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Tópico: Bloodtrip

  1. #161
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    Damn it! He's still alive!

    Um baita de um capítulo, Carlos, apesar de ter sido um pouco mais comedido e menos intenso. O desenlace da situação é interessante de se acompanhar, especialmente porque Senzo continua vivo, apesar de o destino de Miraya me parecer um pouco confuso, mais para o final. Seria a alma e o corpo dela que Senzo estaria interessado em restaurar?

    De qualquer forma, a história está tomando um rumo interessante. Que reviravolta, não? Terminamos o último capítulo crentes de que Nuito tinha matado Senzo. Agora, sabemos que Senzo continua vivo, mas Nuito está morto. Não em um combate franco, mas por um julgamento aparentemente corrupto. Espero estar errado a esse respeito, porque tiraria toda a credibilidade do tribunal. Porém, se a análise for um pouco mais ampla do que isso, certamente que teremos explicações para essa partida inesperada de Nuito, depois de vencer Senzo num combate justo.

    Sobre Ember: grávida de Nuito? Não sei se deixei algum detalhe passar em algum momento, mas não estou lembrado sobre se isso foi comentado antes. Se não, é uma excelente notícia; ainda que Nuito tenha morrido, existe uma chance de continuar a história e a linhagem a partir dali. Se sim, então, falha minha; espero não causar mal estar por causa disso.

    No mais, Carlos, toque adiante. Blood Trip está se tornando uma história e tanto. O quinto tomo de Jason Walker terá uma homenagem a ela, mas não direi de que forma. É desnecessário, já que você vai perceber, quando for postada.

    Um abraço e keep going!

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  2. #162
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    Padrão Capítulo 32.5.5 - Monólogo

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Damn it! He's still alive!

    Um baita de um capítulo, Carlos, apesar de ter sido um pouco mais comedido e menos intenso. O desenlace da situação é interessante de se acompanhar, especialmente porque Senzo continua vivo, apesar de o destino de Miraya me parecer um pouco confuso, mais para o final. Seria a alma e o corpo dela que Senzo estaria interessado em restaurar?

    De qualquer forma, a história está tomando um rumo interessante. Que reviravolta, não? Terminamos o último capítulo crentes de que Nuito tinha matado Senzo. Agora, sabemos que Senzo continua vivo, mas Nuito está morto. Não em um combate franco, mas por um julgamento aparentemente corrupto. Espero estar errado a esse respeito, porque tiraria toda a credibilidade do tribunal. Porém, se a análise for um pouco mais ampla do que isso, certamente que teremos explicações para essa partida inesperada de Nuito, depois de vencer Senzo num combate justo.

    Sobre Ember: grávida de Nuito? Não sei se deixei algum detalhe passar em algum momento, mas não estou lembrado sobre se isso foi comentado antes. Se não, é uma excelente notícia; ainda que Nuito tenha morrido, existe uma chance de continuar a história e a linhagem a partir dali. Se sim, então, falha minha; espero não causar mal estar por causa disso.

    No mais, Carlos, toque adiante. Blood Trip está se tornando uma história e tanto. O quinto tomo de Jason Walker terá uma homenagem a ela, mas não direi de que forma. É desnecessário, já que você vai perceber, quando for postada.

    Um abraço e keep going!
    Salve Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    É bom saber que o capítulo ficou legal, ultimamente não tem sido um bom período pra ficar escrevendo, mas continuo tentando. Ainda mais porque falta pouco pra acabar.

    A verdade é que Nuito não conseguiria ir até o final e dar o último golpe no melhor amigo. Apesar dele ter causado tantos problemas, ainda era o amigo dele, e Senzo não conseguia fazer outros amigos nem se relacionar com a sociedade direito. Mas isso acabou gerando problemas, pois se ele tivesse matado Senzo - ou ao menos tivesse dito que ele estava morto - talvez o destino dele fosse diferente. Bem, foi mais algo para mostrar que tomar decisões é algo complicado, que pode te trazer muitas coisas boas ou ruins. Foi algo que Nuito percebeu enquanto estava sendo julgado, e que incentivou ele a se confessar. Se ele tivesse matado Senzo, ainda estaria vivo.

    O julgamento não era corrupto, Nuito assumiu que fudeu parte de Edron e criou aquilo pra parar Senzo, mas no fim, ele acabou usando aquilo pra ficar mais forte e matar mais pessoas, o que torna Nuito cúmplice daquela crise. Ele acabou julgado culpado mesmo sendo o salvador da crise, pois nem sempre a justiça fica do lado dos mocinhos. Btw, foi no capítulo do combate mesmo que deixei a menção da gravidez, embora de forma bem suave. Não tinha muito espaço pra incluir isso, mas eu precisava. Foi antes de Nuito se encontrar com Senzo.


    Agradeço a presença constante, cara. Tamo junto.











    Vamos voltar para o presente e dar os últimos passos para a conclusão de Bloodtrip. Esse capítulo possui um formato diferente dos outros, então espero que não incomode.


    Espero que gostem!






    No capítulo anterior:
    Nuito foi executado pela justiça de Edron, devido a sua confissão a respeito do Musenki. Antes disso, ele já era julgado por agredir o governador da ilha, e optou pela confissão para evitar que Ember tentasse salvá-lo e coisas piores acontecessem. Senzo sobreviveu e tentou evoluir o Akonancore, mas não conseguiu, e ainda perdeu Miraya para um assassinato cometido por Ember. Furioso, ele foi para Darashia e tentou matar todos que viu, mas foi morto no processo.





    Capítulo 32.5.5 – Monólogo




    É... Deve ter uns três dias que estou caminhando a esmo.

    Depois de tudo o que eu fiz, tudo o que eu vivi, eu ainda tenho medo de encará-los. Como se algo dentro de mim me impedisse de fazer isso. O pior é que eu conheço o caminho para Chaur tão bem como se fosse minha própria casa. E isso é muito estranho. Eu estou caçando eles, e não voltando pra casa. Outra coisa linda pra me ajudar nessa viagem pra comprar pão pro café da manhã é que meus olhos continuam lacrimejando. O veneno daquela aranha acabou comigo.

    Ah, mas essa caminhada tem sido boa para refletir sobre minha vida. Meu passado fodido. O próprio Dartaul me ajudou com isso antes de eu partir. Acabei dando a impressão errada pra ele, como se eu estivesse sofrendo profundamente por dentro, a ponto de eu me portar como um suicida. Porra, eu estava até chorando, quando na verdade tem anos que não choro. Mas tudo aquilo é causa do veneno. A linha tênue que me livrava do meu próprio lado ruim, do sofrimento mais profundo, dos sentimentos mais escuros, era Varmuda. Mas eu quebrei a conexão com ela. Não tenho mais minhas habilidades de regeneração. Como não tratei o veneno direito, não deve demorar mais uns dias pra eu bater as botas.

    Não que isso faça diferença. Quando eu me soltar totalmente na toca do lobo, eu não irei sobreviver pra contar a história. O que eu descobrir lá irá morrer comigo. Mas, pelo menos, esses filhos da puta nunca mais vão mexer com esse mundo.

    Mas Varmuda não parece estar muito a fim de me dar um descanso. Levando em conta o que eu fiz, provavelmente ela vai ser minha torturadora eterna por eu ter quebrado o pacto sem a consultar. Não espero menos do que isso. Ser inimigo de um demônio é a pior coisa que um humano pode fazer em Tibia. Embora exista muitas entidades, criaturas mitológicas e fantásticas, bem como mortos-vivos em Tibia, todos eles viram sujeira de bota quando comparados a um demônio. Poucos são os guerreiros capazes de matar algum. Poucos mesmo, acredite em mim. Uns oito malucos deve ser meu melhor chute, e olha que sou o melhor detetive desta merda.

    E, bem, eu não sou adorado. Mais da metade do mundo já botaram um preço pela minha cabeça. Se eu fosse contar algumas pessoas que realmente querem que eu volte, seriam umas cinco, provavelmente.

    Rachel. Ela quer que eu volte pra que eu pague minhas dívidas com ela. Houve uma vez que eu comprei todo o estoque de runas dela para dois meses pra fabricar armas com runas, mas não paguei todo o gasto até hoje. Ela me odeia por isso, mas não quer que eu morra. Senão, quem vai pagar?

    Lucius. Conheço ele há muitos anos. Sempre quis ser caçador de entidades, e quando virou um Inquisidor, ficou mais feliz que uma criança quando ganha um brinquedo novo. Mas quando eu supostamente morri lá em Vengoth, lutando contra Senzo, ele passou a viver para eliminar todos os vampiros de Yalahar e Vengoth, ficando apenas naquele distrito fodido ao lado do porto e não saindo mais de lá. Ainda é reconhecido como um Inquisidor. E quer que eu volte, pois tem grande consideração por mim. Já o salvei várias vezes.

    Palimuth. Experientes com espíritos como ele sabem dizer exatamente como você está no momento. Desde que cheguei em Yalahar, ele ficava atrás de mim, e frequentemente perguntava se eu estava bem. Ele foi o primeiro a descobrir que criei um pacto com Varmuda e que eu sabia usar a Manipulação da Alma como um poder pra lutar e também fugir. Ele tentava dominar o mesmo poder, mas ele só sabia expulsar espíritos ou exorcizá-los. Ele me ensinou algumas coisas, o que me ajudou na hora de exorcizar Bryca. Sinceramente, ele sempre me pareceu meio bicha, mas ele é gente boa. Ele quer que eu volte, mas não sei se é só por eu ser amigo dele, não. Prefiro não pensar nessas coisas.

    Lea. Ah, a Lea. Ah, a voluptuosa e farta Lea. Eu a conheci por volta de cinco anos após ter abandonado Yalahar e começado a caçar Senzo e seu grupo que anteriormente foi formado em Vengoth, mas ele desapareceu no mundo depois daquilo. Acabei indo para Carlin um dia para manter um posto lá, e então me dirigir para Ab’Dendriel. Então, veio o dia onde eu a conheci por acidente.

    Eu não estava prestando atenção em onde eu estava. Sinceramente, eu devia estar meio louco, sob efeito de substâncias criadas por dworcs ou lagartos de Chor, pois eu estava no telhado do prédio onde fica a Guilda dos Feiticeiros de Carlin. Estava sentando, observando os movimentos de alguém suspeito, disfarçado entre os cidadãos da cidade, e decidi me levantar e ir atrás dele. Então, o chão debaixo de mim quebrou e eu me espatifei no chão. Era óbvio que não foi um acidente, alguém usou uma explosão exatamente onde eu estava, então me preparei pro combate logo ao levantar. Mas o que eu vi me tirou o chão mais do que aquela queda do telhado.

    Lea sempre foi espetacular, honestamente. Quando a vi logo adiante, ao lado de sua mesa, com uma das mãos na boca, segurando-se para não rir, eu não consegui reagir. Até sua voz era linda. Era como se eu estivesse me apaixonando de novo.

    Então, como de costume, matei esses sentimentos antes deles se desenvolverem. É uma das habilidades que Varmuda me deu.

    Mas não tive como não gostar dela, infelizmente. Os sentimentos voltavam o tempo todo. Ah, maldita seja a volumosa Lea, pois aquela mulher não sentia medo de mim nem por um instante. Ela me ajudou por um longo tempo, e sempre que eu voltava para Carlin, ela me oferecia ajuda. Até que começamos um caso. Na época, ela tinha um aluno, e ele devia querer fazer o mesmo que eu consegui fazer, mas como era só um jovem com menos de vinte anos... Heh, otário. Cheguei primeiro.

    É, e por isso Alayen guarda rancor de mim até hoje. Sou cuzão demais, por Uman. Opa, eu sou ateu. Então, é... Por mim mesmo, então. Não preciso ser modesto enquanto estou tendo um monólogo.

    Enfim... Lea deve estar a minha espera, certamente. Ela sempre ficou triste quando eu ia embora, pois não sabia se eu ia voltar ou não. Alayen torcia pra que eu morresse até o momento em que passamos a ter algumas conversas e passamos a nos entender melhor, e ele até desenvolveu alguma intimidade comigo. É por isso que ele me chama de tio. Bom, no fim, eu acabei parando de visitá-la tem quatro anos, por isso que ela ficou irritada quando voltei, naquele dia, há talvez um mês atrás. Tanta coisa aconteceu nesse curto tempo que estou até confuso. Mas, sim, se eu voltar vivo, certamente irei visitá-la. Eu simplesmente não posso dispensar aquele mulherão. E só fiz isso quando voltei pra Carlin naquela vez por motivos óbvios.

    Não sei se vou voltar mesmo.

    E Trevor. O modo que nos conhecemos foi engraçado, pra não dizer humilhante. Já tem um ano e uns meses. Me escondi na torre dos mágicos, vazia no dia, que fica ao lado do Monte Sternum, e no caminho para a Ponte Anã, em direção de Kazordoon. Estava sendo perseguido por autoridades thaianas tinha um bom tempo. Não sei o que Trevor fez até hoje, mas ele conseguiu fazer vários arqueiros se esgueirarem pela montanha dos ciclopes para chegar até o andar que ficava alinhado a onde eu estava. Os outros soldados cercaram a torre, e muitos outros a subiram num processo que parece ter tomado quase uma hora. A única coisa que ouvi foi um ranger de ferro, que me fez acordar, mas para a minha surpresa, eu já estava cercado pelos soldados de Trevor.

    Ele não é nada menos do que genial entre os cães thaianos. Quando ele apareceu me levando para a prisão de Thais, ele foi consagrado como um dos melhores agentes que a capital e o reino dispunha. A notícia se espalhou até para as colônias. “Trevor Van Aknimathas prendeu Nightcrawler, detetive misterioso que cometeu inúmeros crimes contra a coroa”. Porra, que piada de mau gosto.

    Ele obviamente ganhou uma promoção. Foi de um sargento para Capitão de Guarda, e com um pé na posição de Major, pois não ia demorar pra ele ser promovido de novo se continuasse sendo tão bom no comando. E eu realmente não tinha muito o que fazer na época que fui preso para escapar dele, pois meus poderes estavam em desordem. Estava interessado em ficar por ali pra recolher informações, também.

    Fiquei um mês na cadeia. Então, um dia, Trevor surgiu, interessado em saber o que eu fazia. A contragosto, decidi falar um pouco sobre, mas ao invés dele tirar sarro de mim, ele pediu para que eu continuasse. E bem, eu só continuei, pois trata-se de alguém que me capturou. Merece respeito, ao menos. No final, ele pareceu tenso e com um medo visível, mas simplesmente disse que eu era um homem corajoso e que me ajudaria de alguma forma. O problema é que ele não pode me ajudar. Pedir para me soltar só pra capturar um suposto grupo de gente que estaria por trás de inúmeros massacres do mundo parecia loucura. De certa forma, os thaianos acreditavam na existência da Irmandade. Mas ignoravam por medo. O que fariam se conseguissem encontrá-los? Levando em conta que mataram tanta gente, como colocariam a lâmina em suas gargantas, se ela nem tem efeito?

    E nem mesmo eu reuni informações o suficiente nos mais de dez anos em que estive no rastro deles. O que garante que os thaianos conseguirão? No fim, me soltar ou não nem faria diferença, mas eles preferem me manter lá porque eu realmente cometi crimes. Não ligava, eu realmente precisava de tempo pra me recobrar. Mas o perigo da Irmandade me atacar enquanto eu estivesse ali era muito, mas muito alto. Não era uma boa situação.

    No fim, um dia, no meio da noite, Trevor abriu minha cela e mandou segui-lo. Acabei fazendo isso, pois, se eu quisesse fugir, precisava traçar um rumo mais detalhado, e fazer isso fora da cela. Mas o que ele fez não estava nos meus planos: Ele me deu um disfarce, me levou para perto de Greenshore e me falou para continuar fugindo. Disse que queria ajudar, e aquela era a ajuda inicial dele. Não falou nada depois disso, apenas voltou para a capital.

    No dia seguinte, soube por um fazendeiro do vilarejo das novas. Já soltaram a noticia que eu tinha fugido, e que Trevor ficou na minha cola, mas me perdeu no norte da capital. Por isso, ele foi rebaixado para Tenente de Guarda, pois a razão dele ter sido promovido foi por causa da minha captura. E havia suspeitas de que ele não estava atrás de mim, e sim me ajudando. Buscando evitar esses rumores de prejudicarem a imagem das Guarnições, ele foi simplesmente rebaixado.

    Trevor apareceu pouco tempo depois em Greenshore, quando eu me escondi numa casa abandonada. Então, eu percebi. Ele entregou sua chance de continuar subindo profissionalmente entre os militares de Thais pra me ajudar. E de bom grado. Nunca conheci alguém como ele. Passei a confiar no homem, que tinha alguns 43 anos e muita merda no passado.

    Ele me contou sobre o seu passado tempos depois, enquanto ainda se acostumava com minhas exigências. O cara era realmente filho de aristocratas, como eu brincava de vez em quando. Afinal, quem tem “Van” ou qualquer merda do tipo no nome provavelmente é riquinho. E ele era, mas, como descreveu, era um garoto muito mais imerso em lutar e virar um aventureiro.

    Seus parentes não concordavam. Um filho de aristocratas e diplomatas virando aventureiro e vivendo nas piores condições apenas pra caçar aventura e exploração? Era ridículo, na visão deles. Mas ele tinha um incentivo vindo de sua mãe, que apoiava que ele corresse atrás dos seus sonhos, e também de um tio dele. Mas o restante não gostava da ideia. Porém, ele não tava nem aí: Podia ter 15 anos, mas nada do tipo iria derrubá-lo. Ele continuou treinando, dia após dia, e mostrando uma habilidade sem igual, como a de um herói de lendas antigas. Ele realmente tinha uma destreza sensacional segundo as pessoas que o conheceram na época, um dom genioso com a espada.

    Então, um dia, parece que seu sonho de aventureiro foi por agua abaixo. Um grande evento abalou a Baía da Liberdade, lugar onde ele nasceu e foi criado. Uma grande invasão de piratas ocorreu, dezenas de navios cercando a cidade. Uma infestação de piratas vieram em pouco tempo, e os soldados mal estavam preparados. A defesa dos distritos da cidade foi feita quase que na base da guerrilha, pois eram piratas demais, e eles precisavam usar ideias mais eficientes pra vencer.

    Detalhe interessante: Os piratas já tinham pólvora e possuíam canhões enormes nos seus navios, de alguma forma. Além de portarem garruchas e bacamartes que não eram lá tão bons, mas úteis. Esses montes de piratas bombardearam a cidade por uma hora antes de virem todos juntos atacá-la, e antes disso, eles mataram mais pessoas ainda com os tiros de canhão. As bolas de ferro foram longe, e atingiram até as mansões no distrito norte e no leste.

    Uma delas atingiu a mansão onde Trevor vivia. Foi bem rápido. Ele foi até um corredor da casa e achou sua mãe com uma serviçal, correndo. No momento seguinte, a parede estourou logo ao lado dela, e alguns segundos depois, ele viu o corpo da mãe no chão. Tudo tava lá, menos a cabeça, que explodiu em mil pedaços. A bala do canhão estava coberta de sangue. A serviçal não foi atingida, mas desmaiou ao ver como sua patroa estava.

    Trevor ficou entre catatônico e furioso. Ele foi até sua sala de treino, pegou sua espada e correu para a entrada da mansão. Antes disso, seu pai e sua irmã tentaram impedi-lo, mas não conseguiram. Ele avançou como um cão até a cidade, armado e nem um pouco preocupado se iria morrer ou não; Apenas queria levar uns piratas consigo. Parece comigo nos meus tempos de glória. Heh.

    A batalha durou até o amanhecer do dia seguinte. No meio da madrugada, a elite do exército retornou antes do distrito ao norte, o último da cidade, ser invadido. Muitos deles estavam em missão ao redor de Nargor e de Sabrehaven, bem como em Porto Esperança, mas quando voltaram, os piratas nem se preocuparam em continuar lutando como antes. Seus saques e violência acabaram rápido. Eles voltaram para seus navios com tudo que conseguiram e abandonaram a cidade.

    Muitos soldados comemoraram, mas os membros da elite e outros soldados mais conscientes evitaram comemorações, e se apressaram em checar o estado da cidade, ver a quantidade de mortos. Eles encontraram Trevor, mas ele não estava no chão, e sim de pé. Ele fitava os navios indo embora ao longe com um olhar vazio e destruído. Parecia morto por dentro. E ainda estava coberto de sangue.

    O general que o encontrou, parte da elite, olhou-o mais de perto, tomando cuidado com seus movimentos inumanos. Seu corpo estava torcido para o lado, encarando parte do céu, e parte do mar. Na sua mão, um sabre danificado. Sua espada foi colocada de volta na bainha, para preservá-la, nos seus últimos instantes de consciência. E nenhum – Repito – Nenhum ferimento. Todo o sangue nele era dos piratas. Ele matou tantos que até hoje não existe número correto. Sabe-se que, depois daquele dia, ele entrou no exército, formou-se rápido e logo estava dentre as fileiras da Baía da Liberdade, ignorando avisos de familiares e até mesmo o poder e influência de sua família. Ele entrou por conta própria. Sem ajuda.

    Suas primeiras três missões foram simples. Os soldados sabiam que ele era um cão desalmado e sedento por piratas. Então, quando eles rastreavam os piratas nas ilhas ao redor, eles lançavam Trevor na sua direção com a melhor espada que tinham. Quando ele finalmente foi atingido por um bacamarte próximo da cintura, no lado direito, ele se acalmou e ficou mais realista, e esse tipo de estratégia não dava mais certo. Com isso, ele passou a ser mais estratégico. Em cinco anos, já era major. Isso porque ele era genial quando se tratava de caçar piratas e rebeldes. Nargor ficou com o cu na mão. O nome do cara já era mais temido que o de deus. Quando eu crescer, quero ser que nem ele.

    Ele se tornou comandante com 25 anos e quase comandante-em-chefe. Suas táticas eram geniais. Ele sabia melhor do que ninguém como os piratas se comportavam, ganhando o nome de “Ceifador do Rum”. Ele ficou conhecido assim quando conseguiu botar fogo num navio inteiro atirando numa garrafa de rum com um arco e uma flecha flamejante.

    Por que ele desistiu de tudo que é a questão principal. Mas ele explicou: Logo o seu ódio passou, e ele precisava de novos ares. Então ele foi para Thais. Perdeu seus cargos pois uma transferência de uma colônia para o reino não era bem aceita e geralmente era mais fácil conseguir um cargo nas colônias do que no reino em si. Trevor passou seus anos seguintes trabalhando para o exército, depois para a Guarnição. Suas habilidades diminuíram de forma significante. Não tem pirata em Thais, afinal de contas.

    Ele ficou um bom tempo como Cabo, e então como Tenente de Guarda, até me capturar. Perdeu os dois cargos que conseguiu, e os recuperou quando a Irmandade nos atacou em Thais e ele os segurou sozinho. Eu sabia que podia confiar nele, pois ao longo do tempo em que trabalhamos juntos, ele nunca mostrou sinais de que iria me trair. Confio nele, mas não totalmente. E eu também sei que ele espera que eu volte. Trevor é uma das pessoas que mais se entristece com o fardo que coloquei sobre mim mesmo, e espera que ele acabe.

    Ele acabará, Trevor. Assim que eu colocar Chaur no chão.

    Não estou mais no meu ápice, e não tenho a mesma habilidade que tinha quando matava demônios atrás de demônios em Yalahar, há décadas.

    Mas sou mais que o suficiente pra acabar com uma cambada de ninjas fedendo a sangue.

    Eu já matei mais de duzentos demônios, caralho. Um filho da puta de vermelho jogando sangue em mim nunca será o suficiente pra me parar. Por isso, se prepare, Senzo e companhia.


    Eu estou chegando.








    Próximo: Capítulo 33 – Dilúvio
    Última edição por CarlosLendario; 10-02-2018 às 20:14.



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  3. #163
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    Cara, tava de bobeira essa madrugada no serviço e pensei, poxa vou lá na seção roleplaying ler um história, e sabe qual foi contemplada?
    kkkkk
    Bom tenho que dizer que aquele capítulo deu umas instigação de como o Nuito com seu conhecimento e muita audácia fez experimentos numa escala ampla, e como descobriu a solução dos problemas que criou, lembrou me bem que em várias áreas do continente Tibiano tem pântanos, não se restringe só em Venore como antigamente, tem outra parte daquela quest da bruxa nova, tem outra colada em Thais e muito ao sul dela tem até respawn de Swamp Trolls, boas ligações para a história - se não tiver relação com pantano viajei bonito kkkkk

    O restante comento quando ler, sucesso e boa sorte ai

  4. #164
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    Citação Postado originalmente por Sombra de Izan Ver Post
    Cara, tava de bobeira essa madrugada no serviço e pensei, poxa vou lá na seção roleplaying ler um história, e sabe qual foi contemplada?
    kkkkk
    Bom tenho que dizer que aquele capítulo deu umas instigação de como o Nuito com seu conhecimento e muita audácia fez experimentos numa escala ampla, e como descobriu a solução dos problemas que criou, lembrou me bem que em várias áreas do continente Tibiano tem pântanos, não se restringe só em Venore como antigamente, tem outra parte daquela quest da bruxa nova, tem outra colada em Thais e muito ao sul dela tem até respawn de Swamp Trolls, boas ligações para a história - se não tiver relação com pantano viajei bonito kkkkk

    O restante comento quando ler, sucesso e boa sorte ai
    Passa na minha, também. Ingrato.

    @CarlosLendario

    Que lore mais interessante neste capítulo. As memórias de Nightcrawler são, verdadeiramente, um show a parte, assim como o próprio personagem, isoladamente. O que me chama a atenção é quanto rancor ele carrega dentro de si, e esse desejo de matar enriquece o personagem ainda mais. Não que ele precise de novos motivos, porque Nightcrawler é Nightcrawler, mas, bah. Ele é demais.

    Só gostaria de pontuar algumas coisas referentes à gramática, Carlos. O conteúdo do capítulo é fenomenal, como sempre, mas gostaria de indicar os seguintes trechos como sugestão para uma situação futura. Talvez, na ânsia por criar um conteúdo espetacular, você tenha acabado atropelando esses trechos, o que não é nenhum pecado, mas que amigo seria eu se não os apontasse?

    Mas Varmuda não parece estar muito a fim de me dar um descanso.
    Repare no negrito. "A fim" e "afim" são palavras diferentes.
    Embora exista muitas entidades, [...]
    Muitas entidades existem, certo? Então, embora "existam" muitas entidades.
    Mais da metade do mundo já botaram um preço pela minha cabeça.
    Quem já botou um preço pela minha cabeça foi mais da metade do mundo, que é um sujeito singular e, portanto, exige a concordância também no singular.
    São apenas apontamentos pontuais. Tenho certeza de que você não se chateará com eles.

    No mais:

    Sinceramente, ele sempre me pareceu meio bicha, mas ele é gente boa.
    Que TOPPEN VIADDOMMM! Leonard feelings. HAHAHAHAHAHA

    Lea. Ah, a Lea. Ah, a voluptuosa e farta Lea.
    Damn, it. Finalmente chegamos no ponto em que você me perguntava freneticamente sobre se eu conhecia algum sinônimo para "voluptuoso". É interessante ver nossas conversas se refletindo na sua escrita, de verdade. Gosto muito disso.

    Eu já matei mais de duzentos demônios, caralho. Um filho da puta de vermelho jogando sangue em mim nunca será o suficiente pra me parar. Por isso, se prepare, Senzo e companhia.


    Eu estou chegando.
    Rapaz, o capítulo se encerrou de maneira chocante. Óbvio que as memórias de Nightcrawler são suficientes por si só, mas essa confiança, esse destemor, somente fazem acentuar características básicas do personagem, que é incrível. Sinto-me mais atraído por Bloodtrip agora que ele retornou, não que precisasse de incentivo, mas admito que a história com Nightcrawler e Dartaul é mais envolvente do que sem eles, e isso é inegável. Nunca escondi.

    De mais a mais, aguardo pelo próximo capítulo, irmão. Este, especialmente, possui um conteúdo muito vasto, sem se tornar maçante. Muito bom o que você conseguiu fazer com ele.

    []'s
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

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  5. #165
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    Cara, tava de bobeira essa madrugada no serviço e pensei, poxa vou lá na seção roleplaying ler um história, e sabe qual foi contemplada?
    kkkkk
    Bom tenho que dizer que aquele capítulo deu umas instigação de como o Nuito com seu conhecimento e muita audácia fez experimentos numa escala ampla, e como descobriu a solução dos problemas que criou, lembrou me bem que em várias áreas do continente Tibiano tem pântanos, não se restringe só em Venore como antigamente, tem outra parte daquela quest da bruxa nova, tem outra colada em Thais e muito ao sul dela tem até respawn de Swamp Trolls, boas ligações para a história - se não tiver relação com pantano viajei bonito kkkkk

    O restante comento quando ler, sucesso e boa sorte ai
    Opa Izan, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Cara, na verdade, aquela área de Edron que Nuito escolheu pra começar seu plano acabou virando um pântano depois de ser curada, exatamente como é hoje em dia. Eu levo em conta que pântanos um dia já foram lagos ou rios comuns antes de alguma condição de milhares de anos alterá-lo (Ou tô brisando mesmo). Mas os pântanos que você mencionou não tem relação com a história, infelizmente.

    Agradeço a presença, parceiro.

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Que lore mais interessante neste capítulo. As memórias de Nightcrawler são, verdadeiramente, um show a parte, assim como o próprio personagem, isoladamente. O que me chama a atenção é quanto rancor ele carrega dentro de si, e esse desejo de matar enriquece o personagem ainda mais. Não que ele precise de novos motivos, porque Nightcrawler é Nightcrawler, mas, bah. Ele é demais.

    Só gostaria de pontuar algumas coisas referentes à gramática, Carlos. O conteúdo do capítulo é fenomenal, como sempre, mas gostaria de indicar os seguintes trechos como sugestão para uma situação futura. Talvez, na ânsia por criar um conteúdo espetacular, você tenha acabado atropelando esses trechos, o que não é nenhum pecado, mas que amigo seria eu se não os apontasse?


    São apenas apontamentos pontuais. Tenho certeza de que você não se chateará com eles.

    No mais:


    Que TOPPEN VIADDOMMM! Leonard feelings. HAHAHAHAHAHA


    Damn, it. Finalmente chegamos no ponto em que você me perguntava freneticamente sobre se eu conhecia algum sinônimo para "voluptuoso". É interessante ver nossas conversas se refletindo na sua escrita, de verdade. Gosto muito disso.


    Rapaz, o capítulo se encerrou de maneira chocante. Óbvio que as memórias de Nightcrawler são suficientes por si só, mas essa confiança, esse destemor, somente fazem acentuar características básicas do personagem, que é incrível. Sinto-me mais atraído por Bloodtrip agora que ele retornou, não que precisasse de incentivo, mas admito que a história com Nightcrawler e Dartaul é mais envolvente do que sem eles, e isso é inegável. Nunca escondi.

    De mais a mais, aguardo pelo próximo capítulo, irmão. Este, especialmente, possui um conteúdo muito vasto, sem se tornar maçante. Muito bom o que você conseguiu fazer com ele.

    []'s
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Esses erros foram de empolgação e passaram pela revisão sem que eu percebesse. Não vão se repetir.

    Eu aproveitei essas últimas partes para salientar coisas sobre Nightcrawler, sua personalidade e o que o levou a ir sozinho para Chaur. Ainda farei mais disso, com o propósito de dar mais sentido as coisas, já que a história nunca foi exatamente um show de ação. E as conversas e inclusive a sua história tem me ajudado bastante, então dá pra você notar uma coisa ou outra delas nos capítulos.

    Eu aposto que o Leonard falaria isso mesmo ao saber que o Palimuth tinha uma queda pelo Nightcrawler

    E fico feliz que o formato que tomei pro capítulo tenha agradado, de verdade. Faz muito tempo que não escrevo nada em primeira pessoa, então é bom saber que não tive uma queda de qualidade nesse quesito. Nesse capítulo aqui eu também tomei uma abordagem diferente das outras na história, então espero que esteja bom também.


    Obrigado pela presença fiel, cara. Tem ajudado bastante a história.












    Chegou o capítulo prometido! Depois de tanto tempo só na tensão, finalmente voltaremos a ter ação.

    Para dar início, deem uma olhada nessa ilustração feita pelo @Showman (E que eu intensifiquei as cores, pode me socar depois):





    Fiquei realmente feliz com essa ilustração. É uma ótima sensação quando algo que você escreve toma forma! Muito obrigado pelo trabalho, Showman!


    Agora, vamos ao capítulo.




    No capítulo anterior:
    Nightcrawler tem um monólogo. Ele reflete seus próprios motivos e a sua situação, além de lembrar de quem deseja que ele retorne.




    Capítulo 33 – Diluvio




    Chove sobre as planícies mais temidas do continente tibiano. O dia cinzento não dá sinais de que voltará a ser ensolarado e bonito.

    Se é que já foi bonito algum dia.

    As Planícies do Horror são temidas devido as inúmeras criaturas que podem ser encontradas por toda a sua extensão, seja na superfície ou no subterrâneo. Outro fator que ajuda a alimentar o medo nas lendas ao seu respeito é que as criaturas que são mortas lá sempre retornam, e atacam quem as matou com mais vigor e ódio. As coisas que podem ser encontradas lá são variadas, desde mortos-vivos até aranhas gigantescas.

    Entretanto, como Nightcrawler já sabe, elas não irão atrapalhá-lo. Até porque já faz 12 anos desde que as planícies não possuem mais vida, e 12 anos desde que as chuvas começaram a maltratar as terras ao redor de um ponto fatídico: Chaur.

    Andando com atenção planície abaixo, ele vê a cidade estranha logo adiante. A chuva não está forte, mas quando ele chegar lá, ela certamente irá piorar. Para contornar isso e as roupas molhadas não o atrapalharem, ele usa o controle sobre o fogo dos feiticeiros para esquentar sua roupa o suficiente para ela não ser afetada pela água, e ao mesmo tempo, evitando que ela aumente desnecessariamente a sua temperatura corporal. Uma tática dessa leva anos de prática, algo que Nightcrawler certamente possui.

    Mais uma hora de caminhada. Ele não se importa. Quanto mais demorar, melhor sua estratégia será.

    O detetive esteve pensando muito desde que deixou os territórios de Thais e começou a ir na direção do caminho que leva a Venore. Sabe que cedo ou tarde, as pessoas que o ajudaram perceberão que foram usadas. Mas, desde o começo, ele nunca quis ajuda. Trevor se ofereceu no começo, e trouxe mais pessoas para o caso, pois sozinho ele não faria nada. Talvez pudesse, mas não nas circunstâncias que ele preparou em Yalahar. Mas, no fim, ele nunca quis ajuda, e sempre sentiu um incomodo em deixar aquelas pessoas frente a frente com os assassinos mais perigosos que Tibia já viu.

    Outro incomodo desde que deixou Thais era o fato dele conhecer aquele caminho perfeitamente. Ele não sabia até agora onde ficava Chaur, mas quando disse o nome desse lugar para Soulslayer, na emboscada do Arsenal de Ratos, ele percebeu que sabia perfeitamente como chegar lá. Não só isso, ele acabou se lembrando de eventuais vezes onde sofreu com lapsos de memória que o davam as informações que ele estava procurando.

    É como se Varmuda estivesse lhe ajudando inconscientemente de alguma forma. Passando para ele tudo que ela sempre soube a respeito da Irmandade, mas quis contar na hora certa, para que nada desse errado. A verdade é que Nightcrawler não é um detetive extremamente genial como aparentava ser, e era perfeitamente inclinado para cometer erros, como em Yalahar. Ele sabe bem disso, e Varmuda também fazia questão de lembrá-lo disso o tempo inteiro. Então esses lapsos eram convenientes para ele.

    Você não é o melhor detetive de Tibia. Você é você. E tem uma missão a cumprir.

    Desde que mantivesse isso em sua cabeça, poderia fazer qualquer coisa.

    Nightcrawler lembra que só agora que ele está chegando um pouco mais perto do seu período de auge, onde podia lutar contra dezenas de demônios sem parar. Lembra do seu passado. De tudo que sofreu até chegar ali. De como perdeu seu amigo, Senzo, para suas próprias aspirações. E de como o próprio parece ter arrancado parte de seu poder de seu corpo.

    E, naquele momento, ele pensa que as leituras espirituais que eventualmente eram encontradas no sangue que a Irmandade usava tinham relação com a Manipulação de Almas. Ele precisa confirmar isso com seus próprios olhos, tirando todos de seu caminho para lidar com seu problema maior: Sarutevo.

    Mas Soulslayer também é um problema imenso. Ele não é o líder, mas tem um nível de poder bem alto, sendo respeitado por todos lá dentro. Certamente todos tentarão atrasá-lo e cansá-lo antes que chegue no seu nemesis, para que assim a luta seja mais fácil para Senzo. Mas ele não planeja deixar isso acontecer. Ele fará o possível para aguentar até o final.

    Mesmo que ele não esteja tão convencido de que vá conseguir.


    A chuva está mais intensa e cai com mais vigor. Chaur some pouco a pouco no horizonte, como se fosse uma ilusão. Como se Nightcrawler não fosse convidado para entrar nessa cidade. Caso ele se perca no meio dessa chuva, é capaz que ele fique vagando para sempre ao redor de Chaur, mas nunca veja a cidade nem sinal de que ela está por perto.

    Provavelmente esse é o mecanismo de defesa da cidade, que impede que qualquer um entre nela.

    Nightcrawler não aceita que os membros da Irmandade estejam simplesmente negando-o, como se ele não fosse nada para os seus assassinos de vermelho. Ele já parece notavelmente irritado pela cidade estar começando a sumir, então ele decide fazer algo que talvez os atraia.

    — Isso vai me desgastar um pouco — Murmura para si mesmo o detetive. — Mas não tenho escolha, tenho?

    Suzio para e olha para o céu, ignorando as gotas de chuva que entram pelas cavidades de sua máscara e tocam sua pele levemente maculada pelo tempo. Em seguida, ele suspende seus braços, e fica um tempo parado, deixando a chuva atingir suas roupas e desaparecer ao contato, devido a sua magia de evaporação de líquidos, que acaba deixando-o impermeável.

    Ele concentra-se ao fundo de sua alma. Escava suas memórias. Seus medos, seus sentimentos mais profundos. Encontra alegria, tristeza, felicidade, desgraça. Ódio e melancolia. Raiva e serenidade. Fúria e depressão. Ele busca o que nunca tentou buscar antes.

    Ele se vê dentro de um imerso mar escuro, com apenas uma luz tímida vinda do sol iluminando partes desse lugar sem esperança. Seu próprio vasto mar de sentimentos, memórias, sensações, tudo que for de mais humano. Vê peixes ao seu redor, também tímidos a ele, ou simplesmente temerosos demais. Ele não é um peixe. Ele não é um ser do mar. Ele não é comida, tampouco um predador. Ele não é um espírito.

    Ele não é humano.

    Ele vira-se para encarar o lado escuro logo atrás dele. Ele não vê nada. O sol não consegue penetrar aquele lugar, apesar dele ser parte da superfície. Aquela sombra parece ser onipotente, quase inteiramente capaz de sugar a própria luz. Eventualmente, ele vê movimentos estranhos, coisas estranhas observando-o na escuridão. Ao tentar se aproximar, ele sente seu coração ser envolvido por uma mão fria e um solavanco avassalador na barriga.

    Isso sou eu.

    Uma criatura distorcida surge da escuridão. Ela parece ser incrivelmente parecida com Nightcrawler, sem sua máscara, mas ela possui vários olhos espalhados pelo seu rosto, bem como alguns dentes aqui e ali. Ela possui nadadeiras quase destruídas por várias outras criaturas ao longo do tempo ao invés de braços, e tentáculos, ao invés de pernas. Uma crista de tubarão na cabeça, uma fileira de chifres podres da nuca até a outra ponta das costas. Há olhos nesses tentáculos. Há olhos nessas nadadeiras. Há olhos na crista, e nos chifres.

    Por que tantos olhos?

    Para olhar para a escuridão no seu lugar.

    Os inúmeros olhos que observavam os arredores viram-se todos para Nightcrawler, em uníssono.

    Que tal olhar para si mesmo?

    Que tal ver o quão desprezível e nojento você é?

    Que tal fitar essa escuridão que insiste em correr para fora de sua casca, a ponto de destruir o mundo?

    Quer dizer que você vai enfrentar aquele que afundou seu coração nessa treva apenas por causa de Tibia? Você realmente se importa com Tibia? Você se importa com os deuses, com os humanos, elfos, anões, orcs, minotauros e qualquer outra coisa viva desse mundo?

    É claro que não. Somos iguais, Nightcrawler. Queremos destruí-lo apenas por desejos egoístas. Queremos vingar nossos amigos. Queremos vingar Estella, pois ela nunca teve a chance de ao menos dizer que te amava. Queremos vingar tudo que foi vitima de coisas malignas, não importa se nos unimos a um demônio, da mesma raça que matou dezenas de amigos e conhecidos seus, que te fez sofrer mais do que Senzo e companhia.

    Hipócritas, egoístas, egocêntricos, arrogantes, nojentos, odiosos, vingativos, assim somos nós, Suzio. Assim... Somos... Nós.


    Assim somos nós.

    Pois tô pouco me fodendo se os demônios mataram várias pessoas que eu gostava. Eu não sou deus para derrotá-los.

    Eles são a balança de Tibia. De um lado está os deuses, do outro está os demônios.

    De um lado, a divindade, do outro, a maldade.

    Eu não tenho poder para quebrar essa balança, pois seria o mesmo que partir o mundo em que eu existo ao meio.

    Ao invés de quebrá-la, eu criei minha própria balança. Eu estou de um lado. Senzo do outro.

    Mas já passou da hora de quebrá-la. Não por Tibia. Por mim mesmo.


    Excelente.

    Estamos lutando. Mas não por algo desse mundo. Mas por nós mesmos.


    A criatura desaparece, e Nightcrawler sente a urgência de subir para a superfície.

    Ele nada, rapidamente, até o topo, que o espera ansiosamente. Não importa se Suzio não se importa com o mundo, o mundo se importa com ele. Mesmo que ele seja destruído futuramente por causa dele, pouco importa.

    Tibiasula não tem o dever de desgostar de alguém por esse alguém não gostar dela.

    Nightcrawler sai da água. E do devaneio.

    Um espírito de mais de oito metros levanta-se junto do detetive. Laranja, de contornos brancos, com um rosto que lembra vagamente o de uma coruja. Ele levanta-se, de braços suspensos, na mesma pose que o detetive, e afasta a chuva numa grotesca e gigante onda de choque, fazendo a própria chuva parar de chover, e o clima ao seu redor ficar somente nublado apenas por um instante.

    Logo, o espírito some e a chuva volta a cair. Chaur está bem mais visível agora, mesmo com a chuva intensa.

    — Até que enfim. — Murmura Nightcrawler, com um sorriso. — Que trabalheira dos infernos.

    O detetive anda rapidamente até Chaur, mais preparado do que nunca. Cumpriu o último requisito, que esteve adiando até sua chegada na cidade. Ele se aceitou. Assim como Senzo fez, há um bom tempo.



    ~*~



    A cidade chuvosa de Chaur possui um estilo de edifícios peculiar. Todos eles parecem ser feitos de ferro, e diversos deles parecem ser feitos de tijolos a partir de sua base. Os edifícios mais próximos do centro são feitos de mármore negro, e parecem ser bem antigos.

    Ele vê a torre de uma catedral no centro da cidade. Já achou seu destino.

    Ao andar pelas ruas, nota que elas são mais modernas que as de Thais, a atualmente mais moderna cidade de Tibia. Asfalto no centro, concreto nas calçadas. Postes a gás aqui e ali.

    Nightcrawler não se sente em Tibia ao pisar naquela cidade, pois ela parece ter sido retirada de alguma ficção presente em algum livro. Ela parece ser de uma época muito adiante, desconexa e confusa, tão distante e futurista que parece inimaginável para um tibiano comum. Andando pelas ruas desertas, ele nota que todas as janelas estão fechadas, e que as possíveis lojas onde estariam um vendedor ou outro estão fechadas, tapadas com placas de madeira.

    Ele já era esperado, aparentemente.

    O detetive faz seu caminho até a catedral. Há algum tempo notou vultos nos telhados, sombras estranhas em chaminés e escuridão em becos que deveriam ser claros. Cada passo seu está sendo observado e calculado. Se ele fizer um movimento estranho, acabou. Nem seu poder será capaz de segurar aqueles Sangues saindo de todos os cantos, pulando da escuridão para tomar-lhe o seu sangue. Ele, obviamente, precisa atrai-los para um local espaçoso. A catedral pode ser o suficiente.

    E se eles não o atacaram ainda, significa que tanto Senzo quanto Sarutevo querem que ele venha para a catedral.

    Demora quase dez minutos para chegar lá. Chaur é um pouco grande para uma cidade escondida em meio a uma chuva incessante.

    Ao chegar em frente dela, ele sente dezenas de presenças em todos os lados. Ao pegar seu relógio de um bolso do seu sobretudo, ele faz de conta que está olhando as horas, quando está apenas tentando detectar quantas pessoas estão atrás dele pelo vidro do objeto. Ele consegue identificar quarenta e seis sombras em cima de todos os telhados ao seu redor.

    Levemente hesitante, ele guarda o objeto e abre os portões da Catedral Sombria. É chegada a hora de lidar com seu destino.

    Ao entrar, ele deixa sabe-se lá quem fazer seu trabalho e fechar os portões atrás dele. Adiante, há várias tochas acesas, em todos os cantos. Um segundo andar pode ser visto, com algumas tochas a menos. Assim como por fora, por dentro ela é feita inteiramente de mármore negro, cuidadosamente lapidado e posicionado. A luz das tochas dança ao seu redor, trazendo ilusões para sua visão periférica.

    Mas dentro de Chaur, não há ilusões, nem falsas impressões. Tudo é real.

    Logo, Nightcrawler está cercado pelos mais de quarenta Sangues de antes. Seja embaixo, em cima, todos aguardam pelo seu momento. Pela ordem do absoluto, aquele que os lidera nas sombras e nunca revela seu rosto. Entretanto, hoje, ele decidiu mostrar seu rosto.

    No andar acima, ele surge em meio aos vários Sangues, todos com o mesmo uniforme característico da Irmandade do Caminho de Sangue. A roupa vermelha, a cobertura de manequim protegendo o corpo físico, todos esses sinais estão ausentes em Sarutevo. Ele possui braços que contam com duas veias enormes, parecendo cobras, serpenteando por toda a sua extensão, entrando pelo seu pulso antes de alcançar sua mão. Uma é negra, a outra é vermelha. Elas estão vivas, devido a saturação intensa de sua cor.

    Essas duas veias vão até seu pescoço e atravessam seu rosto também. Elas serpenteiam para trás da cabeça, e parecem dançar pelas suas costas antes de alcançar as pernas, fazer uma nova volta e chegar no tronco, misturando-se com a outra dúzia de veias iguais. Seu corpo é escuro, lembrando cinzas, e musculoso. Seu cabelo é quase inexistente, mas parece – ou parecia – liso e longo. Ele tem a mesma cor escura do seu corpo, embora seja mais intensa.

    Ele põe as mãos sobre a mureta de mármore escuro que separa aquele andar do térreo, e fita Nightcrawler com seus olhos vermelhos, que parecem mais intimidadores do que de qualquer outro demônio.

    — Bem vindo. — Lança Sarutevo, com uma voz grossa e intimidadora.
    — Obrigado. Falaram que aqui tinha bebidas grátis. Não sou muito de beber, mas gosto de fazer alguns amigos.
    — Gosta de fazer piadas, não é, Suzio Bahrl Resgakr? Honestamente, não me importo que você as faça. É uma presença totalmente diferente da nossa, afinal.
    — É. Sou mesmo. E eu não gostei muito de vocês, então acho que tenho que fazer algo a respeito disso, não é? Acho que você concorda.

    Sarutevo ri moderadamente. Algo que não devia fazer a séculos, por isso a risada parece mais intimidadora que a própria voz dele.

    — Claro que concordo... Senão, eu não teria trazido meus seguidores comigo.

    Suzio passa o olho pelos Sangues. Identifica Hator e mais alguns outros, mas não encontra Stanni’al ou Onni’aw, tampouco Lalori. Provavelmente eles foram atrás de Zoe. Logo, ele vê, no andar térreo, surgindo no meio dos Sangues, aquele que é perfeitamente o outro lado da balança. O homem que possui a mesma vestimenta que os Sangues comuns, tirando o fato de que ele possui um símbolo peculiar no peito e acima da região do seu olho, ambos presentes no lado direito de seu corpo.

    Soulslayer aguarda o inicio do combate. Espera apenas pela ordem do mais poderoso deles. Por fim, Sarutevo suspira devagar, e olha com desprezo para o detetive. E sorri.

    — Sangue para o deus do sangue.

    Todos os Sangues avançam ao mesmo tempo contra Nightcrawler logo ao final da sentença do líder. O detetive já estava preparado.

    O poder demoníaco de Varmuda envolve seus braços, metade de seu tronco e sua cabeça. Seu rosto está envolvido por um rosto demoníaco e sorridente. O espírito laranja que o envolve parece mais animado do que Suzio, e inicia o combate antes dele. Ele salta para fora da proteção que criou ao redor de seu receptáculo e gira com os braços levantados, atirando todos os membros para longe, e retorna.

    Suzio defende o primeiro Sangue pessoalmente em menos de três segundos, socando seu rosto. Ele soca outro, e mais outro, e mais outro. Salta para trás e chuta o rosto de mais um ainda no ar, e martela a cabeça de outro juntando ambas as mãos e batendo para baixo antes mesmo do Sangue aparecer. Mais um aparece na sua frente, e ele chuta sua barriga e soca-o com a mão esquerda.

    Cordas com pontas de lança afiadas surgem a partir da energia que o protege e acertam múltiplos Sangues. Oito baixas para Sarutevo, zero para ele.

    Hator surge ao longe. Esse membro possui chifres de cabra na testa, e de um touro nos ombros. Seus braços possuem desenhos de ondas escuros, e sua roupa é de um carmesim escuro e sombrio. Sua arma é uma katana. Este, ao invés de se juntar aos Sangues que queriam acertá-lo com pulsantes, ele os chuta, um a um, na direção de Nightcrawler. O mesmo projeta uma grande e afiada espada na mão direita, e a usa para fatiar cada um dos membros atirados na sua direção. Treze para Sarutevo, zero para ele.

    Ao chocar-se com Hator, ele percebe um desenho de um meio-círculo com uma chama no centro na sua máscara de manequim, ambos negros. Não é um detalhe importante para Suzio, que chuta seu joelho, gira rapidamente sua lâmina – arrancando a cabeça de outro Sangue no processo – na tentativa de acertar Hator, e chuta novamente o peito dele, mas seus golpes não funcionaram. Todos defendidos.

    Hator pula e tenta chutar o rosto de Nightcrawler, mas ele defende com ambos braços. O mascarado usa um chute giratório, defendido por apenas um braço de Hator. O que ficou sem uso é usado para um golpe reto na lateral, abaixo de sua axila, mas seu alvo abaixa-se a tempo. Ao se abaixar, ele chuta seu tornozelo direito, fazendo Hator se desiquilibrar, e enquanto este aguarda que Nightcrawler use um golpe da espada projetada, para sua surpresa, percebe que o detetive nem mesmo está no chão mais. E sim acima dele.

    Suzio concentra energia no braço direito e soca Hator contra o chão. Com o impacto, Hator quebra sua máscara e a área peitoral do manequim. Em seguida, ele refaz a espada de antes e finca ela na nuca do Sangue, enquanto este tentava se levantar. Uma grande perca para Sarutevo, convencido de que deixar apenas dois dos antigos oito melhores na sua base seria o suficiente para parar o seu principal inimigo.

    Na verdade, Suzio se mostra muito mais do que Sarutevo ou até ele próprio esperava ser. Derrotando e lançando membros para todos os lados, escapando de seus pulsantes e suas adagas brilhantes, ele percebe que sua força está imensa e imparável. Como um herói de alguma lenda, lidando com várias criaturas ao mesmo tempo. Algo que nem Suzio compreendia que fosse possível. O poder de Varmuda parece ter crescido só dele ter tirado sua conexão com ela. Mas isso traz uma desvantagem severa para ele: O que ele descobrir ali, jamais será dito a ninguém.

    Afinal, Nightcrawler sabe que não irá sobreviver.

    Ambos os seus olhos estão negros, com o losango alaranjado no centro, e a pupila negra no meio dele. Sua Manipulação de Alma está galopando para o limite em pouco tempo. Felizmente, os números da Irmandade já caíram bastante.

    Subitamente, os membros param e todos eles explodem seus pulsantes ao mesmo tempo. Ele recua. Não esperava por isso, o que o faz reforçar sua própria proteção para evitar ser pego pelo efeito daquela arma nociva. E antes do que espera, uma explosão enorme cobre o salão da catedral. Quase é pego nela.

    Quando ela se dissipa, sobra apenas um pó avermelhado cobrindo parte da visão adiante, e desse pó, dois membros saltam na sua direção. Um deles possui uma linha grossa de tinta azul no lado esquerdo do rosto, lembrando os bárbaros de Svargrond. O outro possui inúmeras marcas de queimado pelo uniforme, e vários símbolos semelhantes ao que Soulslayer possui no peito, mas este está distribuído por toda a extensão do manequim do seu corpo. Ele sabe o que significa: Explosão.

    O primeiro membro é lançado pra frente por uma pequena explosão do outro, e enquanto ele avança, dezenas de espinhos carmesins o acompanham do chão. Aquilo parece problemático para as habilidades de Nightcrawler, então ele salta para o ar. O Sangue dos espinhos usa um deles para saltar para cima, crescendo seus espinhos mais e mais, mas subitamente ele é lançado para cima por alguma força estranha, indo mais a frente dos seus espinhos que o normal. Força projetada por Suzio.

    Suzio sorri maleficamente e soca o peito dele, atirando-o contra os próprios espinhos e matando-o. Após isso, ele estende o braço espiritual que possui contra uma das paredes ao seu lado e vai na direção dela. Subitamente, ele entra dentro dessa parede, e surge atrás do Sangue das explosões, sem ele perceber, enquanto este está no chão, procurando-o.

    Antes que os espinhos sumam, ele usa um chute cavalar para erguê-lo para cima, salta para junto dele, e acerta uma cotovelada insanamente poderosa no seu peito, atirando-o contra os espinhos feitos de sangue do companheiro. Ele acerta os espinhos antes deles sumirem, abrindo vários buracos pelo seu corpo. Dezesseis para Sarutevo, zero pra ele.

    O pó vermelho que se acumulou ao redor de onde estava Sarutevo se dissipa. Todos os membros o atacam de surpresa, mas, como esperado, isso não funciona, pois o detetive convoca uma explosão mágica de alto poder. Nos minutos seguintes, Nightcrawler permanece lutando sem parar. Ele soca, chuta, esmaga, e até mesmo usa o espírito que personifica Varmuda para devorar parte do tronco de alguns dos Sangues. Enquanto essa luta desvairada e descontrolada ocorre, Soulslayer e Sarutevo observam. Não há muito mais o que fazer. Eles realmente subestimaram o detetive. Pois, aparentemente, Nightcrawler jamais mostrou tamanho poder antes. É como se ele tivesse guardado tudo aquilo para o momento certo de usar.

    Ou simplesmente ele não se preocupa mais com a própria alma e prefere usá-la inteiramente para destruir seu inimigo.

    Passam-se alguns minutos. Sarutevo possui quarenta baixas. Nightcrawler ainda está de pé. Ninguém sequer tocou ele. Ele fita Sarutevo, e Soulslayer, logo ao lado dele.

    — Tá fácil ainda. — Disse, sorrindo — Mande o que tiver de melhor, Sarutevo.

    O líder dos Sangues mexe a cabeça negativamente, como se estivesse decepcionado pelas percas. É como se tivesse criado um grande grupo de gente inútil, buchas de canhão para intimidar os fracos e fazer crer que eles eram realmente onipotentes. Aquele detetive está ali pra provar que não.

    Soulslayer treme um pouco. Não de medo, mas de excitação. Está aguardando ansiosamente pela ordem de seu mestre, mas mal pode se conter.

    Ele vê uma marca de mão na barra de ferro que separa os andares. Ela brilha numa coloração vermelha. A autorização.

    Um sorriso se forma na máscara de madeira de Soulslayer. Ele explode em sangue e aparece logo abaixo em menos de um segundo.

    — NUITO! Eu esperei muito por esse momento. — Grita Soulslayer, mal se contendo de alegria.
    — Meu nome não é Nuit... Ah, tanto faz. Chame-me do que quiser. Isso não fará diferença quando você estiver estirado no chão.
    — É claro que é Nuito. Você tem o Resgakr no nome. Assim como ele.

    Nightcrawler levanta uma sobrancelha. Não se lembra de ninguém na sua família que se chamasse de Nuito. Na verdade, ele mal conhece a própria família, então faz sentido que ele não saiba quem esse homem é, e que Soulslayer esteja confundindo os dois.

    — Não acredita? Eu matei aquele que se chamava Suzio há muitos anos, e de repente, alguém de personalidade diferente e levemente exótica toma seu lugar e assume seu nome e sua genialidade. Não conheço ninguém senão você, Nuito, para substitui-lo. Afinal, se Ember ainda está viva, isso significa que você também estaria. Mas... Onde ela está? Onde a escondeu esse tempo todo?
    — Uman. Ou qualquer outro caralho de entidade. Você tá falando muita, mas muita merda. Pois eu não sei quem é Ember, nem quem é Nuito. Mas sei quem é você. Você matou Estella e todos os meus amigos nas Plataformas do Inferno. Aqui se faz, aqui se paga, Senzo Niban.
    — Senzo... Niban. Isso me traz memórias.

    Suzio, pela primeira vez desde que chegara, pega duas facas com runas mágicas escritas e prepara-se para o combate decisivo. Os Sangues que ainda sobraram nem pensam em incomodá-los, afinal, é o grande show. É o que Sarutevo também espera.

    Senzo gera dois pulsantes do nada e os esmaga com as suas mãos, revelando duas adagas longas, brilhantes e afiadas.

    — Sangue para o deus do sangue.
    — Inferno para o fugitivo do inferno.

    Em uníssono, um salta na direção do outro.






    Próximo: Capítulo 34 – Fatal




    BLOOD FOR THE BLOOD GOD
    warhammer intensifies








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  6. #166
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    Para dar início, deem uma olhada nessa ilustração feita pelo Showman (E que eu intensifiquei as cores, pode me socar depois)
    Que nada, o importante era passar a ideia, a partir daí vc que decide o que faz com o desenho, se quisesse poderia botar até os personagens de lingerie nayrnyarnyar. No mais boa sorte com a história (Y)
    (OuO)

  7. #167
    Avatar de Neal Caffrey
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    Que final de capítulo. Céus.

    Nigthcrawler, como não economizo em dizer, é um dos personagens mais impressionantes com que já tive contato. A força que ele demonstra e a aparente calma diante de certos desafios somente o tornam uma figura ainda mais peculiar. As reflexões de Suzio ao encarar seu eu também foram um alto ponto do capítulo e, embora ele discorde, considero-o o maior detetive de Tibia. Sensacional, como sempre.

    No mais, mais um capítulo que finda com um combate pela metade. Isso é importantíssimo pra que as atenções estejam voltadas pro próximo. É evidente que Bloodtrip é uma história que chama a atenção por si só, mas, verdade seja dita, as cenas em excesso enriquecem a história em seu nascituro. E a representação do @Showman do Nightcrawler, rapaz. Já tinha tido a oportunidade de comentar sobre ela contigo oportunamente e, embora não tenha sido exatamente uma surpresa, continuou sendo uma ilustração muito, mas muito legal. Deve ser a mesma sensação que J. K. Rowling teve quando viu sua série de 7 tomos se transformar em 8 filmes, ou quando J. R. R. Tolkien viu o que foram capazes de fazer com sua série de volumes.

    Sensacional o seu trabalho até agora como de praxe, Carlos. Prossiga nesse caminho que ele só tem um destino.

    []'s
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Sétima Vingança
    Acompanhe a penúltima história de Jason Walker na seção Roleplay!



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