.

    Ele levanta o coração adiante dos olhos chocados e irritados de Senzo, mostrando algo que só podia ser visto uma única vez na vida.

    — Adeus, velho amigo.

    Nightcrawler explode o coração de Soulslayer com a própria mão, atirando sangue para todos os lados. Ele cai no chão, sem vida. Suzio mostra indiferença para a sujeira sobre sua roupa e sua máscara. Respira fundo, tentando encontrar folego e evitando a todo custo sentir algo pelo que causou a Senzo naquele momento. Em seguida, ele olha para Sarutevo.

    Mas ele não está mais lá.

    Ele olha para trás, para os lados, e se esforça em tentar sentir qualquer energia estranha, mas ele não consegue. Os membros de antes também desapareceram.

    Ele não aguenta mais e ajoelha-se. Não está mais em condições de continuar lutando, e nem enfrentou o líder ainda.

    E antes que ele pudesse refletir sobre a própria vida, algo surge embaixo do chão. Fios. Muitos fios. Fios grossos, desfazendo-se devagar.

    Ao olhar para os lados, ele percebe que todo o seu arredor é feito de fios grossos. Todos se quebrando, destruindo-se com a estrutura ao redor, que parece nada mais que um novelo de lã por dentro. Enquanto ele se destrói, ele revela vários Sangues ao redor. Quando todos viraram pó, Suzio percebe que caiu na maior armadilha da sua vida.

    Todos os Sangues que ele matou antes estão vivos, todos reunidos, seja no andar de cima ou no de baixo. Ao fundo, destaca-se uma estátua estranha que Nightcrawler não reparou antes, feita junto com a estrutura da catedral, possuindo um tamanho quase colossal. Todo o seu corpo brilha numa cor alaranjada. Ela ajuda a mostrar os mais de noventa membros reunidos na catedral.

    Adiante, está Soulslayer, sentado numa cadeira, com as pernas cruzadas. Sarutevo está ao seu lado. Lalori está um pouco a frente, ajoelhado. Ele parece olhar para o desacreditado e chocado Suzio.

    — Desculpe. — Disse Lalori, com uma voz fraca.

    O membro desaba no chão, morto. Certamente criar uma reprodução tão fiel daqueles membros e de Soulslayer acabou com ele.

    Senzo cruza os braços e torce a cabeça para o lado.

    — Nuito. Vamos conversar.






    Próximo: Capítulo 35 – Machina


    THE END IS COMING



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  9. #169
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    Viaaaaaaaaaaaaadoooooooooooooo, que capítulo do caralho!

    O final, totalmente imprevisível, adiciona os últimos detalhes daquilo que foi um dos maiores, senão o maior, capítulo de Bloodtrip. Pra mim, isso só mostra o quanto o compacto cheio de conteúdo é melhor do que o dilatado cheio de divagações. Este capítulo é consideravelmente menor do que os demais mas, a bem da verdade, a condensação das informações nele só fez com que ele se tornasse, pra mim, o melhor de todos até agora.

    Achei muito interessante o Nightcrawler se tornando um supersayajin em determinado momento do combate. É óbvio que não foi a sua intenção, mas, neste momento, pra Suzio é um alento ser comparado ao Goku, não?

    A propósito, as descrições do combate têm se tornado um forte especial dentro da própria força da sua história. A bem da verdade, você sempre foi um cara muito intenso com as suas narrações; agora, tem degringolado suas habilidades também pro ramo das descrições, o que é um ponto positivo que te enriquece enquanto escritor, não somente como um contador de histórias. Fortalecer pontos que você considera fracos é essencial, especialmente quando a sua criatividade pode ser posta à prova com algo com que você não tem tanta intimidade. Acabou de criá-la. É um excelente capítulo e, pra mim, o melhor.
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  10. #170
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    Padrão Capítulo 35 - Machina

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Viaaaaaaaaaaaaadoooooooooooooo, que capítulo do caralho!

    O final, totalmente imprevisível, adiciona os últimos detalhes daquilo que foi um dos maiores, senão o maior, capítulo de Bloodtrip. Pra mim, isso só mostra o quanto o compacto cheio de conteúdo é melhor do que o dilatado cheio de divagações. Este capítulo é consideravelmente menor do que os demais mas, a bem da verdade, a condensação das informações nele só fez com que ele se tornasse, pra mim, o melhor de todos até agora.

    Achei muito interessante o Nightcrawler se tornando um supersayajin em determinado momento do combate. É óbvio que não foi a sua intenção, mas, neste momento, pra Suzio é um alento ser comparado ao Goku, não?

    A propósito, as descrições do combate têm se tornado um forte especial dentro da própria força da sua história. A bem da verdade, você sempre foi um cara muito intenso com as suas narrações; agora, tem degringolado suas habilidades também pro ramo das descrições, o que é um ponto positivo que te enriquece enquanto escritor, não somente como um contador de histórias. Fortalecer pontos que você considera fracos é essencial, especialmente quando a sua criatividade pode ser posta à prova com algo com que você não tem tanta intimidade. Acabou de criá-la. É um excelente capítulo e, pra mim, o melhor.
    Grande Neal, sempre mandando elogio até não poder mais


    Não é pra menos, eu imaginei que fosse gostar desse capítulo a esse nível. Foi o prometido retorno dos combates e da violência, e com força, pra compensar o tempo que só houve tensão e mistério. E combates são a minha especialidade.

    E... Nightcrawler supersaiyajin?

    Juro que não foi a intenção, o que eu queria era passar a impressão que a alma dele brilhou através do corpo por um breve instante, sem mudar cor do cabelo dele nem nada. Tive uma inspiração especial para os movimentos, mas Dragon Ball não tem nada a ver, e nunca terá. assim espero kj

    Também não acho que seja exatamente um alento o Suzio ser comparado ao Goku, já que o Goku é meio retardado e só quer saber de lutas, o extremo oposto ao Suzio. Então...


    Obrigado pela presença até o fim Neal, tu me ajudou bastante a continuar com a história até o final. Diria que você foi fundamental para que Bloodtrip continuasse e até tivesse o fim que terá agora. Obrigado mesmo, e fico feliz que o anterior tenha te agradado tanto. Espero que esse também agrade (Não no mesmo nível né, mas que seja um bom final).















    Agradeço a presença de todos! Bloodtrip chega ao seu fim. Esse é o último capítulo da história, e não sei exatamente quando lançarei sua sequência. Tenho algumas coisas pessoais a resolver antes de decidir dar início a essa história nova, pra que eu possa inclusive ter tempo suficiente pra trabalhar nela e escrever capítulos ao mesmo nível que vocês estão acostumados a ver aqui.

    Obrigado por tudo! O Epílogo sairá amanhã.





    No capítulo anterior:
    Nightcrawler e Soulslayer lutam mortalmente na Catedral Sombria. Nightcrawler vence, mas ele descobre que aquele Soulslayer era uma ilusão, assim como os outros membros que matou, criados pela Segunda Natureza de Sangue de Lalori, e agora se vê diante dos reais sem poder para lutar.





    Capítulo 35 – Machina



    Não existe céu ou inferno para demônios como nós, Nightcrawler.

    Então fico feliz em recebê-lo no nosso purgatório particular.



    Nightcrawler mal podia acreditar. Ele se desgastou ao extremo somente para derrotar uma cópia de Soulslayer criada por Lalori, então ele não consegue mais imaginar como seria Soulslayer com seu poder total, sem limitações. Outro fato inacreditável é o próprio Lalori estar ali, após Nightcrawler ter o salvado, quando este pensara que ele era o único Sangue consciente do que está acontecendo e do que está fazendo, acreditando que ele poderia ser salvo.

    Mas ele não conseguia dizer se o tecelão estava errado ou não. Afinal, é incompreensível a traição de Lalori. Certamente ele desejava ser cooperativo com Nightcrawler e seu time, mas algo o impediu no meio do caminho. E esse algo provavelmente era Sarutevo.

    Sarutevo. Ele está exatamente do lado do que deveria ser seu trono. Soulslayer está triunfante enquanto sentado nele. O líder da Irmandade tem uma expressão de como aquilo fosse totalmente natural. O líder da Irmandade deveria realmente estar de pé ao lado do que deveria ser o seu trono, enquanto o mais poderoso fica nele? São as únicas coisas que Nightcrawler consegue pensar no momento.

    Ele se recusa a pensar que perdeu pois decidiu ir sozinho enfrentar o inferno.

    — Nuito, Suzio, Nightcrawler... — Disse Soulslayer, levantando-se de seu trono e dando passos lentos até o detetive — Não importa quem você é. Nightcrawler não passa de uma figura, um símbolo sem rosto que qualquer um corajoso e capaz o suficiente pode tomar para si. Não importa a figura por trás, e sim o próprio estar aqui, nas minhas mãos, para eu fazer o que eu bem entender.

    Nightcrawler não perdeu seu chapéu ou sua máscara ainda pois ambos estão presos com linhas invisíveis, mas parece que ele não será mais capaz de defendê-las do inimigo para defender sua verdadeira aparência.

    Soulslayer aproxima-se e retira sua máscara com força, e depois seu chapéu, e deixa-os cair no chão, perto dele. A surpresa e o choque pode ser ouvido e visto por todos os lados, apesar de não ter como ver as expressões dos Sangues.

    — Então você realmente não morreu, Suzio.
    — Eu morri. — Disse Suzio, permitindo o luxo dos Sangues verem suas expressões — Morri desde o dia em que todos os meus amigos morreram nas Plataformas do Inferno. Por sua culpa.
    — Ah, você quer dizer a Poção de Kia, que deu horrivelmente errado? Ah, aquilo acabou sendo útil pra mim. É parte dos poderes dos Sangues agora.
    — Milhares de pessoas morreram ao redor do mundo inteiro por sua incompetência. Sua inexperiência.
    — Não diga isso. Eu estava totalmente ciente dos riscos.
    — E por que acabou fazendo do mesmo jeito?
    — Eu estou velho demais pra me preocupar com a vida alheia, Suzio.

    O detetive está ciente que nasceu no mesmo ano que Senzo, mas provavelmente as coisas não foram tão normais assim.

    — Veja bem. — Soulslayer vira-se, levantando sua cabeça para o teto — Eu estou vivo há mais de 80 anos. Quando eu entrei nessa vida, eu conheci aquele que foi o irmão do seu bisavô, chamado de Nuito Resgakr. Genial até o último resíduo de pó de seu corpo, ele desenvolveu algo para destruir minha ferramenta de criação orgânica sem nem mesmo ser um alquimista, e ainda assim, foi executado em praça pública, pra aliviar os problemas que o governador de Edron estava lidando com as questões públicas.

    Suzio realmente não se lembra de ter um parente tão distante que tenha feito tal coisa, mas lembra-se de menções a um homem que salvou Edron de uma doença degenerativa que atingia a flora e a fauna, que tinha uma forma semelhante aos membros da Irmandade.

    — Achei aquilo nojento, e ainda hoje eu acho. É pior do que tudo que eu já fiz... Matar um herói para aliviar a carga de reclamações no gabinete. Não concorda?
    — Não, seu filho da puta. Não há nada que se compare com o que você já fez.

    Senzo dá uma gargalhada bem alta e medonha. Sarutevo parece incomodado.

    — Senzo. Até quando irá continuar com isso?
    — Cala a porra da boca, Norbron. Eu sou o dramaturgo. Eu decido o que eu faço no meu palco.

    Sarutevo cerra os olhos em desaprovação. Suzio lembra-se desse nome, mas não sabe exatamente de onde. Está tudo confuso para ele.

    — Ah, a propósito, Suzio. Você já deve ter reparado, mas não é Sarutevo o nosso líder, e sim eu.

    Suzio dá uma risada triste.

    — Você fez isso pra distrair minha atenção de você, assim considerando-o apenas um inimigo comum, não é?
    — Exatamente. Seria mais conveniente se você evitasse Sarutevo por ele ser o líder, pois assim você nunca imaginaria para que ele serve. Dessa forma, você continuaria distante de me matar da mesma maneira, bem como do plano original. Preocupando-se com seus amigos mortos, com os demônios aparecendo em todos os cantos, você não teria tempo de ir atrás de mim. Acabei tendo tempo suficiente para formar isso aqui.
    — É. E graças a você, Devovorga pode surgir em qualquer ano para tentar devorar esse mundo, e não há um raio de previsão pra quando isso pode acontecer. A taxa de mortos por ela só sobe a cada ano que ela surge.
    — Eu não me importo.
    — Não se importa com o tanto de pessoas que morreram por sua causa?
    — Suzio... Alguma vez você já se preocupou em não pisar nas formigas que estão no chão enquanto você anda?

    Suzio irrita-se com aquela frase, mas não tem forças para reagir. Seu olho esquerdo está totalmente branco e o outro está perdendo a cor, bem como a sua pele. Agora, sangue sai do seu olho direito e do seu nariz, e as dores no corpo continuam, mas piores que o normal.

    — Olhe. Deve se lembrar de que as vítimas da Irmandade não morreram, apenas estão em coma. É parte do plano original, como eu disse. Pois quando ele estiver completo, essas pessoas voltarão a vida mais poderosas do que qualquer tibiano que ande por essa terra.

    Suzio não responde, apenas abaixa a cabeça.

    — Permitirei que saiba dessa vez, mesmo que não haja sentido em contar isso para alguém que vai morrer logo, logo... Enfim. Muitos anos atrás, eu morri. Mas Machina permitiu que eu voltasse a vida um século depois, que eu reencarnasse. Na minha reencarnação, em algum lugar do mundo, Norbron também surgiu. Ele foi minha primeira vítima. O primeiro que sofreu nas mãos do arauto seria o receptáculo perfeito para o patrono de Tibia.

    Suzio levanta a cabeça e faz uma expressão de como não se importasse com o que está sendo dito para ele.

    — Ele também foi a primeira vitima humana dos meus experimentos nessa nova vida. Ele funciona como um relógio para saber o quão próximo estou de trazer Machina. As veias gigantes são os ponteiros. Um está inteiramente vermelho. O outro está quase. Falta apenas um lugar.
    — Então... Todos os lugares que você atacou...
    — Eram preparações. Todos eles formam triângulos de invocação. Rookgaard, Carlin e Monte Sternum. Nargor, Baía da Liberdade e Sabrehaven. Vengoth, Yalahar e, em breve, Razachai. Todos os triângulos se ligam até uma única linha de sangue formada a partir de Chaur, alimentada pela completa falta de vida nas Planícies do Horror. Elas terminarão formando um tridente. É aí que Sarutevo será possuído pelo nosso deus e tomará o tridente para mudar Tibia para sempre.

    Suzio ri com algum esforço. Senzo não entende a atitude.

    — Tudo isso... Apenas para dominar o mundo? Você não tem algo menos clichê em mente? Que não inclua transformar as pessoas em bonecos e um deus pagão em um titereiro?
    — Falou um dos principais bonecos da trama.

    Suzio levanta uma sobrancelha.

    — Deixe-me falar uma coisa interessante para você, Suzio. Ninguém será controlado. O poder de ter poderes que correspondam aos seus desejos mais profundos, as suas habilidades mais notáveis, isso será possível. Todos terão isso. Formarei um novo mundo ao lado de Machina, e se caso ele não der certo, eu mesmo volto tudo do zero e desapareço.
    — Verme. Você realmente pensa que pessoas são seus experimentos, seus ratos de laboratório? O quão desumano você pode ser?
    — Ser humano ou não já não tem mais importância. Meu plano já começou há dez anos. E você tem sido um experimento ótimo ao longo de mais anos do que você pode imaginar.
    — O quê?
    — Ora. Cadê o Suzio do loop? Essa normalmente era a hora dele se revelar.

    Suzio tenta achar alguma explicação para o que ele quis dizer, mas não consegue. Mas sente que a resposta é a mais óbvia possível.

    — Ué, Suzio! Você realmente achou que Varmuda quem lhe dava as instruções do que fazer na sua mente, tudo ajeitadinho, para você fazer perfeitamente, como um detetive genial? É óbvio que não. Você sabia onde ficava Chaur, pois já veio aqui quatro vezes antes. Você sabia exatamente como fazer o plano da emboscada usando a população de Yalahar, pois já o executou da mesma maneira quatro vezes antes. Tudo que você já sabia exatamente o que fazer, foi porque você já fez. Já tivemos essa conversa quatro vezes. Essa é a quinta. E última.

    Suzio é atingido por uma onda de água fria. A sensação em seu peito é indescritível, assim como em sua cabeça. Ondas de pensamentos, memórias e sensações parecidas, que ele já havia sentido antes. Agora, nem mesmo o mundo parece real o suficiente para ele. Não há mais onde ele se apoiar. Está sozinho e sem resposta contra um fato praticamente impossível em sua concepção.

    — Você teoricamente morreu há mais de dez anos atrás, mas, na verdade, você fugiu. Eu sabia que você faria isso, então eu apliquei uma maldição em você durante nosso combate, parte dos meus experimentos. E o loop tem funcionado bem. Na primeira vez que você me confrontou, exatamente nas mesmas circunstâncias de agora, você perdeu do mesmo jeito e morreu. Voltou exatamente ao mesmo ponto de antes, quando fugiu. Tentou mais uma vez e morreu mais uma vez. Voltou pro mesmo ano, tentou de novo, e morreu de novo. Foi aí que os cinco anos passaram a funcionar, e na terceira vez, você voltou pra cinco anos após nosso confronto. Quando Rookgaard foi atacada.
    — Você só pode estar tirando com-
    — O fato de você ter perdido tantas vezes e não se lembrar que esteve fazendo a mesma coisa é porque você perdia a memória do que fez logo ao voltar ao ponto de início. Seu verdadeiro eu não tinha controle do seu corpo. Ele só podia assistir, e eventualmente, com muito esforço, achar espaço e oportunidade pra fazer algo que o salvasse do loop. Mas parece que ele nunca conseguiu nada senão lembrá-lo dos locais de onde ir e do que fazer. Heh. Detetive um cacete. Pois no começo você não era metade do que é agora.

    Suzio põe as mãos na cabeça. Mais sangue sai dos seus olhos. Não está mais suportando a dor do que fez, nem as revelações que está recebendo agora. Ele é capaz de segurar isso, mas algo está destruindo sua resistência. Algo tenta tomar o controle, luta para sair. O homem sente sua cabeça querer explodir.

    E, finalmente, o verdadeiro aparece.

    Com esforço, ele limpa seu rosto, pega sua máscara, seu chapéu, e levanta-se. Ele põe seus principais apetrechos de volta e fita Soulslayer com uma fúria animalesca, mas um pouco controlada.

    — Eu venci. Eu conseguirei reverter tudo para o ponto principal se algo der errado, mas não acho que isso vá acontecer. Machina, aquele que nasceu dos ossos e do sangue de Tibiasula, o Senhor das Dimensões, jamais permitirá que isso aconteça.
    — Eu já me cansei de ouvir isso.
    — Essa será a última vez. Depois disso, você morrerá. Definitivamente.
    — Você está muito convencido para alguém que matará a própria criação a partir do momento em que tomar um golpe fatal.

    Senzo ri, mas não responde. Suzio ainda sangra pelos olhos. Será difícil continuar. Seu corpo está esgotado, sua mente está esgotada. Reviveu tudo várias vezes, sem parar. Viveu tantos anos que já perdeu a vontade de contá-los. Mas sabe que já tem quinze anos desde que tudo começou.

    Nightcrawler toma seu último artificio de dentro de seu sobretudo: Uma faca congelada e cinzenta com uma runa de Morte Súbita gravada nela. Se ele conseguir usar em Soulslayer, ele morrerá em um golpe. Se ele morrer, toda a Irmandade morre junto, pois todos eles estão diretamente conectados ao líder.

    Soulslayer toma distância e prepara-se para avançar. Tem um pulsante em mãos.

    — Farei você sentir a sensação de viajar... Ao menos uma vez. Nunca soube como criamos isso, não é? Mas é a forma dos humanos de liderarem com uma avalanche de informações vindo na sua cabeça. De forma descontrolada. Sobre tudo que está além de Tibia. Sobre todos os universos, dimensões e mundos que existem além daqui. Eu tenho todo esse conhecimento na minha cabeça, Suzio. E sabe de uma coisa? É maravilhoso.
    — Eu não te perguntei nada.
    — Eu gosto de falar. É um costume que tenho desde que eu era um jovem alquimista em Yalahar.
    — Há quantos anos será que foi isso, velhote?

    Soulslayer ri.

    — Não sei. Não importa mais.

    Ambos se preparam para avançar. Mas Nightcrawler não avançará, apenas fará de conta. É a melhor forma de usar a experiência que adquiriu.

    Num momento inoportuno, ele se lembra de memórias que não são dele. Via Senzo sentado numa escadaria. Senzo trabalhando numa espécie de inseto gigante de ferro. Uma elfa lhe dando socos não tão sérios. Coisas envolvendo um Senzo jovem e pessoas que não conhecia. E então, Norbron sendo vítima da criação de Senzo.

    Ele olha para Sarutevo uma última vez. Ele nem mesmo parece ser um combatente. E se ele era o tal mago que foi a primeira vítima do alquimista pálido, faz sentido que ele esteja ali.

    Terminadas as contemplações, Nightcrawler vira seu olhar para seu nêmesis.

    — Vamos.
    Com Tibiasula eu me deito, com Tibiasula eu me levanto.

    Soulslayer salta na sua direção em alta velocidade, com o pulsante. Nightcrawler fica no mesmo lugar, dá alguns passos pra frente e golpeia o ar, aproveitando-se da velocidade do seu oponente. Mas seu inimigo cessa o avanço antes da faca acertá-lo e consegue usar o pulsante próximo da cintura do detetive.

    Ele estoura e vira um grande acumulado de poeira vermelha, assim como nas outras vezes que Nightcrawler testemunhou aquilo.

    Vou morrer? De novo?

    Eu falhei mais uma vez? O mundo será tomado mais uma vez por ele e seu deus?

    Deixarei que todas as mortes e experiência que adquiri sejam em vão?

    ...

    Não.

    Não dessa vez.

    Pois agora eu também tenho um deus do meu lado.


    Uma proteção branca e clara surge ao redor do corpo de Nightcrawler e a poeira do pulsante é sugada por um buraco semelhante ao vácuo, formado na região onde Soulslayer o acertou. É a proteção espiritual que Zoe deixou no corpo de Suzio. Dessa vez, quem está chocado é Senzo.

    Nightcrawler sorri, vai para o chão e volta atrás dele, e usa a faca amaldiçoada no pescoço de seu inimigo. Uma pequena implosão escura cerca a área afetada e põe Soulslayer de joelhos.

    — É hora de ouvir o choro das almas vazias dos seus bonecos. — Disse Nightcrawler, deixando o resto da faca cair no chão.

    Quem grita de dor primeiro é Sarutevo. Em seguida, todos da catedral gritam. Eles sentem a mesma dor, e colocam as mãos na cabeça ou no pescoço, sentindo como se todo o corpo deles estivesse prestes a explodir. E, em sequência, todos eles explodem em sangue, deixando de existir, um a um.

    Não demora muito para toda a sala ser inundada por sangue. A estátua gigante, abstrata e estranha no fundo da catedral, perde sua luz, e começa a se quebrar e a se desmanchar. Todo o resto da catedral começa a sofrer o mesmo efeito. Sarutevo cai de joelhos, as veias desmanchadas, jorrando sangue pelo seu corpo, enquanto olha com terror para um Nightcrawler mais sombrio do que nunca.

    — O Nightcrawler sempre matará a presa quando ele a ver pela primeira vez.

    O detetive lança uma das runas que ele deixou sem uso num dos últimos bolsos do seu sobretudo, aparentemente, guardada especialmente para Sarutevo. Uma runa roxa, com símbolos circulares. Quando ela se choca contra o ex-receptáculo de Machina e antigo amigo de Senzo, ela o faz explodir em pedaços. Após isso, ele se vira para Soulslayer.

    A implosão fez o capuz e a máscara de manequim de Souslayer sumirem. Ele está chorando, mas não parece ter uma expressão triste. Conforme o teto cai, a luz ilumina a catedral. Não está mais chovendo.

    — Por quê...? — Pergunta Senzo, fraco, quase sem voz.
    — Foi necessário. A balança que formamos dentro de Tibia é poderosa demais para esse mundo. Ela precisa ser quebrada.
    — Mas você também irá morrer...
    — Eu já fiz tudo que precisava fazer nesse mundo, Senzo. E você também. Hora de descansar.

    Senzo sorri. Suzio também, apesar de não saber que seu inimigo também está sorrindo.

    — Olhe o que você fez... Eu sou um maldito criminoso agora.

    Senzo cai no chão cheio de sangue, morto. Agora, Nightcrawler tem certeza que aquilo não é mais uma ilusão. Ele realmente matou seu algoz, depois de tantas tentativas.

    Ele fita o céu. Um grande pedaço do telhado está prestes a cair em cima dele, mas ele não se importa. Ele retira sua máscara e seu chapéu, e se dá ao luxo de contemplar algo bonito antes de morrer, embora o céu esteja nublado.

    Ele ajoelha-se, sem força. Seus olhos estão totalmente brancos. Sua alma já está quase morta. O veneno logo matará o seu corpo. Mas ele conseguiu dar cabo da Irmandade do Caminho de Sangue, mesmo ao custo de sua própria vida. Mesmo que ninguém mais saiba o que eles realmente eram, e quem realmente os liderava.

    — Eu também, Senzo.

    O pedaço do telhado cai.

    Mas não há mais vida no corpo de Nightcrawler.

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